Clique aqui e ouça o Frente a Frente de hoje. Programa ancorado por este blogueiro e transmitido pela Rede Nordeste de Rádio. Ao clicar no link, o leitor deve selecionar a opção “ouvir pelo navegador”.
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Se o leitor não conseguiu assistir a exibição ao vivo do podcast ‘Direto de Brasília’ com o cientista de dados, publicitário, empresário e pesquisador Alek Maracajá, clique no link abaixo e confira. Está imperdível!
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) publicou um vídeo nas redes sociais nesta segunda-feira (31) em apoio à governadora e candidata à reeleição em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). A manifestação ocorre após ataques contra a governadora feitos por meio de cartazes apócrifos distribuídos durante a campanha eleitoral.
Mais cedo, o candidato a vice na chapa do PL, o deputado Alfredo Gaspar (PL-PB) também gravou um vídeo em apoio a candidata do PSD ao governo do estado. As informações são do Diario de Pernambuco.
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Na publicação, Flávio prestou solidariedade a Raquel Lyra e à família dela. “Prezada Raquel Lyra, minha solidariedade a você e à sua família por esses ataques baixos que vocês sofreram em Pernambuco. A gente se falou uma vez na vida, muito rapidamente, no aeroporto. Então, esse vídeo não é sobre política, é sobre o mínimo de respeito, de civilidade que todo mundo deveria ter, inclusive dentro de uma campanha eleitoral”, afirmou.
No vídeo, o candidato reconheceu ter tido apenas um contato rápido com a governadora, mas disse ter decidido se manifestar em razão da gravidade dos ataques ocorridos durante a campanha.
A manifestação de Flávio se soma a uma série de apoios do campo bolsonarista a Raquel Lyra em Pernambuco, entre eles o do candidato ao Senado Mendonça Filho (PL), do candidato a deputado federal Gilson Machado (PL) e, mais recentemente, Alfredo Gaspar.
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O podcast ‘Direto de Brasília’ de hoje, meu projeto em parceria com a Folha de Pernambuco, será com o cientista de dados, publicitário, empresário e pesquisador Alek Maracajá. Ele vai falar sobre o impacto das pesquisas eleitorais, se elas influenciam o eleitor, se a multiplicidade de institutos e levantamentos causam algum tipo de confusão na cabeça do eleitor e o impacto que recorte de pesquisas estão causando nas redes sociais.
Com formação e trajetória profissional voltadas à integração entre tecnologia, comunicação e análise de comportamento, Alek atua também como professor da ESPM e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde ampliou sua atuação para temas relacionados à inteligência artificial, ética e desinformação. É autor do livro ‘Brasil Digital nas Entrelinhas da Polarização Política’, resultado de pesquisas baseadas em grandes volumes de dados das redes sociais.
Na área profissional, Maracajá é CEO da Ativaweb e acumula experiência em análise de dados, redes sociais, comunicação e marketing político. Seu trabalho envolve o monitoramento e a interpretação de dados digitais para identificar tendências, comportamento de públicos, engajamento e circulação de narrativas. Ao longo da carreira, participou de estudos e projetos relacionados a campanhas eleitorais e comunicação política, consolidando-se como especialista na aplicação de Big Data à compreensão do comportamento político nas redes sociais.
O ‘Direto de Brasília’ vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas, a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras, na Paraíba, e a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid. Ainda a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado, além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
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A Frente Popular protocolou, nesta terça-feira (1º), um pedido de investigação complementar sobre a publicação de uma fotografia de um panfleto que menciona o marido da candidata ao Governo de Pernambuco Raquel Lyra. A solicitação foi encaminhada à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal e complementa um pedido apresentado no último domingo (30), quando a imagem começou a circular.
Segundo a Frente Popular, informações divulgadas pela imprensa relacionam responsáveis pelo perfil Bastidor.PE, no Instagram, a ocupantes ou ex-ocupantes de cargos comissionados no Governo de Pernambuco. O grupo afirma ainda que o perfil foi responsável por publicar a única fotografia localizada do panfleto sem assinatura e pede que sejam apuradas eventuais ligações dos responsáveis pela página com o Governo do Estado.
No pedido, a Frente Popular também informa que realizou uma varredura na cidade e não encontrou exemplares iguais ao panfleto mostrado na publicação, nem relatos de pessoas que tenham recebido o material nas ruas. A coligação solicita que o perfil, seus responsáveis e as circunstâncias da divulgação sejam investigados.
GAZETA PERNAMBUCANA
Quando uma mulher decide por si mesma, um gesto aparentemente simples pode revelar muito mais do que aquilo que as câmeras conseguem mostrar. Treze anos depois, a cena protagonizada pela apresentadora egípcia Riham Said continua provocando uma pergunta que atravessa religiões, governos e culturas: a quem pertence o direito de decidir sobre a vida, o corpo, a consciência e a aparência de uma mulher?
O vídeo reapareceu nas redes sociais carregando uma história poderosa demais para passar despercebida. Segundo a narrativa que começou a circular, a mulher diante das câmeras seria uma jornalista afegã chamada Yasmin Qureshi que, durante um debate sobre os direitos femininos no Afeganistão, teria retirado a burca e mostrado o rosto como uma afirmação de liberdade. Era uma história pronta para emocionar. Tinha coragem, risco, opressão, uma mulher desafiando convenções e um país cuja realidade atual tornava tudo aparentemente verossímil. Existia apenas um problema, e para o jornalismo esse problema é definitivo: não foi assim que aconteceu.
Leia maisA mulher daquele vídeo não era Yasmin Qureshi, não era afegã e não estava participando de um debate no Afeganistão. Seu nome é Riham Said, apresentadora da televisão egípcia, e a cena aconteceu no Egito, em abril de 2013, durante uma entrevista exibida pela Al-Nahar TV com o xeque Youssef Badri. Quando se retorna à história verdadeira e se abandona a versão fabricada pelas redes, o episódio não perde força. Ao contrário. Torna-se mais humano, mais complexo e talvez ainda mais revelador, porque deixa de ser uma parábola construída pela internet para recuperar o conflito real entre uma mulher, um homem, uma interpretação religiosa e o direito de escolher.
Antes mesmo de as câmeras registrarem o confronto que percorreria o mundo, uma questão já incomodava Riham. O religioso havia estabelecido como condição para conceder a entrevista que ela cobrisse os cabelos. A apresentadora colocou o hijab, mas percebeu uma contradição difícil de aceitar. Fora do ar, longe dos olhos dos telespectadores, Badri conversava normalmente com mulheres que não estavam usando véu. Diante das câmeras, porém, exigia que ela se cobrisse.
Foi nesse ponto que aquilo que poderia ser apenas uma entrevista começou a revelar uma questão muito maior.
Riham quis saber por que precisava colocar o hijab somente quando o público estivesse olhando. Se o religioso podia falar com ela normalmente sem o véu nos bastidores, por que sua aparência deveria mudar quando as câmeras fossem ligadas? A pergunta atingia uma fronteira delicada entre fé e aparência, convicção e representação, espiritualidade e poder. O que incomodava a apresentadora não era simplesmente usar um lenço sobre os cabelos. Era a sensação de estar representando uma personagem para satisfazer a exigência de outra pessoa.
A conversa avançou e o ambiente se tornou cada vez mais áspero. Riham questionou o comportamento do convidado, contestou suas posições e recusou-se a assumir uma postura de submissão diante da autoridade religiosa que ele pretendia exercer naquela entrevista. Em determinado momento, levou as mãos ao hijab e o retirou.
Aquela imagem duraria poucos segundos, mas sobreviveria muito mais do que a discussão que a produziu.
Badri exigiu que ela voltasse a cobrir os cabelos. Riham recusou. Sua resposta continha o núcleo moral de tudo o que estava acontecendo naquele estúdio: se um dia usasse aquele véu por convicção religiosa, seria por Deus, não por imposição daquele homem.
É preciso compreender essa distinção para não cometer contra a própria história uma violência interpretativa.
O episódio não deveria ser apresentado como a vitória de uma mulher sobre o hijab, muito menos como uma condenação às milhões de mulheres muçulmanas que cobrem os cabelos ou o rosto por decisão própria. O véu pode representar fé, tradição, identidade, pertencimento e espiritualidade para incontáveis mulheres. Retirá-lo contra a vontade de alguém seria tão autoritário quanto obrigá-la a usá-lo. A grande questão daquela noite não estava no tecido. Estava na escolha.
Uma mulher pode desejar cobrir os cabelos e outra pode desejar deixá-los descobertos. Uma pode encontrar no hijab uma profunda expressão religiosa, enquanto outra pode entender que sua fé não exige aquilo. As duas somente serão verdadeiramente livres quando nenhuma autoridade política, religiosa, familiar ou social puder transformar sua própria interpretação em uma sentença sobre o corpo alheio.
Foi justamente essa fronteira que apareceu diante das câmeras naquele estúdio egípcio.
A liberdade raramente chega à vida das pessoas na forma grandiosa que os discursos costumam anunciar. Muitas vezes ela aparece em decisões cotidianas tão pequenas que quase passam despercebidas. Escolher uma profissão. Entrar numa escola. Caminhar sozinha por uma rua. Expressar uma opinião. Vestir determinada roupa. Descobrir os cabelos. Cobri-los. Dizer sim. Dizer não. A dimensão política dessas escolhas somente se torna evidente quando alguém tenta retirá-las.
Por isso o gesto de Riham permanece tão atual.
Treze anos se passaram desde aquela entrevista. O vídeo atravessou idiomas e plataformas, foi cortado, republicado, reinterpretado e finalmente recebeu uma identidade que nunca possuiu. Em algum ponto dessa longa viagem digital, a apresentadora egípcia transformou-se numa suposta jornalista afegã chamada Yasmin Qureshi e o Egito tornou-se Afeganistão.
Curiosamente, a falsificação encontrou força porque foi projetada sobre uma realidade em que a liberdade das mulheres realmente sofreu um dos mais violentos retrocessos do mundo contemporâneo.
Desde a retomada do poder pelo Talibã, em agosto de 2021, as mulheres e meninas afegãs passaram a conviver com uma sucessão de medidas que reduziram drasticamente sua presença na vida pública. Cinco anos depois, organismos das Nações Unidas registram mais de uma centena de decretos e determinações dirigidos aos direitos, à circulação, à educação, ao trabalho e à participação social das mulheres. A ONU Mulheres descreve o país como palco da mais grave crise de direitos das mulheres do mundo contemporâneo. A escola talvez seja a imagem mais cruel desse processo.
No mesmo mundo em que milhões de famílias acordam suas filhas pela manhã e reclamam porque elas demoram para se preparar para a aula, meninas afegãs chegam a determinada idade e descobrem que o caminho para a escola terminou. A UNESCO informou em agosto de 2026 que aproximadamente 2,4 milhões de meninas foram excluídas do ensino secundário desde 2021. O Afeganistão permanece como o único país do planeta onde meninas e mulheres são formalmente proibidas de seguir a educação além do nível primário, enquanto as mulheres continuam impedidas de frequentar universidades desde 2022.
É possível registrar esses números numa tabela e seguir adiante. Mais difícil é perceber as vidas que existem dentro deles. Cada menina afastada de uma sala de aula representa um futuro interrompido antes de começar. É uma médica que talvez nunca possa exercer a medicina, uma professora impedida de ensinar, uma engenheira que não poderá concluir sua formação, uma jornalista cuja voz talvez não alcance uma redação, uma mulher obrigada a assistir ao próprio horizonte diminuir não por ausência de talento, inteligência ou vontade, mas porque alguém decidiu previamente qual deveria ser o tamanho de sua existência.
A restrição vai muito além da escola. Dados divulgados pela ONU Mulheres em agosto de 2026 mostram uma sociedade na qual a presença feminina nos espaços públicos foi sendo progressivamente comprimida. Metade das mulheres entrevistadas relatou sair de casa apenas uma ou duas vezes por mês. Educação, emprego, justiça, saúde, circulação e participação social passaram a constituir diferentes faces de um mesmo processo de apagamento.
É impossível olhar para essa realidade e não voltar à velha imagem de Riham levando as mãos à cabeça num estúdio do Cairo.
Ela estava no Egito, não no Afeganistão. Enfrentava um religioso diante de uma câmera, não um regime que controla praticamente todas as dimensões da vida feminina. Tinha possibilidade de discordar, argumentar, retirar o hijab e deixar o programa. Muitas mulheres no mundo não possuem sequer esse repertório elementar de escolhas.
É justamente aí que uma história ocorrida no Egito em 2013 encontra, sem precisar de nenhuma falsificação, a realidade do Afeganistão de 2026.
As circunstâncias são diferentes, os países são diferentes, as personagens são diferentes, mas a pergunta atravessa as fronteiras: quem possui autoridade sobre a decisão de uma mulher?
Essa pergunta precisa ser feita com cuidado porque o debate frequentemente cai em dois autoritarismos que se apresentam como opostos, embora nasçam da mesma pretensão de controle. De um lado, sociedades e governos que obrigam mulheres a cobrir o corpo em nome da religião ou da tradição. De outro, projetos políticos que pretendem determinar como uma mulher deve vestir-se em nome de uma concepção estatal de secularismo ou emancipação.
Nos dois casos, alguém escolheu por ela. Nenhum governo liberta uma mulher substituindo uma imposição por outra. Nenhuma sociedade se torna verdadeiramente livre apenas mudando a direção da ordem. A mulher obrigada a colocar um véu e a mulher proibida de usá-lo compartilham, apesar das circunstâncias distintas, uma violação essencial: outra pessoa reivindicou autoridade sobre uma decisão que deveria começar em sua própria consciência.
É por isso que a palavra mais importante desta história não é véu. É escolha. E talvez seja essa palavra que explique por que um pequeno confronto televisivo ocorrido em 2013 continua produzindo incômodo tantos anos depois.
Quando Riham retirou o hijab naquela entrevista, não começou uma revolução no Egito. Nenhuma multidão ocupou as ruas por causa daquele gesto. Nenhum regime caiu. Nenhuma lei foi imediatamente modificada. O estúdio continuou sendo um estúdio, as câmeras continuaram registrando a discussão e o mundo prosseguiu com suas contradições.
Mesmo assim, alguma coisa importante tinha acontecido. Uma mulher foi colocada diante de uma regra estabelecida por um homem e decidiu questionar a autoridade dele para estabelecer aquela regra sobre ela. É nesse instante que uma discussão sobre religião deixa de ser apenas uma discussão sobre religião e passa a revelar uma questão muito mais antiga: o poder.
Poder para estabelecer comportamentos. Poder para definir aparências. Poder para determinar quem pode estudar, trabalhar ou circular. Poder para dizer quais palavras uma mulher pode pronunciar, quais espaços pode ocupar, até onde pode ir e de que maneira deve apresentar seu próprio corpo à sociedade.
Toda forma de poder revela sua natureza quando encontra alguém mais vulnerável sobre quem pretende exercer controle. E poucas histórias humanas demonstram isso com tanta persistência quanto a longa disputa pelo direito das mulheres de governarem a própria existência.
Durante séculos, decisões fundamentais da vida feminina foram tomadas por outras pessoas e frequentemente apresentadas como proteção, tradição, moralidade, costume ou destino. Em diferentes tempos e sociedades, mulheres precisaram lutar para estudar, votar, administrar seus próprios bens, escolher uma profissão, terminar um casamento, participar da política, publicar livros, comandar empresas e ocupar espaços que hoje parecem naturalmente seus.
Nada disso foi concedido porque o mundo espontaneamente percebeu que estava errado. Direitos avançaram porque alguém decidiu contestar aquilo que parecia definitivo.
Por isso a cena de Riham Said merece ser observada para além do impacto visual de uma mulher retirando um véu. O instante mais importante não está nas mãos que alcançam o tecido. Está na consciência que antecede o movimento. Antes de retirar alguma coisa da cabeça, ela retirou daquele homem o poder de decidir em seu lugar.
Essa é a imagem que permanece. E ela permite olhar novamente para o Afeganistão, não para confundir duas histórias, mas para compreender o abismo existente entre possuir escolha e viver sem ela. Quando uma menina não pode entrar na escola porque o governo decidiu que sua educação terminou, a questão é poder. Quando uma mulher encontra portas fechadas no mercado de trabalho, a questão é poder. Quando precisa calcular se poderá sair de casa, com quem poderá caminhar e qual parte do corpo deverá esconder para evitar punição, a questão continua sendo poder.
Nenhuma dessas mulheres precisa retirar um véu diante de uma câmera para demonstrar coragem.
Para algumas, coragem é continuar estudando escondida. Para outras, é ensinar. É trabalhar. É escrever. É insistir em existir no espaço público. É preservar dentro de casa a convicção de que a realidade imposta ao redor não constitui necessariamente o destino reservado às suas filhas.
Existe uma tendência confortável de imaginar a coragem sempre em cenas espetaculares, mas algumas das resistências mais profundas acontecem sem testemunhas. Uma mulher pode desafiar uma estrutura inteira simplesmente recusando permitir que essa estrutura ocupe sua consciência.
Talvez por isso seja importante corrigir a identidade daquele vídeo. A internet criou uma heroína chamada Yasmin Qureshi porque talvez acreditasse que a verdade precisava de alguma ajuda para ser comovente. Não precisava. Riham Said estava ali.
Seu nome existia. Sua história existia. Seu enfrentamento existia. O religioso diante dela existia. As câmeras registraram o momento. O diálogo foi preservado. O conflito era suficientemente forte sem que fosse necessário transferi-lo ao Afeganistão ou inventar uma biografia para sua protagonista.
O jornalismo perde sua razão de existir quando começa a acreditar que uma mentira emocionante vale mais do que uma verdade complexa.
Neste caso, a verdade é melhor. Porque ela permite contar duas histórias sem falsificar nenhuma delas.
A primeira pertence a uma apresentadora egípcia que, em abril de 2013, recusou-se a aceitar que um religioso determinasse como deveria apresentar-se diante das câmeras. A segunda pertence a milhões de mulheres e meninas afegãs que, em 2026, continuam vivendo sob um sistema que avançou justamente sobre esse território íntimo da escolha e transformou decisões pessoais em regras públicas.
Entre o Cairo daquele estúdio e o Afeganistão de hoje existe uma enorme distância geográfica, política e cultural. O que aproxima essas realidades não é uma peça de roupa. É uma disputa que acompanha a humanidade há muito tempo: quem possui o direito de escrever o destino de uma mulher?
Uma sociedade pode proclamar sua grandeza, celebrar suas tradições, exaltar seus valores e produzir discursos intermináveis sobre moralidade. Mas existe uma medida muito mais simples para avaliar o espaço real concedido à liberdade feminina.
Basta observar o que acontece quando uma mulher diz que deseja decidir.
Decidir se estuda. Decidir se trabalha. Decidir em que acredita. Decidir com quem se casa. Decidir se fala. Decidir se fica. Decidir se parte. Decidir como veste seu corpo. Decidir se cobre os cabelos. Decidir se não os cobre.
O grau de liberdade começa a aparecer na resposta que ela recebe. Riham recebeu uma ordem para recolocar o hijab e respondeu que não o usaria por causa daquele homem. Talvez esteja justamente nessa resposta a parte mais poderosa de toda a cena, porque ela não rejeitou a possibilidade da fé. Rejeitou a apropriação da fé por alguém que pretendia transformá-la em instrumento de autoridade sobre sua escolha.
Treze anos depois, assistir novamente ao vídeo significa compreender que o seu verdadeiro conteúdo nunca esteve apenas no instante em que uma mulher descobriu os cabelos. Está no momento em que ela reivindicou para si a responsabilidade de decidir por que os cobriria ou deixaria de cobri-los.
A distinção parece pequena. Na verdade, separa liberdade de submissão. Foi por isso que o mundo olhou.
E talvez continue olhando porque, apesar de todos os avanços que a humanidade gosta de celebrar, milhões de mulheres ainda vivem em lugares onde decisões elementares continuam dependendo da autorização de governos, autoridades religiosas, estruturas familiares e códigos sociais construídos sem que elas tenham participado de sua elaboração.
A velha gravação de 2013 sobrevive porque não pertence apenas ao seu tempo. Ela nos alcança agora.
Alcança cada sociedade que pretende discutir o corpo feminino sem ouvir a mulher que vive dentro dele. Alcança cada governo convencido de que pode transformar moralidade em coerção. Alcança cada religião quando a experiência espiritual de uma pessoa corre o risco de ser substituída pela autoridade de outra. Alcança também aqueles que, em nome da libertação, gostariam de determinar o que uma mulher deve retirar, vestir ou abandonar.
No fim, a história retorna ao ponto onde tudo deveria começar. Não ao véu. Não ao homem. Não à câmera. À mulher.
Porque uma liberdade que não inclui o direito de escolher deixa de ser liberdade no momento em que a escolha se torna inconveniente para alguém.
Riham Said não era Yasmin Qureshi. Não era afegã. Não estava em Cabul e não retirou uma burca durante um debate sobre direitos femininos. Era uma apresentadora egípcia diante de um religioso que condicionara a entrevista ao uso do hijab. Ela questionou essa condição, confrontou a contradição que enxergava e decidiu retirar o véu que havia colocado para recebê-lo.
A história verdadeira não precisa da fantasia que as redes lhe acrescentaram. Ela já carrega tudo aquilo que importa. Uma mulher. Uma imposição. Uma escolha.
E a coragem necessária para lembrar ao mundo que, antes de qualquer governo, tradição, interpretação religiosa ou expectativa social, existe uma consciência que pertence somente a ela.
Quando uma mulher decide por si mesma, talvez o gesto dure apenas alguns segundos.
Mas a liberdade reconhece imediatamente o seu significado.
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A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) promove, nesta quarta-feira (2), um encontro dos candidatos ao governo de Pernambuco com empresários e representantes da indústria do estado.
No evento, estarão a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), o ex-vereador Ivan Moraes (PSOL) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), candidatos cujos partidos possuem representação no Congresso Nacional. As informações são da Folha de Pernambuco.
Leia maisCada candidato, conforme a dinâmica, terá uma hora para compartilhar os planos de gestão e as prioridades para o desenvolvimento econômico e social do estado com representantes do setor. A aprimeira será Raquel Lyra, às 14h. Ivan na sequência, às 15h; e João, por fim, às 16h.
O evento será gratuito, mediante inscrição prévia por meio do link, no Salão de Eventos da Fiepe, na Avenida Cruz Cabugá, bairro de Santo Amaro, área central do Recife.
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A PF (Polícia Federal) afirma, em relatório investigativo, que o ex-banqueiro e dono do Banco Master Daniel Vorcaro negociou a transferência de cotas de um jatinho e um helicóptero como pagamento para o escritório de Viviane Barci de Moraes, a esposa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Um segundo contrato apontado pela investigação da PF, previa o pagamento de R$ 50 milhões pelos serviços advocatícios prestados pelo escritório. As informações são da CNN.
Leia maisDesses, R$ 40 milhões seriam quitados pelas cotas das duas aeronaves. Outros R$ 10 milhões seriam acertados como reembolso após os gastos envolvidos nos voos.
De acordo com o material recuperado de dispositivos apreendidos, em registros datados de julho de 2025, Vorcaro cobra resoluções sobre pendências de ativos e discute a liberação dos veículos com interlocutores ligados à empresa Prime You — especializada no compartilhamento de bens de luxo e associada a Marcus Vinicius da Mata.
Em uma conversa obtida pela PF, Vorcaro questiona ao sócio Marcos da Mata se as aeronaves já estavam sendo utilizadas pelo escritório.
Em seguida, da Mata envia o recorte de uma conversa com Viviane de Moraes para Vorcaro:
Marcos da Mata: estão gostando da utilização das cotas de vocês?
Viviane: Sim, estamos gostando muito.
Entre os diálogos obtidos pela PF, é citada, ainda, uma outra viagem marcada por uma funcionária da Prime para Viviane.
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Diário do Poder
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defendeu, hoje, a renúncia do ministro Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorreu após a divulgação de informações sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado pela banca de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Isso é muito grave. Eu acho que o Alexandre de Moraes deveria renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem a menor condição de continuar sendo ministro do Supremo”, afirmou Flávio antes de uma sessão da Comissão de Segurança Pública do Senado.
Leia maisSegundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, metadados do arquivo do contrato, enviado por WhatsApp a Vorcaro, indicam que o documento teria sido editado por um usuário chamado “Ministro Alexandre de Moraes”.
Flávio afirmou que a informação levanta questionamentos sobre uma possível atuação de Moraes em favor de Vorcaro. O senador também mencionou supostas interferências envolvendo a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal.
“Um integrante da mais alta Corte redigindo o contrato da esposa para devolver ao Vorcaro. Quer dizer, tudo sugere que há uma proteção de Moraes dada ao Vorcaro”, declarou.
Para o senador, o episódio representa uma violação das garantias institucionais do STF. “Isso é uma completa distorção do devido processo legal, das garantias institucionais da mais alta Corte. É muito grave isso aí”, completou o senador.
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Foi só Augusto Cury botar a cabeça para fora nas pesquisas e nas redes que a Faria Lima já está de olho nele. Dois sinais desse interesse:
Já já vem os convites para jantares. As informações são do colunista Lauro Jardim.
Metrópoles
Três dias antes de ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, enviou uma mensagem ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Tenho gratidão da minha vida a você”, escreveu Vorcaro ao ministro.
“Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda a minha família, funcionários, parceiros e amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo”, disse Vorcaro a Alexandre de Moraes.
Leia mais“A hora é continuar na pegada para conseguir concluir, se Deus quiser”, concluiu o ex-banqueiro mineiro, investigado por suposta fraude e por um rombo bilionário no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A mensagem foi enviada em 14 de novembro de 2025, às 21h19, segundo relatório da Polícia Federal tornado público nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na noite seguinte, 15 de novembro, Vorcaro enviou uma nova mensagem a Alexandre de Moraes, desta vez perguntando se deveria deixar o país. O contexto das conversas – das quais apenas as mensagens de Vorcaro foram recuperadas – indica que o ex-banqueiro sabia que seria alvo de uma operação da PF.
“Que loucura, bem na semana em que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo (Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, que determinou a prisão de Vorcaro)? E o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central), está sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que na segunda já tenho que estar fora?”, perguntou Vorcaro.
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O podcast ‘Direto de Brasília’ de hoje, meu projeto em parceria com a Folha de Pernambuco, será com o cientista de dados, publicitário, empresário e pesquisador Alek Maracajá. Ele vai falar sobre o impacto das pesquisas eleitorais, se elas influenciam o eleitor, se a multiplicidade de institutos e levantamentos causam algum tipo de confusão na cabeça do eleitor e o impacto que recorte de pesquisas estão causando nas redes sociais.
Com formação e trajetória profissional voltadas à integração entre tecnologia, comunicação e análise de comportamento, Alek atua também como professor da ESPM e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde ampliou sua atuação para temas relacionados à inteligência artificial, ética e desinformação. É autor do livro ‘Brasil Digital nas Entrelinhas da Polarização Política’, resultado de pesquisas baseadas em grandes volumes de dados das redes sociais.
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Minha amiga Rosineide Oliveira, jornalista extremamente competente, encerrou, ontem, sua temporada longeva na chefia da comunicação da Compesa: 31 anos. Como nada dura para sempre, Rosineide, colega de turma da Unicap, partiu para um novo desafio, que não quis ainda me antecipar. Mas, certamente será de pleno êxito, porque ela se especializou na área de comunicação pública e empresarial e dará conta em qualquer situação que aparecer. Boa sorte para minha amiga, que me enviou o texto abaixo:
Hoje, encerro um dos capítulos mais importantes da minha vida profissional. Após 31 anos e sete meses na comunicação da Compesa, concluo essa jornada marcada por muito trabalho, aprendizado e, sobretudo, pelo compromisso de construir uma relação de transparência e respeito com os veículos de comunicação e com a sociedade pernambucana.
Leia maisÉ com o coração cheio de carinho e gratidão que encerro o meu ciclo na Compesa para assumir, em breve, um novo desafio. Agradeço imensamente o apoio da atual diretoria e de todos os presidentes da estatal com quem tive o privilégio de trabalhar. Obrigada pela confiança. Agradeço também a todos os secretários de imprensa que me acolheram ao longo de mais de três décadas. Gratidão a todos os profissionais, estagiários e colaboradores com quem trabalhei durante essa longa jornada na grande família Compesa.
Ao longo desses anos, tive a honra de estruturar o relacionamento da empresa com a imprensa. Esse trabalho só foi possível graças à parceria constante com jornalistas, veículos, blogueiros e páginas de Instagram de todo o estado, sempre abertos ao diálogo e à busca por informação qualificada para a população. Foi muito gratificante.
Levo comigo a certeza de um trabalho conduzido com seriedade, sempre pautado pelo respeito ao cliente e à opinião pública, seja na mídia tradicional, nas redes sociais, junto aos blogueiros e às páginas que também ajudaram a levar informação à sociedade. Agradeço imensamente a cada um que colaborou nesses anos, contribuindo para que informações relevantes chegassem com agilidade e clareza à população.
Deixo a Compesa com a consciência tranquila de dever cumprido e com profunda gratidão por toda a parceria construída ao longo deste tempo, tanto no trabalho dentro da Companhia como no relacionamento com a imprensa.
Meus sinceros agradecimentos, um forte abraço a todos e que venha o próximo desafio.
Rosineide Oliveira
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