Com 53 homicídios em 72 horas, Pernambuco teve o fim de semana mais violento do ano, até o momento. Foram 32 assassinatos no interior e 21 na Região Metropolitana, sendo 5 duplos homicídios em 24h, de acordo com levantamento realizado pelo Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco.
A escala da violência, mesmo diante da implantação do ‘Juntos pela Segurança’, em novembro passado, reflete a falta de eficácia do plano, que foi apresentado com a promessa do governo Raquel Lyra (PSDB) de reduzir a violência no Estado. Contudo, de janeiro até agora, foram 412 assassinatos em Pernambuco.
Em nota, o Sinpol reitera que o avanço da violência em Pernambuco está diretamente relacionado à falta de investimento na Polícia Civil por parte do Governo Estadual que, mesmo diante de vários alertas feitos pelo Sindicato ao Executivo Estadual, insiste em ignorar os fatos.
“O crime organizado está avançando, assassinando e ganhando território. Estamos alertando o governo há meses sobre a urgente necessidade de ampliar o número de vagas oferecidas no concurso da PCPE. Temos um déficit de mais 6 mil policiais e o governo oferece 445 vagas no certame”, afirma o presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros.
De acordo com ele, o déficit deve ficar ainda maior em breve, haja vista que a Polícia Civil tem, atualmente, mais de 1.400 policiais com tempo de serviço para se aposentarem.
Diante do exposto, o Sinpol irá requerer tanto a ampliação de vagas do atual concurso quanto um novo certame de maneira urgente ainda este ano para preenchimento de todos os cargos vagos na Polícia Civil. A estimativa do Sindicato é que o número mínimo para suprir a vacância de cargos na PCPE seria de, pelo menos, 2.700 novos policiais.
“Não temos efetivo, não somos valorizados pelo Governo, não temos sequer condições mínimas de trabalho. A delegacia de Surubim tem ordem de despejo por falta de pagamento do aluguel. Policiais Civis continuam fazendo cotinhas para comprar água para beber e até mesmo material limpeza. Delegacias são improvisadas em casas comuns. Não existe padronização das unidades policiais. Enquanto isso, o crime organizado avança, assassinando até mesmo crianças e bebês. A governadora Raquel Lyra precisa dialogar e investir na Polícia Civil, que é a polícia de inteligência”, cobra Cisneiros.
José Múcio revisita trajetória política, relembra disputa com Arraes e reforça desejo de deixar a Defesa
Quarenta anos depois de enfrentar Miguel Arraes na disputa pelo Governo de Pernambuco, em 1986, José Múcio Monteiro atribui àquela derrota um papel decisivo na trajetória que o levaria à Câmara dos Deputados, ao Governo Federal, ao Tribunal de Contas da União e, hoje, ao Ministério da Defesa. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o pernambucano revisitou uma das eleições mais duras da política pernambucana e afirmou não se arrepender do caminho percorrido. “Eu existo por causa daquela derrota”, resumiu.
Múcio tinha 37 anos quando disputou o Palácio do Campo das Princesas contra Arraes, então com 70. O resultado abriu, segundo ele, uma trajetória diferente daquela que imaginava naquele momento. “Tudo valeu a pena naquela eleição. Não me arrependo de nada do que fiz. Depois dali, fui deputado federal por cinco mandatos, líder do governo Lula, ministro das Relações Institucionais, ministro do Tribunal de Contas da União e agora ministro da Defesa. Se não tivesse perdido aquela eleição, não teria a história política que construí ao longo dos anos”, afirmou.
Entre as lembranças mais marcantes, o ministro destacou o debate realizado pela TV Globo. Múcio recordou uma campanha polarizada, mas marcada, segundo ele, pelo respeito entre os adversários. “Eu chamava doutor Arraes de senhor, pedia ‘por favor’, usando o que a elegância e a educação nos impõem fazer”, contou. A disputa ainda guardava uma inversão que ele considera curiosa: “Eu tinha 37 anos e representava o passado. E Arraes, com 70 anos, representava o futuro. Os jovens votavam nele, enquanto os mais velhos votavam em mim”.
A campanha acabou também aproximando os dois adversários. Múcio relata que a relação construída naquele período se transformou em amizade e permaneceu até a morte de Arraes, em 2005. Segundo ele, o ex-governador dizia que sua própria vitória havia sido valorizada pelo estilo da disputa. Ao comparar aquele ambiente ao atual, o ministro lamentou a dificuldade crescente de convivência com opiniões contrárias. “Pena que a política esteja tão polarizada e que as pessoas não respeitem as opiniões contrárias, que é o princípio básico da democracia”, declarou.
É nesse papel de articulador que Múcio também situa sua passagem pelo Ministério da Defesa. Há três anos e nove meses no cargo, ele afirma ter levado para a pasta as ferramentas acumuladas na vida política e define sua função como a de uma ponte entre o governo e as Forças Armadas. “Foi por isso que o presidente Lula, quando me convidou, falou que iria me botar num lugar em que eu era necessário. Fomos uma ponte entre a política e as Forças, e tenho impressão de que conseguimos esse objetivo”, avaliou.
A permanência, entretanto, foi muito maior do que previa. Múcio conta que aceitou o posto imaginando ficar apenas um ano e brinca que já entregou o cargo diversas vezes a Lula. “Acho que fui a pessoa que mais entregou o lugar na vida pública brasileira”, disse, aos risos. Hoje, é o segundo ministro mais longevo à frente da Defesa, atrás de Nelson Jobim. Mesmo declarando apoio à reeleição de Lula (PT), demonstra resistência à ideia de permanecer para um eventual novo mandato. “Estou querendo ir para a arquibancada. É aquele lugar que quero, vou pegar bandeira e vou torcer para que o presidente continue construindo esse país do jeito que ele imaginou.”
Antes de deixar a pasta, porém, Múcio mantém como uma de suas principais bandeiras a criação de previsibilidade orçamentária para a Defesa. Segundo o ministro, o Brasil investiu cerca de 1,1% do PIB no setor no ano passado, enquanto ele considera necessário chegar a algo entre 2,5% e 3%. “Enquanto não se aprovar isso, seremos sempre os pedintes”, afirmou. Múcio argumenta que contratos militares são de longo prazo e cita a extensão das fronteiras brasileiras e as riquezas naturais do país para defender investimentos contínuos. “Defesa é investimento que não dá voto. É como plano de saúde, tem que ter o melhor e torcer para não precisar usar.”
Fachin dá 72 horas a Mendonça – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deu, ontem, prazo de 72 horas para que André Mendonça se manifeste sobre o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A AGU sustenta que a decisão provoca “grave lesão à ordem pública e administrativa”, invade a prerrogativa do presidente da República de nomear e exonerar dirigentes da PF e pode comprometer o funcionamento da corporação. Depois da manifestação de Mendonça, o processo voltará à Presidência do Supremo para que Fachin analise o pedido. Até lá, os afastamentos permanecem em vigor.
Decisão descabida – O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, de afastar o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, é “descabida e uma intromissão onde não lhe cabe”. Guimarães disse, ainda, que essa medida “cheira como eleitoral” e que “isso não pode”. “O STF precisa tomar providências”, escreveu em publicação nas redes sociais. “Ninguém está acima da lei. Com base nessa referência, a decisão do ministro André Mendonça, no que tange ao pedido de afastamento do delegado da Polícia Federal, é descabida e uma intromissão onde não lhe cabe. Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral. Isso não pode! O STF precisa tomar providências”, escreveu o ministro.
Gilmar quer análise no plenário do STF – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu, ontem, que a competência para analisar o afastamento do diretor da Polícia Federal é do plenário e citou que o impacto da ordem do ministro André Mendonça pode causar “desequilíbrio da disputa político-eleitoral”. Segundo o ministro, o plenário tem entendimento firmado de que “em razão da paridade de armas e do dever de neutralidade do Estado em relação aos partidos políticos e candidatos, há inconstitucionalidade de decisões jurisdicionais tendentes a promover o desequilíbrio da disputa político-eleitoral”. O julgamento está sendo realizado no plenário virtual da Segunda Turma do STF.
Ministros de Lula se reúnem com Fachin – O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, encontraram-se, na tarde de ontem, com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O encontro, segundo noticiou o portal Metrópoles, durou cerca de 30 minutos e ocorreu após o ministro André Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Wellington e Messias atuaram em interlocução com o gabinete de Mendonça na tentativa de articular um encontro entre o ministro e Andrei ao longo do último mês. Apesar dos esforços, o encontro nunca ocorreu. Posteriormente, houve o embate entre Mendonça e Alexandre de Moraes. Ao sair do encontro com Fachin, Messias afirmou que a reunião com o presidente do STF foi “muito institucional e republicana”.
Material irregular – Mais de quatro mil materiais de propaganda foram apreendidos por irregularidades no Estado. Bandeiras, bases de cimento, banners e até carros de som estão na lista de apreensões, divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE), na segunda-feira (7). Ao todo, 4.136 materiais foram apreendidos em quatro cidades: Recife, Jaboatão dos Guararapes e Olinda, na Região Metropolitana, e em Petrolina, no Sertão. A capital pernambucana concentra mais da metade do total de material recolhido e Petrolina foi o segundo município com mais propaganda irregular apreendida. A maior parte das apreensões foi de bandeiras instaladas de forma irregular nas calçadas. Segundo o portal G1, também foram apreendidos banners luminosos, que estão proibidos na campanha deste ano, e uma caixa de som de um comitê eleitoral no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, que estava voltada para o meio da rua em alto volume.
CURTAS
DEBATE – A Rádio Cidade 99.7 realiza, na próxima sexta-feira, em Caruaru, o primeiro debate do estado com candidatos ao Governo de Pernambuco no primeiro turno das Eleições 2026. Confirmaram presença no encontro Ivan Moraes, do PSol; João Campos, do PSB; e Raquel Lyra, do PSD. O debate começa às 9h e será mediado pelo jornalista Vitor Araújo.
DEBATE II – O encontro será realizado no Teatro do Shopping Difusora e terá seis blocos, com duração aproximada de duas horas e meia. A transmissão será feita simultaneamente pela Cidade 99.7 FM, pelo canal da emissora no YouTube e pelo aplicativo FlixCidade, além de retransmissão por 17 emissoras de rádio de diferentes regiões de Pernambuco.
JANGA – Cinco crianças passaram mal e ficaram mais de um dia no hospital após tomarem banho de mar na Praia do Janga, em Paulista, no Grande Recife. Em entrevista à TV Globo, a empreendedora Bruna Michelle disse que levou seus três filhos e dois amigos para um passeio no sábado (5) e, na noite do domingo (6), todos eles tiveram vômito e diarreia. A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) disse que o grau de risco pode variar a cada semana e confirmou que, nesta semana, o local está impróprio para banho.
Perguntar não ofende: Fachin vai reverter a decisão de Mendonça?
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acatou a AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) ajuizada pela coligação Brasil Pronto Para Mais, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alegou suposto abuso de poder econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e de seu vice, Alfredo Gaspar (PL), ao realizarem campanha no Festival de Barretos (SP).
A coligação aponta que, entre os dias 20 e 30 de agosto, no Palco Estádio da 71ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, Flávio teria ocupado o palco de shows musicais custeado por pessoas jurídicas de direito privado diante de uma plateia estimada em 60 mil pessoas, discursando como candidato à Presidência. As informações são da CNN.
“Sustentou a parte autora que o festival é o maior evento do gênero na América Latina, organizado pela associação ‘Os Independentes’ e patrocinado por numerosas empresas privadas, e que a cessão de seu palco, de sua estrutura técnica e de sua audiência aos investigados, sem contrapartida financeira equivalente, configura financiamento empresarial indireto de campanha, vedado desde o julgamento da ADI 4.650 pelo Supremo Tribunal Federal”, diz o documento.
A petição apontou ainda que o discurso político foi proferido em estádio, “cuja destinação à propaganda eleitoral é vedada pelo art. 37 da Lei nº 9.504/1997, e que a exposição obtida pelos investigados se prolongou e se ampliou pela divulgação subsequente do episódio na imprensa e nas redes sociais”.
Como objetivo, a coligação pede que os atos sejam reconhecidos como “abuso de poder econômico”, que as candidaturas do candidato e do vice sejam cassadas e que seja declarada a inelegibilidade de ambos para as eleições pelo período de oito anos.
Na análise da Corte Eleitoral, a petição inicial relata fatos determinados, aponta o possível proveito eleitoral que deles teria advindo aos investigados e vem instruída com registros audiovisuais dos discursos proferidos no evento, notícias veiculadas pela imprensa, indicação dos patrocinadores do festival e rol de testemunhas, com a declaração do objeto dos depoimentos.
“Desta forma, em primeira análise, entendo que a petição inicial preenche os requisitos de admissibilidade”, escreveu o ministro Antonio Carlos Ferreira, corregedor-geral da Justiça Eleitoral.
O TSE determinou prazo de cinco dias para que Flávio Bolsonaro e seu vice apresentem as defesas.
Mais cedo, Flávio já tinha protocolado uma AIJE que pede a cassação do registro da chapa formada pelo presidente Lula e Geraldo Alckmin (PSD) e a declaração de inelegibilidade do mandatário por abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação social na realização do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula no Carnaval deste ano.
O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 72 horas para o ministro André Mendonça, também do STF, se manifestar sobre pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF).
A AGU pediu nesta terça-feira (8) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para contestar a decisão monocrática do ministro André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Na peça, assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, a AGU sustenta que há “grave lesão à ordem pública e administrativa”.
O órgão argumenta que o afastamento cautelar viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do Presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal.
Em nota, a AGU ressalta ainda que “a descontinuidade abrupta na gestão do órgão compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional”.
De acordo com a petição da AGU, a escolha, nomeação e livre exoneração do diretor-geral da Polícia Federal são prerrogativas exclusivas do chefe do Poder Executivo federal.
“Diante do quadro de urgência, a AGU requereu a concessão de liminar para suspender imediatamente o afastamento dos dirigentes e a subsequente confirmação do pedido no mérito até manifestação definitiva do órgão competente”, diz nota.
A única exigência legal para o provimento do cargo de diretor-geral da PF é que ele seja ocupado por um integrante de classe especial da carreira de Delegado de Polícia Federal.
Clima de tensão no STF
O recurso da AGU chega em meio a um cenário de extrema polarização dentro do próprio Supremo. O afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de inteligência, Leandro Almada da Costa, foi determinado por André Mendonça sob acusação de monitoramento ilegal do próprio ministro relator e do advogado-geral da União, Jorge Messias, por meio de relatórios de inteligência apócrifos.
Na Segunda Turma da Corte, o julgamento extraordinário virtual para referendar o afastamento formou maioria de 3 votos a 0 com as manifestações de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques.
No entanto, a sessão eletrônica acabou suspensa por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Enquanto o colegiado não retoma as deliberações em definitivo, a decisão individual de Mendonça continua em vigor, mantendo Rodrigues afastado.
O afastamento e reações da PF
A decisão que afastou Andrei Rodrigues impõe ainda a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF para apurar as circunstâncias de produção de relatórios de inteligência que monitoravam autoridades.
Mendonça determinou também a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência voltados a analisar a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) defendeu que o caso seja levado com urgência à análise do plenário da Corte, composto atualmente por 10 ministros.
Os diretores da Polícia Federal manifestaram, por meio de uma nota, seu “total apoio” ao diretor-geral afastado Andrei Rodrigues e colocaram seus cargos à disposição para o delegado William Marcel Murad, diretor-geral substituto que assumiu a corporação com o afastamento.
O senador Humberto Costa (PT), candidato à reeleição, defendeu, durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), o avanço do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina e apontou a entrada da Petrobras como sócia do empreendimento como alternativa para viabilizar a obra. Segundo ele, a estatal poderia utilizar a ferrovia para escoar a produção de óleo diesel, instalar uma central de distribuição em Salgueiro e, com a expansão da malha, alcançar outras regiões do país pela Ferrovia Norte-Sul.
Humberto afirmou ainda que estudos já realizados apontam viabilidade para o projeto e citou análise da Sudene que estima ganho social de R$ 4,7 bilhões. O senador também defendeu a criação de um comitê estadual permanente, com participação de empresários, representantes do Governo de Pernambuco, da bancada federal, pesquisadores e sociedade civil, para acompanhar o andamento da obra. “A Petrobras pode entrar como sócia temporária desse projeto. Mais à frente, quando houver interesse de outros grupos em assumir a concessão, ela pode vender sua participação ou seguir utilizando”, afirmou.
Durante a sabatina, Humberto também se posicionou a favor do fim da escala 6×1. Segundo ele, as empresas teriam condições de se adaptar à mudança e o modelo em discussão prevê um período de transição. “O importante é destravar a obra agora, porque a Transnordestina não é só importante para Pernambuco, é estratégica para todo o Nordeste”, declarou.
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) cumpriu agenda nesta terça-feira (8), em Serra Talhada, no Sertão. Durante a passagem pelo município, prometeu implantar um Centro de Diagnóstico e Tratamento de Câncer e participou da procissão de encerramento da 236ª Festa de Nossa Senhora da Penha.
A promessa foi feita durante uma roda de conversa com quatro mulheres que realizam tratamento oncológico pela rede pública. Segundo João, o centro seria implantado a partir da ampliação dos serviços de oncologia do Hospital Governador Eduardo Campos (HEC), com diagnóstico, quimioterapia, radioterapia e exames especializados. As pacientes relataram que chegam a enfrentar cerca de sete horas de viagem de ônibus até o Recife para realizar o tratamento. “Nosso compromisso é implantar, a partir do próximo ano, o Centro de Diagnóstico e Tratamento de Câncer do Sertão, aqui em Serra Talhada”, afirmou.
Na sequência da agenda, João acompanhou a procissão de Nossa Senhora da Penha ao lado da prefeita Márcia Conrado (PT), do candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), do candidato a deputado estadual Breno Araújo e de lideranças locais. A celebração, realizada entre 29 de agosto e 8 de setembro, encerrou nesta terça-feira a programação dedicada à padroeira de Serra Talhada, que incluiu missas, novenas e procissões.
São homens, filiados majoritariamente a partidos do campo da direita, a maioria dos candidatos que fazem uso de termos religiosos no nome de urna. Estudo da série Perfil do Poder, produzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) em parceria com o Common Data, identificou 445 candidaturas com esse perfil. O levantamento aponta que 66,3% são homens e que 56,6% concorrem por partidos classificados como de direita.
O estudo mostra ainda uma concentração desse tipo de designação entre candidatos a deputado estadual, que representam 51,5% dos registros, e a deputado federal, com 40,7%. Juntas, as duas categorias correspondem a 92,2% das 445 candidaturas identificadas. Regionalmente, a maior parte dos registros está concentrada no Nordeste (33,9%) e no Sudeste (32,4%).
O termo “pastor” é, de longe, o mais utilizado pelas candidaturas e aparece em 64% dos registros identificados. Entre os cinco termos mais usados estão ainda “irmão” (9,4%), “missionário” (8,8%), “bispo” (7%) e “mãe” (3,4%).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um evento no Palácio do Planalto nesta terça-feira, dia em que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, mas não fez qualquer menção ao episódio durante seu discurso.
Lula discursou em uma cerimônia sobre unidades de conservação, realizada em alusão ao Dia da Amazônia. Ao longo da fala, o presidente se concentrou em temas ambientais e nas ações de seu governo para a proteção da floresta. As informações são do jornal O GLOBO.
O silêncio se repetiu nas redes sociais. Lula fez publicações ao longo do dia, mas, até o fim da tarde, não havia se pronunciado diretamente sobre o afastamento de Andrei ou sobre a decisão de Mendonça.
A determinação do ministro atingiu diretamente a cúpula da PF. Além de Andrei, Mendonça afastou o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Andrei foi escolhido por Lula para comandar a corporação no início de seu terceiro mandato.
A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria nesta terça-feira para manter a determinação de Mendonça, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Enquanto a análise não é concluída, a liminar que afastou os dois integrantes da PF continua em vigor.
A Advocacia-Geral da União (AGU) vai recorrer do afastamento de Andrei, sob o argumento de que a decisão invade uma atribuição do presidente da República relacionada ao comando da Polícia Federal.
Nos bastidores, porém, o caso mobilizou o Planalto ao longo do dia. Lula se reuniu com auxiliares, entre eles o advogado-geral da União, Jorge Messias, enquanto o governo discutia a resposta à decisão do Supremo.
Titular do Ministério da Defesa desde o primeiro dia do governo Lula (PT), o pernambucano José Múcio Monteiro comemora os avanços na área, embora reconheça que há muito o que fazer. Defensor desde o primeiro momento de que o país precisa ampliar seu investimento na área da segurança e soberania, ele ressalta que o tema tem sido abordado por todos os candidatos à Presidência da República nesta eleição.
“A questão da Defesa melhorou muito. Veja que todos os candidatos a presidente estão falando em defesa, o que não se falava. O presidente Lula (PT) disse que uma das pastas prioritárias no segundo mandato será a Defesa. A grande vitória nossa foi trazermos para a discussão. Temos excelentes soldados no Exército, na Marinha, nas Forças Armadas, mas precisamos de instrumentos. Não para enfrentar ninguém, mas para defender o nosso país”, disse José Múcio, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
“Tem uma coisa importantíssima que é a previsibilidade orçamentária. Enquanto não se aprovar isso, seremos sempre os pedintes. Qualquer presidente que tiver que escolher entre colocar recurso na defesa ou na saúde, vai botar na saúde, ou na educação. Nos países que se preocupam com Defesa, tem uma previsibilidade de tantos por cento e ninguém mexe. Você prepara o resto do orçamento, separando o que foi para a Defesa. O que precisa aqui é previsibilidade orçamentária. No ano passado, investimos em torno de 1,1% do PIB, enquanto a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) recomenda que sejam 5%”, observou.
“O presidente Lula tem sido extremamente sensível com isso. Vamos ter um bom orçamento no ano que vem. Não é o que precisamos, mas é bom. Na nossa fronteira, temos 20 mil homens em 17 mil quilômetros. Não é nada. A República Dominicana tem 300 quilômetros de fronteira com o Haiti, e tem 13 mil homens lá. Precisamos ser mais rigorosos na defesa do nosso território”, ponderou José Múcio. “Mas veja, a questão dos recursos não é uma construção rápida. Quando você encomenda um produto de defesa, é o que mais se vende no mundo. Nada é no curto prazo. Precisamos ter previsibilidade para fazer o contrato e pagar as prestações. Há quatro anos falo diuturnamente nesse assunto”, completou.
Segundo ele, o Brasil precisaria investir entre 2,5% e 3% do PIB na Defesa. “Por conta da riqueza que somos. O Uruguai investe 2% do PIB, a Colômbia 3,2%, o Peru 2%. Estamos entre os menores investimentos da América Latina. Agora, defesa é investimento que não dá voto. É como plano de saúde, tem que ter o melhor e torcer para não precisar usar. Precisamos investir em defesa para dissuasão. Temos tudo o que se discute de valor no mundo. Temos petróleo, gás, quase 17 mil quilômetros de fronteira seca, 8.500 quilômetros de fronteira marítima, terras raras, a maior reserva de água doce, uma reserva florestal que o mundo se preocupa, então precisamos cuidar mais de nós. Nossos grandes adversários estão aqui. Precisamos saber o que queremos, o que somos”, concluiu.
Há três anos e nove meses comandando o Ministério da Defesa, o pernambucano José Múcio Monteiro conseguiu o que parecia impossível no início do Governo Lula (PT): pacificar a relação da classe política com as Forças Armadas, que foi ainda mais abalada logo na primeira semana de gestão, após os ataques de 8 de janeiro de 2023.
Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ele afirmou que sua intenção era apenas passar uma chuva na Esplanada, mas já é o segundo mais longevo na missão, atrás apenas de Nelson Jobim, que ficou entre junho de 2007 e agosto de 2011, entre as presidências de Lula e Dilma Rousseff (PT).
“Acho que foi da política que eu trouxe as ferramentas para trabalhar aqui no Ministério da Defesa. Foi por isso que o presidente Lula, quando me convidou, falou que iria me botar num lugar em que eu era necessário. Fomos uma ponte entre a política e as Forças, e tenho impressão de que conseguimos esse objetivo (de pacificar)”, celebrou José Múcio.
“Vim para passar um ano. Acho que fui a pessoa que mais entregou o lugar na vida pública brasileira (risos). E o presidente, que é um sedutor, me convencia a ficar mais um ano. Já sou o segundo mais longevo aqui no Ministério da Defesa”, brincou o auxiliar do petista.
José Múcio disse torcer pela reeleição do presidente no próximo mês, mas se mostra reticente quanto a continuar na pasta – e, consequentemente, bater o ‘recorde’ de Jobim. “Continuo torcendo pelo presidente. Estou querendo ir para a arquibancada. É aquele lugar que quero, vou pegar bandeira e vou torcer para que o presidente continue construindo esse país do jeito que ele imaginou”, concluiu José Múcio.
A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu, nesta terça-feira (8/9), em caráter de urgência, que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspenda a decisão de André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.
O documento, assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e por outros integrantes da direção da AGU, sustenta a existência de grave lesão à ordem pública e administrativa. As informações são do Metrópoles.
O órgão argumenta que o afastamento cautelar viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal. Além disso, destaca “que a descontinuidade abrupta na gestão do órgão compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional”.
Segundo a petição, o conjunto de fatos atrelado à produção e à divulgação de relatórios de inteligência da PF já se encontrava sob a condução direta da presidência da Suprema Corte desde 3 de setembro de 2026, nos autos da PET nº 16.704/DF.
Esse procedimento delimitou pontos de investigação e concedeu prazo de cinco dias úteis para manifestação de autoridades, inclusive dos diretores da PF afastados. Para a União, a decisão monocrática de André Mendonça antecipou juízos cautelares e submeteu ao referendo da Segunda Turma do STF matéria indicada pelo próprio ministro-relator como de competência do plenário.
Diante do quadro de urgência, a AGU requereu a concessão de liminar para suspender imediatamente o afastamento dos dirigentes e a subsequente confirmação do pedido no mérito até manifestação definitiva do órgão competente.
Se Pernambuco vive hoje uma disputa polarizada, a situação não é uma novidade. Quarenta anos atrás, o atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, viveu um momento parecido, enfrentando o ex-governador Miguel Arraes numa das eleições mais duras da história do estado. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o atual auxiliar de Lula relembrou com carinho aquele momento. “Eu existo por causa daquela derrota”, afirmou.
“Tudo valeu a pena naquela eleição. Não me arrependo de nada do que fiz. Depois dali, fui deputado federal por cinco mandatos, líder do governo Lula, ministro das Relações Institucionais, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e agora ministro da Defesa. Se não tivesse perdido aquela eleição, não teria a história política que construí ao longo dos anos”, reconhece o pernambucano.
Entre os principais momentos, José Múcio aponta o debate na TV Globo como aquele que não sai de sua cabeça, especialmente nos tempos atuais. “Não consigo esquecer do debate, um debate de respeito. Eu chamava doutor Arraes de senhor, pedia ‘por favor’, usando o que a elegância e a educação nos impõem fazer. Teve uma coisa curiosa. Eu tinha 37 anos e representava o passado, todo o contencioso político que havia. E Arraes com 70 anos representava o futuro. Os jovens votavam nele, enquanto os mais velhos votavam em mim. Mas foi uma coisa muito respeitosa. Ali fundamos uma amizade que perdurou até ele nos deixar, em 2005. Ele dizia que a vitória dele foi valorizada pelo estilo da campanha que impusemos. E eu existo por conta daquela derrota”, colocou José Múcio.
O ministro ainda fez um paralelo com o passado e o momento atual, por conta do risco que havia quanto à democracia, recém-conquistada em 1985. “Quando meu pai dizia que eu tinha que ser engenheiro, eu questionava minha vocação. Mas acho que ele acertou, porque sempre fui um construtor de pontes e estava presente nas polarizações. Em 1986, eu estava numa fase do passado e estávamos reconstruindo a democracia no Brasil. Dessa vez é a mesma coisa. Quando o presidente me chamou pra ser ministro da Defesa dele, não era minha vocação, mas vim para construir pontes. Pena que a política esteja tão polarizada e que as pessoas não respeitem as opiniões contrárias, que é o princípio básico da democracia. Nesse sentido, foi um trabalho parecido”, concluiu.
Se o leitor não conseguiu assistir a exibição ao vivo do podcast ‘Direto de Brasília’ com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, clique no link abaixo e confira. Está imperdível!