Por Ricardo Carvalho*
Estou triste, muito triste. Hoje foi para o céu o meu querido amigo, irmão e companheiro Homero Fonseca. Com toda a certeza, ao lado de Geneton e do Garcia, vão trocar ideias sobre os fatos políticos da terrinha (Pernambuco) e o Brasil.
Homerinho é assim que sempre gostei de chamá-lo. E ele me chamava carinhosamente de Ricardão. Fomos amigos por mais de 50 anos, trilhando os mesmos caminhos e tudo se iniciando nos momentos mais duros da censura: da luta armada, das prisões, da tortura e da eliminação física dos que estavam contra o regime autoritário inaugurado em 1964.
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Nos encontramos no Diário de Pernambuco, no ano de 1971. Ele como editor de primeira página e eu como repórter político. E juntos, partimos para o movimento sindical e análises políticas que dominavam os anos 70. Em 74, fui contratado pelo Estadão e no ano seguinte o Carlos Garcia convidou Homero e Geneton Moraes para sua equipe. E com Garcia fomos lapidados. Tivemos a certeza de que o jornalismo seria nosso ganha-pão.
Entrei por um caminho, mas Homero já era um dos melhores textos da imprensa brasileira. E tornou-se rapidamente um dos melhores escritores da cultura pernambucana. Li todos os seus livros. E num momento de emoção entreguei todos eles para a Biblioteca Popular do COQUE. E foi o caminho de todos os meus livros.
E hoje, as lágrimas rolaram pelo meu rosto. Perdi um querido e maravilhoso amigo, irmão e companheiro. Foi a segunda vez que chorei. A primeira foi em 7 de setembro de 1947, quando recebi a notícia da morte do meu tio doutor Frederico Curio, aquele que me ensinou que a palavra “respeito” é a mais bonita em todos os alfabetos do mundo. E vou concluir revelando que Homero foi um amigo de respeito. Vai, Homerinho, que um dia eu chego lá.
Nota – ontem, usei, no calor da emoção, a palavra verdade, mas a palavra verdadeira é RESPEITO.
*Jornalista e publicitário
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