“Neste 4 de outubro, um total de 18 Bolsonaros vão se candidatar nas eleições brasileiras, entre eles oito pessoas do núcleo da família”, diz o texto, apontando as candidaturas de Michelle Bolsonaro para o Senado; do irmão de Jair, Renato Bolsonaro, para deputado federal; de primos e, claro, dos filhos: Flávio (para presidente), Carlos Bolsonaro (Senado) e Renan Bolsonaro (deputado federal).
Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, foi condenado à prisão por tentar coagir a Justiça e vive foragido nos Estados Unidos, mantendo contato com aliados do presidente Trump.
“Não existe nenhum Bolsonaro que não está na política. A não ser a filha Laura, 15. Sobre o nascimento de uma menina após quatro filhos homens, Jair, conhecido pela postura machista, disse uma vez: ‘Da quinta vez, eu fraquejei, e nasceu uma menina'”, acrescenta a Stern.
A revista alemã também lembra que outros dez candidatos nas eleições deste ano levam o nome de Bolsonaro, mesmo sem relações de parentesco, para tentar ter mais visibilidade.
“Entrar na política brasileira é altamente lucrativo. Isso ocorre, por um lado, por causa dos altos salários, mas mais ainda por causa do dinheiro que os políticos podem colocar no bolso durante os mandatos. Não é incomum que eles virem milionários enquanto estão no cargo”, afirma a revista.
“Na política brasileira há um citado que diz: ‘todos os políticos são ladrões’. Soa como puro cinismo contra a política. No entanto, é bem próximo da verdade”, diz a matéria.
Uma dinastia do tamanho do clã Bolsonaro não tem precedentes na política mundial, acrescenta ainda a Stern. A publicação compara a presença da família do ex-presidente com outras linhagens, como os ultradireitistas Le Pen, na França, e o republicano George W. Bush.
No entanto, diz a socióloga Débora Messenberg Guimarães, da Universidade de Brasília, ouvida para a matéria, essas dinastias existem apenas em “amplitude regional e em menor número”. “Oito membros de uma família se candidatarem para uma eleição de uma só vez é um possivelmente um recorde mundial”, aponta Messenberg, citada no texto.
A revista alemã também destaca a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e a prisão domiciliar do ex-presidente, além das investigações sobre corrupção que rondam Flávio Bolsonaro e as suspeitas de ligações com crime organizado do candidato do PL e de outros membros do clã, o que rendeu a alcunha de “Familícia” aos Bolsonaro.
Outro aspecto abordado é o papel de outsider e antissistema de Flávio, que a Stern compara com outros políticos ultradireitistas como Donald Trump nos EUA e Javier Milei na Argentina.
“Mas, no caso de Flávio Bolsonaro, isso é especialmente grotesco. O senador, 45, é a personificação do establishment. Ele nunca mostrou nada politicamente, além do sobrenome. Ele é o filho de Jair e, por isso, virou senador. Ele nunca fez nada por conta própria”, ressalta a revista.
“Lula conseguiu ir de trabalhador de fábrica a presidente. Flávio, de filho de presidente a pretendente à presidência”, diz ainda a Stern.
Por fim, a matéria ainda analisa a predileção da família Bolsonaro por Flávio em detrimento de Michelle, que, segundo o texto, teria mais chances na corrida eleitoral, mas ficou em segundo plano —por causa da postura sexista da família, conclui o texto.
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