Após três dias de protestos consecutivos no Recife, o governo de Pernambuco explicou a situação do auxílio para as famílias atingidas pelas chuvas entre maio e junho.
Representantes da gestão estadual concederam entrevista coletiva para detalhar o balanço da Operação Chuvas nesta quinta-feira (9), no auditório da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), em Santo Amaro, área central da capital pernambucana.
No momento, quando também foram apresentadas as ações preventivas no estado, estavam presentes membros do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS), Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento e Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
A respeito do Auxílio Pernambuco, a secretária de Assistência Social, Combate à Fome e Política Sobre Drogas (SAS), Andreza Pacheco, explicou que as pessoas aptas a receber os recursos já estavam definidas.
No total, foram investidos R$ 8,7 milhões para atender 3.500 famílias com um valor de R$ 2.500 mil por família. O governo estadual recolheu os dados junto aos municípios que estavam em situação de emergência.
Para ser beneficiado, era necessário estar no Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal, ter uma renda per capita família de meio salário mínimo e morar em uma região afetada pelas chuvas.
A prioridade eram famílias com pessoas idosas, com pessoas com deficiência, mulheres gestantes ou mulheres chefes de família.
“Nós pagamos ao longo dos dias esse valor que estava previsto em lei. A questão é que recebemos cadastros de mais famílias. Fizemos a quantidade de famílias a partir dos dados dos municípios em situação de emergência [do dia 1º de maio]. Naquele momento, os municípios informaram essa quantidade de famílias e foi com esse número que trabalhamos”, detalhou Andreza Pacheco.
Desde a última terça-feira (7) até esta quinta-feira (9), houve protestos em diversas áreas da capital pernambucana. Os bloqueios ocorreram em pontos da Imbiribeira, Caxangá e BR-101.
A secretária ressaltou que a gestão está ciente dos protestos, mas não há previsão para o pagamento de valores a novas famílias além das 3.500 garantidas na lei estadual.
“Temos ciência desses protestos, porém nós temos o cadastro das famílias e foram analisados os dados. Não temos previsão [das famílias receberem]. Mas temos outras frentes da assistência social em que a gente apoia as famílias através dos municípios com pagamento do benefício eventual emergencial”, completou Andreza Pacheco.
No encontro que teve com o senador Ciro Nogueira (PI) e o advogado Antônio Rueda, presidentes da Federação Progressista, segunda-feira passada, em Brasília, a governadora Raquel Lyra (PSD) botou as cartas na mesa.
Jogou em favor do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), para compor uma das vagas ao Senado, já que, para a outra, fez opção pelo deputado Túlio Gadelha, que migrou da Rede para o PSD, dando uma guinada à direita.
Raquel jogou pesado. Pediu uma definição da federação em curto espaço de tempo, algo em torno de 48 horas, prazo já vencido. O jogo não é jogado como a governadora quer. Em se tratando de uma federação tão robusta, quem escolhe o nome para o Senado não é ela, mas a própria federação.
E a federação, num encontro que colocou o assunto em discussão e votação, não escolheu Miguel, mas o presidente do colegiado no Estado, deputado Eduardo da Fonte, para quem a governadora torce o nariz. Ciro vai comunicar a Raquel que o nome da federação para o Senado é o de Eduardo da Fonte.
Rueda, por sua vez, não tem falado português claro como Ciro. Soube que no encontro ficou o tempo todo calado, não defendeu nem Eduardo nem Miguel, mesmo que o grupo Coelho propague que, na condição de presidente nacional do União Brasil, tenha sido implacável na defesa de Miguel.
Se o prazo dado pela governadora, de 48 horas, já venceu sem que os caciques nacionais da federação tenham se manifestado, o impasse na chapa governista vai perdurar por mais tempo, provocando chafurdação e desagregação dentro do conjunto de forças que apoiam a reeleição da gestora.
IMEXÍVEL – Ante os dirigentes nacionais da federação, Raquel também deixou patente que a vaga de vice não está na roda das negociações, porque nunca teve planos para “queimar” Priscila Krause, que se transferiu do PSDB para o PSD a pedido da governadora. O impasse está na segunda vaga ao Senado, que, segundo Raquel disse no mesmo encontro em Brasília, teria sido solucionado muito lá atrás se o presidente estadual da federação, Eduardo da Fonte, tivesse aceitado disputar o Senado junto com Miguel, ou seja, as duas vagas ocupadas pela federação.
Eduardo não é bobo – Eduardo da Fonte, segundo Raquel, ao invés de aceitar as duas vagas da federação para o Senado, uma ocupada por ele e outra por Miguel, abriu negociações para sair candidato na chapa de João Campos (PSB), o que a irritou bastante, perdendo, consequentemente, a confiança no aliado. Mas Eduardo é do ramo. Não entrou nesse jogo de Raquel porque sabe que, teoricamente, com dois nomes de centro e o mesmo perfil, as chances da governadora eleger a chapa completa se reduziriam bastante. Na medição de forças com Miguel, Eduardo levaria desvantagem, podendo o segundo senador eleito sair da chapa de João.
O topa tudo – Numa entrevista ontem, Miguel Coelho voltou a defender o registro da sua candidatura ao Senado de forma avulsa, ou seja, sem as ligações formais com a Federação Progressista exigidas por lei. Especialistas em legislação eleitoral garantem, no entanto, que essa saída desesperada do ex-prefeito de Petrolina não tem respaldo legal, uma vez que PP e UB se uniram numa federação e, consequentemente, passaram a ser um mesmo partido e não mais legendas independentes e autônomas.
A máfia do Master – A Polícia Federal fez, ontem, uma operação para investigar a atuação do publicitário Thiago Miranda, que agiu ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para intimidar a jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, e outras pessoas que eram vistas como “obstáculos” pela suposta organização criminosa. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que destacou o “grau de periculosidade da organização, conferindo-lhe contornos de máfia”.
Soldado raso – Adversário figadal do grupo Coelho, o ex-prefeito de Araripina, Raimundo Pimentel (PSD), que tenta uma vaga na Assembleia Legislativa, disse, ontem, numa emissora de rádio da região do Araripe, que a prerrogativa de indicar o candidato ao Senado na chapa de Raquel é da federação e não da gestora. “A federação já decidiu, por ampla maioria, em convenção estadual, que o candidato é Eduardo da Fonte”, afirmou. Com a palavra, a governadora Raquel Lyra, para quem Pimentel bate continência, igual a soldado raso.
CURTAS
MANIFESTAÇÕES 1 – Protestos em diversas localidades marcaram os últimos três dias no Grande Recife, pelo pagamento de R$ 2,5 mil às vítimas das fortes chuvas que atingiram 27 municípios da Região Metropolitana e da Zona da Mata. A Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS) informou que todas as famílias já receberam e atribuiu a insatisfação a cadastros irregulares ou feitos posteriormente pelos municípios.
MANIFESTAÇÕES 2 – “Algumas famílias que estão reclamando ou não cumpriam os critérios (para o auxílio), ou chegaram depois. Nós temos ciência desses protestos, mas foram feitos mais cadastros pelos municípios, além dos 3.500 previstos inicialmente”, justificou a secretária da SAS, Andreza Pacheco, ao recordar que o levantamento inicial foi fruto do diálogo da Defesa Civil com os municípios afetados.
COM JOÃO – Do presidente estadual do Republicanos, Sílvio Costa Filho, após manifestação da direção nacional do partido pela candidatura de Flávio Bolsonaro: “Independente da posição que a Executiva Nacional venha tomar, em Pernambuco, como sempre fizemos, estaremos votando no presidente Lula e no pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos”.
Perguntar não ofende: Para onde irá Eduardo da Fonte se Raquel insistir na opção Miguel Coelho para o Senado?