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Da CNN Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrou o dedo do meio durante um evento oficial do governo ontem (3), ao rebater a afirmação de que “pobre não gosta de coisa boa”.
“Precisamos acabar com essa história de que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles”, disse o presidente, enquanto fazia o gesto. “Nós gostamos de coisas boas.”
Leia maisA declaração ocorreu durante um evento no Palácio do Planalto que marcou as últimas entregas do governo federal antes do início das restrições impostas pelo período eleitoral. Na cerimônia, o Executivo anunciou entregas nas áreas de moradia, educação e saúde.
Durante o discurso, Lula também elogiou o SUS (Sistema Único de Saúde) e defendeu programas voltados ao atendimento da população de baixa renda. Ao tratar do tema, criticou pessoas “ricas” que afirmam não depender do sistema público de saúde. “Resolvemos criar o Brasil Sorridente para poder dar ao povo mais pobre. O que a gente quer dar para essa gente é dar o direito de ter máquina moderna para fazer tratamento.”
Na sequência, acrescentou: “O rico fala: ‘Tenho bom plano de saúde’ […] ele não paga porra nenhuma, ele desconta no IR (Imposto de Renda) o que ele paga de plano de saúde. Se ele desconta no IR, quem paga somos nós.”
A partir deste sábado (4), três meses antes do primeiro turno das eleições, passam a valer as restrições previstas na legislação eleitoral para impedir o uso da máquina pública em benefício de candidaturas.
Na quinta-feira (2), Lula criticou o início do chamado defeso eleitoral e classificou as regras como uma “papagaiada desgraçada”. Entre as restrições estão limitações à publicidade institucional e à participação de agentes públicos em inaugurações de obras.
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Um ônibus que transportava mais de 40 romeiros tombou e deixou dois mortos e vários feridos na CE-456, na localidade de Juá, zona rural de Canindé, no interior do Ceará, na manhã deste sábado (4).
Conforme a Guarda Municipal de Canindé, o veículo saiu da Vila São Sebastião, zona rural da cidade de Brejo Santo, com destino à Canindé. No trajeto, o ônibus perdeu o controle, saiu da pista e tombou às margens da rodovia. As informações são do g1.
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Com o impacto, vários passageiros, entre eles crianças, ficaram presos às ferragens. Algumas vítimas tiveram membros amputados.
Várias equipes do Corpo de Bombeiros de Canindé, Baturité e Quixadá atuam na ocorrência, resgatando os passageiros do ônibus. “Neste momento, a ocorrência permanece em andamento e o número de vítimas, bem como o estado de saúde dos envolvidos, ainda está sendo apurado pelas equipes de resgate”, disse o Corpo de Bombeiros.
Resgate do feridos
Conforme a Santa Casa de Canindé, cerca de 21 feridos deram entrada na unidade. Para atender a demanda de ambulâncias que estão chegando, as ruas do entorno do hospital foram bloqueadas pela Guarda Municipal.
“Deram entrada na emergência da Santa Casa de Canindé 21 pessoas, de ambos os sexos e idades variadas, incluindo crianças. Destas, duas pacientes foram transferidas para hospital terciário e quatro foram submetidas a procedimentos cirúrgicos/ortopédicos e permaneceram internadas”, disse a Santa Casa de Canindé.
Já os passageiros que tiveram ferimentos leves e não precisaram de atendimento médico, foram encaminhados para o abrigo São Francisco, que também recebeu os parentes das vítimas.
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) elogiou ontem (3) a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação. Ela chamou o programa de “sonho realizado” e foi criticada nas redes sociais pela base bolsonarista.
O programa tem como objetivo garantir oferta, acesso e permanência de alunos que usam essa modalidade de ensino. A ex-primeira-dama fez uma publicação nas redes sociais reforçando que seguia trabalhando por um Brasil mais acessível e parabenizou a “comunidade” pelo programa. As informações são da CNN Brasil.
Leia maisSegundo aliados de Michelle, a ex-primeira-dama parabenizou a comunidade surda por considerar que a medida atende a uma pauta defendida por ela desde o governo Bolsonaro, quando articulou a criação de uma diretoria voltada à educação bilíngue de surdos.

Nas redes sociais, uma parcela significativa da base bolsonarista se colocou contra Michelle. Deputados, senadores e figuras importantes do PL passaram a compartilhar no WhatsApp uma figurinha da ex-primeira-dama com a camisa do PT. Militantes bolsonaristas também compartilharam reportagens destacando o elogio de Michelle ao programa seguido de frases como “traidora”.
Esse é mais um episódio em uma crise que cresceu na semana passada. A ex-primeira-dama publicou um vídeo afirmando ter levado uma “punhalada” e decidiu expor publicamente o atrito que vive há meses com o enteado Flávio Bolsonaro.
O senador respondeu na mesma noite às acusações de que teria desrespeitado e humilhado Michelle durante uma ligação telefônica. Em suas redes sociais, o pré-candidato pediu desculpas públicas à esposa do pai e disse que está “de coração aberto” para ela.
A publicação gerou um debate interno e dividiu o PL entre congressistas que estavam a favor de Flávio e aqueles pró-Michelle.
Depois de uma série de críticas, Michelle anunciou na terça a saída do comando do PL Mulher e deixou em aberto a disputa.
Flávio e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se encontraram ontem (3) no Rio de Janeiro, durante um seminário do Partido Liberal. De acordo com apuração do âncora Gustavo Uribe, o encontro foi marcado por uma conversa sobre a crise gerada pelo vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro, no qual ela expôs atritos com Flávio.
Valdemar tem defendido que Michelle e Flávio se reúnam pessoalmente para superar o mal-estar. No entanto, a ex-primeira-dama tem resistido à proposta. “Ela inclusive tem indicado que não vai subir no palanque de Flávio durante o processo eleitoral”, ressaltou Uribe durante o Bastidores CNN de ontem.
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Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
Alexander Keyssar, no clássico “The Right to Vote”, mostra em detalhes a evolução do voto nos Estados Unidos desde os primórdios até o fim do século 20. Ele detalha o aperfeiçoamento da democracia norte-americana a partir da ampliação do eleitorado, com a inclusão das mulheres, dos negros, dos imigrantes asiáticos e dos latinos. Houve um tempo, não muito distante, em que o direito de votar era manipulado para impedir minorias de ir livremente às urnas.
Em Estados do Sul, por exemplo, era comum a prisão de negros pouco antes das eleições para que não pudessem votar. Uma cumplicidade envolvendo xerifes e juízes, todos eleitos em suas comunidades. Ou ainda, como ocorre até hoje, trabalhadores podem ter desconto no salário se a eleição cair num dia útil e faltarem ao trabalho.
Leia maisEssa é a democracia norte-americana, que, neste sábado (4), completa 250 anos. Um regime que foi evoluindo sem jamais perder seus fundamentos, como estabilidade jurídica, eleições livres e regulares, liberdade de expressão, direito à educação, liberdade de organização e de empreender.
A democracia norte-americana inspirou Alexis de Tocqueville e foi a semente dos sistemas democráticos do mundo ocidental. Hoje, passados quase três séculos, continua viva e forte, funcionando com vigor invejável a ponto de permitir que um muçulmano fosse eleito prefeito de Nova York, mesmo depois do trauma provocado por muçulmanos no atentado às Torres Gêmeas em 2001.
Há inúmeros autores, poucos sérios, muitos nem tanto, a preconizar o fim do chamado império norte-americano. Descrevem a decadência que nunca chega, porque os Estados Unidos continuam sendo governados pelo Estado de Direito, conforme pudemos constatar na recente decisão da Suprema Corte mantendo a cidadania aos nascidos em território norte-americano, totalmente contrária ao desejo do presidente Donald Trump.
Embora a oposição acuse Trump de ser ditador, nada disso corresponde à vida como ela é. As instituições seguem funcionando, o Congresso legislando, existe segurança jurídica, a imprensa é livre, as redes sociais não são censuradas e o sistema de freios e contrapesos vigora. Ninguém foi preso por discordar do governo ou de um presidente que sofreu três tentativas de assassinato, sendo que uma delas bateu na trave.
A democracia norte-americana é um sistema em evolução, conforme diz Keyssar, porque continuam de pé os pilares fincados pelos fundadores daqueles Estados Unidos de 1776, união das 13 colônias. Um país que jamais experimentou a ditadura. Nunca é demais lembrar que George Washington recusou terminantemente a possibilidade de ser rei, diante da proposta de um grupo de militares descontente com o Parlamento.
Perguntei a quatro chats de IA se a democracia e a influência norte-americana estavam em declínio. Nenhum deles deu resposta convincente. Falaram muito da perda de influência dos Estados Unidos por causa da política externa de Trump, confundindo geopolítica com democracia. Quando perguntei se os fundamentos democráticos continuavam de pé, responderam que sim. Às vezes, tenho impressão de que os chats de IA ainda têm dificuldades em certas situações. O governo Trump é como cavalo de rodeio, dá pinotes e coices a torto e a direito, mas até agora ninguém conseguiu domá-lo. Gostem ou não, está entregando o que prometeu ao eleitorado conservador. Muitos deixaram a zona de conforto e reclamam.
Os Estados Unidos têm inúmeros defeitos, mas a democracia para eles é inegociável. Ela avançou com a Guerra de Libertação, a Guerra Civil, a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, os conflitos na Coreia e no Vietnã e com a Guerra Fria. Em 2005, vivi um período em Boston e aprendi que ali nunca houve escravidão. Diferente dos Estados do Sul, essencialmente agrícolas, dependentes de mão de obra farta e barata para as plantações de algodão, grãos e pecuária.
A Guerra Civil (1861-1865) acabou com a escravidão, mas não com o preconceito e o racismo. Mas a democracia fez a diferença quando o governo criou, em 1865, o Freedmen’s Bureau, permitindo a implantação de escolas de alfabetização para ex-escravos. No ano seguinte, foi criada a Fisk University e, em 1867, a Howard University. Pessoas alfabetizadas e com um diploma têm mais condições de se defender e lutar pelos seus direitos. Sem essas escolas, dificilmente teríamos a luta pelos direitos civis liderada pelo pastor Martin Luther King nos anos 1960.
Os 250 anos da democracia dos Estados Unidos são uma data a ser celebrada no mundo todo, independentemente de ideologia. Enquanto a Europa viveu os séculos 19 e 20 numa sucessão de reinados e ditaduras, exceto a Inglaterra, as Américas Central e do Sul tiveram regimes duros, com seguidos golpes. Nada mudou nos Estados Unidos. O Brasil, por exemplo, só teve democracia de fato e de direito a partir da Constituição de 1946. Menos de 20 anos depois, ela foi derrubada por um golpe militar em 1964, apoiado pelos norte-americanos, e restabelecida pela Constituição de 1988.
A Rússia nunca experimentou democracia e dificilmente o fará, assim como a China, os países árabes e grande parte das nações africanas. Os Estados Unidos foram pródigos em apoiar ditaduras mundo afora, especialmente no seu quintal. Isso é péssimo, mas não é a questão, porque o aniversário de 250 anos é comemorado entre seus 350 milhões de habitantes. Continuam produzindo cultura, tecnologia de ponta, inventaram o celular, as redes sociais e a inteligência artificial. Em outras invenções virão filmes, livros, tecnologia. A China é osso duro de roer, mais do que a antiga União Soviética. Porém, por mais genial que seja, enfrenta barreiras como a língua e os costumes ocidentais, as quais cairão com o tempo.
Conceito de democracia é um só. Ficou provado e comprovado num encontro fortuito de um turista norte-americano com um brasileiro na Praça dos Três Poderes. O brasileiro perguntou se a liberdade de expressão valia no governo Trump. O norte-americano foi reto e direto: “Se eu subir num caixote em frente à Suprema Corte e xingar os juízes, ninguém vai me prender ou punir”. E o brasileiro contando vantagem: “Nossa democracia é igual. Tenho liberdade de xingar os juízes da Suprema Corte norte-americana e suas progenitoras sem ser importunado. Pode apostar.”
O Poder360 perguntou: “Ao completar 250 anos, a democracia e a influência dos Estados Unidos estão em declínio?”.
Eis o que responderam os articulistas convidados:
• Sim – Carlos Eduardo Lins da Silva – Sim, democracia nunca foi perfeita, mas jamais tão degradada.
• Sim – Ricardo Melo – Sim, basta se ater aos fatos
• Sim – Janio de Freitas – Sim, país sofre desgaste político, econômico e moral
• Não – Marcelo Tognozzi – Não, nação segue viva e forte aos 250
• Não – Mario Rosa – Não, país está se transformando como uma lagarta que vai voar
• Não – Marcos Troyjo – Não, são protagonistas num mundo pós-hegemônico
Por Muciolo Ferreira*
Tem imagem mais bela, simbólica e antológica do que esta do Paulo Carvalho abraçando carinhosamente o grande e eterno amor da sua vida, a mãe Auri Medeiros de Carvalho? Esta foto deles esbanjando sorrisos largos e sinceros a perder de vista é a ilustração, a síntese perfeita, o testemunho de uma sublime e recíproca declaração de amor.
Diante da moldura fotográfica, uma relíquia que inspiraria Leonardo Da Vinci, Cézanne, Di Cavalcanti ou Michelangelo a pintar um quadro, inicio este sábado, dia 4 de julho, enviando os parabéns de aniversário ao último remanescente descendente de uma linhagem nobre da “haute couture” pernambucana.
Leia maisCongratulações pela data natalícia a um amigo que vive um “feliz anonimato”, recluso voluntariamente numa imensa propriedade com vista para o mar no Litoral Norte, rodeada de frondosas árvores frutíferas e ornamentais do que ainda resta da Mata Atlântica. Vive protegido pela fidelidade dos animais de estimação e domésticos, criando cães, gatos, galinhas, gansos, patos, guinés e pavões.
Diariamente, acorda com uma sinfonia do cântico dos pássaros, algo inimaginável nos tempos da fama, das luzes vindas dos holofotes e dos flashes dos fotógrafos, do burburinho do backstage, dos camarins, das passarelas e das chatices de algumas modelos abusadas que faziam caras e bocas com exigências absurdas antes dos desfiles. Tem algo melhor e mais saudável do que viver num paraíso livre desse estresse?
Quando quer, vez por outra, o torcedor fanático e de carteirinha do Tricolor do Arruda liga para amigos convidando para tomar um cafezinho básico à tarde, preferencialmente em lugares simples e discretos. É o seu novo “modus vivendi“, estilo Século 21 by Paulo Carvalho. Nessas ocasiões, rolam muitas conversas, o que ele chama “estar confortavelmente sentado no sofá da Hebe Camargo”, onde as resenhas saudosistas bem-humoradas e divertidas atiçariam o interesse de qualquer editor para futuras publicações que se tornariam em “best seller” dos tempos que ele reinou entre os maiores costureiros da região.
Com duas graduações superiores, Filosofia e Letras, nosso homenageado de hoje ficou conhecido no mundo das agulhas e das tesouras pela criação de uma moda própria na hora de vestir noivas e socialites em evidências pelos cargos que ocupavam nas três esferas dos poderes constituídos.
Tambem ajudou a realçar a elegância das endinheiradas da conhecida sociedade quatrocentona, além de costurar roupas de debutantes, executivas, profissionais liberais, misses e anônimas clientes das lojas onde trabalhou.
Dizer um pouco do homenageado de hoje enquanto figurinista, costureiro, estilista e desenhista é revisitar o tempo de um Recife glamouroso socialmente pela ótica dos que viveram e frequentaram os seletivos eventos nas décadas de 1970 e 1980.
Foi o período dos monumentais desfiles de moda que ocorriam, principalnente, nos meses que antecediam as estações do inverno e verão.
Até porque a moda era ditada, imposta pelo que era lançado em Paris e Milão, mas com adaptações dos costureiros nacionais. As pessoas eram orientadas como se vestir para não errar no look nem nos acessórios ao sair de casa e enfrentar ruas molhadas ou ensolaradas.
Mas isso é um tema mais amplo e abrangente para discutir noutra ocasião. Mesmo porque o destaque hoje é celebrar o aniversário do Paulo Carvalho, profissional respeitado e pessoa de múltiplas qualidades. Um cara de coração generoso, maior do que seus 1,92 de altura. Que nunca perdeu um show de Maria Bethânia e Chico Buarque, e que cresceu indo aos teatros conferir o talento de Fernanda Montenegro, de Bibi Ferreira e ouvindo e amando os Beatles e os Rolling Stones.
Saúde e Vida Longa ao filho de Dona Auri!
*Jornalista
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Toda obra pública nasce de uma promessa. Promessa de desenvolvimento, empregos, melhoria da qualidade de vida. Antes de existir em concreto ou aço, ela existe como compromisso assumido diante da população.
Em Pernambuco, no governo de Raquel Lyra, há uma extensa coleção de projetos anunciados com entusiasmo, lançados com cerimônias, apresentados em vídeos institucionais e acompanhados de discursos otimistas.
Leia maisO problema corrosivo começa quando a promessa não cumprida é substituída por outra promessa, igualmente grandiosa, antes que a anterior tenha saído do papel. Sem entregar as 250 creches que prometeu, as UPAs que não saíram do chão e zero de escolas técnicas novas, a governadora Raquel Lyra vai dobrar a aposta.
Em um evento com a pompa de um ato de governo, mas com o cheiro de um movimento eleitoral, Raquel convocou prefeitos para testemunhar ontem a assinatura de autorização para mais de 200 obras e ações, em 100 municípios. Quando governador, Eduardo Campos entregou o Parque da Macaxeira e o novo Hospital do Câncer em seu último ano. Já João Campos entregou o Parque do Aeroclube e o Hospital da Criança do Recife.
Cerimônias como essa, programada por Raquel Lyra, servem para instalar um tipo de erosão silenciosa da confiança pública. O cidadão deixa de medir governos pelas entregas e passa a ser continuamente convidado a acreditar no próximo anúncio. O horizonte de realização é sempre adiado. O futuro torna-se um lugar permanente, mas nunca alcançado.
Quando sucessivas promessas deixam de se transformar em realidade, a população começa a perder algo que nenhuma obra consegue recuperar sozinha: a confiança de que o amanhã pode ser diferente do agora.
Esse ciclo produz um desgaste que vai além da infraestrutura. Mina a credibilidade das instituições, enfraquece o vínculo de respeito entre Estado e sociedade e alimenta a sensação de que promessas deixaram de ser compromissos para se tornarem uma estratégia permanente de administração das expectativas.
O resultado é conhecido. Enquanto o discurso permanece no futuro, a realidade continua presa ao presente. Obras e ações não são monumentos ao anúncio. São instrumentos de transformação econômica e social. Quando ficam apenas no papel, deixam de cumprir sua função principal: aproximar o futuro da vida das pessoas.
O risco maior é o enfraquecimento da esperança coletiva. O cidadão deixa de acreditar que participar, cobrar ou planejar faz diferença. O sonho de mudança perde força diante da repetição das frustrações.
Nenhuma democracia se fortalece quando seus cidadãos passam a acreditar que promessas existem apenas para serem anunciadas. Nenhum governo será lembrado apenas pelo número de projetos que apresentou, mas não realizou. Mas parece que a governadora não se deu conta ou faz disso um estilo de gestão.
E talvez seja essa a maior responsabilidade de qualquer gestor público: preservar, por meio das entregas, aquilo que sustenta uma sociedade — a convicção de que vale a pena acreditar, participar e sonhar com um futuro melhor.
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A ligação que esvaziou o discurso de Túlio
A relação entre o presidente Lula (PT) e o pré-candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSB, João Campos, ganhou um novo capítulo, colocando em xeque a narrativa apresentada pelo deputado federal Túlio Gadelha (PSD). De acordo com o parlamentar, que é pré-candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), Lula “não estava feliz” ao gravar um vídeo de apoio à pré-candidatura de João ao Governo, no último mês. Túlio sugeriu que o gesto teria ocorrido por circunstâncias políticas, e não por convicção, citando, inclusive, que Lula estaria constrangido com o ato.
Porém, ontem, um fato público caminhou em direção oposta. Durante agenda em Brasília, Lula telefonou espontaneamente para João, que participava de um evento em Garanhuns. Na ligação, pediu que ele transmitisse um recado ao público presente. “O presidente ligou e pediu para tirar uma foto com o quadro de dona Lindu. A gente colocou o quadro aqui na frente. Ele estava tirando a foto e, por isso, pediu para interromper a transmissão”, relatou João em vídeo postado no Instagram. O gesto ocorreu de forma natural e foi interpretado como mais um sinal da boa interlocução entre os dois.
Leia maisA sequência dos acontecimentos evidencia uma contradição entre o discurso de Túlio e a postura pública adotada por Lula. A avaliação do deputado de que o presidente gravou o vídeo de apoio a João sem entusiasmo perde força diante da atitude de Lula. Ao telefonar espontaneamente para João, durante uma agenda oficial, e fazer um pedido de caráter pessoal, Lula transmitiu uma imagem de proximidade que contrasta com a narrativa de desconforto apresentada pelo parlamentar.
Na política, gestos costumam falar mais alto do que versões de bastidor. Lula produziu um fato político que torna difícil sustentar a leitura de que teria apoiado João contrariado ou constrangido, deixando a avaliação de Túlio, no mínimo, desconectada da realidade.
A decepção em Camaragibe – O rompimento político entre o deputado federal Sílvio Costa Filho (Republicanos) e o prefeito de Camaragibe, Diego Cabral (PSD), tornou-se irreversível após o gestor municipal decidir não apoiar a reeleição do parlamentar à Câmara dos Deputados. Segundo relatos de bastidores, a mudança de posição de Diego, atribuída a pressões do grupo da governadora Raquel Lyra (PSD) para que ele apoie outro nome na disputa federal, provocou uma forte reação de Sílvio, que se sentiu traído após ter sido um dos principais articuladores da eleição do prefeito em 2024 e parceiro na destinação de recursos para o município. O episódio expôs o fim da aliança entre os dois e abriu um novo capítulo na disputa política em Camaragibe.

Humberto critica gestão Bolsonaro – Durante a inauguração do Hospital de Amor de Garanhuns, o senador Humberto Costa (PT) voltou a fazer duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na área da saúde. O petista afirmou que o governo anterior deixou o país seis anos sem renovar a frota do SAMU, desmontou programas como o Brasil Sorridente e o Farmácia Popular e mencionou a postura de Bolsonaro durante a pandemia. “A gente não esquece o que foi a gestão anterior”, afirmou. Humberto também destacou que o novo hospital atenderá exclusivamente pelo SUS, com expectativa de realizar 20 mil atendimentos por mês.
Victor prega diálogo com Raquel – O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), afirmou que sua relação com a governadora Raquel Lyra (PSD) será pautada pela institucionalidade, apesar de estarem em campos políticos opostos. Ex-vice de João Campos (PSB), que deixou a Prefeitura para disputar o Governo de Pernambuco contra Raquel, Victor disse que não pretende misturar disputa eleitoral com gestão pública. “O recifense nunca vai ser punido por nenhuma decisão política que se sobrepõe a uma decisão institucional”, declarou. O gestor também afirmou ter “muita segurança” de que João será eleito governador.
Raquel fecha ciclo de entregas – A governadora Raquel Lyra (PSD) encerrou a agenda de atos públicos antes do início das restrições eleitorais reunindo mais de 100 prefeitos aliados no Palácio do Campo das Princesas. Na cerimônia, assinou ordens de serviço e convênios que somam R$ 2,6 bilhões destinados aos municípios. A partir de hoje, candidatos no exercício do cargo ficam impedidos de participar de inaugurações, realizar publicidade institucional e fazer transferências voluntárias de recursos, salvo as exceções previstas na legislação eleitoral.

Lula entrega pacotaço – O presidente Lula (PT) também aproveitou o último dia antes das restrições eleitorais para anunciar um pacote de entregas nas áreas de saúde, educação e moradia. O evento teve transmissões simultâneas em 12 cidades e mobilizou ministros, secretários, parlamentares aliados e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Na educação, foram inaugurados dez campi de institutos federais, com R$ 206,6 milhões em investimentos. Lula voltou a criticar o defeso eleitoral, que chamou de “papagaiada desgraçada”, e disse que, mesmo sem poder inaugurar obras, continuará visitando ações do governo.
CURTAS
Michelle elogia programa de Lula – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) surpreendeu ao elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo governo do presidente Lula (PT). Em publicação nas redes sociais, classificou a iniciativa como “um sonho realizado” e destacou que a medida fortalece a autonomia da comunidade surda.
Bolsonarismo reage – O elogio de Michelle Bolsonaro (PL) ao programa lançado pelo governo Lula (PT) provocou forte reação entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas redes sociais, a ex-primeira-dama foi chamada de “traidora” por parte da militância e virou alvo de críticas de aliados do bolsonarismo. O episódio ocorre poucos dias após o racha público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e amplia o desgaste interno no Partido Liberal.
Pressionado pelo Master, Ciro elogia Lula – Investigado no caso Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) surpreendeu ao elogiar o presidente Lula (PT) durante agenda no Piauí. Ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), Ciro afirmou admirar o petista pelo enfrentamento à fome e voltou a adotar um tom diferente das críticas frequentes que fazia ao governo. A mudança ocorre em meio às investigações da Polícia Federal e ao distanciamento político em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Perguntar não ofende: Quantos telefonemas de Lula ainda serão necessários para convencer Túlio?
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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que a sanção dos Estados Unidos imposta na última quarta-feira (1º) a pessoas e empresas brasileiras fez os policiais da corporação anteciparem a Operação Exchange, deflagrada nesta sexta contra suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo Andrei, o desfecho da operação desta sexta-feira poderia ter sido outro, caso a imposição da sanção pelos Estados Unidos não tivesse sido anunciada na quarta-feira. As informações são do g1.
Nesta sexta, os policiais foram às ruas, mas não localizaram o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que é considerado foragido da Justiça. Shimada é suspeito de integrar uma rede internacional de lavagem de dinheiro do PCC que tem sido investigada na Flórida.
Leia maisNa Operação Exchange, os policiais conseguiram prender outra brasileira alvo de sanções dos EUA: Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
“[A sanção dos EUA] alterou a nossa ação. Houve uma antecipação. Mas, de fato, não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro, a gente teria localizado essa pessoa [Shimada], mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação”, afirmou Andrei em um café com jornalistas na sede da PF em Brasília.
Shimada recebeu a punição dos EUA acusado de ligação com o PCC. Com a medida, os bens do empresário no país norte-americano ficam bloqueados, entre outras medidas.
Com as sanções, os bens nos Estados Unidos dos alvos são bloqueados e qualquer empresa que pertença, direta ou indiretamente, em 50% ou mais, às pessoas punidas, também será bloqueada. Entenda aqui o que acontece com pessoas e empresas alvos de sanções econômicas pelo governo dos EUA.
No comunicado, os EUA chamaram o empresário de “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais” e o acusaram de:
As autoridades norte-americanas afirmaram que Stella Stefanie é parente de Shimada e atuou como a secretária dele e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede.
Desde que os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o diretor-geral da PF tem defendido uma integração entre forças brasileiras e americanas no combate às organizações criminosas.
“É importante salientar que esse cidadão citado [Shimada] já foi preso pela Justiça Federal numa operação nossa iniciada em 2024 e foi condenado pela Justiça Federal em 2025, fruto dessa operação”, declarou Andrei.
Operação Exchange
A PF fez nesta sexta uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.
Ao todo, são 11 mandados de prisão temporária, e sete foram cumpridos até a última atualização desta reportagem.
Para despistar as autoridades, as investigações apontam que Stella Oliveira e Victor Shimada usavam apelidos: ele era “o Japa”; Stella, “Lara Croft”. Segundo a acusação, Stella organizava a coleta do dinheiro, e Shimada era o elo com os traficantes ligados ao PCC no Brasil.
Outros 13 mandados de busca também foram expedidos, em endereços localizados na capital paulista, em Santos, em Praia Grande e em Santana de Parnaíba.
Também foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões.
Segundo a PF, os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras.
Os envolvidos poderão, em tese, ser responsabilizados pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Em nota, Yuri Cruz, do escritório Marcelo Cruz Advocacia Criminal, que faz a defesa de Victor Shimada, informou que “tomou conhecimento, há instantes, da operação realizada pela Polícia Federal. Neste momento, entretanto, ainda não dispomos de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas”.
“Nesse contexto, qualquer manifestação sobre os fatos ou sobre o objeto da investigação seria precipitada. Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis”, diz o comunicado.
Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, Cruz disse ainda que Shimada é um dos alvos de prisão temporária e deve analisar a possibilidade de se entregar à polícia. “Isso passa também por uma decisão pessoal, mas é mais uma das hipóteses a serem avaliadas”.
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A bancada do PT no Senado vai se reunir na próxima quarta-feira para definir quem vai liderar o partido na Casa. Há um acordo encaminhado para que o escolhido seja o senador Camilo Santana (CE), ex-ministro da Educação.
A saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, na semana passada, após a operação da Polícia Federal que expôs as relações dele com o Banco Master, provocou uma dança das cadeiras nos cargos ligados ao PT e ao governo na Casa Legislativa. As informações são do jornal O GLOBO.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu escolher Teresa Leitão (PT-PE) para liderar o governo no Senado. Como ela era líder do PT na Casa e há um acordo no partido para não acumular funções, o cargo ficou vago.
Leia mais– Vamos bater o martelo quarta feira. Está se encaminhando pra isso (Camilo ser escolhido líder do PT) – disse Teresa Leitão ao GLOBO.
Camilo chegou a ser lembrado por uma ala do partido como opção para se tornar líder do governo no Senado. No entanto, há uma avaliação de que o ex-ministro da Educação não poderia assumir o cargo de líder do governo porque ele precisa focar nas articulações das eleições e a função exige uma dedicação e maior tempo em Brasília.
O governo ainda precisa fechar acordo para votar iniciativas que considera prioritárias, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1, a PEC da Segurança, que amplia as funções da União na área, o projeto de lei que regulamenta a exploração dos minerais críticos
Há um entendimento de que Camilo precisará ficar muito tempo no Ceará para evitar que o governo do estado saia das mãos do PT. O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) tem ameaçado o projeto de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O próprio nome de Camilo é citado como possibilidade de candidato a governador caso Ciro cresça nas pesquisas e consolide um favoritismo.
Por conta disso, o entendimento é que Teresa Leitão é um nome melhor para assumir a tarefa de substituir Wagner. O mandato dela como senadora vai até 2030, e ela teria mais disponibilidade para ficar em Brasília nesta reta final das sessões do Congresso antes das eleições.
A tarefa de liderar o PT em vez de representar o governo, dá mais espaço para Camilo conciliar as idas à Brasília com as articulações para as eleições.
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O deputado federal Silvio Costa Filho participou, nesta sexta-feira (3), da inauguração do Hospital de Amor Dona Lindu, em Garanhuns, e destacou o impacto da nova unidade para o fortalecimento da assistência oncológica no Agreste e no interior de Pernambuco.
A cerimônia contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por videoconferência, além do pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, do pré-candidato a vice-governador, Carlos Costa, e do candidato ao Senado, Humberto Costa. As informações são do Blog da Folha.
Leia maisConstruído com investimento superior a R$ 100 milhões, o Hospital de Amor possui mais de 25 mil metros quadrados de área construída e será referência no atendimento a pacientes com câncer em toda a região. A expectativa é que a unidade realize mais de 20 mil atendimentos por mês, todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Após a solenidade, Silvio Costa Filho afirmou que o hospital representa um marco para a saúde pública pernambucana e reforça o compromisso do presidente Lula com a ampliação do acesso ao tratamento oncológico.
“O Hospital de Amor construído pelo governo do presidente Lula será um divisor de águas para a saúde do Agreste e de Pernambuco. Quero agradecer ao presidente Lula pelo compromisso com o povo pernambucano e por apoiar uma obra tão importante para salvar vidas. O presidente Lula mais uma vez demonstra amor por Pernambuco”, afirmou.
Durante a agenda, o parlamentar também posou para uma foto ao lado do quadro de dona Lindu, mãe do presidente Lula.
Silvio ainda ressaltou a parceria da Prefeitura de Garanhuns, responsável pela doação do terreno onde o hospital foi construído, destacando a união entre os entes públicos para viabilizar a obra.
Com o início das atividades, a expectativa é que o Hospital de Amor reduza o deslocamento de pacientes para outras regiões do estado e amplie significativamente a oferta de atendimento oncológico no interior de Pernambuco.
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A ausência do senador Cid Gomes (PSB) na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Ceará, na quinta-feira, ocorre em meio à tentativa petista de convencê-lo a disputar reeleição. A presença do irmão do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na corrida eleitoral é vista como prioritária para fortalecer a chapa do governador Elmano de Freitas (PT), que citou Cid duas vezes durante evento realizado em Juazeiro do Norte, no Cariri.
O grupo político composto por Cid e o PT busca conquistar a sexta eleição consecutiva no Ceará. Em uma primeira citação, Elmano menciona o senador ao tratar sobre avanços na educação durante o período. A segunda menção se refere a dificuldades na área da saúde enfrentadas até mesmo pela própria família do governador. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia mais— E a vida da minha família, como a do presidente Lula, é a vida do povo do Ceará que não tinha hospital e precisou. Esse Estado, que tem quase 300 anos, precisou ter Lula, precisou ter Cid, precisou ter Camilo, precisou ter Elmano: agora tem hospital para o povo Cariri, a alta e a média complexidade — disse Elmano.
Cid não participou de agendas conjuntas com o presidente Lula nos últimos meses no Ceará. Ao GLOBO, em abril, o senador afirmou que apoiaria Ciro caso ele fosse candidato à Presidência e que chancelará a candidatura de Lula à reeleição apenas “se não houver outra alternativa”. O tucano, por sua vez, descarta disputar o Planalto e mantém a pré-candidatura ao governo estadual.
O campo governista pressiona Cid a disputar a reeleição para antagonizar com o irmão, com quem rompeu após desentendimento em 2022. É uma tentativa de fortalecer a chapa de Elmano, que aparece estacionado na faixa dos 30% nas pesquisas de intenção de voto.
Mas Cid resiste, mesmo com a pressão pública da irmã, a deputada estadual Lia Gomes (PSB). Ele afirma ter um compromisso firmado com o deputado Junior Mano para que ele seja o candidato do PSB ao Senado. A defesa da candidatura do aliado também é justificada por Cid pelo apoio angariado por Junior Mano entre prefeitos — mais de 40 já se comprometeram a atuar na campanha. A segunda vaga da chapa de Elmano ao Senado deve ser distribuída para outro partido da base do governo.
Ciro e Cid Gomes estão afastados há cerca de três anos, após discordarem sobre quem deveria ser o candidato do PDT, partido que integravam, no pleito estadual de 2022. O senador defendia a continuidade da então governadora Izolda Cela, que assumiu o cargo após a saída de Camilo para disputar as eleições. Já Ciro bancou a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio.
O objetivo de Ciro era ter um palanque no estado em sua campanha ao Planalto, quando disputou com Lula. O PT, que defendia a candidatura de Izolda, rompeu com o PDT e lançou Elmano. O petista teve 54,02% dos votos, e o aliado de Ciro, 14,14%.
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POR JÚLIA DUAILIBI – G1
A carta enviada por Flávio Bolsonaro (PL) às autoridades americanas tende a causar mais prejuízos do que benefícios à sua estratégia política. Ao pedir que um eventual tarifaço sobre produtos brasileiros seja adiado para depois das eleições, o senador expõe uma articulação que joga contra os interesses do próprio país.
A principal falha da carta está em antecipar publicamente uma estratégia de negociação. Em qualquer processo desse tipo, revelar previamente a intenção de negociar reduz o poder de barganha. Além disso, ao sinalizar que a discussão sobre as tarifas deveria ficar para depois do pleito, Flávio deixa explícita a preocupação com os impactos eleitorais da medida.
Leia maisHá um trecho considerado um “sincericídio” político, ao admitir que o objetivo não seria encerrar definitivamente o tarifaço, mas apenas adiar sua implementação. Essa posição reforça a percepção de que a preocupação central é evitar desgaste eleitoral, e não solucionar o impasse comercial.
A carta acaba favorecendo, indiretamente, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento transmite a mensagem de que as tarifas estariam beneficiando o adversário político e sugere um pedido de intervenção para alterar esse cenário.
Outro ponto de destaque é a relação entre o tarifaço e a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora aliados neguem qualquer vínculo entre os dois temas, o deputado federal Eduardo Bolsonaro comemorou o anúncio das tarifas e participou de articulações nos Estados Unidos em defesa de sanções, o que enfraquece esse argumento.
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