Os Coelho passam a ser o fiel da balança
Por maior que tenha sido a convenção da governadora Raquel Lyra (PSD), ontem, no Recife, o que vai pesar no jogo da sua sucessão será a tomada de posicionamento do grupo Coelho, mais uma vez traído por ela, quando não cumpriu a palavra de escolher o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), candidato ao Senado na sua chapa.
Liderado pelo ex-senador Fernando Bezerra Coelho, pai de Miguel, o clã virou um poço de mágoa com a governadora. Sequer compareceu à convenção que referendou a chapa com o deputado Eduardo da Fonte candidato ao Senado ao lado do também deputado Túlio Gadêlha.
Leia maisSabidamente, a candidata ao Senado pelo PDT na chapa de João Campos, Marília Arraes, convidou de imediato o cacique FBC para ser o seu primeiro suplente. Soube que Fernando se animou, mas está tomando a maçaranduba do tempo, como dizia o saudoso senador-boiadeiro Ney Maranhão.
É compreensível, porque o grupo ainda está remoendo a traição da governadora. Mas a esta altura do campeonato, com as pesquisas apontando empate técnico entre Raquel e João Campos (PSB), candidato a governador pela oposição, os Coelho podem ser o fiel da balança.
Em política, fiel da balança é a força, o grupo ou o partido político que ocupa uma posição de centro e decide uma disputa muito equilibrada. Quando dois lados dividem o poder ou os votos de forma igual, esse elemento escolhe para qual lado a balança vai inclinar. Nas eleições de 2022, os Coelho deram à Raquel em Petrolina 86 mil votos no segundo turno contra Marília. Uma votação e tanto, uma vez que no primeiro turno ela teve apenas 6 mil votos no primeiro turno.
ESTRELA DE BANDEIRA – Do advogado Henrique Rosa, de Petrolina, em artigo, ontem, no meu blog, ao avaliar a trairagem da governadora com os Coelho: “Raquel esteve aqui e prometeu. Petrolina hoje enterrou as Cinzas da sua promessa. Raquel prometeu que o Sertão seria uma estrela na sua chapa de governadora. Na sua convenção, o Sertão se convenceu que a estrela que ela prometeu é uma estrela da manhã, onde está a estrela da manhã? Meus amigos, procurem a estrela da manhã. É a mesma estrela da poesia do escritor Manoel Bandeira, da imaginação e que nunca existiu.”

Vaia estrondosa – O neodireitista Túlio Gadelha (PSD) foi vaiado durante a convenção da governadora Raquel Lyra, logo após citar o presidente Lula. Também chamou atenção sua entrada no palco vestido de vermelho, numa tentativa de associar sua imagem ao campo progressista, apesar de sua recente guinada à direita. A reação do público foi imediata. Embora a plateia presente não seja formada majoritariamente por eleitores identificados com o lulismo ou com a esquerda, as vaias evidenciaram o desconforto de parte dos presentes com o reposicionamento político do parlamentar. A insistência de Túlio Bernardes em citar Lula em discursos para plateias bolsonaristas vai ter um custo caro para Raquel.
Mais vulneráveis – Em seu discurso como candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra, ontem, na convenção, o deputado Eduardo da Fonte, da federação União Progressista, afirmou que a chapa formada pela governadora Raquel Lyra (PSD), pela vice-governadora Priscila Krause (PSD) e pelo também candidato ao Senado Túlio Gadelha (PSD) tem como compromisso atender à população mais vulnerável. “O que nos une é enxergar por aqueles que não são enxergados, é levar aos quatro cantos do Estado de Pernambuco a saúde, a comida, o respeito, a dignidade e poder tornar possível a força da política na vida das pessoas”, declarou.
Lulinha porreta – O presidente Lula disse, ontem, na convenção em São Paulo, que, na tentativa de mudar o país, vai focar em mais do que programas sociais — “não quero ser mais o presidente só do Bolsa Família”. Pretende também brigar com o Legislativo por causa das emendas. “Vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que tem o Poder Legislativo”, reforçou. Em tom descontraído, disse que em um possível quarto mandato não será um “Lulinha paz e amor”, mas sim um “Lulinha porreta”.

Milagre nordestino – Num longo discurso, ontem, em São Paulo, na convenção que homologou a sua candidatura à reeleição, o presidente Lula afirmou ser “resultado de um milagre”. “Olha a felicidade da dona Lindu quando percebeu que estava me parindo. Eu sou o resultado de um milagre. Essa fotografia bonita de quando eu tinha cinco anos de idade existe porque eu escapei de morrer de fome até os cinco anos de idade”, declarou. E continuou: “Foi um milagre eu vir para São Paulo, foi um milagre meu pai ter traído minha mãe com outra mulher, foi um milagre a minha mãe sozinha criar os 8 filhos. E criou decentemente, uma mulher que não sabia fazer um O com um copo, mas tinha o caráter tão grande e uma força de vontade maior que o oceano Pacífico”.
CURTAS
CEDEU – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou que Geovanna Lima, cunhada do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre e permaneça na casa onde ele cumpre prisão domiciliar, em Brasília, enquanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passa por exames em um hospital da capital federal. Segundo a defesa, a irmã de Michelle prestará auxílio à sobrinha Laura e ao ex-chefe do Executivo.
DEMOCRACIA – Com Flávio Bolsonaro (PL), principal rival de Lula, estagnado nas pesquisas, a campanha do petista investe no binômio democracia e soberania. As palavras são vistas em camisetas, bonés e faixas levadas por militantes ao evento do PT.
SOBERANIA – Primeiro a discursar na convenção, Edinho Silva, presidente nacional do PT, defendeu que o país precisará “fazer uma escolha” nas urnas entre a “pequenez política”, representada por Flávio, e um “grande líder” da democracia no mundo, que seria Lula. “O Brasil do presidente Lula vai enfrentar o intervencionismo, o autoritarismo e defender a soberania do povo”, disse.
Perguntar não ofende: FBC aceitará a suplência de Marília para o Senado?
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