Por Larissa Rodrigues – Efeito Político
Com a polêmica da laqueadura sem consentimento defendida pela governadora Raquel Lyra (PSD) em uma paciente da rede pública e que dominou os noticiários políticos, as redes sociais e até a classe artística, as articulações da campanha para o Governo do Estado em cidades da Região Metropolitana do Recife (RMR) acabaram ofuscadas nos últimos dias. Mas o clima em alguns locais é de fervura, muita disputa e movimentações calculadas que já miram as eleições de 2028 para as prefeituras.
Um exemplo é a cidade de Ipojuca (RMR), que está entre os 15 maiores colégios eleitorais de Pernambuco, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), e tem 89.251 eleitores e uma população de 106.539 habitantes. O candidato da Frente Popular ao Governo do Estado, João Campos (PSB), enfrentava uma certa dificuldade em fazer política atualmente em Ipojuca.
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A cidade é administrada pelo prefeito Carlos Santana (Republicanos), ex-sogro de João e aliado da governadora Raquel Lyra (PSD). No entanto, movimentos dos últimos dias indicam que o socialista tem conseguido derrubar algumas barreiras, enquanto o Palácio do Campo das Princesas pressiona para impedir que João “entre” em Ipojuca.
Em poucos dias, foram observadas ações envolvendo Carlos Santana e sua maior opositora, a ex-prefeita Célia Sales (PSD), além de atitudes de Irmã Marinalva (do PT e vice de Santana) e Adilma Lacerda (PP), esta última ex-candidata a prefeita e ligada a Célia Sales. Os movimentos colocaram Ipojuca no centro das articulações pela disputa do Governo de Pernambuco.
O clima político local entrou em ebulição. Na última sexta-feira (18), a vice-prefeita Irmã Marinalva apareceu em foto ao lado de João Campos (PSB), em manifestação de apoio à candidatura do socialista ao Governo de Pernambuco.
Pressão do Palácio
Dois dias depois, veio um movimento em sentido contrário. Marinalva divulgou vídeo reforçando apoio ao prefeito Carlos Santana e afirmando que, em Pernambuco, defende a “continuidade”. Curiosamente, não citou nominalmente nem João Campos nem Raquel Lyra.
Nos bastidores, a mudança ganhou outros contornos. Segundo informações colhidas por este blog, a fotografia com João teria provocado reação no entorno do Palácio do Campo das Princesas, com pressão para uma nova manifestação pública da vice-prefeita. A suposta interferência não foi confirmada oficialmente pelo Governo do Estado nem por Marinalva.
Outra “bomba”
Quando o episódio de Marinalva ainda repercutia, outro movimento mexeu no tabuleiro. Na última terça-feira (22), João Campos recebeu o apoio de Adilma Lacerda, que foi candidata à Prefeitura de Ipojuca na última eleição e politicamente é ligada ao grupo da ex-prefeita Célia Sales (PSD), hoje candidata a deputada federal e, assim como Santana, uma das fiadoras da campanha de Raquel em Ipojuca.
Nas conversas políticas do município, a adesão de Adilma já é interpretada como um possível contragolpe do grupo de Célia ao movimento de Carlos Santana de levar seu grupo para o palanque da governadora.
De olho em 2028
A leitura passa também por 2028. Nos bastidores, comenta-se que uma eventual reeleição de Raquel poderia fortalecer Carlos Santana na sucessão municipal, sobretudo pela condição de quem já ocupa a prefeitura e mantém relação política com o Palácio. É uma interpretação corrente no meio político local, não uma posição anunciada pelos envolvidos.
Movimentos dessa dimensão raramente acontecem de forma espontânea. Articulação política, construção de pontes e capacidade de diálogo são peças fundamentais para transformar insatisfações ou interesses locais em movimentos concretos de campanha. Por trás de uma fotografia ou de um anúncio público de apoio, quase sempre existe um trabalho menos visível de interlocução, composição e leitura do cenário político.
Ao mesmo tempo, a movimentação ocorre num momento em que pesquisas recentes mostram uma disputa competitiva entre Raquel e João. Mais do que os números isoladamente, essa percepção de competitividade alimenta um componente conhecido da política: a expectativa de poder, capaz de acelerar aproximações e reposicionamentos.
Ipojuca parece traduzir esse fenômeno em velocidade máxima.
Na sexta, Marinalva apareceu com João. No domingo, reafirmou alinhamento com Carlos Santana. Na terça, Adilma atravessou o tabuleiro em direção ao socialista. Em cinco dias, três movimentos e um recado nítido: em Ipojuca, ninguém parece disposto a ficar parado no tabuleiro.
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