Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) está conquistando uma fama que político nenhum gostaria de carregar: a de pé-frio oficial do Estado.
No futebol, a história já virou folclore. Bastou vestir a camisa do Santa Cruz na véspera do confronto decisivo contra o Náutico no Campeonato Pernambucano para a cobrinha dar adeus à competição. A zoação foi instantânea. Nas arquibancadas, nas redes e nos grupos de WhatsApp, o diagnóstico foi unânime: “não chama que dá azar”.
Leia maisA fama pegou de vez. E como desgraça pouca é bobagem para quem carrega essa aura, o roteiro se repetiu fora das quatro linhas.
Na torcida pelo filme pernambucano Agente Secreto no Oscar, Raquel resolveu transformar a expectativa da premiação em um grande evento político. Por meio da Fundarpe, organizou uma megaconcentração em frente ao Cinema São Luiz, apareceu em Olinda na concentração da Pitombeira, distribuiu sorrisos, fotos e discursos como se estivesse na final de Copa do Mundo.
O resultado veio do jeito mais cruel possível para quem tenta capitalizar vitória alheia: o prêmio não veio — e sobrou para o “pé-frio”.
O constrangimento foi maior porque, antes mesmo da cerimônia, já tinha gente torcendo o nariz para a tentativa evidente de colar sua imagem a uma conquista que, se viesse, seria exclusivamente do cinema pernambucano. De Kléber Mendonça Filho, dos atores, da equipe técnica, de quem fez o filme acontecer.
Mas parecia que a estrela principal da festa já estava escolhida.
No futebol, quando dirigente quer aparecer mais que jogador, a torcida reage. No cinema, quando político tenta subir no palco antes do diretor, a reação não costuma ser diferente.
E, em Pernambuco, a piada já está pronta: se Raquel aparecer torcendo pelo seu time, é melhor esconder a camisa. Se aparecer apoiando algum filme, talvez seja prudente torcer em silêncio.
Por via das dúvidas, governadora, talvez seja o caso de providenciar um bom banho de sal grosso.
Ou pelo menos evitar aparecer na foto antes da premiação acabar.
Leia menos
















