Por Rinaldo Remígio*
Petrolina viveu, na manhã de hoje, um daqueles dias que não se apagam da memória coletiva. Um dia emblemático, histórico, carregado de significado não apenas para a população petrolinense, mas para todo o Sertão do São Francisco e suas vastas fronteiras humanas.
Porque Petrolina não é apenas uma cidade. Petrolina é um polo, um farol, uma vanguarda permanente dos acontecimentos políticos, sociais e institucionais do Nordeste. É daqui que muitas transformações partem. É daqui que o Sertão se reinventa.
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E hoje, mais uma vez, a história foi escrita com letras de esperança.
Foi lançada a pedra fundamental do futuro Hospital de Olhos da Fundação Altino Ventura, em um espaço destinado à construção da unidade – terreno doado pelo município e aprovado pela Câmara Municipal de Petrolina. Um passo gigantesco para ampliar o acesso à saúde oftalmológica especializada em nossa região.
A chegada da Fundação Altino Ventura ao Sertão representa muito mais do que uma obra física: representa um compromisso com o bem-estar da população sertaneja, envolvendo não apenas Pernambuco, mas também municípios do Piauí, Bahia, Ceará e tantos outros estados nordestinos que reconhecem em Petrolina um centro de referência e acolhimento.
O evento contou com a presença de grandes lideranças, como o Dr. Marcelo Carvalho Ventura Filho, vice-presidente da Fundação, além de figuras públicas que reforçam a importância desse momento.
Mas para mim, particularmente, este dia teve um sabor ainda mais profundo.
Voltei no tempo.
Recordei-me do ano de 1974, quando eu tinha apenas 14 anos de idade. Naquele tempo, eu me preparava para ser empossado como menor aprendiz do Banco do Brasil, em Afogados da Ingazeira. Era um jovem cheio de sonhos, atravessando as primeiras responsabilidades da vida.
Foi justamente naquele período que fiz meu primeiro exame de vista com o inesquecível Dr. Altino Ventura na sua clínica no bairro da Boa Vista em Recife.
Um médico que não apenas examinava olhos – mas enxergava pessoas. Um homem cuja missão ultrapassou o consultório e se transformou em legado.
E hoje, décadas depois, tive o privilégio singular de conhecer um de seus filhos, o Dr. Marcelo Ventura.
Foi, sem dúvidas, um momento muito importante. Um encontro simbólico entre passado e futuro. Entre a memória de um adolescente sertanejo em 1974 e a esperança concreta de milhares de sertanejos que agora terão, em Petrolina, uma nova porta aberta para a saúde, para a dignidade e para a visão.
A Fundação Altino Ventura chega como quem planta luz no Sertão.
E Petrolina, mais uma vez, confirma sua vocação: ser ponte, ser referência, ser chão firme onde grandes projetos se tornam realidade.
Hoje não foi apenas o lançamento de uma pedra fundamental.
Hoje foi o lançamento de um novo tempo.
*Professor universitário aposentado e memorialista!
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