Na tarde deste sábado (27), a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), participa do ato Onda 55, que deve percorrer as principais ruas da área central do Recife, maior colégio eleitoral do estado. A mobilização foi incluída de última hora na agenda da gestora.
A campanha da governadora pretende mobilizar apoiadores da Região Metropolitana do Recife (RMR) para que compareçam já na concentração, que começa a partir das 14h30 na Rua da Aurora, no trecho localizado no bairro de Santo Amaro.
Desse ponto, Raquel Lyra, a vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause (PSD), os candidatos ao Senado e deputados federais, Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), e lideranças de segmentos culturais da cidade seguirão até a Praça do Arsenal.
A agenda deste sábado (26) do candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), conta com uma série de mobilizações pelo Sertão do Pajeú. João iniciou o dia com carreatas em São José do Egito e Itapetim. Nos dois municípios, João foi recebido por apoiadores e lideranças políticas.
Em São José do Egito, João realizou uma mini carreata até a feira no centro do município. Acompanharam o líder da frente popular a candidata ao Senado Marília Arraes, o ex-prefeito Evandro Valadares, os candidatos à reeleição para deputado federal Carlos Veras e Lucas Ramos e o candidato a deputado estadual Diogo Moraes.
Na sequência, João seguiu para Itapetim, onde participou de uma nova carreata. Desta vez, ao lado da prefeita Aline Karina, do ex-prefeito Adelmo Moura e do candidato a deputado estadual Romerinho Jatobá, João percorreu as principais vias do município até a concentração na Praça Rogaciano Leite, no Centro.
Durante o ato, João Campos reforçou propostas voltadas às mulheres, à educação e à saúde e destacou ações realizadas durante sua gestão à frente da Prefeitura do Recife. Entre as medidas citadas, estão a expansão da rede de creches e investimentos em unidades e profissionais de saúde.
“Eu tenho lado e tenho posição. Aprendi isso dentro de casa, com meu pai e com minha mãe. Pernambuco é uma terra que respeita as pessoas, e é por isso que a gente vai abrir mais de 15 novas delegacias para as mulheres. Também vamos ampliar a oferta de creches e cuidar da saúde e da educação. A gente está pronto para comparar resultados e mostrar o que foi feito no Recife e o que pode ser feito em Pernambuco”, afirmou João Campos.
A agenda no Sertão do Pajeú segue ao longo deste sábado com novos compromissos, seguindo para Afogados da Ingazeira, Carnaíba e finalizando e a noite em Serra Talhada.
No Baixo Império, quando as legiões aclamavam um novo imperador, o rei era levado nos ombros dos soldados. Era um gesto para legitimá-lo antes mesmo da aprovação do Senado. Na Roma Antiga, o ato de carregar generais ou líderes vitoriosos era o triunfo, mas quem os carregavam eram soldados submetidos a todo tipo de humilhação.
Por isso, quando vi, há pouco, o vídeo de Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, carregando a governadora Raquel Lyra (PSD) nos ombros, num ato político na cidade que ele governou com tamanha competência e se projetou para o Estado, não acreditei. Pensei ser um servo, vassalo.
Mas não. Era o melhor prefeito de Petrolina submetido a tamanho vexame! Um político que rompeu as fronteiras do Sertão e ganhou admiração e respeito em território urbano, além dos grotões.
Por isso, deu aquele estalo: estamos diante da cena mais patética de toda esta campanha em Pernambuco. Em regiões com histórico de desigualdade socioeconômica, como o Nordeste, a relação entre eleitor e político muitas vezes é pautada pelo clientelismo. O ato físico de carregar um político nos ombros choca, agride.
Nos remete a mais elevada sensação de humilhante e deslavada submissão. Deu náuseas. Miguel não precisava disso. Carregar nos ombros alguém que lhe negou pão e água, até o mínimo respeito, que o traiu, o usou como descartável, não é só humilhante. É repugnante!
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu condenar, por 7 votos a 3, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a um ano de detenção, mais multa de R$ 80 mil, por ter difamado a deputada Tabata Amaral (PSB-SP). O julgamento foi realizado em plenário virtual, prevalecendo ao final o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes.
O caso está relacionado a publicações nas redes sociais feitas por Eduardo em outubro de 2021, quando ele afirmou que Tábata atendia aos interesses do empresário Jorge Paulo Lehmann, sócio de uma marca de produtos de higiene, ao defender um programa de distribuição de absorventes.
Moraes acatou os argumentos dos advogados da deputada, entendendo que as manifestações de Eduardo, feitas quando ele também era deputado, foram além do simples debate político e não poderiam estar protegidas pela imunidade parlamentar, pois feriram a honra de Tabata.
O relator foi acompanhado por Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Ficaram vencidos os ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça, que votaram pela absolvição.
Desde fevereiro de 2025, Eduardo Bolsonaro encontra-se nos Estados Unidos, para onde diz ter ido para se proteger do que chama de “perseguição” jurídica no Brasil. O ex-deputado teve concedido um greencard (permissão de residência) pelo governo norte-americano. Ele acabou sendo cassado pela Câmara por excesso de faltas.
A medida provisória (MP) que proíbe as bets no país, anunciada ontem (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passou a valer ontem mesmo, com a publicação no Diário Oficial da União. Porém, terá um efeito inicialmente temporário, cuja validade é de quatro meses.
Para ter validade permanente é preciso que a medida seja votada em uma comissão mista com deputados e senadores e, depois, pelos plenários da Câmara e do Senado. A cúpula do Congresso ainda não se debruçou sobre o calendário e nem sobre quais parlamentares vão ocupar a relatoria e a presidência da comissão mista.
Em meio a campanha eleitoral, o Congresso está esvaziado e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não reuniram líderes partidários para definir os próximos passos da MP. A previsão é que um acordo só seja definido após o primeiro turno das eleições, quando os parlamentares não estarão mais em campanha.
Toda medida provisória tem duração inicial de 60 dias, com a possibilidade de ser renovada por mais 60 dias. É praxe que o presidente do Congresso, cargo que Alcolumbre acumula com o de presidente do Senado, faça essa renovação.
Esse período deixa de ser contado durante o recesso parlamentar, que só acontece após o Congresso votar a proposta orçamentária enviada pelo governo. Caso o orçamento seja aprovado e o Congresso entre oficialmente em recesso, a MP precisará ser votada em fevereiro de 2027. Caso isso não aconteça, o prazo é janeiro do ano que vem.
Lula assinou ontem, em São Paulo, a MP proibindo a atividade das bets no país menos de três anos após o governo ter sancionado, em dezembro de 2023, a chamada Lei das Bets, que regularizou o setor. A medida, considerada radical por alguns especialistas, visa atacar o endividamento das famílias brasileiras.
A partir da assinatura da MP, não serão permitidos novos depósitos nas contas das empresas de apostas. Os sites ficarão disponíveis para as pessoas fazerem resgate do saldo remanescente até às 23h59 de 5 de outubro. No dia 6 de outubro, os sites serão bloqueados. A devolução dos saldos aos apostadores será realizada entre os dias 9 e 14 de outubro pelas instituições financeiras que operam para as casas de apostas, caso o saque não seja feito voluntariamente até o dia 5 de outubro. Também está proibida a contratação de novas publicidades de bets.
Além da MP que proíbe as bets no país, o presidente apresentará ao Congresso projeto de lei para criminalizar as bets e seus operadores, inclusive com pena de prisão que pode ir de dois a seis anos. Diferente da MP, o projeto de lei só entra em vigor após ser avaliado pelos parlamentares.
O candidato a governador João Campos (PSB) publicou, neste sábado (26), uma mensagem de solidariedade à ex-deputada Roberta Arraes (PP), que registrou boletim de ocorrência após denunciar ter sido vítima de violência física e verbal em Araripina, no Sertão de Pernambuco. Nas redes sociais, João defendeu uma apuração rigorosa do caso e criticou a governadora Raquel Lyra (PSD) por ter ouvido o relato da violência e, mesmo assim, ter seguido em agenda de campanha com um aliado apontado como responsável pela violência contra a ex-parlamentar.
“Me solidarizo com a deputada estadual Roberta Arraes, que registrou boletim de ocorrência após denunciar ter sido vítima de violência física em Araripina. O caso precisa ser rigorosamente apurado pela Polícia Civil. Causa estranheza que, diante do relato, a candidata não tenha tomado nenhuma medida como governadora. Mesmo estando ao lado da vítima, que pediu medida protetiva, preferiu seguir sua agenda com o homem apontado por ela como agressor”, escreveu o candidato.
O caso ocorreu na tarde de ontem (25), dentro do Hospital de Câncer do Sertão, em Araripina. Um vídeo mostra Roberta Arraes abordando Raquel Lyra e dizendo que havia sido agredida pelo ex-prefeito Raimundo Pimentel (PSD). No boletim de ocorrência, segundo informações divulgadas sobre o caso, a ex-deputada relatou que teria sido empurrada com o ombro e posteriormente intimidada com agressões verbais. Ela solicitou medidas protetivas urgentes.
Após o episódio, Raimundo Pimentel confirmou que seguiu para Ouricuri acompanhando a agenda da governadora e classificou a denúncia como “factoide”. A agenda foi cumprida depois do episódio de violência denunciado por Roberta Arraes e relatado à governadora ainda nas dependências do hospital. Raquel não se manifestou publicamente sobre a denúncia.
Durante agenda pelo Sertão do Pajeú, neste sábado (26), o candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) afirmou que, caso eleito, pretende ampliar os investimentos na região a partir do próximo ano. Em entrevista à Rádio Gazeta 95.3 e ao Blog do Marcelo Patriota, o candidato citou diversos investimentos, como Centro de Hemodiálise, Companhia de Polícia e Delegacia da Mulher, além da ampliação do ensino técnico.
Grupo de mulheres de Petrolina participaram neste sábado (26) da caminhada de Raquel Lyra pelas ruas do centro da cidade. Durante o ato, elas distribuíram cópias xerox de mensagens pedindo respeito às mulheres, em uma manifestação que fez referência direta ao episódio que ganhou repercussão nacional após a frase “faz sem ela saber”, dita por Raquel em um vídeo gravado em 2025. A governadora posteriormente pediu desculpas e classificou a fala como equivocada.
A manifestação tem um significado especial porque foi justamente de Petrolina que partiu, na última quinta-feira (24), o pedido formal ao Ministério Público para que o caso seja investigado, protocolado por um grupo de mulheres liderado pelas rendeiras do bairro José e Maria.
A caminhada de Raquel também foi marcada por uma participação abaixo do esperado, segundo relatos e imagens do ato. A governadora chegou ao centro de Petrolina acompanhada por um grupo reduzido de apoiadores e, durante o percurso, teve de conviver com a manifestação das mulheres que cobravam respeito e investigação.
Em coletiva de imprensa no Recife, o candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, afirmou que ainda não conversou com os candidatos ao governo de Pernambuco Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) sobre a disputa estadual. Segundo Cury, a campanha dele pretende manter uma posição de neutralidade em relação à eleição, pelo menos por enquanto. O postulante participou de um encontro com líderes políticos e candidatos do partido em um comitê localizado em Boa Viagem, na Zona Sul da capital pernambucana.
“Eu não conversei com eles (Raquel e João) sobre esse tema. A minha vida está extremamente corrida. Se você quer ficar estressado, candidate-se à Presidência da República e você vai ver que não tem nem tempo de respirar. Não tive contato próximo com eles. Por isso, não tenho nada a dizer sobre esse tema. O que está traçado, até agora, é que vamos ficar neutros.”
O candidato também defendeu investimentos no Nordeste, com foco em Pernambuco. Caso seja eleito, o postulante pretende expandir o financiamento de microempresas e melhorar a logística de exportação pelo Porto de Suape.
“Nós temos que abraçar o Nordeste, em destaque abraçar Pernambuco. O estado não pode estar abandonado. Nós temos que financiar centenas de milhares de microempresas. E precisamos melhorar o corredor das rodovias com o Porto de Suape, fazendo uma logística mais inteligente e mais rápida para que a produção brasileira possa ser escoada para o mundo”, disse.
Augusto Cury também mencionou a adoção de tecnologias como inteligência artificial e robótica e a redução de impostos para fortalecer as exportações. “Nós precisamos também ter um centro de exportação a partir daqui com baixo juros e, além disso, com tecnologia, inteligência artificial e robótica e também com baixos impostos para exportar de maneira pujante, forte e poderosa”, afirmou.
Basta a eleição se aproximar e o Brasil parece descobrir uma pressa que, muitas vezes, não demonstrou durante os anos anteriores. De repente, surgem anúncios, reajustes, benefícios, promessas, investimentos e medidas destinadas a alcançar milhares — às vezes milhões — de brasileiros. Algumas são necessárias, outras podem estar previstas há bastante tempo e muitas são perfeitamente legais. Mas o cidadão tem todo o direito de fazer uma pergunta incômoda: por que tanta coisa acontece justamente quando o voto está tão perto?
Não se trata de ser contra o Bolsa Família ou qualquer outro programa social. Pelo contrário. Uma sociedade marcada por profundas desigualdades precisa proteger aqueles que realmente necessitam do Estado. O problema começa quando a política pública corre o risco de ser confundida com favor político.
Quando um benefício é concedido, não é o presidente, o governador ou o prefeito que está colocando a mão no próprio bolso. O dinheiro é público. Vem dos impostos e demais receitas administradas pelo Estado e, portanto, deve ser utilizado em benefício da sociedade.
Por isso, é preciso ter cuidado com a velha cultura de transformar aquilo que é dever do Estado em demonstração de generosidade do governante. Às vésperas de uma eleição, essa vigilância deve ser redobrada.
Se um programa precisava ser reajustado, por que agora? Se determinado benefício é tão necessário, por que não foi ampliado antes? Se há recursos disponíveis, qual é a sua origem? A despesa será sustentável depois que as urnas forem fechadas? Estava prevista no orçamento? Existem critérios técnicos para sua concessão?
Perguntar não é condenar. Fiscalizar não é acusar. A legislação brasileira estabelece restrições justamente para evitar que a estrutura administrativa e os recursos públicos sejam utilizados indevidamente em benefício eleitoral. Ao mesmo tempo, permite, observados os requisitos legais, a continuidade de determinados programas sociais. Portanto, nem todo benefício concedido em ano eleitoral é irregular — e seria irresponsável afirmar o contrário.
Mas a proximidade das eleições torna legítimo que a sociedade examine com atenção redobrada a oportunidade, a fundamentação e a execução dessas decisões.
É aí que entra a responsabilidade do eleitor. Precisamos abandonar a ideia de que devemos gratidão eleitoral a quem administra recursos públicos. Governante não é proprietário do orçamento. Programa social não pertence a partido. Obra pública não é presente. Benefício previsto em lei não é favor.
E promessa também merece memória. Quando a campanha começa, surgem propostas para problemas antigos. Algumas podem representar soluções legítimas e necessárias. Cabe ao eleitor conhecer cada uma delas e, depois das eleições, acompanhar sua execução e cobrar seu cumprimento com a mesma atenção dispensada ao anúncio.
Não afirmo que determinado governante esteja agindo ilegalmente ou utilizando deliberadamente dinheiro público para conquistar votos. Uma acusação dessa natureza exige fatos e provas e, quando houver indícios de irregularidade, cabe aos órgãos competentes investigá-los.
Minha preocupação é outra: não podemos permitir que a proximidade das urnas transforme o cidadão em mero destinatário de aparentes bondades ocasionais do poder.
O cidadão não deve favores ao Estado. É o Estado que deve explicações ao cidadão. Que venham os programas sociais necessários. Que sejam corrigidas injustiças. Que os investimentos sejam realizados. Que os mais pobres sejam protegidos.
Mas que tudo isso seja feito com planejamento, transparência, responsabilidade fiscal e respeito à legislação — em janeiro ou setembro, antes ou depois das eleições. Porque existe uma pergunta que todo eleitor tem o direito de fazer diante de uma grande novidade anunciada às vésperas da votação: Por que somente agora?
Talvez a resposta seja perfeitamente legítima. Mas perguntar, fiscalizar e cobrar continuarão sendo direitos fundamentais de quem ajuda a sustentar o Estado e escolhe, pelo voto, os seus representantes.
*Professor universitário, eleitor e cidadão petrolinense
Ontem (25), em Arcoverde, João Campos foi recebido por lideranças políticas, apoiadores e moradores durante uma carreata pelas principais vias do município. A ex-prefeita Madalena Britto esteve presente no evento, que também contou com a participação do candidato a deputado federal Luciano Pacheco (MDB), do deputado estadual e candidato à reeleição Diogo Moraes (PSB) e do candidato a deputado estadual Rosinaldo Manoel Veras (PSB). A concentração ocorreu na região da Praça da Rodoviária, no bairro São Cristóvão.
A participação de Madalena ocorre em momento de intensa movimentação política no município. Nos últimos dias, a ex-prefeita também participou de agendas de rua e reafirmou publicamente seu apoio à candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco.
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A governadora Raquel Lyra está em Petrolina neste sábado (26) para participar de uma caminhada que sai da Praça do Galo e segue até a área atrás da Igreja Matriz, onde está previsto um ato político.
A mobilização, porém, começou marcada pelo esvaziamento. As imagens registradas no local mostram uma participação muito abaixo do esperado, em um evento organizado com o apoio da família Coelho.
Raquel chega a Petrolina depois de não ter participado das comemorações pelo aniversário da cidade. Agora, encontra um cenário de baixa mobilização. Além do esvaziamento, há mobilizações de grupos que prometem protestar durante a passagem da governadora, o que pode aumentar a pressão sobre Raquel durante a agenda.
Era quarta-feira, 2 de março de 1988, em Brasília. O senador Afonso Arinos (1905-1990), 82 anos, sobe na tribuna e defende a emenda do voto aos 16 anos. “Sou o constituinte mais idoso defendendo o direito dos mais jovens”, iniciou Arinos, argumentando a favor da emenda proposta pelo deputado gaúcho Hermes Zaneti e pelos mineiros Paulo Delgado e Aécio Neves. Arinos convenceu o plenário a aprovar o voto facultativo para os maiores de 16 anos e menores de 18.
Foi o canto do cisne daquele político que vivera intensamente o Brasil desde os anos 1920. Apoiara a revolução de 1930 e rompera com Getúlio Vargas em 1943, signatário do Manifesto dos Mineiros, expondo dura contradição: o Brasil lutava na Segunda Guerra contra a ditadura nazista e não poderia seguir no regime ditatorial do Estado Novo, instaurado em 1937. Pouco mais de 20 anos depois, romperia com o regime militar, por ele apoiado em 1964. Ficou anos a fio longe da política, voltando ao Congresso octogenário, eleito em 1986 pelo PFL do Rio de Janeiro.
Arinos já entrara para a História com sua lei antirracismo. Agora, não fora autor, mas condutor da aprovação do direito de voto aos 16 anos. Passadas quase 4 décadas da promulgação da Constituição, os eleitores mais jovens — e também os mais velhos — desconhecem as regras da eleição e como funciona de fato nosso sistema eleitoral.
Se alguém vai votar aos 16 anos, deveria aprender aos 14 e 15 as regras da lei eleitoral, como os votos são contados e qual o papel dos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e do presidente da República. Nada disso ocorre. Ninguém aprende a votar na escola. E ainda dizem que o brasileiro não sabe votar e esquece em quem votou.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) gasta fortunas em propaganda incentivando o eleitor ir às urnas, minorias se candidatarem ou defendendo a importância do voto para a democracia. Mas tem sido incapaz de incentivar que se ensine ao eleitor como nosso sistema eleitoral funciona de verdade. Não existe voto consciente se a grande maioria dos eleitores não sabe o que é quociente eleitoral, quociente partidário, médias, sobras ou para onde vão os votos brancos e nulos.
Quando o eleitor for encarar a urna semana que vem, dia 4 de outubro, estará votando em cinco eleições diferentes: deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente. Dessas, três são eleições majoritárias e outras duas proporcionais. A diferença é que na majoritária vence quem conseguir mais votos e nas proporcionais a contagem é um pouco diferente. Cada eleição é apurada separadamente e, por isso, quando votamos para presidente e deixamos de votar para deputado, a abstenção será maior ou menor de um cargo para outro.
É justamente na eleição proporcional que mora a bilionária economia da política brasileira, cuja principal moeda é a cadeira de deputado federal. A lei atual estabelece que os partidos com maior bancada de deputados federais terão mais dinheiro do fundo eleitoral e do fundo partidário. Depois que a eleição passou a ser financiada com dinheiro público, a disputa eleitoral mira estes fundos.
Neste ano, o fundo partidário, dinheiro para o dia a dia dos partidos, chegou a R$ 1,43 bilhão. O fundo eleitoral distribuiu para esta eleição nada menos que R$ 4,9 bilhões, divididos entre 30 legendas. O PL recebeu a maior fatia (R$ 881,7 milhões), seguido do PT (R$ 615,4 milhões) e do União Brasil (R$ 526,2 milhões), somando 40% do total.
Como o PL conseguiu quase R$ 1 bilhão? A resposta está na contagem de votos da eleição proporcional. Ficou com a maior bancada na Câmara nas eleições de 2022. A maioria absoluta do eleitorado nunca aprendeu na escola o que é e como se calcula os quocientes eleitoral e partidário, justamente onde começa a distribuição dos votos e do dinheiro. A primeira conta a fazer é essa:
• quociente eleitoral – divide-se o total de votos válidos (sem brancos e nulos) pelo número de cadeiras. Por exemplo: 20.000 ÷ 5 = 4.000. O resultado mostra quantos votos são necessários para conseguir uma vaga.
• quociente partidário – divide-se a votação de cada partido pelo quociente eleitoral, desprezando a fração. Resultado: vamos saber quantas vagas terá cada partido.
Primeiro, sabemos quantos votos são necessários para o partido conquistar uma vaga de deputado. Depois, o quociente partidário revela quantas vagas caberão a cada partido. É uma regra antiga, de 150 anos, criada pelo magistrado belga Victor D’Hondt. Em pleno século 21 o Brasil segue contando votos como no século 19.
Antigamente a gente fazia as contas na munheca mesmo, mas com ajuda da inteligência artificial ficou fácil. Se o eleitor colocar na IA do Google o número de votos válidos e pedir para calcular os quocientes, o resultado aparecerá rápido, incluindo as famosas médias e sobras. Uma vez que a regra do jogo fica transparente para o eleitor, ele começa a entender por que votou no Zezinho para deputado, mas quem acabou eleito foi o Chiquinho. E qual partido sairá da eleição com mais dinheiro.
Este sistema favorece partidos com puxadores de voto. Depois que eles atingem a votação necessária para a eleição de deputado, os votos restantes são distribuídos pelos demais candidatos do partido. Foi assim que Enéas Carneiro, do Prona conquistou sua cadeira de deputado por São Paulo, em 2002, com 1,57 milhão de votos. Trouxe com ele mais cinco deputados, incluindo Vanderlei Assis, com seus 275 votos.
Afonso Arinos assegurou aos brasileiros mais jovens o direito ao voto, mas quem veio depois dele pecou por omissão ao deixar a cidadania de lado e não incluir o voto no currículo escolar. Não adianta ter direito e não saber exercê-lo.
Os brasileiros, na sua santa ignorância eleitoral, continuam votando sem entender quem ganha, quanto ganha e como ganha. É o voto veneno e precisa acabar.
No Brasil, ainda é muito comum encontrar lotes com quintais e calçadas quase totalmente pavimentados. Embora as legislações urbanísticas geralmente exijam percentuais mínimos de áreas permeáveis nos terrenos, na prática, muitas dessas áreas acabam sendo impermeabilizadas após a aprovação dos projetos, o que evidencia também as dificuldades de fiscalização e controle urbano.
O problema é que, cada vez que substituímos o solo natural por concreto, asfalto ou outros materiais impermeáveis, alteramos o ciclo da água dentro das cidades. Menos água consegue infiltrar no solo e uma parcela maior da chuva passa a escoar pela superfície, aumentando rapidamente o volume direcionado às ruas, galerias, canais e rios e, consequentemente, favorecendo a ocorrência de alagamentos.
Diante desse problema, algumas cidades estão começando a fazer justamente o caminho inverso da urbanização tradicional, retirando concreto para devolver espaço à água e à vegetação. Um exemplo interessante vem da Holanda (Países Baixos). Lá existe uma competição nacional entre municípios para estimular a retirada de pavimentos de concreto e sua substituição por áreas verdes. Em edição recente, foram removidas aproximadamente 5,9 milhões de placas de concreto de jardins, quintais e calçadas.
Os próprios cidadãos retiram o concreto de suas propriedades, substituem a superfície impermeável por solo e vegetação, registram fotografias do antes e do depois e cadastram a intervenção no site da iniciativa. As placas removidas são contabilizadas para o município participante. Como incentivo adicional, algumas prefeituras oferecem serviços gratuitos para recolhimento do entulho.
Adaptação às mudanças climáticas
A iniciativa está diretamente relacionada à necessidade de tornar as cidades mais resilientes aos efeitos das mudanças climáticas. A substituição de superfícies impermeáveis por áreas verdes proporciona diversos benefícios simultâneos.
Primeiro, reduz o risco de alagamentos, porque permite que uma parcela maior da água da chuva infiltre no próprio local onde precipitou, diminuindo o escoamento superficial e a sobrecarga dos sistemas de drenagem.
Também favorece a recarga das águas subterrâneas. Esse aspecto é particularmente importante em regiões nas quais os aquíferos representam uma fonte relevante de abastecimento de água, como é o caso da Holanda.
Redução do calor
Outro benefício é a redução do calor urbano. Superfícies de concreto e asfalto absorvem e armazenam grande quantidade de energia solar, contribuindo para a formação das chamadas ilhas de calor. A vegetação, por sua vez, proporciona sombreamento e evapotranspiração, ajudando a reduzir as temperaturas no ambiente urbano.
Além disso, a transformação de áreas pavimentadas em jardins contribui para o aumento da biodiversidade, criando pequenos espaços capazes de abrigar vegetação e atrair insetos polinizadores e outras espécies importantes para o equilíbrio dos ecossistemas urbanos.
Utilizar melhor os espaços
A experiência holandesa traz uma reflexão importante para as cidades brasileiras. Durante décadas, urbanizar foi quase sinônimo de pavimentar. Ruas, calçadas, estacionamentos, praças e até quintais particulares foram progressivamente impermeabilizados. Em um cenário de mudanças climáticas, faz-se necessário começar a percorrer também o caminho inverso: despavimentar onde o concreto não é indispensável.
Isso não significa eliminar a infraestrutura urbana, mas utilizar melhor os espaços disponíveis. Calçadas podem incorporar canteiros e jardins de chuva, praças podem utilizar pavimentos permeáveis, estacionamentos podem combinar vegetação e superfícies drenantes, e lotes particulares podem preservar parcelas efetivamente permeáveis.
Ondas de calor
Essa discussão se torna ainda mais relevante diante dos episódios de calor extremo que vêm atingindo o Brasil. A previsão meteorológica indica forte elevação das temperaturas em partes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com possibilidade de temperaturas próximas ou superiores a 40 °C em algumas localidades. Entre os estados com previsão de temperaturas particularmente elevadas estão Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Piauí, Bahia, São Paulo e Minas Gerais.
Uma onda de calor não é caracterizada apenas por temperaturas muito elevadas. O fenômeno envolve também a persistência de temperaturas significativamente superiores à média histórica de determinada região durante vários dias consecutivos. Portanto, uma localidade pode registrar temperaturas acima de 40 °C sem necessariamente atender aos critérios meteorológicos utilizados para caracterizar uma onda de calor.
Cada metro quadrado conta
Esse cenário mostra que drenagem urbana, disponibilidade de água, arborização e conforto térmico não são problemas separados. Todos estão relacionados à forma como ocupamos o território e tratamos o solo das cidades.
Cada metro quadrado desnecessariamente impermeabilizado representa menos espaço para a água infiltrar, menos possibilidade de vegetação e mais superfície capaz de armazenar calor. A experiência dos Países Baixos apresenta, portanto, uma ideia simples, mas poderosa: além de discutir como construir cidades mais resilientes no futuro, podemos começar a corrigir parte do que já foi feito.
*Engenheiro civil, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é tecnologista do Cemaden (MCTI) em São José dos Campos (SP).
Em reportagem a ser exibida em rede nacional neste domingo (27) pela TV Record, Amisadai Andrade da Silva — tido como operador de um esquema de ataques na internet, e que seria financiado com dinheiro público do governo de Pernambuco na gestão Raquel Lyra (PSD) — relata detalhes de como funciona a estrutura dedicada a, na palavras dele, “desidratar” o ex-prefeito do Recife e candidato ao governo João Campos (PSB). Nomeado pela própria governadora em 2025, e exonerado no último dia 26 de agosto, em caráter de urgência, menos de 12 horas após a denúncia da Rede Record sobre o “gabinete do ódio” dentro do Palácio, Amisadai confessa receber pagamentos sem nota fiscal por serviços. “A gente já recebeu até em caixa de charuto”, diz.
“A gente tem os parceiros que batem em João (Campos). Tem uma estrutura de jornalistas, uma equipe que constrói conteúdo.”, relata ele. No vídeo, Amisadai está na companhia dos dois sócios da Portal Comunicação e Marketing, José Roberto Júnior e Rodolfo Costa. Apesar de se dizer desligado da empresa (que é dona do site Portal de Prefeitura, dedicado à difusão de ataques a adversários de Raquel Lyra), o servidor da Caixa Econômica Federal, e que estava cedido ao governo, se apresenta como um integrante da Portal Comunicação. No vídeo, Rodolfo Costa relata que “tem relação” com dezenas de parceiros e perfis para “colabs” (post em parceria entre perfis do Instagram).
Amisadai também relata como se dá o esquema de distribuição dos conteúdos de ataque entre os perfis “parceiros” dos sócios da Portal Comunicação. “Dependendo do tipo de conteúdo que você coloque, se é um conteúdo que é viral, você tem parceria com uns oito perfis”.
O caso do “gabinete do ódio” de Raquel Lyra ganhou destaque nacional após matéria publicada no último dia 25 de agosto, também pela Rede Record. Nela, Amisadai revela ter sido chamado para o Palácio do Campo das Princesas pela governadora Raquel Lyra para, nas palavras dele, comandar uma estrutura digital dedicada a “desidratar” João Campos na internet. O esquema teria sido “encomendado” ainda em 2024, quando Campos foi reeleito prefeito do Recife com votação histórica de 78%.
Amisadai foi exonerado por Raquel Lyra na manhã do dia 26 de agosto, menos de 12 horas após a exibição da matéria pela Record. Nesse mesmo dia, após a governadora negar qualquer contato com o servidor, o portal Metrópoles divulgou documentos oficiais do Palácio do Campo das Princesas que mostram entradas de Amisadai para reuniões no local.
O BRAÇO DAS BETS – Na reportagem da Record deste domingo, uma testemunha relata que uma bet do município de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, realizava os pagamentos e cobrava “engajamento” contra Campos e a favor da governadora Raquel Lyra (PSD). Funcionários da Aposta Ganha, casa de apostas sediada no reduto eleitoral de Raquel e que tem vínculos estreitos com a Prefeitura de Caruaru há pelo menos cinco anos, recrutavam as pessoas e comandavam os grupos — um esquema que começou em 2024.
“Raquel não estava tendo muito engajamento nas redes sociais e aí o grupo era meio que pra isso, para a gente estar engajando. Ela chegou a fazer sorteios de um valor de R$ 50 para os comentários melhores, para incentivar as meninas a estarem comentando”, diz a jovem.
Ela conta que pagamentos eram feitos por meio de pix de R$ 75 por pacote de comentários em perfis do Instagram. Os links das postagens eram distribuídos para que as pessoas comentassem. E, tão logo era dado o “visto”, uma das administradoras do grupo, Maria Eduarda Lucena — que no Linkedin se apresenta como advogada da bet Aposta Ganha — fazia o pagamento. Um dos administradores da bet, Alex Galindo, também estava no grupo de Whatsapp destinado aos ataques. O esquema começou a funcionar em 2024, pouco antes da eleição para prefeito do Recife, quando João Campos despontava com robusta vantagem. A operação segue ativa até os dias de hoje.
“Quem pagava era Eduarda Lucena, ela fazia via pix. E numa data certa para o pessoal que tava no grupo. Era R$ 75 e era só por comentários. Tipo assim, se você não comentasse em todas as publicações, ou em quase todas, não recebia”, continua. “O grupo é de Eduarda Lucena e era ela quem mandava as postagens, o que era pra comentar, o que era pra se basear no comentário que ela dizia, e ela é de Caruaru. Ela trabalha com a agência Prospect. Ela se apresentou através desse grupo da agência Prospect. No começo ela fez o convite para entrar no grupo de eventos. E depois, através do grupo de eventos, foi que veio o convite para o outro grupo relacionado a política”.
O braço das bets no esquema de manipulação digital contra João Campos foii revelado pelo Portal Metrópoles, no último dia 9. Segundo a testemunha ouvida pela reportagem, Maria Eduarda Lucena Freire, conhecida como Duda Lucena, administrava o “Grupo Engajamento”.
Para a tarefa de recrutar pessoas para os grupos de Whatsapp, Duda Lucena não informava o vínculo com a Aposta Ganha, e sim com a empresa Prospect, que realiza eventos como festas e shows na área de Caruaru, Gravatá e no Litoral Sul. As pessoas “contratadas” para comentar em favor de Raquel Lyra e contra João Campos eram recrutadas em grupos de divulgação destes eventos.
Alex Galindo, um dos administradores da Aposta Ganha, também é sócio-proprietário da Prospect. Em seus perfis do Linkedin, ambos são, respectivamente, Diretor de Operações (COO, de Chief Operating Officer), e advogada da “bet” caruaruense. Galindo também aparece em uma foto ao lado do primo, braço-direito e ex-secretário de Raquel Lyra, André Teixeira Filho, no Instagram deste último. No post, Teixeira refere-se à organização da festa privada Gonzagão, que acontece em Caruaru. “Mais um ano fazendo o que a gente ama”, diz o primo de Raquel.
INVESTIGAÇÃO – No dia 27 de agosto, os advogados da Frente Popular de Pernambuco entraram, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o que consideram abusos políticos e econômicos por parte da atual gestão do governo do Estado. Entre eles, o uso da estrutura digital para atacar João Campos. Além disso, o corpo jurídico da coligação também realizou denúncias ao Ministério Público Estadual (MPPE), Controladoria Geral da União (CGU), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público Eleitoral (MPE).
A vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Pernambuco, ontem, na reta final da corrida eleitoral, produziu um efeito que ultrapassa a dimensão de um simples ato de campanha. Ao colocar Lula no centro do Recife, ao lado de João Campos (PSB), a Frente Popular transformou a visita em uma demonstração pública de força política e, sobretudo, em uma demonstração de unidade entre Lula, o PSB e o PT num dos estados mais simbólicos da trajetória política do chefe da Nação.
A caminhada partiu do Cais de Santa Rita, em direção ao Marco Zero e reuniu, segundo a organização, mais de 80 mil pessoas espalhadas pelo percurso, incluindo a Avenida Alfredo Lisboa, a Ponte Giratória e o entorno do Cais de Santa Rita. No palco, Lula reforçou explicitamente seu apoio a João Campos e associou sua candidatura à do socialista.
Mais do que o número estimado de participantes, o significado político das imagens é o principal dado a ser observado. A multidão ocupando o Centro do Recife oferece à campanha de Lula uma demonstração concreta de capacidade de mobilização justamente em um momento em que a disputa presidencial se tornou mais competitiva.
Na semana da visita, a campanha petista vinha ampliando os atos de rua e buscando maior contato direto com o eleitorado. E é aí que entra João Campos. Desde a pré-campanha, o socialista defendia a presença de Lula em Pernambuco. A insistência tinha uma lógica política evidente: transformar a histórica relação do presidente com o Estado em uma conexão eleitoral direta com sua candidatura ao Governo de Pernambuco.
O resultado foi uma fotografia que interessa aos dois lados. Lula entregou ao candidato do PSB o principal ativo eleitoral que possui no Estado. João Campos, por sua vez, ofereceu ao presidente uma das maiores demonstrações de mobilização de sua campanha até o momento.
A dimensão simbólica também importa. Pernambuco é o Estado natal de Lula, berço de sua formação política e território no qual sua presença possui um peso que vai além da disputa presidencial. Ao decidir vir ao Recife e subir ao palanque de João, Lula deixou de lado a expectativa de uma neutralidade estadual que havia sido discutida nos bastidores e assumiu publicamente a aliança com a Frente Popular.
A própria imprensa registrou que a estratégia inicialmente considerada envolvia preservar uma posição mais neutra diante da governadora Raquel Lyra, que mantém interlocução com Lula, mas também possui apoio relevante entre eleitores bolsonaristas.
Para João, o ato tem uma dimensão que não se resume à transferência automática de votos. Seu principal efeito pode estar na redução da distância entre a imagem do candidato e a do presidente junto ao eleitorado que ainda não associa diretamente os dois projetos. Em uma eleição apertada, uma demonstração pública dessa magnitude funciona como mensagem política: o candidato do PSB não apenas declara ser o nome apoiado por Lula; ele aparece ao lado do próprio presidente, em seu Estado natal, diante de uma multidão.
SENADO – O mesmo raciocínio vale para Humberto Costa (PT) e Marília Arraes. Os dois candidatos ao Senado dividiram o palanque com Lula e João Campos, reforçando a lógica de uma chapa que pretende transformar a aliança entre PT, PSB e demais partidos da Frente Popular em voto combinado. O presidente, ao pedir votos para seus aliados, ajudou a dar unidade visual e política à chapa.
Repercussão nacional – Há, ainda, um aspecto nacional. A campanha de Lula tem procurado ampliar a presença do presidente nas ruas justamente na reta final, em uma tentativa de aumentar a mobilização e o engajamento. Nesse contexto, a imagem de uma grande manifestação no Recife pode ser explorada nacionalmente como demonstração da capacidade de mobilização do petismo no Nordeste — região historicamente importante para Lula, mas que não pode ser tratada como um eleitorado automaticamente garantido em uma disputa presidencial competitiva.
Vaias para o neodireitista – Se o ato produziu ganhos políticos evidentes para Lula e João Campos, também expôs uma dificuldade estratégica para Raquel Lyra (PSD). A governadora decidiu não participar da mobilização e manteve uma agenda própria, incluindo compromissos em Jaboatão dos Guararapes e no Sertão do Araripe. O candidato ao Senado Túlio Gadêlha, por sua vez, confirmou presença, mas informou que acompanharia o percurso fora do palanque oficial. E, num ambiente que não lhe cabia, acabou passando por constrangimento, inclusive vaiado.
Raquel com o bolsonarismo – A ausência de Raquel não foi, por si só, uma ruptura com Lula. A governadora tem reiterado publicamente as parcerias entre seu governo e a União e já declarou que agradece ao presidente pelas ações realizadas em Pernambuco. Ao mesmo tempo, sua estratégia eleitoral tem buscado preservar espaço junto ao eleitorado bolsonarista, o que ajuda a explicar a cautela em uma aproximação eleitoral explícita com Lula.
Lula é João, João é Lula – O problema político para Raquel é que essa posição intermediária ganha outra dimensão quando Lula desembarca em Pernambuco justamente para apoiar seu principal adversário. A imagem produzida no Centro do Recife foi de um palanque claramente definido: Lula de um lado, João Campos do outro – e, entre os dois, uma multidão que serviu de cenário para a aliança. A governadora, que poderia reivindicar uma relação institucional com o presidente, ficou fora da fotografia política mais importante da passagem dele pelo estado. Isso ajuda a explicar por que a visita de Lula representa mais do que um evento eleitoral. Ela reorganiza visualmente o campo político pernambucano. De um lado, a Frente Popular consegue apresentar uma aliança nacional e estadual coerente, com Lula, PT, PSB e seus candidatos ao Senado no mesmo palanque. Do outro, Raquel precisa administrar uma posição mais ambígua: governadora que reconhece as parcerias com Lula, mas candidata que não pode ignorar a parcela bolsonarista de sua base.
CURTAS
APROXIMAÇÃO – Em uma campanha marcada por pesquisas que mostram uma disputa apertada entre Raquel Lyra e João Campos, a política das imagens ganha peso especial. O Datafolha divulgado nesta semana mostrou Raquel com 47% e João com 42%, dentro da margem de erro, enquanto outros levantamentos recentes também apontaram aproximação entre os dois. Nesse cenário, o ato de Lula não deve ser interpretado como garantia de transferência de votos. O eleitorado não funciona como uma equação automática em que o apoio de um líder nacional se converte integralmente em votos para seu aliado estadual. O que a mobilização oferece é outra coisa: exposição, associação de imagens, demonstração de força, ativação de militância e uma mensagem clara para o eleitor sobre quem está no campo político de quem.
CONTRAPONTO – É justamente por isso que o ato pode ter importância maior do que sua duração. Na reta final, campanhas disputam não apenas votos, mas também a narrativa sobre o momento da eleição. A imagem de João Campos caminhando ao lado de Lula, diante de dezenas de milhares de pessoas, chega à disputa como um poderoso contraponto à narrativa de equilíbrio que vinha marcando os levantamentos.
QUANTO VALE? – No fim, o grande dado político da visita de Lula a Pernambuco talvez não esteja apenas nos 80 mil participantes anunciados pela organização. Está na fotografia. Lula precisava mostrar força em uma eleição presidencial mais competitiva; João Campos precisava consolidar sua associação com o presidente justamente quando a disputa estadual se estreitou. O ato serviu aos dois objetivos simultaneamente. E deixou uma pergunta política inevitável para os próximos dias: em uma eleição tão apertada, quanto vale uma imagem capaz de transformar uma aliança política em uma demonstração pública de força?
Perguntar não ofende: É verdade que Raquel teria tentado uma foto com Lula?