A investida do presidente Lula (PT) no segmento evangélico seria um erro estratégico. Essa é a avaliação da cientista política e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (ABRAPEL), Mara Telles. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ela analisa que o petista deveria investir nos segmentos que lhe garantiram a vitória em 2022, a exemplo de mulheres e pessoas que ganham até dois salários mínimos, em vez de uma aproximação de última hora com o setor religioso.
“Já se consolidou que a maior parte do eleitorado evangélico tem ideologia mais próxima da direita. Isso cria uma dificuldade não apenas para Lula, mas para todos que sejam laicos. Hoje o eleitorado evangélico cresce, corresponde a quase 30% da população brasileira. E há uma visão de que a esquerda laica teve oito anos e nada fez por causa desse segmento. Por isso é pouco eficaz realizar encontros com um pastor progressista, isso impacta pouco na conquista de eleitores, que já são identificados com a direita”, analisou Mara.
“O presidente Lula cometeu um erro estratégico quando realiza essas aparições. Apostar nesse setor na última hora é um equívoco. Além de ineficiente, ele deveria investir mais em segmentos que contribuíram com sua vitória em 2022, entre os quais as mulheres e as pessoas que ganham de zero a dois salários mínimos”, completou a cientista política.

















