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O deputado federal e ex-ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), publicou um vídeo nas redes sociais, na manhã deste sábado (30), em que afirma querer ampliar o diálogo com a população pernambucana. O parlamentar destaca os investimentos realizados em Pernambuco durante sua passagem pelo ministério e convida os cidadãos a enviarem críticas, sugestões e propostas por meio de suas plataformas digitais.
Segundo Silvio, sua atuação seguirá voltada para Pernambuco no Congresso Nacional. “Acompanhe, participe e vamos juntos construir um Pernambuco ainda melhor, porque Pernambuco pode mais”, declarou. Na publicação, ele também disponibilizou um número de WhatsApp para receber mensagens da população.
O ex-governador do Rio de Janeiro e ex-ministro de Estado durante os governos Dilma e Temer, Moreira Franco (MDB), é o convidado do meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o ‘Direto de Brasília’, da próxima terça-feira. Atualmente, Moreira é presidente do Conselho Curador da Fundação Ulysses Guimarães (FUG). Em abril deste ano, ele lançou o livro “Política como destino – Caminhos e descaminhos da redemocratização”. A obra, que apresenta um relato detalhado dos bastidores das principais decisões políticas do país nas últimas décadas, será uma das pautas durante a entrevista.
No podcast, Moreira também irá abordar temas como o plano nacional, as eleições deste ano e as recentes movimentações no Congresso Nacional. Com mais de mil páginas, o livro recém-lançado por Moreira Franco é resultado de um trabalho baseado em entrevistas conduzidas pela socióloga Aspásia Camargo, com colaboração do filósofo Denis Rosenfield, reunindo informações, episódios e análises sobre momentos decisivos da política nacional. A narrativa adota formato de diálogo, com o objetivo de tornar o conteúdo mais acessível, sem abrir mão da densidade histórica e analítica.
Leia maisFiliado ao MDB, Moreira foi ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e, posteriormente, ministro de Minas e Energia no governo Michel Temer. Sua vida pública teve início em 1974, quando foi eleito deputado federal pelo MDB-RJ. Elegeu-se ainda prefeito de Niterói e, logo depois, governador do Estado do Rio de Janeiro. Retornando ao Congresso Nacional em 1994, exerceu por duas legislaturas o mandato de deputado federal. Além disso, foi vice-presidente da Caixa Econômica. No governo Fernando Henrique Cardoso, atuou como assessor especial no Palácio do Planalto.
Foi nomeado, no início da gestão Dilma-Temer, para a hoje extinta Secretaria de Assuntos Estratégicos e, posteriormente, a pedido do então vice-presidente, nomeado ministro da Aviação Civil. Em 3 de fevereiro de 2017 foi confirmado como o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência do gabinete de Michel Temer. No dia 10 de Abril de 2018, o Palácio do Planalto informou que Moreira Franco viria a assumir o Ministério de Minas e Energia, substituindo o deputado Fernando Coelho Filho no cargo.
O podcast Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste. Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas; a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras na Paraíba; a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid; a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado; além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
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Por Igor Gadelha
Do Metrópoles
O governo Lula descarta buscar diálogo com a gestão Donald Trump no curto prazo para reverter a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
A ordem inicial do Palácio do Planalto é para que o Itamaraty e outros ministérios examinem com lupa os efeitos da medida para o Brasil antes de tentar qualquer contato com integrantes da gestão Trump.
Leia maisInicialmente, a estratégia do governo Lula é analisar a repercussão de medidas semelhantes adotadas pelos americanos em outros países. O objetivo é examinar, sobretudo, os impactos financeiros.
Diplomatas ouvidos pela coluna lembram que, no México, por exemplo, três instituições financeiras foram sancionadas por suposto papel na lavagem de dinheiro para cartéis designados como terroristas pelos EUA.
As três instituições mexicanas ficaram proibidas de fazer transações com bancos norte-americanos. O governo Lula quer entender se a designação do PCC e do CV também terá impacto sobre instituições financeiras no Brasil.
“O nome do jogo é o interesse nacional. Isso significa proteger emprego e renda. Se houver sanções econômicas, esses pilares podem ser afetados”, afirmou um diplomata à coluna, pedindo reserva.
Governo Lula foi pego de surpresa
À coluna, um ministro do Planalto ponderou ainda que o governo Lula não teria motivo para buscar a gestão Trump agora, já que o Departamento de Estado norte-americano anunciou a medida sem comunicar previamente o Brasil.
Esse auxiliar de Lula lembra que o presidente brasileiro esteve na Casa Branca no início de maio, quando entregou documentos propondo parcerias no combate ao crime organizado e acabou “ignorado”.
Nesse cenário, a reação do governo Lula se limitará, por ora, à nota oficial já emitida pelo Planalto e às declarações do presidente, que mirou suas críticas no senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O encontro de Lula e Trump no G7
Como noticiou a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, Lula e Trump poderão se encontrar pessoalmente nas próximas semanas durante a cúpula do G7, que acontecerá de 15 a 17 de junho no interior da França.
Apesar de os dois presidentes já terem confirmado presença na cúpula do bloco, não há, até o momento, qualquer previsão de reunião bilateral entre eles à margem do evento.
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Por Blog da Folha
O senador Humberto Costa (PT) demonstrou confiança na aprovação da PEC que põe fim à escala de trabalho 6×1 no Senado Federal. A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira (28), agora seguirá para análise dos senadores, onde precisará de ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos de votação.
Segundo o parlamentar, a mobilização popular será decisiva para garantir o avanço da matéria na Casa Alta. “Sou muito otimista quanto à possibilidade de aprovarmos a PEC. A pressão será maior e mais eficaz do que foi na Câmara dos Deputados. Mas tem que haver pressão, não pode deixar de haver”, afirmou.
Leia maisA proposta altera a Constituição Federal para assegurar dois dias de descanso semanal remunerado, consolidando a escala 5×2 como referência, sem redução salarial. O texto prevê ainda a redução gradual da jornada semanal: de 44 para 42 horas em até 60 dias após a promulgação, chegando a 40 horas semanais ao fim de 12 meses.
Humberto Costa afirmou que atuará diretamente na articulação política em defesa da PEC no Senado, embora o projeto ainda não tenha data definida para votação. “Trabalhadoras e trabalhadores terão mais tempo para o descanso, para ficar com a família, com os filhos, para praticar sua fé e para o lazer. No Senado, vamos lutar firmemente pela rápida aprovação. Não vamos esmorecer”, declarou.
O senador também criticou parlamentares contrários à proposta e afirmou que a população acompanhará o posicionamento de cada senador sobre o tema. “Nossa luta no Senado será para que votemos a PEC antes do recesso parlamentar, que começa em 17 de julho. É uma pauta urgente, que mobiliza a sociedade brasileira, e o Senado precisa dar uma resposta rápida em favor dos trabalhadores”, concluiu.
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Por Blog da Folha
O prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Helinho Aragão (PSD), declarou apoio à reeleição do senador Fernando Dueire (PSD) e destacou a atuação municipalista do parlamentar em defesa do Polo de Confecções do Agreste pernambucano. Segundo o gestor, o senador tem mantido uma atuação próxima das demandas da cidade e contribuído para o desenvolvimento econômico da região.
“Santa Cruz do Capibaribe precisa da reeleição do senador Fernando Dueire para que essa atuação continue fortalecendo nossa cidade e os municípios pernambucanos. Ele é um senador que escuta, acompanha de perto as necessidades da população e tem sido uma voz firme na defesa do Polo de Confecções do Agreste, dos empreendedores e de quem gera emprego e renda em Pernambuco”, afirmou Helinho Aragão.
Leia maisNa última quinta-feira (28), o prefeito e o senador participaram, ao lado do ex-prefeito Fábio Aragão, da assinatura da ordem de serviço para construção do Hospital Municipal Fernando Aragão, em Santa Cruz do Capibaribe. A obra será executada às margens da PE-160 e prevê a implantação de uma unidade com mais de 100 leitos para atendimento da população da cidade e da região do Agreste.
Durante o evento, Fernando Dueire afirmou que a construção do hospital representa uma ação estruturadora para o município e destacou o planejamento da gestão municipal na área da saúde.
“A construção desse novo hospital mostra a capacidade de planejamento e o compromisso da gestão do prefeito Helinho com as pessoas, com o cuidado e com o futuro da cidade. É uma obra estruturadora, que vai ampliar o atendimento, garantir mais dignidade à população e fortalecer a rede de saúde do Agreste. Nosso compromisso, em Brasília, é seguir trabalhando para assegurar investimentos e apoiar ações que transformem a vida das pessoas nos municípios pernambucanos”, declarou o senador.
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Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
Esta semana o advogado Robert Amsterdam voltou a virar notícia na Europa. Venceu uma causa milionária defendendo a cantora Shakira do Fisco espanhol. Foi uma goleada. Ela recebeu de volta 55 milhões de euros (cerca de R$ 324 milhões) pagos indevidamente. Amsterdam lançou livro, escrito em parceria com seu sócio Christopher Wales, especialista em tributos, conselheiro do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, relatando as atrocidades praticadas pela AEAT (Agência Tributária da Espanha). Hacienda y el estado dual estará nas livrarias (inclusive Amazon) a partir de 3 de junho.
O livro é explosivo como quase tudo que envolve Amsterdam. Este advogado de 70 anos ficou famoso ao defender o oligarca russo Mikhail Khodorkovski, então dono da petroleira Yukos. Contratado em 2003 para defender Khodorkovski, perseguido por fazer oposição ao presidente Vladimir Putin, transformou a disputa numa batalha internacional sobre Estado de Direito, seletividade judicial e uso político do sistema tributário.
Leia maisSua estratégia não foi apenas jurídica, mas sobretudo política. Mobilizou imprensa, organismos multilaterais, investidores estrangeiros e cortes internacionais. Acusou o Kremlin de usar a máquina fiscal como arma política para expropriar ativos privados e intimidar oligarcas críticos ao regime.
Sua ousadia rendeu-lhe uma visita do serviço secreto de Putin. No meio da noite, agentes invadiram seu quarto no hotel em Moscou, o detiveram e, em seguida, veio uma ordem de expulsão. A ofensiva russa terminou com a quebra da Yukos, prisão de Khodorkovski e confisco dos principais ativos da companhia pela estatal Rosneft. Amsterdam retaliou entrando com ações nos tribunais europeus, pedindo indenização. O Tribunal de Haia condenou a Rússia a pagar US$ 50 bilhões, mas Putin fez cara de paisagem.
O livro de Amsterdam e Wales é importante, porque mostra o lado escuro de um país que se diz democrático, mas faz vista grossa para distorções típicas da ditadura franquista, enterrada em 1975 com as primeiras eleições livres desde os anos 1930.
É uma acusação contundente, inspirada na teoria do cientista político e advogado alemão Ernst Fraenkel (1898-1975). No seu livro “O estado dual“, de 1941, ele descreve a ditadura nazista como um sistema de governo com dois tipos de autoridade coexistindo dentro do mesmo marco institucional. O Estado normativo, com leis, tribunais, cidadania, direitos, normas econômicas e uma certa previsibilidade. E outro Estado operando à margem destas regras, exercendo um poder sem limites legais, agindo discricionariamente, disseminando o medo e a imprevisibilidade da força coercitiva.
Qualquer um, especialmente adversários políticos, poderiam receber a qualquer hora a visita da polícia em casa. Desta forma, os regimes totalitários decidiam o que aconteceria quando estivessem em jogo os interesses do Estado e de seus mandatários.
Depois de 85 anos, a teoria de Fraenkel, testada e comprovada, continua de pé. Totalitarismos disfarçados corroem por dentro democracias, semeando o medo, a insegurança e a diáspora de riquezas na qual estão empreendedores, artistas, financistas, atletas, cientistas e qualquer um com talento para ganhar dinheiro.
No “Hacienda y el estado dual“, Amsterdam e Wales mostram a vida como ela é nas relações entre o Fisco espanhol e os pagadores de impostos. Nessa investigação, que consumiu dois anos de trabalho, revelam a verdadeira tirania de um Estado com uma fome voraz por arrecadar cada vez mais. Se Shakira não tivesse contratado o escritório de Robert Amsterdam, provavelmente teria o mesmo destino de milhares e milhares de espanhóis nas últimas décadas, vítimas de um sistema que premia o fiscal quanto mais ele arrecada.
Diferentemente de França, Inglaterra, Suécia, Estados Unidos ou Canadá, a Espanha instituiu um prêmio em dinheiro. Em 2025, o sindicato dos fiscais de renda conseguiu incluir no orçamento 125 milhões de euros (cerca de R$ 736 milhões) para serem distribuídos como bônus de produtividade. Impossível qualquer fiscalização imparcial. Detalhe: se a Justiça decidir que o fiscal errou ele não precisa devolver o bônus.
O livro mostra o quanto esse tipo de incentivo favorece a tirania do Fisco contra os pagadores de impostos. Os prazos para prestar esclarecimentos são curtos, as fiscalizações, na maioria das vezes, são iniciadas sem base jurídica sólida e provas são colhidas sem mandados específicos. Na maioria das vezes, os processos partem de teoria e não de provas concretas para investigar qualquer pagador de impostos. Zero transparência.
Isso se dá num país onde a carga tributária pode chegar a 47% para pessoas físicas. Além de pagar caro para manter o Estado, o pagador de impostos acaba sendo achacado pela truculência da Receita, movida à base de bonificações pagas com os impostos deste mesmo cidadão.
No livro “Como as democracias morrem“ de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, são listados exemplos de governos eleitos que romperam com os princípios democráticos, citando Hungria, Venezuela e Peru. Mas não penetram fundo nesse lado escuro tratado por Fraenkel e Amsterdam e Wales.
Da mesma forma que os extremismos ameaçam os regimes democráticos, a burocracia sevada com prêmio em dinheiro, tendo como único objetivo o aumento de arrecadação, é um veneno a corroer o Estado de Direito. Numa entrevista ao jornal El Español, Amsterdam contou da sua surpresa quando, numa feira de livros de Barcelona, as pessoas compravam exemplares do “Hacienda y el estado dual” com dinheiro vivo. “Eles diziam ter medo da Receita descobrir que estavam gastando com aqueles livros. Nunca vi tanta gente comum com tanto medo do Fisco”, arrematou.
A cidadania está em xeque num mundo com cada vez menos dinheiro vivo — o que garroteia a liberdade do cidadão comum de gastar o que ganha como bem entender — e enorme pressão por arrecadar não importando as consequências. Afinal, quem fiscalizará o fiscal? No caso da Espanha, o pagador de impostos emparedado fica entre a cruz e a espada: se faz um acordo e paga, admite a fraude. Se enfrenta, sofre devassa financeira de consequências imprevisíveis.
O livro de Amsterdam e Wales nos faz refletir sobre a qualidade das relações entre o Estado e o cidadão. Nos países ditos democráticos, até que ponto a sociedade estaria disposta a aceitar o controle extremo sobre a vida das pessoas, num mundo já devassado por câmeras ou redes sociais, sem freios para exposições?
A diluição da intimidade, a subtração do direito de não ser visto nem reconhecido, como já acontece na China, por exemplo, aos poucos vai virando o novo normal. Na Espanha, a tirania do Fisco é cupim a corroer o Estado de Direito de dentro para fora. Deve ser complicado viver num país onde imposto vale mais que democracia.
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Por Betânia Santana
Da Folha de Pernambuco
Um dia após o Instituto Datafolha apontar a governadora Raquel Lyra (PSD) na liderança, antes ocupada por João Campos (PSB), os dois cumpriram agenda no Sertão.
Estariam no Congresso da União de Vereadores de Pernambuco (UVP), em Triunfo, mas João Campos perdeu o voo após conversa com o presidente Lula, na última quinta-feira. Com isso, a gestora reinou sozinha diante de mais de 800 vereadores e prefeitos.
Leia maisÀ frente na pesquisa (48% a 43%), a gestora metralhou os adversários: “De 15 dias pra cá começaram a apertar mesmo: Instagram, blog, fake news… usam tudo. É tanta mentira que dá trabalho desmentir. Mas vocês conhecem a realidade”, cravou, em discurso de 20 minutos, dizendo fazer política com transparência e verdade.
A 30 quilômetros, em Serra Talhada, João Campos desembarcou antes de Raquel Lyra chegar a Triunfo. Sem perder a pose de pré-candidato competitivo, minimizou a pesquisa, lembrando que o pai, Eduardo Campos, começou uma disputa com 3% das intenções de voto e venceu.
“Estamos animados e certos de que o povo quer trabalho de verdade.” Ao lado da prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT), capitalizou o trânsito direto com o Palácio do Planalto.
Posicionou-se como interlocutor de Lula: “O presidente mandou um abraço aos pernambucanos. Ele tem um carinho imenso por esta terra”. Em 2022, Lula obteve 77,39% dos votos no município. João Campos ainda estendeu a ponte a cerca de 40 prefeitos, ao participar da entrega de 75 veículos para a saúde.
A pesquisa reforçou a temporada de caça aos votos e promete embates mais quentes.
Divisão que multiplica
Enquanto Raquel Lyra estava em Triunfo, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) foi a Cabrobó e Santa Maria da Boa Vista, também no Sertão. Fez entregas nas áreas de moradia, segurança hídrica e proteção às mulheres. “Seguimos desbravando Pernambuco com nosso time, chegando perto das pessoas, e trabalhando muito”, afirmou a vice
Ritmo de forró
Embalada pelo ritmo da pesquisa que, em um possível segundo turno, garante 51% dos votos válidos, a governadora Raquel Lyra prestigia, neste sábado, às 19h, a abertura do polo principal do São João de Caruaru, cidade do Agreste que administrou por cinco anos.
Rota sertaneja
João Campos segue no Sertão. Neste sábado, circula pela feira de Salgueiro, dá entrevistas a rádios e, à noite, participa do Encontro de Mulheres. Domingo, volta a São José do Belmonte, onde recebeu na sexta título de cidadão. Vai à Cavalgada da Pedra do Reino.
Combate ao crime exige respeito ao Brasil
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas abriu uma nova frente de tensão diplomática com o Brasil e reacendeu um debate sensível sobre os limites da cooperação internacional e o respeito à soberania nacional.
Embora o combate ao crime organizado seja uma preocupação compartilhada por diversos países, a medida adotada pelo presidente Donald Trump (republicano) levanta questionamentos sobre o alcance de decisões unilaterais que produzem efeitos além de suas fronteiras e impactam diretamente políticas de segurança definidas por governos estrangeiros.
O governo brasileiro reagiu de forma firme e acertada ao rejeitar qualquer tentativa de interferência externa na definição de como o país enquadra e combate suas organizações criminosas. Não há dúvida de que PCC e CV representam algumas das maiores ameaças à segurança pública nacional, espalhando violência, controlando territórios e movimentando bilhões de reais por meio do tráfico de drogas, armas e outras atividades ilícitas. No entanto, a gravidade desses crimes não elimina a necessidade de precisão jurídica e política na classificação dessas organizações.
Leia maisA legislação e a doutrina internacional costumam associar o terrorismo a ações motivadas por objetivos ideológicos, religiosos ou políticos. As facções brasileiras, por sua vez, atuam essencialmente para ampliar seus lucros e fortalecer suas estruturas criminosas. A distinção pode parecer meramente conceitual, mas tem implicações práticas relevantes. Misturar categorias distintas pode gerar insegurança jurídica, dificultar a cooperação internacional e criar precedentes para que governos estrangeiros passem a enquadrar problemas internos de outros países segundo seus próprios critérios.
A preocupação manifestada pelo Palácio do Planalto também encontra respaldo no histórico recente das relações entre Brasil e Estados Unidos. O presidente Lula (PT) já havia alertado para a necessidade de respeito mútuo entre as nações e de diálogo antes da adoção de medidas que possam produzir reflexos econômicos e diplomáticos. O combate ao crime organizado exige cooperação internacional, troca de inteligência e atuação conjunta contra a lavagem de dinheiro e o tráfico internacional de armas. Contudo, essa cooperação só é eficaz quando construída em bases de confiança e não por meio de decisões impostas unilateralmente.
Outro ponto que reforça a posição brasileira é o fato de o país não estar inerte diante do avanço das facções. Nos últimos meses, o Congresso Nacional aprovou legislação que endurece penas para integrantes de organizações criminosas, enquanto o governo federal ampliou operações de inteligência e repressão financeira contra grupos criminosos. Além disso, o Brasil apresentou aos próprios Estados Unidos propostas de cooperação voltadas ao rastreamento de recursos ilícitos e ao enfrentamento das redes transnacionais que alimentam o crime organizado. Isso demonstra que o debate não é sobre tolerância com criminosos, mas sobre quem tem legitimidade para definir os instrumentos de combate.
Ao afirmar que a soberania nacional é inegociável, o governo brasileiro adota uma posição coerente com os princípios que regem as relações internacionais. Nenhum país aceitaria que uma potência estrangeira determinasse unilateralmente como seus problemas internos devem ser classificados ou enfrentados. O Brasil tem o dever de combater as facções com rigor máximo, mas também tem o direito de fazê-lo de acordo com suas leis, suas instituições e sua Constituição.
Governo analisa situação minuciosamente – Ministros e auxiliares do governo brasileiro passaram o dia de ontem em reuniões para fazer um exame detalhado das possíveis implicações do anúncio dos Estados Unidos. Por determinação de Lula, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, convocou uma reunião com os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Chico Lucas, e o número dois da Assessoria Especial da Presidência, Audo Faleiro. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, estava em viagem para o Paraguai e antecipou a volta para Brasília. Os auxiliares apresentaram o impacto da decisão da Secretaria de Estado dos EUA na segurança pública, no mercado financeiro e até no turismo. Segundo integrantes do governo, se tratou de uma reunião de trabalho, em que os ministros olharam todas as ações do país em parceria com os EUA e levantaram números.

Alerta ao sistema financeiro – O governo Lula (PT) passou a tratar como prioridade a proteção do sistema financeiro brasileiro após a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou para o risco de sanções que possam atingir bancos, fintechs, fundos de investimento e até a infraestrutura do Pix. A preocupação do governo é que medidas adotadas unilateralmente por Washington acabem ampliando artificialmente a percepção de risco sobre o Brasil e elevem o custo do crédito e dos investimentos. Segundo Durigan, a estratégia seguirá a mesma linha adotada durante o tarifaço imposto por Donald Trump: diálogo diplomático, defesa das instituições brasileiras e eventual suporte aos setores afetados.
Lula dobra a aposta – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ontem que pretende indicar novamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O nome de Messias sofreu uma rejeição histórica no Senado após articulação liderada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), episódio considerado uma das maiores derrotas políticas do governo neste mandato. Ao comentar o caso durante evento da Petrobras em Sergipe, Lula atribuiu o revés a uma decisão “simplesmente política” e afirmou que não pretende recuar. A declaração reabre o embate entre Palácio do Planalto e Senado justamente num momento em que o governo tenta reconstruir pontes com o Congresso para avançar em pautas prioritárias.

JK foi assassinado pela ditadura – A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos aprovou relatório concluindo que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976. A decisão contraria a versão oficial consolidada ao longo de décadas, segundo a qual JK teria morrido em um acidente automobilístico na Via Dutra. O documento aprovado recomenda a alteração da certidão de óbito para registrar que a morte foi causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição política do regime instaurado em 1964. O relatório reúne conclusões de investigações anteriores, aponta dezenas de inconsistências na apuração original e sustenta que há elementos suficientes para responsabilizar o regime militar pelo episódio.
CURTAS
Raquel na mira do TCE – Matéria publicada ontem pela Revista Veja divulgou que o Tribunal de Contas de Pernambuco determinou a abertura de uma auditoria para investigar contratos firmados pelo governo Raquel Lyra (PSD) com a Cetus Construtora. A decisão foi tomada pelo conselheiro Rodrigo Novaes a partir de representação apresentada pelo deputado estadual Romero Albuquerque (PSB). O foco da apuração são supostas irregularidades em contratos de manutenção de escolas que, somados, ultrapassam R$ 185 milhões. O TCE listou doze pontos que deverão ser analisados durante a auditoria.
Empresa inidônea – Um dos principais questionamentos envolve a contratação da Cetus Construtora durante o período em que a empresa constava como inidônea no cadastro da Controladoria-Geral da União. Segundo a denúncia, a construtora estava impedida de contratar com o poder público entre março de 2025 e março de 2026, mas teve contrato assinado com a Secretaria de Educação de Pernambuco em junho de 2025. O processo também aponta ausência de análise prévia da Procuradoria-Geral do Estado antes da formalização do acordo.
R$ 224 milhões sob análise – A auditoria do TCE também vai apurar indícios de superfaturamento, pagamentos em duplicidade, subcontratações irregulares e possível desvio de finalidade dos contratos. Segundo a representação, serviços de obra, reforma e ampliação teriam sido executados sob a rubrica de manutenção. O documento cita ainda adesões à mesma ata de registro de preços por outros órgãos estaduais, como a Secretaria de Saúde e o Lafepe, elevando o volume total dos contratos para mais de R$ 224 milhões.
Perguntar não ofende: Alcolumbre aceitará comprar a mesma briga duas vezes?
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O prefeito de Araripina, Evilásio Mateus, assinou, na última quinta-feira (28), a ordem de serviço para a construção de 50 unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. As moradias serão construídas por meio de parceria com o Governo Federal e integram as ações voltadas à ampliação do acesso à habitação no município. A iniciativa contou com articulação junto ao deputado federal Fernando Filho, à deputada estadual Roberta Arraes e ao senador Fernando Dueire.
As obras serão executadas pela empresa Zeta Engenharia, vencedora da licitação. Durante a assinatura da ordem de serviço, Evilásio Mateus destacou a importância do projeto para as famílias beneficiadas. “Esse é um momento muito importante para Araripina. Estamos trabalhando para trazer mais dignidade, qualidade de vida e oportunidades para o nosso povo. Essas 50 casas representam esperança e a realização do sonho de muitas famílias”, afirmou o prefeito. Segundo a gestão municipal, além de ampliar a oferta habitacional, o empreendimento também deve gerar empregos e movimentar a economia local.
O deputado federal Eduardo da Fonte voltou a defender publicamente a pré-candidatura de Léo do Ar à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) durante o Congresso da União dos Vereadores de Pernambuco (UVP), realizado em Triunfo, no Sertão do Estado. Pré-candidato ao Senado, o parlamentar destacou a atuação de Léo à frente da entidade e reforçou seu apoio ao nome do aliado para representar os vereadores pernambucanos nas eleições de 2026.
Ao discursar para vereadores e lideranças de diversas regiões do Estado, Eduardo da Fonte ressaltou a importância do Legislativo municipal e afirmou que a pré-candidatura de Léo do Ar vem sendo construída com base no trabalho desenvolvido junto às bases políticas. Atualmente em seu quarto mandato como vereador de Gravatá e presidente da UVP, Léo tem ampliado sua articulação estadual por meio da entidade e busca fortalecer sua presença no cenário político pernambucano.
A Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), órgão de Estado vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, aprovou relatório concluindo que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar, de acordo com o teor antecipado por reportagem da Folha de 7 de maio.
Segundo nota publicada pelo MPF (Ministério Público Federal), o relatório da historiadora Maria Cecília Adão aprovado pela CEMDP afirma que JK “foi morto pela ditadura em 1976, contestando a conclusão da época de que ele teria sido vítima de um acidente automobilístico”. As informações são da Folha de S. Paulo.
Leia maisO relatório foi aprovado na manhã desta sexta (29), com 6 votos a favor e uma abstenção. A comissão conclui que a batida de um ônibus na traseira do veículo jamais ocorreu —essa foi a conclusão da época, repetida depois pela Comissão Nacional da Verdade.
O apontamento da CEMDP se dá no ano em que se completam 50 anos da morte de JK. Pelo relatório aprovado, a certidão de óbito do ex-presidente deverá ser modificada, com base em resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), para que conste como causa da morte: “Não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”.
O reexame do caso pela comissão não incluiu novas investigações, mas compila os trabalhos pregressos –com ênfase no mais recente, do MPF, feito de 2013 a 2019 e divulgado em 2021. O inquérito descartou que tenha havido choque entre o ônibus e o Opala, mas concluiu ser “impossível afirmar ou descartar” a hipótese de atentado, “vez que não há elementos materiais suficientes para apontar a causa do acidente ou que expliquem a perda do controle do automóvel”.
A relatora da comissão, no entanto, apresentou arcabouço jurídico para sustentar a tese de responsabilidade do Estado calcada na teoria do “in dubio pro victima” (na dúvida, a favor da vítima), defendida por juristas como Gilberto Bercovici (professor titular de direito da USP) e o argentino Luis Moreno Ocampo (ex-procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional).
A finalidade da CEMDP é reconhecer pessoas mortas ou desaparecidas em razão de atividades políticas de 1961 a 1988, buscar localizar seus corpos e emitir pareceres sobre os requerimentos feitos por seus familiares.
Revelada no ano passado pela Folha, a decisão de reexaminar o caso da morte de JK, com o argumento de esclarecimento da verdade histórica, manteve acesa uma novela que mobiliza versões e inflama correntes políticas desde que o ex-presidente morreu, em 22 de agosto de 1976.
Naquele domingo, o Opala em que estava o político mineiro, conduzido por seu motorista e amigo Geraldo Ribeiro, foi atingido por uma carreta na via Dutra. Desgovernado, o veículo atravessou o canteiro central e invadiu a pista oposta, sendo destruído pela colisão. Ribeiro também morreu no desastre.
Diversas investigações buscaram elucidar por que o motorista perdeu o controle do Opala. As conduzidas pela ditadura concluíram que logo antes da batida o carro foi atingido por um ônibus da viação Cometa ao tentar ultrapassá-lo. Foi o mesmo veredito de uma comissão externa da Câmara dos Deputados em 2001 e da Comissão da Verdade em 2014. Por essa versão, tratou-se de um acidente.
Outras apurações concluíram que JK foi, na verdade, vítima de um atentado político, reunindo indícios de que não houve batida entre o Opala e o ônibus e de que o carro se desgovernou por alguma ação externa —sabotagem mecânica ou mesmo um tiro ou envenenamento do motorista.
Essa foi a conclusão das Comissões Estaduais da Verdade de São Paulo —amparada por um grupo de trabalho com pesquisadores das universidades USP e Mackenzie— e de Minas Gerais e da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo.
Entre os elementos reunidos pela investigação coordenada por Maria Cecília Adão estão relatos de ameaças dirigidas a JK, referências à Operação Condor e à chamada Operação Código 12 — descrita como um mecanismo para camuflar atentados políticos sob a aparência de acidentes —, além de uma suposta tentativa de atropelamento sofrida pelo ex-presidente no Rio de Janeiro.
O documento afirma que JK foi alertado sobre riscos à sua vida. Destaca que, duas semanas antes de sua morte, já teria circulado a informação de que o ex-presidente havia sido morto na mesma rodovia onde o fato ocorreu.
A investigação identificou 37 indícios de fraude na apuração oficial, incluindo a ausência de exames toxicológicos em JK e em Geraldo Ribeiro, e a retirada de fotografias dos autos por serem consideradas “muito chocantes”. Por fim, recomenda um pedido de desculpas a Josias Nunes de Oliveira, motorista do ônibus envolvido na versão oficial, injustamente responsabilizado pelo episódio e, segundo o relatório, alvo de uma tentativa de suborno para assumir a culpa pela colisão.
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse, em entrevista ao GLOBO que a designação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, pelos Estados Unidos, levanta preocupações econômicas para o Brasil, especialmente em relação ao Pix e ao setor financeiro, que podem atingir outros setores. Durigan alertou para o risco de sanções discricionárias do governo americano que poderiam atingir bancos, fundos, fintechs e até mesmo a infraestrutura do Pix.
— Há um receio das instituições financeiras de sofrerem com uma discricionariedade de instrumentos de ataque (por parte dos Estados Unidos). Então, se começar a dizer que determinada instituição financeira, que determinada conta, que determinada infraestrutura como o Pix, pode ser utilizada por facções criminosas, denominadas grupos terroristas pela designação norte-americana, e começar a fazer ataque e as instituições serem alvos disso — disse Durigan. — Eu diria que isso é uma primeira preocupação mais operacional, caso haja sanções financeiras advindas como um segundo passo dessa primeira designação. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisSem entrar em detalhes, ele disse que, se for necessário, o governo dará suporte a empresas e setores, como ocorreu no tarifaço imposto pela administração Trump no ano passado. A atuação diplomática do Brasil naquele episódio, segundo o chefe da Fazenda, será o modelo a ser seguido nessa nova crise diplomática. Ou seja, não há previsão de retaliações, mas sim um esforço para explicar que a medida do governo Trump não deveria ser aplicada ao país.
— Como foi feito no tarifaço, agora nós vamos fazer o combate, nós vamos fazer o diálogo e, se for necessário, fazer a proteção do Pix, das instituições financeiras, dos empresários locais — disse. — Caso haja impacto financeiro e prejuízo financeiro injustamente causado por um ato unilateral, é possível pensar em medidas financeiras e econômicas de suporte também — afirmou, indicando que podem repetir a reação ao tarifaço no ano passado.
Ele salientou que a medida unilateral, sem respaldo em tratados internacionais, pode resultar em notificações e sanções arbitrárias contra contas e operações de instituições locais, gerando não só custos, mas também contaminando artificialmente a percepção de risco e o apetite de investidores pelo Brasil, o que atingiria toda a economia.
— Como isso pode artificialmente gerar uma percepção de maior risco no país, pode gerar artificialmente um risco, um maior custo, o que não é fato. Nós estamos caminhando bem com a economia brasileira, no momento de estabilidade, de PIB crescendo, desemprego baixo, inflação sob controle. Um maior custo de capital do Brasil pode prejudicar o agronegócio, pode prejudicar a nossa indústria.
O ministro citou precedentes no México e na Colômbia, onde o Departamento de Justiça dos EUA interveio em instituições financeiras sob alegação de transferências de facções, chegando à liquidação de algumas delas. Essa situação serve como um alerta para o Brasil, que busca proteger sua soberania e infraestrutura crítica, como o Pix, de ataques com motivação política.
O ministro afirmou que acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. E essa interlocução deve ser buscada em nível ministerial também, mas ainda não há conversas marcadas.
Enquanto isso, comentou, empresas brasileiras com negócios nos EUA e CEOs de grandes bancos já estão reforçando suas medidas de compliance e análises jurídicas diante desse cenáriou. O governo brasileiro pretende dialogar com agências de rating para esclarecer a robustez de suas instituições e evitar que avaliações de risco sejam contaminadas por questões políticas.
Durigan reforçou que o compromisso do país é combater o crime organizado de maneira muito rigorosa e que o presidente Lula deixou claro ao presidente Donald Trump que o país está disposto a cooperar nessa seara.
— E, de fato, essas facções incomodam, elas geram terror para as comunidades brasileiras onde elas estão e atuam. Então é fundamental que a gente deixe muito claro o compromisso do governo, um compromisso que deve ser do país (…) Nós nunca deixamos de ter diálogo com qualquer país que seja, mas em especial os Estados Unidos, para dizer que se houver colaboração entre nações soberanas, tudo que o Brasil quer é ter mais troca, mais colaboração, mais parceria para o combate ao crime organizado. E não foi outra coisa que o presidente fez quando esteve com o Trump nos Estados Unidos, oferecendo a ele mais parceria, reconhecendo o caráter transnacional do crime organizado. Durigan foi enfático em “rechaçar esse tipo de medida” unilateral.
Segundo o ministro, durante a reunião de Lula com Trump na Casa Branca, as autoridades americanas demonstraram receptividade com as propostas brasileiras para reforçar a cooperação dos dois países no combate ao crime organizado. Ele afirmou que não houve qualquer sinalização dos americanos naquele encontro de que poderiam fazer a designação de terrorismo a essas facções e que o Brasil deixou com eles um relatório explicando porque isso não cabia. Mas lembrou que o secretário de Estado, Marco Rubio, que assina a decisão, não estava no encontro com o Brasil.
— O que importa é fazer uma cooperação para que a gente apreenda fuzil, para que a gente apreenda arma, droga sintética que vem dos Estados Unidos para cá. Importa fazer cooperação para que a gente receba essas informações de ativos que estão em Delaware (estado americano considerado paraíso fiscal), de recuperações judiciais que não são concluídas no Brasil porque não existe patrimônio dessas empresas, que estão escondidas lá. Agora, adotar medida para ter discurso eleitoral prejudicando o Brasil mais uma vez é, de fato, algo muito lamentável.
O chefe da economia criticou, sem mencionar o nome, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com quem Trump e Rubio se reuniram poucos dias antes de adotar a medida contra o Brasil. A linha seguiu a lógica de apontar que a atuação do bolsonarista, como no tarifaço, foi contra os cidadãos e empresas brasileiras para tentar desviar o foco dos problemas decorrentes da descoberta de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
—Nós estamos falando de um senador, que está com problema de justificativa pública de uma relação que ele teve, viajando para os Estados Unidos e, de novo, trazendo problemas para a economia brasileira, para as famílias brasileiras, para os empresários brasileiros. Isso aconteceu no tarifaço também por um motivo escuso no ano passado — afirmou. – O papel do governo agora, como foi no Tarifaço, é de proteger a soberania brasileira e defender os brasileiros, os bancos brasileiros, as instituições financeiras em geral, as fintechs, os nossos fundos, as nossas gestoras, defender a infraestrutura do Pix, defender os empresários que eventualmente possam ser afetados com isso — completou.
O governo era contra a designação, que foi tomada dois dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Flávio e aliados comemoraram a iniciativa de Trump.
Em nota, o Palácio do Planalto disse, mais cedo, que rejeita qualquer “interferência” e que a soberania é “inegociável”. O texto traz ataques à família Bolsonaro e diz que a medida foi tomada após uma “manipulação política” feita por “falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado”. O próprio presidente também se manifestou em discurso nesta manhã afirmou que as facções são “terroristas para os brasileiros e não como Trump quer”.
O texto lembra ainda a ação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e aliados quando o governo americano impôs o tarifaço a produtos brasileiros.
O comunicado ressalta ainda projetos do governo na área da segurança, como a Lei Antifacção, aprovada no Congresso. Uma das preocupações do Planalto é evitar que a crítica à medida adotada pelos EUA soe como um discurso que “protege bandidos”, já que a esquerda historicamente é vista como mais leniente com o combate ao crime do que a direita. O governo aponta ainda possíveis riscos para o funcionamento do Pix, sem apresentar detalhes.
Depois do encontro de Lula com Trump no dia 8, o governo brasileiro considerava que a possibilidade de classificação do PCC e do CV não estava na perspectiva imediata dos americanos. Por causa do clima amistoso entre os dois presidentes, a expectativa era que um anúncio desse tipo não ocorresse. Assim, o Planalto foi pego de surpresa com a decisão de quinta-feira do Departamento de Estado dos EUA.
Na semana passada, em entrevista ao GLOBO, o ministro Wellington Lima e Silva havia dito que não via possibilidade de a medida ser adotada em um “horizonte próximo”.
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