Por Bela Megale
Do Jornal O Globo
O pessimismo tomou conta das defesas dos denunciados pela tentativa de golpe de Estado. Nesta quarta-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou réus Jair Bolsonaro e mais sete aliados por unanimidade. “Todos estão lascados”, disse um dos defensores à coluna, resumindo o sentimento compartilhado por representantes de quatro bancas de advocacia que atuam no caso.
O fato do relator do caso, Alexandre de Moraes, ter rebatido com detalhes as defesas e personificado as acusações reforçou a percepção de que o julgamento será muito duro e a chance de vitória remota.
Leia maisO tom do magistrado também foi descrito pelas defesas como “raivoso” e “exagerado”. Houve a percepção de que Alexandre de Moraes elevou o tom de suas falas em relação à postura que adotou no primeiro dia julgamento. O único momento criticado pelo entorno de Bolsonaro nas sessões de terça-feira foi a manifestação de Moraes sobre as “milícias digitais nacionais ou estrangeiras”. A fala foi interpretada como recado do magistrado ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos e pediu licença de seu mandato.
A ausência do ex-presidente no plenário da Primeira Turma nesta quarta-feira foi recebida com alívio por parte dos aliados de Bolsonaro no PL. Existia o temor de que, diante do voto de Moraes, que carregaria todas as acusações contra o capitão reformado, ele tivesse algum rompante na Corte e prejudicasse ainda mais sua situação no julgamento.
Como informou a coluna, outro foco de críticas dos advogados sobre o julgamento foi a exibição de um vídeo com cenas dos ataques golpistas do 8 de janeiro. Eles descreveram a gravação como “apelativa” e apontaram que o vídeo não estava nos autos.
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