Renan Santos: o candidato digital pode virar real?

Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã

O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, acredita que as pesquisas de intenção de voto tradicionais – aquelas que colhem as repostas diretamente com o entrevistado, nas ruas – tendem a ser mais aquilo que elas de fato se propõem: um retrato do momento. Já os modelos mais recentes, que fazem as pesquisas de forma on-line, buscando os entrevistados em grupos da internet, teriam, avalia Renan Santos, uma capacidade maior de projetar tendências futuras.

Ao acreditar nisso, Renan tenta explicar por que há um descolamento da performance que ele tem no mundo digital com relação àquilo que aparece nas pesquisas de intenção de voto. Renan Santos tem um dos melhores desempenhos nas redes sociais. Mas isso não se reflete na sua competitividade como candidato, pelo que mostram as pesquisas. Na BTG/Nexus, na segunda-feira (17), ele ficou com apenas 4%.

As novas revelações sobre as relações entre Lulinha, o ex-chefe de gabinete da Presidência Marcola e a lobista Roberta Luchsinger estão gerando mal-estar e irritação no presidente Lula. Assessores de Lula seguem garantindo que, até agora, não há nenhum “ato de ofício” que possa mostrar que o filho do presidente conseguiu aprovar algum contrato em favor da lobista no governo. As informações são do blog do Valdo Cruz.

Eles reconhecem, porém, que as conversas divulgadas são inoportunas, inadequadas e não deveriam ter acontecido. Novas trocas de mensagens mostram Marcola recebendo um contrato de venda de canabidiol para o Ministério da Saúde, Lulinha falando para a empresária emitir nota fiscal para um cliente dela e fotos de joias trocadas entre a lobista e Marcola.

Segundo assessores, Lula está se sentindo muito contrariado com tudo e garantindo que não tinha conhecimento de nada disso. E que seu mantra seguirá o de que, se algo for comprovado contra seu filho e seu ex-chefe de gabinete, eles terão de pagar na Justiça. Além disso, vai cobrar que seu filho preste depoimento na Polícia Federal para esclarecer tudo.

A Polícia Federal vai convocar o filho mais velho de Lula para depor, mas está aguardando finalizar a análise de todo material recolhido até agora nos três inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal que acabam tratando de Fábio Luís Lula da Silva. Ele está morando na Espanha, mas já disse que, quando o depoimento for marcado, virá ao Brasil depor na PF.

No plano eleitoral, o PT vai usar a verba de Daniel Vorcaro pedida por Flávio Bolsonaro para bancar o filme sobre o pai como munição para tentar acuar o candidato do PL. A equipe de Lula aposta nas investigações da PF sobre o caminho dos R$ 61 milhões investidos pelo banqueiro no filme “Dark Horse”. A suspeita é que o dinheiro não tenha sido totalmente utilizado para financiar o filme, mas também para bancar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ele nega.

Jaboatão dos Guararapes - Saúde nas escolas 2026

Depois de alguns ciclos eleitorais em que ocupou as manchetes pela relação com escândalos de corrupção, o marketing político volta a movimentar o noticiário às vésperas do início da propaganda eleitoral na TV e no rádio, mas por outra razão: o intenso entra e sai de profissionais em várias campanhas, inclusive presidenciais.

A última troca se deu com a saída do publicitário Paulo Vasconcelos (na foto em destaque) do comando do marketing de Ronaldo Caiado (PSD), anunciada nesta semana. O mesmo movimento já aconteceu, e duas vezes, na cozinha de Flávio Bolsonaro. E as conversas de bastidores dão conta de intensa disputa, com bateção de cabeça, também no Q.G. da campanha de Lula. As informações são da colunista Vera Magalhães, de O Globo.

Em todos os casos, chama a atenção uma mudança de paradigma relevante: foi-se o tempo em que aquilo que o marqueteiro ditava era lei e se espraiava para todas as áreas da campanha, inclusive a estratégia política — mesmo quando, logo em seguida ou em revisão histórica, o direcionamento se mostrava equivocado.

Basta lembrar episódios como a desconstrução de Marina Silva promovida pela campanha de Dilma Rousseff em 2014, então pilotada por João Santana. Ou a suavização da imagem de Lula orquestrada por Duda Mendonça em 2002, com direito a um balé de grávidas ao som do “Bolero” de Ravel. Ficou famosa também a favela cenográfica idealizada por Luiz Gonzalez na campanha de José Serra em 2010.

Agora, os marqueteiros se queixam de dificuldade de definir a linha mestra das narrativas eleitorais, devido à grande relevância que candidatos e seu entorno passaram a conferir às redes sociais, que tendem a adotar linguagem bem mais imediatista e estética bem menos sofisticada.

Graças a esse barulho digital que dita as conversas, pauta a imprensa e impressiona o entorno pela repercussão instantânea, aumentou o número de pessoas que passaram a agir como versadas em comunicação. Assim como todo brasileiro se converte em técnico de futebol em tempos de Copa do Mundo, mulheres, irmãos, cunhados, filhos e aspones em geral se sentem empoderados para falar em linguagem visual, storytelling e impulsionamento, dirigir vídeos e opinar até sobre o visual dos candidatos, tornando uma relação naturalmente tensa em praticamente inviável.

A entrada com tudo da inteligência artificial (IA) no front político veio para arrematar esse feirão de ideias quase sempre infelizes que viraram as campanhas. Os profissionais há mais tempo nesse jogo tendem a ter cuidado na hora de atestar que redes sociais fortes, engajamento e truques de IA podem ser a solução de que seus clientes têm de lançar mão para crescer nas pesquisas. Essa resistência em parte se explica pela crença, ainda à espera de comprovação neste ano, de que a TV é capaz de virar o jogo.

Nas últimas vezes em que a máxima que vigorou inabalável praticamente até 2014 foi testada, os resultados foram múltiplos. Com Bolsonaro, o fator TV foi nulo. Alguns anos depois, no entanto, foi relevante para que candidatos com maior poderio de alianças e tempo de propaganda implodissem o cometa Pablo Marçal — que, diga-se, ajudou bastante na tarefa com suas bizarrices.

Por último, um fator que pesa em 2026 para a sacolejada que o mercado do marketing sofre é a falta de dinheiro. Campanhas antes milionárias lidam com orçamentos mais modestos desde que os partidos passaram a destinar as maiores fatias do fundo eleitoral para eleger bancadas de deputado federal, já que justamente elas definirão o valor do mesmo fundo dali a quatro anos, num mecanismo que se retroalimenta.

Com tantas variáveis a ditar uma rápida mudança na lógica de produção de campanhas — como, de resto, em todas as atividades econômicas e mais dramaticamente na comunicação —, pode-se estar diante do esgotamento de um ciclo de certo glamour em que marqueteiros, literalmente, ganhavam ou perdiam eleições. Por ora, eles têm dificuldade até de se fazer ouvir em meio ao caos tecnológico e ao ruído das tais narrativas.

Caruaru - Minha rua nova

Da coluna de Cláudio Humberto

É deficitário o plano de saúde de senadores, ex-senadores e, claro, dependentes de suas excelências. Todos se penduram na benesse que, sem escolha, é custeada pelo pagador de impostos.

Levantamento do Ranking dos Políticos considerou a despesa ao longo de 2025, apenas de usuários do sangue azul, sem os servidores. São 79 senadores, 187 ex-senadores e mais 363 dependentes.

A arrecadação foi de R$ 5.179.524,92. As despesas são bem maiores, R$ 40.476.846,63.

Ipojuca - Na palma da sua mão

Vídeo de Lula com João desmonta narrativa de Raquel

O início oficial da campanha foi suficiente para Lula (PT) transformar em gesto eleitoral aquilo que, há meses, já estava definido no terreno político. Em vídeo gravado em Brasília, o presidente pediu votos de forma explícita e combinada para João Campos (PSB), seu candidato ao Governo de Pernambuco, e para Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), candidatos ao Senado pela Frente Popular.

A gravação não representa apenas mais uma manifestação de apoio. Estabelece, de maneira inequívoca, a fronteira entre relação institucional e aliança política e esvazia a zona de ambiguidade que Raquel Lyra (PSD) tentou preservar em torno de sua relação com o presidente.