Nos bastidores da política pernambucana, a resposta às chuvas intensas que atingem o Recife, a Região Metropolitana e a Zona da Mata — com acumulados superiores a 200 milímetros em diversas cidades —, já começa a produzir efeitos que vão além da emergência climática.
Prefeitos de municípios afetados avançam na decretação de situação de emergência, enquanto a corrida por apoio federal ganha centralidade. Nesse contexto, chamou atenção o movimento do ex-prefeito do Recife, João Campos, que se antecipou ao articular uma reunião com a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, reunindo gestores locais para discutir acesso a recursos e medidas emergenciais.
Leia maisDiga-se de passagem, o ex-prefeito fez o que a governadora deveria ter feito. Mas não fez. Segundo relatos de interlocutores que acompanham as conversas, o gesto foi lido como uma ação acertada em meio ao vácuo inicial de articulação mais ampla no nível estadual. Campos também levou a gravidade do caso diretamente ao presidente Lula da situação enfrentada pelas cidades atingidas, reforçando o pedido por celeridade no apoio federal. O que Raquel Lyra, outra vez, deixou de fazer.
Nos bastidores, há quem diga que o movimento não passou despercebido no Palácio do Campo das Princesas. Aliados da governadora Raquel Lyra evitam publicamente qualquer sinal de desconforto, mas admitem, em reserva, que o protagonismo antecipado de João Campos muda a dinâmica política da crise, especialmente num momento em que prefeitos pressionam por respostas rápidas diante do agravamento dos danos. João teria demonstrado maior atitude, indo até a cidade mais atingida pelas fortes chuvas. Coisa que Raquel também não fez. Preferiu falar por telefone.
Oficialmente, o discurso segue sendo de união institucional. Na prática, no entanto, a gestão da crise expõe, mais uma vez, a discrepância da ação em um momento de crise. Campos chegou a dizer que estava agindo no sentido de ajudar as cidades, que já se preparam para pleitear recursos nos Ministérios da Cidade e da Integração Nacional. Enquanto isso, a governadora ainda não anunciou nenhuma nova ação em defesa das cidades atingidas.
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