Por Malu Gaspar – O GLOBO
A rejeição histórica do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) foi resultado de uma articulação que mobilizou integrantes da tropa de choque bolsonarista, capitaneados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ministro Alexandre de Moraes e, acima de tudo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que trabalhou até o último minuto para impor a derrota ao governo Lula.
Messias obteve apenas 34 votos favoráveis, sete a menos que os 41 exigidos pela Constituição. Ao todo, 42 senadores votaram contra, formando um placar que não era esperado nem pelos mais pessimistas aliados de Lula e que supera um precedente histórico: antes de Messias, apenas o governo Floriano Peixoto havia tido indicações para o STF rejeitadas, cinco ao todo, em 1894.
Leia maisSegundo relatos obtidos pela equipe da coluna, Alcolumbre passou os últimos dias pedindo votos “não” e pressionando lideranças do Senado, principalmente do Centrão e os considerados “independentes”, passando o recado de que se perdessem a oportunidade de derrotar Messias, não adiantaria depois pedir para que ele colocasse em pauta um dos 97 pedidos de impeachment de ministros que ele mantém engavetados.
De acordo com fontes envolvidas nas conversas, o presidente do Senado não se comprometeu a pautar nenhum pedido de impeachment, mas foi bem sucedido ao convencer os senadores de que a derrubada do indicado de Lula seria um passo necessário para chegar lá.
“Ele ligou para vários senadores para pedir votos contra”, confidenciou um interlocutor de Alcolumbre. Um dos alvos de pressão foi o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), que anunciou publicamente apoio a Messias, mas foi cobrado a enquadrar a bancada – formada por sete senadores – e entregar o menor número possível de votos “sim”.
Conhecido por nunca atender o celular, o presidente do Senado passou o tempo todo ao telefone falando com parlamentares, em especial os que já estivessem na campanha contra Messias ou estivessem em dúvida. Nas conversas, repetia frases como “faça o seu papel que eu farei o meu” e terminava dizendo que “hoje será um dia histórico”.
Antes do anúncio oficial do placar, Alcolumbre sussurrou no ouvido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em uma fala captada pelo microfone: “Acho que ele vai perder por oito”.
Um aliado de Bolsonaro disse ao blog que, um dia antes da sabatina, recebeu a seguinte mensagem de Alcolumbre sobre a votação: “Nós vamos derrotar ele”.
Fator Flávio
De acordo com os relatos, porém, a articulação de Alcolumbre contou com o esforço de Flávio Bolsonaro e de lideranças como o senador Rogério Marinho, que além de líder da oposição no Senado, é coordenador da campanha presidencial.
Nos últimos dias, Flávio se reuniu pelo menos duas vezes com grupos de senadores, além de ter feito conversas reservadas e reuniões fechadas com vários outros, especialmente os do Centrão.
Num café da manhã na terça-feira (28) com integrantes do bloco Vanguarda, formado por 18 senadores, o filho “zero um” de Jair Bolsonaro disse que uma eventual aprovação de Messias só iria politizar ainda mais o Supremo e classificou o chefe da AGU como um quadro ideológico do PT – alguém que seria sempre subordinado aos interesses do presidente Lula, mesmo após a nomeação.
Além disso, a derrubada de Messias abriria espaço para ele mesmo indicar o próximo ministro do Supremo caso vença as eleições de outubro, mudando o jogo de forças no tribunal e quem sabe até permitindo a revisão de sentenças e processos contra o bolsonarismo. Alinhado com esse discurso, aliados de Flávio, como Sergio Moro (PL-PR), aproveitaram suas falas na sabatina para dizer que o governo não deveria ter direito de indicar ministros em ano eleitoral.
Aliados de Flávio calculam que ele tenha conseguido virar inclusive votos do Centrão em outra reunião da qual participaram mais de 30 senadores, acenando com pesquisas de opinião que mostram a desconfiança recorde da população em relação ao Supremo e apontando para a “vontade popular” de que alguns ministros sofram impeachment.
A articulação foi arrematada por reuniões secretas entre Alcolumbre, Flávio e aliados, em que foi feito um pacto de silêncio. Nenhum deles devia abrir para ninguém os detalhes do que estava sendo discutido, nem que havia chances concretas de Messias ser rejeitado.
A ordem de manter o segredo foi distribuída aos integrantes da oposição, junto com a orientação de não fazerem nenhum discurso no plenário no momento da votação. A ideia era fazer tudo rápido, para não dar tempo aos senadores governistas de reagir quando ficasse claro que a derrota era iminente.
De fato, quando perceberam que poderiam perder, senadores como Eduardo Braga (MDB-AM) e Jaques Wagner começaram a cogitar pedir o adiamento da sessão. Mas acabaram concluindo que poderiam ganhar, ainda que com placar apertado, e preferiram bancar o risco.
Antes de Flávio entrar em campo contra Messias, a expectativa era a de que o ministro de Lula conseguisse pelo menos quatro votos de “traição” dentro do PL – especialmente de parlamentares evangélicos que poderiam atender o pedido do ministro do Supremo André Mendonça, um dos que mais trabalhou para ter o advogado-geral da União como colega.
A ofensiva do senador, porém, anulou não só o esforço de Mendonça como a estratégia da Secretaria de Relações Institucionais de Lula de acelerar a liberação de emendas em troca de votos. “O resultado mostrou que o governo Lula está à deriva”, resumiu um interlocutor do presidente do STF, Edson Fachin.
Entre aliados de Flávio e integrantes da tropa de choque bolsonarista no Senado, que apostam na bandeira anti-STF para conquistar a maioria da Casa nas próximas eleições, a votação de Messias foi encarada como uma oportunidade para o Senado “mostrar o mínimo de altivez”.
Lição
A postura nos bastidores contrasta com os recados enviados a integrantes da base lulista de que Alcolumbre não ajudaria, mas também não atrapalharia as pretensões de Messias.
“A verdade é que Alcolumbre sempre atuou contra Messias. Mas fazia jogo duplo”, definiu outro interlocutor do presidente do Senado, destacando que Alcolumbre sempre quis a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e ficou contrariado com a decisão de Lula de optar por Messias sem avisá-lo ou consultá-lo previamente.
Na avaliação de outro aliado do presidente do Senado, Alcolumbre quis dar uma lição a Lula ao articular pela derrota de Messias no plenário. “É para mostrar que as coisas não andam nem funcionam sem o apoio dele”, afirmou.
Correlação de forças
A indicação de Messias também contrariou os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, que preferiam a escolha de Pacheco, que atua na órbita dos dois e é considerado um magistrado de perfil mais político, com mais habilidade na relação com o Parlamento em um momento em que se multiplicam no Congresso os pedidos de impeachment contra integrantes do STF.
Messias, por outro lado, era encarado pela dupla como um potencial aliado de Mendonça, relator do caso Master no STF. Num momento em que a Corte está mergulhada numa crise de credibilidade sem precedentes, a chegada de um novo ministro altera a correlação de forças e pode fazer a diferença em julgamentos que dividam o plenário.
Mas tudo isso não adiantou, em uma votação realizada a menos de seis meses da eleição, com as pesquisas mostrando Lula e Flávio tecnicamente empatados em um eventual segundo turno – e o índice de desconfiança do STF alcançando patamares recordes.
“O Senado vocaliza o sentimento da sociedade brasileira com essa interferência e a falta de sintonia entre o que quer a sociedade e a maneira como se comportam alguns ministros. É um recado ao próprio governo federal”, disse o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN).
“Estamos no meio de um processo pré-eleitoral e de uma crise moral das instituições, em especial do Judiciário, que está sob o foco dessas investigações. Então, é razoável que aguardemos o desfecho das eleições e quem ganhar as eleições, com a legitimidade do voto, tenha a possibilidade de fazer a indicação.”
Antes do resultado no plenário, um ministro do primeiro escalão do governo Lula assim resumiu a via-crúcis do chefe da AGU: “Messias está sendo julgado por crimes que não cometeu”.
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O Congresso Nacional abriu a sessão desta quinta-feira (30), na qual os parlamentares vão analisar se mantém o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto que reduz penas de condenados pelos ataques aos Três Poderes, o chamado PL da Dosimetria.
Na prática, o projeto de lei permite a redução de penas de condenados por atos golpistas, incluindo os ataques de 8 de janeiro de 2023. Na lista de possíveis beneficiados, está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações são do g1.
Leia maisA reunião do Congresso ocorre um dia após uma derrota histórica do governo no parlamento, já que o Senado rejeitou nesta terça (29) a indicação, feita por Lula, de Jorge Messias, atual advogado-geral da União (AGU), para ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Projeto do Congresso
O Congresso aprovou o que ficou conhecido como PL da Dosimetria em dezembro do ano passado.
Imediatamente, o presidente Lula prometeu que vetaria a medida, o que fez em 8 de janeiro deste ano- dois anos após os atos de vandalismo. Agora, o parlamento tem a prerrogativa de negar a decisão de Lula, ou seja, derrubar o veto e possibilitar que a diminuição das punições vire lei.
Para derrubada do veto, serão necessários 257 votos de deputados e mais 41 votos de senadores.
A tendência é que a oposição ao governo Lula atinja o número suficiente para tornar lei a redução das penas. Pois, na aprovação original do projeto, a Câmara registrou 291 votos a favor e 148 votos contra, além de 1 abstenção; e o Senado 48 votos favoráveis, 25 contrários e um senador se absteve.
Caso de Jair Bolsonaro
Bolsonaro está há pouco mais de um mês em prisão domiciliar por questões de saúde.
Mas, em tese, segue em regime fechado, pois foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe. Segundo a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, ele só poderá passar do regime fechado para o semiaberto dentro de sete anos, em 2033.
Especialistas estimam que, se o PL da Dosimetria virar lei, o ex-presidente tem chance de migrar de regime em um prazo menor, que varia entre dois e quatro anos.
Isso porque o texto impede a soma de dois crimes:
➡️Pela medida, vale a pena do crime mais grave — golpe de estado —, acrescida de um sexto até a metade.
➡️O projeto também prevê redução da pena de um a dois terços quando os crimes ocorrerem em contexto de multidão, desde que o réu não tenha financiado os atos nem exercido papel de liderança.
Caberá ao STF recalcular as punições de cada um dos réus.
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Por Blog do Valdo Cruz – G1
Logo depois da derrota, a oposição já anunciava: não adianta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandar um novo nome para o STF antes das eleições. Será derrotado.
Reservadamente, ainda no plenário depois de o placar mostrar que o governo perdeu de 42 a 34, senadores da oposição afirmavam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), garantiu a eles que não coloca nenhum novo nome para ser sabatinado antes das eleições.
Leia maisSegundo um senador do PL, Alcolumbre assumiu esse compromisso com a oposição e vai cumpri-lo.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmava considerar que realmente não há clima para uma nova indicação antes das eleições.
“A derrota não foi do Jorge Messias, foi do governo Lula, que decidiu colocar seus interesses particulares acima de tudo na indicação para o Supremo”, afirmou.
Pré-candidato à Presidência pelo PL, o senador Flavio Bolsonaro (RJ) afirmava na saída do plenário que a indicação tem de ser por aquele que for eleito o próximo presidente.
O filho do ex-presidente Bolsonaro está empatado tecnicamente com o presidente Lula nas pesquisas de intenção de voto.
Assessores do presidente Lula dizem que ele ainda não fez uma avaliação sobre o que fazer, afinal não estava nas previsões do governo uma derrota no Senado.
Lula pode encaminhar um outro nome, mas terá de medir se será derrotado novamente ou não. Indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) poderia ser um caminho.
Assessores, porém, não recomendam porque seria se curvar às pressões de Alcolumbre, que sempre defendeu o nome do amigo para a vaga no STF.
A possibilidade de encaminhar o nome de uma mulher, negra, era defendida por senadores governistas ontem após a derrota.
Mas um aliado lembrava que, agora, ficaria muito ruim, porque seria a admissão de que Lula só decidiu pensar na indicação de uma mulher para a vaga depois da derrota histórica.
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O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) realizou, nesta quarta-feira (29), a posse solene do desembargador eleitoral Marcelo Labanca Corrêa de Araújo, que passa a ocupar vaga destinada à classe dos advogados na Corte. A cerimônia, realizada na Sala do Pleno, contou com a presença de autoridades dos Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, além de membros do tribunal, servidores, familiares e representantes da advocacia.
Entre os presentes, esteve a presidente da OAB Subseção São José do Egito, Hérica Nunes Brito, que acompanhou o ato. Em seu discurso, o novo desembargador destacou o combate à desinformação como um dos desafios para as eleições de 2026. “A presença da advocacia nesses espaços não é apenas representativa, é essencial para o fortalecimento democrático”, afirmou Hérica Nunes.
Por Roseann Kennedy – Estadão
A oposição comemorou a rejeição ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal como se representasse o desfecho da eleição presidencial deste ano. O resultado, na noite desta quarta-feira, 29, foi festejado pelos bolsonaristas em plenário aos gritos de “fora, Lula!”.
O placar expõe o declínio político do atual governo, que não consegue articular nem a própria base no Congresso. Sequer tem votos para aprovar um indicado ao STF. Ao amargar uma de suas maiores derrotas, o presidente Lula passa à população um recado de fraqueza.
Leia maisÉ com essas premissas que os opositores do Planalto trabalham, apostando que o eleitor tende a não votar em quem tem indicativo de malogro. Com a iminente derrubada do veto de Lula ao projeto da dosimetria, o cenário com clima eleitoral é amplificado.
Se a rejeição de Messias deixa clima de ressaca para o Planalto, o calendário legislativo promete não dar trégua. Interlocutores do governo já admitem, nos bastidores, que Lula sofrerá nova derrota hoje na sessão do Congresso que votará os vetos presidenciais.
Com isso, o bolsonarismo vai comemorar novamente a debilidade da atual gestão e justamente numa pauta que custa ainda mais caro a Lula: a redução das penas dos condenados do 8 de Janeiro, que beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também em clima eleitoral, a oposição afirma que a rejeição de Messias tem gosto de impeachment de ministro do STF. E que manda um recado de que elegerá a maioria do Senado e terá ainda mais força na Casa no ano que vem para dar andamento a pedidos de cassação de ministros do Supremo.
Líderes governistas dizem que seria necessário pelo menos uma semana a mais para tentar superar o baque da votação e voltar a pedir união da base. Mas adiar a sessão dependeria de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a quem se credita o maior empenho para derrotar Messias.
Bastidores da derrota de Messias
Parte dos governistas saiu do plenário nesta quarta-feira avaliando que seria melhor Lula indicar logo o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), nome defendido por Alcolumbre desde o início para o STF, para abrandar a relação com o Senado.
Outro congressista com mais tempo de Casa, que já foi líder em várias gestões e com passagem por ministério, entretanto, concluiu: Se Lula indicar Pacheco, também terá de pedir a benção a Alcolumbre e entregar de vez a chave do Planalto a ele.
Recém-empossado ministro das Relações Institucionais, José Guimarães não conseguiu mudar a relação do Senado com o Planalto. Sobre isso, o líder de uma das maiores bancadas governistas afirmou à Coluna: “Guimarães fala a linguagem da Câmara, mas não entendeu ainda esse bicho chamado Senado”.
Horas antes da votação, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que, superadas essas duas pautas, pelo menos será página virada. Na prática, tempo para focar na PEC 6×1 e nas composições eleitorais.
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JORNAL O PODER
No dia 26/04/1926, domingo próximo, às 11h31m, estará completando dois anos do sinistro ocorrido no prédio do Memorial da Medicina de Pernambuco. Em 26/04/2024, aconteceu o desmoronamento do beiral do primeiro andar da parte posterior da edificação. Todo o prédio foi interditado no mesmo dia.
Esse acidente produziu uma enorme fresta na parte superior da parede posterior do prédio, dando passagem para a entrada de água de chuva, o que logo ocorreu, inundando todo o Museu da Medicina, que tinha 3.200 peças, ficando a maior parte danificada. Ocorreu o mesmo com o Instituto Pernambucano de História da Medicina.
Leia maisPosteriormente, as instalações da Academia Pernambucana de Medicina sofreram o desmoronamento do teto de gesso por infiltrações vindas do primeiro andar, danificando suas coleções de livros, relatórios e documentações. Exceto o escoramento do prédio para evitar maiores danos, nada mais foi feito nesse prédio pela Universidade Federal de Pernambuco.
Passividade
A comunidade e os médicos recifenses assistem à destruição da antiga Faculdade de Medicina do Recife, pelo tempo e pelas chuvas, sem nada ser feito, inclusive neste ano em que se celebra o Jubileu de Ouro de formatura da primeira turma de médicos em Pernambuco, em 25 de dezembro de 1925.
Providências urgentes são o que se impõe. E que esperamos que aconteça.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), protagonizou um momento inusitado durante a votação no Senado Federal para a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal). Segundos antes de o resultado com a rejeição ser exibido no telão do plenário, Alcolumbre deixou o microfone aberto e teve sua fala captada pelos presentes.
Ao encerrar a votação, Alcolumbre se voltou para o líder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA), e sussurrou a previsão sobre a derrota de Messias. “Ele vai perder por oito”, disse Alcolumbre, em voz baixa, mas audível pelo microfone que permanecia ligado. A frase foi pronunciada instantes antes de a Secretaria-Geral da Mesa exibir o placar oficial no painel do plenário. As informações são da CNN.
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Quando o resultado foi finalmente divulgado, confirmou-se que Messias havia perdido exatamente por oito votos, tal como havia sido sussurrado momentos antes. O momento foi destacado como um dos mais marcantes da sessão.
O Senado rejeitou, por 42 votos a 34, a indicação de Messias ao STF. O advogado-geral da União passou pelo crivo do Congresso depois de cinco meses de impasse envolvendo a indicação feita pelo Planalto.
Questionado sobre o acontecimento, a assessoria da Presidência do Senado enviou a seguinte nota:
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi questionado pelo líder do governo, senador Jaques Wagner, sobre o placar da votação e, como outros parlamentares que, ao longo dos últimos dias, vinham fazendo avaliações, deu sua opinião. Isso só reafirma e demonstra a experiência do presidente da Casa em votações.
Assessoria de Imprensa
Presidência do Senado
Horas depois da derrota no Senado, o presidente Lula (PT) e aliados mapearam traições na votação que culminou na rejeição do nome de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal) na noite de quarta-feira (29).
Em reunião na residência oficial da Presidência, o Palácio da Alvorada, logo após o fim da votação, integrantes do governo e aliados identificaram dissidências no MDB e no PSD, em um conluio conduzido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). As informações são da Folha de S. Paulo.
Leia maisAlém da atuação de Alcolumbre, colaboradores do presidente apontam a participação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em um “conluio”, nas palavras de um deles, para impedir a nomeação de Messias.
Articuladores do governo relatam que o acordo entre o grupo de Moraes e Alcolumbre teria sido selado durante um jantar na noite de terça-feira (28), na residência oficial do presidente do Senado, com o intuito de evitar nova correlação de forças na corte.
Após a publicação da reportagem, Moraes enviou nota para dizer que não participou do jantar e que, naquela noite, estava em casa com um grupo de pessoas, entre eles, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ex-ministro Ricardo Lewandowski, em uma homenagem ao ex-secretário nacional de segurança pública, Mário Sarrubo.
Ao manifestar simpatia pela adoção de um código de ética no tribunal, como deseja o presidente do STF, Edson Fachin, Messias teria contrariado o grupo de ministros crítico à iniciativa.
Pacheco era o escolhido de Alcolumbre para pleitear a vaga no Supremo, enquanto Lula reiterava a intenção de ter o senador como seu candidato ao Governo de Minas Gerais, em busca de um palanque forte no estado. Lula acabou por indicar Messias após conversas com os envolvidos, mas ainda a contragosto do chefe do Senado.
Entre aliados de Lula, suspeitas recaem sobre o ex-ministro dos Transportes Renan Filho e seu pai, o senador Renan Calheiros, ambos do MDB de Alagoas. A desconfiança é que teriam votado contra a indicação de Messias em solidariedade a Bruno Dantas, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) que cobiçava a vaga do tribunal.
Aliados do presidente apostam na exoneração de indicados de Alcolumbre, como os ministros Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações). Segundo participantes da reunião, Lula mostrava serenidade, enquanto buscava confortar Messias.
O AGU teve 34 votos a favor da indicação (sete a menos que o necessário) e 42 votos contrários. Essa foi a primeira rejeição a um indicado do presidente da República ao STF desde 1894.
Entre o fim da votação no Senado e convocação da reunião entre os membros do governo, Lula e Messias se falaram por telefone. Além da preocupação com o estado emocional de Messias, aliados do presidente contam que ele costuma repetir que “não se deve tomar decisões a 39 graus de febre”.
Por conta disso, qualquer reação é esperada para a semana que vem, após o feriado e a identificação dos responsáveis pela derrota.
Ainda durante o encontro, a agenda do presidente com a programação para esta quinta-feira (30) foi publicada informando uma reunião com o Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, como primeiro compromisso do dia. Embora aliado de Hugo Motta (Republicanos-PB), Feliciano é um indicado do partido de Alcolumbre, o União Brasil.
Na saída do Congresso, a caminho do Alvorada, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirmou que o momento é de agir com inteligência, não com fígado. Ainda durante a sabatina, Guimarães esteve no Palácio da Alvorada para conversar com o presidente. No Congresso, chegou a dar como certa a aprovação do AGU com mais de 41 votos, o mínimo necessário.
Com a rejeição de Messias, Guimarães enfrenta uma derrota em uma de suas principais missões desde que assumiu a chefia da articulação política do governo no lugar de Gleisi Hoffmann (PT).
Durante a sabatina, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) também visitou Lula. O presidente teria questionado ao senador como estaria o clima para a sabatina e para a aprovação, ao que Wagner informou que tudo corria bem.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou, em conversa com aliados na noite dessa quarta-feira (29), que deve escolher um novo nome e não pretende deixar para o próximo governo a prerrogativa de indicar um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Reunido com aliados do governo no Palácio da Alvorada, Lula afirmou que deve escolher um novo nome para a Corte, ainda que não de forma imediata. A expectativa, segundo relatos, é que a indicação ocorra nas próximas semanas. As informações são do g1.
A posição foi discutida após a rejeição, pelo Senado Federal, do nome de Messias, indicado pelo presidente. Lula disse a interlocutores que recebeu com tranquilidade a decisão do Congresso Nacional. Messias, inclusive, estava na reunião.
Leia maisApesar disso, a votação acendeu alertas no Palácio da Alvorada. Aliados que participaram da reunião avaliaram que o placar — com apenas 34 votos favoráveis ao indicado — evidenciou traições dentro da base.
Ao longo do encontro informal, auxiliares do presidente, incluindo ministros ligados ao Centrão e não apenas petistas, avaliaram que houve falhas na articulação política no Congresso. Segundo eles, lideranças não conseguiram antecipar que o resultado no plenário seria desfavorável ao indicado.
Quando ficou claro, já durante a sessão, que Messias poderia ser rejeitado, articuladores do governo de outros partidos ainda tentaram adiar a votação. A tentativa, porém, não foi acatada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Outro ponto debatido na reunião foi o impacto do episódio na relação do governo com lideranças do Congresso. O nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) oi citado durante a conversa como alguém que teria votado contra o indicado.
O episódio reforçou, entre os presentes, a leitura de que o presidente deve agir rapidamente para garantir sua indicação ao STF ainda durante o atual mandato.
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O empresário e pré-candidato a deputado federal Robson Ferreira (Podemos) afirmou, em vídeo gravado no Moda Center Santa Cruz, em Santa Cruz do Capibaribe, que o setor de confecções pode ser impactado por uma proposta de aumento de tributos sobre malhas importadas. Segundo ele, cerca de 50% da matéria-prima utilizada no polo vem da China e a possível taxação de US$ 5,50 por quilo elevaria o custo do insumo de aproximadamente R$ 25 para R$ 60. “Os importadores não vão trazer mais malha, vai faltar produto aqui no Brasil. Consequentemente, confecções vão quebrar”, declarou.
A tentativa de comemorar antes da hora terminou em constrangimento público e, mais revelador ainda, em silêncio digital. A governadora Raquel Lyra (PSD) apagou o post em que celebrava antecipadamente um resultado que não lhe pertencia. O gesto, longe de apagar o erro, escancarou o tamanho do equívoco.
A pressa em capitalizar politicamente um fato — a ida de Jorge Messias para o STF, quando aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, sem ter sido votada em plenário — acabou transformando uma tentativa de protagonismo em um grande mico político.
Leia maisO episódio simboliza mais do que um deslize isolado. A governadora teria se apressado em comemorar a possível aprovação do pernambucano Jorge Messias ao STF — algo que sequer dependia dela ou que tenha contado com alguma contribuição sua — e acabou surpreendida pela rejeição histórica do nome no Senado Federal.
O desfecho não apenas frustrou a narrativa construída previamente, como expôs uma leitura política equivocada e precipitada. O mais grave, porém, não foi o erro em si — comum na política —, mas a tentativa de apagá-lo como se nunca tivesse existido.
Ao deletar a postagem, a governadora reforçou a percepção de improviso e fragilidade estratégica. Em tempos de hiperexposição digital, apagar não é corrigir: é admitir que se falou antes de pensar.
O episódio também revela um traço recorrente: a busca por protagonismo em agendas que não controla, numa tentativa de se inserir em narrativas nacionais sem o devido lastro político. O resultado, nesse caso, foi um contraste constrangedor entre a euforia antecipada e a realidade institucional, que se impôs de forma dura e pública.
No fim das contas, a sequência foi didática: comemorou, errou, apagou — e virou notícia justamente por isso. Em política, o timing é tudo. E, dessa vez, ele jogou contra. Mas a postagem está disponível acima para quem não viu conferir.
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Diante das frequentes quedas de energia em Pernambuco, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), junto com o deputado federal Lula da Fonte (PP), apresentou o Projeto de Lei nº 1930/2026, que obriga concessionárias a ressarcirem integralmente consumidores por danos materiais causados por falhas na prestação de serviços. A proposta também se estende a outros serviços públicos, como o abastecimento de água.
Pelo texto, os usuários terão direito à reparação por prejuízos como alimentos estragados, equipamentos danificados e perdas em pequenos negócios. O projeto prevê a simplificação do processo de comprovação dos danos, com foco em facilitar o acesso à indenização por pessoas físicas, microempresas e empresas de pequeno porte.
A proposta também estabelece a possibilidade de indenização por danos morais coletivos em casos de interrupções reiteradas e graves. “Não é justo que a população continue pagando a conta pela má prestação de serviços essenciais. Quem sofre prejuízo com queda de energia, falta de água ou falhas graves precisa ter o direito garantido de ser ressarcido de forma rápida e justa”, afirmou Eduardo da Fonte.
Alcolumbre desmoraliza Lula
A maior derrota de Lula tem um algoz: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP). Nos bastidores, ele articulou voto a voto para desmoralizar o governo, mostrando força e liderança. Nunca na história se viu algo tão avassalador. Nunca um governo errou tanto na articulação e na condução do processo.
A derrota materializada ontem foi anunciada e prevista desde novembro, quando o próprio presidente do Senado liderou uma rebelião contra a indicação de Jorge Messias, porque queria e defendia outro nome bem mais assimilável: o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O governo foi alertado o tempo todo que Messias não passava.
Leia maisMas Lula quis testar a sua força, seu prestígio e o poder da máquina no enfrentamento a Alcolumbre, um político até então sem pedigree, representante de um Estado de pouca densidade eleitoral. A mídia noticiou a liberação de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares para aprovar Messias a todo custo.
Mas Lula subestimou o poder de Alcolumbre. Ontem, o presidente do Senado conversou com pessoas de diversos matizes políticos e, em pelo menos três dessas conversas, confidenciou que ontem seria um dia histórico. É claro que estava seguro de que iria derrotar o governo e desmoralizar Lula.
Um integrante da base lulista chamou a derrota de Messias de “gigantesca” e disse que essa é “a maior crise política do governo Lula neste seu terceiro mandato”. Uma derrota maiúscula que Davi Alcolumbre impõe a Lula. Para ele, “o caso Master contribuiu para a derrota de Jorge Messias”.
DERROTA HISTÓRICA – O Senado rejeitou um nome ao Supremo Tribunal Federal (STF) após 132 anos, impôs uma derrota histórica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e barrou a indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) à Corte. O revés para o governo tensiona ainda mais a relação com o Congresso, a menos de seis meses da eleição. Messias teve 34 votos a favor da indicação, sete a menos que o necessário. Foram 42 votos contrários. Mais cedo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias teve 16 votos em sabatina marcada por um clima de apreensão de governistas diante da falta de segurança sobre se ele seria aprovado.

A mão invisível do algoz – Quatro senadores ouvidos pelo blog, sob reserva, relataram que Alcolumbre entrou em contato com parlamentares de centro, oposição e indecisos ao longo do dia, pedindo voto contrário a Messias e estimulando que esses senadores também buscassem convencer outros colegas. Procurada, a assessoria do presidente do Senado negou veementemente que ele tenha pedido votos contra Messias. Nos bastidores, a estimativa de senadores envolvidos na articulação era de um bloco entre 26 e 31 votos contrários — patamar que não impediria a aprovação, mas reduziria a margem do governo e daria um sinal político ao Planalto.
Sem plano B – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não trabalha com outro nome para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem afirmado a pessoas próximas que não vai indicar outro nome na hipótese de rejeição pelo Senado do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), o que se concretizou ontem. Lula vinha reforçando ao seu entorno que não cogita um plano B para o posto vago após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Messias teve 34 votos, sete a menos do que o mínimo necessário.
O sexto recusado – Com o resultado, Messias se torna o sexto nome recusado pelo Senado para o STF em toda a história da República — todas as outras ocorreram no século XIX. Durante a sabatina, Messias buscou atrair votos da oposição e de parlamentares mais conservadores ao se declarar “totalmente contra o aborto”, fazer menções a Deus e à sua religião evangélica, além de defender que o STF deve exercer autocontenção e respeitar os limites entre os Poderes.

Raquel pé-frio – A governadora Raquel Lyra, segundo o jornal O Poder, é um verdadeiro pé frio, vive pegando carona em programas e feitos alheios. Assim escreveu José Nivaldo Júnior ao ver Raquel comemorando com antecedência a vitória de Jorge Messias na CCJ do Senado: “Amorcegando feitos dos outros, como se falava em Caruaru antigamente. Dessa vez, a esperteza foi demais e comeu a esperta. Sem nunca ter movido um biliro pela aprovação de Jorge Messias, indicado por Lula para o STF, correu para ser a primeira a comemorar o feito e sair bem na fita. Como se diz no popular, quebrou a cara. Como já se sabe, Messias perdeu pela primeira vez na história uma indicação presidencial para o STF. Raquel teve de engolir essa.”
CURTAS
REVÉS 1 – A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado engrossa a lista de derrotas marcantes deste mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso. O revés para o governo tensiona ainda mais a relação com o Congresso, a menos de seis meses da eleição.
REVÉS 2 – Em junho do ano passado, o Congresso aprovou o projeto de decreto legislativo que anula o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciado pelo governo Lula no mês anterior e que passou por idas e vindas. O texto passou na Câmara e no Senado na mesma noite. Desde 1992, um decreto presidencial não era barrado pelo Congresso, o que impôs uma derrota histórica ao Planalto.
REVÉS 3 – Em dezembro, o Congresso aprovou o projeto de lei que altera regras de dosimetria e reduz a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O texto foi vetado integralmente por Lula no mês seguinte. O Legislativo ainda não analisou os vetos do presidente.
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O deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE) se reuniu, nesta quarta-feira (29), em Brasília, com os ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, e do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, para tratar de medidas que podem afetar o Polo de Confecções do Agreste pernambucano. Entre os temas discutidos estão a não aplicação de medidas antidumping e o possível aumento da alíquota de importação sobre produtos de poliéster.
A pauta envolve diretamente o setor têxtil da região, que abrange municípios como Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, e depende desses insumos para a produção. Segundo o parlamentar, a discussão tem sido acompanhada desde o ano passado, em articulação com gestores municipais, lideranças locais e representantes do setor produtivo.
O encontro contou ainda com a participação do ex-prefeito de Santa Cruz do Capibaribe José Augusto Maia. Durante a agenda, também foi feito convite aos ministros para o lançamento do programa Recria Moda Santa Cruz, previsto para a próxima segunda-feira (4), iniciativa voltada à reciclagem de tecidos no Agreste.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, disse após a derrota no Senado que passou por um processo de “desconstrução” durante a campanha pela vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele recebeu 34 votos, sete a menos do que o mínimo necessário para ser aprovado.
— Lutei o bom combate, como todo cristão. Sei que a minha história não acaba aqui. Eu tenho 46 anos, tenho história, tenho currículo, tenho uma vida limpa. Passei por cinco meses um processo de desconstrução da minha imagem. Toda a sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso— disse Messias. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisEle afirmou também que se submeteu, ao longo de cinco meses, por um escrutínio e foi recebido por 78 senadores em seu périplo por votos no Senado. Mesmo com a reprovação, ele diz ser grato a Deus e afirma que “cumpriu seu desígnio”.
— Hoje participei de uma a uma sabatina de coração aberto, de alma leve, um espírito franco. Falei a verdade, falei o que penso, falei o que sinto demonstrei o que sinto. Agora, a vida é assim, gente. Tem dias de vitórias e tem dias de derrotas. Nós temos que aceitar. O Senado é soberano.
Ainda, Messias também destacou que não precisa de um cargo público para sustentá-lo que sua trajetória “não acaba aqui”
— Não preciso de um cargo público para me sustentar. Continuo minha vida com estudo e mérito.
O Senado rejeitou nesta quarta-feira um nome ao STF após 132 anos e impôs uma derrota histórica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O revés para o governo tensiona ainda mais a relação com o Congresso, a menos de seis meses da eleição. Messias teve 34 votos a favor da indicação, sete a menos que o necessário. Foram 42 votos contrários.
Ele foi indicado por Lula para ocupar uma vaga na Corte há mais de cinco meses, mas enfrentou resistências da oposição e, principalmente, da cúpula do Senado, sobretudo do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Mais cedo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias teve 16 votos em sabatina que foi marcada por um clima de apreensão de governistas diante da falta de segurança se ele seria aprovado.
O resultado torna o chefe da AGU o primeiro nome indicado ao STF a ser rejeitado na redemocratização brasileira. A última vez que isso ocorreu foi em 1894, no governo Floriano Peixoto.
— Para mim foi uma surpresa., estávamos esperando 44 ou 45, mas cada um vota com sua consciência — disse o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), evitando dizer se a derrota seria uma traição. — Não vou adjetivar.
Auxiliares de Lula creditam a derrota no Senado a uma articulação de Alcolumbre contra Messias. Inicialmente considerado um dos pontos de governabilidade de Lula 3, o senador se afastou do Planalto e passou a criticar publicamente o governo federal após o chefe do Executivo indicar Messias para a vaga no Supremo –e não Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado de primeira hora do presidente do Senado.
Até a noite da véspera da sabatina, auxiliares de Lula atuavam para que Alcolumbre fizesse um gesto público de apoio a Messias, o que não ocorreu. Pacheco, por sua vez, posou para foto com o chefe da AGU na tarde de terça em evento que oficializou o apoio da bancada do PSB ao ministro.
O silêncio do presidente do Senado foi motivo de conversas paralelas ao longo da sabatina de Messias na CCJ, com alguns parlamentares sugerindo um movimento nos bastidores de Alcolumbre contra o nome de Messias. No fim da manhã, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), deu a entender que Alcolumbre estaria atuando nesse sentido. A jornalistas, respondeu a uma pergunta falando dessa possibilidade em tom de ironia.
— Se ele estiver operando contra é um bom sinal. Deve estar vendo que (Messias) vai ganhar — disse Wagner.
Quatro senadores afirmaram ao GLOBO, sob reserva, que o movimento de Alcolumbre foi em cima de parlamentares do centro, da oposição e indecisos. Segundo eles, o presidente do Senado teria procurado esses nomes e estimulado o voto contrário ao chefe da AGU. A assessoria de imprensa de Alcolumbre foi procurada e negou qualquer atuação do senador nesse sentido.
De acordo com uma pessoa que acompanhou as conversas, o Planalto foi informado no começo da tarde sobre um suposto movimento de Alcolumbre para impor a derrota a Messias. Num primeiro momento, auxiliares de Lula telefonaram para senadores para buscar entender se havia algum novo movimento nesse sentido.
Com a divulgação de notícias tratando dessa possibilidade, aliados de Messias telefonaram para o presidente do Senado, que não atendeu às chamadas. O senador passou a maior parte do dia na residência oficial da presidência do Senado e chegou à Casa pouco antes da proclamação do resultado da votação na CCJ.
O resultado da votação pressiona também Lula às vésperas das eleições. Nos últimos meses, o petista viu seu principal adversário na disputa, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se consolidar na corrida eleitoral e, em algumas pesquisas de intenção de votos, ultrapassá-lo numericamente.
Até mesmo um aliado de primeira hora do petista reconhece que essa derrota traz danos políticos à imagem de Lula, além de colocar em dúvida o capital político do chefe do Executivo, num momento em que o governo busca sinalizar ao centro na tentativa de atrair eleitores e apoios políticos nesse grupo. Ele minimiza, no entanto, o peso que isso terá na hora da eleição, afirmando que Lula poderá adotar um discurso de embate com o Congresso Nacional.
A sabatina
Durante a sabatina, Messias defendeu mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF), condenou o aborto e enalteceu Deus em suas falas na sabatina para uma vaga à Corte, numa sinalização à oposição e em busca de votos de senadores desse grupo.
Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga aberta pela aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, e chega a esta quarta-feira sob pressão e sem a garantia de que terá o seu nome chancelado no Senado. A votação é secreta.
A indicação de Messias à Corte contrariou a cúpula do Senado e, principalmente, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que trabalhava pelo nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Aliados do chefe da AGU dizem que, além de fazer gestos à oposição, o ministro também faz falas para distensionar a relação com esses senadores. Em sua fala inicial na sabatina, por exemplo, elogiou nominalmente Pacheco, com quem se reuniu na terça.
— Quero enaltecer a atuação de Rodrigo Pacheco na condução da PEC 8/21 — disse Messias, em referência à Proposta de Emenda à Constituição que trata de normas do Judiciário, como prazo de pedidos de vista e concessão de medidas cautelares.
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