Se o leitor não conseguiu acompanhar a entrevista do cantor e compositor Luiz Ayrão ao quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, é o convidado do meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o Direto de Brasília, de amanhã. Excepcionalmente, o programa será transmitido na quarta-feira, em função da agenda do ministro. Sucessor de Fernando Haddad no comando da pasta, Durigan vai falar sobre os desafios das contas públicas, juros, dívida, reforma tributária e as medidas que o governo pretende levar adiante no Congresso.
Entre os assuntos em destaque está a chamada “taxa das blusinhas”. Durigan anunciou que o governo vai concentrar esforços no Congresso para aprovar a medida provisória que acaba com a alíquota federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A MP precisa ser aprovada até 8 de setembro para não perder a validade.
Em suas declarações mais recentes, Durigan tem elevado o tom na defesa do equilíbrio das contas públicas. Nesta semana, afirmou que o Brasil precisa ter com a irresponsabilidade fiscal a mesma intolerância construída contra a inflação e pregou a busca por “juros civilizados”. O ministro também disse que a equipe econômica está preparada para realizar um novo esforço fiscal equivalente a cerca de 2% do PIB em um eventual próximo mandato do presidente Lula, com atenção especial ao controle das despesas obrigatórias. Também tem sustentado a manutenção, com aperfeiçoamentos, do atual arcabouço fiscal e criticado propostas apresentadas pela oposição para as contas públicas.
Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), Durigan assumiu o Ministério da Fazenda em março deste ano, após a saída de Fernando Haddad. Antes, ocupava desde 2023 a Secretaria-Executiva da pasta, onde participou da formulação e articulação de algumas das principais agendas econômicas do governo, entre elas o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária. Sua trajetória profissional inclui ainda passagens pela Advocacia-Geral da União (AGU), pela Casa Civil, pela Prefeitura de São Paulo e pelo setor privado.
Nos últimos meses, Durigan ganhou ainda mais espaço na formulação da política econômica. O ministro tem buscado diálogo com economistas de diferentes correntes para discutir alternativas destinadas a estabilizar a dívida pública, reduzir o risco fiscal e criar condições para a queda dos juros.
O Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas, a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras, na Paraíba, e a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid. Ainda a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado, além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) exibem parcerias com o presidente Lula (PT), mas enquanto a governadora que superou desvantagem nas pesquisas evita nacionalizar para se reeleger, o ex-prefeito de Recife invoca presidente para virar o jogo. Abaixo, uma entrevista realizada com o ex-prefeito do Recife e candidato ao governo no Estado.
O senhor passou a evocar muito mais o apoio de Lula depois que a governadora cresceu nas pesquisas. É mero senso de necessidade?
Isso é parte de uma aliança nacional e local, além de ter um componente de história e de futuro. A aliança entre Lula e Geraldo Alckmin (PSB) resultou na vitória de 2022. Estou pronto para ganhar ao lado do presidente e governar ao lado dele, filho da nossa terra.
Fizemos muitas parcerias no Recife, e chegou a hora de fazer no estado. Temos de destravar parcerias históricas como a Transnordestina, que Lula me disse que foi compromisso de campanha dele com Miguel Arraes (seu bisavô) em 1989, que depois começou e até hoje não foi concluída. Como governador, vou pedir que passe isso para o estado para fazermos a coordenação.
Raquel Lyra exalta a parceria institucional que diz já ter com o presidente. Colocar Lula na campanha parece ser uma aposta nítida sua.
Tenho orgulho de mostrar com quem ando, quem apoio. O Brasil tem dois lados na eleição, e aqui em Pernambuco também. Então é natural esse alinhamento.
Mas Raquel Lyra não é uma aliada do bolsonarismo.
Todos os bolsonaristas candidatos em Pernambuco fazem campanha para ela. Incluindo o ex-ministro (de Jair Bolsonaro) Gilson Machado, candidatos ligados ao militarismo, os do PL; pessoas que estavam no 8 de Janeiro, gente que defende a ditadura militar. A própria Michelle Bolsonaro repostou coisa dela esta semana.
Há um ano e meio, o senhor disse ao GLOBO que “eleição é comparação”, o que o colocaria em vantagem. No entanto, Raquel agora lidera as pesquisas. A comparação parece estar favorecendo a governadora?
Pernambuco pode fazer muito mais. Estamos sendo ultrapassados por outros estados do Nordeste. Precisamos criar projetos estruturantes.
Não tem uma grande indústria que veio para Pernambuco nos últimos três anos e meio, não há grandes ciclos de investimento. Fábrica de automóveis foi para a Bahia; datacenter, para o Ceará; um supercomputador de IA com R$ 1 bilhão de investimentos vai para o Rio Grande do Norte.
Se comparar a minha gestão (em Recife) com a do estado, não tenho dúvidas de quem se sai melhor. Fomos a cidade do Brasil que mais abriu vagas em creche por três anos seguidos. Não há um hospital novo construído em Pernambuco. No último semestre, 60% dos empregos gerados em Pernambuco foram no Recife.
Raquel alega haver um gabinete do ódio com fake news contra ela, tem judicializado isso. Está partindo de aliados seus?
Há quase dois anos, o que existe é um gabinete do ódio liderado pela oposição a mim, ligada ao governo do estado, que passa manhã, tarde e noite me atacando nas redes sociais, com direito a deepfakes (imagens manipuladas por IA).
Depois que fui reeleito, montou-se essa estrutura. Denunciei há mais de um ano e meio. Abriu-se até CPI na Assembleia, isso foi denunciado à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal, e há inquérito em curso investigando pessoas ligadas ao governo.
São mais de 90 ações no TRE, com êxito de mais de 80% a meu favor. Há uma tentativa clara de mudança de retórica, que é uma prática da extrema direita e da direita para mudar os fatos.
Em 2022, o PSB não chegou sequer ao segundo turno em Pernambuco, mesmo com a máquina. Quando e onde o partido errou?
Antes, é bom lembrar que Raquel passou dez anos filiada ao PSB, foi deputada pelo partido, secretária e procuradora do Estado. O pai dela foi vice de Eduardo Campos (seu pai).
As pessoas esquecem que em parte dessa caminhada havia um alinhamento. Eduardo Campos foi o maior líder da história de Pernambuco, mas depois o processo de alternância de poder é algo absolutamente normal: eleição se vence e se perde.
Agora temos a oportunidade de construir um novo ciclo. Não serei um analista do passado.
Ao contrário de outros estados do Nordeste, a violência não é a principal preocupação em Pernambuco, segundo as pesquisas. Qual é a pauta central da campanha?
A segurança é, sim, uma preocupação, assim como a saúde, e o estado reduziu investimentos. Tem um cenário caótico, nenhum hospital novo construído, teto caindo, rato e escorpião nas unidades.
E existe a presença das facções entrando em Pernambuco, tomando territórios. Temos um problema de abastecimento de água severo. A educação, que era referência no Brasil, perdeu qualidade.
Precisamos de uma infraestrutura e grandes realizações que não estão chegando a Pernambuco.
Na entrevista que deu ao Correio da Manhã na semana passada, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) concordou que a democracia brasileira corre risco. Na avaliação dele, não pelo risco de uma ameaça golpista. Mas porque o pacto entre os poderes estabelecido na Constituição de 1988 esgarçou-se. Hoje, avalia Mourão, os três poderes brasileiros estão desequilibrados. Competindo entre si.
É essa a situação que gera riscos à democracia brasileira, na opinião do senador gaúcho. Na linha da análise feita por Mourão, o Correio Político ouviu um dos principais líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), o ex-juiz eleitoral Márlon Reis, criador da Lei da Ficha Limpa. Márlon concorda que existe hoje, sim, um desequilíbrio entre os poderes. Para ele, por “imaturidade institucional”. Aparente falta de vontade real de resolver o problema.
Políticos de direita gostam de repetir que o desequilíbrio hoje faria a balança pender mais para o Judiciário. Márlon não concorda. “Todos os poderes, em alguma medida, estão excedendo e entrando na seara dos demais”, considera o autor da Lei da Ficha Limpa. Márlon Reis cita o problema das emendas parlamentares ao orçamento, um ponto que o MCCE trabalha agora para tentar de alguma forma regulamentar. “O Congresso Nacional usurpou poderes do Executivo com as emendas impositivas”, considera.
Ao vetar na segunda-feira (24) as chamadas “emendas de liderança”, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino disse que o orçamento é hoje a principal “fonte de corrupção” do país. No que diz respeito ao desequilíbrio entre os poderes, o que acontece, segundo Márlon Reis, é que esse modelo corrói a forma como hoje estão sendo eleitos os parlamentares, principalmente os deputados federais. A união do dinheiro das emendas com o voto proporcional em lista faz com que a participação de do eleitor seja pouca.
Temos, assim, a manutenção de uma liderança política no Congresso quase fora do escrutínio popular colocando um dos poderes da República à mercê unicamente dos seus próprios interesses. Vai se confirmando algo que já dissemos por aqui: a estimativa é que mais de 80% da atual Câmara seja reeleita, com uma renovação de menos de 20%. E não porque o eleitor quer assim.
Essa seria, na avaliação de Márlon Reis, a raiz da razão pela qual a balança dos poderes mais e mais se desequilibra na tentativa de manter funcionando o famoso sistema de freios e contrapesos. O Legislativo avança sobre o Executivo. O Executivo reage. O Judiciário entra para corrigir. E tudo isso vai gerando mais desarmonia.
Segundo Márlon Reis, com a administração dos recursos dos fundos eleitoral e partidário e o dinheiro das emendas, os líderes partidários, que elaboram as listas, conseguem calcular, com mais de 90% de acerto, quem e quantos irá eleger em cada estado. É, portanto, uma eleição sem surpresas, que mantém no comando os mesmos líderes.
Hoje, há quase um consenso entre líderes partidários de que uma reforma do Judiciário será um dos principais temas da pauta do Congresso no ano que vem. Mas talvez não fosse somente os poderes do Judiciário que deveriam ser revistos. Caberia ao Congresso, como o poder legislador, levar adiante essa discussão.
Mas diante da distorção no modelo de eleição, conseguirá o Congresso fazer isso? Ou, mais do que isso, terá interesse em fazer isso? “O modo como os nossos parlamentares são eleitos compromete a qualidade da representação política. Isso, a meu ver, é a principal causa do dissenso entre os poderes”. avalia o diretor do MCCE.
“Falta o equilíbrio da parte de quem mais deveria ter, que é o trabalhador da norma”, considera Márlon. O ex-juiz eleitoral tentará, de qualquer modo, quebrar essa lógica. Ele é candidato a deputado federal pela Rede em São Paulo. Talvez ali a candidatura de Marina Silva ao Senado possa ajudar a puxar votos para os candidatos a deputado.
Um caminho, talvez, para quebrar o padrão que o próprio Márlon aponta de jogo jogado na eleição para a Câmara dos Deputados. A solução de tudo, portanto, é um novo pacto entre os poderes. O risco de tudo, portanto, é uma acentuação da atual queda de braço entre eles. No meio de tudo, nossa frágil democracia aos seus 41 anos.
Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) exibem parcerias com o presidente Lula (PT), mas enquanto a governadora que superou desvantagem nas pesquisas evita nacionalizar para se reeleger, o ex-prefeito de Recife invoca presidente para virar o jogo. Abaixo, uma entrevista realizada com a chefe do Executivo Estadual.
A senhora tem feito acenos a Lula desde o início do ano passado, apesar do apoio dele a João Campos (PSB). Espera uma postura mais neutra do presidente no estado?
O que temos construído desde o início do mandato são parcerias. Pedi que qualquer eventual disputa eleitoral não atrapalhasse o que poderíamos construir pelo estado, e ele deixou claro que trabalharia conosco. Pernambuco sofre muito em governos anteriores ao brigar com presidentes. Essa relação que construímos se tornou de confiança.
Lula colocou à disposição seus ministros e tivemos entregas reais na vida da população.
Lula chegou a gravar um vídeo com Campos neste início de campanha, e levantamentos internos mostram crescimento dele quando associado ao petista. Como pretende neutralizar isso? Vai declarar voto no petista?
Vou continuar fazendo o que sempre fiz: falar de Pernambuco, dos desafios e das entregas. Batemos recorde de geração de empregos e de redução da criminalidade.
O futuro do estado passa, sim, por construir pontes. O presidente Lula, neste momento eleitoral, tem uma parceria partidária, mas Pernambuco não tem dono.
Sou grata a ele e seus ministros, mas estamos lançando aqui um neologismo: sou pernambucanista.
Outra questão é o fato de o PSD ter Ronaldo Caiado como presidenciável. Vai recebê-lo em Pernambuco ou dar bolo nele quando visitar o estado?
Minha entrada no PSD não se deu do dia para a noite. Gilberto Kassab (presidente da sigla e vice de Caiado) me deu liberdade para construir o partido no estado. Filiamos 80 dos 184 prefeitos.
O que está em jogo é a liberdade que ele me deu, e essa liberdade me permite considerar que, neste momento, o mais importante é cuidar de Pernambuco.
A que atribui seu crescimento nas pesquisas, depois de Campos liderar com folga por muito tempo? Foi o clássico uso da máquina?
Não se trata de uso da máquina. Em três anos e meio, avançamos mais que nos oito anos do governo que nos antecedeu (Paulo Câmara, do PSB). Geramos mais empregos de carteira assinada que nos 12 anos anteriores.
Estamos recuperando a infraestrutura de Pernambuco: estradas, portos, aeroportos. Entregamos resultados sem o vale-tudo político. Tivemos um mesmo partido (PSB) por muito tempo entranhado no poder, se achando dono do povo.
Esse discurso não é contraditório pelo fato de a senhora ser filha de um ex-governador, João Lyra Neto, que foi vice do pai de seu rival, Eduardo Campos, do PSB?
Eu vi esse estado funcionar e deixar de funcionar. O que vivemos em Pernambuco foi um projeto que se ensimesmou em se manter no poder, mas o povo decidiu mudar ao eleger uma prefeita do interior, de Caruaru. Experimentou uma mulher.
A saúde é o maior problema do estado, segundo ouvido em pesquisa Quaest, e a senhora é acusada pela oposição de reduzir investimentos. É seu principal gargalo?
Pegamos a saúde completamente sucateada. O que acontece nos hospitais não é fruto de um ano ou dois de governo, e sim de um longo abandono.
Mas não é verdade que estamos reduzindo investimentos. Ao contrário: estamos batendo recorde ano a ano, com reformas, requalificação, materiais novos. Tem muita falácia sobre o tema.
Outra crise recente envolveu a acusação de espionagem de um secretário da Prefeitura do Recife, então comandada por João Campos. Houve aparelhamento da polícia?
Sou governadora do estado, procuradora, fui delegada da PF. Eu jamais ordenaria ou determinaria qualquer tipo de condução da polícia nesse sentido. Qualquer desvio de conduta pode e precisa ser apurado.
As pesquisas indicam uma eleição apertada. Qual será o fator decisivo?
Ao longo de três anos e meio, arrumamos a casa; o estado estava sem capacidade de investimento algum. Tomamos decisões difíceis e duras, porque não sou mulher de fazer atalhos, mas estamos fazendo o estado voltar a ser protagonista de sua história.
É claro que não está tudo perfeito, mas entregamos muito. É uma campanha de amor contra o ódio, com muita propagação de fake news e um nível muito baixo de discussão.
O que configura esse “ódio”?
Fizeram CPIs e pedidos de impeachment, mesmo eu sendo uma governadora honesta, trabalhadora e que entrega, que não está aqui para se satisfazer do poder.
Denunciei ao Tribunal Regional Eleitoral o uso de robotização, com indícios muito claros da existência de um gabinete do ódio com perfis para divulgar fake news sobre mim. Nossa campanha vem judicializando isso.
Quem te viu e quem te vê. Essa é uma expressão que cai como uma luva para definir o neo-direitista Túlio Gadelha (PSD), candidato da chapa governista da governadora Raquel Lyra (PSD) ao Senado em Pernambuco.
Sem conseguir pontuar nas pesquisas, sem demonstrar viabilidade eleitoral e muito menos entusiasmo depois do lançamento da candidatura de Mendonça Filho, Túlio, que se desvinculou da esquerda em busca do eleitorado de direita, acabou descobrindo que a direita também não o abraçou. Mendonça resgatou um eleitorado que jamais se identificaria com Túlio, enquanto ele, ao se afastar da esquerda, perdeu justamente a base com a qual tinha alguma identidade.
Nesse contexto, a primeira fatura chegou antes mesmo da eleição. E a governadora teve de ceder. Raquel Lyra, que iniciou o mandato cultivando certo pudor na distribuição de cargos no governo, chega ao fim do primeiro mandato, candidata à reeleição, com outra postura: distribui cargos a torto e a direito na tentativa de acomodar interesses, apaziguar os ânimos e construir as condições para a própria sobrevivência eleitoral.
Túlio acaba de indicar o secretário de Esportes do Estado. E há quem aposte que, depois da derrota eleitoral de 4 de outubro, seu destino poderá ser justamente o Palácio do Campo das Princesas, em algum cargo de secretário estadual.
Seria, no mínimo, uma curiosa maneira de reparar os danos causados por ele mesmo à própria trajetória política.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarca, hoje, em Alagoas, em sua primeira viagem ao Nordeste desde o início oficial da campanha presidencial sem a expectativa de ter ao seu lado dois dos principais nomes que esperava agregar ao palanque no estado. O candidato ao governo JHC (PSDB) e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que disputa o Senado, não devem participar dos compromissos do presidenciável em Maceió e Arapiraca.
No caso de Lira, a distância deve ficar ainda mais evidente no segundo dia da passagem de Flávio. O deputado confirmou presença na quarta-feira, às 14h, em uma agenda eleitoral própria no município de Feliz Deserto, enquanto o presidenciável ainda estará em Alagoas. Material de divulgação do encontro anuncia Lira ao lado de lideranças políticas locais. Procurado, o ex-presidente da Câmara não se manifestou. As informações são do portal O Globo.
O desenho da viagem expõe uma dificuldade que acompanha Flávio em sua primeira incursão pelo Nordeste: transformar alianças estaduais que incluem o PL em apoio à candidatura presidencial. Embora tenha escolhido para a estreia justamente o estado de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), o senador chega a Alagoas sem a perspectiva, até agora, de reunir em torno de si os principais nomes da chapa local.
A cautela ocorre na região em que Flávio enfrenta sua maior desvantagem eleitoral. No recorte do Nordeste da última pesquisa Datafolha para o primeiro turno, Lula aparece com 53% das intenções de voto, contra 25% do candidato do PL, uma diferença de 28 pontos. O desempenho do petista pesa no cálculo de políticos envolvidos em disputas locais sobre o grau de envolvimento na campanha nacional e dificulta a tentativa de Flávio de reproduzir na região o movimento de aproximação com aliados que busca construir em outros estados.
Flávio inicia a programação nesta terça-feira em Maceió. Depois de desembarcar no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, participa de uma carreata de cerca de oito quilômetros. À tarde, encontra empresários do setor produtivo na Associação Comercial e, à noite, participa da convenção que comemora os 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas. A viagem prossegue na quarta-feira, com compromissos em Arapiraca.
A ausência esperada de JHC chama atenção porque o PL integra a aliança que sustenta sua candidatura ao governo de Alagoas. O ex-prefeito de Maceió, porém, deixou o partido em março e migrou para o PSDB, que adotou neutralidade na disputa pelo Planalto. A assessoria do candidato informou que não há previsão de que ele participe dos compromissos de Flávio.
JHC também manteve interlocução com o governo federal nos últimos anos. Em 2025, quando ainda comandava a prefeitura de Maceió, atuou em Brasília pela indicação de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça. A nomeação aproximou o então prefeito de setores do governo Lula.
Marina Candia (PSDB), mulher de JHC e candidata ao Senado, deve seguir a estratégia eleitoral do marido e também evitar uma vinculação mais direta à campanha presidencial. Embora dispute uma das vagas em uma aliança que inclui o PL, ela é filiada ao PSDB e sua candidatura está diretamente ligada ao projeto do marido para o governo.
A postura contrasta com a expectativa manifestada pelo próprio Flávio. Em uma de suas lives, o senador citou JHC ao falar do palanque que esperava ter em Alagoas e mencionou também Marina e Lira entre os nomes dos quais esperava apoio no estado.
Lira é outra peça importante desse desenho. Além de candidato ao Senado, o ex-presidente da Câmara é uma das principais lideranças políticas de Alagoas e mantém influência sobre prefeitos e parlamentares. Até agora, porém, não há previsão de que acompanhe Flávio nos compromissos da viagem, e sua agenda própria na quarta-feira reforça a distância entre as duas campanhas.
Essa distância já havia aparecido nos bastidores da campanha. Neste mês, Lira passou pela sede do QG do presidenciável em Brasília, mas saiu sem conversar ou gravar com Flávio. Segundo interlocutores, havia dado carona a um vereador de Maceió que tinha gravações previstas para a campanha e aproveitou a passagem para tentar resolver assuntos relacionados a Alagoas e procurar Gaspar, que não estava no local.
Lira permaneceu algum tempo na sede, conversou com integrantes da campanha e parlamentares e depois saiu para cumprir uma audiência. Flávio estava no andar de cima, dedicado a uma sequência de gravações, e os dois não chegaram a se encontrar.
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) julga, amanhã, os recursos contra a cassação do prefeito de Cabrobó, Elioenai Dias Santos Filho, e da vice-prefeita Georgia Fernanda Torres de Oliveira. A análise do memorial apresentado pelo advogado eleitoral Delmiro Campos, que defende a manutenção das sentenças, aponta um cenário de difícil reversão da condenação, embora a decisão caiba ao plenário do Tribunal.
Em primeira instância, a Justiça Eleitoral determinou a cassação dos diplomas, inelegibilidade por oito anos e multa relacionada ao artigo 41-A da Lei das Eleições. A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) também opinou pelo não provimento dos recursos.
Provas materiais pesam no julgamento
O principal argumento pela manutenção da sentença é a existência de um conjunto de provas materiais, periciais e digitais.
Durante investigação sobre abastecimentos ocorridos no dia de uma carreata da campanha de 2024, foram apreendidos R$ 55.548,58 em vales-combustível, além de celulares e HDs. Segundo o memorial, a perícia da Polícia Federal identificou diálogos nos quais o irmão do prefeito negociava os vales e o pai realizava pagamentos. O documento destaca ainda movimentação de R$ 126.352,51 no caixa de um dos postos, muito superior aos dias anteriores.
Outro obstáculo para os recursos é que o próprio TRE-PE já analisou questionamento sobre a legalidade da busca, apreensão e acesso aos dados, ao julgar habeas corpus relacionado ao caso. O memorial sustenta, por isso, que essa discussão já estaria superada na Corte.
Parecer da PRE reforça sentença
A Procuradoria Regional Eleitoral produziu parecer de 26 páginas e 118 itens, posicionando-se pela manutenção das condenações. Para a PRE, conforme reproduzido nos memoriais, o conjunto probatório seria robusto e suficiente para demonstrar a participação dos envolvidos.
O documento também cita precedente recente do TSE envolvendo Cachoeira Alta (GO), no qual foram mantidas sanções contra prefeito e vice em caso relacionado à distribuição massiva de combustível. Para os autores do memorial, o julgamento apresenta semelhanças relevantes com o processo de Cabrobó.
Reversão exigiria superar vários fundamentos
O cenário é considerado difícil porque a defesa precisaria superar simultaneamente a sentença condenatória, o conjunto de provas materiais e periciais, o parecer da PRE e questões sobre a licitude das provas já enfrentadas pelo próprio TRE-PE.
Isso não significa resultado antecipado. Caberá aos desembargadores avaliar os argumentos apresentados pelas partes.
Os recursos nº 0600397-53.2024.6.17.0077 e 0600398-38.2024.6.17.0077, sob relatoria do desembargador Washington Luís Macedo de Amorim, estão indicados para julgamento nesta quarta-feira (26), às 14h.
O julgamento poderá definir um novo capítulo na situação política de Cabrobó e esclarecer se o TRE-PE manterá ou reformará as decisões proferidas pela 77ª Zona Eleitoral.
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou que o vazamento de informações sigilosas pode acabar comprometendo a investigação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A declaração foi dada enquanto Haddad comentava as críticas feitas pelo advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, sobre a divulgação de informações relacionadas ao inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho do presidente. As informações são do portal Metrópoles.
Questionado sobre o assunto, Haddad destacou que a investigação precisa seguir os procedimentos legais para que eventuais irregularidades não prejudiquem o próprio processo. Segundo ele, uma quebra irregular de sigilo pode gerar consequências posteriormente e até colocar em risco o resultado da investigação.
“Se você quiser se valer da sua autoridade para quebrar um sigilo definido pela Justiça, você vai acabar incidindo num erro”, avaliou.
A defesa de Lulinha pediu que os vazamentos fossem investigados e, após o pedido, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou que a Polícia Federal apure como informações sigilosas do caso chegaram a público. Para Haddad, o problema é que uma irregularidade cometida durante a investigação pode, no futuro, abrir espaço para questionamentos sobre a validade do processo.
“Você pode ter até dividendos políticos de curto prazo, mas não vai fazer justiça no médio e longo prazo”, disse.
O candidato ressaltou ainda que o governo federal não deve interferir no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração. Segundo ele, ministros, superintendentes e delegados devem ter liberdade para conduzir as investigações. Haddad defendeu que o caso siga normalmente e que uma eventual condenação ou absolvição seja definida com base nas provas reunidas durante a investigação e no processo.
No fim, Haddad disse que, para ele, o resultado da investigação deve ser aceito independentemente de quem seja beneficiado ou prejudicado.
“O que importa é fazer justiça. Doa a quem doer, seja qual for o resultado”, declarou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai evitar, na largada da corrida eleitoral, visitar estados em que mais de um candidato disputa o seu apoio, na tentativa de reduzir atritos que possam atrapalhar a campanha à reeleição. A situação ocorre em Pernambuco, na Paraíba e no Maranhão. A campanha tenta se equilibrar entre as pressões dos aliados locais e a estratégia que privilegia o palanque nacional. Em 2022, Lula alcançou 66% dos votos no segundo turno nos dois primeiros estados e chegou a 71% no Maranhão.
Integrantes do grupo mais próximo ao presidente avaliam que uma margem folgada no Nordeste é essencial para os planos, diante da possibilidade de o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ficar na dianteira em estados populosos como São Paulo e Rio.
Pernambuco tem a disputa mais evidente. Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) defendem o voto em Lula, que apoia Campos enquanto tenta não desagradar Lyra. Em 12 de agosto, o presidente recebeu o ex-prefeito em Brasília e gravou uma participação no programa que ele levará à televisão.
João Campos pressiona
Outro pedido, no entanto, não foi atendido, ao menos até o momento. Campos levou à cúpula do PT um cronograma de possíveis agendas ao lado de Lula em Pernambuco e ressaltou que o titular do Palácio do Planalto nunca deixa de ir ao estado natal nas campanhas — o petista nasceu em Garanhuns, município de 142 mil habitantes no agreste pernambucano. Campos voltou ao Recife sem uma data confirmada, mas vem insistindo com os dirigentes petistas.
Enquanto isso, Campos usa as redes na tentativa de colar a imagem à do presidente, aparecendo inclusive em uma casa de taipa em Garanhuns e publicando fotos com Lula.
— Nunca tive dúvida. O presidente sempre afirmou que apoia a nossa candidatura. Isso é nítido e é um caminho natural, porque o PSB é o principal partido aliado a ele — disse Campos ao deixar a gravação com Lula, em 14 de agosto.
Ao mesmo tempo, Raquel Lyra mantém interlocução com o presidente, é apoiada por aliados dele e tem reforçado o discurso de parceria com o governo federal. Na comparação com o adversário, no entanto, ela nacionaliza menos a disputa. Em entrevista ao GLOBO, ela disse que é “pernambuquista” ao ser perguntada se apoiaria o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, e afirmou que recebeu aval do presidente do partido, Gilberto Kassab, de conduzir a campanha com “liberdade”.
Interlocutores da governadora afirmam que ela vai reconhecer o empenho de Lula em atender pleitos do estado e buscará mostrar que sempre teve portas abertas em Brasília. Não há na campanha de Lyra expectativa de que Lula declare apoio, mas os aliados apostam em um voto casado que já aparece na campanha em camisas e bandeiras vermelhas, cor do PT, e roxas. A fim de escapar de uma disputa nacional,a governadora tenta destacar o aspecto regional do pleito.
Na Paraíba, a disputa pelo apoio de Lula é ao Senado. O candidato do presidente ao governo é Lucas Ribeiro (PP), que tenta a reeleição, com o ex-governador João Azevedo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos) concorrendo ao Senado. Na última semana, Ribeiro e Azevedo gravaram em Brasília com Lula. Antes disso, o presidente já havia gravado, em julho, um vídeo declarando apoio a Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que tentará se reeleger. Veneziano está na chapa do candidato do MDB ao governo, Cícero Lucena, que tentou ter apoio do PT, mas perdeu a aliança.
Pai do deputado Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara, Nabor ficou fora da lista, o que gerou incômodo no filho — que, apesar disso, declarou voto em Lula.
— É como se Lula tivesse três candidatos ao Senado: dois na nossa chapa e um na chapa de oposição. Eu diria que é um bom problema para Lula — afirmou Azevedo.
Já no Maranhão, um racha no grupo que venceu a disputa em 2022 mudou o cenário. O PT lançou o vice-governador Felipe Camarão, depois que as negociações com o grupo do governador Carlos Brandão (MDB) não avançaram. Camarão, no entanto, enfrenta resistências frente ao favoritismo de Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís, e de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual governador.
Disputa entre aliados
Orleans faz campanha usando o nome de Lula. Com apoio do tio, usa o discurso de que os resultados da gestão de Brandão ocorreram em parceria com o governo federal. Orleans foi secretário de Assuntos Municipalistas e conta com apoio inclusive de alas do PT.
— Vamos trabalhar divulgando as parcerias que o Lula tem com o Maranhão, pedindo voto e firme no compromisso de dar a ele votação mais expressiva do que nas eleições anteriores — diz Orleans.
Também na disputa ao governo, Braide, por sua vez, marca uma distância maior do pleito nacional e tenta fisgar também o eleitorado de direita. Ele, no entanto, tem na chapa como candidato ao Senado André Fufuca (PP), que foi ministro do Esporte de Lula e defende o voto no presidente.
Desde o início da campanha, Lula já visitou cinco estados e realizou atos eleitorais em quatro: São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Com o máximo respeito à Band pela história de 40 anos na defesa da democracia com seus debates presidenciais, o de domingo passado não passou de um grande picadeiro, espetáculo grotesco. Serviu apenas para atacar o presidente Lula, que, acertadamente, não aceitou o convite da emissora.
Renan Santos, como escreveu o jornalista Bernardo Melo Franco, mostrou a que veio ao exibir duas fraldas com os nomes de Lula e Flávio. Ao longo do debate, despejou falas misóginas e xingou eleitores dos adversários. Chegou a ser repreendido por Cury, que se disse espantado com sua agressividade.
Também estreante em eleições, o psiquiatra se mostrou uma metralhadora de chavões de autoajuda embrulhada num exótico terno verde. Faltou explicar o que faz na corrida presidencial.
Ronaldo Caiado não soube aproveitar o fato de ser o único presente com experiência política. Gastou a maior parte do tempo descrevendo Goiás como um paraíso nos trópicos.
Lula foi injuriado e caluniado diversas vezes e isso ainda foi tratado pelo “jornalismo” da Band como a coisa mais natural do mundo. Lamentável, reprovável. Concordo com a jornalista Cristina Serra, ex-TV Globo em Brasília, que classificou Renan de candidato fascistoide e histriônico.
Um moleque, a bem da verdade, que encontrou o palco livre para fazer cortes para as redes sociais dizendo as maiores barbaridades. Esses debates televisivos já tiveram seu tempo. Foram muito úteis nas primeiras eleições, após a retomada da democracia.
Conclui Serra, e assino embaixo: “Mas hoje em dia perderam totalmente a razão de ser. Repetem uma fórmula falida e nada acrescentam ao eleitor. Lula fez muitíssimo bem em não comparecer a um circo midiático de péssimo gosto”.
NEM CAIADO! – Mais experiente dos três candidatos, Ronaldo Caiado, do PSD, perdeu uma boa oportunidade para se diferenciar dos dois nanicos presentes – Augusto Cury, do Avante, e Renan Santos, do Missão. Afirmou que vai atuar para baixar a taxa de juros “a patamares de 6%” e que “derrotar o Lula” é a primeira coisa para essas medidas acontecerem. “De uma maneira direta, precisa de um choque de credibilidade. A pessoa que assumir o governo, a presidência da República, precisa ter autoridade moral. E nessa hora eu não vou endividar o país. Eu vou conter as despesas do país”, disse. O ex-governador listou feitos em Goiás para exemplificar suas propostas, por exemplo, ao responder sobre temas de segurança pública e educação.
Eduardo na estratégia de Raquel – Em sabatina, ontem, na rádio JC, o candidato a senador pela federação União Progressista, Eduardo da Fonte, seguiu a estratégia da governadora e ficou em cima do muro ao ser questionado sobre qual seria seu candidato a presidente da República. “O meu presidente da República é Pernambuco”, afirmou. O candidato recorreu a votações realizadas durante seus mandatos na Câmara para defender uma postura de independência em relação a quem ocupar o Executivo federal. Citou posições nas reformas da Previdência e trabalhista, além de pautas envolvendo o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a redução da jornada de trabalho.
Amor e ódio – Em entrevista ao jornal O Globo, Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) apontaram a existência de supostos gabinetes do ódio, operados por adversários, que estariam propagando notícias falsas nas redes sociais. Questionada sobre o acirramento numérico demonstrado nas últimas pesquisas, Raquel fez questão de ressaltar que o pleito se trata de uma disputa do “amor contra o ódio”.
CPI e impeachment – E completou: “Ao longo de três anos e meio, arrumamos a casa; o estado estava sem capacidade de investimento algum. Tomamos decisões difíceis e duras, porque não sou mulher de fazer atalhos, mas estamos fazendo o estado voltar a ser protagonista de sua história. É claro que não está tudo perfeito, mas entregamos muito. É uma campanha de amor contra o ódio, com muita propagação de fake news e um nível muito baixo de discussão”. De acordo com a governadora e candidata à reeleição, sua gestão vem sendo alvo de perseguição e as ações têm a ciência da Justiça Eleitoral. “Fizeram CPIs e pedidos de impeachment, mesmo eu sendo uma governadora honesta, trabalhadora e que entrega, que não está aqui para se satisfazer do poder. Denunciei ao Tribunal Regional Eleitoral o uso de robotização, com indícios muito claros da existência de um gabinete do ódio com perfis para divulgar fake news sobre mim. Nossa campanha vem judicializando isso”.
Gabinete do ódio – João Campos, por sua vez, alegou que uma organização teria sido montada logo após o início do seu segundo mandato à frente da Prefeitura do Recife. O socialista utilizou como exemplo o episódio em que a Polícia Civil de Pernambuco foi acusada de monitorar ilegalmente servidores da gestão municipal. “Há quase dois anos, o que existe é um gabinete do ódio liderado pela oposição a mim, ligada ao governo do estado, que passa manhã, tarde e noite me atacando nas redes sociais, com direito a deepfakes. Depois que fui reeleito, montou-se essa estrutura. Denunciei há mais de um ano e meio. Abriu-se até CPI na Assembleia, isso foi denunciado à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal, e há inquérito em curso investigando pessoas ligadas ao governo”, afirmou. Segundo ele, são mais de 90 ações no TRE, com êxito de mais de 80% a seu favor. “Há uma tentativa clara de mudança de retórica, que é uma prática da extrema direita e da direita para mudar os fatos”, completou.
CURTAS
REGISTRO 1 – A um mês e meio das eleições presidenciais, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) aceitou na última sexta-feira o registro de obra estrangeira de “Dark Horse”, polêmico longa-metragem sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
REGISTRO 2 – Este é o primeiro passo para o lançamento do filme, que ainda precisa cumprir outras etapas burocráticas para ser exibido nos cinemas, como obter aval da Ancine para exploração comercial e ainda ganhar uma classificação indicativa do Ministério da Justiça.
TRANSNORDESTINA – João Campos (PSB) defendeu, durante o lançamento da 4ª edição da revista Folha Energia, ontem, que a execução do trecho pernambucano da obra da Transnordestina seja repassada ao Governo do Estado. “O estado deve assumir a obra, acordado com o governo federal, criar um fundo como está sendo feito em algumas operações de metrô no Brasil, para o governo federal aportar 80% a 90% desse recurso, e o estado de Pernambuco complementar com algo em torno de 10%”, sugeriu.
Perguntar não ofende: Lula e Flávio vão ignorar também o debate da Globo?
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) recuou nesta segunda-feira (24) da promessa de apresentar pessoalmente informações sobre o filme “Dark Horse” e afirmou que não é sua responsabilidade prestar contas sobre o caso.
A declaração foi dada após Flávio participar de uma reunião da diretoria da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em São Paulo. As informações são da CNN.
Questionado sobre o compromisso assumido anteriormente de dar transparência ao contrato e aos recursos envolvidos no projeto, o candidato afirmou que a prestação de contas já teria sido apresentada no âmbito da investigação e, em seguida, disse:
“Da minha parte, eu digo o seguinte: quem tem que prestar conta não sou eu, é o Lula que tem que prestar conta”, declarou Flávio citando seu principal adversário e deixando de explicar o uso de R$ 61 milhões que teriam sido repassados por Daniel Vorcaro para gravação do filme Dark Horse.
A resposta representa uma mudança de postura em relação ao que o próprio candidato havia prometido publicamente. Em julho, durante entrevista à CNN, Flávio afirmou estar “100% disposto” a apresentar o contrato relacionado ao projeto e assumiu pessoalmente o compromisso de dar transparência às informações.
Nesta segunda, ao ser novamente confrontado sobre essa declaração e questionado diretamente se havia mudado de ideia, Flávio evitou responder objetivamente.
“Vocês querem insistir com uma relação privada, de um fundo privado, que não tem contrapartida pública de nada. Não adianta, vocês não vão me colocar na mesma página desse cara [Lula]. Não vão me colocar. Hoje o governo Lula é que deve explicações”, respondeu.
A cobrança sobre o Dark Horse já havia sido feita pela CNN na quinta-feira (20), durante agenda de Flávio em São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital. Na ocasião, o candidato sustentou que as contas já haviam sido apresentadas e classificou o assunto como “página virada”.
Agora, além de não apresentar os documentos que havia prometido divulgar, Flávio passou a argumentar que a relação envolvendo o projeto é privada e que a responsabilidade pela prestação de contas não é dele.
O episódio envolve o filme “Dark Horse”, projeto relacionado à trajetória de Jair Bolsonaro e que passou a ser alvo de questionamentos sobre seu financiamento e a destinação dos valores arrecadados.
A passagem pela Fiesp também marcou uma tentativa de aproximação do candidato com representantes da indústria. Durante a reunião, Flávio apresentou pontos de seu programa econômico, criticou a política fiscal do governo Lula e defendeu redução da carga tributária, segurança jurídica e retomada dos investimentos privados.
Ao final do encontro, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, não declarou apoio formal à candidatura de Flávio, mas afirmou que o senador é “alinhado” com aquilo que a entidade defende.
Relatório da Polícia Federal aponta que a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho primogênito do presidente Lula, recebeu “significativas” quantias de dinheiro em espécie no meio do ano passado. Lulinha e Roberta são investigados em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) pela suposta prática de tráfico de influência. Eles negam as irregularidades.
Trechos do documento, revelados pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmados pelo GLOBO, citam conversas extraídas do celular de Roberta. Em uma delas, a empresária diz a uma pessoa identificada como seu motorista para apanhar o montante e “avisá-la”. As informações são do jornal O GLOBO.
“Quando você pegar o dinheiro me avisa”, diz ela ao contato, que responde: “Acabei de pegar tudo, tô levando pra sua residência. Não contei… pq está em pacotes lacrados”. “Chegando na residência eu passo o valor total (…) 100 + 200”. A PF presumiu se tratar de uma quantia de R$ 300 mil.
De acordo com a PF, Roberta, então, pediu ao motorista para depositar R$ 50 mil na conta da sua empresa e outros R$ 50 mil na de uma agência de viagens.
Na mesma época, outro trecho do relatório da PF aponta que era “costumeiro” o pagamento de passagens aéreas por Roberta a Lulinha. Para fazer essa “inferência”, os investigadores citam um diálogo em que a lobista reclama com um empresário sobre o custeio de “passagens pro Fabio”.
“Tem que pagar essa bosta dessas passagens pro Fabio”, diz ela em agosto de 2025. A mensagem foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirmou que o seu cliente não praticou nenhuma irregularidade e que nessa época Roberta não pagou nenhuma passagem aérea ao filho do presidente, que estava morando em Madri, na Espanha. O defensor também se queixou do que classificou como “vazamentos criminosos” feitos com o intuito de interferir nas eleições de 2026.
— O caminho natural vai ser a nulidade de todo o processo. Esses vazamentos criminosos e clandestinos acabam cumprindo um papel parecido com o que ocorreu na Lava Jato — disse ele.
A defesa de Roberta não quis se manifestar.
Comentário de Lula
Em entrevista à Record transmitida neste domingo, o presidente Lula respondeu perguntas sobre as investigações que avançam sobre o seu filho. O petista disse que ninguém está acima da lei e que orienta Lulinha a se defender das acusações e apresentar sua versão dos fatos.
— Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado. Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está (acima da lei) se cometer erro — afirmou Lula em entrevista a Record.
Lula também disse que não interfere no andamento de investigações.
— Meu filho sabe: se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele — completou.