Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Como temos dito aqui no Correio Político, a tendência do PL de formar chapas puro-sangue para o Senado nos estados pode acabar virando um tiro pela culatra. Como declarou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi feito um acerto no partido pelo qual Valdemar definiria as candidaturas e alianças para governador e a palavra final para o Senado seria do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Resulta que, então, mais e mais escolhas têm sido de chapas exclusivamente do PL, e de bolsonaristas declarados. No caso, o propósito é claro. Bolsonaro quer ter a garantia de eleger ao máximo uma bancada grande e fiel a ele, capaz de aprovar processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Leia maisOu, até mais do que isso: obter condições políticas para reverter a sua condenação. O que seria possível caso saia vencedor da eleição presidencial seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Flávio concederia o indulto, e o Senado criaria as condições para tentar limitar uma reação do Supremo. Ainda que a decisão tomada na prisão domiciliar de Bolsonaro o proíba de receber políticos, todos sabem que há diversos possíveis caminhos paralelos.
O problema de todo esse cálculo em torno das chapas puro-sangue é que não levaram em conta a famosa máxima de Garrincha: ninguém combinou “com os russos”. As chapas do PL limitam a possibilidade de alianças. E é tolice imaginar que os preteridos aceitariam isso pacificamente. Ainda que tal situação não os leve a apoiar um adversário de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial – e, dada a polarização, o adversário seria o presidente Lula -, o jogo político é nos estados. Alguém escanteado na chapa do PL irá naturalmente buscar uma alternativa.
Acompanhado de perto por aqui, aconteceu em Santa Catarina o que apontávamos que aconteceria. A chapa pura do PL tendo o governador Jorginho Mello candidato à reeleição com Carlos Bolsonaro e a deputada federal Caroline de Toni como os nomes para o Senado uniu em chapa contrária o PSD, o MDB e a Federação União Progressista.
Só o Novo, que ficará com o cargo de vice-governador, dado ao prefeito de Joinville, Adriano Silva, une-se à chapa de Jorginho Mello. E todos aqueles que o governador tinha prometido espaço e, no final traiu, unem-se agora em chapa contrária. Como são políticos conservadores, isso vai dividir votos.
A chapa formada parece primeiro um desagravo ao senador Esperidião Amin, que foi chutado por Jorginho Mello, que havia prometido a ele que uma das vagas seria sua para disputar a reeleição. Em vez de dois nomes, a chapa PSD/União/Federação lançará somente Amin para o Senado, concentrando nele.
E, aí, abriga também o MDB, o outro preterido na opção raiz de Jorginho Mello. Os emedebistas ficarão com a vice. Os nomes cotados são o deputado federal Carlos Chiodini ou o deputado estadual Antídio Luneli. Assim como tinha com Amin, Jorginho Mello também tinha compromisso de dar a vice ao MDB.
Na cabeça de chapa, como candidato a governador, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do PSD. Poderia ser um caminho para abrir uma janela de apoio à tentativa do PSD de ter um nome alternativo na corrida presidencial. Talvez não chegue a tanto. Mas complica um caminho fácil para Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni.
Até porque não devem ser descartadas as chances do presidente do Sebrae, Décio Lima, o candidato do PT. Real Time Big Data de 15 de dezembro o mostrava empatado, em 14%, com Amin. E os dois não muito distantes de Carlos Bolsonaro (que tinha 21%) e de Caroline de Toni (com 18%).
Como mostramos aqui na quinta, cálculos semelhantes estão sendo feitos pela esquerda no DF, com a confusão em torno da situação do governador que sai, Ibaneis Rocha (MDB), e da governadora que entra, Celina Leão (PP), com a chapa pura para o Senado com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis.
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