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Por Muniz Sodré
Da Folha de S.Paulo
É oportuna a expressão “baixo astral” para o desalento público com a desmoralização da classe política. “O povo vai meter 300 bandidos no Congresso”, diz um presidenciável. “Um manicômio”, diagnostica outro, psiquiatra. São sinais do ethos tóxico, agudo diante de eleições cujo parâmetro ético-político é a rejeição dos candidatos. A chamada para o voto de manutenção da democracia representativa debilita-se com a persistente sensação de desamparo social. A saturação dos modelos de governança neoliberal e a decomposição da representação parlamentar suscitam uma insólita náusea coletiva.
Não se trata de nojo, esse mal-estar psicológico que decorre da visão de uma sujidade, de intolerância física ou de repugnância moral frente a um comportamento execrável. Geralmente é individual, mas o nojo coletivo se manifesta em situações aberrantes, como figuras de uma antropologia negativa. Ficou gravada na memória pública a postagem despropositada pelo ex-presidente da República de um vídeo repulsivo, conhecido como “golden shower”. O fato e o ato definem-se como asco, nojo absoluto.
Leia maisA náusea, entretanto, não se confunde com essa abjeção. Trata-se de sensação estranha, o profundo mal-estar existencial categorizado como uma das bases do existencialismo de Sartre, descrito no romance “A Náusea” (1938). O protagonista experimenta a angústia de perceber que não há sentido predeterminado para o mundo. Do choque da existência sem essência nem finalidade, tal e qual ela aparece, advém a náusea.
Essa narrativa filosófica, que sempre trafegou no círculo das altas ideias, tem hoje correspondências com o mundo das significações correntes. Significação é o que se vive na prática de uma estrutura ou de um fenômeno, é o que torna concreto um conceito aplicado à vida. Viver uma realidade é percebê-la e lhe dar uma significação.
O problema atual é que as grandes transformações sociais acarretam mudanças em níveis diversos de consciência, com perturbações profundas nos modelos de percepção da realidade e de elaboração de significações. Algo como se as palavras estivessem anêmicas, perdendo força.
Uma das consequências é a estupidez coletiva como fenômeno das clivagens político-partidárias agravadas pela infecção neofascista, que antes era assintomática. Nesse processo, aberto à ascensão ao poder por aberrações políticas, emerge popularmente uma formação psíquica, patológica ao juízo imediato, mas de fato relacionada ao distúrbio que na Antiguidade Clássica inquietou os estoicos: a estupidez. O indivíduo não reza a um pneu de caminhão porque é louco, e sim porque é idiota ou estúpido.
Para a mentalidade antiga, estoica principalmente, a estupidez era calamidade pública por afetar o laço social, dissolvendo formas de vida comunitárias, familiares e civis. Num plano distinto da loucura, o estúpido não perde a dimensão cognitiva nem moral, mas, incapaz de vínculos construtivos, perverte significações e valores como democracia, liberdade e outros. Entre nós, isso tem se concretizado na boçalidade bolsonarista. É um fenômeno que banaliza a náusea sartreana na figura do eleitor da antidemocracia, besta quadrada da manipulação algorítmica, que vota bovinamente no pasto do nojo moral.
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O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) repudiou, neste domingo (30), a circulação de panfletos com ataques à candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), com fotos e frases acusando a governadora de ter matado o marido Fernando Lucena para ser eleita em 2022. “Esses panfletos apócrifos que estão circulando hoje são um completo absurdo. E quero deixar uma coisa muito clara: qualquer pessoa que tente atribuir esse tipo de prática a mim ou à minha candidatura vai responder por isso na Justiça brasileira”, disse
“Eu perdi meu pai durante uma eleição. A candidata Raquel perdeu o marido durante uma eleição. Nós sabemos a dor que isso representa para uma família. Por isso, não admito que a minha família, a família dela ou a família de qualquer pessoa seja atacada ou utilizada como instrumento de disputa eleitoral. Isso ultrapassa qualquer limite da política. Isso é desumano e inaceitável”, continuou.
João disse ainda que sua equipe jurídica já acionou a Justiça para investigar a origem dos panfletos. O Jurídico da Frente Popular de Pernambuco informou que apresentou, neste domingo, uma solicitação ao Ministério Público Eleitoral para apurar a autoria, produção e divulgação do material, que circula nas redes sociais e teria sido afixado em locais públicos. “Quero que a Justiça Eleitoral descubra quem produziu, quem financiou e quem distribuiu esse material, e que os responsáveis sejam punidos na forma mais severa da lei”, declarou.
O candidato afirmou que a democracia comporta divergências, críticas e confronto de ideias, mas não “covardia, anonimato e ataques contra famílias”. Em nota, a Frente Popular também repudiou os panfletos e reafirmou que não participou da produção ou disseminação do material: “A Frente Popular repudia de forma categórica esse tipo de prática e defende que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados na forma da lei. A coligação reafirma que não possui qualquer participação na produção ou disseminação desse material”, diz a nota da coligação.”
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou que quatro perfis em redes sociais apagassem postagens que associam a governadora Raquel Lyra (PSD) a um suposto “gabinete do ódio”. De acordo com a decisão, as publicações utilizaram trechos de uma reportagem da TV Record acompanhadas de legendas com desinformação.
A decisão, assinada no sábado (29) pelo desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, determina um prazo de 24 horas para a remoção das publicações. As informações são do g1.
Leia maisTambém foi solicitado ao Facebook Serviços Online do Brasil LTDA que sejam informados “os dados cadastrais, registros de conexão e de acesso a aplicações de internet necessários à inequívoca identificação dos responsáveis pelos perfis”.
Os alvos da decisão são os perfis no Instagram @seremosresistencia, cujo responsável é Denilson Cadete Arruda do Nascimento, @bregabregoso, @recifeordinario e @pernambucoposting, que não tiveram os responsáveis identificados.
No documento da decisão, o desembargador afirma que “a publicação desinforma, pois parte de um fato existente (uma reportagem apontando suspeitas) para propagar a efetiva comprovação da existência de tal estrutura”.
As postagens traziam as frases:
Conforme avaliação do desembargador, as legendas trazem “conteúdo que desinforma ao transformar suspeitas jornalísticas em conclusões irrefutáveis, instigando o compartilhamento de fatos que não correspondem ao teor da matéria originária”.
Também menciona que os perfis do Instagram “descontextualiza a informação da matéria sobre as ditas apurações em face de ambos os principais candidatos”. Já que as duas candidaturas, de João Campos e de Raquel, afirmam ser alvo de “gabinetes do ódio” e de ações coordenadas de “milícias digitais”.
Em nota, o PSD, partido da governadora e candidata à reeleição, comentou sobre a decisão do TRE-PE. “Uma vitória na Justiça Eleitoral contra perfis nas redes sociais que utilizaram o conteúdo de uma reportagem da TV Record, exibida na última terça-feira (25), para afirmar falsamente que a matéria jornalística comprovaria um suposto “gabinete do ódio” contra o candidato ao governo João Campos (PSB)”, diz o comunicado.
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A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) registrou boletins de ocorrência nas polícias Federal e Civil após ser alvo de episódio de violência política, segundo nota divulgada neste domingo (30) pela coligação Pernambuco de Coração. Desta vez, o caso envolve a circulação de cartazes com acusações e ataques de caráter pessoal relacionados à morte de seu marido, o empresário Fernando Lucena. A coligação informou que também acionará o Ministério Público Eleitoral.
As peças foram espalhadas em muros no Bairro do Recife. Em um dos cartazes, a imagem de Raquel aparece acompanhada da frase “Ela matou o marido para ganhar a eleição”. Em outro, a governadora é retratada ao lado de Elize Matsunaga e Flordelis, sob a expressão “matadoras de maridos”.
Raquel reagiu às publicações em vídeo divulgado nas redes sociais. Segundo ela, as imagens foram vistas enquanto entrava no carro para seguir para uma agenda na Mata Sul. “Pude ver de perto a crueldade de quem não tem limites. Respeite minha família, respeitem meus filhos, respeitem quem não está mais aqui, respeitem a minha dor”, disse.
O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), retirou de pauta o processo que trata do registro da candidatura de Renan Santos (Missão) à Presidência da República. A decisão foi proferida ontem (29).
O julgamento do procedimento, que verifica a regularidade dos atos partidários da chapa, estava previsto para começar amanhã (31), no plenário virtual da Corte. As informações são do Metrópoles.
Leia maisRelator do processo, Toffoli apontou a existência de “indícios de ilicitudes” relacionados aos perfis de redes sociais informados pelos candidatos Renan Santos e Aroldo Medina, candidato a vice-presidente.
Segundo o despacho, os concorrentes indicaram à Justiça Eleitoral, em 19 de agosto, 18 perfis em redes sociais como complemento às informações do registro de candidatura, apresentado inicialmente em 7 de agosto.
A legislação eleitoral estabelece regras específicas para o uso de endereços eletrônicos na campanha. Perfis preexistentes que não tenham sido informados no registro de candidatura só podem ser utilizados em propaganda eleitoral 48 horas após a comunicação à Justiça Eleitoral.
O ministro também menciona possíveis descumprimentos de regras previstas na Lei das Eleições e em resoluções do TSE que tratam do registro de candidaturas e da propaganda eleitoral na internet. “Constata-se que, em petições apresentadas em 19/8/2026, os candidatos componentes da chapa, Renan Antônio Ferreira dos Santos e Aroldo Medina, informaram o total de 18 perfis em redes sociais, como complementação às informações do registro, enviado à Justiça Eleitoral em 7/8/2026. Tendo em vista haver, no registro dos candidatos, indícios de ilicitudes, (…) determino a retirada do feito da pauta de julgamento”, explicou Toffoli em despacho.
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Após uma série de agendas pelo Agreste de Pernambuco, o candidato ao Governo do Estado e líder da Frente Popular, João Campos (PSB), fez uma caminhada em Bonito, ontem (29). Ao lado do prefeito do município, Dr. Ruy Barbosa, do candidato a vice-governador, Carlos Costa, do deputado federal e candidato à reeleição Felipe Carreras e de lideranças políticas, João defendeu uma gestão estadual capaz de transformar investimentos em emprego, renda e serviços públicos.
O candidato afirmou estar preparado para assumir a responsabilidade de governar Pernambuco. “Eu me conheço e conheço o adversário. E eu não tenho dúvida: me dê serviço que eu dou conta. Eu não vou ficar reclamando da vida, jogando a culpa nos outros ou dizendo que a responsabilidade não é minha. Qualquer problema que tiver em Pernambuco, eu vou botar a cara, vou ter respeito e vou resolver”, afirmou.
Leia maisJoão defendeu ainda uma estratégia de desenvolvimento que leve oportunidades também ao interior. O candidato destacou a necessidade de fortalecer a economia, atrair investimentos e ampliar a geração de emprego e renda em todas as regiões do Estado.
Na saúde, João reforçou as propostas para o Agreste. “Eu trabalhei muito, muito. Era sábado, domingo, feriado. Se eu não tivesse trabalhado os quatro anos, Recife não teria sido a cidade do Brasil que mais abriu vagas de creche, nem teria feito o melhor hospital infantil do Nordeste, que é o Hospital da Criança. Eu vou fazer um igual aqui em Caruaru para o Agreste pernambucano, além de um serviço de tratamento de câncer”, disse.
O prefeito Dr. Ruy Barbosa destacou a relação construída com a família Campos e declarou apoio à candidatura de João. “Eu conheci o pai dele e construí uma amizade. Deus quis levá-lo, mas ficou o filho, esse menino que vai transformar Pernambuco. Tenho certeza de que João vai trabalhar para Bonito ficar cada vez melhor. Pernambuco só tem a crescer com João como governador”, afirmou.
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O candidato ao Governo de Pernambuco pela Coligação Frente Pernambuco de Luta (Federação PSOL/REDE e PCB), Ivan Moraes, assinou uma carta-compromisso com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), durante agenda no Assentamento Normandia, em Caruaru, ontem (29). A assinatura integrou a passagem da Caravana do Bem Viver pelo Agreste e foi acompanhada de um diálogo de Ivan com trabalhadores e trabalhadoras rurais e representantes do MST.
A carta-compromisso visa orientar o próximo governo, reafirmando compromissos com as pautas da reforma agrária, da agricultura familiar e da construção de um modelo de desenvolvimento que valorize as pessoas que vivem da produção de alimentos e são o principal “motor” da economia no campo.
Leia maisAo assinar a carta-compromisso, Ivan Moraes reafirma que, uma vez eleito, seguirá lutando pela implementação de políticas públicas permanentes voltadas ao desenvolvimento e à redução das desigualdades sociais no campo em todas as regiões de Pernambuco. O documento estabelece diretrizes e metas nas áreas de acesso à terra e combate à violência, fomento à produção e agroecologia, educação, saúde e infraestrutura, além de estrutura governamental e inclusão.
Durante a tarde, Ivan e a candidata a deputada estadual Jô Cavalcanti (PSOL) foram prestigiar o Sarau de Poesia para celebrar os 80 anos de dona Inaldete Pinheiro, realizado na Rua Silva Filho, nº 7, no bairro Maurício de Nassau, em Caruaru.
No início da noite, Ivan participou de uma caminhada ao lado da presidente do PSOL Caruaru e demais candidatos aliados. O último compromisso do candidato foi na Estação Ferroviária, onde ele participou da tribuna aberta promovida pela candidata a deputada estadual Eugênia Lima (PSOL), para debater sobre cultura, geração de renda e desenvolvimento regional em Pernambuco.
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Desde que Raquel Lyra (PSD) assumiu o governo, Pernambuco não consegue sair do quinto lugar no Ranking de Competitividade, divulgado anualmente pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Os resultados de 2026, divulgados nesta semana, mantêm o estado como quinto do Nordeste, atrás de Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.
A última vez em que Pernambuco esteve em posição melhor foi com o 3º lugar em 2023, ainda como reflexo de políticas públicas da gestão anterior. Em 2024, já com um ano inteiro de gestão de Raquel sob avaliação do levantamento, o estado caiu para 5º lugar, permanecendo nessa colocação em 2025 e na pesquisa de 2026.
Puxaram Pernambuco para baixo indicadores como infraestrutura (-4), inovação (-1) e sustentabilidade ambiental (-1). Segundo o ranking, o pior posicionamento do estado é no quesito capital humano, especialmente no aspecto relacionado à inserção econômica de sua mão de obra, que foi considerada a pior do país (27º).

A Frente Popular de Pernambuco, coligação liderada pelo candidato ao Governo do Estado João Campos (PSB), informou, neste domingo (30), que adotará medidas na Justiça Eleitoral diante das denúncias sobre uma suposta rede de ataques contra João Campos (PSB) nas redes sociais. Confira nota na íntegra:
“Nota da Frente Popular de Pernambuco
A Frente Popular de Pernambuco informa que adotará todas as medidas cabíveis perante a Justiça Eleitoral para que a produção e a disseminação de conteúdos apócrifos contra qualquer candidatura sejam rigorosamente investigadas, com a devida identificação e responsabilização de seus autores.
Não aceitaremos ataques anônimos, crimes contra a honra ou qualquer prática que viole a legislação eleitoral e tente degradar o debate público. Seguiremos fazendo uma campanha limpa, responsável e baseada em propostas, com respeito à democracia e, sobretudo, ao povo pernambucano.“
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) declarou, ontem (29), apoio a João Campos (PSB) após a denúncia de uma suposta estrutura digital voltada a ataques contra o candidato ao Governo de Pernambuco. Além de Alckmin, também manifestaram apoio a João a ministra Luciana Santos (PCdoB) e o ex-ministro Silvio Costa Filho (Republicanos).
“João Campos, você tem o meu apoio e a minha solidariedade contra essa rede de ódio revelada pela imprensa nacional. Vamos em frente, fazendo uma campanha limpa como você faz. Estamos juntos, em Pernambuco e no Brasil, com João Campos”, declarou Alckmin.
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O caso veio a público após reportagem da TV Record, exibida na terça-feira (25), que apresentou o relato de Amisadai Andrade, ex-servidor cedido ao Governo de Pernambuco. Segundo a denúncia, ele teria participado de uma rede de páginas e perfis destinada a enfraquecer João Campos nas redes sociais.
Amisadai foi exonerado no dia seguinte à exibição, enquanto a governadora Raquel Lyra (PSD) negou ter tratado do assunto com o servidor. Documentos obtidos pelo Metrópoles, porém, registram ao menos duas entradas de Amisadai no Palácio do Campo das Princesas em 2024.
Diante das acusações, a Frente Popular anunciou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) no TRE-PE para apurar possíveis abusos de poder político e econômico. O grupo também informou que levará o caso a órgãos de controle.
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O podcast ‘Direto de Brasília’ da próxima semana, meu projeto em parceria com a Folha de Pernambuco, será com o cientista de dados, publicitário, empresário e pesquisador Alek Maracajá. Ele vai falar sobre o impacto das pesquisas eleitorais, se elas influenciam o eleitor, se a multiplicidade de institutos e levantamentos causam algum tipo de confusão na cabeça do eleitor e o impacto que recorte de pesquisas estão causando nas redes sociais.
Com formação e trajetória profissional voltadas à integração entre tecnologia, comunicação e análise de comportamento, Alek atua também como professor da ESPM e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde ampliou sua atuação para temas relacionados à inteligência artificial, ética e desinformação. É autor do livro ‘Brasil Digital nas Entrelinhas da Polarização Política’, resultado de pesquisas baseadas em grandes volumes de dados das redes sociais.
Leia maisNa área profissional, Maracajá é CEO da Ativaweb e acumula experiência em análise de dados, redes sociais, comunicação e marketing político. Seu trabalho envolve o monitoramento e a interpretação de dados digitais para identificar tendências, comportamento de públicos, engajamento e circulação de narrativas. Ao longo da carreira, participou de estudos e projetos relacionados a campanhas eleitorais e comunicação política, consolidando-se como especialista na aplicação de Big Data à compreensão do comportamento político nas redes sociais.
O ‘Direto de Brasília’ vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas, a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras, na Paraíba, e a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid. Ainda a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado, além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
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Do jornal O Globo
A liberdade para organizar os próprios horários permite que Leandro Alves acompanhe os dois filhos, que necessitam de cuidados especiais, em consultas médicas sem pedir autorização a um superior. Morador de Planaltina, a cerca de 50 minutos do centro de Brasília, o entregador sai de casa às 11h para rodar na Asa Norte e costuma retornar às 22h.
Após anos trabalhando com carteira assinada, o brasiliense de 47 anos passou a fazer entregas por aplicativos em 2021, em busca de flexibilidade e ganhos maiores. Cinco anos e uma pandemia depois, porém, ele percebe uma queda na renda e um aumento nas horas trabalhadas. Embora ainda valorize a autonomia, sente falta de estabilidade. “Até 2022, eu conseguia ter uma renda que ajudava minha mãe e meus filhos. Sobravam em torno de R$ 4,5 mil. Hoje, trabalho 11 horas por dia e não consigo manter os custos de vida”, afirma.
Leia maisA experiência de Alves traduz uma demanda que deve ganhar espaço na eleição presidencial: em meio a transformações nas relações de trabalho no pós-pandemia, os brasileiros desejam, em proporção semelhante, mais estabilidade e mais autonomia quando pensam em melhores condições de trabalho hoje, mostra pesquisa Ideia realizada neste mês com 1.500 entrevistas em todo o país.
Os dados, obtidos pelo O Globo com exclusividade, mostram que ter estabilidade no emprego é citado por 21,3% dos brasileiros, fator seguido por ter autonomia e trabalhar em seu próprio negócio e por ter liberdade para definir os próprios horários, com 16,2% e 13,1%, respectivamente. A margem de erro do levantamento é de 2,5 pontos percentuais para mais ou menos.
Qualidade de vida
O panorama em que estabilidade e autonomia surgem simultaneamente como condições de trabalho mais desejáveis aponta um desafio para candidatos à Presidência que querem conversar com esse eleitor e terão que se debruçar em temas que vão da regulamentação de trabalhadores de aplicativos e fim da escala 6×1 a medidas para a geração de emprego. CEO do Ideia, Cila Schulman, destaca que os trabalhadores não querem escolher mais entre direitos e autonomia.
“Entre estabilidade e liberdade, o trabalhador quer ambas. Estamos falando de qualidade de vida, não só de trabalho. As pessoas estão exaustas, inseguras e ansiosas por não saberem se terão emprego amanhã”, analisa.
Quando questionados sobre qual condição de trabalho considera a mais importante, os temas voltam a ter destaque: os entrevistados se dividem entre estabilidade (27,7%), plano de saúde (24,1%), flexibilidade de horários (19,7%), férias e descanso remunerados (18,2%), possibilidade de ser o próprio chefe (16,3%) e trabalho remoto ou híbrido (15,1%).




O levantamento aponta um quadro semelhante mesmo se considerados os diferentes perfis de trabalhadores, sejam assalariados no regime CLT, servidores públicos ou trabalhadores que não pertencem a nenhum desses grupos, como autônomos, trabalhadores por aplicativo e contratados como PJ (pessoa jurídica).
Segundo a pesquisa, a estabilidade, por exemplo, é citada por 29,9% dos servidores públicos, 23,4% dos assalariados e 20,1% dos trabalhadores que não se enquadram nessas duas categorias e têm vínculos mais flexíveis — nesse último segmento, ela aparece pouco atrás de ter autonomia e trabalhar em seu próprio negócio (24,8%). Entre quem tem CLT, a liberdade para definir horários aparece no mesmo patamar que ter benefícios, como plano de saúde (16,2% cada).
A analista financeira Gabriela Frazão, de 26 anos, associa a carteira assinada à segurança, mas valoriza autonomia. Moradora de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, ela leva cerca de duas horas para chegar ao trabalho, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, e defende a ampliação dos modelos híbrido e remoto.
“Quem frequenta metrô, trem ou ônibus sabe que, às vezes, demora de duas a três horas para ir e voltar do trabalho. Isso sem contar as intercorrências do dia, como confrontos entre facções ou as chuvas, e tudo isso afeta a nossa rotina”, afirma Gabriela, que já trabalhou na escala 6×1 e procura candidatos que defendam o fim desse regime.
Já o secretário de uma escola pública na Zona Sul de São Paulo, Michel Dromed, de 46 anos, diz esperar que os presidenciáveis valorizem os salários dos servidores e ampliem os concursos para reduzir a sobrecarga. Após trabalhar no comércio, Dromed escolheu o serviço público justamente pela estabilidade que ele oferece. “Férias são fundamentais, porque a gente precisa descansar a cabeça. O descanso remunerado é o mínimo. A gente precisa descansar e usufruir do nosso trabalho”, afirma.
Na avaliação do cientista político Josué Medeiros, coordenador do Observatório Político e Eleitoral (Opel) da UFRJ, as diferenças entre os candidatos a presidente no tema mercado de trabalho tendem a permear a campanha. Enquanto as candidaturas de direita são mais ligadas à liberdade econômica e à menor interferência do Estado nas relações de trabalho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mais à esquerda, deve tentar ocupar o campo da proteção social — o fim da escala 6×1 é uma das apostas do petista. Seu principal rival, Flávio Bolsonaro (PL), aposta em contratos e horários mais flexíveis. Para trabalhadores de plataformas, promete conciliar autonomia e proteção social.
A pesquisa sugere, contudo, que os eleitores não se encaixam de forma tão rígida nessa divisão. Os resultados, diz Medeiros, refletem uma mudança provocada pela pandemia: a crise sanitária expôs a fragilidade de quem não tinha vínculo formal nem acesso a direitos. “Isso mudou o cenário e gerou uma onda pró-direitos, pró-vínculo e pró-estabilidade”, conclui.
Nesse cenário, os números mostram que a busca por segurança atravessa os campos políticos, embora a direita dê mais peso à autonomia e à liberdade de horário. A estabilidade é valorizada por 19% dos eleitores da direita bolsonarista e pelo mesmo percentual na direita não bolsonarista, pouco abaixo dos 25% de lulistas e dos 27% da esquerda não lulista, mostra o levantamento do Ideia.
Fora da polarização
Medeiros avalia que a pauta pode “furar a polarização”, pois os interesses econômicos podem pesar mais do que a identificação ideológica: “A questão do trabalho vai ser muito importante porque tem potencial de virar voto. Esse eleitor pode não seguir a ideologia, mas os próprios interesses. Numa eleição apertada, se 1% ou 2% mudarem, isso já pode alterar o resultado.”
Cila Schulman, do Ideia, destaca que a força eleitoral do debate sobre o fim da escala 6×1 não decorre apenas de uma reivindicação trabalhista tradicional, mas de uma demanda mais ampla por descanso e qualidade de vida. “O fim da jornada 6×1 virou uma pauta eleitoral importante, mas trouxe à tona uma demanda por descanso, por fazer outras coisas e por ter qualidade de vida novamente. O trabalhador quer o sonho completo, não quer optar apenas pela estabilidade ou pela liberdade”, avalia.
Maioria apoia valor mínimo a entregador e motorista de app
A maioria dos brasileiros defende que seja fixada uma remuneração mínima para motoristas e entregadores de aplicativo, um dos pontos em debate na regulamentação do tema, mostra a pesquisa Ideia. O percentual dos que dizem defender a medida soma 62,1%, mas recua quando os entrevistados são perguntados se mantêm o aval mesmo diante da possibilidade de aumento no preço das corridas e entregas.

Entre os que apoiam a proposta ou inicialmente não tinham opinião, 44,4% continuam favoráveis mesmo diante do impacto nos preços. Outros 16,8% passam a rejeitar a medida, e 38,9% não sabem responder.
O apoio à remuneração supera 60% nos diferentes grupos quando considerado o recorte por tipo de vínculo empregatício. Também atravessa os campos políticos. A mudança é defendida por 54% dos eleitores da direita bolsonarista e por 57% daqueles identificados com a direita não bolsonarista. Nesses grupos, cerca de 19% são contrários. Mesmo com a possibilidade de aumento das tarifas, mais de 40% dos ouvidos nos diferentes segmentos de esquerda e direita mantêm o aval.
Embora seja defendida pela maioria dos entrevistados, a criação de um piso ou remuneração mínima para os trabalhadores não é o ponto citado como mais importante para a regulamentação do trabalho por aplicativo. O acesso a seguro para o caso de acidente é apontado como prioridade para 19,5% dos brasileiros, seguida por reconhecer vínculo empregatício com a plataforma, que soma 14,6%. São 12,4% os que destacam a remuneração mínima, que aparece pouco à frente do acesso à Previdência (10,1%).
Entre quem não é nem CLT nem servidor público, categoria em que se enquadram os trabalhadores por aplicativo, o seguro contra acidente também foi o ponto mais citado (21%).
As principais propostas dos presidenciáveis para a área
