O crescimento da campanha do presidente Lula (PT) à reeleição na última semana foi evidenciado nas pesquisas, com o petista chegando ao empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) em parte dos institutos. Para o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, no entanto, ainda é cedo para cravar uma virada, como vêm afirmando aliados do petista. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o analista diz que é preciso aguardar as próximas pesquisas, entre elas a Quaest, nesta quarta-feira (21), e o Datafolha, na quinta-feira (22), para verificar se houve consolidação do movimento.
“É incontestável que a mudança de cenário da primeira para a segunda semana do segundo turno ocorreu por conta de uma onda produzida a partir de dois vetores, que foram as ruas e as redes sociais. Houve uma intensa movimentação, de certa forma inédita, já que há mais de dez anos não se via a esquerda e os progressistas terem tantas pessoas mobilizadas nas ruas. Mas nós veremos se essa onda, com as pesquisas a partir de amanhã, continua. Se continuar, torna-se absolutamente plausível a hipótese de ultrapassagem de Lula sobre Flávio na reta final. Se a onda continuar e o movimento assinalado pelas pesquisas da semana passada ganhar impulso e se for evidenciado na Quaest e Datafolha, mostrando uma hipotética maior capitalização das circunstâncias do debate por Lula, será plausível esse quadro”, pontuou Lavareda.
Leia maisO cientista político ressaltou a importância de observar a intenção de voto espontânea nas novas pesquisas. “Temos que estar atentos a esse dado, que será mais refletido nos números finais do que na pesquisa estimulada. Significa que as pessoas já têm claramente definido um candidato, faltando três ou quatro dias para a eleição, então vai ser cada vez mais importante a questão da espontânea. Também vamos ver finalmente pesquisas com a avaliação do debate, quem ganhou, quem perdeu, ganhou mais ou menos. Porque essa discussão vai continuar até o próximo, e essa percepção pode ir contagiando mais indecisos até a sexta-feira (23), com o debate da Globo. Então, olhemos esses aspectos, além do montante de indecisos, e prestemos atenção naqueles eleitores que admitem votar em qualquer um dos candidatos. É muito importante olhar quem pode votar no Flávio cruzado com quem pode votar no Lula e ver o tamanho desse percentual, as características desse público. E a partir daí, podemos imaginar o que teria maior probabilidade até o domingo da eleição”, completou Lavareda.
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