A primeira-dama de Petrolina, Alinne Durando, foi agraciada, ontem, com o Título de Cidadã Petrolinense e a Medalha de Honra ao Mérito Legislativo Dom Malan. A homenagem, proposta pelo vereador Marquinhos Amorim e subscrita pelos demais vereadores da Câmara Municipal, foi entregue durante sessão solene realizada na Casa Plínio Amorim, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à população petrolinense, especialmente nas áreas do voluntariado e da dignidade humana.
Natural do Crato, no Ceará, Alinne chegou a Petrolina ainda criança e construiu na cidade toda a sua trajetória pessoal, profissional e familiar. Desde 2022, à frente da coordenação voluntária do Transforma Petrolina, Alinne tem consolidado sua atuação social, com atenção especial às pessoas em situação de vulnerabilidade tanto na sede quanto no interior do município. “São 40 anos vivendo em Petrolina. Hoje recebo esse reconhecimento com muita gratidão no coração. Essa terra faz parte de quem eu sou e quando uma cidade entende a importância e a força da solidariedade, ela se transforma de dentro para fora”, declarou.
Surpreendido pela decisão do governo Trump de classificar PCC e Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não gostou da medida e pretende fazer uma defesa da soberania nacional. As informações são do blog do Valdo Cruz.
Lula também avalia fazer um telefonema para conversar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o assunto. Auxiliares do presidente brasileiro entendem que Trump pode não ter participado diretamente da formulação da medida, e que a decisão foi influenciada pela ala mais radical do governo norte-americano.
Além disso, o Planalto quer articular uma cooperação com os Estados Unidos voltada ao combate ao crime organizado. De todo modo, o petista entende que a decisão representa que o governo americano pode ter tomado partido de Flávio Bolsonaro. O senador e pré-candidato à Presidência esteve na Casa Branca nesta semana e defendeu junto a Trump a adoção a medida.
Para a equipe de Lula, Trump deveria ter negociado ou pelo menos avisado o governo brasileiro antes que seu Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, anunciasse a decisão. O Itamaraty e o Ministério da Justiça foram surpreendidos com a publicação.
A forma como a medida foi divulgada desagradou o presidente e foi avaliada como uma sinalização de que Trump pode tentar dar apoio a Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral.
As Eleições 2026 já começaram, ao menos politicamente. Em todas as regiões do país, é possível perceber a intensificação da movimentação de pré-candidatos, o aumento da presença nas redes sociais, a participação em eventos públicos, entrevistas, encontros políticos e a construção cada vez mais antecipada de posicionamentos eleitorais. Mas, em meio a esse cenário, permanece uma dúvida recorrente na cabeça dos pré-candidatos e dos eleitores: afinal, o que já pode e o que ainda não pode ser feito na pré-campanha?
A resposta exige cautela. A legislação eleitoral brasileira passou, nos últimos anos, por mudanças importantes que flexibilizaram atos de pré-campanha, especialmente após a Reforma Eleitoral introduzida pela Lei nº 13.165/2015. O objetivo foi permitir maior liberdade de manifestação política antes do período oficial de campanha, preservando, ao mesmo tempo, a igualdade de oportunidades entre os futuros candidatos.
Hoje, a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), em seu artigo 36-A, admite expressamente diversas condutas que antes eram interpretadas como propaganda eleitoral antecipada. Isso significa que o pré-candidato pode, por exemplo, participar de entrevistas, debates, podcasts, encontros políticos, seminários e eventos partidários; pode divulgar posicionamentos políticos, qualidades pessoais, projetos e opiniões sobre temas de interesse público; pode conceder entrevistas à imprensa e manter intensa atividade nas redes sociais.
Também já é possível realizar impulsionamento de conteúdo na internet durante a pré-campanha, desde que respeitados os limites legais e que não haja pedido explícito de voto. Esse ponto merece destaque porque muitos ainda acreditam, equivocadamente, que qualquer divulgação patrocinada antes de agosto do ano eleitoral seria proibida.
A Justiça Eleitoral consolidou o entendimento de que a pré-campanha não precisa ser silenciosa. O debate político antecipado passou a ser compreendido como instrumento legítimo da democracia. Por isso, expressões como “estou preparado”, “quero representar Pernambuco”, “meu nome está à disposição”, “vamos construir esse projeto juntos” ou “o Brasil precisa mudar” normalmente são admitidas pela jurisprudência.
Por outro lado, há limites muito claros que continuam existindo e é justamente aí que muitos pré-candidatos acabam cometendo erros.
O principal deles é o pedido explícito de voto antes do período permitido. A legislação continua proibindo frases como “vote em mim”, “conto com seu voto”, “eleja”, “reeleja” ou qualquer mensagem que contenha solicitação direta e inequívoca de sufrágio.
Além disso, permanecem vedados atos que configurem campanha eleitoral antecipada mediante abuso econômico, uso indevido dos meios de comunicação ou desequilíbrio na disputa. A utilização ostensiva de estrutura pública, publicidade institucional disfarçada, contratação irregular de impulsionamento, uso de recursos não contabilizados ou promoção pessoal excessiva também podem gerar questionamentos judiciais.
Outro ponto sensível para 2026 será o uso da inteligência artificial. O crescimento de vídeos manipulados, deepfakes, montagens e conteúdos sintéticos já preocupa a Justiça Eleitoral. Embora o debate sobre IA ainda esteja em construção normativa, é evidente que a utilização de ferramentas tecnológicas para desinformação, manipulação da imagem de adversários ou disseminação de conteúdos falsos poderá resultar em graves consequências eleitorais.
As redes sociais continuarão sendo um dos principais campos de fiscalização. Curtidas, compartilhamentos, grupos de WhatsApp, vídeos patrocinados e postagens impulsionadas poderão servir como elementos de prova em futuras ações eleitorais. E é importante lembrar: muitas vezes, o ilícito não está apenas no conteúdo isolado, mas no contexto, na repetição, na estratégia e no potencial desequilibrador da conduta.
A pré-campanha moderna exige cada vez mais planejamento jurídico e comunicação responsável. Não basta apenas “estar nas redes”. É necessário compreender os limites da legislação, antecipar riscos e construir uma atuação estratégica que preserve a viabilidade futura da candidatura.
As Eleições 2026 serão, provavelmente, as mais digitais da história brasileira. E, nesse ambiente, quem souber equilibrar presença política, comunicação inteligente e segurança jurídica certamente largará na frente.
Corri meus 8 km diários, há pouco, em Triunfo, num friozinho de 17 graus, onde vim para cobrir o encontro da governadora Raquel Lyra (PSD) e do ex-prefeito João Campos (PSB) com os vereadores no congresso estadual. Mas João não vem mais. Alegou que perdeu o voo de Brasília para Recife porque se estendeu numa audiência com o presidente Lula (PT).
Após alegar que perdeu o voo, devido a reunião extensa que teve com o presidente Lula (PT), ontem, em Brasília, o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), cancelou a sua presença no congresso da União de Vereadores de Pernambuco (UVP), hoje, em Triunfo.
Em vídeo postado nas suas redes sociais, João afirmou que marcará uma nova ocasião para “conversar com os vereadores de Pernambuco”. A governadora Raquel Lyra (PSD) mantém a sua agenda e é aguardada no evento. Confira abaixo o vídeo publicado por João:
Justiça coloca em xeque pesquisas com irregularidades
As sucessivas decisões da Justiça Eleitoral suspendendo pesquisas em Pernambuco começam a produzir um efeito político e institucional que vai muito além da disputa entre candidatos: colocam sob forte desconfiança a credibilidade de levantamentos eleitorais marcados por indícios de irregularidades, inconsistências cadastrais e dúvidas sobre financiamento.
Depois da suspensão da pesquisa do instituto Veritá, em abril, a Justiça Eleitoral voltou a agir nesta semana ao determinar a retirada de circulação de um levantamento do Instituto Múltipla que colocava a governadora Raquel Lyra (PSD) na frente da disputa estadual. Na nova decisão, o TRE apontou “indícios relevantes de deficiência técnica” e inconsistências relacionadas à origem dos recursos usados para financiar a pesquisa, além de divergências sobre quem teria contratado efetivamente o levantamento.
O que chama atenção não é apenas o mérito de cada processo isoladamente, mas a repetição de problemas que deveriam ser elementares em qualquer pesquisa eleitoral séria: transparência sobre financiamento, regularidade cadastral, coerência metodológica e fidelidade das informações apresentadas à Justiça Eleitoral.
Quando esses requisitos deixam de ser observados, o debate democrático passa a conviver com uma contaminação perigosa: a utilização de números eleitorais como instrumento de influência política, e não como retrato técnico da opinião pública.
Pesquisas possuem enorme capacidade de interferência no ambiente eleitoral. Influenciam narrativas, movimentam alianças, impactam o comportamento do eleitor e ajudam a construir percepções de força ou fragilidade política.
Exatamente por isso, a legislação eleitoral brasileira estabelece regras rígidas para registro, metodologia e transparência dos levantamentos. As recentes decisões do TRE mostram que a Justiça Eleitoral tem elevado o rigor sobre esse tipo de controle.
E isso ocorre em um momento particularmente sensível, marcado pela antecipação do debate eleitoral e pelo aumento da disputa política em Pernambuco. O problema é que, a cada nova suspensão judicial, cresce também a percepção pública de que parte dessas pesquisas pode estar sendo utilizada mais como peça de guerra política e propaganda do que como instrumento técnico de informação.
O resultado disso é um desgaste para todo o sistema de pesquisas eleitorais, inclusive para os institutos sérios, que acabam atingidos pelo ambiente generalizado de desconfiança.
Mais do que beneficiar ou prejudicar determinado grupo político, decisões como essas reforçam um princípio essencial: pesquisa eleitoral não pode ser tratada como ferramenta de manipulação de expectativa ou fabricação artificial de cenários. Em democracia, números precisam ser sustentados por transparência, responsabilidade técnica e confiança pública.
JÁ GANHOU – Bastou uma pesquisa na qual Raquel aparece na frente de João pela primeira vez, como a do Datafolha de ontem, para os aliados da governadora mudarem o comportamento, até então de desconfiança em relação ao resultado da eleição. Passaram a cantar vitória antes do tempo com um tom de arrogância repugnante. O jogo, entretanto, ainda não deu o seu início.
A capital da aposta – A quatro meses das eleições, em Surubim, a capital da vaquejada, já há apostas sobre o resultado da eleição para governador e senador envolvendo tudo, de dinheiro até casa própria. Um leitor do blog contou que assistiu, ontem, a uma aposta, já casada e empenhada, no valor de R$ 1 milhão em espécie. Tem aposta também em dólar, em terrenos, carros, fazendas, cavalos de vaquejada e bois.
Operação em Jaboatão – Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, ontem, contra o presidente da Câmara Municipal do Jaboatão dos Guararapes, Getúlio Belém (PL), e o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Ribeirão Clovis Paiva (ex-PP), durante uma operação da Polícia Civil do Ceará com apoio da Polícia Civil de Pernambuco. De acordo com o delegado de Polícia Civil do Ceará Ícaro Coelho, a operação busca possíveis ligações dos dois agentes políticos com um pernambucano apontado como mandante de um duplo homicídio ocorrido em abril de 2025, na Praia do Futuro, em Fortaleza.
Ninguém votou contra – No primeiro turno da votação da PEC da redução da jornada de trabalho 6-1, na Câmara dos Deputados, quarta-feira passada, todos os deputados da bancada de Pernambuco votaram a favor da proposta, que estabelece jornada de trabalho de 40 horas semanais em cinco dias, com dois de descanso. Mais tarde, na segunda votação, o deputado Eriberto Medeiros (PSB-PE) se ausentou. Os demais integrantes da bancada pernambucana mantiveram votos favoráveis à PEC.
Dudu da Fonte bem na foto – Pelos números da pesquisa Datafolha para o Senado, entre os nomes especulados para a chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), o que melhor pontuou foi o do deputado Eduardo da Fonte, presidente estadual da federação Progressista. Ele aparece com 22%. Para quem nunca disputou uma eleição majoritária, uma largada e tanto. Dudu, como é mais conhecido, tem quase o triplo das intenções de Túlio Gadelha (PSD), nome praticamente já escolhido pela governadora para entrar na briga por uma das duas vagas ao Senado.
CURTAS
TERMÔMETRO 1 – Minha charmosa e aconchegante Triunfo vira o centro político do Estado por causa da presença, no congresso dos vereadores, dos dois principais candidatos a governador: Raquel Lyra (PSD), que disputa a reeleição, e João Campos (PSB).
TERMÔMETRO 2 – A organização do evento teve o cuidado de evitar um cara a cara de Raquel com João. Pela agenda, ficou acertado que o socialista fala primeiro, logo cedo, às 8h30, e a governadora depois, por volta das 11 horas. De qualquer forma, trata-se de um ambiente para medir o termômetro eleitoral.
PODCAST – O ex-governador do Rio, Moreira Franco (MDB), aceitou meu convite para ir ao podcast Direto de Brasília da próxima terça-feira para falar sobre seu livro trazendo os bastidores da transição e o processo de redemocratização no País. A obra foi lançada em São Paulo na última segunda-feira e terá uma noite de autógrafos também no Recife por iniciativa do presidente do MDB, Raul Henry.
Perguntar não ofende: Pesquisa influencia o eleitor?
O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, negou ter participado da degustação de uísque organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro em maio de 2024 em Nova York, que reuniu o então governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e caciques do Centrão. Procurado pelo GLOBO, Rueda afirmou que “só passou na frente” do Carnegie Club, bar de luxo nas imediações do Central Park, em Manhattan, que recebeu o evento.
Rueda afirmou que o bar ficava próximo a seu hotel, e que a degustação não havia começado quando passou pelo local. Ele disse não saber quem participou do evento. As informações são do jornal O GLOBO.
— Só passei na frente, a caminho do hotel, onde participei remotamente de uma reunião da Executiva nacional do partido naquele dia — disse Rueda.
Rueda é considerado um dos responsáveis pela indicação da antiga diretoria do Rioprevidência, que fez aportes de cerca de R$ 3,7 bilhões em papéis e fundos ligados ao Banco Master, de Vorcaro, segundo a PF. O dirigente do União Brasil não foi alvo da operação da PF, na segunda-feira, que apura a atuação de Castro e de ex-dirigentes do instituto estadual nesses aportes.
Conforme noticiado pelo GLOBO, a degustação de uísque em maio de 2024 custou R$ 5 milhões e reuniu, além de Castro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ). O GLOBO apurou a lista de participantes com duas fontes que estavam presentes no Carnegie Club.
Procurados, os deputados não retornaram aos contatos. O espaço segue aberto. Ciro, o único que respondeu à reportagem, negou ter participado.
A presença dos parlamentares nos Estados Unidos consta nas informações prestadas ao portal da Câmara dos Deputados e em palestras na semana em que ocorreu o encontro reservado a dez pessoas, segundo mensagem de Vorcaro a Castro extraídas do celular do banqueiro pela Polícia Federal.
Castro, Ciro Nogueira e Marcos Pereira participaram de palestras naquela semana. Já Hugo Motta e Dr. Luizinho fizeram viagens oficiais aos Estados Unidos no mesmo período.
O Carnegie Club se define como “um dos lounges mais exclusivos de Nova York, com charuto requintado e whisky single malt”. O custo do evento foi de US$ 1 milhão, o equivalente a R$ 5,2 milhões, de acordo com a conversão feita pela PF. Naquele momento, os quatro deputados presentes eram cotados para suceder o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Motta acabou sendo o escolhido, em fevereiro do ano seguinte.
Ciro Nogueira, por sua vez, apresentou meses depois, em agosto de 2024, uma emenda a um projeto de lei que buscava aumentar o valor de investimentos financeiros cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O texto, que acabou não aprovado, ficou conhecido como “emenda Master”, já que beneficiaria o modelo de negócios do banco de Vorcaro.
— Eu não fui à degustação. Não tomo whiske (sic) puro — alegou Ciro Nogueira ao GLOBO.
No caso de Castro, a PF registra que, um dia depois da degustação milionária, o Rioprevidência aportou R$ 80 milhões em letras financeiras do Master. As mensagens de Vorcaro ao então governador classificam a degustação como um “evento pequeno”, “só homens”, restrito a dez pessoas, e Castro respondeu de forma sucinta: “Eu vou”.
A decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas está sendo explorada politicamente por Flávio Bolsonaro (PL), que tenta apresentar a medida como uma vitória de sua agenda de segurança pública e, ao mesmo tempo, constranger o governo Lula (PT), que tem posição contrária a esse tipo de enquadramento.
Mais bastidores: acompanhe o canal da Sadi no WhatsAppO anúncio foi feito um dia após o senador e pré-candidato se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo Flávio Bolsonaro, Rubio se mostrou favorável à classificação das facções brasileiras como organizações terroristas. Tudo isso em meio ao escândalo revelado envolvendo as relações do senador com Daniel Vorcaro.
A avaliação no entorno de Flávio Bolsonaro é que o tema pode ajudar a desgastar o governo em uma área considerada sensível para a opinião pública: o combate ao crime organizado. A estratégia passa por pressionar o Planalto a se posicionar e transformar o debate em mais um embate político entre governo e oposição.
No governo brasileiro, porém, a leitura é diferente. Fontes do governo afirmam que a decisão americana já era esperada e estava “precificada” pela diplomacia brasileira. A avaliação é que a medida atende principalmente ao público interno dos Estados Unidos e à política de Donald Trump de endurecimento no combate ao narcotráfico.
Preocupação com interferência Nos bastidores da diplomacia, no entanto, há preocupação com os desdobramentos de longo prazo. Diplomatas brasileiros veem o movimento como um possível precedente para futuras tentativas de interferência em assuntos internos de países da região sob o argumento do combate ao terrorismo e ao crime organizado.
Segundo relatos obtidos pelo blog, integrantes da área diplomática acompanham com atenção os sinais emitidos por Washington e avaliam que esse tipo de classificação pode servir, no futuro, como justificativa para ampliar pressões ou ações externas. Embora não enxerguem qualquer risco imediato de intervenção, a preocupação é com a construção gradual de uma narrativa que permita esse tipo de argumento adiante.
Nesse contexto, a presença de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos e a tentativa de associar a decisão à pauta bolsonarista são vistas por integrantes do governo como um gesto político que funciona também como sinalização ao grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Planalto, por sua vez, tenta evitar transformar o tema em confronto direto para não alimentar uma agenda considerada favorável à oposição.
Após a decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT passaram a afirmar que a medida representa mais uma ação do bolsonarismo contra os interesses do Brasil.
O discurso de que a família Bolsonaro atenta contra a soberania do Brasil deve ser usado para rebater a oposição, que tem usado a decisão como um ativo eleitoral contra o presidente Lula. As informações são da CNN.
Integrantes do governo lembram do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros no ano passado, após a articulação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do empresário Paulo Figueiredo na tentativa de frear o avanço do processo sobre a tentativa de golpe, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.
Entenda como designação dos EUA mira membros do PCC e CV e rede financeira
A designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho), embora estivesse no radar do governo norte-americano há meses, pegou integrantes do Palácio do Planalto de surpresa poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência, visitar a Casa Branca e se encontrar com o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio.
Até agora, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não se manifestaram oficialmente sobre a decisão. Interlocutores do governo reconhecem a dificuldade de reagir publicamente sem parecer uma defesa das facções criminosas.
Membros do governo citam preocupação principalmente com impactos no sistema financeiro e no ambiente diplomático. Integrantes do governo afirmam que a classificação pode abrir espaço para sanções, restrições e questionamentos sobre operações envolvendo o país.
A classificação do PCC e do CV foi comemorada por integrantes da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Entre aliados do senador, a avaliação é que o gesto teve peso político maior do que teria uma eventual declaração explícita de apoio de Trump ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa presidencial.
EUA x PCC e CV: oposição parabeniza Flávio; base defende soberania nacional
O apoio majoritário do PL na Câmara à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1, bandeira do governo Lula, provocou um ruído na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), crítico ao projeto. Dos 97 deputados do partido, 83 se posicionaram a favor. Diante do cenário, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da empreitada presidencial de Flávio, apresentou uma PEC alternativa e tenta mudar a rota do debate no Senado.
Entre os votos favoráveis à PEC estiveram justamente deputados ligados diretamente ao núcleo político de Flávio Bolsonaro, como os líderes do PL Altineu Côrtes (RJ) e Sóstenes Cavalcante (RJ), além de aliados bolsonaristas como Carlos Jordy (RJ), Bia Kicis (DF), Gustavo Gayer (GO), General Pazuello (RJ), Helio Lopes (RJ), Nikolas Ferreira (MG) e Sanderson (RS). O resultado expôs uma divisão entre o discurso mais crítico adotado pelo senador e a postura da própria bancada do partido diante de uma pauta de forte apelo popular. As informações são do jornal O GLOBO.
O texto de Marinho propõe que empregados escolham entre o regime tradicional da CLT e um modelo baseado em horas efetivamente trabalhadas. Pela PEC articulada pelo coordenador da pré-campanha de Flávio, a compensação de horários e a redução da jornada poderão ocorrer por acordo individual, convenção coletiva ou negociação direta entre empregado e empregador.
O texto também prevê que contratos individuais possam prevalecer sobre instrumentos coletivos em determinadas situações. A proposta estabelece ainda que trabalhadores submetidos ao regime flexível recebam remuneração proporcional à carga horária efetivamente trabalhada, respeitando o salário mínimo nacional ou o piso da categoria. Benefícios como férias, décimo terceiro salário e FGTS também passariam a ser calculados proporcionalmente às horas trabalhadas.
Na mensagem enviada a senadores para pedir apoio à proposta, Marinho afirmou que a PEC busca “modernizar as relações de trabalho no Brasil sem suprimir direitos historicamente assegurados aos trabalhadores brasileiros”.
O senador Eduardo Gomes (PL-TO), primeiro vice-presidente do Senado, disse que a votação na Câmara foi influenciada pelo temor de reflexos na eleição.
— A gente não pode falar pelo PL da Câmara. Há um direcionamento dessa matéria mais preocupado com o efeito eleitoral dela do que com a colocação da matéria em prática — afirmou, defendendo celeridade na discussão. — O assunto tem que ser enfrentado o mais rápido possível. Há um apelo da população por essa discussão e, a partir daí, a gente vai tomar a decisão.
A proposta alternativa foi protocolada com assinaturas de nomes como o próprio Flávio, Damares Alves (Republicanos-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Sergio Moro (União-PR), Ciro Nogueira (PP-PI), Tereza Cristina (PP-MS), Magno Malta (PL-ES) e Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).
Pressão na campanha
Nos bastidores da campanha, integrantes do entorno de Flávio admitem que o episódio embaralhou o discurso da pré-candidatura justamente em um momento em que o senador tenta ampliar pontes fora do bolsonarismo mais fiel e construir uma agenda econômica própria sem entrar em colisão direta com pautas populares.
A avaliação interna é que o tema possui forte apelo popular e que Flávio não poderia aparecer liderando uma resistência frontal à proposta.
Ao mesmo tempo, aliados afirmam reservadamente que o PL também não poderia simplesmente aderir integralmente à pauta do governo Lula e temem a capitalização por parte do Palácio do Planalto.
Integrantes da campanha admitem reservadamente que a aprovação da PEC aumentou a pressão para que Flávio consiga construir uma agenda econômica própria sem perder espaço numa discussão de forte apelo popular explorada pelo governo Lula.
Outro grupo minimiza o potencial eleitoral da proposta aprovada na Câmara e afirma que temas ligados à jornada de trabalho possuem forte apoio difuso, mas baixa capacidade de alterar efetivamente o voto do eleitor.
— As pessoas confundem quantidade estatística com intensidade. A maioria da população apoia a redução da escala porque nem entende os impactos, só quer mais tempo livre. Mas, na prática, isso não muda o voto de quase ninguém — afirmou Paulo Figueiredo, que passou a semana com o presidenciável em agendas em Washington.
O caminho no Senado
Alcolumbre sinalizou a aliados incômodo com a forma como a PEC foi aprovada pela Câmara. A avaliação é que Hugo Motta acelerou ao aprovar no mesmo dia a iniciativa na comissão especial e no plenário.
Mesmo assim, há um entendimento de que dificilmente o texto será barrado pelos senadores, devido à pressão popular.
A expectativa é que o Congresso esgote todas as etapas da tramitação e coloque as mudanças em prática antes das eleições. Para isso, serão definidas semanas de esforço concentrado para que, mesmo os senadores que estejam em suas bases articulando suas pré-campanhas, possam se organizar e ir para Brasília debater o tema.
O presidente do Senado deve convocar uma reunião de líderes na semana que vem para alinhar um calendário e definir quais comissões irão votar a medida. Também há expectativa de que, depois da reunião, seja definido um relator. O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) é um dos cotados.
A Câmara de Vereadores de Arcoverde arquivou, nesta quinta-feira (28), o pedido de cassação apresentado contra o presidente da Casa, Luciano Pacheco (MDB). A decisão foi tomada durante sessão extraordinária convocada para analisar o parecer da Comissão Processante responsável pelo caso, encerrando a tramitação do processo no Legislativo municipal.
Antes da votação, a comissão apresentou o parecer sobre a continuidade ou não do processo. Pelo rito previsto, caso houvesse aprovação do prosseguimento, a matéria seguiria para a fase de instrução, com coleta de provas e depoimentos de testemunhas indicadas pela defesa e pela acusação. Com o arquivamento aprovado pelos parlamentares, o processo foi encerrado na Câmara.
Após a decisão, apoiadores de Luciano Pacheco comemoraram o resultado nas redes sociais e durante a sessão. Em vídeo divulgado após a votação, o vereador agradeceu: “Obrigado, Jesus”.
Praticamente metade do Senado apoia a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) alternativa ao texto aprovado horas antes pela Câmara dos Deputados sobre o fim da escala 6×1.
O texto tem apoio agora de 40 senadores, 4 a mais do que os 36 que a protocolaram nesta madrugada, conforme revelado pela CNN. As informações são da CNN.
Senadores apresentaram ao longo do dia requerimentos para que eles também constassem cono subscritores da PEC.
O texto, que já entrou oficialmente no sistema de tramitação do Senado sob o número 12 de 2026, prevê que definições sobre carga e escala de trabalho podem ser acertadas mediante negociação entre empregadores e empregados. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já a enviou a Comissão de Constituição e Justiça.
Ela é assinada por inclusive pelo o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e por senadores ligados ao setor produtivo e tem apoio das entidades empresariais.
Na prática, a PEC alternativa constitucionaliza o princípio previsto na reforma trabalhista de 2017 e neutraliza os termos da PEC aprovada na Câmara ontem sobre o assunto.
“É garantida a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo individual, convenção coletiva de trabalho ou livre pactuação contratual direta entre empregado e empregador, inclusive por hora trabalhada, prevalecendo o disposto em contrato individual de trabalho sobre os instrumentos de negociação coletiva”, diz o texto.
Ela também vincula o valor mínimo da hora trabalhada ao valor proporcional do salário mínimo nacional ou do piso da categoria. Trata-se de outra mudança em relação à PEC da Câmara, que prevê a mudança na jornada e na escala sem alteração na remuneração.
“O valor mínimo da hora trabalhada será proporcional ao salário mínimo nacional ou ao piso da categoria, calculado com base na jornada máxima de que trata o inciso XIII, observada a mesma proporcionalidade no cálculo dos demais direitos trabalhistas, incluindo férias, décimo terceiro salário, FGTS e outros benefícios legais, de acordo com a carga horária efetivamente trabalhada”, diz a PEC.
Na justificativa, eles dizem que “esta proposta visa ampliar a liberdade e autonomia do trabalhador na escolha de sua jornada de trabalho e, consequentemente, na definição proporcional de sua remuneração”.
O texto diz ainda que “a PEC assegura ao empregado a escolha entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou uma jornada flexível baseada em horas trabalhadas”, além de afirmar que “essa flexibilidade permite que o trabalhador decida o modelo de jornada que melhor atenda às suas necessidades, conciliando sua vida pessoal com seu trabalho, e possibilita que ele adapte sua rotina às demandas e oportunidades do mercado de trabalho”.
A CNN mostrou mais cedo que senadores planejam uma série de manobras também para evitar que o texto da Câmara seja aprovado com celeridade.
O Governo de Pernambuco publicou, nesta quinta-feira (28), o Decreto nº 60.736/2026, que regulamenta a concessão do Auxílio Pernambuco, um aporte financeiro criado para apoiar famílias de baixa renda que sofreram perdas materiais em decorrência das fortes chuvas registradas no Estado no início do mês.
Com valor de R$ 2.500, pago em parcela única, o auxílio será destinado às famílias residentes em municípios com situação de emergência reconhecida pelo Estado e que atendam aos critérios definidos na legislação. As informações são do Blog da Folha.
“Continuamos trabalhando de forma integrada com os municípios para assegurar apoio às famílias atingidas pelas chuvas e que perderam seus bens. Garantimos também orientação aos municípios para que as pessoas possam receber o auxílio”, destacou a governadora Raquel Lyra.
A secretária de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS), Andreza Pacheco, destaca que a secretaria já realizou reuniões técnicas com os municípios contemplados para orientar sobre os procedimentos de levantamento das informações, envio da documentação e operacionalização do benefício.
“Com a publicação do decreto, avançamos em mais uma etapa importante. Agora, é fundamental que os municípios concluam a identificação das famílias e encaminhem os dados necessários para que possamos realizar as análises e efetivar os pagamentos dentro dos prazos estabelecidos”, explicou.
Após os municípios realizarem a identificação das famílias elegíveis e enviarem as informações necessárias ao Governo do Estado, a gestão estadual irá validar os dados. Depois, o Estado realizará o cadastramento dos beneficiários e efetuará o pagamento diretamente ao responsável familiar registrado no Cadastro Único (CadÚnico), por meio de transferência bancária.
Caso as informações não sejam enviadas pelos municípios no prazo de até 15 dias após a publicação do decreto, o Governo do Estado poderá realizar a verificação diretamente junto às famílias atingidas.
Para receber o benefício, a família deve cumprir, cumulativamente, os seguintes requisitos: residir em município contemplado pela situação de emergência reconhecida pelo Estado, estar inscrita no Cadastro Único (CadÚnico), possuir renda familiar per capita de até meio salário mínimo e comprovar, por meio de documento emitido pelo município, que sofreu danos materiais em decorrência das chuvas.
Entre os danos considerados estão a perda total ou parcial da residência, bem como a inutilização de móveis, eletrodomésticos e outros bens essenciais à habitabilidade e à subsistência da família.
Pagamento O decreto estabelece que o pagamento do Auxílio Pernambuco deverá ocorrer em até 30 dias após a confirmação do cadastro e a validação das informações encaminhadas.
A SAS informa que, paralelamente à recepção dos dados dos municípios, também está finalizando junto à Caixa Econômica Federal os procedimentos operacionais necessários para viabilizar os pagamentos.
Assim que as primeiras listas forem concluídas e validadas, o Governo de Pernambuco divulgará o calendário oficial de pagamento e demais orientações aos beneficiários.
A Comissão Processante da Câmara de Vereadores de Arcoverde votou, nesta quinta-feira (28), pelo arquivamento do pedido de cassação do presidente da Casa, Luciano Pacheco. O parecer do relator, vereador João Marcos (PDT), foi acompanhado pelos demais integrantes da comissão e aprovado posteriormente em plenário.
A denúncia, articulada pela odontóloga Mércia Lumba, apontava suposto exercício simultâneo da advocacia com a presidência da Câmara. Segundo o relator, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não identificou falta grave e, diante da insuficiência de provas, opinou pelo arquivamento do caso.
Durante a sessão, chamou atenção a ausência da vereadora Célia Galindo e os pedidos públicos de desculpas feitos a Luciano Pacheco pelos vereadores João Taxista e Heriberto do Sacolão. Com informações do Blog do Nill Júnior.
O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) presidiu, na última terça-feira (27), audiência pública da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (CINDRE) da Câmara dos Deputados para discutir o cancelamento de R$ 146 milhões destinados a obras de saneamento em municípios do Sertão e Agreste de Pernambuco. Os recursos seriam provenientes do Fundo de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco, criado a partir da desestatização da Eletrobras, e estavam previstos para 16 cidades pernambucanas.
Segundo o parlamentar, o cancelamento foi decidido pelo Comitê Gestor do Fundo sob a justificativa de que a futura concessão da Compesa tornaria os investimentos desnecessários. “A justificativa apresentada pelo Ministério é frágil. Tinha dinheiro para resolver o problema e foi cancelado com a justificativa de se ter um contrato de concessão”, afirmou Pedro Campos. Representando o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Giuseppe Vieira declarou que a decisão ocorreu diante da perspectiva de concessão dos serviços de saneamento. “O Ministério agiu para dar oportunidade a outras demandas, abdicando desses investimentos”, disse.
Durante a audiência, representantes de órgãos federais, do Governo de Pernambuco, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e de prefeituras defenderam a reavaliação da medida. Entre os municípios afetados estão Afogados da Ingazeira, Ibimirim, Petrolândia, Araripina, Serra Talhada e Ouricuri. “O Rio São Francisco tem pressa. Esses recursos cancelados, que já estavam aprovados, seriam um remédio imediato”, afirmou Elias Silva, representante de Afogados da Ingazeira e do Comitê do São Francisco.
O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, afirmou nesta quinta-feira (28) que o crime organizado deve ser combatido, mas que o tema de segurança é tema “nacional”, que cooperação internacional é “bem-vinda”, mas que intervenção é “inaceitável”.
“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socio-econômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável”, disse Celso Amorim. As informações são do g1.
Os Estados Unidos anunciaram a decisão de classificar as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Antes do anúncio, Celso Amorim afirmou em um encontro internacional sobre segurança que o crime organizado deve ser combatido, mas acrescentou que classificar as facções criminosas como organizações terroristas “não ajuda”.
“O crime organizado deve ser combatido com energia e determinação. Equiparar o crime organizado com terrorismo, no entanto, não ajuda. Entender as motivações é essencial para a efetividade da luta contra todos os tipos de crime”, afirmou Amorim.
“O governo brasileiro vai continuar investindo em segurança e bem-estar do seu povo. Entretanto, não podemos ignorar as ameaças de viver em um mundo sem regras no qual o unilateralismo prevalece”, acrescentou.
Em seguida, o assessor do presidente Lula disse que o governo tem dado “cada vez mais atenção” à política de defesa, aumentando competências tecnológicas e modernizando equipamentos para assegurar “capacidade de dissuasão”.
Conforme o anúncio do Departamento de Estado americano, órgão equivalente ao Ministério das Relações Exteriores no Brasil, o PCC e o CV são duas das maiores organizações criminosas violentas.
“Juntas, comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, servidores públicos e civis. Sua influência e atos ilícitos ultrapassam as fronteiras do Brasil”, informou o órgão americano.
Organizações terroristas O anúncio foi feito um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo o parlamentar, Rubio se mostrou favorável à classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.
Flávio também afirmou que conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o assunto. Os dois se reuniram na Casa Branca na terça-feira (26).
Em comunicado desta quinta-feira, o governo americano afirmou que as facções serão designadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (“Specially Designated Global Terrorists”, ou SDGTs) e como “Organizações Terroristas Estrangeiras” (“Foreign Terrorist Organizations”, ou FTOs).
O Departamento de Estado disse que a medida entrará em vigor a partir de 5 de junho.
Em uma rede social, Rubio afirmou que a atuação das facções ultrapassa as fronteiras brasileiras e alcança outros países da região e os Estados Unidos.
“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”, escreveu.
O governo americano disse ainda que a medida reforça o compromisso da administração Trump de “desmantelar cartéis e organizações criminosas” na região.
Nos bastidores, o governo Lula atuava para tentar impedir que os Estados Unidos adotassem a medida.
A avaliação no Palácio do Planalto é que a classificação como grupo terrorista abriria margem para ações mais duras dos Estados Unidos.
Em um cenário extremo, os norte-americanos poderiam usar esse argumento para conduzir uma operação militar no Brasil, como já ocorreu em outros países.
Especialistas em segurança pública também argumentam que a legislação brasileira de combate a facções criminosas prevê penas mais duras do que a lei antiterrorismo.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comentou nesta quinta-feira a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
“Grande dia”, disse o senador nas redes sociais. As informações são do jornal O GLOBO.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou nesta segunda ter designando o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e pretende designar ambos os grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), efetivamente a partir de 5 de junho de 2026.
“O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, agentes públicos e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até o nosso país”, disse a nota do Departamento de Estado.
O comunicado diz ainda que governo Donald Trump “continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos.”
Durante entrevista concedida após o encontro com Trump, Flávio afirmou que havia pedido pessoalmente ao presidente americano que os Estados Unidos classificassem o PCC e o CV como organizações terroristas.
— Enquanto o Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficante, eu vim fazer exatamente o oposto: pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — declarou o senador na ocasião.
Flávio também afirmou durante a viagem que as facções brasileiras “corrompem agentes públicos, intimidam testemunhas e coordenam atentados”, e que “quem faz isso não é gangue. É organização terrorista”.
Nos bastidores da pré-campanha presidencial do senador, aliados avaliam a decisão do governo americano como um gesto político de grande impacto para Flávio, sobretudo por ocorrer logo após a reunião com Trump e em meio ao esforço do PL para tentar encerrar o desgaste provocado pela crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Integrantes da campanha afirmam que a pauta da segurança pública deve ganhar ainda mais centralidade no discurso do senador após a decisão americana e avaliam que o episódio ajuda a reforçar a associação de Flávio ao trumpismo e ao discurso de endurecimento contra o crime organizado.