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Do jornal O Globo
A cúpula nacional do Republicanos avalia interromper o processo de afastamento que marcou a relação nos últimos meses com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A possível mudança de rota acontece enquanto a cúpula do partido tenta se descolar das fraudes financeiras do Banco Digimais, do Bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus.
O banco foi alvo de uma operação da Polícia Federal, e a avaliação na sigla é que o governo Lula não tem se movido na tentativa de encontrar soluções para o rombo da instituição financeira. A Universal tem forte ligação com o Republicanos. O presidente do partido, Marcos Pereira, é bispo da igreja e aliado próximo de Macedo. Apesar disso, a aliados, Pereira diz que a legenda conquistou vida própria e que grande parte dos parlamentares não têm ligação com a Universal nem é evangélica.
Leia maisDentro desse contexto de insatisfação com o governo Lula, vem ganhando força em conversas no partido a defesa do nome da economista Daniella Marques para vice de Flávio. Ela foi presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro, integrou a equipe do ministro Paulo Guedes e hoje assessora a pré-campanha de Flávio na área econômica. “Ela é forte, inteligente e está no Republicanos. Pode ser uma boa vice dele (Flávio)”, disse a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Daniella se filiou ao partido em abril, prazo máximo para estar apta a concorrer em outubro. Ainda não há definição sobre o caminho que o Republicanos vai tomar na campanha presidencial, e alas do partido próximas a Lula defendem a neutralidade, com cada integrante se posicionando de acordo com seus interesses.
A reaproximação do Republicanos com Flávio acontece após uma resistência inicial do partido em compor com ele. A cúpula nacional da legenda se mostrou insatisfeita com a escolha do senador e não do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato a presidente apoiado pelo bolsonarismo.
O escândalo de fraude financeira do banco Master também contribuiu para a afastar o senador da legenda. Foi revelado que Flávio mantinha uma relação de proximidade com Daniel Vorcaro, dono do Master, e isso provocou uma queda do senador nas pesquisas. O senador não chegou a recuperar o mesmo patamar de antes da crise, mas conseguiu se estabilizar nos últimos levantamentos.
Por outro lado, a crise teve efeitos mais profundos na federação União-PP, que também tem seus dirigentes partidários com relações próximas com Vorcaro. A federação vê hoje a neutralidade como caminho mais provável, enquanto o Republicanos ainda avalia a possibilidade de apoio ao PL.
Há poucos meses, a cúpula do Republicanos vinha dando sinais de uma trégua com Lula e de afastamento em relação a Flávio. Como mostrou a newsletter Jogo Político, do jornal O Globo, a mudança de postura da Universal sobre o PT ficou evidente na Semana Santa. Embora tenha passado o mês de março anunciando que enviaria um recado crítico para a esquerda nos eventos da Sexta-feira da Paixão em estádios lotados pelo Brasil, isso não aconteceu. No mesmo período, Pereira também deu entrevistas marcando distância em relação a Flávio.
Reservadamente, no entanto, integrantes do partido reconhecem que o caso Digimais adicionou mais um ingrediente nessa disputa interna. Outro grupo sustenta que a operação da PF não tem relação com o caminho político que a sigla deve tomar e que a decisão sobre a disputa ao Palácio do Planalto será tomada independentemente dos rumos das investigações da PF.
O banco chegou a negociar uma possível compra pelo BTG, em uma operação que previa um aporte de R$ 7 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Embora privado, o FGC tem o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal como membros, o que assegura influência do governo federal. Sem essa operação e diante da operação da PF que gerou o bloqueio de R$ 670 milhões, mercado e agências de classificação de risco veem situação do Digimais se complicar.
Alvo de operação da Polícia Federal (PF) na última terça-feira, o Digimais é suspeito de fraudar o sistema financeiro do país com uma série de operações. A investigação aponta que a instituição que pertence ao líder da Igreja Universal fraudava seu balanço e supervalorizava ativos para maquiar seu patrimônio e induzir investidores ao erro.
O Digimais afirmou, em nota, que está à disposição das autoridades para dar explicações e colaborar com a Justiça. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, afirmou o banco, em nota.
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Por Bernardo Mello Franco
Do jornal O Globo
O governo de Minas Gerais finalmente divulgou, por ordem judicial, a lista das empresas que receberam incentivos fiscais na gestão de Romeu Zema. Uma linha da planilha chamou a atenção da oposição mineira: a Eletrozema recebeu R$ 2.282.543,68 de desconto no ICMS a partir de 2024.
Como o nome indica, a cadeia de lojas de eletrodomésticos pertence ao Grupo Zema, cujo principal acionista é… o ex-governador Zema.
A coluna procurou o pré-candidato ao Planalto pelo Novo, mas ele ainda não se manifestou.
Em março, antes de renunciar ao governo de Minas, Zema defendeu que a lista das empresas beneficiadas por isenções continuasse em sigilo. “Essa questão é como se fosse um segredo industrial. Nós não vamos dar publicidade a isso porque seria extremamente pernicioso para o estado de Minas”, disse.
Nos bastidores da política pernambucana, o senador Fernando Dueire (PSD) tem deixado cada vez mais evidente sua insatisfação com a governadora Raquel Lyra (PSD). Na avaliação do parlamentar, existe uma dívida política que precisa ser reconhecida.
Dueire considera que sempre agiu com lealdade, correção e espírito público, valores que, segundo aliados, sempre orientaram sua relação com a governadora. Ao longo do mandato, esteve ao lado do governo em momentos decisivos, defendendo projetos estratégicos, como a aprovação de empréstimos e outras matérias consideradas fundamentais para Pernambuco.
O senador entende que sua atuação foi marcada pelo compromisso institucional, sem criar constrangimentos ou impor condições. Por isso, o que espera agora não é um gesto de favorecimento, mas apenas um reconhecimento republicano pela parceria construída e pela contribuição que deu ao governo desde o início da gestão. Enfim , cobra de forma subjetiva um gesto de caráter.
O debate sobre envelhecimento deixou de estar restrito à saúde e passou a incluir, cada vez mais, a organização das finanças. Em um país que envelhece rapidamente, pensar em estratégias para garantir renda, acesso a cuidados médicos e estabilidade econômica tornou-se parte do planejamento de longo prazo. Nesse contexto, a busca pelo melhor seguro de vida surge como uma das ferramentas que podem complementar a proteção financeira ao longo da terceira idade.
Os dados confirmam a dimensão dessa transformação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tinha 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2022, o equivalente a 15,6% da população. O contingente cresceu 56% em relação a 2010, refletindo o avanço da longevidade no país.
Leia maisA discussão sobre como envelhecer com qualidade também ganhou espaço nas políticas públicas e na educação. Na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025, os participantes foram convidados a refletir sobre o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. A escolha do assunto escancara como o aumento da população idosa deixou de ser apenas uma questão demográfica para se tornar um debate sobre qualidade de vida, inclusão social, acesso à saúde e planejamento financeiro ao longo da vida.
Diante disso, a segurança financeira passa a ser um dos pilares da autonomia durante o envelhecimento. A capacidade de manter despesas essenciais, acessar serviços de saúde e enfrentar imprevistos influencia diretamente a autonomia na velhice, e, quanto mais cedo essa organização começa, maiores são as possibilidades de construir uma reserva capaz de sustentar os anos posteriores à aposentadoria.
Como planejar a segurança financeira na longevidade: busca pelo melhor seguro de vida, previdência privada e reserva de emergência estão entre as opções
Preparar-se para a terceira idade envolve diferentes estratégias. A aposentadoria pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continua sendo uma importante rede de proteção, mas especialistas em educação financeira defendem a necessidade de diversificar as fontes de renda para reduzir a dependência de um único benefício.
Nesse planejamento, diferentes instrumentos podem cumprir funções complementares. A previdência privada, por exemplo, ajuda a formar uma renda adicional para a aposentadoria, reduzindo a dependência exclusiva do benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Já os investimentos de perfil conservador, como títulos de renda fixa, costumam ser buscados por quem procura preservar patrimônio e manter previsibilidade nos rendimentos. A reserva de emergência funciona como uma proteção para despesas inesperadas, especialmente em uma fase da vida em que gastos com saúde tendem a aumentar.
Entre as alternativas de reserva e segurança, o melhor seguro de vida também pode contribuir para a segurança financeira, oferecendo coberturas que vão além da indenização por morte. Dependendo do contrato, o produto pode prever assistência em casos de invalidez, diagnóstico de doenças graves e outras situações que podem comprometer a renda e o orçamento familiar.
A necessidade desse preparo fica evidente nos indicadores do mercado de trabalho. Dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que, em 2024, 24,4% das pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas, o equivalente a, aproximadamente, um em cada quatro idosos.
Embora muitos permaneçam ativos por escolha, parte desse contingente continua trabalhando por necessidade financeira, o que denuncia também a importância de políticas públicas voltadas ao envelhecimento, incluindo acesso à saúde, programas de educação financeira e mecanismos de proteção social, capazes de reduzir desigualdades ao longo da vida.
Planejamento hoje, tranquilidade amanhã
O envelhecimento da população brasileira mostra que a longevidade deixou de ser uma projeção distante para se tornar uma realidade concreta. Aqui, vale ressaltar que organizar as finanças pensando nos anos de velhice não significa acumular um patrimônio elevado, mas criar condições para atravessar essa fase com maior previsibilidade, segurança e assistência.
A construção de uma reserva financeira, a revisão periódica do orçamento, a preparação para despesas médicas e a contratação de instrumentos de proteção adequados ao perfil de cada pessoa ajudam também a reduzir as vulnerabilidades futuras. Um estudo conduzido pela Universidade Binghamton, nos Estados Unidos, e liderado pelo pesquisador Ian McDonough acompanhou cerca de 2.800 adultos mais velhos durante uma década.
Os resultados indicaram que muitos participantes mantiveram ou aprimoraram sua capacidade de administrar recursos financeiros ao longo do envelhecimento, reforçando a importância da educação financeira e do planejamento de longo prazo para a preservação da autonomia na terceira idade.
Assim, em um país no qual a população idosa continua crescendo, planejar o futuro tornou-se uma medida prática para preservar o bem-estar na velhice. A organização das finanças ao longo da vida pode reduzir os impactos de despesas inesperadas e ampliar as possibilidades de escolha e liberdade durante o envelhecimento. Em um cenário de maior longevidade, essa preparação se torna um dos fatores que contribuem para anos mais estáveis e independentes.
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Por Antônio Campos*
O Brasil vive atualmente uma das maiores transformações de seu mercado de entretenimento e apostas. Em poucos anos, as chamadas “bets” e “tigrinhos’’ passaram de fenômeno marginal para uma presença constante na vida nacional. Estão nas camisas dos clubes de futebol, nos estádios, nas transmissões esportivas, nas redes sociais, nos programas de televisão e nos celulares de milhões de brasileiros.
A questão central, entretanto, não é a legalidade da atividade. O Congresso Nacional autorizou as apostas de quota fixa em 2018, por meio da Lei nº 13.756/2018, e a União Federal regulamentou o setor posteriormente com a Lei nº 14.790/2023 e normas da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Leia maisO problema reside em outro ponto: a velocidade de expansão do mercado parece muito superior à velocidade da proteção dos consumidores. A proporcionalidade e o princípio da precaução de danos, que tem ocorrido e crescido de forma alarmante.
A publicidade das apostas tornou-se onipresente. A promessa de ganhos rápidos, aliada ao fácil acesso por aplicativos e meios digitais, cria um ambiente de estímulo permanente ao jogo. Nesse contexto, cresce também um fenômeno cada vez mais preocupante: a ludopatia.
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, a ludopatia consiste em transtorno comportamental caracterizado pela perda do controle sobre o impulso de apostar. Seus efeitos podem ser devastadores. Superendividamento, destruição de patrimônios familiares, depressão, ansiedade e suicídios são apontados por estudos médicos como consequências do vício em jogos.
Não se trata de questão moral ou religiosa. Trata-se de saúde pública.
A Constituição Federal estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Determina igualmente a proteção do consumidor, da dignidade da pessoa humana e dos grupos vulneráveis. Quando uma atividade econômica possui potencial de causar danos relevantes à coletividade, o Estado não pode limitar sua atuação à arrecadação ou à simples autorização de funcionamento, deve intervir.
A responsabilidade estatal inclui fiscalizar, advertir, informar e prevenir.
A própria legislação das apostas reconhece a necessidade do chamado “jogo responsável”. Todavia, ainda se observa insuficiência de campanhas públicas de conscientização, ausência de advertências ostensivas semelhantes às existentes em produtos potencialmente nocivos e reduzida discussão pública sobre os impactos psicológicos e sociais das apostas online. Há fiscalização insuficiente.
Outro aspecto relevante é a proteção das crianças e adolescentes. Embora a participação de menores seja proibida, a publicidade das bets invade diariamente transmissões esportivas, plataformas digitais e redes sociais frequentadas por milhões de jovens brasileiros. A normalização cultural das apostas merece reflexão séria por parte da sociedade e das autoridades reguladoras.
A obra genial “O Jogador”, de Fiódor Dostoiévski, escrita no século XIX, continua surpreendentemente atual. O autor descreve a lenta submissão do indivíduo ao fascínio do jogo e à ilusão do ganho fácil. Mais de cento e cinquenta anos depois, a tecnologia mudou, mas a fragilidade humana permanece a mesma.
À medida que acontece uma Copa do Mundo de Futebol, cresce também o investimento publicitário das plataformas de apostas e aumentam os jogos. O que muitos já chamam de “Copa das Bets” exige atenção especial e urgente dos órgãos reguladores.
Defender uma fiscalização mais rigorosa não significa defender a proibição das apostas. Significa reconhecer que liberdade econômica e responsabilidade social devem caminhar juntas, devendo haver proporcionalidade.
A grande questão jurídica do momento não é saber se as apostas podem existir. Elas já existem. A questão é saber se o Estado brasileiro está cumprindo integralmente seu dever constitucional de proteger a saúde pública, os consumidores e os grupos mais vulneráveis diante de uma atividade que movimenta bilhões de reais e influencia milhões de pessoas diariamente. Não está.
Esse é o debate que o país precisa enfrentar, urgentemente, antes que os custos sociais da omissão se tornem gigantescos.
Entrei com ação popular na Justiça Federal solicitando várias providências por parte da União, ante o agravamento do período da Copa do Mundo. Estamos criando a Associação de Apoio ao Apostador, no sentido de orientar, acolher, conscientizar e eventualmente assessorar juridicamente. Em breve, além de um instagram, estaremos abrindo uma plataforma digital. O jogo abusivo, sem os cuidados devidos, não pode acabar com várias famílias brasileiras, destruindo vidas.
Recife/Olinda, 24 de junho de 2026
*Advogado e escritor.
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Na madrugada desta quarta-feira, por volta das 02h30, durante o evento junino realizado na Estação do Forró, em Serra Talhada, um indivíduo armado com um revólver aproximou-se de duas patrulhas policiais, compostas por cinco policiais militares cada, e efetuou disparos contra o efetivo. Diante da ação, os policiais reagiram aos disparos. Ele teria sido retirado da festa por perturbação e voltado armado. Essa versão ainda não foi confirmada oficialmente.
Cinco policiais militares foram atingidos: Cb Wilson de Souza Lima, Cb Dênis Carlos de Melo Nunes, 3° Sgt Poliana Maria Sobreira de Lemos, Cb José George Pereira de Oliveira e Cb Cícero José do Nascimento. Entre os atingidos, um foi atingido no colete balístico; dois sofreram ferimentos nos pés; um foi atingido na coxa; e outro sofreu lesões na mão, na perna e na região torácica, em área não protegida pelo colete balístico. As informações são do Blog do Nill Júnior.
Leia maisAlém dos policiais militares, nove civis também foram atingidos durante a ocorrência. Dois já receberam alta médica e sete permanecem em atendimento. Segundo informações preliminares, nenhum dos civis apresenta quadro grave.
O autor dos disparos foi identificado como Édson Alves da Rocha, de 36 anos, residente na localidade de São João dos Gaias.
Após ser ferido, o agressor foi socorrido. Informações preliminares indicam que a ambulância que realizava sua transferência entre unidades hospitalares foi interceptada, e ele foi morto a tiros. “Ocasião em que o indivíduo veio a óbito. As circunstâncias do fato serão investigadas”, diz a PM.
Dois policiais militares foram encaminhados ao bloco cirúrgico, enquanto os demais receberam atendimento nos hospitais Eduardo Campos e HOSPAM. Posteriormente, dois policiais receberam alta médica: o militar atingido no colete balístico e um dos policiais feridos no pé.
Em relação ao policial que sofreu o maior número de lesões, informações preliminares da equipe médica indicam que o projétil que atingiu a coxa não alcançou o osso nem estruturas vasculares importantes. Da mesma forma, o disparo na região torácica não atingiu órgãos vitais.
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Do jornal O Globo
A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem (23) a Operação Miragem para investigar um suposto esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o banco digital Digimais, instituição controlada pelo empresário Edir Macedo. A ação ocorreu em São Paulo e incluiu o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e valores de até R$ 670,3 milhões, e do afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
Segundo a PF, o Digimais teria adotado práticas similares às do Banco Master, ao captar recursos com oferta de investimentos com remuneração acima da média do mercado e a garantia de proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de inflar ativos sem lastro e manipular balanços para driblar os órgãos de controle.
Leia maisOs alvos da operação são investigados pelos supostos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em balanços e realização de operações de crédito vedadas.
A PF cita que, a exemplo do Master, o Digimais passou a emitir, a partir de 2023, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), referência do mercado. A PF afirma que a instituição replicou irregularidades, ao emitir títulos com “rentabilidades desproporcionais” às praticadas no mercado, usando o FGC como fator de atração.
O FGC funciona como uma garantia a investidores que aportam até R$ 250 mil em instituições financeiras. O escândalo do Master resultou em necessidade de ressarcimento bilionária a investidores e na necessidade de aporte de instituições financeiras ao FGC.
Além disso, o relatório policial aponta a “precificação de títulos antigos e sem valor da Vale em R$ 650 milhões, a avaliação de um terreno em Pernambuco por R$ 150 milhões quando o seu valor real seria inferior a R$ 10 milhões, e a marcação de uma carteira de automóveis em R$ 3,5 bilhões”. A superavaliação de ativos, segundo a PF, tinha como objetivo inflar artificialmente o patrimônio do banco.
‘Práticas temerárias’
“O Banco Digimais, sob o controle de Edir Macedo, adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”, diz trecho do relatório da PF. O banco é controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
Em outro caso, dois ativos que somavam R$ 71 milhões foram reavaliados em seguida em R$ 174,5 milhões, inflando de forma artificial o bem. “Como será adiante demonstrado, aproveitando a assimetria de informação e a confiança dos depositantes na proteção institucional, a diretoria do Banco Digimais replicou a prática de superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito”, diz a PF.
No pedido enviado à 7ª Vara Criminal Federal, a PF cita um processo encaminhado pelo Banco Central para o Ministério Público Federal a partir de indícios de irregularidades cometidas pelos gestores do Digimais, encontrados em processo de supervisão bancária.
Em nota, a instituição afirmou: “Em relação à operação da Polícia Federal desta manhã o Banco Digimais informa que permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”.
Em outro trecho do relatório, a PF aponta que o Digimais inflou em quase dez vezes o valor das cotas de fundos em seu balanço, contabilizando ativos que valiam R$ 71 milhões por R$ 741,348 milhões. A diferença, de R$ 670 milhões, é justamente o montante autorizado para bloqueio na Operação Miragem. A investigação indica que o banco usou uma estrutura de fundos para melhorar seus resultados contábeis.
Manobra contábil
De acordo com o documento da PF, a “manobra contábil” teve início quando o Digimais passou a deter cotas do Hermon Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios não-padronizados. Essas cotas foram registradas no balanço do banco pelo montante de R$ 741,348 milhões.
Os valores são referentes à compra de direitos de crédito a partir de uma ação de indenização ajuizada em 1967 por herdeiros da família Villela em face da União. A aquisição foi feita em etapas. Na primeira compra, em fevereiro de 2023, o ID112 Fundo de Investimento em Direitos Creditórios não-padronizados comprou fatia de 7,7% por R$ 9 milhões. Essa fatia foi transferida ao fundo Guidare, e o ativo foi reavaliado para R$ 100 milhões.
Em nova etapa, em junho de 2023, outra fatia foi adquirida no valor de R$ 22 milhões e reavaliada posteriormente para R$ 130 milhões. “Tal fato resultou na apuração de rendas no valor de R$ 199 milhões, com o reconhecimento desses valores na contabilidade do Banco Digimais em função da valorização das cotas do fundo”, diz a PF.
O processo teve nova repetição. Em setembro de 2023, o fundo Hermon comprou mais duas cotas de direito creditório da família Villela, cada uma no valor de R$ 20 milhões. Em reavaliação posterior, as cotas passaram ao total de R$ 174,590 milhões, cada.
Com essas operações, o registro de patrimônio do fundo subiu ao patamar de R$ 741,348 milhões, “muito embora o custo de aquisição dos ativos perfizesse a soma de apenas R$ 71 milhões”, diz a PF.
O BC constatou a infração e determinou a correção no balanço, para que os ativos voltassem ao valor de R$ 71 milhões. O banco pediu o parcelamento do impacto no balanço em cinco anos.
Ainda assim, no dia 29 de dezembro do ano passado, o Digimais fechou contrato de compra e venda a prazo de cotas de fundos com sua controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações, pelo valor de R$ 741,348 milhões, sem entrada de recursos no caixa. A previsão de pagamento era o ano de 2032 e com reversão das provisões o determinadas pelo Banco Central.
Segundo a PF, a equipe de fiscalização verificou que a operação era uma forma de manter os valores gerados pela reavaliação de ativos na contabilidade do banco, descritos como valores a receber do controlador. Segundo a PF, isso “funcionou como via de burla à determinação de correção outrora proferida”.
A fiscalização do BC apontou que a operação entre Digimais e a controladora superou o limite de exposição ao crédito previsto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 10% do patrimônio líquido ajustado. A extrapolação foi de quase 95% do contrato.
O BC destacou que a operação financeira previu taxa de IPCA + 0,5% ao ano, o que caracteriza a operação como financiamento ao controlador, reforçando os sinais de que se tratava de operação vedada pela lei de crimes contra o sistema financeiro. Isso ocorre porque ao usar um índice de inflação somado a juros reais, fica caracterizada a remuneração do capital ao longo do tempo, o que é um elemento crucial de operações de crédito.
Ao conceder prazo para pagamento, o banco estaria financiando o controlador no tempo, assumindo o risco de crédito, passando o controlador a ser devedor do Banco.
A PF vê indícios de crimes de gestão fraudulenta, de prestação de informações falsas em demonstrativos contábeis para “manter a aparência de riqueza”, de indução do investidor, sócio ou repartição pública competente a erro quanto a saúde de suas finanças e de fazer operação de crédito com controlador ou administrador.
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Por Rudolfo Lago
Do Correio Político
Fundo partidário, orçamento secreto, impulsionamento de campanhas digitais. Além do controle das fake news, há um outro ponto que merecerá atenção especial da Justiça Eleitoral nas eleições deste ano: a contabilidade das campanhas. Nesta quarta-feira (24), o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) fará em Brasília um seminário para discutir o desafio da transparência nas contas eleitorais.
O encontro vai reunir representantes do Tribunal Superior Eleitoral, da Casa Civil da Presidência e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no auditório do CFC. É uma discussão bem longe de ser banal. O Fundo Eleitoral repassa nada menos que R$ 5 bilhões aos partidos. Que têm mais R$ 1 bilhão do Fundo Partidário.
Leia maisHá ainda a farta distribuição do chamado orçamento secreto. As investigações que vêm sendo conduzidas sob o comando do ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal (STF) apontam que boa parte do dinheiro dessas emendas, se não se desvia para o bolso dos envolvidos, tem financiado campanhas eleitorais. O parlamentar destino o dinheiro para o município, e, com ele, o prefeito azeita a contratação dos esquemas eleitorais.
Em certos casos, os problemas se conectam. Se hoje o TSE está especialmente preocupado com a propagação de fake news, no caso da contabilidade das campanhas, há um foco grande em torno da comprovação dos gastos com publicidade digital. De um modo geral, o coordenador da Comissão Nacional de Contabilidade Eleitoral do CFC, Guilherme Guimarães, explicou ao Correio Político que há hoje maior rigor nos mecanismos de fiscalização para garantir maior transparência e velocidade na comprovação dos gastos eleitorais.
“Atualmente, a Justiça Eleitoral trabalha com mecanismos de fiscalização cada vez mais integrados e automatizados”, afirmou Guimarães. “Candidatos, partidos e profissionais envolvidos precisam manter controle rigoroso sobre arrecadações, despesas e documentação comprobatória”, a chamada prova material do gasto. Do contrário, pode haver rejeição das contas.
Segundo Guilherme Guimarães, as principais causas de desaprovação ou rejeição das contas costumam estar relacionadas ao recebimento de recursos de origem não identificada, utilização de recursos de fontes vedadas, ausência de documentação e divergências nos registros contábeis.
De acordo com o coordenador do CFC, os Fundos Eleitoral e de Campanha viraram duas das maiores preocupações. Os recusos estão sendo destinados corretamente? Há comprovação dos gastos realizados? Estão cumpridas as quotas de raça, etnia e gênero? As sobras financeiras são corretamente devolvidas?
Diz Guimarães que a publicidade digital será um dos pontos principais de atenção. Hoje, tornaram-se a principal forma de campanha eleitoral. E há toda uma legislação específica para isso. Campanhas eleitorais têm restrições, por exemplo, para impulsionar conteúdo patrocinado e para fazer engajamento pago.
A tecnologia, afirma Guilherme Guimarães, tem sido ferramenta importante. “Os sistemas da Justiça Eleitoral permitem o cruzamento automático de informações bancárias, fiscais, cadastrais e financeiras, reduzindo significativamente a possibilidade de inconsistências passarem despercebidas”, considera o coordenador.
Para Guimarães, há ainda um ponto que deveria merecer maior cuidado dos mecanismos de controle financeiro das campanhas: o planejamento contábil e financeiro pré-eleitoral. “A experiência demonstra que as campanhas mais seguras são aquelas que realizam planejamento antecipado”, defende.
Guilherme Guimarães considera que a campanha deste ano pode ser um ponto de virada, no qual o profissional da contabilidade deixa de atuar apenas na prestação de contas e passa a exercer papel estratégico na gestão, transparência e segurança das campanhas. O desafio não é pequeno.
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Na última segunda-feira (22), o jornalista Galvão Bueno entrou para o livro de recordes Guinness após se tornar o narrador de televisão com o maior número de jogos narrados em Copas do Mundo. Com 148 partidas na conta, ele foi homenageado durante uma cerimônia realizada em Miami, nos Estados Unidos.
A Copa de 2026 marca o 14º Mundial narrado por Bueno. O recorde foi batido levando em consideração as duas últimas partidas da Seleção Brasileira: primeiro o empate contra o Marrocos, em 13 de junho, e depois a vitória contra o Haiti, na última sexta-feira (19). Atualmente trabalhando no SBT, o jornalista realizou sua primeira cobertura do campeonato mundial em 1974, na Alemanha Ocidental. O Guinness, no entanto, só leva em conta as participações a partir da edição de 1978, que aconteceu na Argentina.
No evento organizado na segunda, o narrador afirmou estar animado para bater outro marco histórico das ‘Copas do Mundo’: a narração de cem gols da Seleção Brasileira. “Faltaram dois [na partida contra o Haiti]. Espero chegar aos 100 contra a Escócia. Aí vocês vão ter que fazer outra homenagem”, brincou ele, que narrou a conquista do tetra, em 1994, e do penta, em 2002. As informações são da Revista Veja.
Ao depor sobre a apreensão de sua arma durante uma blitz do bafômetro no Distrito Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que não poderia ficar desarmado, ainda que em prisão domiciliar, porque “tinha três mulheres em casa”. A declaração foi prestada nesta terça-feira à Polícia Civil no âmbito da investigação sobre o suposto transporte ilegal, por um militar, da arma do ex-chefe do Executivo.
A frase de Bolsonaro foi destacada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no despacho em que pediu a manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o possível cometimento de falta grave pelo ex-presidente. O ministro deve analisar o caso antes de decidir sobre o pedido de prorrogação da prisão domiciliar humanitária feito na noite de ontem. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisSegundo Moraes, a Lei de Execução Penal determina que o condenado que “possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem” comete falta grave. Nessa linha, há consequências se a tal falta for reconhecida, entre elas possibilidade de regressão do regime de pena, inclusive o fim da prisão domiciliar e o retorno de um réu ao cárcere.
Ontem (23), a defesa de Bolsonaro havia informado que em um depoimento de cinco minutos, o ex-presidente afirmou ter percebido que sua arma não estava funcionando e, portanto, pediu ajuda a um militar para consertar o objeto. A mesma versão já havia sido apresentada pelos advogados do ex-presidente ao STF.
A oitiva aconteceu na casa de Bolsonaro e durou cinco minutos. O depoimento faz parte do inquérito aberto pela Polícia Civil após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro. A arma estava em um veículo conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança do ex-presidente.
O armamento foi recolhido durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal porque não estava acompanhada do Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento exigido para o transporte da arma. Em depoimento prestado à polícia, o militar afirmou que a pistola estava sendo levada para manutenção e que seria posteriormente devolvida a Bolsonaro.
A defesa alegou ao STF que a posse da arma, por Bolsonaro era regular. Segundo eles, apesar da condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de estado em 2022, não foi determinada a entrega de armas ou o cancelamento de registros em nome do ex-presidente.
Ainda de acordo com a defesa do ex-chefe do Executivo, a equipe de segurança de Bolsonaro, sem o conhecimento do ex-presidente, retirou o percussor da pistola e a deixou “inoperante”, em razão das medicações psiquiátricas que estavam sendo ministradas a ele. O argumento tem relação com a versão do sargento com quem a arma foi apreendida, durante a abordagem de fiscalização da lei seca, no início da semana. Este sustentou que estava com a arma para fazer um reparo.
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro após o caso da arma registrada em seu nome apreendida com um militar em uma blitz no Distrito Federal.
O magistrado quer que a PGR opine se a apreensão da arma configura uma “falta grave” capaz de interromper o benefício da domiciliar. Na quinta-feira, os advogados de Bolsonaro pediram a prorrogação de sua prisão domiciliar humanitária argumentando que o ex-chefe do Executivo ainda precisa de cuidados específicos. A defesa sustenta que Bolsonaro tem um quadro de “multimordidade complexa” e cita pelo menos doze doenças crônicas e sequelas permanentes que o ex-presidente possui. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisA defesa do ex-chefe do Executivo pediu a Moraes que sejam aplicados os precedentes abertos com a domiciliar do ex-presidente Collor de Mello e de um idoso com câncer condenado a 14 anos de prisão pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
Segundo os advogados, o entendimento do STF é o de que não é necessário que um réu esteja em “situação terminal ou quadro de pré-óbito” para que sejam concedida a domiciliar humanitária, mas somente demonstre que precisa de “tratamento contínuo e ambiente apto a reduzir riscos concretos de agravamento”.
Ao descrever o quadro de multicomorbidade do ex-presidente, a defesa cita: síndrome da apneia obstrutiva do sono grave, hipertensão arterial sistêmica, doença aterosclerótica coronariana e carotídea, doença do refluxo gastroesofágico com esofagite, histórico de pneumonias aspirativas recorrentes, múltiplas cirurgias abdominais com sequelas funcionais permanentes, episódios recorrentes de obstrução intestinal por aderências, instabilidade postural e distúrbio do equilíbrio, queda recente da própria altura com traumatismo cranioencefálico, soluços recorrentes de difícil controle, histórico de neoplasia cutânea tratada cirurgicamente e tratamento cirúrgico ortopédico recente de lesão no ombro direito.
A defesa sustentou que a recuperação de Bolsonaro não significa que desapareceram as “circunstâncias clínicas” que levaram à concessão da prisão domiciliar ao ex-presidente. O argumento dos advogados é o de que Bolsonaro ainda precisa de acompanhamento especializado e avaliação médica contínua.
Os advogados citam por exemplo que, no dia 15 de junho, os médicos de Bolsonaro solicitaram uma bateria de exames – tomografias, manometria esofágica e endoscopia – para acompanhar a evolução do quadro de pneumonia broncoaspirativa, “diante da persistência de alterações identificadas em exame clínico de ausculta”.
Na mesma linha, destacam o relatório médico atualizado da saúde do ex-presidente, emitido na segunda-feira, que diz que “persistem elementos clínicos que justificam” a manutenção da domiciliar de Bolsonaro. Segundo os médicos, o regime permite que sejam adotadas “medidas assistenciais necessárias” e “controles evolutivos periódicos”, reduzindo riscos de descompensação de Bolsonaro e de eventos potencialmente graves.
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Do Blog da Folha
O Nordeste é visto como uma região estratégica para os presidenciáveis na eleição de outubro deste ano. Com o segundo maior número de eleitores do país (43.302.692 cidadãos aptos a votar), a região fica atrás apenas do Sudeste (66.906.335) em densidade eleitoral e tem um peso relevante na definição da disputa.
Nos últimos pleitos, o território ganhou forte perfil lulista. Na corrida às urnas de 2022, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), venceu apenas na região, com 69,34% contra 30,66% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas demais, o líder do Partido Liberal foi majoritário.
Leia maisPara tentar reverter a influência petista na região, pré-candidatos à Presidência da República de direita investem em agendas na região. Na rota, Pernambuco ganha destaque. O estado é o sétimo maior eleitorado do País e segundo maior da Região, com 7.157.222 pernambucanos em condições de exercer o poder do voto.
Zema
Na semana passada, o presidenciável do Partido Novo, Romeu Zema, teve uma série de compromissos no estado. Na ocasião, o ex-governador de Minas Gerais realizou encontro partidário e concedeu entrevistas à imprensa no Recife, na Região Metropolitana. Ele também fez um intenso giro pelo Agreste do estado. A agenda incluiu um encontro com empresários e comerciantes em Caruaru, além de uma visita à Casa Museu do Mestre Vitalino, no Alto do Moura, no município. Em seguida, ele estendeu a rota para o município de Santa Cruz do Capibaribe, onde visitou o Moda Center.
Em entrevistas, ele adotou um forte tom de críticas ao PT e defendeu a união das forças de direita no segundo turno para derrotar o presidente Lula.
Caiado
Quem desembarca em Pernambuco hoje é o presidenciável e ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Nos últimos dias, o líder político vem cumprindo um extenso roteiro traçado por municípios nordestinos. Ele já passou por municípios da Paraíba e de Sergipe.
Hoje, além de entrevistas à imprensa, o presidenciável é presença aguardada no São João de Caruaru. Em entrevista ao Blog do Magno, o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro (PSD), confirmou a presença de Caiado no município no início da tarde de hoje. Segundo ele, o correligionário irá conhecer a estrutura dos festejos juninos no horário do jogo do Brasil, entre 19 e 21 horas.
“Vou recebê-lo com o maior prazer, tanto ele quanto Gilberto Kassab, nosso presidente nacional”, disse Rodrigo. O gestor municipal, contudo, não soube informar se a governadora Raquel Lyra (PSD) estará presente. “Ela não me informou nada sobre a agenda dela nem hoje nem amanhã”, afirmou.
Flávio
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) é outro que pode marcar presença em Pernambuco no próximo mês. Pelo menos, esse é o objetivo de líderes do seu partido no estado. Eles articulam de forma conjunta uma visita do pré-candidato ao estado e devem fazer um anúncio coletivo da agenda em breve.
A expectativa da visita de Flávio ao estado ocorre em uma fase onde o PL busca definir seu caminho em Pernambuco. Uma reunião deve ser realizada nos próximos dias para definir se a legenda terá ou não palanque próprio em Pernambuco. O presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, garante que a prioridade da legenda será fortalecer o projeto nacional de Flávio Bolsonaro. “O PL sabe o tamanho que tem. Nós temos o maior tempo de televisão, uma bancada forte e um exército orgânico. A direita sempre foi decisiva nas eleições em Pernambuco”, concluiu.
Lula
Em Pernambuco, líderes do PT e PSB vivem a expectativa de trazer o presidente Lula para uma agenda no estado. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino (PSB), o deputado estadual Cayo Albino (PSB) e o deputado federal Felipe Carreras (PSB) destacam o avanço das obras do Hospital do Amor no município. Na postagem, o gestor chega a declarar que o chefe do Executivo estará na inauguração da obra no próximo mês.
Apesar da expectativa, não há confirmação da visita oficial do gestor. O presidente do PT em Pernambuco e deputado federal, Carlos Veras, afirma que o partido trabalha para trazer o petista ao estado até o dia 4 de julho, prazo final para gestores participarem da inauguração de obras. “Estou trabalhando para que Lula venha antes do dia 4 de julho, mas não posso cravar a agenda. São muitas ações para entregar em Pernambuco e em todo o país”, garantiu.
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