Estou aguardando o agendamento de uma entrevista que pedi ao sambista Martinho da Vila, meu maior ídolo do samba. Como outras grandes estrelas da MPB, o bate-papo bem descontraído com o autor de grandes sambas-enredos da Unidos de Vila Isabel, sua escola do coração, da qual é presidente de honra, será para o Sextou. Ele também honra o Vasco, outra grande paixão da sua vida.
O Sextou é um programa musical que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Hoje, minha entrevistada será a talentosa Vanessa da Mata.
As entrevistas do Sextou me levam, antes, a uma viagem de preparo e conhecimento ao mundo do artista convidado. Para entrevistar o maioral dos sambistas brasileiros, que marcou a minha adolescência com muitas músicas sensacionais, entre elas um sambinha que fala do pobre que passou no vestibular e não tinha como pagar a faculdade, por ser particular, estou lendo sua autobiografia “Martinho da Vida”.
Leia maisSensacional! Livros, devoro nos voos na minha rotina de trabalho, ou em casa antes de dormir. Martinho fala do personagem Zé Ferreira, ele próprio, cantor-compositor de sucesso, defensor das causas da negritude, pai de cinco filhas e três homens.
Uma das suas memoráveis canções fala que já teve mulheres de todas as cores, de várias idades e muitos amores. Mas Martinho vive hoje, aos 86 anos, dedicado exclusivamente para sua Cléo.
O livro é uma delícia. Deveria estar nas estantes de todas as livrarias, lugares muito pouco visitados atualmente por causa do consumo da leitura virtual. Música e poesia estão presentes em Martinho da Vila, que, descobri, levou 30 anos para entrar no mundo encantador da música, porque fazia carreira no Exército até alcançar a patente de sargento, o Sargento Ferreira.
Martinho sofreu um grave acidente em 1983, quando seu carro, parado em frente a um sinal na Tijuca, foi abalroado por um ônibus. Sem cinto de segurança, bateu com a cabeça no vidro frontal e desmaiou. Levado para o hospital pelo condutor do ônibus, constatou a gravidade: uma das suas pernas se partiu em três lugares e até hoje tem sete parafusos encravados.
Chegou em casa com as duas pernas engessadas, os dois braços imobilizados e a cabeça enfaixada. “Fiquei parecendo uma múmia, conta ele, no seu maravilhoso livro, que tem, ainda, histórias fantásticas envolvendo mulheres, a composição dos seus grandes sambas e a revelação de amigos eternos, como o pernambucano Tolito.
O resto, quero que ele próprio conte no Sextou!
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