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Por Houldine Nascimento
Do Poder360
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, 70 anos, tentará uma vaga na Câmara por Goiás, Estado onde nasceu. Ele busca voltar à cena política depois de ter sido condenado no Mensalão — esquema com suborno a congressistas em troca de apoio político — e na operação Lava Jato, que investigou desvio de recursos, cobrança de propinas a empreiteiras e superfaturamento, tendo a Petrobras como centro do escândalo.
Os dois casos estouraram nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, e de Dilma Rousseff, em 2014 –ambos do PT. Delúbio foi preso. Outros colegas de partido, como o ex-ministro José Dirceu, também cumpriram pena.
Leia maisO processo do Mensalão teve a relatoria do então ministro do STF Joaquim Barbosa, que se aposentou em 2014. O ex-dirigente petista ainda não digeriu a atuação do magistrado, a quem chama de “desqualificado” em entrevista ao Poder360.
Delúbio faz críticas e diz que “não convidaria Joaquim Barbosa para jantar” em sua casa. O ministro aposentado do STF ainda não decidiu se disputa a Presidência em 2026 pelo nanico Democracia Cristã. O petista ironiza a possibilidade: “Não estou vendo [a pré-candidatura] nem os eleitores”.
Ele afirma ser inocente e que pedirá revisão criminal. “Deixei um documento com a minha neta para que, se eu morrer e não pedir, ela possa pedir revisão criminal do Mensalão”, diz.
Na época do Mensalão, Delúbio chegou a ser expulso do PT, mas voltou ao partido em 2011. Em 2012, foi condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha.
A soma da pena totalizava 8 anos e 11 meses. Ao julgar os embargos infringentes, o STF o absolveu de condenação por formação de quadrilha e a punição foi reduzida para 6 anos e 8 meses de reclusão. Cumpriu 2 anos de pena, dos quais 1 ano e meio em prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica.
Em 2016, o ex-tesoureiro do PT foi solto pelo STF depois de receber indulto natalino concedido em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff. Delúbio também foi condenado pela Lava Jato por lavagem de dinheiro e preso em 2018, mesmo ano da prisão de Lula. Para ele, o modus operandi das investigações na operação “é filho, neto e bisneto do Mensalão”.
Em 2023, o STJ anulou a condenação por entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para processar e julgar as acusações contra ele. Nesta entrevista, Delúbio Soares fala sobre o panorama político em Goiás, onde tenta um cargo eletivo. Afirma que uma de suas prioridades é aumentar a votação de Lula no Estado e ajudar a reelegê-lo no 1º turno, feito que o presidente nunca conseguiu.
Ele também critica o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) pela assinatura de um memorando com os Estados Unidos sobre terras raras, em março de 2026: “Você acreditou nesse memorando, que era um memorando para valer? Isso é uma papagaiada do governador”. Delúbio ainda presta “solidariedade” ao líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), mas defende que as investigações do caso Master sejam aprofundadas.
Poder 360 – Por que o senhor decidiu se candidatar a deputado federal?
Delúbio Soares – Sou pré-candidato aqui em Goiás a deputado federal primeiro: para ajudar o presidente a aglutinar pessoas na campanha. Eu, sendo candidato, vou aglutinar pessoas. Segundo, para ajudar o presidente Lula a governar, seja no Congresso ou na tarefa. Construir Goiás, ajudar Goiás a ter mais proximidade do governo federal, trazer benefícios para Goiás e desenvolver Goiás.
Nós, aqui em Goiás, somos grandes produtores de grãos. Mas vendemos grãos in natura. Isso é um grande produtor de proteína animal. Carne de boi e vaca. Carne bovina, carne de frango, carne de porco. Produzimos tudo isso aqui, mas vendemos in natura. Temos que agregar valor aos nossos produtos. Os nossos minerais aqui, o cobre, o ouro, fosfato, o amianto, que ainda é explorado. Terras raras agora. Esses minérios todos estão sendo vendidos in natura para o exterior. Então nós temos que agregar valor aos nossos minérios. Temos que retomar a energia em Goiás, que está parada.Essa empresa que está aqui em Goiás, chamada Equatorial, é uma lástima. Porque se você quer aumentar uma fábrica, se você quer aumentar um pivô, não tem energia. O sistema de distribuição de energia é antigo, é precário. E eles não querem renovar o cabeamento, os seus transformadores. Qual é o acordo que tem entre o governo estadual e a Equatorial?
Precisamos desvendar esse convênio, esse acordo que tem entre eles, ou cassar a concessão da Equatorial. Ou eles mudam e dão condição de ter energia ou vou pedir a cassação a partir de fevereiro do ano que vem, se eu tiver condições de tomar posse no Congresso Nacional e quando eu terei força institucional para pedir isso. Hoje você não tem condição de trazer uma fábrica para Goiás porque não tem energia. E aqui nós produzimos muita energia em Goiás. É isso que eu quero fazer. Por isso eu sou pré-candidato a deputado federal. Educação com prioridade, hospitais de 1ª qualidade, postos de saúde.
As UPAs e outras instituições de saúde do Estado estão sendo privatizadas. Temos que parar com isso. O presidente Lula inaugurou 2 hospitais, financiou o funcionamento, terminou o hospital lá em Catalão, garantindo o funcionamento do hospital tanto em Catalão quanto lá em Rio Verde.
E os governos desses locais são muito hostis ao governo federal. Mas mesmo assim, como a população não é hostil, e não importa se for hostil ou não, porque a população paga imposto, merece uma saúde de qualidade, merece uma escola de melhor qualidade.
Temos que ter harmonia política, não importa quem são as pessoas, porque as pessoas que moram aqui precisam de uma boa educação, precisam de um bom transporte. O governo anterior, que acabou de sair, quem entrou é filhote dele [em referência a Daniel Vilela]. Não é filho de sangue, é filhote político.
Poder 360 – Como está a movimentação política em Goiás?
Delúbio Soares – Estamos movimentando o partido para ter uma boa votação do presidente Lula e aumentar a bancada federal. Estamos preparando a chapa majoritária, uma chapa que possa aumentar a votação do presidente Lula no Estado. A chapa não está organizada. Aliás, nenhuma chapa de Goiás está organizada.
Tem candidato a governador, não tem vice, etc. candidato a Senado também. A nossa perspectiva aqui é ter uma aliança ampla para a chapa majoritária da nossa federação com PT, PCdoB e PV, mais Psol e Rede, PDT e PSB. Esse é o trabalho que está sendo feito. Se vai concluir ou não essa aliança, o tempo vai dizer. Até o dia da convenção, as coisas podem mudar.
Nós temos um pré-candidato a governador, que é o Luís César Bueno. O PSDB tem um pré-candidato, o ex-governador Marconi Perillo. O PL tem um candidato, o senador Wilder Morais. E o MDB tem um candidato, Daniel Vilela, que é o atual governador. Então, é mais ou menos isso. Tem 4 candidatos.
Esse é um quadro da disputa majoritária. E candidato a deputado federal tem mais ou menos 60 candidatos com chance de atingir a cláusula barreira. Eles têm chance de ter mais de 40.000 votos ou mais. A nossa presidente, a delegada Adriana Accorsi, que é deputada federal, está consciente que nós temos condições de lançar 18 candidatos a deputado federal. Dezoito candidatos a deputado da federação. Goiás terá 18 vagas.
Poder 360 – A federação espera eleger quantos deputados então?
Delúbio Soares – A Federação vai trabalhar para aumentar a bancada. Isso depende muito ainda de como vai ser o desempenho das campanhas majoritárias, nacionais. A campanha majoritária no Estado e o desenrolar a campanha.
Poder 360 – Como está a discussão sobre o candidato da federação ao governo de Goiás?
Delúbio – O PT sugeriu à federação o nome do ex-deputado estadual Luis César. Foi deputado por 4 mandatos, depois foi candidato a senador. E agora se colocou à disposição do partido, o partido sugeriu o nome dele para a federação, para os aliados e para o debate nacional, porque o Diretório Nacional do PT e a nossa federação gostam de dar palpite. Por enquanto, ele é o nome sugerido do PT de Goiás para a federação e para o Diretório Nacional.
Vamos aguardar. O Diretório Nacional não se posicionou ainda, não bateu o martelo. Tem muita gente que gostaria que a candidata ao governo fosse Adriana, muita gente gostaria que fosse a vereadora de Goiânia Aava Santiago (PSB). As duas por enquanto, têm declinado o convite. Se o Diretório Nacional sugerir, junto com os partidos que estão formando a base do governo federal, não teria problema em mudar o candidato. Mas nós estamos oferecendo este candidato para disputar a eleição.
Poder 360 – Há quem atribua essa indicação de Luis César Bueno ao senhor.
Delúbio – Olha, eu sou um filiado do Partido dos Trabalhadores. Sou candidato a deputado federal. Somente isso. O que as pessoas falam a meu respeito, eu não tenho condição de ficar contestando. Não vou contestar nada. Não afirmo que o Luís César é meu candidato. Ele é meu companheiro de batalha desde os anos 1980.
Poder 360 – Há alguma perspectiva de a aliança ir para além da esquerda? Porque todos os partidos citados para compor são de esquerda ou centro-esquerda.
Delúbio – Trabalhamos aqui para isso. Eu batalhei muito por uma aliança com o ex-governador Marconi Perillo, com a federação PSDB-Cidadania. O PT tinha um acordo com ele apoiando a candidatura do presidente Lula e nós o apoiaríamos aqui para governador. Discutimos isso até ele dar uma entrevista em um jornal aqui de Goiânia, dizendo que essa possibilidade estava difícil porque o PSDB nacional não concordaria com essa aliança. Ele é um homem de partido. Praticamente, a conversa encerrou ali.
Poder 360 – Isso foi quando?
Delúbio – No Carnaval deste ano, a gente conversou bastante. Eu venho conversando com o ex-governador Marconi desde 2021. Assim que o presidente Lula se tornou elegível, ele me procurou, nós conversamos sobre vários assuntos, perspectivas de aliança. Em 2022, não foi possível. Ele queria ser candidato a governador, nós pusemos apoio a ele, e depois ele desistiu e foi candidato a senador. Nós falamos para ele: ‘olha, se você quiser, na sua plataforma, apresentar apoio ao presidente Lula, nós retiramos a nossa candidata ao Senado, que é a Denise Carvalho (PC do B)’. E a Denise estava de acordo, toda a nossa federação estava de acordo.
Ele não concordou e falou: ‘não, eu vou fazer a campanha independente, tenho voto dos 2 lados’. Estava liderando bem as pesquisas. Aí, quando abriu as urnas, faltaram 175 mil votos para ele ultrapassar Wilder Morais, que é o atual senador. E a Denise teve quase 300 mil votos.
Matematicamente, [estaria eleito] se tivesse feito a aliança. Agora nós estamos falando com ele: ‘Se você defender o presidente Lula na sua campanha, nós o defenderemos aqui’. Porque o PT tem muito a oferecer, muita militância. E a militância, depois de um bom debate, acredito que concordaria na candidatura de Marconi Perillo. Mas como ele não quer defender Lula… Nós queríamos uma aliança formal.
Agora, ele disse que não vota nem em Ronaldo Caiado (PSD) nem no candidato Flávio Bolsonaro (PL). Não sei o que ele está aguardando, disse que vota no Lula. Ele, a família dele… ele fala isso abertamente para todo mundo. Não estou contando segredo para ninguém. Ele é um homem de partido. Se Aécio Neves (PSDB) for candidato, obviamente ele vai votar no Aécio, que é o partido dele. Então, não quer o nosso apoio, nós vamos trabalhar com quem quer ser candidato do nosso lado.
Poder 360 – Pelo que o senhor está me falando então, vocês desistiram de insistir com Marconi Perillo?
Delúbio – Os partidos têm as convenções. Vai para a convenção com uma opinião, mas pode mudar até o dia da convenção. Pode ter mudança daqui até a convenção. Tanto na nossa quanto na do PSDB, quanto na dos outros partidos. Acredito que não terá mudança pelo clima que nós estamos vivendo aqui no Estado.
Sempre quis formar um palanque forte do presidente Lula em Goiás, e nós vamos construir esse palanque com os partidos democráticos. Poderia incluir nesse processo o PSDB, o Cidadania, uma parte do MDB, uma parte de outros partidos conservadores, poderia. Mas o MDB tem um candidato aqui, o PL não dá para ter uma aliança, Vários partidos aqui de Goiás poderiam estar fazendo parte da nossa aliança, que fazem parte da aliança nacional, total ou parcialmente. O MDB faz parte do governo, o PP faz parte do governo, o União Brasil idem.
A gente tem que ter uma convivência harmoniosa com todas as pessoas, todos os partidos fazem parte do governo aqui também em Goiás.
Poder 360 – Conversa com o Republicanos? Ou não é possível?
Delúbio – É possível conversar, inclusive, com os filiados que não concordam com a decisão do partido local. Porque qualquer um desses partidos pode ter pessoas que apoiam o presidente Lula aqui em Goiás. Como disse, queremos aumentar o potencial dos votos do presidente Lula.
Poder 360 – A prioridade é essa então?
Delúbio – É a prioridade número 1. A prioridade número 2 é trabalhar para que o presidente Lula resolva essa eleição no 1º turno, que ele ganhe a eleição no 1º turno. Sou do pensamento que é possível, com a experiência que eu tenho na eleição nacional. O clima hoje para a campanha do presidente Lula é mais aceitável do que 3 anos atrás.
Também é possível melhorar a votação da nossa chapa de deputados. Com a chapa de deputados estaduais, é a mesma coisa. Então, há um quadro, há um clima melhor para a nossa candidatura.
Aqui, vamos ter três candidatos a disputar voto: você tem o candidato da extrema-direita, dos conservadores, Flávio Bolsonaro. Tem outro conservador também, Ronaldo Caiado, e o presidente Lula, a candidatura de centro-esquerda. E se tiver mais candidato, o Romeu Zema (Novo), o candidato do Missão [Renan Santos]…
Poder 360 – Ainda sobre a questão envolvendo o candidato do PT ao governo de Goiás: quando foi a última vez que o senhor conversou com Edinho Silva? O senhor conversa toda semana com ele?
Delúbio – Não, quem conversa toda semana com ele é a presidente do partido em Goiás. Eu só sou candidato a deputado. Tenho que cuidar sabe de quem? Dos eleitores. É a Adriana que conversa com Edinho. E as decisões que ela encaminhar, eu voto com a relatora. Eu já estou com o espírito do Congresso.
E se o PT nacional tomar uma decisão, o Edinho tomar uma decisão, voto com o relator também. Não tem nenhum problema quanto a isso. O partido tem que ter unidade nessa direção.
Poder 360 – Mas eles deram prazo para definir quem vai ser o candidato?
Delúbio – Não, não tem prazo. Estão discutindo. Quer dizer, até as convenções, mas por enquanto é a pré-candidatura de Luís César.
Poder 360 – Quando foi a última vez que o senhor esteve com o presidente Lula? Ele pretende gravar algum vídeo para o senhor?
Delúbio – Não pedi vídeo para ele porque é o seguinte: se ele decidir gravar vídeo para deputado, eu vou solicitar. O presidente tem que gravar vídeo para ele, eu quero elegê-lo. É importante eleger uma bancada grande. Minha relação com o presidente Lula é muito fraterna. Eu tenho encontrado com ele muito fraternalmente, mas não preciso ficar falando com o presidente toda hora para as pessoas acharem que eu tenho uma relação privilegiada. Eu não quero isso.
O presidente da República, e eu já falei isso na CPI, tem que ser amigo dos mais de 200 milhões de brasileiros. Sou amigo do presidente. Temos que acabar com esse negócio de amigos e inimigos. Na política não tem inimigo, nós temos adversários. Esse negócio de tratar a política no último período como foi tratada como inimigo, não leva a lugar nenhum. Em 2006, o maior adversário do presidente Lula era Geraldo Alckmin, que falou muita coisa dele. E o maior defensor do presidente Lula fora do PT era Valdemar da Costa Neto, presidente do PR na época. O que aconteceu? O maior defensor do presidente fora do PT é o presidente do partido que lidera a oposição ao presidente agora. Mas Valdemar não virou inimigo nosso. Não fiquei inimigo do Valdemar. Nós somos adversários políticos.
O ex-governador Geraldo Alckmin, que era o maior ferrenho de oposição a nós, hoje é um aliado firme do presidente Lula. É o vice-presidente e, aliás, está fazendo um excelente trabalho. Então, nós temos que tratar a política como ela é. Por isso que eu sou fã do Nelson Rodrigues. A política como ela é, não como eu gostaria que fosse. Essa política do ódio não leva a nada.
O ódio não constrói, só destrói as pessoas. Você ter ódio de uma pessoa é você tomar um veneno, que endurece o seu coração e atrapalha a sua mente, achando que seu inimigo vai morrer. Os antigos já diziam isso. Isso é bobagem. Não podemos ter ódio. Podemos ter divergência.
Podemos não concordar com as propostas, isso é natural da política. Nós não podemos ir nessa política que os ‘miolos de pote’ tentaram implementar de 2018 para cá, que foi a eleição do presidente ‘miolo de pote’ [em referência a Jair Bolsonaro], para não falar o nome.
Poder 360 – Como o senhor é um quadro histórico do PT, eu queria perguntar sobre um assunto que tem sido tema hoje na imprensa, como um todo, envolvendo o Banco Master e Jaques Wagner, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal. O senhor avalia que essa operação, tendo o líder do Governo como alvo, atrapalha a estratégia do PT de associar Flávio Bolsonaro ao caso? O que o senhor pensa disso?
Delúbio – Há uma operação em curso. Eu já vivi uma situação difícil, vamos chamar assim, delicada, né? Não, difícil, delicada. Quando você sobrevive, está vivo, está com saúde, bem, não importa as intempéries do tempo. Teve uma busca e apreensão hoje. Eu vi muito pouco, que eu estou desde cedo correndo. Estava em Anápolis para conversar com os amigos. Estou articulando e buscando novos amigos para a campanha, conversando com lideranças, vereadores e ex-vereadores. Trabalhando nessa direção.
Fui e vi as matérias, as manchetes de jornal. A operação do Banco Master tem que continuar. Tem que saber quem é quem, como é que vai fazer. Para mim, se tem gente vinculada ao nosso partido, as operações têm que esclarecer, têm que dar o direito ao contraditório, assim como estão dando o direito ao contraditório ao senador Flávio.
Então, para mim, não há nenhum problema. É natural da política. Eu que vivi duas grandes operações, que foram uma mentira contada. Esse caso do Banco Master é de outra natureza. A operação do Mensalão tinha nome, endereço e como foi feita a operação. Depois de muito tempo, foi esclarecida.
Ninguém queria que esclarecesse a denúncia do Roberto Jefferson, que era falsa. Ele fez uma denúncia falsa de que o PT usava R$ 30.000 para comprar deputados para votar com o PT. Isso não é verdade, ficou provado, não teve um documento que comprovasse isso, não teve um depoimento de nenhuma das testemunhas, tanto de acusação quanto de defesa, nem o réu denunciante perante o juiz. Ele disse que o dinheiro do PTB era para pagar dívidas eleitorais de campanhas do pleito anterior. Foi o que eu sempre falei, sempre mostrei isso, contei documento nas minhas alegações finais.
Meu advogado foi ao STF, que entendeu que a tese do Ministério Público é que ele devia julgar. E julgou e condenou a gente, condenou muitas pessoas. Eu digo para todo mundo: uma mentira contada várias vezes, ela não vira verdade, mas ela torna a vida difícil. No caso do Banco Master, são documentos que estão aparecendo. E quem estiver envolvido no Banco Master vai responder. Vai responder de acordo com a ação que tem, como todos temos o direito de responder.
E aí era um banco que pegou dinheiro do servidor, a maioria dos fundos de pensão e aplicou com vários políticos do Brasil. Todos os políticos que estiverem envolvidos, cada um vai responder da sua maneira. O Flávio vai responder de uma maneira, o Ciro Nogueira (PP) de outra. Agora, essa denúncia contra o Jaques Wagner, ele tem experiência, deverá saber como vai responder e todo mundo, cada um, vai responder. Seja quem for, de qualquer partido.
Se tem irregularidade, vai mostrar irregularidade. Aqui em Goiás também, o governo, as pessoas do governo estadual estão envolvidas. O candidato Marconi Perillo, a denúncia é que recebeu R$ 14 milhões. Ele alegou que foi contratado, prestou o serviço. Ter relação com o banco não é crime nenhum.
Qualquer político tem relação com o Itaú, tem relação com o Bradesco, com o Banco do Brasil, Caixa Econômica… todo mundo tem conta bancária. E aí as contas, cada um sabe o que fez. Essa operação, eu vejo falar pelos jornais. Não acompanho em detalhes porque eu não estou envolvido em nenhum processo. Para você ter ideia, eu fiquei 20 anos sem conta bancária. Eu ainda nem sei usar o cartão de crédito, eu estou reaprendendo essa modernidade. Não consigo usar o Pix. Até hoje eu não aprendi a pagar por Pix no celular. Minha conta foi restabelecida no começo do ano passado.
Consegui restabelecer meu direito político e a elegibilidade. Então, resolvi todos os meus problemas jurídicos. De lá para cá, eu nem sabia que existia o Banco Master. Só sabia de propaganda mesmo.
Não tive nenhuma oportunidade de conhecer o presidente do Banco Master [em referência a Daniel Vorcaro], porque eu estava fora da política. Esse banco era mais um banco político. Acho que todas as denúncias têm que ser apuradas e cada um responde de acordo com a legislação brasileira.
Poder 360 – O senhor avalia que Jaques Wagner deveria se afastar do cargo de líder do Governo no Senado para responder a essas questões?
Delúbio – As decisões são do senador e ele toma as que ele achar mais importante com a defesa dele. Jaques Wagner tem toda a minha solidariedade, mas ele vai responder. Eu não vi os argumentos dele, o que aconteceu, como foi. Ele é uma pessoa experiente, já foi deputado várias vezes, foi governador do Estado e é senador da República. Ele tem condição de responder e eu tenho plena confiança no senador Jaques Wagner.
Poder 360 – O PT emitiu uma nota também nessa linha de solidariedade a Jaques Wagner. Mas teve um congressista do PT que falou que ele deveria se afastar do cargo: o deputado Rogério Correia (PT-MG).
Delúbio – Não vou comentar a opinião de cada parlamentar. Porque ele também é parlamentar.
Poder 360 – Sobre as terras raras: Ronaldo Caiado chegou a assinar um memorando envolvendo os Estados Unidos.
Delúbio – Você acreditou nesse memorando, que era um memorando para valer? Isso é uma papagaiada do governador. Ele foi deputado federal várias vezes. Foi senador, foi governador e ele sabe que, sobre o subsolo brasileiro, a Constituição diz que é de responsabilidade da União. Ele não tem condição nenhuma de assinar nenhum memorando e os americanos sabem disso. Estive lá na Serra Verde, na mina, e todo mundo sabe que aquilo foi um gesto de propaganda para facilitar a pré-candidatura do ex-governador Ronaldo Caiado à Presidência.
Por parte da legislação brasileira, esse documento não vale nada, é um documento nulo. Não tem o menor respaldo jurídico. As pessoas mais conservadoras acham que falando, vira lei. Não tem aqueles que fizeram aquela confusão no 8 de Janeiro, achando que estavam com razão? ‘Nós fizemos isso para salvar o Brasil’. Salvar o Brasil de quê? O povo tomou uma decisão.
Quando nós perdemos a eleição, em 2018, eu estava lá em Curitiba. Não pude votar. Eu e outros. Inclusive o presidente Lula. Eu estava lá no CMP e o presidente Lula estava na Polícia Federal. Quando teve o resultado eleitoral, nós não reclamamos, não autorizamos ninguém a sair para a rua dizendo que não reconhece o resultado, que teve fraude. O nosso candidato a época, Fernando Haddad, reconheceu o resultado.
E agora fica com essa mentira, essa papagaiada com urna eletrônica. Quando ganha, serve. Quando elege senadores, serve. Mas quando elege o presidente da República que não é do gosto deles, não serve. E a mesma coisa fez o Ronaldo Caiado aqui com essa papagaiada. Ninguém acredita nisso.
A coisa que mais prejudica as pessoas no Brasil hoje são as fake news. Eu estou com aquele ditado antigo: uma mentira contada várias vezes não vira verdade, mas ela prejudica as pessoas. E a mentira não vive o suficiente para envelhecer. Uma hora ela é desmascarada. Foi desmascarada no Mensalão. Onde está o Joaquim Barbosa hoje, que era o todo poderoso daquela época com as mentiras que ele fez no julgamento? Julgando por capa de jornal, e não pelo conteúdo do processo.
Poder 360 – O julgamento do Mensalão foi uma farsa na sua visão?
Delúbio – Não tinha prova contra os condenados no Mensalão. A operação Lava Jato, a mesma coisa. O juiz da 13ª Vara de Curitiba [em referência a Sergio Moro], auxiliado pela Força Tarefa, pelo grupo da Polícia Federal, condenou várias pessoas e todas elas foram inocentadas pelos erros da operação. Tentaram desmoralizar o Brasil para vender o Brasil para os americanos.
Ali, aquele juiz tinha conluio com os americanos para acabar com a indústria naval brasileira, para acabar com a indústria nuclear brasileira e com as empresas da construção civil. Não sei se você viu aí a vergonha que nós passamos no contrato que o presidente Lula fez para construir o túnel Santos-Guarujá. Não teve uma empresa brasileira que tinha documentação para isso.
Tivemos que trazer uma empresa estrangeira para fazer aquele túnel que não é muito grande. Fizemos o Canal do Panamá, reestruturamos o Iraque, reestruturamos Lisboa, fizemos o aeroporto de Miami. O projeto de Três Gargantas, na China, foi feito pelas empresas brasileiras que têm especialização nisso [o Brasil forneceu conhecimento técnico].
Tentaram acabar com a nossa Construção Civil, que era uma das maiores do mundo e foi destruída na operação Lava Jato. Então, isso tudo nós temos que combater para não se repetir.
Poder 360 – O senhor falou em Joaquim Barbosa. O Democracia Cristã quer que ele dispute a Presidência. Como o senhor vê essa pré-candidatura?
Delúbio – Não estou vendo nem os eleitores, tanto é que está alto nas pesquisas, né? Li pelo jornal. Agora, esse ex-ministro é um desqualificado. Eu ajudei, batalhei muito para ele ser indicado e depois ele cometeu aquele erro jurídico. Ele renunciou por um erro jurídico. Você já viu um presidente do STF renunciar à presidência e pedir aposentadoria?
Inclusive os juristas de direita, como o Ives Gandra, falaram que ele estava errado, mas não reconheceu o erro. Perdeu por 10 a 1. Ele pegou, renunciou. Igual ao desenho animado da Pantera Cor de Rosa, saiu pela direita. Ele saiu pela porta dos fundos do STF, correu, foi morar em Miami, e agora diz que está voltando.
Quero ver se ele volta mesmo e disputa as eleições, participa dos debates. É bom todo mundo saber quem é Joaquim Barbosa, que tinha um currículo espetacular. Sugerimos ao presidente Lula para que ele fosse o nosso ministro. O presidente não queria anunciar um afrodescendente, mas o nomeou e depois ele fez tudo o que fez de errado, perseguição política, chamado hoje de lawfare.
O ex-juiz da 13ª Vara de Curitiba copiou todos os erros do Mensalão e aplicou na Lava Jato. Aí quebrou a indústria nacional, a indústria de base, quebrou a indústria naval e botou gente na cadeia, injusta e ilegalmente, além de aplicar multa.
Fui condenado novamente na Lava Jato e a minha condenação é esdrúxula. Fiquei 2 anos em Curitiba: um ano no regime fechado e outro ano de tornozeleira. Eu recorria, recorria, o STF não tomava nenhuma providência e quando começa a tomar, decidiu que não podia ser preso em 2ª instância. Saio em liberdade no mesmo dia que o presidente Lula. Em 2024, consegui provar que todas as minhas condenações do Mensalão tiveram erros.
Eu vou pedir revisão criminal após o período que eu achar necessário, inclusive deixei um documento com a minha neta para que, se eu morrer e não pedir, ela possa pedir revisão criminal do Mensalão. Outros que foram condenados no Mensalão também vão pedir. Mas, no momento, temos que aguardar a distensão, baixar a temperatura.
Três ou quatro anos atrás, o ministro Dias Toffoli deu uma declaração que sabia que pessoas eram inocentes, mas tinha que condenar para diminuir a pena. Outros ministros também disseram que julgaram com pressão da imprensa. Tudo isso leva à nulidade do processo porque julgaram por capa de jornal. Não tinha uma prova. Você já viu um processo criminal que não olha o relatório da Polícia Federal? Mais de 200 mil folhas. ‘Não teve compra de voto’, foi a conclusão da PF. Se tivesse crime, tem a Justiça Eleitoral para isso. Mas o Supremo Tribunal Federal estava impactado pelas notícias.
Todos os demais crimes imputados a mim, que eram 144 processos, eu fui inocentado de todos e hoje estou à disposição da população de Goiás para essa eleição. Onde estamos hoje? José Dirceu, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e outros. Onde está o Roberto Jefferson? Os denunciados estão aqui colocando a cara para discutir com a população. E onde está o denunciante? Escondido. E quando a polícia vai atrás dele, ele atira na polícia.
Ando aqui em Goiás, em tudo quanto é lugar. E vou nos lugares onde o povo fala que é bolsonarista. Ninguém me xinga, ninguém me ataca. Tem uns que olham com cara feia. Cara feia não tem nenhum problema, mas ninguém me ofende. Agora, há os provocadores, mas são a minoria. Não precisamos ter medo de andar na rua. Andamos na rua de cabeça erguida.
Aliás, quero te falar: quando nós saímos da cadeia, um advogado cedeu a casa dele para a gente fazer um jantar de comemoração. Era 2019. Ele [Lula] saiu lá da Polícia Federal e eu estava tirando a tornozeleira. Lá, o presidente Lula falou comigo: ‘Delúbio, você que tem mais experiência que eu de sair da cadeia, o que é que nós vamos fazer?’ Eu falei para ele que só tinha um caminho, que era andar de cabeça erguida, ouvir e conversar com as pessoas. Estávamos eu, ele, a Janja e a Mônica [Valente, mulher de Delúbio].
Poder 360 – O senhor citou Joaquim Barbosa. Em 2022, ele anunciou o apoio a Lula na eleição contra o então presidente, Jair Bolsonaro.
Delúbio – Isso é problema dele. Eu não tenho raiva nem ódio de ninguém, mas eu não convidaria Joaquim Barbosa para jantar na minha casa.
Poder360 – Pelo que o senhor me falou, então, no seu entendimento, o modus operandi da Lava Jato é “filho” da atuação de Joaquim Barbosa no Mensalão?
Delúbio – É filho, neto e bisneto do Mensalão, de toda atrocidade do Joaquim Barbosa, que levou o STF àquela condução. Se você perguntar a qualquer ministro que atuou naquela ação, vai ver o exagero que foi. Os que estão na função não podem falar isso hoje, mas vão falar depois dos 75 anos de ação. Eu tenho certeza, porque ministro que já está no cargo, que é o Toffoli, admite que votou sabendo que estava condenando inocente, mas tinha que diminuir a pena.
Poder360 – Lembra quando foi julgado? Como é que foi o espetáculo?
Delúbio – O espetáculo de manhã, à tarde e à noite. Todos os meios de comunicação respaldando. Não tinha como a gente não ser condenado. Infelizmente, eu fui condenado. Paguei a pena, cumpri todas as decisões do STF. Acredito na Justiça. Posso discordar da ação das pessoas que operam na Justiça, dos homens que participam do Judiciário. Ainda bem que o Judiciário, de um tempo para cá, começou a mudar de concepção. Mas foi um período longo, um período difícil para nós.
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Gilson defendeu que a alternativa mais viável seria o apoio à governadora Raquel Lyra (PSD), que, segundo ele, reúne melhores condições de competitividade eleitoral. “Eu, Gilson Machado, como também Gilson Filho, nós vamos apoiar Raquel Lyra. Não tem jeito. Nós já fizemos isso daí em 2022. E o grosso do bolsonarismo, a maior parte da direita ficou com a Raquel”, declarou.
Ao avaliar o cenário político, o ex-ministro disse que as pesquisas indicam uma recuperação da governadora nos últimos meses e atribuiu o movimento ao desgaste da gestão de João Campos. Ele também criticou a administração do ex-prefeito do Recife, citando obras inacabadas e aditivos contratuais.
A entrevista aconteceu antes da apresentação de Gilson Machado em Caruaru com o Forró da Brucelose, que, segundo ele, chegou à 92ª participação no São João da cidade e mantém 32 anos consecutivos de apresentações na festa.
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Por Maysa Sena
Do Blog da Folha
O presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, afirmou que uma eventual aliança com a governadora Raquel Lyra para as eleições de 2026 dependerá do apoio dela à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República. Em entrevista ao Blog da Folha, o dirigente destacou que a principal prioridade da legenda em Pernambuco é fortalecer o projeto político do parlamentar e que qualquer composição eleitoral passará por esse objetivo.
“A nossa prioridade é o Flávio Bolsonaro. E a prioridade seria alguém que também declarasse apoio a Flávio. Então, automaticamente, se declara apoio a Flávio, tem o apoio do PL. Isso é indiscutível. Se não há essa declaração, a gente tem que construir o melhor caminho para Flávio”, declarou.
Leia maisAnderson também reafirmou que o PL não pretende caminhar com partidos alinhados ao PT, como o PSB, mas indicou que a relação com Raquel Lyra dependerá da construção política para 2026.
Ainda segundo ele, ainda não há definição sobre a participação do PL na chapa majoritária, mas as decisões devem avançar até o fim deste mês.
“Estamos tentando reunir toda a tropa, mas isso sempre passa pela anuência da direção nacional. O que está sendo discutido aqui também está sendo discutido em Brasília”, afirmou.
Anderson explicou que as conversas envolvem lideranças estaduais e nacionais do partido, incluindo o senador Flávio Bolsonaro e o secretário-geral do PL, Rogério Marinho. De acordo com ele, o foco é construir a melhor estratégia para fortalecer o palanque da legenda em Pernambuco.
O dirigente ainda destacou o peso político da legenda no estado e afirmou que o partido pretende exercer protagonismo nas definições eleitorais. “O PL sabe o tamanho que tem. Nós temos o maior tempo de televisão, uma bancada forte e um exército orgânico. A direita sempre foi decisiva nas eleições em Pernambuco”, concluiu.
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Por Heron Cid
Do portal MaisPB
Muito antes do cantor Xand estourar com seus “Aviões”, Marizópolis já voava baixo nas “Asas do Forró”. A banda não tinha o potiguar Alexandre, mas nosso Manoel Baco-Baco chegou chegando. Na companhia de Beé no vocal, botavam para torar.
Menino, fiquei animado quando soube que a estreia da atração local seria num recanto do Pau de Leite, ainda de chão batido. À noite, desci a ladeira da “rua” e me bandeei para matar a curiosidade.
Leia maisDa principal do bairro, quebrei para a direita e o beco já estava entupido de gente. No barracão armado de estaca e decorado de palha de coco, a turma dançava e levantava poeira e o mormaço do piso de barro aguado.
O ritmo era o da bateria empolgada de Naim. A cada virada o prato do instrumento só faltava chorar. E o som dos acordes apurados da sanfona de Jurandir, o nosso ás da região, embalava a noite.
Enquanto a bandinha fazia a tábua do meio gemer, o suor dos forrozeiros pingava do rosto para dentro das calças e a saia das moças ficavam teimando em subir. Era uma mão nos ombros do cavalheiro e a outra segurando a roupa no perigo da meia luz.
Nos arredores, barracas de espetinho, cachorro mais frio do que quente, salgados e vendas de bebidas: cachaça para endoidar meio mundo de bêbado, rum para quem podia pagar e guaraná para quem não podia beber coisa mais quente.
O forró tinha hora pra começar e só terminava quando o dia amanhecesse, o calçado do matuto torasse ou o povo cansasse. Ou, se Tita e Totonho arrumassem alguma briga que obrigasse a polícia a sair no tapa e acabar a folia. O que não era muito difícil acontecer.
Um dia as “Asas do Forró” bateram as suas e se espalharam com o tempo. Mas a existência daquela simpática banda ainda voa nos meus pensamentos quando eles pousam no ninho das melhores lembranças de São João.
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No Nordeste, a expressão popular “pisar em rastro de corno” é usada para definir quem está dando azar, fazendo papel de bobo ou se metendo em uma situação constrangedora. E é exatamente essa a impressão que o deputado Túlio Gadêlha tem transmitido ao insistir, em suas redes sociais, na tese de que o presidente Lula não teria manifestado de forma espontânea seu apoio ao prefeito João Campos.
A narrativa chama atenção por desconsiderar a trajetória política de Lula. Com mais de quatro décadas de vida pública, o presidente acumulou experiência suficiente para conduzir suas manifestações políticas de acordo com suas próprias avaliações e estratégias. Nesse contexto, sustentar que uma declaração pública de apoio decorreu apenas de influência externa acaba soando, no mínimo, como uma leitura ingênua dos fatos.
Ao insistir nesse discurso, Túlio Gadelha parece reforçar uma narrativa que pouco encontra respaldo na realidade política e acaba se colocando em uma posição desconfortável. No fim das contas, a insistência pode produzir o efeito contrário ao pretendido: em vez de enfraquecer seus adversários, expõe sua própria dificuldade em compreender a dinâmica das decisões políticas e alimenta a percepção de que continua, politicamente, “pisando em rastro de corno”.
Uma entrevista concedida por Jaques Wagner horas depois de ser alvo de uma operação da Polícia Federal mudou o clima político em Brasília. A pressão pela saída do senador da liderança do governo no Senado aumentou nas últimas horas. A primeira avaliação no governo era de que qualquer mudança na liderança ocorreria de forma gradual, sem associação direta com as investigações do Caso Master.
Mas uma entrevista de Jaques Wagner mudou o cenário. Auxiliares de Lula informam que o presidente ficou contrariado depois de prestar solidariedade a Wagner e ver o senador revelar a existência do telefonema. As informações são do Jornal da Record.
Integrantes do governo afirmam que já houve a construção de uma saída honrosa para Wagner. Mas as declarações do líder criaram um constrangimento. A expectativa agora é de que o próprio senador coloque o cargo na liderança à disposição.
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu a aplicação da lei sem distinção política ao comentar a operação da Polícia Federal. Já a deputada e ex-ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse acreditar na inocência do senador, mas que ele deverá responder à justiça caso sejam comprovadas irregularidades.
Por Lauro Jardim
Do jornal O Globo
Não foi só no fim de novembro de 2025 que Flávio Bolsonaro se reuniu com Daniel Vorcaro, num encontro assumido pelo Zero Um, que foi à casa do banqueiro em São Paulo para, segundo ele, “dar um ponto final” nas negociações em torno do financiamento de R$ 134 milhões para o filme “Dark horse”. Houve outras conversas presenciais.
Pelo menos uma delas ocorreu ainda no primeiro semestre do ano passado. O local foi a mansão que Vorcaro alugava em Brasília. Foi um encontro a dois. Tratava-se, portanto, de uma casa eclética em matéria de convidados.
O imóvel chegou a receber também Alexandre de Moraes, algoz do pai de Flávio.
A pré-candidata ao Senado, Marília Arraes, registrou neste domingo (21), os 22 anos da morte de Leonel Brizola. Em um texto marcado pela emoção e pelo reconhecimento histórico, ela destacou a importância do ex-governador para a democracia brasileira, a defesa da educação pública e das causas populares.
Na homenagem, Marília também relembrou a relação política e de respeito mútuo entre Brizola e Miguel Arraes, duas das principais lideranças do campo democrático e progressista do país. Na avaliação de Marília, o legado construído por ambos continua inspirando sua trajetória pública e sua forma de fazer política, baseada no compromisso com a justiça social, a educação e a defesa dos que mais precisam.
Ao recordar a história compartilhada entre Brizola e Arraes, Marília reafirmou que os valores defendidos pelos dois líderes permanecem atuais e seguem orientando sua atuação política, especialmente em um momento em que o Brasil volta a discutir os rumos da democracia e do desenvolvimento nacional.
A governadora Raquel Lyra esteve presente, ontem (20), no segundo dia de festas do São João 2026 de Limoeiro, Agreste Setentrional. O município conta com apoio do Governo do Estado para a realização do evento. Acompanharam a governadora o deputado federal Túlio Gadêlha; o prefeito de Passira, Severino Silvestre; e o ex-deputado federal Ricardo Teobaldo.
“O São João é uma festa linda, carregada de emoção, famílias e cultura. Cada vez que venho a Limoeiro, me surpreendo com o tamanho da festa e a alegria do povo. Destaco que esse é o São João mais seguro da nossa história. Temos lançamentos de efetivo em todos os grandes polos de animação e não podia ser diferente aqui em Limoeiro”, afirmou a governadora Raquel Lyra.
Leia maisDurante a visita, a chefe do Executivo estadual caminhou pela Rua da Alegria, principal palco da festa. A noite de ontem contou com shows de Felipe e Gabriel, Claudia Lauterea e Jorge de Altinho. O evento começou na última sexta-feira (19) e segue até o próximo domingo (28).
Recepcionando a governadora, o prefeito de Limoeiro, Orlando Jorge, falou da expectativa da festa na cidade. “Nossa cultura popular se reveste na Rua da Alegria, no São João mais alegre de Pernambuco. Estamos muito felizes com o nosso povo curtindo a festa, com a presença de nossos visitantes e com o apoio do Governo do Estado, que nos prestigia em todas as áreas, e no São João não seria diferente”, declarou o gestor municipal.
Na segurança, até o dia 28, serão 274 lançamentos operacionais, reunindo tecnologia e reforço no policiamento. Além do aumento dos lançamentos, o planejamento da segurança inclui monitoramento aéreo com drones, ampliação do efetivo nas ruas, fiscalização nas rodovias e ações preventivas voltadas à preservação da ordem pública e da segurança viária ao longo da programação festiva.
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Do Blog da Folha
O pré-candidato a governador João Campos (PSB) voltou ao Sertão do Pajeú, na noite de ontem (20), para prestigiar o Arraial do Distrito São João do Barro Vermelho, em Serra Talhada.
Acompanhado da prefeita Márcia Conrado (PT) e de outras lideranças, ele percorreu as ruas da localidade, acompanhou uma apresentação de quadrilhas juninas e destacou a agenda como um símbolo da presença que pretende ter, como governador, nos lugares distantes das sedes dos municípios.
“São João do Barro Vermelho respira cultura e é reconhecido por fazer uma das festas juninas mais tradicionais em áreas rurais no nosso estado. O povo daqui é muito acolhedor, amoroso, mas também vivencia muitos desafios pela distância da sede de Serra Talhada, pelo acesso em estrada de barro. Estar aqui é um símbolo do nosso compromisso em fazer um governo que vai trabalhar para todo mundo, mas que vai se preocupar ainda mais com o pequeno, em chegar junto, em dar apoio aos municípios e se fazer presente não só nos grandes centros, mas também nos lugares mais afastados”, disse.
A agenda foi acompanhada pelo pré-candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), pelo deputado federal Pedro Campos (PSB), pelo pré-candidato a deputado estadual Breno Araújo (PT), pelo pré-candidato a deputado federal Charlles de Tiringa (PSB), pelo prefeito de São José do Belmonte, Vinicius Marques (PSB), e outras lideranças.
Por Estadão Conteúdo
O governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conseguiu reduzir para 38% a sua avaliação negativa (ruim ou péssima) – um ponto porcentual a menos do que no último levantamento -, mas manteve os patamares de aprovação (ótimo e bom) em 32%, mostra pesquisa Datafolha publicada ontem (20).
Outros 29% avaliam como regular a gestão petista e um 1% não soube responder à pesquisa. O resultado demonstra estabilidade do governo federal, que preservou os mesmos patamares da última pesquisa divulgada no dia 13 de maio deste ano.
Leia maisO instituto ouviu, presencialmente, 2.004 eleitores, nos dias 17 e 18 de junho. A confiança no levantamento, realizado em pontos de fluxo populacional, é de 95%, e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-09956/2026.
Aprovação x reprovação
O Datafolha também questionou os entrevistados se aprovam ou desaprovam o terceiro mandato do presidente Lula. Os resultados mostram equilíbrio: 48% dizem aprovar o atual governo, enquanto 49% reprovam. No último levantamento realizado em maio, a reprovação era um ponto porcentual inferior (48%). Já a aprovação manteve o mesmo desempenho.
Intervalo marcado por discussões relevantes
O intervalo de um mês entre as duas pesquisas foi marcado por discussões relevantes envolvendo o governo federal. No final de maio, a Câmara dos Deputados aprovou o Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1 — pauta encampada pelo governo Lula, que chegou a enviar um projeto de lei em regime de urgência para tratar do tema.
No ínterim entre as duas pesquisas, o governo ainda entregou outras políticas públicas de apelo popular, como o crédito para trabalhadores de aplicativo e o programa Brasil Contra o Crime Organizado, que investiu R$ 11 bilhões no combate às facções criminosas.
Em âmbito internacional, o governo se viu às avessas na relação com os Estados Unidos, que impôs novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, contrariando a posição do Itamaraty e atendendo os interesses do principal adversário de Lula nas eleições deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Comparação com mandatos anteriores
O instituto questionou os entrevistados se o terceiro mandato de Lula é melhor, pior ou igual às suas duas gestões anteriores, entre 2003 e 2010. Somente 5% veem o atual governo como muito melhor que os anteriores, enquanto 27% consideram melhor.
Para 25% dos entrevistados, o governo Lula 3 é pior, e muito pior para outros 19%. O porcentual de 21% avalia como igual o desempenho das três gestões e 3% não soube avaliar.
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Roraima realiza, neste domingo (21), uma eleição suplementar para escolher governador e vice-governador. São 384.582 eleitores aptos a votar das 8h às 17h em 350 locais de votação distribuídos pelos 15 municípios do Estado. O mandato em disputa vai até 5 de janeiro de 2027. A eleição foi determinada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) depois da cassação do governador Edilson Damião (União Brasil).
Com a saída de Damião, o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Soldado Sampaio (Republicanos), assumiu interinamente o governo até a definição dos novos gestores pelo voto popular. As informações são do Poder360.
Leia maisAs seções eleitorais somam 1.483 unidades, distribuídas em nove zonas eleitorais que atendem aos 15 municípios do Estado. Boa Vista concentra 229.509 eleitores, o equivalente a quase 60% do total. Rorainópolis aparece em seguida, com 22.606 eleitores, e Cantá registra 17.254 aptos. São João da Baliza tem o menor colégio eleitoral do Estado, com 5.556 eleitores, o equivalente a quase 60% do total.
Rorainópolis aparece em seguida, com 22.606 eleitores, e Cantá registra 17.254 aptos. São João da Baliza tem o menor colégio eleitoral do Estado, com 5.556 eleitores.
As chapas na disputa
Três chapas concorrem ao governo de Roraima. Sampaio disputa a eleição ao lado de Tayla Peres (Republicanos). Nelita Frank (PT) tem Bartô Macuxi (PSOL) como candidato a vice. Arthur Henrique (PL) e Subtenente Velton (PL) participam do pleito em situação sub judice, ou seja, está em análise pela Justiça e ainda não teve decisão definitiva. A chapa foi barrada por descumprimento da regra de desincompatibilização e aguarda o julgamento de recursos.
O voto é obrigatório. Os eleitores que não comparecerem às urnas nem justificarem a ausência estão sujeitos a multa e a outras penalidades previstas na legislação eleitoral.
Entenda
As eleições suplementares em Roraima foram convocadas após o TSE cassar, em 30 de abril, o mandato do então governador Damião e determinar a realização de um novo pleito. Sampaio, então presidente da Assembleia Legislativa, assumiu o governo interinamente.
A data das eleições suplementares foi fixada com pouca antecedência, e os interessados em disputar seguiram uma decisão do TRE-RR que fixou prazo de desincompatibilização em 24 horas, de acordo com jurisprudência da Justiça Eleitoral. Esse prazo define quando ocupantes de cargos públicos devem deixar suas posições para concorrer à eleição.
No entanto, em 27 de maio, Dino cassou o acórdão do TRE-RR e determinou que a Corte eleitoral local reexaminasse o calendário da eleição suplementar e adotasse as regras gerais de desincompatibilização – 3, 4 ou 6 meses.
Isso beneficiou Sampaio, filiado ao Republicanos, partido que acionou o Supremo contra a regra fixada pelo TRE-RR. Ele tem apoio do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido do ex-senador Romero Jucá.
Por outro lado, a medida prejudicou Arthur Henrique, que era prefeito da capital do Estado, Boa Vista, havia renunciado ao mandato no prazo fixado pelo TRE local para concorrer ao governo e aparecia bem posicionado nas pesquisas.
Na mesma situação ficou Antônia Pedrosa (PT), professora e funcionária pública, que se afastou de vínculos municipal e estadual dentro do prazo fixado pelo TRE-RR e foi impedida de concorrer. Em 1º de junho, o PT anunciou a substituição de Pedrosa pela socióloga Nelita Frank, mas a legenda tem pouca força eleitoral no Estado. O PL decidiu não indicar um substituto. Arthur Henrique segue fazendo campanha e terá seu nome na urna, mas deve ter seus votos anulados se a decisão de Dino prevalecer.
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