Clique aqui e ouça o Frente a Frente de hoje. Programa ancorado por este blogueiro e transmitido pela Rede Nordeste de Rádio. Ao clicar no link, o leitor deve selecionar a opção “ouvir pelo navegador”.
Clique aqui e ouça o Frente a Frente de hoje. Programa ancorado por este blogueiro e transmitido pela Rede Nordeste de Rádio. Ao clicar no link, o leitor deve selecionar a opção “ouvir pelo navegador”.
A convenção da governadora Raquel Lyra (PSD) não trouxe nenhum fato novo a não ser a presença de Eduardo da Fonte (PP), que já era esperada desde ontem (1º), quando veio a público a escolha dele como candidato a senador na chapa governista em lugar do ex-prefeito Miguel Coelho (União Brasil). O evento não apresentou nenhuma adesão de partido político ou declaração de apoio de dissidentes de palanques adversários. Em sentido contrário, porém, chamaram atenção as ausências.
Uma das faltas mais emblemáticas foi a do senador Fernando Dueire (PSD). Após meses comparecendo a eventos de Raquel e tendo a esperança de reeleição alimentada por ela de forma pública, ele acabou preterido na chapa e não compareceu à convenção estadual do seu próprio partido, o que expõe possíveis fraturas após o desfecho do processo.
Leia maisMiguel Coelho até foi citado na convenção, mas também levou falta. Seus irmãos, o deputado federal Fernando Filho (União Brasil) e o deputado estadual Antônio Coelho (União Brasil), chegaram a fazer postagens anunciando o evento de Raquel há três dias, antes da notícia da escolha dela por Eduardo da Fonte. Neste domingo (2), nenhum deles esteve na convenção.
Aliados dos Coelho deram meia-volta, a exemplo do prefeito de Surubim, Cléber Chaparral (União Brasil), e da esposa, a candidata a deputada federal Juliana de Chaparral (União Brasil), que estiveram no Recife ontem, mas, frustrados, já voltaram para o Agreste. Foi o caso também de vereadores de Petrolina, como Maria Elena Alencar, que gravou vídeos fazendo desabafos contra Raquel na estrada de volta ao Sertão.
O prefeito Simão Durando (União Brasil), de Petrolina, principal reduto do grupo e quinto maior colégio eleitoral do estado, também não compareceu. Já o prefeito Evilásio Mateus (PDT), de Araripina, que condicionava o voto em Raquel à presença de Miguel na chapa dela, tomou uma posição ontem mesmo, viajou ao Recife e declarou apoio ao candidato a governador João Campos (PSB) durante a convenção da Frente Popular de Pernambuco.
Leia menos
Por Jaime Badeca
Observando a cena política pernambucana, percebemos o movimento da governadora trazendo, numa guinada à direita, o deputado Túlio Gadelha para o seu partido, PSD, e, com isso, tentando atrair a neutralidade do presidente Lula nas eleições de Pernambuco. As expectativas da governadora não se confirmaram. O presidente Lula vem enfatizando e reiterando o apoio ao ex-prefeito do Recife, João Campos, filho de Eduardo Campos, seu aliado histórico, e neto do mito Miguel Arraes.
Foi um erro de percepção e avaliação da governadora achar que o deputado Túlio, sem desmerecê-lo, reunisse essas credenciais, essa história e essa força política para tanto. Com isso, a governadora queimou o cartucho de uma preciosa vaga para acomodar duas grandes lideranças, Dudu da Fonte e Miguel Coelho, ancorados, ambos, na força política da Federação União Progressista e em todo o seu tempo de TV e fundo eleitoral.
Leia maisEis que a roda da política gira: Marília Arraes, candidata ao Senado pela Frente Popular, endossada por João e demais pares, faz um movimento em direção ao ex-senador Fernando Bezerra Coelho, filiado ao MDB, no sentido de tê-lo como companheiro de chapa, o que me parece, caso seja aceito o convite, a consolidação da perspectiva de vitória não só de Marília, mas também de toda a chapa majoritária da Frente Popular de Pernambuco.
Como dizia Euclides da Cunha em Os Sertões, “o sertanejo é um forte”.
Leia menos
Candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente, Gilson Machado e Gilson Filho participaram, neste domingo (2), da convenção partidária que oficializou a candidatura de Raquel Lyra ao Governo de Pernambuco. Os dois deixaram o PL e se filiaram ao Podemos, partido que integra a aliança da governadora.
Gilson Machado afirmou que tentou viabilizar uma candidatura própria da direita ao governo estadual enquanto estava no antigo partido. “Eu gostaria de um candidato da direita para o Governo do Estado, tentei enquanto estava no PL, mas nada foi levado adiante dentro do partido. Aqui no Podemos, eu somo e fortaleço a direita, missão que me foi confiada por Bolsonaro”, disse. Segundo ele, a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, também apoia a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Vereador do Recife, Gilson Filho justificou a adesão à candidatura de Raquel com críticas ao PSB e à gestão municipal. “Quero longe do Governo de Pernambuco candidato que já abriu a boca para dizer que, aqui no estado, bolsonarista não se cria”, afirmou.
O presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD) e candidato a vice-presidente da República na chapa liderada por Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, afirmou que Raquel Lyra está entre as lideranças que ajudam a fortalecer a candidatura do goiano e disse que a governadora reúne eleitores de Lula, Bolsonaro e, “principalmente”, de Caiado. Em crítica ao próprio partido, classificou como “uma excrescência da democracia brasileira” a existência de siglas que, no primeiro turno, apoiam candidatos de outras legendas.
Lula encerrou a convenção nacional do PT com uma convocação à militância para a disputa eleitoral e um alerta contra o retorno da extrema direita ao poder. “Governar é decidir. E toda vez que você toma uma decisão, tem que escolher um lado”, disse. Ao fazer um balanço de suas gestões, o presidente pediu desculpas pelos erros cometidos e pelas coisas que não foram feitas, mas sustentou que o atual governo “entregou mais do que prometeu e vai entregar muito mais”. Antes de deixar o palco, chamou dirigentes, parlamentares e candidatos para o ato marcado para o dia 16, no estádio da Vila Euclides, em em São Bernardo do Campo (SP).
Ainda em discurso de tom emocionado, a governadora Raquel Lyra (PSD) também levou ao palco da convenção deste domingo (2) uma das policiais militares aprovadas no concurso da corporação, para destacar os investimentos do programa Juntos pela Segurança e a formação de novos PMs. Ao apresentar a agente, uma das mais de 7 mil nomeadas para a área de segurança, Raquel aproveitou para relembrar sua virada nas pesquisas. “A única virada que verdadeiramente importa de a gente falar é virar o jogo da sua vida”, disse.
Ao defender um novo mandato, Lula criticou o atual modelo de financiamento das legendas e disse sentir falta da época em que o PT dependia da mobilização dos filiados para manter suas atividades. “Eu preferia o meu partido quando a gente tinha que vender uma camiseta para arrumar dinheiro, para colocar gasolina”, comparou. Para o petista, o fundo partidário “está levando os partidos à promiscuidade” e fazendo com que todos se tornem iguais. Lula também questionou congressos partidários que chegam a movimentar “até R$ 1 bilhão por ano, sem prestar contas ao povo brasileiro”, enquanto o Executivo precisa cortar recursos de escolas e programas de saúde. “Há uma inversão que nós precisamos mudar. A minha quarta Presidência é para mudar muita coisa neste país”, concluiu.
Ao comentar as regras da campanha eleitoral, Lula reconheceu que antecipou um pedido de votos durante a convenção do PT realizada na Bahia e brincou que poderá ser punido por isso. “Eu vou ser multado pelo que falei na Bahia. Não pode pedir voto. Eu não devia ter pedido, só pode depois do dia 15”, disse.
Em um dos momentos mais pessoais do discurso, Lula contou que quase desistiu da primeira disputa presidencial após ver uma pesquisa indicar queda de 3% para 2,75% nas intenções de voto. O petista disse que o resultado o levou a cogitar entregar a candidatura à então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina. “Eu estava para desistir da campanha de 89. Vocês não têm noção do que é sofrimento”, afirmou.
