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Por Leonardo Sakamoto
Do UOL
Apesar de as quebras de sigilo até aqui sugerirem que o ministro André Mendonça gastou mais sua energia para buscar informações sobre o adversário Alexandre de Moraes do que para investigar o aliado Flávio Bolsonaro por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o pouco revelado até agora reforça as suspeitas de que milhões transferidos por Daniel Vorcaro a pedido do senador tiveram um fim ainda menos nobre do que o filme Dark Horse. E pode ter bancado traição à pátria.
Flávio solicitou (e cobrou, e cobrou, e cobrou…) R$ 134 milhões do dono do Master em tese para a obra sobre a vida de seu pai — dinheiro que até um suricato desatento sabe que não pode ser chamado de “privado”, uma vez que o Master usou fundos de aposentadorias de servidores públicos e no Banco de Brasília. É dinheiro público — e sem a necessidade chata de prestação de contas da Lei Rouanet.
Leia maisEnquanto o deputado Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, dona da produtora do filme, recebiam recursos de outras fontes nacionais — a Polícia Federal investiga o desvio de emendas parlamentares, ou seja, mais dinheiro público — para que o filme fosse rodado no Brasil, pelo menos R$ 70 milhões foram enviados aos Estados Unidos por meio do fundo Havengate, sob a tutela do advogado migratório de Eduardo Bolsonaro.
As informações disponíveis até aqui indicam que não é possível dizer que todo o dinheiro que foi mandado para fora acabou empregado no filme. A PF investiga se a grana foi usada na produção ou para manter as atividades dele enquanto conspirava junto ao governo Donald Trump. Isso — segundo afirmou o próprio deputado na época — ajudou a estabelecer o primeiro tarifaço contra o Brasil no ano passado. Um dos elementos que corrobora essa hipótese é que a Procuradoria-Geral da República aponta que o ex-deputado, que está em autoexílio no Texas, orientou a gestão desses recursos.
Confirmado que a grana manteve Eduardo enquanto ele tentava barrar o julgamento e a condenação de Jair por tentativa de golpe, podem-se somar “coação no curso do processo” e, por que não, a “traição” ao rol de investigações envolvendo Flávio por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. É um belo currículo a um pretendente à Presidência da República.
Sempre que é confrontado sobre o cascalho do Vorcaro, Flávio Bolsonaro diz que a produtora Go Up já fez uma perícia privada e provou que estava tudo em ordem. Mentira. Artur Rodrigues e Amanda Rossi, no UOL, apontam hoje o contrário: a ação da PF identificou conflitos em relação ao volume de recursos que teria voltado do exterior para o Brasil para a execução do filme.
Enquanto isso, Natália Portinari, Cézar Feitoza, Artur Rodrigues e Fabio Serapião, também no UOL, revelam que o braço da produtora de Dark Horse nos EUA se recusou a entregar às autoridades brasileiras os documentos contábeis e bancários da empresa, mantendo sob sigilo informações relativas a 72% do custo da produção do filme. Basicamente, exige uma ordem de um juiz norte-americano. Para tanto, precisaríamos que o STF fizesse esse pedido. Mas Mendonça só tem olhos para Moraes.
Traduzindo: o boteco da esquina tem contas mais redondas e transparentes do que as de Dark Horse.
Outra dúvida é se toda a informação coletada foi realmente divulgada por Mendonça ou se dados apurados em diligências da PF ainda em curso não vieram a público sob a justificativa de não atrapalhar as investigações. Isso sem contar os dados dos oito celulares de Daniel Vorcaro, que foram apenas parcialmente revelados, prejudicando uns e beneficiando outros.
Na atual conjuntura, em que dados de ministros do STF foram divulgados mesmo sem autorização para tanto, seria importante que toda a informação viesse a público. O dano à Justiça e ao país provocado pela atual percepção de tentativa de interferência eleitoral por meio do vazamento seletivo de informações é pior do que qualquer prejuízo às investigações da polícia.
A percepção, até aqui, é a de que o filme foi um grande aríete contra o próprio Brasil. O problema, portanto, já não é saber se Dark Horse é ruim, mas descobrir por que tanta gente poderosa parece tão pouco interessada em chegar aos seus créditos finais.
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A PF (Polícia Federal) encontrou uma lista com “nomes” de deputados e anotações que seriam “provavelmente” valores entre documentos localizados na churrasqueira da casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília.
O material foi encontrado durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em maio deste ano, na 5ª fase da Operação Compliance Zero, que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal). O relatório da diligência foi tornado público ontem (11), após o ministro André Mendonça ampliar a retirada de sigilo de processos relacionados ao caso Master. As informações são da CNN Brasil.
Leia maisUma funcionária da casa, segundo a PF, disse que os papéis encontrados na churrasqueira haviam sido entregues por Nogueira para que fossem queimados, sob a justificativa de que se tratavam de “documentos antigos”. Ela afirmou ainda que não chegou a queimar o material por “ausência de tempo hábil”. O relatório não informa quando o senador teria dado a orientação.
“Na churrasqueira da residência, foram localizados documentos que, segundo a funcionária Débora, haviam sido entregues pelo investigado para serem queimados, sob a justificativa de serem ‘antigos ou sem serventia'”, escreveram os investigadores. Entre os papéis, os policiais encontraram um rascunho com a palavra “CAMARA”, seguida por nomes e números:
A PF associou parte dessas anotações aos deputados Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB), Elmar Nascimento (União-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
“Ressalte-se que, ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento”, escreveu a equipe responsável pela busca.
A CNN procurou os citados. Em nota, a assessoria do deputado federal Arthur Lira informou que ele desconhece as anotações mencionadas e não pode se manifestar sobre o registro.
“Sinais de riqueza aparente”
Durante a busca, a PF também apreendeu dinheiro em moeda estrangeira, relógios, veículos e aparelhos eletrônicos. No escritório do senador, foram encontrados US$ 27.735, € 1.555 e 890 liras turcas. Os valores foram encaminhados à Caixa Econômica Federal para custódia.
Em um cofre no quarto de Nogueira, os agentes apreenderam um pendrive, três relógios aparentemente da marca Rolex, um relógio aparentemente da Patek Philippe e um crucifixo dourado. Os relógios e a joia foram enviados para perícia, que deve identificar características, origem e valor de mercado dos itens. Também foram apreendidos uma BMW 440i e uma motocicleta Honda CB1000R.
O relatório registra ainda a presença de bebidas alcoólicas de alto valor, como vinhos importados e uísques, além de bolsas de grife encontradas em diferentes cômodos da casa. A PF afirma que o cumprimento do mandado permitiu confirmar “sinais de riqueza aparente” do Ciro Nogueira:
“O cumprimento do mandado de busca e apreensão decorreu sem mais eventos dignos de nota, e, a partir dele, foi possível confirmar os sinais de riqueza aparente do investigado, além de achados passíveis de aprofundamento (a exemplo do manuscrito encontrado na churrasqueira, contendo nomes de parlamentares acompanhados de valores e das malas etiquetadas com nomes de terceiros)”, diz.
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Do jornal O Globo
Oito em cada dez eleitores afirmam que a crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) não altera a sua intenção de voto para presidente. É o que aponta uma pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12). Entrevistadores do instituto saíram às ruas entre terça-feira (8) e quinta (10) para captar a percepção do eleitorado sobre diferentes temas — incluindo a parte até então divulgada sobre o embate público entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça pelo Caso Master.
Segundo a sondagem, as mensagens que implicam Moraes no caso Master não mudaram a preferência eleitoral de 85%, assim como o pedido de investigação contra Mendonça não afetou 86%.
Leia maisNeste sábado, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, vetou o agendamento de uma sessão conjunta para analisar, na próxima terça-feira (15), as condutas dos dois colegas. Fachin manteve a data para análise do pedido de investigação do elo de Moraes com o banqueiro preso Daniel Vorcaro no dia 15 e marcou para 23 de setembro a deliberação sobre a suposta parcialidade contra Mendonça. A decisão representou um revés para Moraes, que pediram a análise em conjunto dos casos.
Na véspera, Mendonça tornou públicos todos os processos do Supremo relacionados às fraudes do Banco Master. O conflito estourou na terça-feira, quando o ministro revelou relatório sigiloso que mencionava mensagens entre Vorcaro e Moraes. O ato expôs detalhes sobre o contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da mulher do magistrado, Viviane Barci de Moraes, e pedidos do ex-banqueiro para que o interlocutor ajudasse a barrar ações contra o banco e o orientasse sobre a convivência de sair do país.
Em resposta, Moraes questionou a legalidade dos atos de Mendonça, pediu que ele fosse investigado no inquérito das fake news, então sob sua relatoria, e acusou o colega de proteger de forma “ostensiva” um determinado “grupo político” ao manter o sigilo de parte das investigações do Master. Fachin interveio e, entre o início da madrugada de sexta-feira ao início da noite, 54 procedimentos vieram à tona.
O conflito no STF foi para o centro da disputa eleitoral, com Flávio Bolsonaro (PL) vinculando Moraes ao adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dada a atuação do magistrado no processo da trama golpista, que levou à prisão de seu pai, Jair Bolsonaro (PL). Lula rebateu o rival e apontou a motivação política dos atos de Mendonça, que teria divulgado apenas parte dos inquéritos relacionados à instituição financeira — deixado de lado, por exemplo, as apurações sobre o financiamento de Vorcaro ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente.
O levantamento apontou que, para 7% dos eleitores, as mensagens entre Moraes e Vorcaro não mudaram a intenção de voto, mas deixaram em dúvida o voto para presidente. Outros 4% indicaram que alteraram a escolha para presidente a partir disso, e 4% não responderam.
Na sondagem sobre o efeito do pedido de investigação de Mendonça, 2% apontaram ter mudado de ideia sobre o voto. Outros 7% afirmaram não ter mudado, mas ficado em dúvida, e 4% não souberam.
De acordo com o instituto, 66% disseram saber do caso Moraes, e 26% deles se disseram bem informados. Os eleitores de Flávio foram os mais que relataram saber do caso: 75%, ante 61% entre aqueles que declaram voto em Lula no primeiro turno.
As suspeitas contra Mendonça são menos conhecidas pelo eleitorado: 45% afirmaram ter conhecimento, com 22% desses se classificando como bem informados. Os bolsonaristas (60%) também indicaram saber, em maior proporção, do caso Mendonça, em relação aos lulistas (37%).
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades de terça-feira (8) a quinta (10). A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. Encomendado pela Folha e pela TV Globo, o levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-01833/2026.
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Depois da denúncia do Metrópoles sobre pagamentos via Pix para estimular comentários favoráveis a Raquel Lyra e ataques a João Campos nas redes sociais, algo chama atenção: de uma hora para outra, os comentários que inundavam blogs, portais e redes sociais simplesmente evaporaram. Vale destacar que os comentários, segundo a denúncia, eram pagos por uma bet.
A reportagem do Metrópoles revelou mensagens, grupos de WhatsApp e comprovantes de pagamentos semanais a pessoas encarregadas de produzir esse tipo de engajamento. A campanha de Raquel nega qualquer vínculo com a estrutura denunciada e afirma que o apoio recebido nas redes é espontâneo.

Mas fica a pergunta: se era tudo espontâneo, por que o movimento desapareceu justamente depois que o esquema veio a público?
Será que a denúncia acendeu um sinal de alerta? E mais: será que existe preocupação de que as informações reveladas possam chegar a órgãos de investigação, inclusive à Polícia Federal? Já pensaram a PF atrás de uma ex-delegada da PF? Há quem aposte que essa possibilidade existe. Coincidência ou não, depois que os Pix apareceram, os comentários desapareceram.
Raquel e seus coordenadores sempre fazem questão de falar o número de prefeitos que apoiam sua campanha. Enchem o peito para soltar a voz falando em mais de 140 prefeitos.
Pois bem, na reunião de hoje, não foram vistos 30 prefeitos. O que será que aconteceu? São mais de 100 ausências. Será que o clima de desânimo pegou a campanha de Raquel?
As últimas pesquisas e os últimos atos esvaziados acenderam um sinal de alerta na campanha dela. A reunião de emergência, idealizada pelos coordenadores e convocada pessoalmente por ela, foi um fiasco.
Vamos ver a reação da coordenação da campanha. Seu primo André e os outros coordenadores terão dias longos pela frente.
As imagens que circulam nas redes sociais sobre a reunião da governadora Raquel Lyra (PSD) com prefeitos em um hotel na Zona Sul do Recife não mostram a participação de nenhum deputado federal ou estadual. Os únicos parlamentares presentes são Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD), por conta da condição de candidatos ao Senado na chapa governista.
Diante da estranheza das imagens, o blog foi em busca de informações e apurou que deputados que tentaram participar do encontro foram barrados pela organização, o que gerou muita insatisfação dos aliados. O gesto repete a postura de Raquel ao longo dos quase quatro anos de mandato, quando foi alvo de queixas de deputados por querer se relacionar diretamente com os prefeitos sem recorrer aos parlamentares como interlocutores de suas bases, como manda a cartilha da política.
Neste sábado (12), mais uma vez, Raquel quis falar só com prefeitos, ignorando que a própria governabilidade dela depende da liga dos deputados com os municípios, considerando que são eles que podem fazer andar ou travar um governo na Assembleia Legislativa. Foi uma bola fora dos articuladores políticos da governadora, que já não haviam acertado ao convocar a reunião no dia seguinte à divulgação de uma pesquisa em que Raquel aparece empatada com seu principal adversário, João Campos (PSB), o que deu ao evento ares de um encontro de emergência para socorrer a campanha.
Por Anthony Santana
Do Blog da Folha
A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), reúne, na tarde deste sábado (12), prefeitos aliados de diversas regiões do estado no Mar Hotel Conventions, em Boa Viagem.
Estão presentes prefeitos da Região Metropolitana do Recife, como o de Jaboatão dos Guararapes, Mano Medeiros (PSD), de Olinda, Mirella Almeida (PSD), e Camaragibe, Diego Cabral (PSD).
Leia maisAlém destes, Rodrigo Pinheiro (PSD), de Caruaru, Pollyana Abreu (PSD) de Sertânia, Fabinho Lisandro (PSD), de Salgueiro, Sérgio Colin (PP) de Toritama e Pedro Freitas (PP) de Aliança, são alguns dos representantes do interior presentes no encontro.
A pauta da reunião não foi revelada previamente aos gestores, mas os prefeitos acreditam que o assunto seja a estratégia de campanha para os próximos dias, reta final da corrida eleitoral.
A reunião ocorre a portas fechadas, sem a presença da imprensa. Assessores dos prefeitos foram convidados a se retirar do auditório após o início do encontro. A assessoria da governadora informou que ela não vai se pronunciar sobre o conteúdo da reunião.
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Do g1
Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra como está a disputa para a Presidência da República em Minas Gerais. O levantamento foi contratado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo.
Veja os números da pesquisa estimulada, em que o Datafolha mostra aos eleitores os nomes dos candidatos. Entre parênteses, o resultado da pesquisa anterior em MG, do dia 22 de agosto.
Leia maisVeja os números:
Pesquisa nacional divulgada ontem (11) pelo Datafolha indicou Lula com 39%, e Flávio, 35%. Em seguida, apareceram: Cury, 6% ; Caiado, 4%; Renan, 3%; Zema, 2%.
Foram entrevistados em Minas Gerais 1.204 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03022/2026.
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Da Folha de S.Paulo
A Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, gastou R$ 10 mil com o aluguel de uma peruca para Jim Caviezel, intérprete do ex-presidente, e teve ao menos R$ 700 mil em despesas de hospedagem dele, de seu agente e de seguranças no hotel Unique, em São Paulo.
Os valores constam de comprovantes bancários e notas fiscais apresentados pela defesa da empresa e de sua representante legal, Karina Ferreira da Gama, à PF (Polícia Federal). O material integra a documentação do inquérito que apura o financiamento do longa no âmbito do caso Banco Master.
Leia maisO ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), retirou o sigilo da investigação sobre o filme ontem (11), ao ampliar a divulgação de processos do caso Master. A abertura começou na véspera, após determinação do presidente da corte, Edson Fachin. A PGR (Procuradoria-Geral da República) havia pedido que todos os inquéritos do caso fossem tornados públicos.
A transferência pela peruca foi feita em 5 de dezembro de 2025. O comprovante identifica a Go Up como pagadora e traz a descrição “Locação Peruca Jim”.
Seis notas fiscais do Unique somam R$ 663.165,50 e identificam James Patrick Caviezel, nome completo do ator, Nathon Lewis, seu agente, e Richard Dobrich. Outras duas notas, no total de R$ 68.835,60, se referem à hospedagem de Keith Billiot, identificado nos comprovantes como segurança de Jim.
A documentação também registra uma transferência de R$ 298.350,49 ao hotel, feita em 30 de dezembro de 2025, sob a descrição “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”. Não foi localizada nota fiscal correspondente a esse pagamento nem a discriminação de quanto foi destinado a cada serviço. Os documentos consultados não esclarecem a relação desse pagamento com os valores das notas fiscais.
Uma fatura registra ainda R$ 54.332,46 pela passagem de Caviezel, incluindo tarifa, taxa de embarque e extras. O documento indica o período de 1º de novembro a 8 de dezembro de 2025. Esse valor não integra o total pago ao hotel.
Quatro despesas com manicures somaram R$ 2.045, em atendimentos às atrizes Lynn Collins e Camille Guaty. Foram R$ 995 para Collins e R$ 1.050 para Guaty, que interpreta Michelle Bolsonaro.
A Go Up também pagou R$ 3.000 pela locação de um conjunto de apliques para a personagem de Michelle. Outros R$ 5.500 foram destinados, em conjunto, a uma peruca para um dublê e a um kit de dreadlocks para outra personagem. O contrato não informa preços separados para os dois itens.
Os comprovantes integram uma mesma entrega documental da defesa à PF, feita em 4 de setembro. O envio respondeu a um ofício no qual a PF pediu documentos para esclarecer as finanças do filme. A solicitação incluía a origem dos recursos, contratos com profissionais estrangeiros, entre eles Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, e comprovantes de despesas com fornecedores, transporte, locações e hospedagem.
Karina encaminhou o ofício ao produtor Michael Davis, que se apresenta como sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC, nos Estados Unidos, e pediu apoio para preparar a resposta à PF.
Davis respondeu no mesmo dia que, por orientação de seus advogados, não autorizava o envio às autoridades brasileiras de documentos da empresa mantidos nos EUA. Afirmou que as requisições deveriam seguir os canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional e que a entrega dependeria de ordem de um juiz americano.
O financiamento entrou na investigação do Master após negociações do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, com o então banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo documentos da PF relatados pela Folha, Flávio era interlocutor direto de Vorcaro para os investimentos, e Eduardo Bolsonaro atuava na gestão dos recursos. A polícia investiga a suspeita de que parte do dinheiro tenha custeado despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Flávio e Eduardo negam irregularidades.
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A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), candidato à Presidência da República, fez pedidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) para redirecionar uma investigação sobre o caso ‘Dark Horse’ do ministro Flávio Dino para o ministro André Mendonça. A Polícia Federal investiga se a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu recursos de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e qual foi a origem do dinheiro repassado pelo banqueiro, que provocou rombo nos fundos de previdências estaduais e municipais país afora.
Em um dos pedidos, feito no fim de julho, a defesa de Flávio diz ao ministro Edson Fachin, presidente da Corte, que há um equívoco na distribuição de uma petição que caiu com o ministro Flávio Dino por ter relação com emenda parlamentar. Dino tem em seu gabinete as investigações sobre o mau uso desse tipo de recurso enviado por parlamentares, e há suspeita que o filme tenha recebido recursos de emendas federais. As informações são do jornal O Globo.
Leia mais“O protocolo das petições no âmbito da ADPF nº 854 [sobre emenda parlamentar] não se deu por acaso, mas se tratou de verdadeira manipulação das regras de competência, a fim de criar uma prevenção artificial e inexistente do Exmo. Min. Flávio Dino”, escreveu a defesa de Flávio. No mesmo documento, a defesa ressaltou que a apuração possui relação com as investigações envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero, que é conduzida por Mendonça.
Flávio Dino foi indicado ao cargo de ministro pelo presidente Lula, enquanto Mendonça foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Ambos trabalharam como ministros do governo federal antes de chegar aos cargos de ministros da Suprema Corte.
Em outro pedido, dessa vez direcionado ao ministro André Mendonça, a defesa de Flávio afirmou que a distribuição do caso para o gabinete de Dino foi uma exceção que “não veio de sorteio de distribuição, nem de decisão sobre competência”. “O tema do financiamento do filme Dark Horse é, portanto, de Relatoria de Vossa Excelência. Não há dúvida. Mas, mesmo assim, houve tentativas de levar tal tema para outros ministros Relatores”, escreveu.
A defesa frisou que a ação que está com Dino não possui relação alguma com o caso envolvendo o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. “A ADPF nº 854 é a ação do orçamento secreto. Trata-se de processo objetivo de controle concentrado de constitucionalidade, de relatoria do Exmo. Min. Flávio Dino, sem qualquer relação com apuração criminal de financiamento de obra audiovisual”, pontuou.
Há, ainda, um outro pedido direcionado a Dino feito no fim de julho deste ano e uma quarta solicitação realizada no início do mesmo mês para Fachin.
Investigação
O senador Flávio Bolsonaro teria se encontrado presencialmente com Vorcaro pouco mais de duas semanas antes de enviar os primeiros áudios ao banqueiro cobrando o dinheiro de patrocínio combinado para a produção do filme, como mostrou a coluna de Malu Gaspar.
A informação consta nas investigações do caso, cujo sigilo foi derrubado por Mendonça na noite de quinta-feira. Com isso, uma série de documentos vieram à tona.
Alguns deles são os contratos assinados entre a produtora Go Up e os trabalhadores que atuaram na produção do filme “Dark Horse”, que revelam que a empresa submeteu os funcionários a um acordo de confidencialidade que prevê multa de R$ 1 milhão e uma obrigação “imprescritível e irrevogável” em manter sigilo sobre informações do filme e da empresa. Os documentos foram entregues aos investigadores da Polícia Federal que apuram o financiamento do filme por parte de Vorcaro.
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Por Beatriz Santana
Do Blog da Folha
O candidato ao Senado Mendonça Filho (PL) afirmou, em agenda de campanha da governadora Raquel Lyra (PSD), na manhã deste sábado (12), que, embora não componha oficialmente a chapa da candidata à reeleição, é o verdadeiro senador dela. “Eu sou o senador do coração de Raquel e o povo me quer como senador”, defendeu.
A afirmação foi feita após ser perguntado sobre a primeira participação em um evento público de Raquel após o Tribunal Superior Eleitoral (TRE-PE) suspender, na quarta-feira (9), a liminar que proibia o candidato de divulgar peças de propaganda que o associavam à candidatura da pessedista.
Segundo o candidato, tanto a liminar como a suspensão não foram capazes de abalar a relação dele com a governadora. “Não mudou nada. Bote um identificador no coração de Raquel e você vai ver que eu sou o senador dela”, garantiu. O deputado federal, antes da suspensão, já havia afirmado, em entrevista à Folha, que manteria o alinhamento e a agenda ao lado da governadora, pois, segundo ele, sempre apoiou a pessedista.
Mendonça Filho, apesar disso, não subiu ao trio elétrico junto com a governadora no momento em que discursou para a militância presente. Permaneceu, pelo contrário, durante todo o evento, caminhando nas ruas junto com os apoiadores. Raquel Lyra, no discurso, também não mencionou o nome de Mendonça. Relembrou, porém, os dois candidatos ao Senado da Coligação Pernambucano de Coração, Túlio Gâdelha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP).
Após as cobranças apresentadas na reunião da executiva do PT de quinta-feira, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudará, a partir deste sábado (12), a linha da propaganda eleitoral gratuita exibida na televisão. A ideia é apostar em programas mais dinâmicos e diretos, com ataques intensos à família Bolsonaro e abordagem de temas vistos como cruciais pelos eleitores, mesmo que sejam incômodos para os petistas. O assunto central da propaganda deste sábado, por exemplo, será a segurança pública.
Convocado pelo presidente do partido, Edinho Silva, o encontro de quinta-feira da cúpula petista aconteceu em momento de tensão interna, com queixas por parte de membros da executiva sobre os rumos da campanha e reclamações sobre falta de participação da própria sigla nas definições de estratégias eleitorais. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisPara atender os apelos de adoção de uma linha conectada com o dia a dia da população, o programa deste sábado começa com uma mãe levando a filha para escola em meio a um tiroteio em um bairro residencial. “A família Bolsonaro deixou o Brasil mais violento”, afirma o locutor, antes de começarem os disparos.
Ao longo deste terceiro mandato, Lula teve dificuldade de apresentar resultados concretos na área da segurança pública, tema que é muito explorado pelos bolsonaristas. A área ganhou mais destaque no debate entre os dois campos políticos após os Estados Unidos classificarem em junho as facções PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Pesquisa Quaest divulgada no dia 14 de agosto mostrou que a violência é a principal preocupação dos eleitores brasileiros, citada por 33% dos entrevistados.
Em uma tentativa de mostrar que o problema já existia quando Lula assumiu o governo, a propaganda petista afirma que durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) foram colocadas mais de 1 milhão de armas nas ruas e 1 bilhão de balas. “Grande parte foi parar nas mãos das facções”, prossegue o locutor. Há um corte com a abertura oficial do programa e em seguida é destacado que Lula enviou ao Congresso a PEC da segurança pública para nacionalizar o combate ao crime, já que com a área sob responsabilidade dos estados, como determina a Constituição, “não resolveu”.
Lula diz que “os adversários estão jogando contra”. O programa também afirma que há quatro tipos de inimigos a serem vencidos: os traficantes, os agressores de mulheres, os ladrões de celulares e os magnatas do crime. A propaganda adota uma estética policialesca, com imagens de agentes de segurança portando armas pesadas, viaturas, operações da Polícia Federal e criminosos atrás das grades.
Uma das mudanças definidas pela coordenação da campanha após as cobranças na reunião de quinta-feira prevê que as realizações do atual mandato tenham menos espaço e as propostas para um eventual novo governo ganhem mais destaque. Dentro dessa diretriz, a propaganda deste sábado diz que o programa celular seguro, que prevê bloqueios de aparelhos roubados, será ampliado. Também resgata o anúncio feito pelo Ministério da Justiça em junho de transformar 138 presídios estaduais em padrão de segurança máxima e anuncia um plano de retomar territórios ocupados por organizações criminosas, além do sufocamento financeiro das facções.
O programa também aborda lateralmente o tema da Educação, ao dizer que é preciso investir na área para que os jovens não caiam no crime no futuro. A citação é usada como gancho para que seja apresentada a promessa de ampliar o programa Pé-de-Meia, que prevê o pagamento de uma bolsa para que alunos não abandonem a escola, para todos os alunos do ensino médio da rede pública a partir do ano que vem.
No fim do programa, voltam os ataques à família Bolsonaro. A propaganda de Lula diz que o pré-candidato de Flávio Bolsonaro ao governo do Rio era o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio Rodrigo Bacellar, “deputado preso acusado de liderar o núcleo político do Comando Vermelho”. “Outro aliado de Flávio era TH Joias, deputado preso por tráfico e por lavar dinheiro para o Comando Vermelho”, afirma o locutor. É citado também o fato de o candidato do PL ter pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro.
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