Entre as muitas histórias que orbitam o centenário Grupo João Santos, uma em particular voltou a circular nos bastidores empresariais do Nordeste, depois dos episódios recentes envolvendo a Moura Dubeux Engenharia S.A.. Trata-se de uma antiga e pouco comentada ligação entre a incorporadora e um herdeiro da família Noronha, descendente de Ana Maria Noronha, que durante anos ocupou posição relevante na estrutura do grupo cimenteiro.
Nos tempos em que Fernando Santos ainda exercia poder absoluto sobre o conglomerado, o sobrinho, neto do fundador João Santos, ganhou espaço na diretoria da fábrica de cimento Itapessoca. Jovem, vaidoso e dado a grandes gestos, decidiu erguer uma mansão monumental numa ponta isolada de ilha no litoral pernambucano. O imóvel, dizem antigos funcionários, tinha proporções capazes de causar inveja a qualquer nababo.
Leia maisA história ganhou contornos mais delicados quando, segundo relatos que circulavam dentro do próprio grupo, Fernando Santos teria sido alertado por funcionários antigos sobre movimentações incomuns envolvendo fornecimentos de cimento.
A suspeita levantada à época era de que grandes volumes do produto teriam sido destinados a empreendimentos ligados à Moura Dubeux Engenharia S.A. e, posteriormente, baixados dos registros de contas a receber sem que entrasse um real na fábrica. Um dossiê interno mencionado por pessoas próximas ao antigo dirigente apontaria que esse fluxo de cimento teria sido compensado, informalmente, por unidades imobiliárias de alto padrão no Recife.
O episódio teria provocado uma ruptura familiar. O sobrinho acabou afastado da gestão do grupo, e a mansão, símbolo de uma fase de excessos, foi abandonada após a intervenção direta do tio, que determinou o fim da experiência empresarial do tal herdeiro.
Décadas depois, as velhas histórias voltam a ser lembradas à luz de duvidoso negócio celebrado entre a Moura Dubeux e a família Noronha e que hoje compromete a solução do inventário bilionário. A controversa atuação da Moura Dubeux Engenharia S.A. em negócios ligados aos Noronha, reforçam, para observadores do caso, a percepção de que as relações entre certos integrantes da família Noronha e a incorporadora sempre transitaram em zonas cinzentas pouco republicanas.
Inclusive, nessa linha, de intermediações pouco republicanas, apurações mais recentes apontam para outro imbróglio envolvendo a venda fraudulenta de uma precatório bilionário para o banco Master de Daniel Vorcaro, que teria sido igualmente intermediada pelo mesmo herdeiro dos Noronha, parceiro da Moura Dubeux, gerando grande embate judicial, ainda submetido as barras da justiça, temas que voltam ao debate justamente quando o destino de ativos milionários da sucessão familiar.
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