Simão anuncia em Petrolina uma super grade junina para concorrer com Caruaru

O prefeito Simão Durando lançou, nesta segunda-feira (24), a programação do São João 2025 de Petrolina, com mais de 100 atrações confirmadas e expectativa de movimentar cerca de R$ 320 milhões na economia local. O ciclo junino, que começa em abril e segue até o fim de junho, trará nomes como Gusttavo Lima, Wesley Safadão, Jorge & Mateus, João Gomes, Claudia Leitte e O Grande Encontro (Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo). Com o tema “É a Cara da Gente”, a festa reforça a valorização da cultura nordestina e deve atrair turistas de mais de 150 cidades.

O principal polo de apresentações será o Pátio Ana das Carrancas, que receberá os grandes shows entre os dias 13 e 23 de junho. Outras ações culturais, como concurso de quadrilhas, Festival de Sanfoneiros, Vaquejada, Forró do Vovô, Forró da Acessibilidade e a Missa do Vaqueiro integram a programação. Segundo a prefeitura, a festa deve gerar 17 mil empregos diretos e indiretos, com impacto positivo também em setores como hotelaria, gastronomia e comércio.

Durante o lançamento, Simão Durando destacou que o São João é uma das principais vitrines culturais e econômicas do município. “Não é só uma festa, é uma engrenagem que impulsiona o desenvolvimento e valoriza a identidade do povo sertanejo”, afirmou. A programação completa inclui ainda o projeto “Pra Sempre São João” e o São João na Praça, além de eventos que resgatam tradições locais em diversos bairros e comunidades da cidade.

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Durante reunião da Câmara Temática de Segurança Hídrica do Consórcio Nordeste, realizada nesta quinta-feira (27) no Recife, a governadora em exercício Priscila Krause apresentou as ações do programa Águas de Pernambuco. O encontro, promovido pelo Banco Mundial em parceria com o Governo de Pernambuco, reuniu representantes de estados nordestinos e instituições federais para debater soluções para a universalização do acesso à água e ao saneamento básico na região.

Lançado em 2024, o Águas de Pernambuco reúne investimentos da ordem de R$ 6,1 bilhões em obras estruturais, como adutoras, sistemas de abastecimento simplificado e redes de esgoto. Entre os exemplos citados estão a adutora do Agreste, a estação de tratamento do Cabanga e ações nas zonas rurais e áreas de morro da Região Metropolitana. Pernambuco lidera o tema de recursos hídricos no Consórcio Nordeste e articula possíveis carteiras de financiamento com o Banco Mundial para projetos nos estados da região.

O seminário também discutiu os desafios do setor diante das metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, que exige, até 2033, a oferta de água potável a 99% da população e a coleta e tratamento de esgoto para 90%. Representantes da Agência Nacional de Águas, Ministério da Integração, Funasa e secretarias estaduais destacaram a importância da cooperação técnica e financeira entre os entes federativos para avançar em infraestrutura hídrica e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

Petrolina - O melhor São João do Brasil

O governo Lula indicou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para o Conselho Fiscal da Eletrobras, apurou o Estadão/Broadcast.

Para o conselho de administração da empresa, foram indicados três nomes que ocuparam cargos em governos do PT: os ex-ministros de Minas e Energia (MME) Silas Rondeau e Nelson Hubner e o diretor-executivo de transição energética e sustentabilidade da Petrobras, Maurício Tolmasquim.

Rondeau, que já presidiu a Eletrobras, hoje é presidente da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), que tem Hubner no conselho de administração. Tolmasquim foi secretário-executivo e ministro interino do MME e presidente do Empresa de Pesquisa Energética (EPE). As informações são do Estadão.

Os nomes ainda precisam ser aprovados na Assembleia Geral de acionistas da Eletrobras, em 29 de abril.

As indicações foram feitas após a Eletrobras assinar o Termo de Conciliação sobre limitação do poder de voto de acionistas a 10%, que virou objeto de ação judicial em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo acordo, o governo federal ficou com direito a três dos dez integrantes do conselho de administração da companhia e um dos cinco representantes do conselho fiscal.

Em contrapartida, a companhia ficou desobrigada de investir em Angra 3, a partir da suspensão do acordo de investimentos celebrado entre 2022. No entanto, a empresa se comprometeu a participar de nova mediação para discutir a viabilidade econômico-financeira do empreendimento e seu financiamento em condições de mercado.

O acordo inclui ainda o Termo de imediata Suspensão e Rescisão Condicionada do acordo de investimentos, celebrado em 22 de abril de 2022, entre a Eletrobras e a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPAR).

Tentativa frustrada na Vale
Lula já havia tentado emplacar Mantega na Vale, em 2023, mas não conseguiu devido à resistência dos acionistas privados. A ideia original do presidente era que Mantega, que foi ministro da Fazenda nas gestões petistas entre 2006 e 2014, comandasse a mineradora.

Diante da resistência, tentou negociar uma vaga para ele no conselho de administração, mas o intento também não prosperou. Na ocasião, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegou a sondar representantes dos acionistas para medir a resistência ao nome de Mantega. Após o caso vir à tona, Silveira negou ter intercedido por Mantega.

O ex-ministro atuou informalmente na campanha de Lula, em 2022, e integrou por uma semana a equipe de transição.

Em 2016, ele foi inabilitado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a assumir cargos públicos em razão de sua participação nas “pedaladas” fiscais do segundo governo Dilma Rousseff e que levaram a então presidente ao impeachment. Em 2023, porém, a ação foi extinta pelo TRF-1 (Tribunal Regional Federal).

Dulino Sistema de ensino

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nesta quinta-feira (27) ao STF (Supremo Tribunal Federal) o arquivamento de investigações que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no caso que apura a falsificação de certificados de vacinas contra a Covid-19.

De acordo com ele, não há elementos suficientes para justificar a responsabilização do ex-presidente.

A medida do Ministério Público ocorre um dia após Bolsonaro se tornar réu no STF no caso da trama golpista. As informações são da Folha de S. Paulo.

Na petição enviada ao relator do caso no Supremo, ministro Alexandre de Moraes, no entanto, Gonet, também afirma que o caso do cartão de vacina é diferente da investigação acerca da trama golpista de 2022.

“A situação destes autos difere substancialmente da estampada na PET 12100, em que provas convincentes autônomas foram produzidas pela Polícia Federal, em confirmação dos relatos do colaborador”, disse, em referência à colaboração premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid.

Bolsonaro, Cid, o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ) e outras 14 pessoas foram indiciados pela Polícia Federal há um ano.

Cid foi preso por causa dessa investigação, deflagrada pela PF em maio de 2023. O ex-auxiliar de Bolsonaro passou quatro meses detido à época e deixou a cadeia após firmar um acordo de colaboração premiada.

Cid disse em depoimento que a fraude no cartão de vacinação de Bolsonaro e da filha dele, Laura, foi feita a pedido do próprio mandatário na época e que os certificados foram impressos e entregues “em mãos” ao então presidente.

Gonet afirma, ao STF, que há apenas a delação de Cid como elemento contra Bolsonaro e, portanto, não poderia denunciar Bolsonaro.

“Ocorre — em prejuízo da viabilidade de apresentação de acusação penal — que somente o colaborador afirmou que o Presidente lhe determinara a realização do ato. Essa solicitação é elemento de fato central para que a conduta típica, crime de mão própria, lhe possa ser imputada. O art. 4o, § 16, da Lei n. 12.850/2013, contudo, proíbe o recebimento de denúncia que se fundamente “apenas nas declarações do colaborador”, disse Gonet.

Em março de 2024, a defesa de Bolsonaro criticou o indiciamento e o chamou de precipitado.

À época, os advogados afirmaram que “não há fundada e objetiva suspeita de sua participação ou autoria nos delitos em apuração”.

A investigação apontou a suspeita dos crimes de inserção de dados falsos em sistema público e associação criminosa, e a Polícia Federal afirmou, no indiciamento, que a fraude pode ter sido realizada no escopo da tentativa de aplicar um golpe de Estado no país e impedir a posse de Lula (PT).

Ipojuca No Grau

Para aumentar a produtividade nos estados, o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e a representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, Annette Kilmer, assinaram uma parceria nesta quinta-feira (27), em Brasília, para disponibilizar uma Linha de Crédito Condicional para Projetos de Investimento (CCLIP), no valor de R$ 11 bilhões.

Com olhar estratégico para a realidade de cada região, a nova linha de crédito tem o potencial de impulsionar a atração de investimentos, a produtividade e a inovação em áreas estratégicas para o desenvolvimento regional, como digitalização, segurança pública, agricultura sustentável, habitação e inclusão social. As informações são do gov.br.

“Estamos à inteira disposição dos secretários de Desenvolvimento aqui no MDIC. Agradeço também a parceria do BID. No ano passado, o PIB do Brasil cresceu 3,4%, e a indústria de transformação cresceu 3,8%. A indústria puxou o PIB, deu um apoio importante”, afirmou Alckmin na abertura da reunião com representantes das secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico.

“Vamos impulsionar a competitividade e a produtividade por meio de projetos de desenvolvimento”, garantiu a representante do BID. De acordo com Kilmer, os trabalhos já começaram no Tocantins, como iniciativa-piloto, com a meta de triplicar o número de empresas exportadoras.

Reunião com os estados

Após destacar os indicadores econômicos, o ministro apresentou aos representantes dos governos estaduais a Nova Indústria Brasil (NIB), reforçando os pilares e as seis missões para impulsionar: (1) agroindústria, (2) complexo industrial da saúde, (3) cidades sustentáveis e infraestrutura, (4) tecnologia da informação e semicondutores, (5) transição ecológica e (6) defesa e aeroespacial. Ele também ressaltou os quatro pilares da NIB: uma indústria mais inovadora, mais verde, mais competitiva e mais exportadora.

“Temos R$ 80 bilhões em crédito para inovação, com juro real zero. Queremos uma indústria inovadora”, destacou o ministro. O estímulo à inovação também passa pela melhoria do ambiente de negócios. Alckmin explicou que o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) vai reduzir de sete para dois anos o tempo de registro de patentes — prazo equivalente ao padrão internacional — e diminuir de 18 meses para 30 dias o tempo de registro de marcas.

Para promover uma indústria mais sustentável, o ministro destacou o programa MOVER, que estimula a inovação, a sustentabilidade e a eficiência energética do setor automotivo e de autopeças. Além disso, ele apresentou o Regime Especial da Indústria Química (REIQ) e a Lei do Combustível do Futuro.

O estímulo à competitividade ganhou força com o programa de renovação de máquinas e equipamentos. “O Brasil teve uma desindustrialização precoce e severa, porque ficou caro e perdeu competitividade. Para estimular a competitividade, um programa está aberto, chamado Depreciação Acelerada. Então, já podem dar entrada nos projetos para renovar o parque fabril”, afirmou.

O presidente em exercício também apresentou ferramentas para estimular a exportação, como o Portal Único e o Acredita Exportação. “Este é um grande estímulo para a pequena empresa exportar. Na hora que ela exportar, o governo devolve imediatamente 3% do valor exportado, para compensar o crédito tributário”, explicou. “No Brasil, a pequena empresa exporta muito pouco. Nós queremos que elas ganhem mercado e que a empresa que exporta mude de patamar”, completou.

Agenda de trabalho

Após os representantes estaduais apresentarem as iniciativas em curso, a secretária executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Marcela Carvalho, pediu que os estados enviassem propostas de uma agenda de trabalho em parceria com o governo federal para avançar na atração de investimentos no Brasil. A ideia é realizar uma nova reunião no segundo semestre.

“A Janela Única de Investimentos é o grande projeto da Camex na área de investimentos, também em parceria com o BID. A ideia da Janela Única é reunir todos os anuentes do investimento em um único portal, reduzindo custos, tempo e prazos, e concentrando todos os serviços, incluindo licenças e outros aspectos que interessam ao investidor. Os estados também devem criar suas janelas e integrá-las à federal, para que possamos trabalhar de forma conjunta”, explicou Carvalho.

Caruaru - IPTU 2025

A Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes lançou, nesta quinta-feira (27), o programa Avança Jaboatão: Transformando Futuros, em parceria com o Instituto Ayrton Senna. A iniciativa, apresentada na faculdade UNIFG, em Piedade, tem foco na melhoria do ensino-aprendizagem nas escolas da rede municipal. Entre as ações previstas estão os programas Acelera, voltado à correção da distorção idade-série; Se Liga, para estudantes com dificuldades de leitura e escrita; e o Gestão Nota 10, que busca qualificar a gestão educacional com foco nos resultados de aprendizagem.

O programa também acompanhará os dados de desempenho dos alunos em língua portuguesa e matemática, com o objetivo de traçar estratégias para elevar os índices de desenvolvimento educacional. Durante o lançamento, participaram representantes da Secretaria Municipal de Educação, da gestão municipal e do Instituto Ayrton Senna. A proposta é monitorar o progresso das escolas e aplicar medidas de apoio pedagógico conforme as necessidades identificadas.

Camaragibe Cidade do Trabalho

Por Anthony Santana
Do Blog da Folha

A deputada estadual Socorro Pimentel (UB), que também é líder do governo Raquel Lyra (PSD) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), afirmou acreditar que o movimento de trocar o comando de pastas do Executivo de técnicos para políticos pode garantir uma maior governabilidade e inaugura uma nova relação política no Estado.

Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, nesta quinta-feira (27), a parlamentar avaliou a nomeação do deputado Kaio Maniçoba (PP) e do ex-prefeito de Custódia, Emmanuel Fernandes, Manuca (Avante), como secretários como natural o movimento de trocas e que acontece em todos os governos. Socorro considera que um novo momento será inaugurado na gestão estadual.

“Existe um lado político, mas existe o técnico. Isso é importante para aproximar os políticos do governo. Acho que é algo que vem a dar um outro olhar para o meio político. A gente tem muitas sinalizações de que vive uma nova era no estado de Pernambuco”, pontuou a deputada.

Ao falar sobre sua atuação como líder do governo, Socorro garantiu que vai dialogar com as bancadas de oposição e independentes, justificando a necessidade de construção de consensos para avançar com as pautas do governo na Alepe.

“O diálogo já vem acontecendo desde que assumi. A gente dialoga muito com a oposição. Ela tem deputados que a gente tem respeito e admiração. Queremos manter o diálogo para que possamos manter a governabilidade. A gente precisa e sempre precisou da bancada de oposição e da independente”, declarou.

Cabo de Santo Agostinho - IPTU 2025

O Podemos em Jaboatão dos Guararapes tem nova liderança. Jorge Júnior foi oficializado como presidente do diretório municipal do partido, com filiação abonada pelo ex-senador Armando Monteiro, pelo presidente estadual da sigla, Marcelo Gouveia, e pelo vice-presidente estadual, Ricardo Teobaldo.

Com a nova função, Jorge Júnior passa a comandar a reestruturação da legenda no município e a articulação para as eleições municipais.

Toritama - Prefeitura que faz

A Prefeitura de Vitória de Santo Antão firmou parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para viabilizar a ampliação do Centro Acadêmico Vitória (CAV-UFPE). Um terreno localizado no Alto do Reservatório foi doado pela gestão municipal para a construção de novos espaços voltados à saúde e à formação acadêmica. O contrato de doação foi assinado ontem (25) pelo prefeito Paulo Roberto e pelo reitor da UFPE, Alfredo Gomes.

O projeto prevê a criação de uma clínica de saúde, clínica escola multidisciplinar, unidade de farmácia viva, espaço para práticas integrativas e um restaurante escola. A proposta busca ampliar a presença da universidade na cidade e oferecer atendimento à população.

Palmares - Outlet

Um grupo de servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acusa a coordenação-geral do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) de retaliação e assédio moral, após críticas feitas à direção nos últimos meses. Em carta, 11 servidores que fazem parte das gerências de Sistematização de Conteúdos Informacionais (Gecoi) e de Editoração (Gedi) afirmam que foram transferidos de unidade por causa de “represália em virtude de posicionamentos técnicos”.

Os trabalhadores foram transferidos da unidade no IBGE na Tijuca, bairro da zona norte do Rio, para outra em Parada de Lucas, que fica também na zona norte, mas ao lado de comunidades dominadas pelo tráfico de drogas, como Parada de Lucas e Vigário Geral. Segundo os servidores, a transferência foi justificada pelo “insólito argumento de que precisamos nos situar junto aos serviços gráficos ali concentrados”. As informações são do Valor Econômico.

Crise interna no IBGE
O caso é parte de uma crise interna no IBGE, entre a direção, os servidores e o sindicato de trabalhadores (ASSIBGE). Em janeiro, a presidência do IBGE, a cargo de Marcio Pochmann, publicou comunicado em que acusava servidores de divulgar mentiras e sinalizava com ida à Justiça.

Procurado sobre a denúncia dos servidores desta quinta-feira (27), o IBGE não respondeu até o momento.

“Considerando o personalismo instaurado no IBGE e que já motivou, inclusive, pedidos de exoneração dos titulares da diretoria de Pesquisas e da diretoria de Geociências, e de seus respectivos substitutos, concluímos que ambas as unidades se tornaram objetos de retaliação e assédio moral”, diz o texto da carta, com o título de “Retaliação e assédio

Na carta, os servidores explicam que os trabalhadores do CDDI que já trabalham no complexo do IBGE em Parada de Lucas atuam, essencialmente, como profissionais gráficos, e não há compartilhamento de procedimentos que justificassem ou exigissem a proximidade física desses trabalhadores que agora foram transferidos.

A carta cita diversas ocasiões, desde 2024, em que o grupo fez críticas à direção do IBGE e defende que foram esses posicionamentos o ponto de partida da decisão atual de transferência. Uma delas foi o alerta sobre o risco de quebra do princípio da impessoalidade e da perda de autonomia técnica no trabalho, pela inclusão de prefácio da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, na publicação “Brasil em Números 2024”, com “conotação política”.

“Considerando o exposto, reiteramos o entendimento de que a Gecoi e a Gedi estão sob represália em virtude de nossos posicionamentos técnicos. Tal mudança, além de não objetivar o aprimoramento dos fluxos de trabalho, arrisca expor os servidores dessas gerências a situações cotidianas de inquestionável periculosidade”, afirma o texto.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou por unanimidade a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), tornando réu o ex-presidente Jair Bolsonaro por cinco crimes, entre eles dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Embora sejam tipificações de menor gravidade, criminalistas ouvidos pelo Estadão apontam que esses delitos cumprem uma função estrutural e estratégica na peça acusatória apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet: reforçam a responsabilização de Bolsonaro pelos atos de 8 de janeiro e ajudam a sustentar os crimes mais graves, como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, pelos quais ele também responde.

Os crimes de dano qualificado ao patrimônio da União — que consiste em causar prejuízo a bens públicos — e de deterioração de patrimônio tombado — que se refere à destruição ou danificação de bens protegidos por seu valor histórico ou cultural — não foram incluídos pela Polícia Federal no relatório que embasou a denúncia de Gonet. Em novembro do ano passado, a corporação imputou ao ex-presidente os crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. As informações são do Estadão.

Para o criminalista e coordenador da graduação em Direito da ESPM-SP, Marcelo Crespo, o fato de Gonet incluir esses dois tipos penais na denúncia faz parte de uma estratégia para vincular Bolsonaro aos eventos de 8 de janeiro, mesmo ele estando nos Estados Unidos à época e sem participação direta nos atos de destruição.

O jurista explica que o principal desafio da acusação é estabelecer um nexo entre os discursos do ex-presidente e a mobilização que culminaram nos atos. O enquadramento nesses crimes, em sua avaliação, serve justamente para suprir esse elo e dar sustentação jurídica à tese de que Bolsonaro incentivou e ajudou a criar o ambiente que levou à violência contra as sedes dos Três Poderes.

“Esses crimes podem ter passado despercebidos por serem menos graves em comparação com os demais, mas ambos desempenham um papel muito importante no andamento da ação penal e na responsabilização de Bolsonaro. São fundamentais para a construção lógica da acusação para conectá-lo aos atos de 8 de janeiro”, explica.

Na peça acusatória, Gonet afirma que o episódio do 8 de janeiro foi fomentado e facilitado por uma suposta organização criminosa da qual Bolsonaro faria parte. Para o procurador-geral da República, o grupo deve ser responsabilizado “por promover atos atentatórios à ordem democrática, com vistas a romper a ordem constitucional, impedir o funcionamento dos Poderes, em rebeldia contra o Estado de Direito Democrático.”

Ao utilizar esses dois tipos penais, explica Crespo, a PGR também consegue estabelecer, de forma objetiva, o elemento da violência e da grave ameaça, requisitos fundamentais para a configuração dos crimes de tentativa de golpe e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

“Para enquadrar Bolsonaro nesses crimes mais graves, a PGR precisa demonstrar a presença real e material da violência. Nesse sentido, os crimes de dano ao patrimônio público e deterioração são importantes, porque reforçam a existência efetiva de violência contra o Estado. Sem eles, a denúncia poderia enfrentar dificuldades técnicas para comprovar o nexo causal entre a conduta do ex-presidente e os atos. Por isso, a estratégia adotada me parece inteligente e tecnicamente bem construída”, avalia.

O criminalista David Metzker concorda e afirma que esses crimes funcionam como uma base de sustentação na estratégia da PGR, reforçando a responsabilização de diferentes envolvidos, mesmo daqueles que, como Bolsonaro, não participaram diretamente dos atos de destruição.

“São provas visuais, laudos e registros públicos, o que contribui para formar uma base fática robusta. Esses delitos ajudam a estabelecer um elemento central para a configuração de crimes mais graves, como tentativa de golpe de Estado ou abolição violenta do Estado de Direito, que exigem a presença de violência ou grave ameaça”, completa.

Na mesma linha, o criminalista Renato Vieira avalia que tanto a decisão da PGR de incluir os crimes de dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, quanto o recebimento dessas acusações pelo Supremo, revelam uma estratégia clara.

“Mesmo não sendo os crimes mais graves pelos quais Bolsonaro responde, eles são fundamentais para o desfecho da ação penal”, afirma. Vieira acrescenta que as provas reunidas na denúncia apresentada por Paulo Gonet são bem fundamentadas e tecnicamente consistentes, o que limita as possibilidades de contestação por parte da defesa de Bolsonaro e dos demais réus.

Além desses crimes, cuja pena somada pode chegar a seis anos de prisão, Bolsonaro também responderá por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Juntas, essas três tipificações podem levar a até 22 anos de prisão, totalizando uma pena máxima de 28 anos.

Por Míriam Leitão
Do Jornal O Globo

Aceita a denúncia e tornado réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu quartel-general, agora é que realmente começa a ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da República (PGR) terá que mostrar a solidez das provas apresentadas na peça acusatória. Por outro lado, os advogados farão a contraprova, terão que ter direito ao contraditório, terão acesso a todos os documentos e o amplo direito de defesa.

Ao contrário do que aconteceu no Mensalão, quando os advogados precisavam ir ao Tribunal para ter acesso aos documentos físicos, todas as provas estão disponíveis em meio eletrônico, como me explicou o professor Ademar Borges, do IDP. Ou seja, é mais fácil acessar essas provas e todos os documentos necessários.

Nessa etapa, serão feitas diligências, os réus serão interrogados, serão apresentadas testemunhas, que vão prestar depoimentos. Então, é agora que toda a história começa.

É assim no devido processo legal que acontece na democracia. Nas ditaduras não há nada do que se possa chamar de devido processo legal. E esses réus são acusados de atentar contra a democracia.

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Congresso trabalharam, quarta-feira (26), para impulsionar a versão de que ele é um perseguido político pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — tese que deve ser reempacotada e utilizada ao longo dos próximos meses ao longo do julgamento pela Corte.

Apesar disso, admitem que Bolsonaro saiu fragilizado do julgamento que o tornou réu por tentativa de golpe de Estado e avaliam que ele precisa considerar a construção de um nome que represente a continuidade de seu legado para concorrer à Presidência da República em 2026. As informações são do Valor Econômico.

Fontes ouvidas pelo Valor acreditam que, diante da repercussão do julgamento e dos holofotes concentrados, Bolsonaro “deve fazer o que sabe fazer de melhor: aparecer”. A aposta é que ele tente, a partir de agora, pautar o noticiário para que a sua versão como perseguido político, ainda que não vingue, alcance cada vez mais pessoas.

“Vai ser clima de campanha. Se o lado de lá tem uma teoria, nós temos a nossa. E é o Bolsonaro quem deve conduzir a defesa da nossa narrativa. Por isso, ele deve estar cada vez mais presente. Não deve ficar no casulo”, defendeu um importante aliado do ex-presidente.

Lideranças do núcleo bolsonarista reconhecem, porém, que ainda que considerassem o julgamento da Corte “um jogo de cartas marcadas”, o revés foi um baque e configurou uma derrota, porque não se conseguiu emplacar nenhuma das teses da defesa, como a busca para que o julgamento fosse para o plenário ou para que a delação de Mauro Cid fosse invalidada

Apesar de Bolsonaro estar disposto a construir esse ambiente de campanha antecipada, aliados avaliam que, paralelo a isso, ele deverá iniciar o processo de seleção de quem será o responsável por representá-lo e defender seu legado nas eleições de 2026.

Tarcísio de Freitas
O nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é considerado o favorito na bolsa de apostas de nomes mais próximos de Bolsonaro.

O movimento, porém, deve ser feito “da forma mais discreta possível” para não ser visto como “um jogar a toalha precipitado”, o que poderia, de uma certa forma, desmobilizar o eleitorado do ex-presidente, avaliam interlocutores.