O Brasil enfrenta a mais grave crise institucional em décadas e o Supremo é sacudido por degradantes revelações da própria Polícia Federal sobre as relações com ministros do STF de um ex-banqueiro fraudador, conhecido subornar autoridades.
Apesar disso, entidades do meio fazem silêncio constrangedor, próprio de quem apoiou o vale-tudo recente no STF. A OAB escapou da lista da omissão: amanhã (9), pedirá ao presidente do STF “investigação rigorosa” do caso Vorcaro/Moraes.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, hoje, o afastamento preventivo do diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
A decisão impõe ainda a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF para apurar as circunstâncias de produção de relatórios de inteligência que monitoravam autoridades.
Mendonça determinou também a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência voltados a analisar a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária.
O ministro solicitou a convocação de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para referendar a decisão ainda nesta terça.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) em Alagoas manifestou-se pelo indeferimento do registro de candidatura de João Francisco de Assis Neto, conhecido como “Dr. João Neto”, ao cargo de deputado federal nas Eleições 2026.
O parecer, assinado pelo procurador regional eleitoral substituto Lucas Horta de Almeida, aponta que a condenação criminal do candidato por lesão corporal contra mulher por razões de gênero configura causa de inelegibilidade nos termos da Lei Complementar nº 64/1990 (Lei de Inelegibilidades).
O processo tramita no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL) e ainda será julgado pela Corte.
De acordo com os autos, Dr. João Neto foi condenado pelo 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital à pena de quatro anos e dois meses de reclusão. A condenação foi mantida por unanimidade pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL).
Embora a defesa tenha argumentado que a decisão ainda não transitou em julgado, o MPE sustentou que a legislação prevê a inelegibilidade a partir de condenações proferidas por órgãos colegiados, independentemente de trânsito em julgado, ressaltando que recursos extraordinários não suspendem automaticamente os efeitos do acórdão.
O principal fundamento jurídico da manifestação baseia-se na interpretação do artigo 1º, inciso I, alínea “e”, item 9, da Lei Complementar nº 64/1990, combinada com as alterações promovidas pela Lei nº 14.994/2024.
Para o órgão ministerial, a reforma legislativa aproximou o crime de lesão corporal qualificada por razões da condição do sexo feminino (§ 13 do artigo 129 do Código Penal) do bem jurídico tutelado pelo feminicídio, diferenciando-o da regra geral do § 9º do mesmo artigo. O parecer argumenta que uma interpretação restritiva da norma violaria o dever constitucional de proteção à mulher contra a violência de gênero.
A manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral integra uma ação de impugnação ao registro de candidatura e possui caráter opinativo. O desfecho do caso caberá ao Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, que avaliará os argumentos da defesa e da acusação antes de proferir a sentença sobre a elegibilidade do candidato para o pleito de 2026.
A Cidade 99.7 realiza, nesta sexta-feira (11), em Caruaru, o primeiro debate do estado com candidatos ao Governo de Pernambuco no primeiro turno das Eleições 2026. Confirmaram presença no encontro Ivan Moraes, do Psol; João Campos, do PSB; e Raquel Lyra, do PSD. O debate começa às 9h e será mediado pelo jornalista Vitor Araújo.
O encontro será realizado no Teatro do Shopping Difusora e terá seis blocos, com duração aproximada de duas horas e meia. A programação inclui perguntas iguais para todos os candidatos, confrontos diretos entre os participantes, perguntas de jornalistas convidados e questionamentos de representantes de entidades de classe.
A transmissão será feita simultaneamente pela Cidade 99.7 FM, pelo canal da emissora no YouTube e pelo aplicativo FlixCidade, além de retransmissão por 17 emissoras de rádio de diferentes regiões de Pernambuco.
Antes do debate, das 8h às 9h, a emissora realiza um programa especial de aquecimento, apresentado pela jornalista Aline Souza. Após o encontro, haverá também um programa de pós-debate, com análise do desempenho dos candidatos.
O Ministério Público Federal (MPF) já está de posse do relatório do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) sobre irregularidades no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que tem como sócio Jorge Branco Neto, marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD). O documento, tornado público no fim de agosto, constatou que a unidade de saúde foi cenário de procedimentos forjados, pagamentos indevidos e um prejuízo de quase R$ 1 milhão aos cofres públicos, além de suposto direcionamento na contratação pela gestão da governadora Raquel Lyra (PSD).
O relatório foi encaminhado ao procurador-chefe do MPF em Pernambuco, Rodolfo Soares Ribeiro Lopes, em 20 de agosto. No ofício de apresentação da demanda, o diretor do DenaSUS, Rafael Bruxelas Parra, solicita a adoção das “providências que julgar cabíveis”. O encaminhamento também foi feito ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e à superintendente da corporação em Pernambuco, Adriana Albuquerque de Vasconcelos.
O DenaSUS iniciou a auditoria em fevereiro, após solicitação da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Entre as principais inconsistências encontradas estão as relacionadas aos serviços de oncologia. Dos 60 procedimentos analisados por meio de Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs), 33 apresentaram divergências entre as cobranças feitas ao SUS e as informações registradas nos prontuários dos pacientes. O relatório também apontou irregularidades em outras 113 autorizações referentes a procedimentos sequenciais, além de questionamentos sobre atendimentos de quimioterapia e hormonioterapia. Na hemodiálise, os auditores identificaram ainda 90 sessões cuja documentação não apresentava elementos suficientes para comprovar a realização dos procedimentos.
Num intervalo de 40 dias, estive por duas vezes em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, berço do movimento sindical do ABC, onde Lula ingressou na vida pública como líder dos metalúrgicos, cuja trajetória muito tempo depois o levou à Presidência da República. Por onde passo, por dever de ofício, converso com pessoas dos mais amplos segmentos da sociedade.
Confesso que não encontrei um ambiente favorável à reeleição do presidente, nem na primeira vez, quando acompanhei a convenção que homologou sua candidatura, tampouco ao longo do feriadão da Independência, no qual andei muito pela cidade em passeios turísticos com os meus filhos.
Não é exagero, mas entre tantos motoristas de aplicativos — e foram mais de 20 — não encontrei um só eleitor de Lula, tampouco de Fernando Haddad, candidato do PT a governador, apadrinhado pelo chefe da Nação. No plano estadual, o sentimento do paulistano é pela reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
No plano nacional, percebi uma divisão entre os que votam em Flávio Bolsonaro (PL), por causa do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, alguns em Ronaldo Caiado (PSD), e muitos ainda indecisos. Também deu para sentir uma tendência de crescimento do nome do psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante. Se isso se configurar uma onda, Cury pode se transformar no azarão, com chances de ir ao segundo turno.
Mas o que impressiona, na verdade, é a rejeição de Lula e do seu governo entre os eleitores de São Paulo. Não conversei apenas com motoristas de táxi. Ampliei minha pesquisa espontânea e pessoal com porteiros, garçons, funcionários públicos, jornalistas e lojistas.
Para Lula, o céu de São de Paulo, no que tange ao seu projeto de conquistar o quarto mandato, não é, hoje, de brigadeiro.
DEMOCRACIA E LIBERDADE – Na parada de 7 de Setembro, ontem, a governadora Raquel Lyra (PSD) exaltou o papel do Estado na história do País e relacionou a data à defesa da democracia, da liberdade e da soberania nacional. “É muito simbólico aqui em Pernambuco, onde a pátria nasceu, onde lutamos muito pela democracia, pelo exercício do direito à liberdade de ir e vir”, afirmou. A governadora também disse que “a maior liberdade que a gente pode ter é poder ser feliz no nosso chão” e associou esse conceito aos investimentos realizados pelo Estado para garantir condições para que os pernambucanos possam permanecer e viver em Pernambuco.
Provando do veneno – Mendonça Filho, que anda se apresentando como o candidato ao Senado de Raquel, começou a provar do veneno da governadora, que ontem ingressou na justiça eleitoral com uma representação contra ele por propaganda irregular. Mainha, como ela se comunica pelas redes e nos atos de campanha, exige que Mendonça deixe de pegar carona como candidato fake da sua coligação. Além da suspensão da propaganda no guia eleitoral, o bolsonarista será obrigado a parar de produzir novos conteúdos para redes sociais.
Lula como presidiário – Apoiadores do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) levaram, ontem, ao ato na Avenida Paulista, em São Paulo, um boneco inflável do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segurando uma caricatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usando roupa de presidiário. A manifestação reuniu aliados do presidenciável em meio à campanha para pedir o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e de Lula, que tenta a reeleição.
Desaprovação em alta – A gestão do presidente Lula continua desaprovada. Segundo pesquisa Quaest, somente 43% se mostram satisfeitos com o Governo, enquanto 50% desaprovam. Os números exibem uma tendência de piora do indicador, embora as oscilações a cada sondagem sejam dentro da margem de erro. Na última rodada da pesquisa, veiculada na semana passada, o índice de aprovação do governo era de 45%, dois pontos percentuais a mais que o registrado hoje, enquanto a desaprovação era de 48%, dois pontos a menos em relação aos número de ontem.
Cury deixa de crescer – A nova pesquisa Quaest de ontem, não confirma o crescimento do candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, que aparece com os mesmos 8% do levantamento anterior. Já Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) marcam 3%, e Romeu Zema (Novo), 2%. Em um eventual segundo turno entre Lula e Ronaldo Caiado (PSD), o ex-governador de Goiás marca 38%, e o petista 41%. Outros 17% são brancos e nulos, enquanto 4%, indecisos. No cenário em que Cury chega ao segundo turno, o escritor tem 35% das intenções de voto. Já o petista marca 39%, e o número de brancos e nulos chega a 21%.
CURTAS
ECONOMIA – Outros pontos da pesquisa indicam que, a despeito de indicadores macroeconômicos como desemprego, inflação e aumento da renda estarem positivos, a população pena para sentir isso na pele. Apenas 10% dizem que a renda aumentou mais que o custo de vida.
REAPROXIMAÇÃO – A menos de um mês para o primeiro turno, o presidente Lula também vive um momento de aproximação com a cúpula do Congresso Nacional. Interessado na aprovação de propostas que têm sido usadas como bandeira de campanha, como o fim da escala 6×1, o presidente retomou a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
APOIO – Cury (Avante) reuniu apoiadores em uma “Caminhada da Independência” em Copacabana, ontem, no Rio. Em cima de um trio elétrico, no final do ato, o escritor discursou contra a polarização do país, lançou frases de efeito em defesa da família brasileira e enviou apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Perguntar não ofende: Cury ainda vai furar a bolha?