Raquel tende a sair chamuscada
Seja qual for a escolha que mais lhe convier para a segunda vaga ao Senado na sua chapa, saindo da Federação Progressista, a governadora Raquel Lyra (PSD) terá pela frente um cenário, se não de crise, ao menos de extrema dificuldade para administrar dentro do conjunto de forças políticas que apoiam a sua candidatura à reeleição.
No caso de o presidente estadual da federação, Eduardo da Fonte, ser ungido, o que parece mais provável, o grupo Coelho tende a reagir. Irmão do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, que disputa a vaga com Eduardo, o deputado Fernando Bezerra Coelho (UB) disse, ontem, numa emissora de rádio do Recife, que, independentemente do nome a ser escolhido, a família apoiará Raquel.
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Mas como se dará esse apoio, só Deus sabe, porque, na prática, Miguel terá sido preterido e o grupo não terá espaço na chapa majoritária, tendo em vista que a governadora já antecipou que não sacrifica Priscila Krause, atual vice. A outra vaga ao Senado já está garantida para o deputado Túlio Gadelha (PSD).
Na hipótese de Miguel ser escolhido, o concorrente Eduardo já antecipou que a federação assumirá uma postura independente na campanha, não apoiando a reeleição de Raquel nem tampouco o pré-candidato da oposição, João Campos (PSB). Neste caso, há um agravante: Miguel também não poderá ser oficializado candidato pela federação, porque quem tem maioria no colegiado é Eduardo.
Miguel também não pode concorrer como candidato avulso. A legislação diz que partidos que se unem numa federação passam a ser uma única legenda formalmente. O União Brasil, de Miguel, que se juntou ao PP, de Eduardo, perde o direito, portanto, do registro avulso, como tem sugerido o ex-prefeito de Petrolina na ânsia de ser candidato de todo jeito.
A confusão bateu à porta da governadora e só ela terá poder e capacidade de buscar uma saída, que não está fácil. Por isso, para não pegar fogo, delegou aos caciques nacionais da federação, Ciro Nogueira e Antônio Rueda, a tarefa de escolher e indicar o candidato entre Eduardo e Miguel.
NOVA FASE – Com o encerramento da Copa do Mundo, no próximo domingo, o calendário eleitoral entra em uma nova fase, mobilizando o conjunto de forças políticas. Da próxima segunda-feira até 5 de agosto, os partidos ficam autorizados oficialmente a definir os seus candidatos que disputarão as vagas nas eleições de 4 de outubro. Os pedidos de registro deverão ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto, em convenções, conforme a lei determina.
Convenções em agosto – As duas convenções mais aguardadas, a da Frente Popular, que vai com João Campos (PSB), e a da governadora Raquel Lyra (PSD), devem acontecer provavelmente entre os dias 1º e 2 de agosto. Os locais também ainda não foram anunciados, mas dois ambientes tradicionais desses eventos já foram reservados: o Clube Português (pela governadora) e o Clube Internacional (pelo ex-prefeito do Recife). As convenções, historicamente, representam um elemento de mobilização da militância e de largada decisiva para as eleições.
Os craques da política – É a partir das convenções que as campanhas são estruturadas organicamente para iniciarem a fase nas ruas. Assim, oficialmente estarão autorizadas a realizar passeatas e carreatas a partir de 16 de agosto, entre o período das 8h às 22h. Na mente do cidadão saem de cena Kylian Mbappé, Lionel Messi, Lamine Yamal e Harry Kane e entram em campo Raquel Lyra, João Campos, Ivan Moraes, Marília Arraes, Humberto Costa, Paulo Rubem e mais os dois nomes candidatos a senador ainda não oficializados na chapa de situação.
Qualquer semelhança… – A carta de Jair Bolsonaro guarda semelhança com outra missiva escrita no cárcere e divulgada nas vésperas de uma eleição presidencial. Em setembro de 2018, trata-se da carta em que Lula apontou Fernando Haddad como seu candidato. O petista estava preso e impedido de concorrer ao Planalto. No documento, lido em Curitiba pelo ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, Lula apresentou Haddad como seu representante e porta-voz na campanha.
Nova dobradinha no Agreste – Em almoço, ontem, no Leite, os deputados estaduais Izaias Régis e Joãozinho Tenório, ambos do PSD, que já dividiram a liderança do Governo Raquel na Alepe, fecharam uma dobradinha no Agreste. Izaias sai a federal e Joãozinho tentará a reeleição. “A missão que Raquel nos delegou acabou criando um laço forte entre nós”, disse Izaias ao celebrar o acordo.
CURTAS
ABSURDO 1 – A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de proibir visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai, Bolsonaro, por um período de 90 dias, foi recebida com indignação pelo núcleo duro da campanha do pré-candidato do PL à Presidência. Na prática, a decisão de Moraes inviabiliza qualquer visita de Flávio a Jair até o primeiro turno das eleições, que vai ocorrer em 4 de outubro.
ABSURDO 2 – Na avaliação de interlocutores de Flávio, a decisão de Moraes tem um “marco temporal bem estratégico”, ao impedir, na prática, que o filho mantenha interlocução com o pai em um momento-chave do calendário eleitoral, com a definição de palanques estaduais e a realização da convenção que vai formalizar a sua candidatura à Presidência, marcada para o dia 25 deste mês, em São Paulo.
DESRESPEITO – Sérgio Leonardo, que comanda a defesa de Daniel Vorcaro, está irritado com a reunião que o advogado Cezar Bitencourt teve com o banqueiro no sábado passado. A pessoas próximas, ele relatou ter considerado um desrespeito o fato de Bitencourt ter visitado Vorcaro sem consultá-lo previamente.
Perguntar não ofende: Por que uma pesquisa aponta Lula na frente e outra, na semana seguinte, aponta Flávio?
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