A sessão de autógrafos do livro ‘O Estilo Marco Maciel’ que acontece, neste momento, no município de Serra Talhada, no Sertão, está bastante concorrida. Admiradores do ex-vice-presidente da República lotam a Casa da Cultura para adquirir o seu exemplar da obra e garantir o seu autógrafo. Entre os presentes, estão a prefeita Márcia Conrado (PT), o ex-deputado federal Gonzaga Patriota e o vereador Zé Raimundo.
Prefeita Márcia Conrado e o seu esposo, BrenoO ex-deputado federal Gonzaga Patriota e sua esposa
O diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso, no sertão da Bahia, Tiago Sostenes Miranda de Matos, é suspeito de matar a esposa na manhã deste domingo (22), em um hotel no bairro Atalaia, na zona sul de Aracaju (SE). O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
De acordo com informações preliminares, o suspeito estaria no local com a vítima quando houve disparos de arma de fogo. A polícia foi acionada após hóspedes relatarem os tiros. As informações são da Folha do Estado da Bahia.
Ao chegarem ao hotel, os agentes encontraram a mulher sem vida. O diretor apresentava sinais de tentativa de suicídio e foi socorrido por equipes de emergência, sendo encaminhado ao Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), onde permanece internado sob custódia. As circunstâncias do crime estão sendo apuradas. A identidade da vítima ainda não foi divulgada oficialmente.
A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar, com apoio de unidades especializadas. A investigação foi iniciada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com a participação da perícia e do Instituto Médico Legal (IML).
A unidade, que integra o sistema penitenciário estadual, nomeou recentemente Lívia Gracielle Salvador da Silva como diretora adjunta — a primeira mulher a ocupar a função na história do presídio.
Na última terça-feira (17), o cantor João Lacerda, filho do saudoso Genival Lacerda, participou do programa Aqui Tem Nordeste, exibido pela TV Aparecida, às 20h. Com apresentação de Frank Aguiar, a atração também contou com a presença de Juliana Moretto e Pablo Moura. Na ocasião, o artista apresentou sua versão da música “Chamego só (Sergipe é o país do forró)”, de composição de Rogério.
A política é a única atividade em que se pode ressuscitar sem precisar morrer antes. Em três anos e três meses como ministro da Fazenda do terceiro governo Lula, Fernando Haddad morreu e reviveu meia dúzia de vezes. Foi torpedeado por outros ministros, abandonado pelo Congresso e viu seu sobrenome transformado em “Taxad”, numa chacota com a alta dos impostos.
Ao mesmo tempo, ajudou a aprovar a ambiciosa reforma tributária, tirou do papel a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais e comandou o crescimento do PIB por três anos seguidos, os maiores feitos de Lula 3. Na última quinta-feira (19), depois de meses de suspense, Haddad anunciou que será novamente candidato do PT ao governo de São Paulo. Com chances reduzidas de vitória, o criticado Haddad se transformou, ironicamente, na principal cartada para Lula conseguir no estado de São Paulo os votos necessários para um Lula 4.
Haddad não era a primeira opção de Luiz Inácio Lula da Silva para ministro da Fazenda quando eles conversaram em novembro de 2022, em Sharm El Sheikh, cidade egípcia que sediou a Conferência de Meio Ambiente da ONU. Sem se fixar num nome, o então presidente eleito chegou a pensar no senador Jaques Wagner. Mas Haddad tinha um plano. Ele enumerou a Lula as várias renúncias fiscais obtidas por grupos econômicos ao longo dos governos Dilma, Temer e Bolsonaro e como esses recursos poderiam bancar a concretização da promessa eleitoral de “botar o pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda”. Haddad saiu da conversa como ministro.
“Haddad tem um plano” foi a frase mais repetida nas entrevistas com seus agora ex-auxiliares.
A relação entre o presidente e o ministro, contudo, começou ruim e teve pontos mais baixos do que altos. Ainda antes da posse, Lula desautorizou a decisão da Fazenda de repor os impostos federais sobre combustíveis, e permitiu que o adiamento fosse anunciado pela então presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Em janeiro, sem combinar previamente com Haddad, Lula disse à repórter Natuza Nery, da GloboNews, que a autonomia do Banco Central era “uma bobagem” e que a redução da meta de inflação “só obriga (o governo) a arrochar mais a economia”. O mercado financeiro, que nunca gostou de Lula, passou a considerar Haddad um pato manco.
Em 2018, publiquei o livro “O Pior Emprego do Mundo”, sobre a delicada relação entre ministros da Fazenda e presidentes. Recontando essas conexões desde Delfim Netto com Costa e Silva em 1967, até Henrique Meirelles com Michel Temer em 2018, concluí que o ministro da Fazenda vive sob a pressão diária de ser demitido se não trouxer respostas positivas para índices como os da inflação, desemprego, crescimento, dívida externa, déficit e juros. O presidente, em compensação, só se preocupa com um número, o da sua popularidade. A relação de Lula com Haddad serve como livro-texto da tese.
Sem a garantia de ter 100% do apoio do presidente, Haddad montou no Ministério da Fazenda uma equipe da sua absoluta confiança, como Dario Durigan, Rogério Ceron, Marcos Pinto, Robinson Barreirinhas e Laio Morais. “A gente entrou já com desconfiança da direita e sabotagem da esquerda”, lembra um dos principais auxiliares de Haddad. Por várias vezes ao longo do mandato, Haddad precisou de ajuda de ex-ministros como Aloizio Mercadante, Guido Mantega e Jacques Wagner para convencer Lula de suas ideias.
Em outubro de 2023, quando Haddad colecionava vitórias como a aprovação da reforma tributária do consumo, Lula desautorizou publicamente o fim do déficit fiscal, a principal promessa da Fazenda para o mercado financeiro. “Eu sei da disposição do Haddad, mas vou dizer para vocês que nós dificilmente chegaremos à meta zero (de déficit público). Se o Brasil tiver um déficit de 0,5%, o que que é? De 0,25%, o que é? Nada. Eu não vou estabelecer uma meta fiscal que me obrigue a começar o ano fazendo corte de bilhões nas obras que são prioritárias”, afirmou Lula.
Embate interno
Em dezembro, durante encontro nacional do PT, Gleisi Hoffmann chamou a política econômica de Haddad de “austericida” por ter imposto um limite aos gastos públicos. Lula ficou neutro na disputa.
Os ataques da esquerda do PT geravam sentimentos contraditórios no mercado financeiro. A Faria Lima havia se divertido distribuindo memes com Haddad como “Taxad”, depois que ele baixou a taxa das blusinhas chinesas. Porém, sob o ponto vista do mercado, a opção de Lula a Haddad seria pior.
No segundo semestre de 2024, o mercado se estressava com a substituição do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por Gabriel Galípolo, ex-número 2 da Fazenda. Lula inicialmente topou um pacote ajuste fiscal, mas quando a Fazenda propôs mexer no índice de reajuste do salário mínimo e na fórmula dos gastos mínimos com saúde e educação, ele estrilou. Depois de dois meses de debates diários, Lula aceitou um pacote mínimo de ajuste, mas somente se acompanhado do anúncio da isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, que Haddad planejava divulgar em meados de 2025.
Os dois tiveram uma conversa tensa. O ministro alertou que a reação do mercado seria péssima. Lula disse que seu subordinado não entendia de política. Em duas semanas, o dólar saltou de R$ 5,70 para R$ 6,30 e só voltou depois que o Banco Central torrou R$ 20 bilhões de reservas internacionais para controlar o câmbio. A taxa Selic que estava em 11,25% ao ano chegou meses depois a 15%, maior índice em vinte anos. Lula e Haddad ficaram mais três meses sem se falar a sós.
Em 16 de fevereiro de 2025, enquanto Haddad estava em missão oficial na Arábia Saudita, Lula promoveu uma reunião com cinco ministros e dois líderes do PT na Granja do Torto para discutir a queda na popularidade com a crise do Pix, o rumor instigado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) de que o governo pretendia taxar as transações financeiras. O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, mostrou pesquisas indicando que as causas para a queda da popularidade eram a alta dos preços dos alimentos, a taxa das blusinhas e o boato do Pix, todos temas da área econômica.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a saída de Haddad, em tabelinha com o chefe da Casa Civil, Rui Costa. Lula não aceitou a proposta, mas também não defendeu seu ministro da Fazenda. A medida de fiscalização da Receita sobre o Pix, origem do rumor de taxação, foi cancelada.
Quando finalmente Lula e Haddad voltaram a conversar, no fim de março de 2025, o ministro conseguiu que Lula aceitasse um aumento de impostos para tapar as despesas. Como a Fazenda sabia que o Congresso não iria aprovar uma nova taxa, decidiu-se aumentar a arrecadação via Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que não precisa de aprovação do Legislativo. A reação dos bancos, financeiras e comércio varejista foi tão gigante, que o Congresso considerou o novo IOF ilegal.
O Ministério da Fazenda estava sob cerco e alguns assessores conversaram sobre deixar o barco. Refugiado num restaurante simples na Vila Planalto, em Brasília, o núcleo duro da Fazenda se lamentava quando Haddad disse que a marca da sua gestão era ter enfrentado os lobbies das empresas de apostas, das fintechs e dos milionários que pagam pouco imposto. O marqueteiro do PT, Otávio Antunes, transformou a ideia na campanha da Taxação BBB: bilionários, bancos e bets. Foi a virada.
Produzida com uso de inteligência artificial, a campanha do PT do “nós contra eles” foi a primeira vitória da esquerda no campo digital. Pressionado pelos ataques nas redes sociais, o Congresso não reagiu quando o STF deu ganho de causa ao governo na cobrança do IOF e depois aprovou por unanimidade a proposta de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, com cobrança de um imposto mínimo sobre os mais ricos como queria Haddad. De patinho feio, Haddad havia dado ao governo Lula uma espinha dorsal.
Balanço do mercado
O tom mais político de Haddad coincidiu com o rompimento das suas pontes com o mercado. Para a imensa maioria da Faria Lima, a gestão Haddad foi leniente com a dívida pública — que segundo os dados do Banco Central subiu para 78,7% do PIB — e priorizou o aumento da carga tributária, que chegou ao recorde histórico de 34,1% do PIB.
“O Haddad é sobretudo um político e um político com pretensões eleitorais fortes e de um presidente que não tem o menor apreço pelo fiscal”, critica o pesquisador do Insper Marcos Mendes, ex-secretário do Ministério da Fazenda no governo Temer. “Essa falta de convicção é o cerne do problema. O arcabouço fiscal que ele criou é cheio de exceções. Eles acham que fazem equilíbrio fiscal pelo lado da receita, sem cortes de gastos.”
Prestigiado, Haddad começou a falar em sair. Considerava que não tinha mais dívidas com Lula ou o PT, e recebeu convites para lecionar no exterior. A relação de Haddad com o presidente mistura admiração mútua e amor filial, mas também doses de cobrança e ressentimento.
A ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, derrubando o favoritismo da reeleição de Lula, obrigou Haddad a ceder às necessidades eleitorais do PT. Quatro anos atrás, Lula só venceu Jair Bolsonaro porque Haddad teve o melhor desempenho de um petista no estado de São Paulo. Agora, Haddad enfrenta o favoritismo do governador Tarcísio de Freitas, mas a sua missão real é ajudar Lula a perder de pouco num estado francamente oposicionista. Haddad vai aproveitar a campanha para defender seu legado como ministro — e quem sabe — se posicionar para o pós-Lula. Como diriam seus assessores, Haddad tem um plano.
As idas e vindas do ministro na Fazenda
Ataques do PT – No início do de governo, a política econômica de Haddad foi chamada por Gleisi, então presidente do PT, de “austericida” por ter imposto um limite aos gastos públicos. Lula ficou neutro.
Memes com Taxad – Haddad centralizou os ataques às decisões tributárias do governo nas redes. A “taxação das blusinhas” e a aprovação da regulamentação da reforma tributária levou a uma onda de memes.
Novo IOF – O aumento do imposto levou a uma queda de braço com o Congresso e a uma reação no mercado, mas levou a um alinhamento no governo em favor do discurso de justiça tributária.
Isenção do IR – A aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, com cobrança de um imposto mínimo sobre os mais ricos, virou uma das principais apostas eleitorais de Lula 3.
A senadora Teresa Leitão (PT) fez críticas ao ex-prefeito de Petrolina e pré-candidato ao Senado Miguel Coelho (UB) durante plenária regional do PT, realizada na tarde de ontem (21), em Serra Talhada, no Sertão do Pajeú. O encontro reuniu lideranças do interior e integrou a agenda de articulação política do partido com foco nas eleições de 2026. Além da plenária, o evento também marcou a filiação de Breno Araújo ao PT, que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
A parlamentar reagiu a declarações recentes de Miguel, que afirmou que seu grupo político não precisaria de “muleta do palanque nacional”, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Chamou Lula de muleta? Isso é um atrevimento muito grande. E Lula é. Muleta no sentido do apoio”, disse. “Eu sei como uma muleta é importante, porque eu andei muito tempo de bengala, vocês sabem disso. Mas uma comparação dessas na política é coisa da baixa política. É coisa da ofensa rasteira. É coisa de quem não tem proposta. É coisa de quem sabe de que lado sempre esteve. E que fique lá”, alfinetou.
Mais de duas mil pessoas acompanharam, ontem (21), a filiação do pré-candidato a deputado estadual Breno Araújo ao Partido dos Trabalhadores (PT), em Serra Talhada. Durante cerimônia, Breno reafirmou a sua luta e colocou seu nome para atuar como representante na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) a partir de 2027. Além da esposa, a prefeita Márcia Conrado, também estiveram presentes o senador Humberto Costa, a senadora Teresa Leitão, o deputado federal e presidente do PT em Pernambuco, Carlos Veras, os deputados federais Pedro Campos e Fernando Monteiro, além da deputada estadual Dani Portela, da vereadora do Recife Kari Santos, de vereadores de Serra Talhada e de municípios da região.
Durante o evento, o senador Humberto Costa destacou a mobilização popular em torno do nome de Breno. “O recado está claro: todos que estão aqui, os que conseguiram entrar e os que estão lá fora, querem você, Breno, deputado estadual”, afirmou. Já Teresa Leitão ressaltou a força política do grupo. “Breno não chega só ao PT, chega com Márcia e com todo o time do presidente Lula”, declarou. Em seu discurso, Breno relembrou sua trajetória. “Se eu pudesse revisitar o passado, deixaria uma mensagem para aquele estudante de odontologia, que militava no movimento estudantil: não desista dos seus sonhos. Esse jovem vivenciou grandes avanços no Brasil com um governo do PT”, afirmou.
Nestes últimos dias, ao percorrer as páginas dos blogs, ouvir as rádios do nosso Pernambuco e acompanhar as entrelinhas das declarações políticas, me deparei com mais um daqueles momentos que revelam, não apenas o jogo do poder, mas, sobretudo, a essência da convivência democrática.
Li, ouvi, comparei versões — como sempre faço, com o cuidado de quem não deseja apenas repetir notícias, mas compreender o que está por trás delas. E foi assim que cheguei à fala do prefeito do Recife, João Campos, comentando a saída do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, de sua base política, agora alinhado à governadora Raquel Lyra.
Confesso: não vi ali um rompimento. Vi política em seu estado mais legítimo.
João Campos, jovem, mas já calejado pelo ambiente público, escolheu o caminho do respeito. Disse que há encontros e desencontros — e há mesmo. Quem viveu um pouco mais sabe que a política não é uma estrada reta; é cheia de curvas, atalhos, retornos inesperados. O que chama atenção, no entanto, não é a divergência, mas a forma como ela é tratada. Não houve ataque. Não houve desqualificação. Houve reconhecimento. E isso, convenhamos, não é pouca coisa nos tempos atuais.
Por outro lado, Miguel Coelho segue seu curso. Político de raízes firmes no Sertão, conhecedor da realidade de um Pernambuco profundo — aquele que vai além da capital e pulsa forte nas margens do São Francisco — faz uma escolha que carrega estratégia, mas também visão de futuro.
Ao se aproximar da governadora Raquel Lyra, Miguel não apenas muda de lado; ele se reposiciona. E política é isso: movimento. É leitura de cenário. É saber onde se pode contribuir mais — e, claro, onde se pode crescer.
Já a governadora, por sua vez, demonstra habilidade. Ao acolher um nome com densidade eleitoral e capilaridade no interior, fortalece sua base e, ao mesmo tempo, organiza o tabuleiro para o que virá. Não se trata apenas de governar o presente, mas de construir o amanhã.
E nós, eleitores? Assistimos. Mas não apenas como espectadores passivos. Observamos, analisamos, sentimos. E é nesse ponto que faço minha reflexão mais pessoal: há algo de positivo nesse cenário. Ver jovens lideranças — cada uma com seu projeto, com suas ambições — conseguindo divergir sem romper pontes, é um sinal de maturidade institucional.
A democracia não exige concordância permanente. Exige respeito. Divergir, sim. Romper, nem sempre. Reencontrar-se, muitas vezes.
Talvez o maior ensinamento deste episódio seja justamente esse: a política não precisa ser um campo de guerra. Pode — e deve — ser um espaço de construção, onde posições diferentes coexistem sem que isso signifique inimizade.
No Sertão, aprendemos cedo que o mundo dá voltas. Que hoje se caminha por uma vereda, amanhã por outra. Mas o que não pode se perder é a capacidade de olhar no olho, apertar a mão e reconhecer o outro como parte do mesmo chão.
Entre encontros e desencontros, Pernambuco segue escrevendo sua história. E nós seguimos lendo — atentos, críticos, mas, acima de tudo, esperançosos.
*Professor universitário aposentado, administrador, contador pela FACAPE – Petrolina e mestre em economia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), memorialista e cidadão sertanejo apaixonado por Pernambuco.
Romeu Zema (Novo) renuncia neste domingo (22) ao Governo de Minas Gerais, que passa a ser tocado em definitivo por seu vice, Mateus Simões (PSD).
A posse de Simões está marcada para 10h. A cerimônia acontecerá na ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais) e será conduzida pelo deputado estadual Tadeu Leite (MDB), atual presidente da Casa. Senadores, ex-governadores e outras autoridades devem participar do evento. Há previsão de discurso de Simões. As informações são do portal UOL.
Após cerimônia na ALMG, novo governador seguirá para Palácio da Liberdade. Lá, Zema deve passar oficialmente o comando do estado para Simões. O atual governador comunicou à Assembleia, na última quarta (18), sua renúncia a partir de hoje. Ontem, no instagram, Zema fez um vídeo retirando seus pertences na sua então sala de trabalho, no Prédio Tiradentes.
Nascido em Gurupi (TO), Simões tem 45 anos. Formado em direito, ele já atuou como professor universitário, secretário-geral do estado e foi vereador pelo Novo em Belo Horizonte entre 2016 e 2020. É procurador licenciado da ALMG.
O futuro de Zema
Zema é apontado como pré-candidato à Presidência da República pelo Novo. Contudo, lideranças como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, veem com bons olhos a possibilidade de ele ser vice numa chapa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em janeiro, Zema disse que recusou um convite de Flávio para ser vice. Segundo ele, os dois teriam “propostas diferentes”. Apesar disso, o próprio Simões já afirmou que uma eventual parceria entre os dois unificaria a direita em Minas — o que contribuiria para a eleição de Simões para o governo do estado em outubro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a reunião da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Celac-África, que aconteceu ontem (21), em Bogotá, para defender as terras raras do interesse de países ricos. Ele destacou que países como o Brasil já foram colonizados, conquistaram soberania e não podem simplesmente se tornaram exportadores de matérias-primas.
“Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”, disse o presidente no discurso citando Bolívia, Venezuela, Cuba. As informações são do jornal O Globo.
Terras-raras são um grupo de 17 elementos químicos usados na fabricação de ímãs permanentes, baterias, turbinas eólicas, semicondutores, catalisadores, equipamentos eletrônicos e tecnologias militares. Apesar do nome, não são necessariamente escassas na natureza, mas sua extração e processamento são complexos, caros e ambientalmente sensíveis.
“Levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia tem minérios críticos, é a chance da Bolívia, é a chance da África, é a chance da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles. Ou seja, quem quiser que venha se instalar e produzir no país. Para que a gente tenha a chance de desenvolver os nossos países”, destacou o presidente.
As reservas conhecidas de terras-raras no Brasil têm valor estimado equivalente a 186% do Produto Interno Bruto (PIB) do país — quase duas vezes o tamanho da economia brasileira. O cálculo é do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), feito com base em preços internacionais e valores de PIB de 2024.
O dado coloca o Brasil em posição de destaque na nova disputa global por minerais críticos, insumos estratégicos para baterias, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos eletrônicos e tecnologias ligadas à transição energética e à inteligência artificial.
Ao discursar na cúpula da Celac, Lula afirmou que é “hora de levantar a cabeça” e não permitir que os países sejam colonizados mais uma vez.
“Estão querendo nos colonizar outra vez. É preciso que a gente levante a cabeça. Não é possível alguém achar que é dono dos outros países”, afirmou. “Levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia tem minérios críticos, é a chance da Bolívia, é a chance da África, é a chance da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles. Ou seja, quem quiser que venha se instalar e produzir no país. Para que a gente tenha a chance de desenvolver os nossos países”, destacou o presidente.
Em fevereiro deste ano, o governo dos Estados Unidos convidou o Brasil a integrar uma nova coalizão internacional voltada ao fornecimento, à mineração e ao refino de minerais críticos. A proposta apresentada por Washington envolve parcerias para garantir o acesso a insumos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras-raras, além da criação de mecanismos de preço mínimo, com o objetivo de oferecer maior previsibilidade ao mercado e reduzir a volatilidade.
Na época, o Brasil participou de uma reunião nos EUA em que o tema principal eram minerais críticos. Os planos do governo americano foram apresentados pelo vice-presidente J.D. Vance.
Não há uma posição do governo brasileiro sobre uma eventual adesão ao grupo. Um interlocutor com acesso às tratativas afirmou que, neste momento, o governo Lula ainda reúne elementos técnicos e políticos para avaliar o alcance do convite e suas implicações estratégicas.
A iniciativa se insere em um contexto geopolítico mais amplo, marcado pela tentativa dos EUA de reduzir o peso da China, que hoje detém posição dominante não apenas na mineração, mas sobretudo no refino mundial desses minerais estratégicos.
Em Brasília, a abordagem tem sido cautelosa. O governo brasileiro enfatiza a recusa ao papel de mero exportador de matérias-primas brutas e sustenta que qualquer acordo nesse campo deve estar associado ao desenvolvimento da cadeia de valor no país, com investimentos em refino, beneficiamento e agregação de valor à produção interna.
A medicina moderna caminha para uma compreensão cada vez mais integrada do ser humano, deixando para trás a ideia de que corpo e mente operam em compartimentos isolados. Um dos exemplos mais nítidos dessa interconexão é a relação entre a dor crônica (aquela que persiste por mais de três meses) e as doenças psiquiátricas.
Não se trata apenas de uma coincidência; existe uma via de mão dupla biológica e psicológica onde uma condição frequentemente alimenta e agrava a outra.
A relação entre dor e psiquismo é frequentemente descrita como um ciclo vicioso. Quando a dor se torna crônica, ela deixa de ser apenas um “sinal de alerta” e passa a ser uma doença em si, alterando o sistema nervoso central.
Impacto psicológico da dor: Viver com dor constante gera desgaste emocional, isolamento social, perda de autonomia e distúrbios do sono. Esses fatores são gatilhos diretos para episódios depressivos e crises de ansiedade.
Impacto da saúde mental na dor: Por outro lado, pacientes com depressão ou ansiedade apresentam uma modulação da dor alterada. O cérebro “em sofrimento” tem mais dificuldade em filtrar estímulos dolorosos, diminuindo o limiar de tolerância. A ciência explica essa ligação através da neuroanatomia. Áreas do cérebro como o córtex cingulado anterior e a amígdala estão envolvidas tanto no processamento da sensação física da dor quanto na regulação das emoções. Além disso, neurotransmissores como a serotonina e a norepinefrina desempenham papéis duplos:
No cérebro, regulam o humor e o bem-estar.
Na medula espinhal, atuam nas vias que “bloqueiam” ou atenuam os sinais de dor que sobem para o cérebro. Como as causas são multifatoriais, o tratamento isolado da dor física raramente é eficaz a longo prazo. O modelo biopsicossocial é o padrão-ouro:
Tratamento farmacológico: Uso de antidepressivos (como os duais) que auxiliam tanto no humor quanto na analgesia.
Psicoterapia: Especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda o paciente a ressignificar a dor e reduzir a “catastrofização”.
Mudanças de estilo de vida: Higiene do sono, exercícios adaptados e técnicas de manejo de estresse (mindfulness). A dor crônica e as doenças psiquiátricas são duas faces da mesma moeda do sofrimento humano. Reconhecer que a dor de um paciente pode ter raízes — ou ser amplificada — por questões mentais não é invalidar o seu sofrimento, mas sim oferecer uma oportunidade real de cura e qualidade de vida.
*Médico com Pós Graduação em Psiquiatria e Neurologia Clínica
A possibilidade de uma colaboração premiada avançar sobre determinados agentes políticos e, ao mesmo tempo, omitir outros nomes de peso no cenário institucional, como ministros do Supremo Tribunal Federal, provoca um debate sobre os limites e a credibilidade desse instrumento no país. A discussão ganha contornos concretos diante de menções ao empresário Vorcaro, ligado ao Banco Master, e à eventual delimitação do alcance de suas declarações.
Pelo que estabelece o art. 4º da Lei nº 12.850/2013 (Lei de Organização Criminosa), a colaboração deve ser voluntária, eficaz e baseada na veracidade das informações prestadas. Na prática, isso impõe ao colaborador o dever de não omitir, de forma deliberada, fatos relevantes que estejam ao seu alcance, sob pena de comprometer os benefícios negociados com o Estado.
Integrantes da Procuradoria Geral da República, Polícia Federal e especialistas em direito penal destacam que o instituto não exige uma “onisciência” do colaborador, mas repudia a chamada colaboração seletiva. Ou seja, ainda que o delator não seja obrigado a saber tudo, não lhe é permitido escolher estrategicamente o que revelar com o objetivo de proteger determinados envolvidos.
Nesse contexto, a hipótese de Vorcaro apresentar informações que atinjam políticos, mas deixem de fora ministros do STF eventualmente relacionados ao mesmo conjunto de fatos, poderia acender questionamentos jurídicos relevantes. A eventual omissão de elementos substanciais pode ser interpretada como quebra da boa-fé objetiva, princípio que orienta os acordos de colaboração.
A legislação prevê consequências claras para esse tipo de conduta, incluindo a possibilidade de revisão ou até rescisão do acordo, além da perda dos benefícios concedidos. O controle judicial e a atuação do Ministério Público são apontados como essenciais para aferir a consistência e a completude das informações.
Na minha ótica, a credibilidade da colaboração premiada depende diretamente da sua aplicação rigorosa e uniforme. Em um ambiente de alta sensibilidade política, qualquer percepção de seletividade pode comprometer não apenas investigações específicas, mas também a confiança pública nas instituições responsáveis pela persecução penal.
A primeira professora é como uma estrela guia que ilumina o caminho da educação. A minha, que me ensinou o beabá em Afogados da Ingazeira, Deus já chamou, mas há outras, verdadeiros faróis da sabedoria, vagalumes que nos tiram a vedação e o lacro da ignorância, que também são eternas, inesquecíveis. E que continuam por aqui ainda a me inspirar.
Luiza Tadéia, que ilustra esta crônica recebendo o meu livro “Os Leões do Norte”, num encontro casual na loja de conveniência do posto Cruzeiro, em Arcoverde, foi o meu primeiro facho de luz como professora de Português em Afogados da Ingazeira. Uma gigante em sabedoria. Foi dela que recebi o primeiro norte da linguagem de texto.
No colégio Normal em minha terra natal, Tadéia me deu puxões de orelha, notas baixas e me pôs de castigo. Mas, quando percebeu que os seus métodos estavam dando certo comigo, ficou feliz. E professor feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina, como dizia Cora Coralina em sua sabedoria poética das suas colinas de Goiás.
O reencontro com Tadéia se deu numa manhã ensolarada na lojinha do Cruzeiro, parada obrigatória dos matutos que fazem o vai e vem dos seus rincões para a capital. Depois de papear, recordar os bons e saudosos tempos, me despedi dela segurando firme nas suas mãos. Suspirei forte e disse: “Obrigado, Tadéia, por segurar minha mão e me ensinar a dar os primeiros passos no conhecimento das letras”.
E acrescentei: “Você transformou letras em palavras e sonhos em realidade. Com carinho e paciência, você plantou em mim a semente do saber”. Seus olhos lacrimejaram, os meus também. Nos abraçamos demoradamente. Nunca mais vou esquecer aquele reencontro de um começo de história de 50 anos passados.
A primeira professora deve ser tratada como deusa. Mais do que ensinar, ela cuida, dá conselhos, alivia dores, cicatriza feridas, renova esperanças. Professor é ato de amor e compromisso social. Exige paciência, resiliência para superar obstáculos estruturais e dedicação diária para enxergar e desenvolver o potencial de cada aluno.
Tadéia, tenho plena convicção, nasceu vocacionada para a docência, que não é apenas um dom inato, mas um ofício construído na prática, reflexão e formação contínua. Bons professores como ela são como uma vela: consome-se para iluminar o caminho para os outros.
Ser professor é carregar no peito o orgulho de quem transforma vidas por meio do conhecimento, da empatia e do exemplo. É assumir a missão de educar com paixão e coragem, mesmo diante dos desafios. Sorte tem quem, cedo na vida, encontra mestres que são dádivas abençoadas por Deus.
Sortudo fui em ter uma Tadéia logo na largada em busca do aprendizado. Professoras como ela são condutores de almas e de sonhos, lapidam diamantes. Não sou o primeiro nem serei o último a exaltar quem me ajudou a ser gente na vida pelos bancos escolares.
A grande Rachel de Queiroz, de “O Quinze” e “Memorial de Maria Moura”, escreveu crônicas de agradecimento aos seus professores, reconhecendo que a influência dos mestres vai além do conteúdo técnico. Moldam a confiança e o caráter do aluno. Dizia a sábia Rachel: “O tempo das lições dos que nos aprumaram no ensino não se apaga. Adormece”.
Em homenagem a Tadéia, extensivo aos professores em geral, recorro novamente a Cora Coralina, que nos deixou uma lição para o resto da vida: a educação floresce na humildade, no exemplo e na troca de saberes. Ensinar é também um ato de aprender. “O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”.
Nissan Kait é o antigo Kicks reestilizado — e isso é muito bom
Você provavelmente sabe a história do Nissan Kicks no Brasil. Ele era um SUV compacto, virou médio, ficou mais sofisticado e, claro, tornou-se mais caro — mas manteve o nome. O velho Kicks não desapareceu: ganhou o sobrenome Play, transformou-se numa espécie de versão de entrada da marca e continuou vendendo muito bem, até mais do que o agora irmão mais chique. Agora, o Kicks Play saiu de linha e nasceu o Kait. Mas o novo Kait é uma apenas uma reestilização do velho Kicks? A coluna De Bigu o testou por uma semana e constatou. Sim, é uma atualização visual, aquela aplicação de uma atraente roupagem. E isso é muito bom. Afinal, há várias razões pelas quais um novo produto, desde que tenha como base um mais antigo, costuma ter maior probabilidade de sucesso.
Ele passou, por exemplo, pelo que os profissionais de marketing classificam de validação, aprendizado e escalonamento. Lançado em agosto de 2016, o velho Kicks ofereceu à Nissan e seus clientes um histórico de uso capaz de gerar informações suficientes para melhorar funcionalidades e corrigir falhas. O Kait, por exemplo, manteve o que as famílias de classe média brasileiras (e, claro, taxistas, frotistas, motoristas de aplicativos etc) querem: tem bom espaço interno, proporciona conforto e, o melhor de tudo, tem um motor confiável (embora pouco ágil) e de baixo consumo de combustível. Enfim: o Kait preservou o que tinha de melhor e ainda ganhou uma repaginação no design.
A Nissan até tenta que o Kait não seja entendido comercialmente como apenas um produto reestilizado. Mesmo que estejam nele vários itens do modelo anterior — como teto, portas e até o para-lamas. Mas a Nissan deveria lembrar que reestilizar é aprimorar, requintar, aperfeiçoar. E que quaisquer eventuais defeitos comuns a um produto inédito têm menos chances de aparecer numa situação como essa. E, ainda, que o custo de produção seja bem mais em conta. Não à toa, o SUV brasileiro será exportado para pelo menos 20 países, incluindo o México. Confira o que ele tem de melhor.
As dimensões – O Kait tem 4,3m de comprimento, 1,76m de largura, 1,59m de altura — com entre-eixos de 2,62m de entre-eixos. Oferta mais espaço do que o Volkswagen Tera (2,56m) ou o Fiat Pulse, outro concorrente direto, com 2,53m. O porta-mala do compacto da Nissan tem capacidade para 432 litros de capacidade — um banho no do Tera, de apenas 350 litros.
O motor – Esse ponto pode (ou não) ser polêmico. O fato: a Nissan manteve o 1.6 aspirado flex de quatro cilindros e 16 válvulas. Ele gera até 113 cv e 15,5kgfm — o que, convenhamos, fica bem abaixo dos números dos concorrentes. O Fiat Pulse, só para ficar num exemplo já citado, tem propulsor 1.0, embora turbo, com até 130 cv e torque de 20,4 kgfm. A versão topo de linha do italiano, transformado em Abarth, traz motor 1.3 com 185 cv e 27,5 kgfm de torque. Isso não chega a ser um nó górdio, mas mesmo no trânsito urbano diário nota-se a falta de força do Kait. O carro fica pouco ágil. Numa ação de ultrapassagem, o barulho do motor vai às alturas. E não passa segurança nas rodovias, mesmo em retomadas. A falta de referência sobre os turbos nos 1.0 até pode deixar os clientes fiéis da Nissan satisfeitos, mas basta um teste rápido com um concorrente que eles sentirão a diferença. Ah, o câmbio automático é um CVT (continuamente variável) de seis marchas simuladas.
Consumo – O motor, por sua vez, é confiável – e está dentro daquele pacote que conquistou por méritos próprios. E, para aqueles motoristas de pé leve, cuidadosos, é bem econômico. Vale reforçar: dados de consumo devem ser vistos com parcimônia, levando em conta modo de condução, carga do veículo, condições da via e por aí vai. Mas, já que insistem, vejamos: o Kait tem médias públicas de 11,3 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada — com gasolina. Em estradas, pode chegar a 16 km/l. Posiciona-se, desta forma, na mesma faixa (talvez um pouco menos) dos 1.0 TSI do VW Tera ou mesmo do Fiat Pulse 1.3 AT.
Visual – Muitas peças do Kait são do Kicks antigo. De novidade, capô, faróis em LED na frente e na traseira — além de rodas, para-choques e tampa do porta-malas, uma mudança bem perceptível. Aliás, o conjunto óptico frontal e traseiro ficou muito bonito, fino, estiloso – e que chama a atenção à primeira vista. Isso inclui as DRLs (luzes de rodagem diurna), de três listras. E, como funcionalidade, ainda oferta o acendimento inteligente, o chamado sensor crepuscular com regulagem elétrica de altura. Por fim, vale lembrar do sistema “Follow me Home” (ou “siga-me para casa”). Essa função de segurança e conveniência mantém os faróis baixos ou lanternas do veículo acesos por um tempo determinado (geralmente 30 a 270 segundos) após desligar a ignição e fechar o carro. Ele ilumina o caminho em garagens ou locais escuros.
Preço – A versão testada, a Exclusive, tem preço sugerido de R$ 152,9 mil. Combate o Pulse Impetus, mas não o Hybrid, que custa pouco abaixo dos R$ 150 mil. Em relação ao VW Tera, só disputa com a versão High, pouco acima dos R$ 140 mil. No caso do Renault Kardian, seu rival é a Iconic, também na faixa dos R$ 150 mil.
Vida a bordo – O acabamento da versão topo de linha tem saídas de ar arredondadas, central de entretenimento com tela de 9 polegadas e conexão Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Com a popularização dos chineses e suas grandes telas, o conjunto do Kait fica meio fora de moda, digamos assim. O quadro de instrumentos, por sua vez, é mais moderno, com duas telas digitais. Tem chave presencial para abertura das portas e partida por botão. Os bancos têm revestimento em couro, mas não são tão aconchegantes quanto deveriam para um carro de R$ 150 mil. Em termos de segurança, destaque para os seis airbags e para o alerta e assistente de frenagem e detecção de pedestre. Vale, ainda, destacar o assistente de permanência em faixa, a câmera com visão 360º, o alerta de ponto cego, a frenagem autônoma de emergência e o controle de cruzeiro adaptativo (ACC). O ar-condicionado desta versão é digital.
Vem aí o novo RAV4 – A Toyota acaba de confirmar a chegada do novo RAV4 ao Brasil. O SUV será apresentado oficialmente em abril, mas já começou a campanha prévia de lançamento junto aos clientes, que já podem se cadastrar no site oficial para indicar interesse e garantir prioridade na lista de espera. A nova geração do SUV mais vendido do mundo será oferecida em duas configurações. Na inédita versão S, o modelo se destaca pelo design moderno e interior que combina conforto e funcionalidade. Já a configuração SX tem acabamento refinado, sistemas inteligentes de assistência à condução e um conjunto de tecnologias avançadas. Todos os detalhes e preços serão divulgados em seu lançamento oficial, previsto para as próximas semanas.
SUV da GAC por R$ 130 mil – A chinesa GAC anunciou dois fatos no meio da semana passada: o lançamento do GS3 e a produção no Brasil. Em relação ao primeiro, são duas versões — e preços promocionais até o fim deste mês: a primeira parte de R$ 130 mil (com compras pelo Mercado Livre) e a segunda por R$ 160 mil. Quanto à produção, ela vai ser na planta da HPE Motors, em Catalão (GO), responsável pela montagem dos modelos Mitsubishi. A nacionalização do SUV compacto será feita por meio de processo do tipo CKD, com capacidade anual de 50 mil unidades em 2027.
Além da mão de obra local na produção, a GAC vai usá-la no desenvolvimento de produtos. O GS 3 nas versões Premium e Elite apostam em motorização turbo, pacote tecnológico avançado e boas dimensões. Ele tem 4,41m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,60 m de altura e entre-eixos de 2,65 m – com porta-malas de 341 litros, expansível a 1.271 litros. Ambas as versões usam motor 1.5 turbo a gasolina capaz de entregar 170cv e 25,5kgfm de torque. O conjunto é acoplado a uma transmissão automatizada de dupla embreagem e tração dianteira. Segundo dados da marca, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 8,1 segundos. Já o consumo fica em 10,2 km/l na cidade e 11,6 km/l na estrada.
Foton apresenta sete novos veículos comerciais elétricos – A Foton acaba de anunciar a ampliação de seu portfólio com o lançamento no Brasil de sete novos veículos comerciais elétricos: o mini truck eWonder, as vans eView Connect, eView Grand e eToano Pro, além da linha de caminhões eAumark nas versões 6T, 9T e 12T. A chegada simultânea dos modelos marca um avanço estratégico da empresa na eletrificação do transporte comercial brasileiro, oferecendo soluções que atendem desde a logística urbana leve até operações com veículos de maior capacidade para aplicação intermunicipal. Os novos produtos foram desenvolvidos para responder à crescente demanda por eficiência energética, redução de custos operacionais e diminuição de emissões no transporte de cargas. Os modelos têm boa autonomia, tecnologia embarcada, ampla garantia e diferentes capacidades de carga e volume. A Foton vai passar das 100 concessionárias em todo o país ainda em 2026.
Toro ganha versão Lollapalooza – A Fiat aproveitou que é a patrocinadora master do Lollapalooza 2026, que acaba neste domingo, em São Paulo, para apresentar versão comemorativa da picape Toro desenvolvida exclusivamente para o festival. A edição especial, em cor roxa, também homenageia os 50 anos da Fiat do Brasil Na lateral, a logo comemorativa aos 50 anos da Fiat do Brasil está posicionada à frente de um conjunto de pixels que formam o mapa da América do Sul, reforçando a ligação da picape com o mercado da região.
Entre outras inovações, o modelo conta com uma nova grade superior com blocos que fazem menção ao novo estilo de design da marca, além de incorporar barra de proteção que combina resina e aço e uma nova iluminação em LED, que agora se estende à barra de teto. No interior, a novidade é a cor esmeralda nos revestimentos, com detalhes em verde cítrico. Há dez anos no mercado brasileiro, a picape da Fiat produzida no complexo industrial de Goiana, PE, já vendeu mais de 550 mil unidades.
Chevrolet convoca donos de S10 e Trailblazer – A marca norte-americana da General Motors no Brasil está chamando os proprietários de S10 e Trailblazer, versões 100 Anos, Brutal e Invencível, modelos 2025 e 2026, produzidos entre outubro de 2024 e maio de 2025, para irem a uma concessionária. Motivo: um problema no aplique do capô (instalado diretamente na fábrica ou como acessório na concessionária) pode se soltar em altas velocidades. Por isso, a peça precisa ser trocada.
Segundo a Chevrolet, o aplique do capô foi montado sem aplicação de um material que promove a sua adequada fixação. Com isso, em alta velocidade, a força aerodinâmica gerada pelo vento pode fazer com que a peça se desprenda. É possível perceber quando o aplique começa a se soltar, pois ele começa a vibrar de forma visível. Em caso de soltura, ela pode atingir e danificar outros veículos e/ou ferir motociclistas ou pedestres, com possibilidade de lesões físicas graves e até mesmo fatais. O serviço de substituição do aplique do capô, que é gratuito, pode ser realizado em cerca de duas horas e meia. Mais informações, no site da marca, pela Central de Relacionamento Chevrolet no 0800-702-4200 ou pelo WhatsApp no número (11) 99882-8157.
Os 10 carros dos anos 2000 mais buscados no Brasil – Um levantamento do Webmotors Autoinsights, ferramenta que fornece dados e informações sobre o mercado automotivo brasileiro, revela os veículos dos anos 2000 que recebem o maior número de buscas na plataforma atualmente. O estudo leva em consideração as buscas e visitas entre março de 2025 a fevereiro deste ano para os modelos fabricados entre 2000 e 2009 por usuários de todo o Brasil. O ranking é encabeçado pelo Honda Civic, um clássico da montadora japonesa que ainda hoje é um dos mais buscados do país tanto entre os 0KM quanto em versões anteriores. Na sequência, estão Volkswagen Gol, Honda Fit, Chevrolet Astra, Toyota Corolla, Chevrolet Corsa, Chevrolet Celta, Fiat Palio, Chevrolet Vectra e Volkswagen Golf.
Palio, o Fiat usado mais vendido – E outro levantamento, desta vez feito pela OLX, aponta o Palio como o modelo usado da Fiat mais vendido por meio da plataforma em 2025. O estudo, que analisa a demanda pelos veículos da fabricante, mostra o Uno em segundo lugar, seguido pelo Strada na terceira posição. Os dados são divulgados no ano em que a Fiat completa 50 anos de presença no Brasil. Completam os cinco primeiros colocados o Toro, em quarto, e o Siena, em quinto lugar.
Como cuidar de um carro com alta quilometragem? – Um mapeamento do Sindipeças mostra que a idade média dos veículos no Brasil é de 10 anos e 11 meses, dois anos mais velhos do que a frota registrada em 2015, cuja idade média era de 8 anos e 10 meses. O envelhecimento é resultado de uma série de fatores – que envolvem desde as dificuldades no acesso ao crédito até o custo dos veículos 0km, que levam os consumidores a recorrerem ao mercado de carros usados. Por esse motivo, a maioria dos carros circulando hoje no Brasil possui uma quilometragem alta e, portanto, necessita de cuidados e manutenções específicas, tendo em vista que, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal, 30% dos acidentes em rodovias são causados por veículos rodando em más condições.
Riscos de acidentes – Nesse sentido, a escolha do lubrificante se torna um passo fundamental para prolongar a vida do automóvel e diminuir os riscos de acidentes. Especialmente porque motores mais rodados podem sofrer com consumo excessivo de óleo, perda de potência e formação de borra, enquanto o sistema de suspensão, direção e freios tende a apresentar folgas e ruídos. Outras queixas comuns são que os sensores e partes elétricas perdem eficiência, comprometendo o desempenho e aumentando o consumo do combustível.
Tecnologias diferentes – Segundo José Cesário Neto, coordenador de Capacitação e Suporte Técnico dos Lubrificantes Mobil, o maior desafio de veículos mais antigos não é a quilometragem em si, mas as tecnologias deles, que são diferentes dos modelos atuais. “É recomendável uma avaliação completa do motor a cada 10.000 km (cerca de um ano de uso), além da consulta ao manual do veículo, verificando características específicas antes da troca de óleo”, orienta.
“Existe uma ideia popular de que, se o seu carro é mais velho, você deve usar um óleo mais viscoso. Mas isso não é necessariamente verdade”, aponta o coordenador Mobil. Ele recomenda sempre seguir as especificações indicadas no manual do proprietário. As montadoras realizam milhares de testes antes de determinar o lubrificante ideal para cada motor, levando em conta temperatura, pressão e o tipo de uso do carro, seguindo padrões internacionais (como SAE, API e ACEA), garantindo a performance e a durabilidade previstas pelo fabricante.
Reparos caros – O uso do óleo correto pode representar a diferença entre prolongar a vida útil do carro e antecipar reparos caros. “Independentemente da quilometragem do veículo, o uso de um lubrificante com características alinhadas com a recomendação da montadora mantém o nível de proteção e bom funcionamento do motor. É importante respeitar o intervalo de troca indicado e sempre usar filtros novos. Caso o motor esteja com um consumo anormal de óleo, a conduta correta é levar o veículo para uma oficina especializada para que sejam avaliados os possíveis causadores desta anormalidade. Utilizar um óleo mais viscoso não vai resolver o problema”, reforça Cesário Neto.
Outros sistemas – O especialista também recomenda atenção redobrada a outros sistemas do veículo. “Não basta cuidar apenas do motor. O fluido de freio, o fluído de arrefecimento e o lubrificante da transmissão também precisam ser revisados periodicamente, pois todos trabalham em conjunto para garantir segurança e desempenho”, explica. Além dos lubrificantes, as graxas também são itens importantes na manutenção, ao garantirem que a lubrificação adequada de componentes como rolamentos, juntas homocinéticas, e pinos de suspensão.
Em veículos mais antigos, esses pontos sofrem mais com o desgaste natural e a oxidação, o que pode gerar ruídos, vibrações e até falhas mecânicas. O uso regular de graxas de boa qualidade ajuda a reduzir o atrito entre as peças, evitar o ressecamento das borrachas de vedação e proteger contra a entrada de água e sujeira. A aplicação correta das graxas garante uma maior preservação do veículo, ajudando na economia com a prevenção de emergências e reparos mais complexos. “Manter a manutenção em dia é o segredo para a longevidade do veículo. Um motor bem cuidado não apenas funciona melhor, como ajuda a reduzir acidentes e custos inesperados”, reforça o coordenador.
Renato Ferraz, ex-Correio Braziliense, tem especialidade em jornalismo automobilístico.