Por Francisco Papaléo
O ano era 1994. Dr Giovanni Papaléo me convidou para irmos assistir ao show de Tony Bennett em Fortaleza. Topei na hora, desde que eu me sentasse no corredor, pois tenho fobia de meio e janela. Só haviam dois lugares no voo que fazia escala em Natal, e lá fomos nós.
Ao embarcarmos e sentarmos, o senhor da janela se virou e nos cumprimentou. Quase desmaiamos, era o próprio Anthony Dominick Benedetto, mais conhecido como Tony Bennett. Papai, a princípio, ficou encabulado, mas, estimulado por mim, puxou conversa em Italiano. Ele, gentilmente, pediu que falássemos em inglês. De pronto perguntou para onde íamos. Papai disse que íamos para Fortaleza, assistir o show dele. Tony ficou impressionado e foram conversando durante o voo, na escala em Natal, e quando estávamos perto de Fortaleza, puxou uma revista sobre a sua vida e dedicou “ao amigo, Giovanni Papaléo”.
Leia maisAo chegar no aeroporto, nos despedimos e fomos para o hotel nos preparar para o show da noite. O show aconteceu no Clube Náutico, na orla de Fortaleza. Homens só podiam entrar de blazer e mulheres de vestido longo. O show começou e as músicas sensacionais foram sendo cantadas de forma fantástica por Tony; até que ele parou e disse que ia cantar uma música em homenagem a um amigo que havia feito no Brasil, e pediu que Giovanni Papaléo ficasse de pé.
Papai mal podia acreditar, as pernas não respondiam, mas juntou todas as forças, levantou e acenou para ele. Tony Bennett então cantou a música preferida de papai, que havia lhe confidenciado durante o voo: “I Left My Heart in San Francisco”. Ficamos em êxtase.
Talvez tenha sido, depois dos momentos em família, o mais feliz da vida de papai.
Ontem, Tony Bennett foi cantar em outra dimensão. Ficou na minha mente a lembrança daquele dia e da felicidade que meu pai teve ao conhecê-lo.
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