O conselheiro Carlos Neves, do Tribunal de Contas de Pernambuco, participou de ao menos três julgamentos relacionados à Prefeitura do Recife, onde sua esposa é secretária de Cultura, desde que ela tomou posse no cargo, em julho de 2024. Neves é casado com Milu Megale, secretária na gestão do prefeito João Campos (PSB).
Em novembro de 2024, por exemplo, o conselheiro participou de sessão da Primeira Câmara do TCE-PE que emitiu, por 3 votos a 0, parecer prévio recomendando à Câmara Municipal do Recife a aprovação com ressalvas das contas de Campos, relativas ao exercício financeiro de 2021.
Levantamento feito pelo Painel aponta que Neves é relator de ao menos nove processos sobre a prefeitura do Recife no TCE-PE. Um deles era, até esta quarta-feira (29), um auto de infração que apura o suposto descumprimento de obrigações da Fundação de Cultura Cidade do Recife no exercício de 2025. O órgão é vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, cuja titular é a esposa do conselheiro.
Após a reportagem perguntar ao TCE se o conselheiro pretendia se declarar suspeito, o site do tribunal mudou o relator do processo, agora no gabinete do conselheiro Rodrigo Novaes. O tribunal disse que a relatoria estava pendente de redistribuição no sistema, mas que já havia um ato formal definindo a redistribuição.
“A relatoria do processo foi modificada no sistema hoje [29 de janeiro], mas com base na deliberação de uma sessão administrativa ocorrida em 7 de janeiro. Nessa reunião, o conselheiro declarou-se impedido para julgar os processos da área da cultura, de modo que eles foram redistribuídos, por sorteio, já naquela ocasião, para o conselheiro Rodrigo Novaes”, diz o TCE-PE.
Em nota divulgada por meio do TCE-PE, o conselheiro Carlos Neves diz que “se considera isento para julgar processos de outras áreas da gestão da Prefeitura do Recife” e que atua com independência.
Numa parceria com a Stampa Outdoor, do meu amigo Durval Costa, a campanha comemorativa pelos 20 anos deste blog avançou ainda mais pelas ruas do Recife, Região Metropolitana e interior do Estado.
Na Rua Imperial, após o Viaduto Joana Bezerra e próximo à Secretaria da Fazenda (RECIFE)Na Estrada Velha de Água Fria, em frente ao DNOCS RECIFE
As placas já podem ser vistas em pontos estratégicos da Capital, como a Rua Imperial, após o Viaduto Joana Bezerra, próximo à Secretaria da Fazenda; Estrada Velha de Água Fria, em frente ao DNOCS; Avenida José Bonifácio, esquina com o Carrefour da Torre; descida da Via Mangue, no acesso ao Shopping RioMar, ao Centro e à Zona Norte; Rua São Miguel, próximo ao Restaurante Bode do Nô, no acesso à Faepe; e Avenida Caxangá, ao lado do Terminal Integrado da CDU, próximo ao Mix Mateus.
Na Av. José Bonifácio, de esquina com o Supermercado Carrefour da Torre (RECIFE)
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Descida da Via Mangue, no acesso ao Shopping RioMar, ao Centro e à Zona Norte (RECIFE)Rua São Miguel, próximo ao Restaurante Bode do Nô, acesso a FAEPE (RECIFE)Na Avenida Caxangá, ao lado do Terminal Integrado CDU e próximo ao Mix Mateus (RECIFE)
A campanha também chegou forte a Jaboatão dos Guararapes, com outdoors na Avenida Visconde de Jequitinhonha, após a Aeronáutica; Avenida Ayrton Senna da Silva, após o Shopping Guararapes, nos lados direito e esquerdo, além do trecho após o Habib’s; PE-09, próximo à Ponte do Paiva; e Avenida Bernardo Vieira de Melo, em frente ao Hotel Golden Beach.
Av. Visconde de Jequitinhonha, após a Aeronáutica (JABOATÃO)Av. Ayrton Senna da Silva, após o Shopping Guararapes, lado direito (JABOATÃO)Av. Ayrton Senna da Silva, após o Shopping Guararapes, lado esquerdo (JABOATÃO)Av. Ayrton Senna da Silva, após o Habib´s (JABOATÃO)PE-09, próximo à Ponte do Paiva (JABOATÃO)Av. Bernardo Vieira de Melo, 1204, em frente ao Hotel Golden Beach (JABOATÃO)
Em Olinda, as placas foram instaladas na Avenida José Augusto Moreira, ao lado da Caixa Econômica Federal; Avenida Carlos de Lima Cavalcante, ao lado do Posto Total; Complexo de Salgadinho, ao lado da Autonunes; e Avenida Getúlio Vargas, próximo à Magazine Luiza.
Av. José Augusto Moreira, ao lado da Caixa Econômica Federal (OLINDA)Av. Carlos de Lima Cavalcante, ao lado do Posto Total (OLINDA)Av. Gov. Agamenon Magalhães, Complexo de Salgadinho, ao lado da Autonunes (OLINDA)Av. Getúlio Vargas, próximo à Magazine Luiza (OLINDA)
A campanha ainda alcança Camaragibe, na Avenida Doutor Belmino Correia, próximo à Uninassau; Igarassu, ao lado do Novo Atacarejo; Vitória de Santo Antão, na saída da BR-232 para Recife; além da subida da Serra das Russas, em Pombos.
Av. Dr. Belmino Correia, próximo à UninassauRua Severino Uchôa Cavalcante, ao lado do Novo Atacarejo (IGARASSU)BR-232, saída de Vitória para Recife
No Agreste, os outdoors já estão espalhados por Caruaru, na Rua Coronel Francisco dos Santos, próximo ao Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, e na BR-104, após Lampião, no retorno de Fazenda Nova; Garanhuns, na entrada da Vinícola Vale das Colinas e na Avenida Getúlio Vargas, próximo ao Grau Técnico; além de Lajedo, na entrada da cidade pela BR-423.
Agradeço ao amigo Durval Costa e a toda equipe da Stampa Outdoor por abraçarem essa celebração das duas décadas de funcionamento ininterrupto deste blog, pioneiro no Nordeste e líder absoluto em acessos. As peças seguem com identidade visual criada pela agência RXZ, do meu amigo René Bensoussan.
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) negou ter atuado como produtor de filme sobre Jair Bolsonaro (PL), seu pai, que recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Eduardo disse que investiu US$ 50 mil no filme e que, posteriormente, recebeu o dinheiro de volta. Mas que o recurso não passou pelo fundo que recebeu o dinheiro enviado por Vorcaro para financiar a produção. As informações são do g1.
“Recebi de volta o dinheiro investido, referente ao contrato com a produtora, mas essa transação não passou pelo fundo de investimento. A afirmação de que Eduardo Bolsonaro é financiado por Daniel Volcaro é falsa”, afirmou.
Reportagem do portal “Intercept Brasil” mostrou que Eduardo Bolsonaro trabalhou como produtor-executivo do filme “Dark Horse” sobre a história do pai. A função consta em contrato a que o portal teve acesso. Função incluía captação de recursos, diz site. A TV Globo confirmou as informações.
No vídeo, Eduardo Bolsonaro afirma que o contrato existiu apenas para garantir que o diretor continuasse trabalhando no projeto do filme.
“Investi US$ 50 mil nos Estados Unidos. O objetivo era garantir um contrato com um diretor de Hollywood, para que ele pudesse elaborar o roteiro e dar início ao projeto. Esse contrato permitiu manter o diretor por dois anos, assumindo eu, pessoalmente, todos os riscos”, disse.
“Próximo ao final do contrato, e diante da possibilidade de perder o diretor, surgiu a oportunidade de atrair um grande investidor, que posteriormente se consolidou em um grupo de investidores”, continuou o ex-deputado.
Com a chegada desse investidor, que Eduardo Bolsonaro não diz quem é, ele teria deixado a função prevista no contrato.
“Com a reestruturação da operação, que passou a envolver fundos de investimento, deixei a função de diretor-executivo, mantendo-me como detentor dos direitos autorais para que um ator pudesse me representar no filme. Desta forma, não haveria a necessidade de qualquer ação judicial posterior da minha parte”, disse.
Filme sobre Bolsonaro Na quarta-feira (13), o site revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o filme e que as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A publicação exibiu áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro e pressiona pelos pagamentos. De acordo com a reportagem, o banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões. A TV Globo também confirmou essas informações.
Segundo publicou o blog da Andreia Sadi, uma das linhas de investigação busca esclarecer se o dinheiro teria sido destinado oficialmente à produção do filme ou se esse discurso serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores para financiar despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
O deputado cassado mora nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, e não retornou ao Brasil desde então.
Na quinta-feira (14), Eduardo disse em uma publicação na internet que o status migratório dele nos Estados Unidos o impediria de receber dinheiro de fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o Intercet, o contrato de produção foi assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece ao lado do deputado federal Mario Frias, também do PL de São Paulo como produtor-executivo do filme.
O documento traz a empresa GoUp Entertainment, que tem sede nos Estados Unidos, como produtora.
Ainda de acordo com o contato, cujos trechos foram publicados pelo site e confirmados pela TV Globo, a produtora e os produtores-executivos deveriam se dedicar a atividades de desenvolvimento do projeto.
Essas atividades incluíam o “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
Se o leitor não conseguiu acompanhar a entrevista com o cantor e compositor Biafra, ícone da música romântica, ao quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
O deputado cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, trabalhou como produtor-executivo do filme sobre a história do pai, o ex-presidente Jair Bolsanaro.
A função consta em contrato a que o Intercept Brasil teve acesso. A TV Globo confirmou as informações.
Na quarta-feira (13), o site revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar “Dark Horse” e que as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As informações são do g1.
Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras bilionárias, segundo a Polícia Federal.
A publicação exibiu áudio em que Flávio pede dinheiro e pressiona Vorcaro pelos pagamentos. De acordo com a reportagem, o banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões. A TV Globo também confirmou essas informações.
Investigação sobre uso do dinheiro Segundo publicou o blog da Andreia Sadi, uma das linhas de investigação busca esclarecer se o dinheiro teria sido destinado oficialmente à produção do filme ou se esse discurso serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores para financiar despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
O deputado cassado mora nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, e não retornou ao Brasil desde então.
Na quinta-feira (14), Eduardo disse, em uma publicação na internet, que o status migratório dele nos Estados Unidos o impediria de receber dinheiro de fundo de investimento ligado a Vorcaro.
Contrato traz definições sobre funções Segundo o Intercet, o contrato de produção do filme foi assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece ao lado do deputado federal Mário Frias, também do PL de São Paulo, como produtor-executivo do filme.
Além disso, o documento traz a empresa GoUp Entertainment, que tem sede nos Estados Unidos, como produtora.
Ainda de acordo com o contato, cujos trechos foram publicados pelo site e confirmados pela TV Globo, a produtora e os produtores-executivos deveriam se dedicar a atividades de desenvolvimento do projeto.
Essas atividades incluíam o “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
Produtora sediada nos Estados Unidos A GoUp Entertainment é uma empresa sediada na Flórida e tem como sócios a brasileira Karina Ferreira da Gama e um brasileiro naturalizado nos Estados Unidos, Michael Brian Davis.
Segundo o Intercetp, Karina é também sócia do Instituto Conhecer Brasil, uma organização-não governamental.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma apuração preliminar para investigar supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a um grupo de entidades ligadas a GoUp, entre elas o Instituto Conhecer Brasil.
A medida foi tomada após pedidos apresentados pelos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Pastor Henrique (PSOL-RJ) dentro de uma ação que contesta a destinação de emendas.
O g1 revelou na quinta-feira (14) que o STF tenta, há mais de um mês, intimar o deputado Mário Frias (PL-SP) para que preste informações sobre “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinados ao instituto.
Em nota, a ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina da Gama, afirmou que os projetos que executa “seguem rigorosamente os trâmites exigidos pelos órgãos, incluindo apresentação formal de projetos, aprovação de plano de trabalho, metas, execução contratual, acompanhamento técnico, prestação de contas e fiscalização”.
A pré-candidata ao Senado Marília Arraes se reuniu nesta quinta-feira (15), no Recife, com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e com o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos. Segundo os participantes, o encontro teve como pauta a articulação política entre os partidos e discussões sobre o cenário político estadual e nacional.
Durante a reunião, os dirigentes trataram de ações conjuntas para os próximos meses e da aliança entre as siglas em Pernambuco. “Estamos construindo um projeto unido, com diálogo permanente e compromisso com Pernambuco e com o Brasil”, afirmou Marília Arraes. João Campos também participou das conversas sobre a organização política do grupo para as eleições de 2026.
Carlos Lupi destacou a importância da composição entre PDT, PSB e aliados ligados ao governo federal no estado. “Pernambuco tem um papel estratégico para o Brasil”, declarou o dirigente partidário. Segundo ele, o encontro também debateu estratégias de fortalecimento do campo político liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco.
O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), afirmou nesta sexta-feira (15) que, apesar das recentes movimentações no primeiro escalão da Prefeitura do Recife, não há previsão de novas mudanças no secretariado neste momento. A declaração foi dada após o retorno de Marco Aurélio Filho (PV) à Secretaria de Direitos Humanos e Juventude do Recife.
Segundo Victor Marques, alterações na equipe de governo podem acontecer futuramente, caso haja necessidade política ou administrativa, mas reforçou que, neste momento, a gestão não trabalha com novas substituições. As informações são do Blog da Folha.
“Todo dia você tem uma novidade e a política é exatamente igual se assim for necessário. Se a gente enxergar que dentro da condição política e da gestão for necessário (haver mudanças), com certeza o farei sem problema algum, mas, no momento, a gente não tem previsão de fazer mudanças no secretariado”, declarou.
A volta de Marco Aurélio Filho ao comando da pasta também provoca impactos no cenário político da capital pernambucana. Com a nomeação, o segundo suplente da Federação PT-PCdoB-PV (Brasil da Esperança) na Câmara Municipal, Jairo Britto (PT), assumiu o mandato de vereador.
Questionado se a movimentação representa uma sinalização política ao PT, Victor Marques falou a importância do diálogo na construção política da gestão e elogiou o retorno de Marco Aurélio Filho ao governo municipal.
“A gente sabe da importância que é fazer isso fazer isso com diálogo. Tudo isso foi construído com conversa. Eu gosto demais de cuidar de política e, para mim, é uma alegria poder fazer movimentos como esse”, afirmou.
Sobre a possibilidade de novas mudanças envolvendo vereadores da base aliada, Victor Marques voltou a enfatizar a construção política pautada pelo diálogo.
“Foi assim que eu aprendi vendo em casa e foi assim vendo o ex-governador Eduardo Campos e João fazendo que assim o farei”, disse Victor.
O prefeito também ressaltou a atuação de Marco Aurélio Filho na administração municipal e classificou seu retorno como positivo para a Prefeitura do Recife.
“Marco Aurélio, que é um grande quadro que colaborou demais nos últimos meses com a Prefeitura, voltou para a Câmara e, agora, retorna para os nossos quadros. É uma grande conquista da prefeitura”, disse.
Um dos artistas que mais emplacaram músicas em telenovelas da Globo, em torno de 10, Biafra é o convidado do Sextou de hoje, onde fala, com exclusividade, dos seus grandes sucessos e da sua carreira, na qual vendeu 10 milhões de cópias. Seus dois maiores sucessos, “Leão Ferido” e “Sonho de Ícaro”, renderam-lhe dois Discos de Ouro.
Compositor de muitos temas de novelas, lançou 14 álbuns. Como compositor, registrou sua obra na voz de grandes artistas como Roberto Carlos, Ney Matogrosso, Simone, Chitãozinho & Xororó, Chrystian & Ralf, Rosana, Xuxa, Angélica, KLB, Danilo Caymmi e muitos outros.
Recentemente, estreou como ator no longa “Mentira Tem a Perna Curta”. Crítico das plataformas digitais, ele alerta para a concentração de poder nas big techs e o impacto negativo na criação artística.
O Sextou vai ao ar hoje, às 18h, pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente em destaque no alto do blog ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.
O caso da relação de Flávio com Vorcaro expõe a baixa estatura moral do pré-candidato e torna ainda mais urgente que a direita democrática se mobilize para se libertar do bolsonarismo
O primeiro teste de estresse da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência terminou mal. A revelação de que o primogênito de Jair Bolsonaro cobrou do banqueiro Daniel Vorcaro dinheiro para alegadamente bancar um filme sobre a trajetória do pai fez mais do que expor o despreparo político do indigitado: escancarou a sua baixa estatura moral, deficiência que o torna absolutamente indigno de ser presidente da República.
Esse episódio torna ainda mais urgente que a direita democrática se empenhe em construir uma alternativa conservadora séria, comprometida com a Constituição e com padrões mínimos de decência, para disputar a Presidência e impedir que o petista Luiz Inácio Lula da Silva ganhe mais quatro anos para arruinar o País. Para isso, a direita não pode seguir a reboque de um desqualificado como Jair Bolsonaro e de seu clã, cuja trajetória política é marcada desde sempre por sua vocação antidemocrática, por sucessivos escândalos, pela confusão deliberada entre público e privado e pela imoralidade.
Graças às conversas reveladas pelo site Intercept Brasil, confirmadas pelo Estadão, essa depravação fica ainda mais explícita. Nelas, constata-se o grau de proximidade entre um senador da República, hoje com a pretensão de governar o Brasil, e um banqueiro que já naquela época era suspeito de ser o protagonista do maior crime já cometido contra o sistema financeiro nacional.
De acordo com os documentos da Polícia Federal (PF) publicados pelo site, Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Vorcaro uma quantia equivalente a US$ 24 milhões para a produção de Dark Horse, a tal cinebiografia do ex-presidente, dos quais US$ 10 milhões já teriam sido pagos ao longo de 2025.
Primeiro, Flávio tentou negar. Questionado por jornalistas, disse que se tratava de “mentira”. Depois, quando as provas vieram à luz, o senador teve de reconhecer que pediu mesmo o dinheiro, mas enfatizou que se tratava de uma relação “privada”, sem envolver recursos públicos.
Ora, pouco importa se o dinheiro era privado ou público. O busílis é a origem dos recursos. A fortuna do sr. Vorcaro não advém do seu sucesso empresarial em atividades legais. Segundo a PF, o banqueiro construiu patrimônio por meio de fraudes bancárias, algumas das quais envolvendo fundos de previdência de servidores públicos em diversos Estados e municípios, além do Banco de Brasília (BRB). Em paralelo, Vorcaro construiu uma rede de influência nos Três Poderes, ao que parece a peso de ouro. Tudo isso já era sabido na época da conversa entre os dois.
O problema central aqui, portanto, é outro. Flávio Bolsonaro não pode ser tratado como um cidadão qualquer pedindo ajuda a um financiador qualquer. Era um senador com pretensões presidenciais esperando receber milhões de dólares de um notório escroque, cuja prisão aconteceria no dia seguinte à tal conversa.
Ademais, constrange o tratamento fraterno que Flávio Bolsonaro dispensa a Vorcaro. “Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente”, disse o senador. A frase não deixa margem para dúvidas sobre a relação de proximidade, confiança e eventual “gratidão política”, chamemos assim, envolvidas naquela negociação.
Para piorar, a mambembe explicação do entorno bolsonarista só aprofundou as suspeitas sobre as reais intenções de Flávio Bolsonaro. O produtor do filme, o deputado Mário Frias (PL-SP), afirmou textualmente que “não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”. Ora, se não havia dinheiro do banqueiro na produção, para onde iria a dinheirama cobrada pelo senador?
Não cabe a este jornal antecipar julgamentos. Mas tampouco se pode condenar quem acredite que a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro envolva suspeitas de lavagem de dinheiro, formação de caixa dois ou enriquecimento ilícito. Um pré-candidato à Presidência envolvido em transações desse jaez tem o dever de dar explicações convincentes ao País, o que Flávio Bolsonaro ainda não fez. Por ora, preferiu mentir, atacar a imprensa e zombar da inteligência alheia.
Dando o start nas entrevistas com os pré-candidatos ao Senado nas próximas eleições, a convidada para o podcast ‘Direto de Brasília’ da próxima terça-feira (19), meu projeto em parceria com a Folha de Pernambuco, é a advogada, ex-deputada federal e pré-candidata ao Senado pelo PDT, Marília Arraes. Liderando todas as pesquisas de intenção de voto, Marília vai falar sobre seus principais posicionamentos na política, como a defesa da democracia e o combate às desigualdades.
Recentemente, Marília reagiu com indignação às revelações divulgadas pela imprensa nacional envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Para Marília, o caso escancara uma contradição histórica do grupo político liderado pelo ex-presidente. “É absolutamente revoltante assistir ao mesmo grupo político que passou anos atacando artistas, demonizando a Lei Rouanet e perseguindo a cultura brasileira recorrer agora a pedidos informais e imorais de financiamento para produzir propaganda em benefício próprio”, afirmou.
A trajetória de Marília na política começou muito cedo, aos 21 anos, quando se filiou ao PSB, partido presidido na ocasião pelo seu avô Miguel Arraes. Entre 2007 e 2008, foi secretária de Juventude e Emprego de Pernambuco na gestão do ex-governador Eduardo Campos. Em 2008, aos 24 anos, foi eleita vereadora do Recife, sendo a parlamentar mais jovem na 15ª legislatura. Em 2012, foi de novo eleita vereadora com 8.841 votos. Logo após as eleições, assumiu a Secretaria Municipal de Juventude e Qualificação Profissional na gestão de Geraldo Júlio. Marília voltou à Câmara Municipal do Recife em abril de 2014.
Em fevereiro de 2016, oficializou sua desfiliação do PSB e filiou-se ao PT. Em outubro de 2016, Marília disputou novamente as eleições municipais para continuar ocupando a casa legislativa. Foi eleita com 11.872 votos, uma das maiores votações da legislatura e uma das mais expressivas entre os parlamentares do PT nas eleições municipais.
Em 2018, foi convocada pela militância para disputar a pré-candidatura ao Governo do Estado. Chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto, mas o projeto não foi efetivado em função de orientações nacionais do partido, que optou pela consolidação de uma aliança com outras legendas e o apoio à reeleição do então governador, Paulo Câmara (PSB).
Entrou na disputa por uma vaga na Câmara Federal em 2018. Venceu com uma expressiva votação com 193.108 mil votos. Em 2020, concorreu à Prefeitura de Recife, se tornando a primeira mulher a alcançar o segundo turno na cidade, mas foi derrotada por seu primo João Campos (PSB).
Em 2022, Marília almejava uma candidatura ao governo de Pernambuco ainda pelo PT, mas os líderes locais do partido teriam optado por uma aliança com o PSB, motivo decisivo para a sua saída do PT e sua filiação ao Solidariedade. Naquela ocasião, obteve cerca de 1.175.651 votos, sendo a candidata mais votada em primeiro turno, se qualificando contra Raquel Lyra, do PSDB. Todavia, ela foi derrotada no segundo turno por Raquel.
O podcast Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste. Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas; a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras na Paraíba; a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid; a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado; além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) protocolou, nesta quinta-feira (15), um requerimento de informação direcionado ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, solicitando esclarecimentos sobre a substituição do delegado Guilherme Figueiredo Silva da chefia da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal. O parlamentar também questiona mudanças na condução dos inquéritos que investigam desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), incluindo apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
No documento, Alfredo Gaspar pede informações sobre a motivação administrativa da troca, questiona se houve pressão política ou influência externa na decisão e solicita detalhes sobre medidas adotadas para garantir a continuidade das investigações. O requerimento também menciona críticas feitas pela defesa de Lulinha à atuação do delegado substituído e cita reunião realizada com o ministro do STF André Mendonça sobre o caso.
Na justificativa, o deputado afirma que a substituição ocorreu em meio a diligências relacionadas ao rastreamento de recursos supostamente desviados do INSS e aponta preocupação com a continuidade das investigações. O texto também menciona pedidos de quebra de sigilo e investigações sobre supostos vínculos empresariais ligados ao caso.
O deputado federal Felipe Carreras (PSB) encaminhou, hoje, ofícios ao presidente da República, Lula (PT), e ao ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, solicitando providências urgentes para solucionar o desligamento do fornecimento de energia elétrica no Projeto Brígida, integrante do Sistema Itaparica, localizado no município de Orocó, no Sertão de Pernambuco.
No documento, o parlamentar manifesta profunda preocupação com os impactos sociais e econômicos causados pela interrupção do fornecimento de energia na subestação que atende o projeto irrigado, situação que vem comprometendo diretamente o abastecimento de água, a produção agrícola e o funcionamento de serviços essenciais da região.
Felipe Carreras destaca que milhares de famílias reassentadas pelo Governo Federal após a construção da Barragem de Sobradinho estão sendo diretamente afetadas pela suspensão do serviço. Sem energia, não há funcionamento das bombas de irrigação, impossibilitando o abastecimento de água das lavouras.
Além dos prejuízos à produção agrícola, o desligamento também vem impactando escolas, postos de saúde, comércio local e outros serviços públicos essenciais, agravando ainda mais a situação enfrentada pela população do Sistema Itaparica.
Diante da gravidade do cenário, Felipe Carreras solicitou ao Governo Federal o restabelecimento imediato do fornecimento de energia ao Projeto Brígida, além da construção de uma solução definitiva para os débitos históricos do Sistema Itaparica e da adoção de medidas que garantam proteção às famílias reassentadas que dependem da atividade agrícola e da irrigação para sobreviver.
O parlamentar informou ainda que segue acompanhando o caso junto ao prefeito de Orocó, Ismael Lira, reforçando a necessidade de uma resposta urgente para evitar novos prejuízos à população.
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil.
Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro em uma publicação no Instagram, ontem, sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também mostram que Eduardo omitiu sua conexão com a busca de dinheiro para financiar o filme ao dizer, no post feito no Instagram, que apenas cedeu seus direitos de imagem e não exerceu qualquer cargo de gestão no “Dark Horse”.
Um contrato de produção, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024, traz a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias, também do PL paulista, à frente da produção-executiva, função com poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e gestão financeira de um projeto audiovisual.
Segundo o documento, a produtora e os produtores-executivos agiriam em conjunto para dedicar-se a atividades de desenvolvimento do projeto, dentre elas “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
O contrato obtido pelo Intercept define uma ampla gama das funções que Eduardo teria na produção. Junto com os outros produtores, a empresa GoUp e o deputado federal Mario Frias, ele teria a responsabilidade sobre as decisões sobre como os recursos seriam captados e gastos. Não há informação, porém, sobre quem, de fato, executou essas funções.
Enviamos questionamentos para Eduardo Bolsonaro e para o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto. A defesa do deputado Mario Frias informou que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse” e “nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme”.
Também mandamos perguntas para as defesas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do banqueiro Daniel Vorcaro, mas tampouco recebemos retorno. Se houver, o texto será atualizado.
Uma troca de mensagens entre o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, e Daniel Vorcaro de 21 de março de 2025 destaca o papel de articulador financeiro exercido por Eduardo na produção do filme.
Miranda, que teve papel de intermediário entre Vorcaro, a família Bolsonaro e o deputado Mario Frias em tratativas sobre o filme, encaminha para o banqueiro uma captura de tela de uma mensagem que Eduardo o enviou e diz: “Já estou fazendo o aditivo da troca da empresa e preciso de um direcionamento seu para seguir.”
Na mensagem de Eduardo a Miranda, o deputado federal cassado diz: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos.”
Em seguida, de acordo com a mensagem obtida pelo Intercept, Eduardo explica como seria a melhor forma de enviar o dinheiro: “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”.
Embora não seja possível precisar a data que Eduardo enviou a mensagem a Miranda, o encaminhamento da captura de tela para Vorcaro indica que isso ocorreu em março de 2025 – mesmo mês em que Eduardo anunciou que ia se licenciar do mandato para ficar nos EUA e buscar as “devidas sanções aos violadores de direitos humanos”.
Enviamos questionamentos para Miranda, que esclareceu que ele “não desempenhou qualquer função na produção, divulgação, gestão financeira e estratégia de lançamento do filme Dark Horse” tendo limitado sua participação a “intermediar o contato entre pretenso investidor e os interessados no projeto”. Leia a resposta na íntegra.
Outro documento, datado de fevereiro de 2024, mostra ainda uma minuta de aditivo de contrato para a produção de “Dark Horse” em que Eduardo é qualificado como financiador do filme e autoriza o uso de recursos financeiros que ele investir no projeto. Não há confirmação se o aditivo foi, de fato, assinado.
Embora ele diga não ser “dono do filme”, o contrato – datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024 – designa explicitamente Eduardo e Frias como tendo poder de gestão e decisão sobre a produção, juntamente da GoUp. A minuta que o designa como financiador da operação também contradiz sua fala de que ele teria apenas cedido “direitos de imagem”.
A GoUp Entertainment é uma empresa sediada na Flórida que tem como sócios a brasileira Karina Ferreira da Gama e um brasileiro naturalizado nos Estados Unidos, Michael Brian Davis.
Em dezembro, revelamos como uma organização não-governamental na qual Karina é sócia, o Instituto Conhecer Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir as entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato.
A TV Globo noticiou na quinta-feira, 14, que o STF tenta, há mais de um mês, intimar o deputado Mario Frias a prestar informações sobre “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinados ao Instituto Conhecer Brasil – o parlamentar e produtor-executivo do filme teria destinado R$ 2 milhões à ONG. Enviamos questionamentos para Karina Gama e para seu sócio, Michael Brian Davis, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.
Fundo de advogado de Eduardo recebeu dinheiro de Vorcaro
Na quarta-feira, 13, o Intercept revelou como o senador Flavio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, irmão de Eduardo, articulou apoio do banqueiro Vorcaro para financiar a produção de “Dark Horse”, segundo mensagens obtidas com exclusividade.
Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção, dos quais pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.
A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para “Dark Horse” teria custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. No Instagram, o deputado federal cassado negou ter recebido o dinheiro negociado para o filme.
O material analisado pelo Intercept indica que ao menos parte dos valores negociados por Flávio junto a Vorcaro foi para um fundo controlado por aliados de Eduardo – incluindo Paulo Calixto, o advogado encarregado de seu processo imigratório nos EUA, conforme apuração da Agência Pública.
Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2 milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos analisados pelo Intercept indicam que parte do dinheiro negociado com Vorcaro para o filme foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas do banqueiro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos EUA, e controlado por aliados de Eduardo.
Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, de Paulo Calixto.
Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas.
Os documentos desta segunda firma apontam Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo endereço comercial utilizado pelo Havengate.
Em uma das mensagens obtidas pelo Intercept, ao sugerir alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA, Eduardo Bolsonaro informa que Altieris Santana estaria disponível para reuniões presenciais relacionadas à operação financeira. Enviamos questionamentos para Altieris Santana e Paulo Calixto, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.
No Instagram, Eduardo disse que “o escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos” e que foi ele quem apresentou Calixto a Mario Frias “por saber da sua competência”.
Plano de negócios previa “oportunidade de imigração”
Os documentos mostram que o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro teve um orçamento total astronômico para os padrões brasileiros: o valor estimado é entre 23 milhões e 26 milhões de dólares. A quantia corresponde ao montante negociado por Flávio Bolsonaro com Vorcaro: 24 milhões de dólares. O custo total é superior ao de várias produções recentes de Hollywood, inclusive vencedoras do Oscar.
O orçamento do filme prevê, segundo os documentos aos quais o Intercept teve acesso, que mais de 10,7 milhões de dólares seriam destinados apenas aos custos “acima da linha”, rubrica que inclui “custos gastos antes da filmagem” – com direitos do roteiro, salários de atores, diretores, produtores, diretor de elenco, roteirista e outros envolvidos na direção financeira e criativa de alto nível do filme.
Ainda segundo os documentos, a estratégia para captar recursos consistia na oferta de 40 cotas de 500 mil dólares. Ou seja, um total de 20 milhões de dólares.
Para atrair grandes investidores, o orçamento do filme foi fatiado em pacotes de investimento VIP com regalias incomuns para o mercado de cinema. Se o investidor pagasse 1 milhão de dólares, ele comprava uma cadeira no conselho de produção – com direito a dar pitacos e influenciar as decisões do filme.
O pacote mais caro, e incomum, custava 1,1 milhão de dólares. O grande chamariz para esse investimento não era o filme, mas sim a promessa explícita de uma “oportunidade de imigração”. O plano de negócios oferecia o filme como um atalho para que ricaços comprassem o direito a um Green Card, garantindo assim o visto de residência permanente nos Estados Unidos.
Plano de negócios previa benefícios para investidores, incluindo uma “oportunidade de imigração”
A promessa de lucro da produtora era agressiva: os investidores teriam a devolução de 100% do capital aportado acrescido de um lucro de 20% sobre o valor investido. O plano de negócios projetava a receita global do filme em três cenários distintos: um pessimista (de 45 milhões de dólares), um conservador (70 milhões de dólares) e um otimista (100 milhões). Após a quitação prioritária do capital e do prêmio de 20% aos financiadores, todo o lucro líquido restante gerado pela bilheteria e plataformas de streaming seria dividido meio a meio entre investidores e produtores. Ou seja, Eduardo Bolsonaro e Mario Frias também lucrariam com o filme.