Picadeiro na Band
Com o máximo respeito à Band pela história de 40 anos na defesa da democracia com seus debates presidenciais, o de domingo passado não passou de um grande picadeiro, espetáculo grotesco. Serviu apenas para atacar o presidente Lula, que, acertadamente, não aceitou o convite da emissora.
Renan Santos, como escreveu o jornalista Bernardo Melo Franco, mostrou a que veio ao exibir duas fraldas com os nomes de Lula e Flávio. Ao longo do debate, despejou falas misóginas e xingou eleitores dos adversários. Chegou a ser repreendido por Cury, que se disse espantado com sua agressividade.
Também estreante em eleições, o psiquiatra se mostrou uma metralhadora de chavões de autoajuda embrulhada num exótico terno verde. Faltou explicar o que faz na corrida presidencial.
Leia maisRonaldo Caiado não soube aproveitar o fato de ser o único presente com experiência política. Gastou a maior parte do tempo descrevendo Goiás como um paraíso nos trópicos.
Lula foi injuriado e caluniado diversas vezes e isso ainda foi tratado pelo “jornalismo” da Band como a coisa mais natural do mundo. Lamentável, reprovável. Concordo com a jornalista Cristina Serra, ex-TV Globo em Brasília, que classificou Renan de candidato fascistoide e histriônico.
Um moleque, a bem da verdade, que encontrou o palco livre para fazer cortes para as redes sociais dizendo as maiores barbaridades. Esses debates televisivos já tiveram seu tempo. Foram muito úteis nas primeiras eleições, após a retomada da democracia.
Conclui Serra, e assino embaixo: “Mas hoje em dia perderam totalmente a razão de ser. Repetem uma fórmula falida e nada acrescentam ao eleitor. Lula fez muitíssimo bem em não comparecer a um circo midiático de péssimo gosto”.
NEM CAIADO! – Mais experiente dos três candidatos, Ronaldo Caiado, do PSD, perdeu uma boa oportunidade para se diferenciar dos dois nanicos presentes – Augusto Cury, do Avante, e Renan Santos, do Missão. Afirmou que vai atuar para baixar a taxa de juros “a patamares de 6%” e que “derrotar o Lula” é a primeira coisa para essas medidas acontecerem. “De uma maneira direta, precisa de um choque de credibilidade. A pessoa que assumir o governo, a presidência da República, precisa ter autoridade moral. E nessa hora eu não vou endividar o país. Eu vou conter as despesas do país”, disse. O ex-governador listou feitos em Goiás para exemplificar suas propostas, por exemplo, ao responder sobre temas de segurança pública e educação.

Eduardo na estratégia de Raquel – Em sabatina, ontem, na rádio JC, o candidato a senador pela federação União Progressista, Eduardo da Fonte, seguiu a estratégia da governadora e ficou em cima do muro ao ser questionado sobre qual seria seu candidato a presidente da República. “O meu presidente da República é Pernambuco”, afirmou. O candidato recorreu a votações realizadas durante seus mandatos na Câmara para defender uma postura de independência em relação a quem ocupar o Executivo federal. Citou posições nas reformas da Previdência e trabalhista, além de pautas envolvendo o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a redução da jornada de trabalho.
Amor e ódio – Em entrevista ao jornal O Globo, Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) apontaram a existência de supostos gabinetes do ódio, operados por adversários, que estariam propagando notícias falsas nas redes sociais. Questionada sobre o acirramento numérico demonstrado nas últimas pesquisas, Raquel fez questão de ressaltar que o pleito se trata de uma disputa do “amor contra o ódio”.
CPI e impeachment – E completou: “Ao longo de três anos e meio, arrumamos a casa; o estado estava sem capacidade de investimento algum. Tomamos decisões difíceis e duras, porque não sou mulher de fazer atalhos, mas estamos fazendo o estado voltar a ser protagonista de sua história. É claro que não está tudo perfeito, mas entregamos muito. É uma campanha de amor contra o ódio, com muita propagação de fake news e um nível muito baixo de discussão”. De acordo com a governadora e candidata à reeleição, sua gestão vem sendo alvo de perseguição e as ações têm a ciência da Justiça Eleitoral. “Fizeram CPIs e pedidos de impeachment, mesmo eu sendo uma governadora honesta, trabalhadora e que entrega, que não está aqui para se satisfazer do poder. Denunciei ao Tribunal Regional Eleitoral o uso de robotização, com indícios muito claros da existência de um gabinete do ódio com perfis para divulgar fake news sobre mim. Nossa campanha vem judicializando isso”.

Gabinete do ódio – João Campos, por sua vez, alegou que uma organização teria sido montada logo após o início do seu segundo mandato à frente da Prefeitura do Recife. O socialista utilizou como exemplo o episódio em que a Polícia Civil de Pernambuco foi acusada de monitorar ilegalmente servidores da gestão municipal. “Há quase dois anos, o que existe é um gabinete do ódio liderado pela oposição a mim, ligada ao governo do estado, que passa manhã, tarde e noite me atacando nas redes sociais, com direito a deepfakes. Depois que fui reeleito, montou-se essa estrutura. Denunciei há mais de um ano e meio. Abriu-se até CPI na Assembleia, isso foi denunciado à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal, e há inquérito em curso investigando pessoas ligadas ao governo”, afirmou. Segundo ele, são mais de 90 ações no TRE, com êxito de mais de 80% a seu favor. “Há uma tentativa clara de mudança de retórica, que é uma prática da extrema direita e da direita para mudar os fatos”, completou.
CURTAS
REGISTRO 1 – A um mês e meio das eleições presidenciais, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) aceitou na última sexta-feira o registro de obra estrangeira de “Dark Horse”, polêmico longa-metragem sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
REGISTRO 2 – Este é o primeiro passo para o lançamento do filme, que ainda precisa cumprir outras etapas burocráticas para ser exibido nos cinemas, como obter aval da Ancine para exploração comercial e ainda ganhar uma classificação indicativa do Ministério da Justiça.
TRANSNORDESTINA – João Campos (PSB) defendeu, durante o lançamento da 4ª edição da revista Folha Energia, ontem, que a execução do trecho pernambucano da obra da Transnordestina seja repassada ao Governo do Estado. “O estado deve assumir a obra, acordado com o governo federal, criar um fundo como está sendo feito em algumas operações de metrô no Brasil, para o governo federal aportar 80% a 90% desse recurso, e o estado de Pernambuco complementar com algo em torno de 10%”, sugeriu.
Perguntar não ofende: Lula e Flávio vão ignorar também o debate da Globo?
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