Foi realizado em Aracaju o XXV Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos. O evento aconteceu em paralelo com o 1º Fórum Latino-Americano da Água, que reuniu especialistas do segmento de todo o país, tendo como tema “Água e Sociedade: Resiliência, Inovação e Participação”.
O secretário de Recursos Hídricos e Saneamento de Pernambuco, Almir Cirilo, esteve presente e comandou a oficina que deu início aos trabalhos da Rede Alagoas Pernambuco de Monitoramento e Alerta de Inundações Urbanas (Realpe), da qual é coordenador.
“A Realpe foi criada a partir da percepção de que, como os dois estados compartilham muitas bacias hidrográficas, era necessário construir soluções e também ações conjuntas de prevenção aos eventos extremos de inundações e todos os estragos que elas trazem às populações dos dois estados, sejam causados por rios que nascem em Pernambuco e vão para Alagoas, seja o contrário”, explicou o gestor pernambucano.
O trabalho tem parceria com os governos das duas unidades federativas, Apac e as universidades federais de Pernambuco e Alagoas e tem financiamento do CNPq e da Facepe. O investimento soma R$ 1,6 milhão, que, em quatro anos, será empregado em ações para prevenção de enchentes. Em Pernambuco, o foco da Realpe está nas bacias dos rios Beberibe, Mundaú e Jacuípe. Estes dois últimos banham os dois estados.
De acordo com o secretário Almir Cirilo, com este recurso será possível ampliar a rede de monitoramento do nível dos rios, com o uso de novas tecnologias. “A ideia é levarmos um dispositivo desenvolvido pela Compesa de transmissão de dados do nível dos rios de forma remota e baixo custo, acoplados com sensores desenvolvidos na região. Os dispositivos serão instalados já em 2024, no Beberibe, Mundaú e Jacuípe”, comemorou.
Promovido pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRHidro), o XXV Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos é considerado o maior evento na área de gestão de recursos hídricos do Brasil.
A assessoria do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), informou nesta terça-feira (23), que não haverá sessões deliberativas no plenário nesta semana. De acordo com a informação, o Senado terá apenas sessões sem votação, assim como a Câmara, em um momento do ano em que os deputados tradicionalmente retornam às suas bases para as festividades de São João.
Na semana passada, Alcolumbre havia dito que poderia pautar nesta semana a PEC que estabelece uma aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. Após a declaração, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), disse que “semana que vem é muito tempo”.
A semana também marca um mês da aprovação da PEC do fim da escala 6×1 na Câmara. O indicativo dos senadores é de que a proposta permanecerá parada. Até o momento, a PEC sequer foi despachada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
A única decisão oficial do Senado até agora foi a de agendar uma sessão de debate temático em 1º de julho, às 10h, no plenário, para “discutir os impactos sociais, econômicos e produtivos” do fim da escala 6×1. Em 17 de julho, o Congresso entrará em recesso legislativo e não realizará mais votações até as eleições de outubro.
Outro fator que atravessa as negociações no Senado é a operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), por suposto vínculo com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Há incerteza sobre a permanência do petista no cargo, fundamental para as articulações do governo no Senado.
A PF suspeita que Wagner tenha recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que totalizaram R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. Em nota, Wagner nega que tenha atuado em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira em seu mandato parlamentar Sobre o imóvel citado pela PF, o senador declarou que ele não integra o patrimônio do líder do governo.
No pano de fundo, há expectativa para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retome o contato com Alcolumbre nos próximos dias. O diálogo está travado desde que o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
No momento em que é escrito o Correio Político, Jaques Wagner (PT-BA) permanece como o líder do governo no Senado. Há bastidores fortes no sentido de que ele possa entregar o cargo. É possível que sejam mais desejos de alguns — a pressão sobre ele está forte — do que de fato intenção, seja de Wagner seja do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tempo dirá.
Mas o fato é que o episódio pode promover mudanças na forma como Lula formatou seu terceiro governo na hipótese de vir mesmo a conquistar um cargo. No Lula III, o presidente deu grande espaço e poder para dois grupos, que ficaram conhecidos como República de Curitiba e República do Acarajé. Grupos que, de certa forma, se interconectam.
O primeiro traz aqueles que mais se aproximaram de Lula quando ele esteve preso em Curitiba. O segundo é a turma da Bahia, onde houve uma impressão de experiência petista bem sucedida nos últimos anos. Alguns nomes de um grupo e outro já tinham saído, como o deputado Paulo Pimenta (RS) da Secretaria de Comunicação — representante do primeiro grupo — e Rui Costa da Casa Civil, quadro forte do segundo grupo.
Na avaliação de quem acompanha o governo de perto, a experiência da prisão em Curitiba muito impactou Lula. E, nesse sentido, ele nutriu muito carinho e confiança a quem mais ele considera que esteve próximo dele naquele período. Isso inclui sua própria esposa agora, Janja da Silva, a quem muitos atribuem ter ampliado sua blindagem. Incluía também a deputada Gleisi Hoffmann, na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. Na disputa eleitoral, essas pessoas deixaram o governo para disputar cargos no Parlamento.
Esses grupos teriam substituído o núcleo duro original de Lula nos seus dois primeiros governos: a República de São Bernardo. Eram nomes que acompanham o presidente desde o início da formação do PT nas greves do ABC. Casos de Luiz Gushiken, Luiz Dulci, José Dirceu. Nomes que teriam mais liberdade para fazer um contraponto crítico a Lula.
No terceiro governo, Lula teria ficado mais blindado. Seus novos aliados já o conheceram presidente. Têm uma admiração distanciada que os antigos aliados, que cresceram com ele, não tinham tanto. Do novo grupo, um dos poucos que tinham essa capacidade, pela intimidade, era Jaques Wagner.
Da turma da Bahia, há muitas queixas internas à forma como agia na Casa Civil Rui Costa, que deixou o cargo para disputar o Senado pela Bahia. Não são poucos os ministros e ex-ministros que se queixaram de desprestígio, da forma como Rui Costa conduzia a pasta, de não serem bem tratados.
A força baiana veio da forma como o PT lá se consolidou nos últimos anos. Jaques Wagner foi reeleito governador em 2006. Reeleito em 2010. Rui Costa assumiu o governo 2014. Reeleito em 2018. Fez Jerônimo Rodrigues governador em 2022. Na eleição presidencial, Lula teve 72% dos votos baianos.
Se as eleições fossem hoje, o encanto baiano talvez tenha se quebrado um pouco. Derrotado em 2022, agora quem lidera as pesquisas na Bahia é o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Um levantamento da Quaest, porém, mostra aprovação do governo de Jerônimo em 56%. Será preciso ver se o caso Jaques Wagner provocará danos.
Iniciada a semana, Jaques Wagner discutiu a situação com Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, antes de uma possível reunião com Lula. O problema não envolve somente Jaques Wagner. A ponta do caso Master que envolve consignados fantasmas tem sua origem na Bahia, a partir do CredCesta.
Embora ainda tímida, há quem enxergue uma possibilidade de reaproximação de alguns integrantes dos grupos originais. Nomes como Gilberto Carvalho agora já estão na equipe de campanha, cuidando da agenda. Caso se eleja deputado federal, José Dirceu também deverá ter influência.
O ex-ministro Moreira Franco lançou, no último sábado (20), em Teresina, seu livro “Política como destino – Caminhos e descaminhos da redemocratização”. O lançamento da obra foi feito na Academia Piauiense de Letras, com apresentação do jornalista e cientista político Zózimo Tavares, ex-presidente da instituição. A sessão de lançamento foi conduzida pelo presidente da APL, professor e historiador Fonseca Neto, e contou com expressivo número de acadêmicos.
Com mais de mil páginas, o livro apresenta a trajetória acadêmica e política do ex-ministro e aborda episódios da chamada Nova República (1985 – 1990). A obra, publicada pela Topbooks, resulta de mais de 100 horas de entrevistasconduzidas pela socióloga Aspásia Camargo, com colaboração do filósofo Denis Rosenfield. A narrativa estrutura-se em formato de diálogo. O livro reúne relatos e bastidores das principais articulações políticas do país nas últimas décadas, além de um rico acervo fotográfico.
Em sua apresentação, o acadêmico Zózimo Tavares lembrou as raízes piauienses do autor, nascido em Teresina, onde foi contemporâneo e amigo do poeta Torquato Neto. Também destacou que, desde a juventude, Moreira Franco dedica-se às atividades acadêmicas e à política, tendo cursado a Faculdade de Economia da Universidade do Brasil e graduado-se em Sociologiae Políticapela Pontifícia Universidade Católica – PUC do Rio de Janeiro.
Fez cursos de mestrado no Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro – IUPERJ e de doutorado na Universidade de Paris. Foi Professor de Sociologia na Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense – UFF e Diretor-Presidente da Editora Nova Aguilar.
Na política
A vida pública de Moreira Franco tem início em 1974, quando foi eleito Deputado Federal pelo MDB-RJ. Elegeu-se ainda Prefeito de Niterói e, logo depois, Governador do Estado do Rio de Janeiro. Retornando ao Congresso Nacional em 1994, exercendo por duas legislaturas o mandato de Deputado Federal.
Foi Ministro de Minas e Energia, Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e Secretário-Executivo do Programa de Parceria de Investimentos – PPI. Desempenhou ainda as funções de Ministro-Chefe da Secretaria de Aviação Civil, Ministro-Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e Vice-Presidente da Caixa Econômica. Por duas vezes, ocupou a Presidência da Fundação Ulysses Guimarães – órgão de estudo, pesquisa e formação política do MDB.
A Prefeitura do Paulista realizou, nesta terça-feira (23), o pagamento antecipado da primeira parcela do 13º salário dos servidores municipais. A medida contempla servidores ativos e comissionados de todas as secretarias, além de aposentados e pensionistas e foi viabilizada por meio do planejamento financeiro da administração municipal.
O prefeito Severino Ramos destacou a importância da iniciativa. “Estamos trabalhando com responsabilidade e planejamento para honrar nossos compromissos e valorizar quem contribui diariamente para o funcionamento da cidade. A antecipação da primeira parcela do 13º salário demonstra nosso compromisso com os servidores municipais”, afirmou. Com informações do portal da Prefeitura Municipal de Paulista.
O senador Humberto Costa (PT) entregou, ontem (22), mais uma retroescavadeira ao município de Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. A entrega contou com a presença da prefeita Aninha da Ferbom e de vereadores do município, e marca a segunda máquina adquirida com emendas do parlamentar em um intervalo de apenas dois meses.
O município também recebeu um ônibus de Tratamento Fora do Domicílio (TFD), conquistado por indicação de Humberto Costa junto ao governo federal, ampliando o acesso da população a serviços de saúde especializados em outras regiões do estado.
Ainda na cidade, Humberto visitou o recém-reformado Mercado Municipal, e se comprometeu com a população a levar novos investimentos ao espaço público. “Nazaré da Mata merece investimento de verdade, e é isso que estamos fazendo. Cada máquina entregue representa estradas mais transitáveis, obras que saem do papel e qualidade de vida para o povo desta cidade. Vamos continuar trabalhando para que Pernambuco receba o que lhe é de direito”, afirmou o senador.
Mais cedo, Humberto Costa esteve reunido com o prefeito de São Lourenço da Mata, Vinícius Labanca, que declarou apoio à reeleição do parlamentar ao Senado Federal, ao lado de 13 vereadores do município. “O apoio do prefeito Vinícius Labanca e dos parlamentares de São Lourenço nos alegra e nos dá mais confiança para seguir em frentes”, disse Humberto.
Nesta terça-feira (23), véspera de São João, Humberto inicia a agenda em Ribeirão, na Mata Sul, onde faz a entrega de um trator. Depois, segue para um encontro com lideranças em Palmares e, em seguida, entrega uma patrol em São Benedito do Sul. A agenda se encerra no Sítio da Trindade, no Recife, onde Humberto participa da festa de São João da cidade ao lado do time de Lula em Pernambuco.
O Tribunal de Justiça do RN (TJRN) marcou para 1º de julho, às 9h, a sessão que vai analisar a promoção do juiz Henrique Baltazar ao cargo de desembargador. A pauta envolve o processo de acesso à vaga pelo critério de antiguidade e um incidente de recusa relacionado ao caso.
A definição da data ocorre após determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que apontou demora na tramitação e solicitou a realização de julgamento. A vaga está aberta desde a aposentadoria do desembargador Vivaldo Pinheiro, em outubro de 2025. Pelo critério de antiguidade, Henrique Baltazar aparece como o primeiro colocado entre os inscritos no Edital nº 2/2025-TJRN, seguido por outros magistrados.
O processo também passou a ser alvo de questionamentos internos no âmbito do Judiciário potiguar nos últimos meses. As discussões envolveram análises sobre a atuação funcional do magistrado na Vara de Execuções Penais de Natal. O caso chegou ao CNJ, que determinou a continuidade da tramitação da vaga.
Desembargador critica impasse
O desembargador Cláudio Santos durante sessão do Pleno do TJRN, criticou duramente mais um adiamento na promoção do juiz Henrique Baltazar ao cargo de desembargador. O magistrado manifestou forte indignação com os “incidentes de última hora” apresentados para postergar o processo, que já se arrasta por cerca de 240 dias — violando o prazo legal de 40 dias.
Em sua fala, Cláudio Santos defendeu com veemência o respeito ao critério constitucional de antiguidade e a independência da magistratura. Ele lembrou que Henrique Baltazar dedicou décadas de sua carreira a uma das áreas mais complexas e delicadas do Judiciário potiguar, a Vara de Execuções Penais de Natal, sem apresentar qualquer mácula em sua ficha que justificasse tal barreira.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, terá de decidir qual ministro ficará responsável por analisar uma notícia-crime que tenta vincular o financiamento do filme “Dark Horse” às investigações do Banco Master e à atuação internacional do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A definição foi encaminhada ontem (22) pelo ministro Alexandre de Moraes após a Procuradoria-Geral da República (PGR) defender que o caso seja enviado ao ministro André Mendonça.
A controvérsia surgiu após o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolar uma notícia-crime pedindo a ampliação do escopo do inquérito que investiga Eduardo Bolsonaro por supostos crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação e atentado ao Estado Democrático de Direito. As informações são do jornal O Globo.
Na petição, Lindbergh sustenta que o inquérito deveria passar a apurar também uma suposta conexão entre o financiamento do filme “Dark Horse”, valores que teriam sido negociados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e a campanha por sanções e restrições contra autoridades brasileiras.
O parlamentar também pediu a inclusão de Flávio Bolsonaro no escopo da investigação, o compartilhamento de provas produzidas nas apurações da Operação Compliance Zero e a adoção de uma série de diligências relacionadas ao caso.
Ao analisar a petição, a PGR afirmou que os fatos narrados por Lindbergh já são objeto de um procedimento específico que tramita no Supremo sob a relatoria de André Mendonça, uma petição vinculada às investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Master.
Segundo a manifestação da PGR, a notícia-crime trata de suposto financiamento ilícito do filme sobre Bolsonaro, cujos valores teriam sido negociados por Flávio Bolsonaro junto ao banqueiro investigado na Operação Compliance Zero. Por essa razão, o órgão defendeu que o caso fosse redistribuído ao gabinete de Mendonça por prevenção.
Moraes, porém, não acolheu nem rejeitou o pedido da Procuradoria. Em vez disso, determinou o desentranhamento da notícia-crime e o envio do caso à Presidência do STF para análise sobre qual ministro deve conduzir o procedimento.
Na prática, caberá agora a Fachin decidir se há conexão suficiente para remeter o caso a Mendonça, se os fatos devem permanecer vinculados ao inquérito relatado por Moraes ou se a petição deve ser distribuída livremente a outro integrante da Corte.
O ex-ministro do Turismo e pré-candidato a deputado federal pelo Podemos, Gilson Machado Neto, admite uma contradição que, hoje, marca o campo da direita em Pernambuco. Embora tenha confirmado apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), ele reconhece que o cenário ideal seria vê-la declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.
Raquel, porém, segue “em cima do muro”. Enquanto esse gesto não acontece, Gilson diz apostar na derrota do PSB como prioridade política. Gilson afirma que a maior parte das lideranças conservadoras do Estado já decidiu caminhar com Raquel em 2026, apesar de a governadora manter a estratégia de não assumir publicamente um palanque presidencial.
“A grande maioria, 90%, 95%, já declarou apoio a Raquel”, afirmou, ao ser questionado sobre o posicionamento da direita pernambucana. O ex-ministro disse esperar que haja entendimento entre a governadora e o grupo bolsonarista para que Flávio Bolsonaro tenha espaço no palanque estadual.
“Eu espero que Flávio tenha espaço no palanque dela”, declarou. Ainda assim, deixou claro que a decisão de apoiar Raquel independe desse acerto. “Eu, Gilson Machado, vou hoje apoiar a Raquel Lyra.” Questionado se Raquel poderia continuar “em cima do muro”, respondeu que o apoio será mantido desde que ela não declare voto no presidente Lula (PT).
“Desde que ela não declare apoio ao Lula, seguimos com ela”, resumiu. Mesmo reconhecendo que o cenário ideal seria um posicionamento explícito da governadora, Gilson relativizou a necessidade de um palanque formal para a candidatura presidencial. “Nós queremos, sim, que ela declare apoio. Claro, quem não quer?”, disse. Em seguida, ponderou que o desempenho de Flávio não dependerá necessariamente desse gesto. “Eu acho que o voto para presidente não depende do voto da governadora.”
Para justificar a aliança, Gilson afirma que a prioridade do grupo é impedir a volta do PSB, através da candidatura de João Campos, ao Palácio do Campo das Princesas. “O meu voto é ‘não João’. Não PSB. Eu tenho responsabilidade política e compromisso com o futuro do Estado”, declarou.
Na avaliação do ex-ministro, apoiar Raquel tornou-se a alternativa mais viável para unificar a direita, ainda que a governadora preserve a neutralidade na disputa presidencial e não ofereça, por enquanto, o palanque que os aliados de Flávio Bolsonaro gostariam de ter em Pernambuco.
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23), a Operação Miragem, contra supostas fraudes no Banco Digimais. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 670 milhões contra investigados, como é o caso do líder da Igreja Universal, Edir Macedo, dono do banco.
A suspeita é de que o banco tenha usado fundos de investimentos para maquiar um rombo bilionário. A reportagem buscava o contato com a defesa dos investigados até o fechamento deste texto.
Entre os alvos das buscas, estão dirigentes do Digimais, como é o caso do bispo João Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo, e seu filho, Thiago Urbaneja. Os executivos do banco Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero também foram alvos de buscas. O bispo Edir Macedo não foi alvo de buscas por residir fora do Brasil.
A PF ainda cumpre buscas em endereços de José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, donos da ID, gestora dos fundos do Digimais. Eles são suspeitos de ajudar na maquiagem contábil.
A Polícia Federal afirma que após Edir Macedo assumir o controle do banco, ele passou a focar em crédito consignado e financiamento de veículos. Houve, segundo a PF, um breve período de crescimento e depois uma “severa” deterioração, com prejuízos expressivos.
Entre 2023 e 2024, então, o banco passou a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI.
Segundo a PF, a emissão dos CDBs atrelada à “posterior decretação de liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, evidenciou uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do Banco Digimais a carteiras de crédito da instituição”.
De acordo com investigadores, o banco passou a fazer “sistemática superavaliação de ativos inseridos nos fundos administrados pela corretora ID.
Essa manobra, de acordo com a PF, teve o “o escopo de inflar artificialmente o patrimônio do Banco Digimais para viabilizar a emissão desproporcional de títulos de captação consubstancia fortes evidências da prática de gestão fraudulenta e de inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis”.
Em maio, o Estadão mostrou que diversos fundos de investimentos do banco haviam sido usados para maquiar prejuízos multimilionários. Uma dessas operações foi apontada pela própria auditoria independente que o banco é obrigado a contratar para entregar suas demonstrações financeiras ao Banco Central. A holding de Edir Macedo, que controla o banco, comprou R$ 741 milhões das cotas que o Digimais tinha em participação de um Fundo de Direitos Creditórios chamado Hermon.
O Hermon não é dono de um ativo rentável a curto prazo. O fundo comprou o direito a receber uma indenização judicial obtida por herdeiros da antiga Companhia de Mineração e Siderurgia foi encampada — ou seja, teve o seu controle acionário assumido — pela ditadura de Getúlio Vergas, em 1940, no processo de criação da Vale do Rio Doce.
A Justiça Federal do Rio condenou a União a indenizar acionistas — e seus herdeiros legais — em valores atualizados equivalentes a 7 mil ações da Vale. O fundo estima ter R$ 2,2 bilhões a receber. A ação judicial é dos anos 1990 e o cálculo do pagamento gera controvérsia na Justiça, o que pode levar anos a ser resolvido.
Segundo a Polícia Federal, com uso de uma longa teia de fundos da ID adquiriu esses ativos por R$ 71 milhões, mas diversas reavaliações de seu patrimônio inflaram esse valor para R$ 741 milhões.
Na antevéspera de São João, dois pré-candidatos ao governo de Pernambuco botaram lenha na fogueira para não perder a chama da competitividade. Para isso, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) contaram com os aliados, em municípios estratégicos.
Raquel Lyra prestigiou a festa em Gravatá, no Agreste, ao lado do prefeito Padre Joselito (Avante) e da primeira-dama, Viviane Facundes (PSD). “Há boas décadas, como filha de Caruaru, frequento o São João de Gravatá e tenho a alegria de hoje mais um ano como governadora estar nessa festa que a cada ano vem se reinventando”, declarou à imprensa.
A governadora já participou de festejos juninos em Caruaru, Bezerros, Salgueiro, Araripina e avisou que nos próximos dias estará em Surubim e Carpina. Ontem chegou com a vice Priscila Krause; os prefeitos de Amaraji, Araújo Guimarães; Jaboatão, Mano Medeiros; de Passira, Severino Silvestre, e alguns secretários.
João Campos ficou “em casa” e repetiu a programação de quando era gestor do Recife. Depois de circular no Sítio da Trindade, em Casa Amarela, no domingo, participou ontem do 21º São João 60+, festa para quem tem 60 anos ou mais, realizada no Classic Hall, e que reuniu mais de seis mil pessoas.
“Hoje é dia de dançar forrar e agradecer porque a gente é nordestino”, disse, ao lado do prefeito Victor Marques (PCdoB); do secretário de Direitos Humanos do Recife, Marco Aurélio Filho; e do Rei e Rainha 60+, Ivan Ribeiro, 70 anos, e Maria das Dores, 92 anos.
De novas, as viaturas policiais que desfilaram ontem por avenidas do Recife só têm mesmo a fabricação. Na prática, não acrescentam nada à frota da segurança pública estadual, que está apenas passando por uma troca de carros de uma categoria mais elevada — as SUVs Renault Duster locadas em 2023 — pelas minivans Chevrolet Spin de 2026.
Ainda assim, a três meses das eleições, o Governo Raquel Lyra segue promovendo medidas de impacto visual para enganar desavisados, em uma demonstração de que ações de fachada são mesmo uma especialidade desta gestão.
O problema, porém, vai além dos artifícios pirotécnicos e envolve um aumento injustificado de gastos com a mesma quantidade de viaturas. O contrato de 2023, dos veículos Duster, tinha um custo mensal de R$ 3.747,49 por carro. Já o de 2026, das Spin, chega a R$ 6.239,64, o que representa 66,5% de sobrepreço.
Não à toa, o valor global da contratação saltou de R$ 99,8 milhões, no primeiro ano do atual governo, para R$ 209,2 milhões em 2026, um incremento de 109,5%. Quem vai ter que apurar por que o governo de Raquel está pagando mais que o dobro por carros menores e em quantidade igual à das viaturas que já existiam antes são os órgãos de controle, que costumam precisar de mais tempo para se debruçar sobre as burocracias dos contratos.
Já o eleitorado, que terá que tomar uma decisão sobre os rumos de Pernambuco em pouco mais de 90 dias, precisará refletir se os desfiles de viaturas são suficientes para botar bandidos na cadeia. As estatísticas dizem algo diferente. Nelas, Pernambuco aparece como o terceiro estado mais violento do país.
Pelo visto, até aqui, a pirotecnia não vem servindo ao povo. Esses números negativos jogam por terra o marketing de qualquer governo. São tão tóxicos quanto os tetos que caem sobre as cabeças de pacientes nos hospitais públicos ao mesmo tempo em que as fachadas são cuidadosamente pintadas a tempo do período eleitoral.
PURA MAQUIAGEM – Semanas atrás, o povo pernambucano descobriu que, na saúde, o Governo Raquel Lyra vem usando e abusando de uma maquiagem que já derreteu. Pelo visto, na segurança pública a aposta tem sido a mesma. Quantos inocentes perderão suas vidas por acreditarem em uma falsa sensação de segurança vendida à base de sirenes e carros enfileirados? As estatísticas, menos sujeitas à magia dos retoques, é que vão dizer.
Do alavantú ao anarriê – O neodireitista Túlio Gadelha, pré-candidato ao Senado pelo PSD, vem chamando a atenção não apenas por estar mais alinhado do que nunca ao campo da direita e dos conservadores, mas também porque, nas pesquisas divulgadas até o momento, seu nome não ultrapassou a faixa de 7% das intenções de voto. O que parecia ser um “alavantú”, um movimento para a frente, tem se transformado em um verdadeiro “anarriê”, passo atrás. Em vez de avançar, sua pré-candidatura demonstra dificuldades para ganhar tração, permanecendo estagnada nas pesquisas. Esse desempenho alimenta especulações sobre sua viabilidade eleitoral e sobre a possibilidade de deixar a chapa majoritária, em meio ao que alguns classificam como um “ostracismo ideológico”.
Bolsonaristas com Raquel – O ex-ministro do Turismo e pré-candidato a deputado federal pelo Podemos, Gilson Machado Neto, admite uma contradição que, hoje, marca o campo da direita em Pernambuco. Embora tenha confirmado apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), ele reconhece que o cenário ideal seria vê-la declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. Raquel, porém, segue “em cima do muro”. Enquanto esse gesto não acontece, Gilson diz apostar na derrota do PSB como prioridade política. Gilson afirma que a maior parte das lideranças conservadoras do Estado já decidiu caminhar com Raquel em 2026, apesar de a governadora manter a estratégia de não assumir publicamente um palanque presidencial.
Espaço para Flávio no palanque – O ex-ministro disse esperar que haja entendimento entre a governadora e o grupo bolsonarista para que Flávio Bolsonaro tenha espaço no palanque estadual. “Eu espero que Flávio tenha espaço no palanque dela”, declarou. Ainda assim, deixou claro que a decisão de apoiar Raquel independe desse acerto. “Eu vou hoje apoiar a Raquel Lyra.” Questionado se Raquel poderia continuar “em cima do muro”, respondeu que o apoio será mantido desde que ela não declare voto no presidente Lula (PT).
Risco zero de anulação – A defesa do senador Jacques Wagner (PT-BA), líder que balança, mas não cai do Governo no Senado, recorreu ao STF para anular a decisão que autorizou a busca e apreensão contra o parlamentar na semana passada. Mas as chances de anulação são perto de zero. A polícia suspeita da atuação parlamentar do senador em temas de interesse do Master, como na tramitação de propostas sobre crédito consignado e o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e ainda durante a fiscalização parlamentar sobre a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A PF apontou uma correlação entre essas atuações e supostas “vantagens econômicas indevidamente” recebidas por Wagner.
CURTAS
LICENÇA – Jaques Wagner, aliás, vai pedir licença do cargo de líder do governo no Senado, posto que ocupa desde o início do governo Lula. Apesar de Wagner ter dito que continuaria “na liderança até que o presidente peça que eu me retire” e que achava “muito difícil” que Lula o ejetasse, sua permanência se tornou impossível, segundo o colunista Lauro Jardim.
BENESSES – Em meio a discussões sobre benesses concedidas a servidores do Judiciário, juízes e procuradores aprovaram novas regras para permitir que as férias de 60 dias sejam parceladas em 12 vezes no ano. A mudança, na prática, pode aumentar o número de dias de descanso.
A VICE? – Sem alarde, a ex-presidente da Caixa no governo Bolsonaro, Daniella Marques, se filiou ao Republicanos no início do ano. Sua filiação a um partido político leva alguns aliados de Flávio Bolsonaro a especular sobre seu nome como eventual candidata a vice.
Perguntar não ofende: Quem vai ser o segundo senador de Raquel?
O senador Fernando Dueire (PSD) disse, em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM na manhã desta segunda-feira (22), que “não vê sentido” em disputar outro cargo que não a reeleição para o Senado Federal. O congressista ressaltou, ainda, que tem legitimidade para disputar uma das vagas à Casa Alta na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD).
“Não me sinto fazendo política distrital, porque (…) tenho um olhar federativo, um olhar para o conjunto. Desenvolvi isso. (…) Tenho um olhar amplo. E nisso em que encontro o meu propósito. É por isso. Não é por ser senador, não é por serem oito anos (de mandato). Não tenho questão pessoal, não é vaidade, não é nada. É a questão do propósito do mandato”, declarou.
O senador exaltou feitos e enumerou qualidades que o fazem estar, segundo ele, na posição legítima de disputar a reeleição na chapa de Raquel Lyra. Afirmou que obras importantes executadas pela governadora têm a digital dele, mencionando a Adutora do Agreste, a BR-232, e pacotes de investimentos que tiveram relatoria dele no Senado.
“Estou legitimado, porque sou candidato natural (à reeleição), tenho o apoio de mais de 100 prefeitos, sou limpo, testado e com (…) um mandato que honra a sucessão de Jarbas (Vasconcelos, ex-senador, de quem foi suplente). Estou muito tranquilo em relação a isso. A decisão soberana, vendo os pesos e as medidas, será da governadora. E é preciso, com clareza, que a gente não bote projeto pessoal nisso”, disse.
O parlamentar também afirmou não ver o nome dele ter saído da lista de especulação de nomes para compor a chapa da governadora. “Está muito central (o nome dele na disputa). Disso tenho muita convicção pela experiência que vivo no meu dia a dia. Cada dia recebo mais adesão e consideração da governadora”, avaliou.
Além de Dueire, estão cotados para compor as duas vagas ao Senado na chapa de Raquel o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), o deputado federal e presidente da União Progressista em Pernambuco, Eduardo da Fonte (PP), e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil).
Respeito O senador cobrou respeito dos aliados da governadora Raquel Lyra que já se colocam como candidatos ao Senado. Na avaliação do congressista, alguns postulantes têm se apresentado – indevidamente, na visão dele – como se já tivessem sido escolhidos pela chefe do Executivo estadual. Dueire ressaltou que, no calendário de Raquel Lyra, até a convenção há tempo para analisar cada um dos nomes colocados.
“Fico muito desapontado quando percebo pretensos candidatos fazendo propaganda para estar num espaço da chapa. Acho isso ruim. Não é hora disso. É a hora em que precisamos respeitar o momento da governadora. Ela está conversando com todo mundo, com todos esses pretensos candidatos ou pré-candidatos a estarem na chapa dela”, disse.