Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitou o seu tempo de fala durante a sabatina de Jorge Messias, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, nesta quarta-feira (29), para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Em sua fala, o parlamentar ainda defendeu a anistia e questionou Messias sobre o assunto. As informações são da CNN.
Leia maisIndicação, sabatina e votação
Messias foi indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em novembro do ano passado. Nessa época, ele já passou a percorrer os gabinetes dos senadores em busca de votos. A indicação foi formalizada somente em abril.
Após a sabatina na CCJ, a indicação de Messias será votada no mesmo dia pelo plenário do Senado. Se aprovado, o indicado estará apto a assumir a função de ministro da Suprema Corte.
Para ser aprovado, um indicado ao STF precisa alcançar um patamar mínimo de votos favoráveis.
A votação será secreta nas duas etapas. Logo, não é possível saber como cada parlamentar votou, apenas o placar geral do resultado.
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Por Rinaldo Remígio
Num país de dimensões continentais, múltiplas realidades e uma história marcada por lutas democráticas, torna-se cada vez mais inquietante observar que, em períodos eleitorais, o debate político frequentemente cede espaço à hostilidade, à radicalização e ao medo.
Não é preciso ser cientista político, analista ou estudioso das estruturas de poder para perceber o cenário: basta ao cidadão comum abrir os olhos, ouvir os discursos, acompanhar as redes sociais ou observar o comportamento de determinadas lideranças. O que se vê, muitas vezes, não é a defesa equilibrada de projetos para o futuro, mas uma retórica alimentada por antagonismos, acusações mútuas e narrativas que insistem em tratar adversários como inimigos irreconciliáveis.
Os extremos, sejam de qualquer vertente ideológica, parecem encontrar força não necessariamente na construção de soluções, mas na exploração do receio popular. De um lado, sustenta-se a ideia de que a volta de determinado grupo representaria retrocesso absoluto; de outro, propaga-se o temor de que a permanência do oponente consolidaria fracassos irreversíveis. O eleitor, então, muitas vezes, é conduzido não pela esperança, mas pelo medo.
Leia maisEssa lógica é perigosa.
A democracia não se fortalece quando a alternância de poder é tratada como tragédia, nem quando o processo eleitoral é transformado em campo de guerra emocional. Pelo contrário: o regime democrático se sustenta justamente na convivência entre diferenças, na liberdade de escolha e na capacidade institucional de garantir que governos passem, ideias sejam debatidas e a nação permaneça.
Quando líderes elevam constantemente o tom, reforçando divisões e estimulando paixões extremadas, o país perde. Perde estabilidade, perde maturidade institucional e, sobretudo, perde a capacidade de unir esforços em torno de problemas reais que afligem a população — fome, desigualdade, segurança, educação, saúde e geração de oportunidades.
A verdadeira grandeza política não reside em aprofundar rachaduras sociais, mas em construir pontes.
O Brasil precisa, urgentemente, reencontrar o equilíbrio. Precisa compreender que discordar faz parte da democracia, mas demonizar o outro corrói suas bases. Precisa recordar que governantes são transitórios, mas a nação é permanente.
Às vésperas de novas eleições, o maior desafio talvez não seja apenas escolher representantes, mas preservar a serenidade coletiva diante de discursos inflamados. O país necessita de líderes que inspirem confiança, responsabilidade e pacificação — não de figuras que prosperem na divisão.
A democracia brasileira continuará sendo testada. E sua força não dependerá apenas de urnas ou pesquisas, mas da capacidade de seu povo compreender que nenhuma ideologia, quando tomada pelo extremismo, serve plenamente ao interesse nacional.
No fim, uma nação verdadeiramente forte não é aquela em que todos pensam igual, mas aquela onde diferentes pensamentos coexistem sem destruir o sentimento de pertencimento comum.
O Brasil precisa menos de guerra política e mais de compromisso com sua própria reconstrução institucional, moral e social.
Porque nenhum projeto de poder pode ser maior que o próprio país.
*Professor universitário aposentado, administrador, contador, historiador e mestre em economia
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Em sua fala de apresentação, antes de começar a ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), nesta quarta-feira (29), Jorge Messias falou sobre o que chamou de “identidade evangélica”.
“Minha identidade é evangélica, todavia eu tenho plena clareza que o Estado constitucional é laico, uma laicidade clara, mas colaborativa que fomenta o diálogo construtivo entre o estado e todas as religiões em prol da fraternidade”, disse o indicado de Lula ao STF. As informações são do g1.
Leia maisMessias também fez consideração sobre a cobrança de parlamentares a questões de costumes, como o “direito à vida”.
“Sem discriminações o edifício Cristão também evoca a proteção irrestrita da família, a proteção integral das nossas crianças e adolescentes e a defesa da inviolabilidade do direito à vida claramente no artigo quinto caput da Constituição Federal”, comentou.
Ele foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) após Luís Roberto Barroso anunciar sua aposentadoria da Corte.
Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 45 anos e é natural de Pernambuco. Está no governo desde o início da terceira gestão Lula, em 2023.
Saiba os principais pontos da trajetória de Jorge Messias:
➡️ Tomou posse na AGU em 2023, no início do governo Lula. Antes mesmo da nova gestão começar, já integrava a equipe de transição;
➡️ Servidor público desde 2007, com atuação em diversos órgãos do Executivo, como o Banco Central (2006-2007) e o BNDES ();
➡️ É considerado um nome de confiança de Lula, com apoio de ministros do PT e da ala palaciana;
➡️ Mantém relação próxima e leal com o presidente, desde os tempos do governo Dilma Rousseff.
➡️Como advogado-geral da União, defendeu as instituições democráticas, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF), diante das ameaças do governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump;
➡️Também liderou ações judicias ligadas a pautas consideradas estratégicas para o governo Lula, como a defesa do decreto do IOF, derrubado no Congresso, e a regulamentação de redes sociais.
Desde que assumiu o comando da Advocacia-Geral da União (AGU), Messias desempenhou papel central na estratégia jurídica do governo Lula, liderando ações em frentes consideradas sensíveis para o Planalto.
Entre os principais casos, está a atuação na tentativa de reverter, no Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão do Congresso Nacional que sustou o decreto do Executivo que previa um aumento nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A medida era considerada fundamental para o governo fechar as contas públicas. O caso gerou uma queda de braço entre governo e Congresso que envolveu a separação dos poderes e a autonomia do governo na condução da política fiscal.
Após o STF ser convocado a se manifestar, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, decidiu manter quase a totalidade do decreto do governo que aumentou o IOF.
Messias também se colocou como uma voz atuante nas discussões sobre a regulamentação das redes sociais, apoiando juridicamente iniciativas do Executivo para estabelecer regras mais rígidas contra desinformação e discursos de ódio nas plataformas digitais.
Em janeiro do ano passado, a AGU enviou uma notificação extrajudicial para que a Meta — empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp — informasse, em um prazo de até 72 horas, como iria garantir o cumprimento legal da obrigação de combater crimes como racismo e homofobia em suas plataformas.
A notificação foi a primeira reação oficial do governo após a Meta anunciar que iria encerrar seu programa de checagem de fatos, que minimizava a circulação de fake news, e relativizou discursos preconceituosos e de ódio, principalmente contra imigrantes, população LGBTQIA+ e mulheres.
A Meta respondeu, esclarecendo que a medida era tomada apenas para a atuação das plataformas em território norte-americano.
Messias também usou as redes sociais para defender as pautas. “Aqui não é terra sem lei, obviamente. Nosso ordenamento jurídico já oferece anticorpos para combatermos desordem informacional. Portando, não vamos ficar de braços cruzados”. Relembre aqui.
Em julho de 2025, o ministro também afirmou, em nota da AGU, que o Brasil tomaria “todas as medidas adequadas” para defender sua soberania e instituições, após sanções dos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Moraes e a esposa foram sancionados com a Lei Magnistky, usada pelo governo norte-americano para punir estrangeiros . Na comunicação, a AGU classificou as sanções como “grave e inaceitável ataque à soberania do nosso país”.
Por conta dos posicionamentos, ele também entrou na lista de autoridades brasileiras que tiveram o visto norte-americano revogado.
“Diante desta agressão injusta, reafirmo meu integral compromisso com a independência constitucional do nosso Sistema de Justiça e recebo sem receios a medida especificamente contra mim dirigida. Continuarei a desempenhar com vigor e consciência as minhas funções em nome e em favor do povo brasileiro”, afirmou o ministro à época, em nota.
Evangélico, Messias participou de uma reunião de Lula com lideranças evangélicas no Palácio do Planalto, em 16 de outubro.
O nome de Messias para uma vaga na Suprema Corte contou com o apoio de alguns membros da bancada evangélica no Congresso, inclusive de parlamentares que não são governistas.
Inclusive, o ministro já foi acionado pelo governo Lula em outros momentos para construir pontes com a bancada e com a população evangélica. Em uma postagem nas redes sociais, Lula disse que o encontro foi “especial, de emoção e fé”.
O presidente afirmou que, durante a reunião, o pastor relatou o crescimento da igreja evangélica no país e o acolhimento aos fiéis.
Lula relatou ter recebido presentes durante o encontro: a Bíblia do Culto do Ministro e a edição de ouro do Centenário de Glória da Igreja. Uma oração também foi feita durante a reunião.
Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), é mestre pela Universidade de Brasília (UnB). Ingressou na Advocacia-Geral da União como procurador da Fazenda Nacional, função voltada à cobrança de dívidas fiscais de contribuintes inadimplentes com a União.
Ao longo da carreira, ocupou diversos cargos estratégicos no Executivo: foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior no Ministério da Educação e consultor jurídico nos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Também atuou como procurador do Banco Central e do BNDES.
Em 2022, integrou a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Foi anunciado para o comando da AGU em dezembro daquele ano e tomou posse em janeiro de 2023. A instituição tem papel central na assessoria jurídica da Presidência e na representação da União junto ao Supremo Tribunal Federal.
Durante o governo Dilma Rousseff, Messias ocupou o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos (SAJ).
Ficou conhecido nacionalmente após ter seu nome citado em uma conversa entre Dilma e Lula, interceptada pela Operação Lava Jato. Na gravação, seu nome foi ouvido como “Bessias”, por conta da qualidade do áudio.
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A prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT), recebeu nesta terça-feira (28) dois prêmios do Sebrae na etapa estadual do Prêmio Prefeitura Empreendedora. O município foi reconhecido nas categorias Sala do Empreendedor, com o projeto Sala Diamante, e Sustentabilidade e Meio Ambiente, com o Recicla+ Serra Talhada.
De acordo com dados da gestão, a Sala do Empreendedor ultrapassou 7 mil atendimentos, com ações de orientação e acesso a crédito. Já o Recicla+ Serra Talhada ampliou a coleta seletiva e soma mais de mil toneladas de resíduos reciclados. “Receber esse reconhecimento é motivo de muita alegria”, afirmou a prefeita.
Por Betânia Santana – Blog da Folha
Mais de dez dias depois de cumprir agenda pelo interior de Pernambuco — a última foi no dia 13, em Vitória de Santo Antão —, o pré-candidato da Frente Popular ao governo, João Campos (PSB), retoma as andanças pelo estado.
Vai reforçar a presença no Agreste a partir de amanhã e, até domingo, tem visitas confirmadas em, pelo menos, seis municípios.
O roteiro começa por Garanhuns, cujo prefeito Sivaldo Albino (PSB) é aliado. Chega à tarde, vistoria as obras no Hospital de Amor, uma parceria dos governos federal e municipal, e entrega a Sala Azul, na Escola Municipal Pacífico Carlos Zoby.
Leia maisVai receber o Título de Cidadão Honorário de Garanhuns, no fim da tarde. A mesma honraria será entregue ao deputado federal Silvio Costa Filho.
João Campos também será agraciado com a Medalha Oswaldo Ferreira da Silva em referência póstuma a seu pai, o ex-governador Eduardo Campos, que morreu em 2014. A medalha também será entregue à pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT).
O dia em Garanhuns termina na abertura do Festival Viva Garanhuns, ao lado de líderes locais e regionais.
O feriado de 1º de maio, na sexta-feira, está reservado para três municípios comandados por aliados: Panelas, onde prestigia o 52º Festival Nacional de Jericos, ao lado do prefeito Ruben Lima, é um deles.
Também está na lista Sanharó, para o Bingo do Trabalhador, no Pátio de Eventos, com o prefeito César Freitas; e o dia termina no 11º Festival da Carroça de Burro, ao lado de Josafá Almeida, prefeito de São Caetano.
No sábado, será a vez de Pesqueira. Participa da filiação do Delegado Rossine ao PSB, a partir das 19h, no Clube União.
João Campos está sendo aguardado no domingo em Bom Jardim. Participa da posse da nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, às 9h.
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Por Valdo Cruz – G1
A oposição quer impor nesta semana uma derrota dupla ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e busca rejeitar o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e derrubar os vetos ao projeto de redução de pena dos condenados na trama golpista, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No caso dos vetos, a oposição já dá como certa uma vitória. No de Messias, trabalha para impor a derrota a Lula na votação prevista para esta quarta-feira (29).
Lula está transformando a aprovação do nome de Jorge Messias para o STF em uma questão pessoal.
Leia maisEle tem dito que a indicação é uma prerrogativa dele, e a aprovação, do Senado. Mas entende que uma rejeição só virá se houver uma traição e vingança de senadores que costumam votar com o governo, seguindo uma articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O presidente da República tentou convencer Alcolumbre a fazer um gesto público pelo menos de imparcialidade, mas até hoje não teve sucesso. Pelo contrário, nos bastidores, Alcolumbre tem sinalizado que, se depender dele, Jorge Messias está entregue à própria sorte.
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar (PSD-BA), espera uma sabatina longa, mas acredita que Jorge Messias será aprovado na comissão com 17 a 18 votos a favor.
E irá repetir o placar da recondução de Paulo Gonet para a Procuradoria Geral da República no plenário do Senado, quando teve 45 votos favoráveis, quatro além do mínimo necessário.
A oposição, comandada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quer rejeitar Jorge Messias para que, numa eventual vitória do pré-candidato da direita, fique com ele a indicação do ministro que irá ocupar a cadeira de Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente no ano passado.
É uma estratégia para ter o controle do STF, hoje numa composição que os bolsonaristas consideram adversa para o ex-presidente Bolsonaro, em prisão domiciliar pela condenação na ação penal do golpe.
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A sessão da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado deu início à sessão voltada sabatina de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao STF (Supremo Tribunal Federal).
A escolha de um ministro do STF é prerrogativa do presidente da República. A Constituição estabelece que os indicados devem ser cidadãos brasileiros natos, com idade entre 35 e 70 anos, reconhecido conhecimento jurídico e reputação ilibada. As informações são da CNN.
Leia maisDurante a sabatina, o indicado é questionado sobre diversos assuntos em diferentes áreas, sem limitação temática, podendo tratar de assuntos políticos até questionamentos pessoais. A duração da sessão costuma durar de 8 a 12 horas em média.
Os senadores deram inícios aos trabalhos às 9h03. Antes da sabatina de Messias, os senadores analisaram a indicação da juíza Margareth Rodrigues Costa, para o cargo de ministra do TST (Tribunal Superior do Trabalho) e de Tarcijany Linhares Aguiar Machado para o cargo de defensora pública na DPU (Defensoria Pública da União).
A sabatina de Messias começou às 9h46. Messias chegou ao Senado às 8h45, acompanhado de sua esposa, Karina Messias, e do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. O indicado do STF carregava um exemplar da Constitução e uma pasta preta.
Ao final do interrogatório, os senadores titulares da comissão votam o texto final do relator da indicação. No caso de Messias, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) é favorável à aprovação. Serão posicionadas cabines ao lado do plenário da CCJ, para que os senadores possam votar secretamente em todos os nomes indicados.
No discurso inicial, Messias cumprimentou a imprensa, os integrantes do Poder Judiciário e Executivo, além de servidores da AGU (Advocacia-Geral da União). “Apresento-me com a consciência de que a Constituição somente se concretiza seus valores fundamentais quando aplicada com humanismo e diversidade de saberes”, afirmou.
O indicado de Lula ficou emocionado e com a voz embargada ao relembrar sua história pessoal e profissional.
Messias foi indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em novembro do ano passado. Nessa época, ele já passou a percorrer os gabinetes dos senadores em busca de votos. A indicação foi formalizada somente em abril.
Após a sabatina na CCJ, a indicação de Messias será votada no mesmo dia pelo plenário do Senado. Se aprovado, o indicado estará apto a assumir a função de ministro da Suprema Corte.
Para ser aprovado, um indicado ao STF precisa alcançar um patamar mínimo de votos favoráveis.
A votação será secreta nas duas etapas. Logo, não é possível saber como cada parlamentar votou, apenas o placar geral do resultado.
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Jantei, ontem, em Brasília, como faço sempre, com meu amigo Cláudio Humberto, um dos jornalistas mais bem informados da corte. Apreciador de bons vinhos, o presenteei com uma garrafa de um tinto da vinícola Rupestre, no Vale do Catimbau, a grande e surpreendente novidade no Nordeste semiárido em produção de vinhos.
Informei a Cláudio Humberto que o Vale do Catimbau, onde estive recentemente curtindo um fim de semana na pousada Vila Mara, na companhia da minha Nayla, entrou no mapa da produção de vinhos finos, impulsionado pela Vinícola Rupestre. A região aproveita a altitude e a amplitude térmica local para cultivar uvas de qualidade, buscando fomentar o enoturismo e gerar novas oportunidades de renda na área do parque nacional.

A proposta vai além da produção de vinhos e busca inserir o Catimbau no mapa do enoturismo, ampliando a permanência dos visitantes e gerando novas oportunidades de renda. A história da vinícola tem raízes familiares e um olhar de longo prazo sobre o território. “Minha família é entusiasta do Vale. A gente tem terra lá desde o início dos anos 2000 e sempre quis empreender na região”, conta a sócia da vinícola, Maria Cecília Peixoto.
A virada veio há cerca de seis anos, quando surgiu a percepção de que as características naturais do Catimbau, como altitude e amplitude térmica, poderiam favorecer a produção de vinhos de qualidade.
Com 14 hectares já plantados e mais de 18 variedades de uvas viníferas em teste, o projeto da Vinícola Rupestre ainda está em fase de consolidação técnica. A diversidade de castas é estratégica, pois permite avaliar quais variedades melhor se adaptam às condições climáticas do Agreste.
“Somos os primeiros a plantar uva para vinho no Catimbau. Então, existe um trabalho muito forte de estudo para entender o que funciona, o que não funciona e por quê”, afirma Cecília.
Segundo ela, algumas variedades apresentam desafios iniciais, como o Chardonnay, que teve desempenho insatisfatório na primeira safra. “Mas é uma uva com grande potencial. Fizemos novos testes de manejo e vamos replantar com ajustes”, acrescenta.
O processo conta com suporte técnico especializado, incluindo um enólogo português, João Costeira, que acompanha as etapas mais críticas da produção, como colheita e vinificação. No campo, uma equipe de quase 30 trabalhadores atua diretamente no cultivo, além do acompanhamento de um engenheiro agrônomo trazido do Vale do São Francisco.
A produção regional é valorizada do início ao fim da produção. O envase dos vinhos é realizado em uma indústria no município de Belo Jardim.
Produção crescente e mercado regional do vinho. A vinícola opera atualmente com uma safra anual e já projeta expansão significativa. Em 2026, a estimativa é de envase de 60 mil garrafas, com a meta de atingir 100 mil por ano até 2027. Apesar da demanda crescente de outros estados, a estratégia inicial tem sido consolidar a presença no mercado pernambucano.
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou o pastor Silas Malafaia réu por injúria em episódio envolvendo o comandante do Exército e outros generais.
Em sessão nesta terça-feira (28), os ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia divergiram parcialmente do relator, Alexandre de Moraes, que votou para tornar Malafaia réu também pelo crime de calúnia. As informações são do Metrópoles.
Leia maisO julgamento foi levado ao plenário físico após destaque de Zanin, que abriu divergência quanto à calúnia, mas acompanhou Moraes em relação à injúria.
Na sequência, Cármen acompanhou Zanin na divergência, enquanto o ministro Flávio Dino, presidente da Turma, votou com o relator.
Com o resultado, Malafaia tornou-se réu apenas por injúria, já que o empate em relação à acusação de calúnia favorece o réu. A Turma tem quatro ministros.
De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), as ofensas miraram generais de quatro estrelas e o comandante do Exército. As declarações foram feitas durante uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 6 de abril de 2025.
Na ocasião, o pastor, segundo a PGR, “proferiu discurso ofensivo à dignidade e ao decoro dos generais de quatro estrelas que integram o Alto Comando do Exército”. Entre as afirmações destacadas, a PGR cita: “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes”.
Malafaia prosseguiu, ao declarar: “Cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem”.
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A corridinha diária de 8 km, hoje, em Brasília, foi no maravilhoso Parque da Cidade, que adoro. Tem pistas de até 10 km e é um verdadeiro pulmão verde da corte. Tem de tudo, de parque de diversão a hipódromo. No passado, sua maior atração era uma piscina de ondas.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, chega ao dia da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com expectativa de aprovação entre aliados do governo, mas ainda sem uma margem confortável de votos e dependente do comportamento de senadores que não se manifestaram sobre o indicado para garantir sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), em uma votação que passou a ser tratada como termômetro da relação entre o Planalto e o Senado para o restante do ano.
A indicação abriu uma nova frente de tensão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Embora aliados do governo considerem a aprovação provável, a condução do processo expôs ruídos e reforçou, no Planalto, a percepção de que o apoio de Alcolumbre não se estende automaticamente à agenda do Executivo. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisNo Senado, o clima predominante é de que o indicado deve ser aprovado, mas com placar apertado e sujeito a oscilações de última hora. A ausência de um gesto público de Alcolumbre mantém parte dos parlamentares sem se posicionar e preserva um nível de incerteza às vésperas da votação — cenário que, para o governo, antecipa dificuldades na tramitação de pautas futuras.
Levantamento do GLOBO mostra que Messias soma 25 votos favoráveis e enfrenta 22 contrários. Outros 34 senadores concentram o poder de decisão — sendo 16 que não responderam e 18 que afirmaram que não pretendem se posicionar publicamente. Para alcançar os 41 votos necessários no plenário, o indicado precisa conquistar ao menos 16 desses nomes.
Mesmo com esse cenário, interlocutores do governo afirmam trabalhar com uma projeção entre 44 e 49 votos, apostando que parte dos indecisos deve migrar a favor na votação secreta, responsável por reduzir o custo político da adesão.
O quadro, porém, não está definido. A semana encurtada por feriados esvaziou Brasília e reduziu o quórum no Senado, elevando o risco de ausências em uma votação em que cada voto pode ser decisivo. Em paralelo, o histórico recente reforça a cautela: na indicação de Flávio Dino, aprovado em dezembro de 2023, aliados projetavam cerca de 54 votos favoráveis, mas o resultado final foi de 47 — diferença que hoje alimenta o receio de perdas silenciosas.
Aliados do governo também atuaram para melhorar o ambiente na CCJ, com uma troca de integrantes que alterou o equilíbrio interno do colegiado a favor do indicado. Na semana passada, a senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) assumiu como titular no lugar de Cid Gomes (PSB-CE), que não havia declarado voto, enquanto o senador Renan Filho (MDB-AL) ocupou a vaga de Sergio Moro (União-PR), crítico à indicação.
Como reação, a oposição também promoveu mudanças: Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) deixou a comissão, dando lugar a Plínio Valério (PSDB-AM). Ainda assim, o governo acredita ter maioria consolidada na comissão, com governistas passando a contar com cerca de 16 votos favoráveis, dois acima do mínimo necessário.
Na reta final, Messias tentou compensar a ausência de um gesto público de Alcolumbre com uma ofensiva individualizada sobre senadores, apostando em conversas reservadas e ajustes no discurso.
Nos últimos dias, o indicado intensificou a atuação direta sobre parlamentares considerados decisivos. Além de contatos por telefone e WhatsApp, buscou adaptar a abordagem às resistências identificadas na Casa, com acenos à autonomia do Legislativo e à previsibilidade das decisões do Supremo.
A aliados, tem dito que pretende adotar um perfil mais institucional e menos intervencionista, numa tentativa de reduzir a desconfiança de senadores críticos à atuação recente da Corte. Em temas sensíveis, como aborto, a sinalização é de que defenderá as hipóteses já previstas em lei e deixará eventuais mudanças ao Congresso.
Na terça-feira, Messias também almoçou com a bancada do PSB, incluindo Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que era o nome preferido de Alcolumbre para a vaga. O gesto foi interpretado como parte da estratégia para consolidar apoio entre senadores de centro na véspera da sabatina.
O principal ponto de tensão segue sendo a postura de Alcolumbre. Embora tenha garantido um ambiente institucional sem sobressaltos para a tramitação, o presidente do Senado não declarou apoio nem atuou para orientar sua base — movimento que, em outras indicações ao Supremo, ajudou a consolidar maiorias com antecedência.
Nos bastidores, o cenário se deteriorou após o vazamento de um encontro reservado entre Messias e Alcolumbre, realizado na semana passada. Segundo relatos, o senador ficou irritado com a exposição e se sentiu pressionado, o que acabou reduzindo ainda mais a disposição para um gesto público na reta final.
A reunião ocorreu na casa de um interlocutor em comum, em ambiente privado e informal, e contou com a presença dos ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, além do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Na ocasião, Messias pediu apoio diretamente a Alcolumbre, que evitou assumir compromissos e se limitou a indicar que garantiria a condução institucional do processo.
O governo tentou que um compromisso formal fosse realizado, mas não saiu do papel. Sem esse aceno, parte dos senadores mantém a estratégia de não se expor publicamente, aguardando um sinal do comando da Casa, movimento que também é interpretado pelo Planalto como indicativo da margem de manobra que Alcolumbre pretende preservar.
No entorno de Lula, a leitura é de que o impacto da votação será medido principalmente depois da sabatina. O comportamento dos partidos de centro e o grau de engajamento de Davi Alcolumbre devem servir de referência para a condução das pautas prioritárias do governo nas próximas semanas.
De um lado, estão propostas de interesse do governo, como a PEC da Segurança Pública e o Redata, que dependem de articulação para avançar. De outro, entram temas em que o Planalto atua para conter, como mudanças envolvendo o Banco Central. A avaliação é de que a margem da aprovação — mais do que o resultado em si — indicará o nível de sustentação política do governo no Senado.
Do lado da Casa, a tendência é de manutenção de distância formal em relação ao Planalto, com o ritmo das votações sendo calibrado de acordo com o custo político de cada matéria. Nos bastidores, a condução do caso é vista como um indicativo de como essa dinâmica deve se repetir ao longo do ano.
Embora considerada improvável por aliados, uma eventual rejeição teria peso histórico — seria a primeira vez que o Senado barraria uma indicação ao Supremo Tribunal Federal — e consolidaria um cenário de rompimento entre o governo e o comando da Casa.
A indicação de um ministro do Supremo segue um rito em duas etapas no Senado — ambas em votação secreta:
O nome indicado é analisado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, presidida por Otto Alencar (PSD-BA) e com vice de Vanderlan Cardoso (PSD-GO). O relator da indicação é Weverton Rocha (PDT-MA).
A comissão é composta por 27 senadores titulares, sendo eles Eduardo Braga (MDB-AM), Renan Calheiros (MDB-AL), Jader Barbalho (MDB-PA), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), Renan Filho (MDB-AL), Professora Dorinha Seabra (União-TO), Soraya Thronicke (PSB-MS), Plínio Valério (PSDB-AM), Jayme Campos (União-MT), Omar Aziz (PSD-AM), Eliziane Gama (PSD-MA), Rodrigo Pacheco (PSB-MG), Ana Paula Lobato (PSB-MA), Carlos Portinho (PL-RJ), Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES), Marcos Rogério (PL-RO), Rogério Marinho (PL-RN), Rogério Carvalho (PT-SE), Fabiano Contarato (PT-ES), Camilo Santana (PT-CE), Ciro Nogueira (PP-PI), Esperidião Amin (PP-SC) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Durante a sabatina, os senadores fazem perguntas sobre trajetória, posições jurídicas e temas sensíveis. Ao final, o relatório é votado e precisa de maioria simples para aprovação. A expectativa é que ele responda temas polêmicos como aborto e a crise do Banco Master.
A expectativa dos parlamentares é que o rito dure entre dez e 12 horas.
Aprovado na comissão, o nome segue para o plenário do Senado, onde todos os 81 senadores votam. São necessários pelo menos 41 votos favoráveis para a confirmação.
Se aprovado, o indicado é nomeado e toma posse no Supremo Tribunal Federal, onde passa a ocupar a cadeira vaga — no caso, a deixada por Luís Roberto Barroso.
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A Polícia Federal investiga a entrada no Brasil sem fiscalização de cinco bagagens trazidas em um voo que teve como passageiros o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A situação ocorreu no retorno de uma viagem à ilha caribenha de São Martinho em um avião particular do empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG. O empresário foi alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investigava Bets. As informações são do g1.
O caso chegou no Supremo Tribunal Federal (STF) após a PF identificar a presença de parlamentares com foro na Corte na lista de passageiros – portanto só podem ser investigados com aval do STF.
Leia maisEstavam no voo: o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
O documento foi despachado para o ministro Alexandre de Moraes, que pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a investigação.
A PGR vai avaliar se os indícios justificam uma abertura de apuração contra os parlamentares, se há necessidade de mais diligências para aprofundar o caso antes de uma análise sobre a investigação ou se será apenas o caso de devolver a investigação para a primeira instância, se identificar que não há elementos suficientes contra os parlamentares.
A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo. O g1 teve acesso ao relatório produzido pela PF.
A PF diz que ainda não é possível dizer de quem eram os volumes ou se há envolvimento de autoridades com foro.
O Ministério Público Federal de São Paulo também entendeu que era o caso de encaminhar para o STF avaliar.
“Não há, portanto, como descartar a possibilidade de envolvimento de um ou mais passageiros detentores de prerrogativa de foro […] nos delitos sob apuração nos presentes autos ou em outras práticas delitivas que porventura vierem a ser reveladas no curso das investigações”.
Procurado pelo g1, o presidente da Câmara afirmou que “ao desembarcar no aeroporto, cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” e que vai aguardar a manifestação da PGR.
O deputado Doutor Luizinho disse que não vai se manifestar sobre o caso. Os demais parlamentares foram procurados, mas não se manifestaram. O g1 não localizou os demais citados.
Segundo a investigação da PF, o auditor fiscal Marco Antônio Canella teria permitido que o piloto José Jorge de Oliveira Júnior passasse pela área de fiscalização com as bagagens por fora da máquina de raio-x ao chegar a São Paulo no dia 20 de abril de 2025.
A polícia apura os crimes de prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho ao permitir que as bagagens entrassem no Brasil sem fiscalização.
Segundo a PF, o piloto José Jorge de Oliveira Junior passou pelo ponto de fiscalização duas vezes. Na primeira, o piloto submete duas bagagens pela máquina de raio-x.
Minutos depois, ele retorna ao ponto de fiscalização com cinco volumes a mais – além das bagagens que já estavam carregando anteriormente – e nenhuma delas passa por fiscalização.
As imagens do circuito de segurança do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, em São Roque (SP), analisadas pela PF, mostram a sequência:
Segundo a PF, os itens correspondem a:
O relatório da polícia aponta que os itens 5 e 7, mala de viagem e mochila, foram os itens submetidos ao raio-x anteriormente.
As imagens indicam que o auditor fiscal acompanhou a movimentação e permitiu a passagem dos volumes “sem a devida fiscalização”.
Segundo o relatório, no momento em que o piloto passa pelo ponto de fiscalização com as bagagens não inspecionadas, ele “troca olhares e breves palavras com o tripulante e, após este passar pelo ponto de fiscalização, a Operadora de Raio-X questiona o Auditor Fiscal, que gesticula com as mãos expressando banalidade e irrelevância”.
“É possível constatar que o Auditor Fiscal da Receita Federal permite passar sete volumes sem a devida fiscalização”, diz o documento.
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Ministra das Mulheres diz que deputados travam lei contra misoginia: “Machistas e misóginos não vão votar a favor”
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes (PT), defendeu, ontem, no podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco, a aprovação do projeto de lei que transforma a misoginia em crime. Para ela, a medida é essencial para enfrentar agressões, discursos de ódio e perseguições contra mulheres em diferentes espaços da sociedade, inclusive na política.
“A misoginia é crime. Uma pessoa que é violenta, isso é crime. Então, aí nós não podemos aceitar de lado nenhum”, afirmou a ministra. Segundo Márcia, a proposta já foi aprovada no Senado e agora está na Câmara, onde enfrenta resistência de setores conservadores. “Deputados que são machistas e misóginos não vão votar a favor dessa lei, mas eu tenho certeza que a sociedade já está mobilizada”, disse.
Leia maisA ministra também saiu em defesa da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), alvo de ataques após assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Para Márcia, a reação contra Erika foi resultado de “uma atitude misógina” e “preconceituosa”. “Ela está lá para cumprir o trabalho dela, e ela cumpre, ela faz, ela tem compromisso, competência”, afirmou.
Ao tratar da violência contra as mulheres, Márcia citou a complexidade do problema e a dificuldade que muitas vítimas ainda enfrentam para denunciar agressores. “As mulheres dizem: eu tenho vergonha, eu me sinto envergonhada de sofrer violência, eu me sinto culpada. Olha só onde chega”, relatou. Segundo ela, o medo, a dependência econômica e a pressão familiar ainda levam muitas mulheres ao silêncio.
A ministra destacou ainda a reestruturação do Ligue 180, serviço que, segundo ela, recebe quase 3 mil ligações por dia e 425 denúncias de violência contra mulheres. Márcia também citou o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado pelo presidente Lula, reunindo Executivo, Legislativo e Judiciário.
No campo político, a ministra foi questionada sobre a disputa em Pernambuco e a possibilidade de Lula ter dois palanques no Estado. Márcia evitou cravar posição, mas admitiu que a aproximação de setores bolsonaristas com a governadora Raquel Lyra (PSD) pode dificultar a relação. “Há uma manifestação em relação ao apoio a João Campos (PSB), principalmente se o outro lado estiver se aproximando ou estiver junto com a governadora. Aí complica de vez para nós”, salientou.
Márcia também classificou a volta do bolsonarismo como risco para o país. Para ela, o período do governo anterior foi marcado por retrocessos nas políticas públicas e pela banalização da vida. “Foi um tempo horrível, um tempo que a gente não quer mais viver”, frisou.
Ao defender Lula, a ministra disse não ter dúvida de que o presidente fará uma “bela campanha” e voltou a associar o governo à retomada de políticas públicas. “Eu não tenho dúvida de que ele é, sim, imbatível. Em eleição é isso: as pesquisas vão e voltam”, declarou.
HOMENAGEM NEGADA – A Câmara do Recife rejeitou o projeto que concedia o título de cidadão recifense ao ator Wagner Moura. A proposta, de autoria do vereador Carlos Muniz (PSB), recebeu 16 votos favoráveis e sete contrários, mas não atingiu o mínimo de 23 votos necessários. Muniz justificou a homenagem pela atuação do artista no filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e ambientado no Recife. O vereador Eduardo Moura (NOVO) criticou a proposta e apontou caráter político. Após o resultado, Muniz pediu reconsideração, alegando falhas no sistema de votação.

Fiel da balança – O diretor de inteligência da Quaest, Guilherme Russo, avaliou que o eleitor lulista dividido entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) deve ser decisivo na disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026. Segundo ele, o cenário no Estado está mais adiantado que no restante do país, com “dois candidatos muito fortes e uma disputa clara” entre os principais nomes. Pesquisa Quaest divulgada ontem aponta João com 42% das intenções de voto, contra 34% de Raquel, diferença fora da margem de erro. Ainda assim, o dado mais relevante, na leitura de Russo, é o comportamento do eleitorado de esquerda, que demonstra afinidade com ambos. “Tem muito eleitor que gosta dos dois”, afirmou.
Raquel joga para Lula – Em entrevista à Rádio Pajeú, ontem, a governadora Raquel Lyra (PSD) evitou antecipar o papel do presidente Lula (PT) na disputa de 2026 e devolveu a responsabilidade ao próprio Planalto. “Só quem pode falar sobre a posição do presidente é ele mesmo”, afirmou. Em seguida, tratou de blindar a relação administrativa, ao sustentar que o processo eleitoral não deve interferir na parceria. “Ele precisa governar e não vai governar só para os que votaram nele, mas para todos”, declarou.
Na mira dos prefeitos – O prefeito de São Caetano, Josafá Almeida (PRD), elevou o tom no Congresso da Amupe ao contestar a forma como a governadora Raquel Lyra (PSD) apresentou a divisão da outorga da Compesa. Ao entregar simbolicamente um cheque bilionário ao presidente da entidade, Pedro Freitas (PP), afirmou: “Esse dinheiro é dos municípios”. A fala ocorre após Raquel realizar, no mesmo evento, a distribuição simbólica dos recursos da concessão, com ampla divulgação institucional. Pelos números apresentados, 40% da outorga foram destinados às prefeituras, enquanto 60% ficaram com o Estado. Nos bastidores, os prefeitos têm cobrado maior clareza sobre os critérios de repasse e a aplicação dos valores.

FARRA NOS TRILHOS – A compra de trens usados para o Metrô do Recife virou alvo de críticas após o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco denunciar que o governo pagará cerca de R$ 10 milhões por unidade, embora o valor contábil estimado seja de R$ 3 milhões. As composições, com mais de 30 anos e sem ar-condicionado, virão de Belo Horizonte. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos alega urgência para evitar a paralisação da Linha Sul em 2027 e manter o transporte de 60 mil passageiros por dia. O sindicato fala em “farra com dinheiro público” e alerta para risco de panes com tecnologia ultrapassada.
CURTAS
FOCO NO SUPREMO – A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, ocorre hoje no Senado sob expectativa de questionamentos concentrados na atuação do Supremo Tribunal Federal. Indicado pelo presidente Lula (PT), o nome deve ser avaliado em meio a críticas de parlamentares à Corte e ao papel do Judiciário em decisões recentes.
PLACAR INCERTO – O governo Lula intensificou articulações para aprovar Jorge Messias, que precisa de 41 votos no plenário. Aliados projetam entre 45 e 49 apoios, enquanto a oposição calcula cerca de 35. A votação secreta é tratada como fator relevante, com expectativa de adesões não declaradas entre senadores do Centrão e de partidos da oposição.
FLÁVIO BRIFADO – Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) orientaram que ele adote postura mais moderada na sabatina de Messias. A recomendação integra a estratégia de reposicionamento político do parlamentar, com tentativa de reduzir o tom de confronto e ampliar o diálogo com eleitores menos alinhados ao bolsonarismo. Também pesa o apoio de lideranças evangélicas ao indicado. O PL mantém posição contrária à indicação, e o senador ainda avalia se pedirá a palavra na Comissão de Constituição e Justiça.
Perguntar não ofende: A sabatina de Messias vai julgar o indicado ou o Supremo?
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O veto ao PL da Dosimetria já é tratado como certo pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em entrevista à CNN, o parlamentar disse ter convicção de que a maioria do Congresso optará pela derrubada do veto imposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Eu tenho convicção que, na análise da próxima quinta-feira, o Congresso irá optar, na minha avaliação, pela maioria aqui da Câmara e pela maioria do Senado, pela derrubada do veto. E, com isso, nós vamos ter a condição de podermos reduzir essas penas e, de certa forma, poder virar essa página triste da história do Brasil, resolvendo, de uma vez por todas, esse imbróglio em torno do que aconteceu no 8 de janeiro de 2023”, disse. As informações são da CNN.
Leia maisO PL determina a redução das penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado no 8 de Janeiro. O Congresso fará uma sessão conjunta para analisar o veto de Lula.
Durante um evento no Palácio do Planalto em memória dos ataques do 8 de janeiro, o presidente vetou integralmente o projeto de lei que reduziria a pena dos envolvidos no ato e elogiou a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmando que essa era uma vitória da democracia.
Para a rejeição do veto, é necessária a maioria absoluta dos votos de deputados e senadores, ou seja, 257 votos de deputados e 41 votos de senadores.
Hugo Motta disse ainda que o STF poderá fazer uma “revisão” do trabalho.
“Nós temos a condição de, com esse projeto, ajudar na pacificação. Porque o próprio Supremo Tribunal Federal, que foi quem julgou essas pessoas, poderá, de certa forma, com a derrubada desse veto, fazer a reinterpretação dessas penas, tendo condição de poder decidir pela redução e praticamente todas as pessoas que ainda hoje estão detidas possam retornar aos seus lares, numa condição onde as penas possam ir para um outro regime que não seja o regime fechado”, disse.
O projeto de lei muda o cálculo das condenações e, principalmente, o regime de progressão das penas. Pelo texto, se a pessoa for condenada por “exercer o comando, individual ou coletivo, de organização criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado, deverá ser cumprido ao menos 50%” da pena.
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A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, defendeu o projeto de lei que transforma a misoginia em crime. Já aprovado no Senado Federal de forma unânime, o projeto enfrenta dificuldades na Câmara dos Deputados. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, a auxiliar de Lula reforçou a importância da matéria e relembrou a dificuldade para a aprovação de outra lei importante, a Lei Maria da Penha, que completa 20 anos.
“O PL da Misoginia é um projeto muito importante, porque a nossa Constituição explicita a igualdade de gênero, raça e etnia. A Lei Maria da Penha completa agora 20 anos. Em 2015, tivemos a tipificação do feminicídio. Queremos que aconteça o mesmo com a misoginia”, pontuou Márcia.
Leia mais“Tudo que a gente quer cobrar tem que estar na lei. Câmara e Senado assinaram o Pacto do Brasil contra o Feminicídio. O Senado já aprovou por unanimidade o texto do PL da Misoginia, e na Câmara tivemos uma primeira reação de alguns deputados dizendo que iriam discutir. Deputados machistas e misóginos não vão votar a favor, mas a sociedade já está mobilizada para votar, porque precisamos muito dessa lei. À medida que a misoginia for caracterizada como crime, os misóginos passam a responder, inclusive pagando pena de prisão. O quanto antes a lei for aprovada, melhor”, complementou.
Márcia ainda saiu em defesa da deputada federal Érika Hilton (PSOL-RJ), alvo de críticas preconceituosas após assumir a presidência da Comissão da Mulher na Câmara Federal. “A deputada Érika tem sido muito competente e atuante em todos os espaços. As críticas foram causadas por atitudes misóginas e preconceituosas, não só com ela. Não sei como todas as deputadas suportam o cotidiano da Câmara. Hoje a Casa tem 91 mulheres que, todos os dias, independentemente de partido, são assediadas, ofendidas, humilhadas. Este ano é de eleição, não podemos votar em quem humilha mulher. Queremos deputados como lideranças, que representam e influenciam. Foi lamentável o episódio ocorrido com a deputada Érika Hilton, e não só com ela”, concluiu Márcia Lopes.
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O vice-prefeito de Paudalho, Thiago Moreira (Podemos), declarou apoio à pré-candidata a deputada federal Juliana de Chaparral (União Brasil) e ao pré-candidato a deputado estadual Professor Lupércio (PSD).
Juliana de Chaparral é ex-prefeita de Casinhas e tem atuação política na região do Agreste, enquanto Lupércio é ex-prefeito de Olinda, na Região Metropolitana do Recife.
