Pesquisa Ipespe divulgada na edição de hoje da Folha de Pernambuco mostra um cenário preocupante para a campanha de Raquel Lyra (PSD): ela bateu no teto. Com 46% das intenções de voto, a governadora está tecnicamente empatada dentro da margem de erro com o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que aparece com 44% da preferência do eleitorado.
O levantamento mostrou que, em um mês e dez dias, a disputa ficou praticamente inalterada. Na pesquisa Ipespe divulgada em 17 de junho, Raquel tinha 44%, e João, 42%, o mesmo empate técnico dentro da margem de dois pontos percentuais registrado agora. Para o pré-candidato do PSB, a leitura possível é de resiliência, já que, mesmo há quatro meses fora do cargo de prefeito e sem poder fazer entregas, ele conteve o crescimento de uma governadora que faz pleno uso da máquina.
Raquel, por outro lado, viveu nas duas últimas semanas de junho e na primeira de julho o momento mais favorável para sua imagem perante o eleitorado. Embora não tenha feito entregas, ela garantiu uma exposição prolongada na mídia com uma agenda extensa de ordens de serviço e anúncios, algo que seu principal adversário não tinha à disposição por conta da legislação eleitoral. Mesmo com todo esse arsenal nas mãos, Raquel empacou e não consegue abrir distância de João.
Mais do que por esse retrospecto, é o que vem pela frente que deve acender o alerta na campanha de Raquel. Desde 4 de julho, em virtude do defeso eleitoral, ela não pode comparecer a inaugurações e seu governo não pode fazer propaganda institucional. A escassez de agendas já vem alterando o ritmo da governadora, que passou a tirar leite de pedra nas redes sociais com postagens sobre comidas, acessórios femininos e vistorias em obras com a presença de poucos assessores.
Em paralelo, Raquel ainda se viu arrastada para o centro de uma crise envolvendo a definição de seus candidatos a senadores. Virou notícia por uma falta de traquejo que pode levá-la à sua própria convenção, no domingo (2), sem a chapa formada. Se a governadora não cresceu no momento mais favorável, o que esperar dessa fase negativa e da própria campanha, quando estará sujeita a um desgaste contínuo em cadeia de rádio e TV? Depois de bater no teto, o esforço de Raquel será para não desabar.
Surpresa da convenção que homologou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto, o presidente da Argentina, Javier Milei, acabou roubando a cena e, ao mesmo tempo, gerando uma nova crise diplomática com o Brasil, após chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e o ministro Alexandre de Moraes de “lixo”.
Nunca se viu algo tão deplorável na história das relações diplomáticas entre nações vizinhas, fundadoras e integrantes do Mercosul, bloco econômico sul-americano criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, com a intenção de integrar as economias dos países membros por meio da redução de impostos alfandegários e da livre circulação de produtos e serviços.
De imediato, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para ouvir o protesto oficial do governo do Brasil. Chamar um embaixador brasileiro que está em missão no exterior para consultas, como fez o Brasil, é uma medida considerada dura nas relações internacionais.
É uma sinalização de que o país quer ouvir esclarecimentos de seu diplomata a respeito de uma atitude considerada hostil feita pela outra nação. O chefe de gabinete de Milei, Diego Santilli, tentou justificar a derrapada diplomática do chefe.
“Vieram aqui, fizeram campanha, fizeram de tudo, o gabinete de Lula disse barbaridades sobre o presidente e sobre a Justiça argentina e foram onde quiseram. Então que não venham exagerar”, disse Santilli.
Na verdade, um erro não justifica outro. Milei exagerou no tom da sua fala. Agrediu a honra do presidente Lula em território brasileiro, atitude canalha para um chefe de Nação.
REPETIU A DOSAGEM – Javier Milei voltou a fazer acusações ao presidente brasileiro, ontem, dia seguinte ao discurso ofensivo na convenção do PL. Em entrevista à Rádio Mitre, o presidente argentino alegou que o governo do Brasil financiou uma “campanha anti-argentina” e chamou Luiz Inácio Lula da Silva de “ex-presidiário”. As declarações aconteceram após a convocação de Bitelli para consultas pelo Itamaraty, medida adotada em reação ao discurso em que Milei chamou Lula de “presidiário”. Em nota, o Itamaraty afirmou não haver precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, profira “agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”.
A reação do Supremo — Em nota oficial, o presidente do STF, Edson Fachin, classificou as falas do presidente argentino como uma “referência desrespeitosa” a um integrante da Suprema Corte, reafirmou a independência do Judiciário brasileiro e afirmou que manifestações como essa são “incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”. “Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País”, escreveu o presidente do STF.
Palhaço, reage ministro — Em entrevista à rádio JC, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de “palhaço” ao comentar sobre as falas do chefe de Estado do país vizinho com ataques ao governo brasileiro. “O palhaço do presidente da Argentina falou do Brasil quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, declarou Durigan.
Bonecos de papelão – A repercussão jurídica provocada pelo vídeo produzido com inteligência artificial (IA) que reproduziu a imagem e a voz de Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do PL levou aliados de Flávio Bolsonaro a defenderem uma mudança de estratégia para a campanha presidencial, que passa até mesmo pelo uso de bonecos de papelão. Enquanto isso, acionado por adversários do senador, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá que definir até que ponto o uso da inteligência artificial para retratar o ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar, pode ou não violar as regras definidas para o pleito de outubro.
Processada por doméstica – A deputada federal Clarissa Tércio (PP) está sendo processada por uma empregada doméstica que diz ter trabalhado para ela ao longo de sete meses sem que a carteira de trabalho fosse assinada, segundo notícia postada no site do DP. A autora da ação, protocolada em maio deste ano, também afirma que a rotina de trabalho era “extensa e extenuante”. Ainda não há decisão sobre o caso. Segundo a empregada, o “pacto laboral” durou de 22 de setembro de 2025 a 4 de abril de 2026 no âmbito “residencial/familiar” da deputada. Ela afirma que, durante todo o período, trabalhou em escala fixa de quatro dias por semana, às quintas, sextas, sábados e domingos.
CURTAS
QUEM É? – Ao ser questionado sobre como via o episódio da vinda de Milei ao Brasil, Lula, que aguardava a chegada do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, para uma recepção no Itamaraty, ironizou: “Eu? Quem é esse cara?”
SEM ATAQUES – Em uma inflexão na postura adotada há algumas semanas, o candidato do Novo ao Planalto, Romeu Zema, evitou, ontem, em discurso na convenção que homologou sua candidatura, criticar Flávio Bolsonaro, candidato do PL a presidente, e ignorou a proximidade do adversário na corrida eleitoral com Daniel Vorcaro, preso após protagonizar o escândalo de fraude financeira do banco Master.
NEUTRALIDADE – O MDB decidiu não lançar nem apoiar candidatos à Presidência e à Vice-Presidência da República. A legenda também não firmará coligação em nível nacional e liberou os diretórios estaduais para definir os apoios nas disputas locais. A decisão foi anunciada, ontem, pelo presidente do partido, Baleia Rossi, durante a convenção nacional da sigla.
Perguntar não ofende: Quem foi mais baixo: Milei ou Durigan?