A governadora eleita Raquel Lyra vai enfrentar inúmeros desafios em Pernambuco na área de mobilidade urbana e infraestrutura. Como forma de contribuir para o debate, a Coluna Mobilidade, do Jornal do Commercio, republicou um raio-x da situação do Estado e, a partir de entrevistas com especialistas e dados públicos, apresenta possíveis caminhos para as soluções tão necessárias para a vida da população.
A mobilidade urbana é uma das áreas que precisa ser tratada com prioridade, porque cada vez mais as pessoas precisam ir e vir e, para isso, buscam formas fáceis, confortáveis, inteligentes, sustentáveis e, dentro do possível, rápidas para se deslocar.
Após as fortes chuvas que atingiram Petrolina nos últimos dias, o prefeito Simão Durando montou uma força-tarefa com diversas secretarias do município que desde a última sexta-feira (04) iniciou o mapeamento das áreas mais atingidas e também das famílias que ficaram desabrigadas.
Ontem, o gestor fez questão de ir até o Abrigo Municipal, onde estão acolhidas duas famílias, entre elas a do Senhor Francisco de Assis, morador do bairro Pedro Raimundo. O homem teve sua casa invadida pelas chuvas e foi acolhido junto com a esposa e seus três filhos. “Nunca tinha visto um volume de água tão grande. A água inundou nossa casa e não tinha condições de continuar lá. Para nossa sorte temos esse abrigo para receber a gente”, agradeceu.
Além do Abrigo Municipal, as famílias desabrigadas e pessoas em situação de rua estão sendo acolhidas no Centro de Convivência do Idoso (CCI Mimi Cruz) e no Centro Pop. Estão sendo disponibilizados colchões, travesseiros, cobertores, alimentação, material de limpeza e de higiene, além de assistentes sociais e psicólogos para realizar a triagem, fazer os encaminhamentos necessários e o acolhimento.
“Estamos trabalhando para amenizar os transtornos e dar total assistência à população. Esse é o meu papel e minha missão enquanto gestor, cuidar das pessoas com carinho e aconchego, dando acolhimento nos momentos mais difíceis. O Abrigo Municipal, o Centro Pop e o CCI Mimi Cruz estão de portas abertas para receber todos que precisarem”, destacou o prefeito Simão Durando.
Como ainda há previsão de chuva para os próximos dias, as pessoas que estiverem em situação de risco acionem a Defesa Civil pelo telefone (87) 98142-6014, que serão encaminhadas para os abrigos.
Serviço:
– Abrigo Municipal de Petrolina:
Endereço: Rua 14, S/Nº, Jardim São Paulo
– CCI MIMI CRUZ:
Endereço: Avenida da Mirra, Nº 490, Jardim Amazonas
– CENTRO POP:
Endereço: Rua Crispim Amorim, Nº 269, Centro.
Exclusivamente para pessoas em situação de rua.
Funcionará 24 horas enquanto durarem as chuvas fortes.
Desde a última sexta-feira (4), diversas cidades do interior de Pernambuco têm registrado chuvas. De acordo com o monitoramento da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), nas últimas 24 horas as cidades onde houve maior incidência de chuvas foram as do Agreste do Estado.
A cidade que mais registrou chuvas desde a sexta-feira foi Pesqueira, que fica no Agreste, a pouco mais de 80 quilômetros de distância de Caruaru. Na sequência, aparece a cidade de São Benedito do Sul, Zona da Mata Sul de Pernambuco, seguida de mais três cidades do Agreste. As informações são do G1/Caruaru e Região.
Confira a lista das cidades que mais registraram chuvas nas últimas 24 horas em Pernambuco:
Pesqueira – 105,43mm
São Benedito do Sul – 95,72mm
Lagoa dos Gatos – 94,95mm
Tacaimbó – 87,10mm
Sanharó – 82,10mm
Alerta de chuvas
Na última sexta-feira (4), a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) emitiu um alerta meteorológico de chuvas para as regiões Agreste, Sertão de Pernambuco e Sertão do São Francisco.
A Apac explica que a passagem de uma frente fria é o que tem provocado o alerta de chuvas nas regiões. A previsão é de predominância de chuva moderada e, ocasionalmente forte, em pontos isolados nesta sexta e no sábado (5).
“Para o final de semana, esperamos que a tendência ainda seja de chuva moderada em sua maior forma entre o Sertão de Pernambuco e o Agreste, podendo chegar a moderada na Zona da Mata Sul. Durante o final de semana também teremos chuva fraca na região litorânea”, explica o meteorologista da Apac, Romilson Ferreira.
A histórica vitória de uma mulher do interior do estado, consequentemente sem uma grande base na Região Metropolitana do Recife (RMR), e além disso, sustentando uma campanha sem alinhamento com nenhuma das candidaturas à Presidência da República em um estado predominantemente lulista, representou a quebra de paradigmas que devem, a meu ver, repercutir na formulação e montagem do seu futuro governo.
Observe-se que a coligação que sustentou a candidatura da governadora eleita Raquel Lyra (PSDB/CIDADANIA) elegeu um pequeno número de deputados estaduais e não logrou êxito para a câmara federal, deixando de fora, inclusive, apesar da sua grande votação, o deputado Daniel Coelho, um dos artífices da construção e sustentação do projeto Raquel, ao lado de Priscila Krause, Armando Monteiro Neto, dentre poucos outros.
O grande desafio de Raquel é fazer um governo de mudanças que aponte para o futuro e não se perca em coisas do passado. Ela usou com frequência a afirmação de que irá construir pontes, e não muros. Na prática, no plano nacional, como ela própria já afirmou, irá conversar com o presidente eleito e dialogar com o governo federal à luz dos interesses do estado e do país e, tenho certeza, teremos uma sintonia, considerando a formação democrática e republicana dos dois líderes no exercício das suas responsabilidades, em defesa da democracia.
Em relação ao futuro bem próximo, penso que a montagem do governo Raquel exigirá alguns movimentos políticos e administrativos na direção da edificação das pontes necessárias para que se faça a travessia para um destino seguro que garanta, de um lado a governabilidade, e de outro o equilíbrio político-ideológico na direção do centro-progressista. E aí as conversas com o PT e a federação em que ele se insere (PT/PCdoB/PV), que elegeu sete deputados estaduais, conta com dois senadores, representação na Câmara Federal. E com o PSB que elegeu uma numerosa bancada de 14 deputados estaduais, deputados federais.
Isso será vital para garantir a sustentação política e ser base para a construção das pontes almejadas pela futura governadora. Pelo centro-direita, o PP mais uma vez irá funcionar como uma espécie de fiel da balança, pela eleição da segunda maior bancada com oito deputados para a Assembleia Legislativa. Assim, a construção da maioria necessária à facilitação da governabilidade passa por um movimento de menos ‘caixa preta’ e mais sinal verde à necessidade de dar tranquilidade à governadora que precisará construir um importante entendimento em favor do futuro do nosso estado.
No plano administrativo, acho que além de algumas necessárias alterações no desenho da estrutura organizacional do estado para atender as necessidades de contemplar a maior eficientização do governo e as prioridades da governadora, vejo a importância de destaque à questão da Região Metropolitana, visando cumprir os ditames do Estatuto das Metrópoles, assegurando um olhar especial a esta região que concentra os maiores desafios do estado pela sua grande conurbação e dinâmica social e econômica. Nessa questão, desandamos bastante, pois o órgão de Planejamento e Gestão Metropolitana, o CONDERM (Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana) foi desativado e a FIDEM, erradamente esvaziada, deixando-se de interferir em questões vitais para a região como o planejamento e execução de ações integradas envolvendo os gestores metropolitanos, garantindo-lhes um espaço participativo e vital para a região.
Vejo aí a necessidade de criação da Secretaria de Assuntos Metropolitanos, com a reformatação dos órgãos que atuam nesse espaço específico e o estímulo ao seu fortalecimento, além do possível Consórcio Metropolitano de Prefeituras, experiência bem-sucedida em outras regiões.
Para as demais regiões do estado, defendo que a espacialização/regionalização seja discutida como forma de aproximar mais o Palácio de Campo das Princesas das diversas regiões do estado. Daí, penso na criação das Secretarias Executivas Regionais ligadas à Secretaria da Casa Civil para cada macrorregião estadual. Elas funcionariam no que convencionei chamar de Palácios Regionais, onde seriam concentrados todos os órgãos regionais do estado e onde o governo deveria se instalar a cada semestre, por exemplo, levando o governo para mais próximo do povo.
Inovar e reproduzir as boas experiências, aprimorando-as, é preciso!
*Ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho e de Jaboatão dos Guararapes, Administrador do Arquipélago de Fernando de Noronha, deputado estadual e Secretário de Justiça e Direitos Humanos.
O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), viajou, no fim de tarde de ontem, para São Paulo, depois de quatro dias de férias no extremo sul da Bahia, em local próximo à praia de Caraíva. Ele chegou em sua casa, que fica no Alto de Pinheiros, no início da noite de ontem.
Amanhã, Lula vai retomar oficialmente as reuniões para trabalhar na transição de governo. Logo após eleito, Lula passou dois dias em reuniões em São Paulo com seu núcleo duro de aliados antes de embarcar para o período de descanso ao lado da esposa, a socióloga Rosângela da Silva, conhecida como Janja. As informações são do UOL.
Durante as férias, Lula manteve contatos com a cúpula petista por telefone, mas a maioria dos aliados que o cerca evitou ligações para não incomodá-lo.
A divulgação de nomes da equipe de transição ficou suspensa durante o período que Lula esteve ausente. Com o retorno do presidente eleito a São Paulo e oficialmente ao trabalho, a equipe composta por 50 pessoas deve ser anunciada.
Lula deve se reunir, amanhã, com o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), que coordena os trabalhos de transição com apoio da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e do ex-ministro Aloizio Mercadante. O trio foi designado pelo petista na última terça-feira para conduzir as conversas iniciais sobre transição com o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Na próxima terça, o presidente eleito deve ir a Brasília, onde integrantes da transição passarão a se reunir para iniciar os trabalhos. Ele deve fazer um périplo pelas presidências do Congresso e do Judiciário na passagem pela capital.
Não há previsão de agenda do presidente neste domingo, até o momento.
Depois de deixar o Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro vai assumir, em janeiro próximo, o cargo de presidente de honra do PL. O partido vai se posicionar na semana que vem de forma contundente como oposição ao governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O cargo no PL já existe e foi criado pelo presidente da legenda, ex-deputado Valdemar Costa Neto, para José Alencar, que foi vice-presidente nos primeiros mandatos de Lula, após ele deixar o governo. As informações são do Estadão.
Quando deixar a Presidência da República, Bolsonaro terá direito a cerca de R$ 40 mil com aposentadorias do Exército e da Câmara. O salário do PL está sendo discutido ainda e será somado a esse valor. Também não foi definida a origem do recurso – se será do Fundo Partidário ou de doações para a sigla.
Legado
O partido quer manter Bolsonaro ativo em Brasília para preservar o eleitor conservador de direita e o “legado” de 58 milhões de votos conquistados no segundo turno da eleição. O presidente vai integrar uma executiva partidária com 21 membros.
No comando do PL desde 2001, Valdemar Costa Neto seguirá como presidente do partido. O anúncio sobre o futuro de Bolsonaro e da sigla deverá ser feito pelo dirigente durante uma entrevista coletiva em Brasília na próxima terça-feira. Será a primeira entrevista do cacique do PL – que foi condenado e preso no escândalo do mensalão – em dez anos.
Diante da aproximação de líderes do Centrão de Lula, o PL decidiu anunciar oficialmente sua posição para afastar os rumores de que poderia dar uma guinada governista com a nova gestão do PT.
Casas
Com a decisão do PL de se posicionar na oposição ao governo federal, o partido pode ficar isolado no Congresso, mas ainda assim terá papel decisivo na disputa pela presidência das Casas.
O partido de Bolsonaro sinalizou ao PP que aceita fazer um acordo para apoiar a recondução de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara, desde que o PP apoie o PL na presidência do Senado contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O partido de Bolsonaro conquistou a maior bancada da Câmara dos Deputados neste ano, com crescimento dos 76 deputados atuais para 99 na próxima legislatura. Em segundo lugar está a federação PT-PCdoB-PV, com 80 deputados eleitos (PT com 68, PCdoB com 6 e PV com 6).
Graças à substancial ajuda que o Governo Federal deu aos Estados, por força do Orçamento de Guerra, decorrente da pandemia do coronavírus, que travou aumento de servidores por dois anos, somado a um disciplinado processo de ajuste de suas contas públicas, a governadora eleita Raquel Lyra assume o Governo de Pernambuco, em 1º de janeiro de 2023, sabendo que as contas do mês têm provisão de modo que poderá trabalhar na implantação de um novo conceito de gestão sem a necessidade renegociar prazos com servidores e fornecedores, etc. Ou seja: a receita paga o custeio da despesa.
É uma situação completamente diferente de seu antecessor, cujo primeiro ato, em 2015, foi dar um aperto geral nas finanças de Pernambuco que incluiu mudança na legislação de incentivos fiscais, mudança das datas de pagamento dos servidores, renegociação de prazos com fornecedores que transformaram os primeiros seis meses da gestão num cenário de crise agravada pelo desastre a nível federal do Governo Dilma Rousseff. As informações são do colunista Fernando Castilho, do Jornal do Commercio.
Raquel Lyra assume com Lula liderando o Governo Federal, depois de ter sido a única candidata no Nordeste que não foi puxada apenas pelos votos no presidente, sendo o fato diferente no Nordeste. Mas a questão é: Raquel Lyra foi eleita para fazer o mais do mesmo de Paulo Câmara? Ou quer fazer um Governo que, já na partida, aponte para propostas de longo prazo?
O governo de Pernambuco perdeu protagonismo como agente indutor de projetos estruturadores porque precisou cuidar de suas contas internas. E como obra estruturadora, o que Paulo Câmara entrega, de fato, é parte de um avanço na questão da ampliação da oferta de água. Mas sem ter concluído o projeto estratégico da Adutora do Agreste, sua maior aposta.
Isso abre a Raquel uma janela de oportunidades de trazer a mesa ideias mais ousadas. Embora o passivo social (maior número de famílias abaixo da linha de pobreza, liderança no Mapa da Fome, insegurança alimentar de mais um terço de sua população, um caótico sistema penitenciário e déficit dos serviços de saúde), lhe obrigue a agir já no primeiro dia de trabalho.
O desafio da nova governadora, portanto, é sinalizar novos caminhos na economia e desafiar o setor privado ao mesmo tempo em que atue de uma forma tão eficiente nas questões sociais que gere adesão e entusiasmo da sociedade.
Tocar os projetos existentes, pagar a folha em dia, melhorar a gestão e se inserir nos debates dos grandes nacionais estão da conta do dia a dia. O desafio da nova governadora é apontar horizontes, definir caminhos e ações para superar obstáculos. Os pernambucanos lhe deram uma vitória diferenciada, a nível nacional, apostando que suas entregas sejam diferenciadas. E vão lhe cobrar audácia no fazer. Mas e daí? Não queria ser governadora?
O governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja para as primeiras semanas após a posse um “revogaço” de portarias e decretos implantados ao longo da gestão de Jair Bolsonaro. O foco será reverter iniciativas que facilitaram o acesso a armas, dificultaram o combate ao desmatamento e impuseram sigilos a informações.
O cancelamento dessas medidas depende apenas da decisão do Executivo, sem necessidade de construção de uma maioria parlamentar. A lista exata de normas que serão derrubadas ou modificadas começará a ser decidida nesta semana, com o início dos trabalhos da equipe de transição coordenada pelo vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin. Cinquenta pessoas vão preparar uma radiografia do atual governo. As informações são do O Globo.
Uma das bandeiras da campanha de Lula, a redução do números de armas em circulação deve ser alcançada, entre outras formas, por meio da mudança completa das políticas de Bolsonaro.
— O compromisso expresso na campanha foi revogar decretos que facilitam o acesso a armas e munições — afirma o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que integrou o grupo responsável por discutir propostas para a segurança pública.
Em entrevista ao GLOBO na semana passada, o senador eleito Flávio Dino (PSB-MA), cotado para o Ministério da Justiça, classificou de “imprescindível” a revisão de regras no setor. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública diz que o controle da posse de armas foi “desmantelado”, fazendo com que civis e Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs) tenham em mãos um arsenal superior ao de órgãos públicos. Ao todo, foram editados 19 decretos, 17 portarias, duas resoluções e três instruções normativas.
Foi por meio de “canetadas”, por exemplo, que Bolsonaro abriu caminho aos CACs. A quantidade a que a categoria podia ter acesso passou de 16 armas, 40 mil projéteis e quatro quilos de pólvora para 60 armas, 180 mil cartuchos e 20 quilos de pólvora. Com as mudanças nas regras, o número de CACs cresceu de 117 mil em 2018 para mais de 673 mil até junho de 2022 — as armas registradas pelo grupo saltaram de 350 mil para mais de 1 milhão no período.
— Precisamos repensar o controle de munição. É preciso não apenas revogar, mas inovar para facilitar o rastreio de cartuchos e tornar obrigatória a marcação da munição vendida no país — afirma o policial federal Roberto Uchôa, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Já o gerente do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, defende que até mesmo as mudanças barradas pelo Supremo Tribunal federal (STF) precisam ser anuladas:
— A autorização para compras de armas sem a justificativa de necessidade, por exemplo, caiu com uma decisão do ministro Edson Fachin, mas precisa ser revogada para não causar confusão jurídica. Além disso, a decisão proíbe compras de fuzis por civis, mas não trata das armas já compradas, que estão em circulação. O novo governo vai precisar se debruçar sobre isso.
Na área ambiental, o deputado federal Nilto Tatto (PT), um dos coordenadores do setor na campanha de Lula, elenca como prioridade a revogação de dois atos do governo Bolsonaro — um que reduziu o espaço da sociedade civil no Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama); e outro que prevê a anulação de multas ambientais avaliadas em mais de R$ 16 bilhões.
— Temos que trabalhar nisso agora no início do governo, pois esses atos emperram as outras pautas — disse o parlamentar, que irá junto com Lula à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), no Egito.
Na conta do centro de pesquisa independente Instituto Talanoa e do projeto Política por Inteiro, existem 401 atos do Executivo emitidos entre 2019 e 2022 que precisam ser revistos “para a reconstituição da agenda climática e ambiental brasileira”. Estão também na lista normas que versam sobre direitos indígenas e facilitação ao garimpo, dificultando a fiscalização.
Na opinião da pesquisadora Natalie Unterstell, presidente do Talanoa, apesar da urgência em tratar muitas questões, é preciso evitar a tomada de decisões importantes sem debate. A lista de assuntos frágeis inclui a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), que é a proposta oficial do Brasil de redução de emissões de CO2.
— Até se pode ir lá e jogar um ato logo no primeiro dia colocando uma NDC nova, mas a gente entende que é indispensável para isso refazer o diálogo com a sociedade — diz a cientista
A maior parte das normas infralegais que precisam de revisão foram emitidas durante o primeiro ano e meio de pandemia da Covid-19, quando o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles propunha que o governo aproveitasse a situação de instabilidade para seguir “passando a boiada” dos atos que flexibilizavam normas ambientais.
O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) produziu um levantamento dessas medidas no ano passado. Para Alessandra Cardoso, analista política da entidade, é preciso atuar fora do Ministério do Meio Ambiente também:
— Muitas “boiadas” passaram no Incra, na Funai, no Ministério da Economia… A gente tem que ter um olhar amplo para o que foi esse desmonte e revertê-lo nos primeiros cem dias de governo.
“Sem revanchismo”
Também está nas pretensões de Lula revogar decretos que impuseram sigilos de cem anos a assuntos envolvendo o governo federal. O petista chegou a prometer rever essas iniciativas nos debates com Bolsonaro ao longo da campanha. Ficaram sob sigilo, entre outros temas, a carteira de vacinação do presidente, o processo interno do Exército sobre a participação do então general Eduardo Pazuello em manifestação ao lado de Bolsonaro no Rio em maio de 2021, os crachás de acesso dos filhos de Bolsonaro ao Palácio do Planalto e a investigação da Receita Federal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Há pontos críticos ainda nas áreas de saúde e educação, que não devem passar incólumes ao “revogaço”. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) elabora um documento para entregar à equipe de transição com políticas que, na opinião da organização, devem ser revistas, como programas e portarias lançados pelo Ministério da Saúde sem discussão com gestores locais, contrariando o que prevê a legislação. Um dos pontos é a Rede de Atenção Materno Infantil (RAMI), que substituiu a Rede Cegonha, criada em 2011 e reconhecida pelo sucesso em relação à atenção ao pré-natal, parto e puerpério. Entre as críticas, estava o fato de a política dar protagonismo a médicos obstetras sem prever atenção à criança por meio de pediatras.
— Tivemos desmontagens no campo da atenção básica, além da interrupção de programas na área de saúde da mulher. O ministério destruiu a relação de gestão tripartite com municípios e estados. Não é revogar por revanchismo, vamos ter que avaliar os atos. É para isso que serve a transição: identificar os principais problemas — afirma o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, que participou da construção do plano de governo de Lula.
Na educação, um dos principais alvos deve ser a Política Nacional de Alfabetização (PNA). Organizações como Todos pela Educação e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que devem ter representantes na equipe de transição, defendem a revogação. A PNA colocou como central a aplicação do método fônico para alfabetizar crianças, modelo em que a aprendizagem começa das letras e sílabas até chegar às palavras. Na época em que foi lançada, a política foi criticada por gestores locais e estaduais por ter desconsiderado as iniciativas que vinham sendo desenvolvidas por estados e municípios a respeito do tema.
O então governador Marco Maciel na inauguração de uma obra em Santa Maria do Cambucá, no Agreste, em 1981, com o ex-deputado Almeidinha, principal liderança do município e o deputado Geraldo Barbosa, ex-presidente da Assembleia Legislativa. Também o ex-deputado federal Luiz Gonzaga Vasconcelos e o ex-senador Antônio Farias. A foto foi enviada pelo leitor Maurício Barbosa, filho de Geraldo. Se você tem uma foto histórica no seu baú e deseja vê-la postada neste quadro, envie agora pelo WhatsApp 81.98222.4888.
Um avião da companhia aérea Precision Air caiu no Lago Victoria, na Tanzânia, ao se aproximar do aeroporto de Bukoba, informou a estatal Tanzania Broadcasting Corporation (TBC) neste domingo (6).
Segundo informaram autoridades locais à agência de notícias Reuters, até agora 26 das 43 pessoas a bordo foram resgatadas com vida no local. Até o momento, não há informações sobre o estado de saúde dos outros passageiros. As informações são do G1.
“Conseguimos salvar um grande número de pessoas”, disse o comandante da polícia da província de Kagera, William Mwampaghale, a jornalistas.
Barcos de resgate foram enviados e equipes de emergência continuam resgatando passageiros presos no avião, acrescentou a TBC.
O avião partiu da capital Dar es Salaam e “caiu no Lago Vitória esta manhã devido a uma tempestade, informou a TBC.
A Precision Air, a maior companhia aérea privada da Tanzânia, identificou o avião como sendo o voo PW 494 e disse que estava “envolvido em um acidente quando se aproximava do Aeroporto de Bukoba”. O comunicado da companhia aérea não deu mais detalhes.
O Aeroporto de Bukoba fica às margens do Lago Vitória, o maior lago da África.
Imagens de vídeo e imagens que circularam nas redes sociais mostram o avião quase totalmente submerso, com apenas a cauda verde e marrom visível acima da linha d’água.
O presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, pediu calma enquanto a operação de resgate continua.
“Recebi com tristeza a notícia do acidente envolvendo o avião da Precision Air”, twittou. “Vamos ficar calmos neste momento em que os socorristas continuam com a missão de resgate enquanto rezam a Deus para nos ajudar”.