Diferente do que ocorre na prática, a governadora Raquel Lyra usa a tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco, neste momento, para discursar da boca pra fora. Isto porque, enquanto prega que reitera a relevância do diálogo e independência entre os poderes, acionou o STF para derrubar trechos do LDO aprovados e construídos por várias mãos, ano passado, pela Alepe.
Pelo discurso, que mais parece trechos extraídos de uma propaganda eleitoral gratuita, a tucana insiste em maximizar entregas que foram alicerçadas pela gestão anterior. No mais, sem dar um só pio sobre a ADIN que tramita no STF em uma clara provocação à autonomia do Poder Legislativo de Pernambuco, a governadora se prende a promessas que só o tempo poderá evidenciar se deverão ou não ser cumpridas.
Caso dos panfletos expõe proximidade de Raquel com grupo da desconstrução de João
O surgimento dos panfletos apócrifos contra Raquel Lyra (PSD) abriu uma nova frente de questionamentos na campanha eleitoral. Mais do que a necessária investigação sobre quem produziu e espalhou o material, o episódio chama atenção para uma conexão política que começa a ganhar relevância: a proximidade da própria governadora com pessoas ligadas a páginas e estruturas de comunicação dedicadas à desconstrução do candidato do PSB a governador, João Campos.
Um dos personagens centrais dessa relação é o jornalista e fotógrafo Léo Malafaia. Apresentado publicamente como um dos idealizadores do site Bastidor.PE, Malafaia ocupou cargo no Governo de Pernambuco até 4 de agosto, quando foi exonerado para trabalhar como videomaker na campanha de reeleição de Raquel.
Na prática, saiu da estrutura governamental diretamente para o núcleo de comunicação eleitoral da governadora. É justamente o Bastidor.PE que está no centro das dúvidas sobre a origem das imagens dos panfletos. O site foi o primeiro veículo a publicar, às 11h02 do domingo (30), uma fotografia do cartaz com a frase mais grave e de maior repercussão contra Raquel.
Até agora, segundo as informações apresentadas à Justiça Eleitoral, não há notícia de que um exemplar daquele cartaz específico tenha sido localizado fisicamente nas ruas por autoridades ou populares. A questão ganha outra dimensão porque Malafaia não mantém apenas uma relação histórica ou distante com a governadora.
Ele atua atualmente em sua campanha e acompanha Raquel de perto. Em 20 de agosto, imagens produzidas por ele durante uma caminhada da candidata em Paulista foram distribuídas pela própria assessoria. Na segunda-feira (31), apenas um dia depois do aparecimento dos panfletos nas redes sociais, Malafaia voltou a trabalhar na cobertura em vídeo de uma agenda da governadora.
As conexões em torno do Bastidor.PE também não terminam nele. Na publicação de estreia da página, em outubro de 2025, aparecem como idealizadores, ao lado de Malafaia, Fillipe Vilar e Rodrigo Ambrosio. Os três têm vínculos que convergem para a estrutura política que cercou Daniel Coelho quando ele comandou a Secretaria de Turismo e Lazer do Governo de Pernambuco.
Vilar chefiou a comunicação da pasta. Ambrosio também ocupou cargo na Secretaria. Anna Tenório, esposa de Malafaia, integrou a mesma estrutura antes de ser transferida para a Casa Civil, onde permanece. Posteriormente, o próprio Malafaia ganhou um cargo comissionado na Secretaria de Turismo. Forma-se, portanto, uma rede de relações profissionais e políticas que passou pelo Governo do Estado e que, em parte, permanece ligada diretamente ao projeto eleitoral de Raquel.
O conteúdo publicado pelo Bastidor.PE acrescenta um componente político a essa relação. Embora Malafaia não assine matérias no site, ele continuou divulgando publicações da página mesmo depois de entrar na campanha. Desde 14 de agosto, compartilhou pelo menos três conteúdos do Bastidor.PE, todos negativos contra João Campos, principal adversário da governadora.
É esse conjunto de circunstâncias, e não apenas uma publicação isolada, que torna o episódio relevante. De um lado, um site voltado frequentemente a conteúdos de desgaste contra João Campos. Do outro, entre os idealizadores declarados desse veículo, um profissional que deixou o Governo para trabalhar diretamente na campanha de Raquel e que segue próximo da candidata.
Agora, o mesmo site aparece como o primeiro veículo a divulgar a imagem do mais grave dos panfletos atribuídos a uma ação contra a governadora. Isso não significa, por si só, que seus integrantes tenham produzido o material.
A própria notícia-crime apresentada à Justiça Eleitoral não faz essa acusação. O ponto central é outro: diante da ausência de localização física do cartaz de maior repercussão, quem recebeu, registrou e publicou originalmente sua imagem pode ajudar a esclarecer de onde ela veio, quem a enviou e em quais circunstâncias foi produzida.
Por isso, Malafaia, Vilar e Ambrosio foram relacionados na peça como personagens que podem contribuir para a investigação. Cabe às autoridades reconstruir o caminho das imagens e identificar os responsáveis pela produção e eventual distribuição dos panfletos.
Politicamente, porém, o caso acrescenta mais uma camada a um problema que acompanha Raquel nesta eleição: a recorrente proximidade de sua estrutura política e governamental com personagens envolvidos na produção ou disseminação de conteúdos destinados a desgastar João Campos.
A questão que emerge, portanto, ultrapassa a autoria dos panfletos. É preciso esclarecer até onde vão as relações entre a campanha da governadora e estruturas digitais dedicadas ao enfrentamento e à desconstrução de seu principal adversário.
No caso do Bastidor.PE, essa relação deixou de ser apenas periférica: um de seus idealizadores está hoje dentro da campanha de Raquel, produzindo diretamente a imagem da candidata.
A investigação sobre os panfletos poderá esclarecer quem produziu o material. Mas o episódio já revela uma contradição política que merece explicações: enquanto Raquel denuncia publicamente uma suposta estrutura de ataques contra ela, pessoas de sua confiança e de sua própria campanha mantêm vínculos diretos com um veículo que atua sistematicamente na linha de confronto contra João Campos.
KIT GAY – A Justiça Eleitoral mandou o casal político Júnior Tércio e Clarissa Tércio, que disputam a reeleição para deputado estadual e federal, respectivamente, removerem das redes sociais um vídeo de propaganda eleitoral no qual associam o campo político adversário ao chamado “kit gay”. A decisão liminar, assinada pelo desembargador eleitoral auxiliar Paulo Augusto de Freitas Oliveira, estabelece prazo de 24 horas para a retirada da publicação. Além da remoção, foram proibidos de republicar, repostar, compartilhar, impulsionar, manter acessível ou promover novos conteúdos que reproduzam, total ou parcialmente, a mensagem considerada ilícita.
R$ 40 BI e 200 mil empregos – Em sabatina ontem na Fiepe, a governadora Raquel Lyra (PSD) disse que em sua gestão gerou mais de 200 mil empregos com carteira assinada. Destacou a redução da taxa de desocupação no Estado e projetou que Pernambuco chegará ao fim de quatro anos com R$ 40 bilhões em investimentos privados anunciados e em execução. Segundo ela, os investimentos públicos realizados pelo Estado têm ajudado a estimular a entrada de recursos privados na economia pernambucana.
Fachin não quer decidir sozinho – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, iniciou conversas individuais com ministros da Corte para medir o ambiente interno antes de decidir o destino do pedido de apuração que envolve o ministro Alexandre de Moraes. As consultas ocorrem em meio a uma pressão interna para que o presidente evite tomar sozinho uma decisão sobre uma questão que divide a Corte. Uma das alternativas discutidas é justamente levar o pedido ao colegiado, ainda que não haja maioria entre os ministros pela abertura de uma investigação contra Moraes.
André com Vorcaro – O advogado baiano Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, enviou para Daniel Vorcaro, no dia 8 de fevereiro do ano passado, uma fotografia ao lado de André Mendonça e afirmou em um áudio que estava “trabalhando” pelo banqueiro enquanto levava o ministro a uma alfaiataria. A informação foi revelada pelo jornalista Paulo Motoryn, da newsletter Noites Húngaras. O ministro do STF divulgou nota em que confirmou ter se encontrado “uma única vez” com Vorcaro, em março de 2025, “por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo”. Disse ainda que, no mesmo mês, atendeu também o advogado do ex-banqueiro.
O efeito Cury – As campanhas à Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) vão ampliar a disputa pelos eleitores que se classificam como independentes após a pesquisa Quaest mostrar o crescimento do candidato do Avante, Augusto Cury, para 10% das intenções de voto. O eleitorado de Cury, agora isolado em terceiro na corrida presidencial, está concentrado no segmento que diz não ter um lado na polarização política entre direita e esquerda. O levantamento mostra que Cury cresceu oito pontos em relação à pesquisa divulgada em 14 de agosto, quando tinha 2%. As duas pesquisas não são diretamente comparáveis porque houve uma mudança na lista de candidatos testados, mas a disparada colocou o candidato do Avante isoladamente na terceira posição e ampliou a atenção das duas principais campanhas sobre seus movimentos.
CURTAS
PROTAGONISMO – De João Campos na Fiepe: “Hoje, Pernambuco perdeu protagonismo no Nordeste, perdeu posições em ranking de competitividade, de infraestrutura, saímos da segunda posição para a penúltima na formação de ensino técnico. Isso é muito ruim, mas a gente está aqui não para desanimar as pessoas, para dizer que isso vai mudar com minha chegada ao Governo”.
REVEZAMENTO – De Ivan Moraes, candidato do PSOL, na Fiepe: “O povo pernambucano, quando percebe a existência da nossa candidatura, imediatamente entende que aqui em Pernambuco não tem nenhuma necessidade de trocar seis por meia dúzia. Eu estou na missão de acabar com o revezamento de herdeiro no Palácio das Princesas”.
POSSE – A Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPPE) empossa, hoje, às 18h, a sua nova Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal e Consultivo da entidade para o biênio 2026-2028. O evento, que será realizado no casarão-sede da AMPPE, na Rua Benfica, 810, na Madalena, no Recife, marca a recondução da promotora de Justiça Helena Martins Gomes à presidência da Associação, após sua reeleição no pleito realizado em junho.
Perguntar não ofende: O affair Alexandre de Moraes vai dar em pizza?
O Congresso Nacional adiou a votação de dois textos de interesse do Palácio do Planalto nesta quarta-feira (2). A MP que coloca fim a taxa das blusinhas ficou para quinta, enquanto a PEC da escala de trabalho 6×1 ainda não tem data para ser analisada no plenário do Senado.
O caciques do Congresso se comprometeram em votar nesta semana somente a MP das Blusinhas, que põe fim à taxação de 20% nas compras internacionais de até US$ 50. O compromisso foi assumido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). As informações são da CNN.
O caminho para aprovação da MP da taxa das blusinhas é longo. Primeiro, precisa de maioria na Câmara e depois repetir a o resultado no Senado. Alcolumbre anunciou que deixará o painel para votações aberto para que o texto seja votado na Casa Alta assim que seja aprovada pelos deputados.
A chamada taxa das blusinhas foi aprovada na comissão especial nesta quarta. A relatora, senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), encontrou resistência do setor produtivo e teve que costurar acordos em alguns pontos do parecer.
O primeiro ponto é uma avaliação periódica dos impactos da medida. O acordo fechado determina que a primeira análise vai ocorrer após 3 meses de vigência da medida provisória. Na sequência, o Ministério da Fazenda vai fazer avaliações semestrais. O Congresso também fará uma avaliação anual sobre os impactos.
A relatora incluiu um dispositivo autorizando o Poder Executivo a estabelecer limites quantitativos ou de frequência por pessoa física para compras internacionais. O motivo é coibir o fracionamento de remessas e a utilização do desconto no imposto para fins comerciais.
O relatório estabelece seis áreas a serem avaliadas periodicamente: emprego e renda; competitividade da indústria e comércio nacional; preços de bens; compras internacionais; diferença entre bens importados e nacionais; e efeitos na arrecadação.
A avaliação abrangerá obrigatoriamente os seguintes setores: têxteis e vestuário; calçados; acessórios; brinquedos e cosméticos.
6×1
O projeto que coloca fim à escala de trabalho 6×1 foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) nesta quarta-feira e o governo tinha a expectativa de votá-lo no plenário no mesmo dia. A PEC não entrou na pauta e os governistas ainda mantém esperança de votar nesta quinta, mas já admitem a possibilidade de deliberar somente em outubro.
“Estamos combinando com o presidente Davi o seguinte: ver o melhor momento para votar ainda agora em setembro, em eventual chamamento extraordinário. Se não votarmos, com o número consolidado na segunda semana de outubro”, explicou o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).
A PEC propõe uma redução na jornada de trabalho em duas etapas. A primeira será de 2 horas e está prevista para acontecer 2 meses depois da promulgação. Com isso, os trabalhadores passarão a ter uma jornada semanal de 42 horas e ao menos dois dias de descanso. De acordo com o texto, o dia de repouso deve ser “preferencialmente aos domingos”.
Doze meses depois será feita a segunda redução, para 40 horas semanais.
A proposta foi aprovada na CCJ de forma simbólica, com votos contrários dos senadores Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Tereza Cristina (PP-MS) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Depois da análise da CCJ, a PEC ainda precisará de ao menos 49 votos favoráveis no plenário da Casa, em dois turnos. A pauta é de interesse prioritário do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seus apoiadores pelo alto apelo popular em ano eleitoral.
No debate promovido pelo portal g1, nesta quarta (2), os candidatos ao Senado por Pernambuco puderam apresentar suas propostas e visões de mundo sobre variados temas pré-estabelecidos em sorteio, mas a discussão também ficou marcada pela divergência de narrativas a respeito de fatos históricos da política brasileira, a exemplo dos atos de 8 de janeiro e do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Estavam presentes candidatos de partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. Em Pernambuco, atendem a esse critério Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD).
Depois de debaterem assuntos como responsabilidade fiscal, interiorização da saúde, violência contra a mulher, relação entre poderes, emendas parlamentares e mudanças climáticas/enchentes, os postulantes à Casa Alta que disputam as duas vagas que serão renovadas por Pernambuco entraram em rota de colisão ao falar sobre episódios recentes de tentativas de ruptura democrática no Brasil.
8 de janeiro O candidato Túlio Gadêlha (PSD), que já havia anteriormente discordado de Eduardo da Fonte (PP) sobre a proposta de limitar o mandato de ministros do STF e STJ para oito anos, também rebateu o outro aliado da chapa ao Senado da governadora Raquel Lyra (PSD), Mendonça Filho, que criticou a dosimetria dos crimes cometidos nos atos de 8 de janeiro, a exemplo da prisão de uma manifestante que pichou a estátua do STF com batom.
“Queria até falar com o amigo Mendonça, porque eu estive no dia seguinte ao dia 8 de janeiro, não foi só a estátua e o batom, Mendonça. Foi depredação, foi tentativa de golpe, foram muitas pessoas que foram nos três poderes para depredar, vandalizar, para anarquizar e querer dizer que quem manda agora são eles”, disse.
“Eu vi aquilo de perto, aquilo foi muito grave para a democracia do Brasil e aquilo causou uma ferida. Eu pedi, eu peço para olhar o histórico dessa Débora do batom, o que ela já fez, porque das pessoas que foram detidas existem menos de 10% hoje que estão encarcerados ou em prisão domiciliar. Mas o Brasil não pode olhar, tendo um passado que nós tivemos ditadura militar, olhar uma tentativa de golpe e fingir que isso não aconteceu”, argumentou Túlio.
O candidato do PSD também lembrou da chamada PEC da Blindagem. “Aconteceu no Brasil, foi grave. E sobre poderes, competência de poderes em que o trabalho deveria ser harmônico, a Câmara tentou usurpar uma competência do STF. A tentativa de se blindar de crimes aconteceu no Parlamento brasileiro, denunciei isso. Vários deputados votaram favoravelmente, o Presidente do Senado que vetou, mas se dependesse da Câmara, infelizmente, isso aconteceu”, lamentou.
“É importante que a gente fale sobre isso, porque um parlamentar que comete um crime, ele não pode ser julgado ou seus colegas que devem o julgar, não é sério”, concluiu.
Mendonça, por sua vez, respondeu à crítica do aliado. “Quero lembrar aqui ao candidato Túlio Gadelha, que eu já fui vítima de depredação dentro do Ministério da Educação, no período que eu fui Mministro da Educação. Depredaram do térreo até o quarto andar do Ministério da Educação. Militantes do PT, do MST, de organizações sindicais, entraram, destruíram computadores, quebraram tudo”, relatou.
“Já vi e assisti no Congresso Nacional líderes de movimento vinculado aos Sem Terra invadirem o Parlamento, quebrarem portas, janelas. Eu não defendo nenhum tipo de ação desse tipo. Eu sempre me pronunciei e me pronunciei, inclusive, no dia 8 de janeiro, contra aquela atitude. Agora, o que eu defendo, Túlio e você que está nos assistindo, é o devido processo legal”, comentou Mendonça.
“Houve devido processo legal? Você pode conceber que quem te julga é teu inimigo, que tua defesa é feita via vídeo, que o seu advogado não pode fazer uma sustentação oral da sua defesa, que um crime que é típico de primeira instância vá direto para uma turma do Supremo Tribunal Federal, cheio de inimigos, daqueles que estão num determinado campo político. Não, isso para mim não é democracia, isso é abuso, isso é desrespeito”, rebateu.
Em seguida, Eduardo da Fonte foi na mesma linha da opinião de Mendonça Filho. “O que aconteceu no dia 8 de janeiro foi muito sério e nós não podemos admitir depredação, baderna ou qualquer tipo de instabilidade política. Mas as pessoas devem ser julgadas pelo seu CPF e não pelo seu CNPJ. O que a gente viu foi um morador de rua ser condenado por estar na rua. Nós temos que condenar sim aqueles que badernaram, aqueles que conspiraram contra a nossa democracia, mas com muita tranquilidade, respeitando a Constituição do nosso país. E é isso que a gente vai defender no Senado da República. Isonomia e respeito à Constituição”, frisou.
Após a fala de seus adversários políticos, Marília Arraes buscou apontar para suas condutas pretéritas. “O bom é que está sendo bem didático esse debate. A gente está vendo um ministro que ajudou a dar um golpe de Estado numa presidenta honesta, que inclusive não foi penalizada, não teve seus direitos políticos cassados, um deputado que votou também para que esse golpe acontecesse – principalmente o candidato Mendonça – e estão defendendo quem deu um golpe, quem que tentou dar um golpe de Estado”, disparou.
“É algo bem didático para você entender quem é do lado de lá e quem é do lado de cá. Do lado de cá, a gente defende a democracia, a gente defende a harmonia entre os poderes, a gente defende que o Brasil seja dos brasileiros, a soberania nacional, e não que o Brasil seja alvo de um golpe de Estado, como queriam dar no dia 8 de janeiro. Todos os participantes devem ser responsabilizados e lembrados para que nunca mais isso aconteça.
Se apresentando como uma terceira via ideológica aos que o antecederam, Paulo Rubem criticou ambos os lados. “Se a gente tem que fazer política com coerência, a gente tem que fazer política observando a história. Nós da Federação Rede/PSOL condenamos veementemente a tentativa de golpe do 8 de janeiro, como condenamos o papel do PSB no golpe que cassou o mandato da presidenta Dilma e depois aprovando a emenda constitucional do teto de gastos não financeiros. Eu não posso esconder da população aqueles com os quais eu me associo em determinados momentos, porque é conveniente esconder”, disse.
“Combatemos o golpe que cassou o mandato da presidenta Dilma, como combatemos e exigimos o julgamento daqueles que tentaram o golpe em 8 de janeiro”, disse. “Eu só quero aqui concordar com o candidato Paulo Rubens e lembrar que o que a candidata Marília chama de golpe, ela deveria apontar para o candidato dela ao governo de Pernambuco, João Campos, com quem ela estava em litígio, em briga permanente, troca de acusações de todo tipo. Aliás, ela foi muito injustiçada naquela campanha de 2020, agora está junto com João Campos, mas João Campos apoiou o impeachment de Dilma”, lembrou Mendonça Filho.
“Falava muito mal do PT, dizia que ia desembarcar aqui, se Marília fora eleita naquela ocasião, um avião com Zé Dirceu, com João Vaccari Neto, com Delúbio Soares para ajudar na roubalheira do PT aqui no Recife, acusando a prima de que estaria patrocinando isso. Então,se houve impeachment, houve impeachment de acordo com a Constituição, não foi golpe, e se foi golpe, quem patrocinou foi o candidato Marília, João Campos”, argumentou.
“Mendonça, eu dispenso a sua concordância porque ela não é coerente. Nós não aceitamos golpistas nem de um lado, nem de outro. O Brasil não pode ficar refém de políticas de conveniência, porque o golpe de 2016, do qual você participou, foi dado para retirar direitos dos trabalhadores, retirar recursos da saúde e da educação, fazer uma reforma da Previdência que não conseguiu ser aprovada”, rebateu o candidato da Rede.
O candidato ao Senado Mendonça Filho participou, nesta quarta-feira (2), do debate promovido pelo g1 Pernambuco e concentrou parte de sua participação na política econômica do Governo Federal. Ele criticou o aumento de impostos durante a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu a revisão das despesas públicas como alternativa para equilibrar as contas e ampliar a capacidade de investimento do Estado.
“O que o governo do PT gosta mesmo é de aumentar impostos”, afirmou Mendonça Filho. Segundo o candidato, foram adotadas 37 medidas de aumento de tributos durante o atual governo. Ele também citou a situação financeira de empresas estatais, entre elas os Correios, e afirmou que o ajuste fiscal não deve atingir a população de menor renda. “Não é cortando nos mais pobres; é cortando os privilégios do Judiciário, do Legislativo e do próprio Poder Executivo, fazendo com que a gente equilibre as contas do governo e sobre dinheiro para investimento em saúde, segurança, educação e infraestrutura, principalmente saneamento básico”, disse.
Mendonça Filho também relacionou a situação das contas públicas ao custo de vida e ao poder de compra da população. “O trabalhador hoje não consegue fechar a conta para pagar os alimentos no final do mês, a conta de luz e de água. A gente precisa mudar essa realidade, equilibrando as contas públicas, para que a população não pague as maiores taxas de juros do mundo e para que a inflação dos alimentos não corroa o poder de compra”, declarou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou na noite de terça-feira (1) com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, a crise política na Suprema Corte. Além de Fachin, Lula também recebeu os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino.
Segundo relatos feitos à CNN, foi uma rápida conversa, na qual o magistrado sinalizou que não havia ainda tomado uma decisão sobre o pedido de investigação contra Alexandre Moraes.
O presidente teria demonstrado a Fachin, e mais cedo ao decano Gilmar Mendes, preocupação de que um agravamento da instabilidade possa contaminar o processo eleitoral deste ano. As informações são da CNN.
Como mostrou a CNN, Lula procurou ministros do STF na terça após a divulgação das mensagens. Integrantes do tribunal reclamaram ao presidente do que consideram uma falta de reação mais contundente do governo diante da crise.
Nesta quarta-feira (2), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, divulgou um vídeo em que defendeu um código de ética para o Poder Judiciário.
A preocupação do petista é que o episódio fortaleça a bandeira de combate ao Supremo Tribunal Federal, capitaneada sobretudo por Flávio Bolsonaro, candidato do PL à sucessão presidencial.
A campanha petista tem feito pesquisas internas para averiguar se os indícios de relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro podem prejudicar Lula.
Uma forte tempestade atingiu Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, na noite desta quarta-feira (2), com chuva intensa, rajadas de vento e queda de granizo em diferentes pontos da cidade. Imagens registradas durante o temporal mostram a força dos ventos e estragos provocados no município. Com informações do Valença Notícias.
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quarta-feira (2) que “todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões” para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”, disse Alcolumbre durante sessão do plenário do Senado. As informações são do g1.
Alcolumbre se dirigiu aos senadores da oposição. Na terça-feira (1º), em um discurso no Senado, Flávio Bolsonaro – que pediu o dinheiro a Vorcaro para financiar o filme – afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez articulação política entre os presidentes do Senado e da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Olhe o ambiente que os três Poderes respiram hoje: o Presidente da República tem que se servir de Alexandre de Moraes para fazer articulação política, presidente Davi, com vossa excelência. Olhe a que nível chegou o ‘trabalho’, muito entre aspas, de um ministro do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Flávio.
Na terça (1º), foi revelado mais um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme em setembro de 2025, dias após o senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cobrar Vorcaro de parcelas que estavam atrasadas. A informação é da revista “piauí” e foi confirmada pelo g1.
Alcolumbre foi questionado por Flávio Bolsonaro, na terça, e por mais três oposicionistas, nesta quarta, sobre quando dará seguimento aos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Abra esse impeachment de uma vez por todas, presidente Davi. Essa é sua chance de entrar para a história pela porta da frente dos heróis da República, e não sair com Alexandre de Moraes pelos fundos por que ele sairá”, afirmou o líder do PL, Carlos Portinho (RJ).
O presidente do Senado disse não ter um prazo para analisar os requerimentos. Ele já citou que 109 pedidos, que solicitam afastamento não só de Moraes, mas dos outros ministros do STF, aguardam avaliação do Senado.
É Alcolumbre quem decide se arquiva ou se admite a denúncia. Essa etapa é política e costuma ser o primeiro grande filtro. Só depois, se a denúncia for aceita, o processo pode avançar para uma comissão especial e, depois, para o plenário.
Trocas de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro indicam que o ministro discutia com o ex-banqueiro a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que o teria como alvo.
O Senado aprovou nesta quarta-feira (2) projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), com um fundo garantidor para estimular projetos e crédito tributário de R$ 5 bilhões para incentivar o processamento de minérios no país.
O texto autoriza a União a criar um fundo, do qual participará como cotista, no limite de R$ 2 bilhões. O fundo terá natureza privada. As informações são do g1.
O texto agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As chamadas “terras raras” são, na verdade, um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minerais, o que torna sua extração complexa e, muitas vezes, cara- daí a classificação de “raras”. O Brasil detém a segunda maior reservas desses minerais, atrás apenas da China.
O que são terras raras? As chamadas “terras raras” são, na verdade, um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minerais, o que torna sua extração complexa e, muitas vezes, cara- daí a classificação de “raras”.
O Brasil detém a segunda maior reservas desses minerais, atrás apenas da China.
Na avaliação de especialistas e admitida pelo próprio governo, porém, o desafio do país é transformar essa riqueza mineral em valor, desenvolvendo uma cadeia produtiva capaz de avançar da extração e do beneficiamento para etapas de maior complexidade tecnológica e industrial.
Com papel central na transição energética, na indústria de alta tecnologia e na área de defesa, as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral. Hoje, representam também uma questão geopolítica, econômica e estratégica.
Isso porque o insumo é fundamental para a fabricação de turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa, foguetes, equipamentos médicos e diversas outras tecnologias avançadas.
Não por acaso, as reservas brasileiras despertaram o interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à disputa global pelo controle de minerais considerados críticos para a economia e a segurança das grandes potências.
O candidato ao Senado e deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UP) apresentou a interiorização da saúde pública como uma de suas prioridades durante o debate promovido pelo g1 Pernambuco, nesta quarta-feira (2). O parlamentar defendeu a ampliação dos serviços especializados fora da Região Metropolitana do Recife e citou a destinação de recursos para hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as ações mencionadas, Eduardo da Fonte citou a destinação de R$ 6,4 milhões em emenda parlamentar para a aquisição de um PET Scan para o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), no Recife, e a atuação para transformar o Instituto do Câncer Infantil do Agreste (Icia), em Caruaru, no Hospital Infantil do Agreste. “Minha prioridade é cuidar das pessoas e fazer com que a saúde pública esteja cada vez mais perto de quem precisa. Estamos trabalhando para levar equipamentos de última geração para o SUS, fortalecer os hospitais e interiorizar o atendimento”, afirmou.
O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, informou, na terça-feira (1°), que cumprirá agenda em Pernambuco no dia 16 deste mês. O anúncio foi feito em um vídeo gravado ao lado do deputado federal e candidato ao Senado Mendonça Filho (PL).
“Meus amigos de Pernambuco, estou ao lado de Mendonça Filho, nosso candidato ao Senado, e temos uma boa notícia para vocês: vamos estar juntos em Pernambuco no dia 16 deste mês. […] A gente está aí para abraçar o povo pernambucano junto com ‘Mendoncinha'”, disse Flávio no vídeo. As informações são do Blog da Folha.
Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se reuniram nesta quarta-feira (2) para a primeira sessão plenária da Corte desde a divulgação de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. Apesar da repercussão do relatório da Polícia Federal e da tensão provocada pelo caso nos bastidores do Supremo, nenhum dos ministros fez referência ao episódio.
Em um movimento pouco usual, parte dos ministros, entre eles Moraes, entrou pela porta da frente do STF. Normalmente, eles chegam ao tribunal pela garagem privativa. Moraes entrou sorrindo, acenou para a imprensa, mas não falou com os jornalistas. Já André Mendonça chegou pela garagem e também acenou para a imprensa, mas não fez comentários. As informações são da CNN.
Quase todos os ministros participaram da sessão, com exceção de Cármen Lúcia, que acompanhou os trabalhos por videoconferência.
Durante a sessão, Moraes e Mendonça ficaram sentados lado a lado, como ocorre normalmente por causa da ordem de antiguidade da Corte. Os dois não conversaram.
O decano do STF, ministro Gilmar Mendes, que costuma fazer intervenções em momentos de tensão envolvendo a Corte, também não se manifestou sobre o caso. Na terça, porém, o ministro se reuniu com o presidente Lula (PT) para tratar da crise no Supremo.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, também não fez qualquer comentário sobre o episódio no início da sessão. Ele abriu os trabalhos normalmente, chamou o primeiro item da pauta e deu início às sustentações orais, seguindo o rito habitual.
Ao longo da sessão, os ministros analisaram temas como a imunidade de ITBI para empresas do setor imobiliário na transferência de imóveis para integralização de capital social e a incidência de PIS/Cofins sobre rendimentos de aplicações financeiras das reservas técnicas de seguradoras. Os trabalhos foram encerrados por volta das 18h.
O primeiro pronunciamento de Fachin sobre o caso ocorreu mais cedo nesta quarta (2), durante um evento no STF sobre direito público internacional. Nenhum outro ministro participou do encontro.
O presidente da Corte afirmou que as revelações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro configuram um momento de “especial gravidade”. Segundo Fachin, “medidas cabíveis” serão anunciadas nos próximos dias.
Conforme mostrou a CNN, Fachin iniciou consultas aos demais ministros para decidir sobre o pedido de investigação envolvendo Moraes. O presidente da Corte tem conversado individualmente com seus colegas e deve também ter encontros reservados com André Mendonça e Alexandre de Moraes.
A expectativa é de que Fachin tome uma decisão apenas na semana que vem. Ele deve aguardar a repercussão do episódio para avaliar se levará a questão a plenário.
Quebra de sigilo Mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes vieram a público nesta terça-feira (1º) após o ministro André Mendonça retirar o sigilo da ação que trata do conteúdo das conversas.
A decisão ocorreu pouco depois de o Estadão revelar conversas nas quais o banqueiro pedia ao magistrado que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre o banco.
Diante das informações, Mendonça pediu manifestação da PGR sobre uma possível abertura de investigação. Em resposta, Gonet afirmou que Mendonça ultrapassou limites da atuação como juiz e pediu a nulidade das provas contra Moraes e o arquivamento da ação.
Segundo o procurador-geral, não cabe a Mendonça “acusar”, tampouco “realizar investigações pré-processuais”. Para Gonet, o ministro deveria ter levado o caso diretamente ao plenário, já que sabia haver, entre os investigados, pessoas com foro por prerrogativa de função, em referência a Moraes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para uma conversa no Palácio do Planalto na tarde desta terça-feira (1º) para tratar da crise institucional instalada após as revelações de que o ministro Alexandre de Moraes mantinha contato frequente com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
De acordo com relatos de interlocutores, o presidente demonstrou preocupação que essas revelações tragam danos à imagem institucional da Suprema Corte. O petista teria afirmado que é preciso evitar desgastes ao tribunal. O encontro entre as duas autoridades não aparece na agenda oficial da Presidência divulgada diariamente. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) foi procurada, mas não comentou. O ministro Gilmar Mendes não respondeu. As informações são do jornal O GLOBO.
Mensagens tornadas públicas nesta terça-feira por ordem do ministro André Mendonça indicam que Vorcaro era orientado por Moraes durante o auge da crise na instituição, no fim do ano passado. Em uma delas, Vorcaro perguntou a Moraes se tinha que deixar o país. O texto, em posse da Polícia Federal (PF), foi enviado em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez diante das suspeitas de fraudes. A ideia de Mendonça é levar o tema para ser discutido no plenário do Supremo.
As revelações viraram munição para a oposição atacar Moraes e o próprio presidente Lula. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas eleições, fez duro discurso em plenário na terça, cobrando que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), coloque para ser discutido um pedido de impeachment do ministro do STF. Essa possibilidade, no entanto, é descartada por ora por Alcolumbre.
A avaliação do entorno do petista é que apesar de o governo não ter relação com as investigações tampouco com o Supremo, esses fatos poderão trazer desgastes à imagem do presidente, uma vez que ele é próximo de ministros do STF. O receio é que isso contamine o ambiente às vésperas das eleições, impulsionando um discurso mais extremista de candidatos. Aliados de Lula dizem ainda, sob reserva, ver com desconfiança esse movimento de Mendonça, falando em seletividade.
Governistas usarão a queda do sigilo para pressionar que o ministro do STF também retire o sigilo da investigação sobre o Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, que teve recursos pagos por Vorcaro. Áudios revelados neste ano mostraram Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao banqueiro para custear a produção.
Lula ainda está em silêncio e não se posicionou publicamente sobre os fatos que foram revelados. Como o GLOBO mostrou, aliados defendem que o presidente trate do assunto. A expectativa é que ele adote a mesma linha das manifestações feitas em relação às suspeitas envolvendo seu filho mais velho, o empresário Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e defender tanto as investigações como o direito de o magistrado apresentar sua defesa.
As revelações também têm potencial de gerar maior ruído interno no Supremo, que hoje é dividido em duas alas: uma mais alinhada a Moraes e outra, a Mendonça. Um ministro diz, sob reserva, que o clima hoje é “tenso”.