Na Rádio Pajeú, com o radialista Aldo Vidal, falo neste momento do livro ‘O Estilo Marco Maciel’ e o lançamento em Afogados da Ingazeira, hoje, a partir das 19 horas, na Câmara de Vereadores.
Na Rádio Pajeú, com o radialista Aldo Vidal, falo neste momento do livro ‘O Estilo Marco Maciel’ e o lançamento em Afogados da Ingazeira, hoje, a partir das 19 horas, na Câmara de Vereadores.
Uma cena impressionante chamou a atenção de quem passava pelas proximidades do Parque Acauã, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco.
Um morador registrou, ontem (29), o momento em que um redemoinho se formou próximo à entrada do parque, onde acontece uma programação festiva, com atrações musicais.
O fenômeno durou pouco tempo, mas chamou a atenção de quem estava no local. Com informações e imagens do Blog do Sales.
Por Houldine Nascimento
Do Poder360
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (PC do B), 60 anos, disse que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou a fuga de cérebros a partir de um programa de atração e fixação de talentos científicos, de 2023 a 2026. A iniciativa é vinculada ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
“Conseguimos que mais de 2.500 cientistas voltassem para o país ou fizessem desafios em rede fora do país”, declarou em entrevista ao Poder360, em seu gabinete, em Brasília, na quarta-feira (28).
Leia maisLuciana também falou sobre desafios quanto às receitas do ministério. Citou o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) como uma forma de assegurar recursos sem depender das oscilações do Orçamento da União.
Os valores do fundo vêm da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). “Foi isso que possibilitou um número tão significativo de investimento nesse período [2023 a 2026], de R$ 53 bilhões”, disse.
Redução de dependência estrangeira
A ministra citou medidas para reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras em setores estratégicos, como o de semicondutores, microchips, inteligência artificial e terras raras.
“O desafio é esse que Lula tem repetido várias vezes. É que a gente não pode repetir os ciclos econômicos que caracterizaram a nossa história de desenvolvimento, que é sermos exportadores de matéria-prima e importadores de manufatura. Queremos dominar todos os ciclos: desde a separação, extração, refinamento e os insumos que são muito decisivos para a economia contemporânea”, declarou.
Estão entre as ações:
• Supercomputador – Luciana Santos mencionou edital para a aquisição de supercomputador em Macaíba (RN), na região metropolitana de Natal. Expectativa é que esteja entre os 10 mais potentes do mundo;
• Computador quântico – citou compra em conjunto com o governo da Paraíba de um equipamento;
• Terras raras – disse haver patentes em separação e jazidas no Brasil. Também citou um edital com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) de R$ 5 bilhões para estimular o processamento de minérios no Brasil: “O que veio de demanda não só das universidades como da iniciativa privada foram R$ 85 bilhões. São R$ 80 bilhões a mais, o que revela que estão fervendo soluções e desafios”;
• Inteligência artificial – ministra falou no projeto SoberanIA, uma plataforma com base de dados (LLM) em português: “Tem mais de 200 bilhões de palavras, porque ele conseguiu agregar os dados do governo”.
“O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial está entre os 12 programas que a gente acrescentou ano passado. O presidente [Lula] encomendou ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia o programa em 2024. Apresentamos o programa na Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e estamos executando. Nós executamos mais de 64% do programa. Ele prevê R$ 25 bilhões de investimentos ao longo de cinco anos”, acrescentou.
Plano de metas
Luciana Santos afirmou que trabalha em instituir um plano de metas para cinco anos: “Isso significa botar orçamento e meta de execução da Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia”.
O ministério atua em um submarino de propulsão nuclear para proteção da costa marinha brasileira e no projeto Sirius, que consiste em um acelerador de partículas. “Isso vai possibilitar que o Brasil se antecipe às pandemias, porque vai manipular patógenos, vírus e fungos. No Brasil, por exemplo, a gente hoje não pode manipular ebola e vamos poder. Temos mais de 80% de dependência de radioisótopos, que é um insumo importante para medicamentos de câncer. Em sete anos, nós vamos nos tornar autônomos e ainda vamos exportar”, declarou.
Permanência no governo
A presidente licenciada do PC do B também disse que ainda não houve uma conversa com Lula sobre sua permanência no Ministério de Ciência e Tecnologia: “Isso ele vai fazer no tempo certo, raciocinando. Não é simples […] Acredito que no máximo ele tenha tido conversas sobre esse problema mais emergencial, que é da Fazenda, até por conta dessas trepidações da Bolsa”.
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Por Houldine Nascimento
Poder360
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (PC do B), 60 anos, classificou como “inócua e ridícula” a declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial, de que seria o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A afirmação constava de um documento divulgado na última quarta-feira (28). Posteriormente, o senador publicou outra versão do texto em que se identifica como “líder do Brasil”.
“Acho completamente fora de qualquer consistência, ou qualquer repercussão. É uma coisa inócua e ridícula”, declarou em entrevista ao Poder360, em seu gabinete, em Brasília.
Leia maisLuciana cita o reconhecimento do PL à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O partido dele, o PL, o partido que ele pertence, já declarou, o coordenador da campanha dele, Rogério Marinho, todos os partidos políticos no mundo inteiro, com exceção do próprio Trump, que mesmo assim reconheceu, mas fez senões”, disse.
Para Luciana Santos, a fuga de Flávio abriu espaço para que outras lideranças ganhassem protagonismo na direita. Ela citou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que reconheceu o resultado da eleição presidencial e defendeu uma oposição vigilante.
“Ele foi o porta-voz do agradecimento a parte do povo brasileiro que votou. Porque quando você sai de cena, não existe espaço vazio na política”, disse.
A ministra também classificou a fuga de Flávio como uma forma de “autoproteção” e afirmou que o senador deve explicações sobre sua saída do país. “Ele deve explicação ao povo brasileiro de por que ele está fugindo da Justiça brasileira”, declarou.
Sem perseguição
Luciana Santos contestou a alegação de que Flávio seja alvo de perseguição judicial. Como argumento, citou a eleição de integrantes da família Bolsonaro, entre eles a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), eleita senadora pelo Distrito Federal.
“Parte da família está aqui exercendo mandato. Quer dizer, só existe perseguição para ele, mas não existe para Michelle, que é senadora da República eleita, para o irmão do Bolsonaro, só para ele. Quer dizer, é uma narrativa que não bate. É porque estão sendo apurados crimes que hipoteticamente ele cometeu, como é o caso do ‘Dark Horse’, como é o caso das mansões.”
Centrão no Lula 4
Luciana também comentou a possibilidade de ampliação do espaço do Centrão no 4º mandato de Lula, a partir de 2027. O grupo reúne partidos de diferentes orientações políticas e costuma negociar apoio ao governo em troca de participação na administração federal.
A discussão ocorre depois da eleição de uma bancada mais conservadora para o Congresso. Os partidos mais à direita elegeram 276 deputados, o que amplia a importância das negociações para a formação da base governista.
“O presidente é muito experiente. Ele tem que fazer um exercício de governabilidade, é natural. Qualquer que seja o chefe de Estado, ele precisa ter uma condução política para fazer valer o programa que saiu das urnas aprovado. Então, essa concertação já é um histórico do governo do presidente Lula”, declarou Luciana.
Permanência
A presidente licenciada do PC do B também disse que ainda não houve uma conversa com Lula sobre sua permanência no Ministério de Ciência e Tecnologia: “Isso ele vai fazer no tempo certo, raciocinando. Não é simples […] Acredito que no máximo ele tenha tido conversas sobre esse problema mais emergencial, que é da Fazenda, até por conta dessas trepidações da Bolsa”.
PC do B
O PC do B elegeu 11 deputados em 2026, ante 6 em 2022. Segundo os números apresentados, foi o melhor desempenho da legenda desde 2010. Luciana classificou como “extraordinário” o resultado. “Quase dobramos a nossa bancada com perfil de deputados com firmeza programática e ideológica, que fazem muita diferença nos embates, na luta de ideias que nós vamos travar no país”, afirmou.
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A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Pernambuco (OAB-PE), a Prefeitura de Triunfo e o ex-deputado federal e presidente estadual do Avante, Sebastião Oliveira, manifestaram pesar pela morte de João Caio Pereira Rodrigues Melo, de 26 anos, filho do ex-prefeito do município sertanejo João Batista Rodrigues. O jovem morreu em um acidente de trânsito na madrugada deste sábado (31), na PE-365, em Santa Cruz da Baixa Verde.
Em nota, a OAB-PE, por meio de sua presidente, Ingrid Zanella, destacou a perda precoce e se solidarizou com familiares e amigos. A Prefeitura de Triunfo e Sebastião Oliveira também divulgaram mensagens de pesar, prestando solidariedade aos pais e demais familiares. “Neste momento de dor, nos solidarizamos com seus familiares e amigos, desejando força e conforto para enfrentar essa perda irreparável”, diz o comunicado oficial da Prefeitura.
O ex-deputado federal e presidente estadual do Avante, Sebastião Oliveira, também lamentou a morte do jovem, filho de João Batista Rodrigues dos Santos e Tarciane Pereira Melo. Em sua nota, declarou: “É doloroso ver uma vida partir tão cedo. Neste momento de imensa dor, me solidarizo com seus pais, familiares e amigos. Que Deus os ampare e dê forças para enfrentar essa perda.”
Por Agência O Globo
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou para a próxima terça-feira (3) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, após adiar a análise do texto às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.
Até lá, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta construir um acordo para deixar a redução da maioridade penal fora da proposta, tema que provocou divergências entre integrantes da base governista e impediu o avanço da votação antes da eleição.
Leia maisA intenção do Planalto é evitar alterações que obriguem o texto a retornar à Câmara dos Deputados. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou ontem (30) que não há acordo para incluir emendas na proposta e confirmou que a discussão sobre a redução da maioridade penal deverá ficar para outro momento. “Não temos acordo com emendas. A posição é aprovar a PEC sem emendas. Até porque a maioridade penal é um tema corpo estranho no conteúdo da PEC”, afirmou Teresa ao Globo.
Na última terça-feira, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), reforçou a posição do governo ao lado do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Segundo o deputado, a prioridade é garantir a aprovação da PEC para viabilizar a criação do Ministério da Segurança Pública, prometido por Lula durante a campanha presidencial.
“A PEC da Segurança Pública é prioridade para nós e queremos excluir o tema da maioridade penal nessa PEC para dar condições de o presidente Lula criar um ministério. Maioridade penal é um debate específico, não tem que ser na PEC da Segurança Pública”, disse Uczai.
Antes do adiamento, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou uma emenda para reduzir a maioridade penal para 16 anos como regra geral e para 14 anos em determinados crimes graves, como tráfico de drogas e participação em organizações criminosas. Em resposta, o líder do PT, Camilo Santana (CE), apresentou uma proposta para permitir a responsabilização penal a partir dos 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.
A iniciativa de Camilo, no entanto, dividiu a base governista. Parte dos senadores petistas se posicionou contra a redução da maioridade penal, enquanto outros, embora favoráveis à discussão, defenderam que o assunto fosse tratado separadamente, sem alterar a PEC da Segurança.
O relator da proposta no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), também anunciou que pediria a tramitação autônoma das emendas apresentadas por Camilo e Marinho, transformando-as em propostas independentes. A medida permitiria que a PEC da Segurança fosse aprovada sem alterações e seguisse diretamente para promulgação.
O tema também provocou uma mudança de posição pública de Lula. Em entrevista ao Jornal Nacional, na reta final da campanha presidencial, o petista afirmou ser favorável à redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos, mas defendeu que a discussão ocorresse separadamente. “Eu sou favorável a reduzir para 16 anos, mas não nessa PEC. Aprova a PEC e aí discute isso”, disse o presidente.
A PEC prevê mudanças na organização da segurança pública do país, na divisão de competências entre União, estados e municípios e no enfrentamento às facções criminosas. Lula condicionou a recriação do Ministério da Segurança Pública à aprovação da proposta.
A votação estava prevista inicialmente para ocorrer antes do segundo turno, mas Alcolumbre decidiu adiá-la diante das divergências sobre a maioridade penal. Na ocasião, aliados do presidente do Senado avaliaram que a decisão também evitava expor o governo a um novo desgaste eleitoral, em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
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Por Estadão Conteúdo
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse em entrevista ao jornal O Globo que a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) e o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se explicam, sobretudo, por erros do candidato da direita e pela exploração dessas fragilidades pela campanha petista. Ele disse que o governo Lula já procurou a legenda e que é possível haver uma relação “mais profunda.”
Kassab afirmou que, ao escolher Flávio, a direita “dividiu o centro com o Lula” e que o senador passou a perder apoio à medida que ficou mais conhecido fora do Rio, em outubro. “Ele acabou assustando falando em mexer na Constituição”, disse, citando ainda rejeição ao “linguajar” e à “falta de postura nos debates”.
Leia maisPara ele, o PT soube acionar o “medo” da volta do bolsonarismo. Kassab afirmou também que as manifestações espontâneas nas ruas e a atuação do deputado federal André Janones (Rede-MG) reforçaram a importância da comunicação digital.
Kassab afirmou que o partido pode se aproximar mais do novo governo Lula caso o Planalto sinalize para o centro e adote medidas na área econômica. Perguntado se a relação será diferente, após o PSD ter comandado três ministérios no governo anterior sem se declarar oficialmente da base, disse que, em 2023, a legenda decidiu que “se o Planalto convidasse filiados, teria a nossa compreensão”.
Segundo ele, o governo já procurou o PSD. Para Kassab, Lula precisará unir o País e aumentar o apoio, algo que, na avaliação dele, não ocorreu no terceiro mandato. Ele afirmou ainda que o presidente não pode deixar de honrar compromissos sociais, mas que precisará colocar à frente da economia pessoas como Antonio Palocci e Henrique Meirelles para dar tranquilidade e equilíbrio fiscal. “Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”, afirmou, acrescentando que o partido poderá ter uma “relação mais profunda” com o governo.
Questionado se aceitaria ser ministro no Lula 4, o presidente do PSD respondeu: “Não está no meu horizonte, já fui de duas pastas Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez.”
Kassab discordou de que a corrupção tenha perdido peso e comparou o clima do segundo turno a 2013, com “indignação”. Ele alertou para “movimentos perigosos” se os partidos não endurecerem o discurso anticorrupção.
O presidente do PSD disse ainda que a polarização “ainda não foi quebrada” e que Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e quinto colocado na disputa presidencial de 2026, não conseguiu atrair eleitores que rejeitavam Lula e Flávio.
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Por Agência Brasil
Indígenas do Mato Grosso do Sul seguem denunciando a escalada das ameaças e da violência contra suas comunidades após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25). Entre os ataques está o incêndio da casa da rezadeira de 90 anos Ñandesy Roberta, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande, na manhã de quinta-feira (29).
De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o incêndio foi criminoso e, além da casa da idosa, destruiu instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani, “representando uma grave violação não só aos direitos indígenas, mas também à liberdade religiosa”.
Leia maisEm um vídeo divulgado nas redes sociais ontem (30), Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib, afirma que os ataques e as ameaças contra as comunidades Guarani Kaiowá se intensificaram nos últimos dias.
“Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades [públicas] competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei”, disse Voninho.
Diante da gravidade dos relatos, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informaram que acionaram a Polícia Federal (PF) e estão acompanhando as denúncias de violência e ameaça contra os Guarani Kaiowá.
Na última quinta-feira, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para receber as denúncias de ataques e ameaças. “O Ministério da Justiça também requisitou, de todas as corregedorias estaduais e do Distrito Federal, todas as denúncias que estão chegando, para a gente centralizar aqui, no âmbito do governo federal”, declarou o ministro.
Envenenamento
A Apib afirma já ter contabilizado, em Mato Grosso do Sul, mais de 30 casos de violência contra povos indígenas relacionados ao processo eleitoral deste ano.
Segundo Voninho, as ocorrências envolvem ataques, ameaças e atropelamentos que já resultaram em mortes. Um desses casos ocorreu em Tacuru, na noite de domingo (25).
Pouco após a divulgação do resultado do segundo turno da disputa presidencial, mensagens de áudio atribuindo ao voto indígena a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva começaram a circular nas redes sociais. Em uma delas, um homem não identificado sugere envenenar a água que abastece uma aldeia indígena da cidade.
“Cê tá doido, rapaz. [Nós – ou como] que ajuda essas praga. E essas praga do demônio. Mas fazer o quê, né? A gente não pode fazer nada. Já falei. Tinha que ponhar [sic] veneno na água”, diz o homem cujo nome não foi divulgado, mas que o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) já confirmou ser um servidor público municipal.
Em um vídeo postado em seu perfil no Instagram, Torquetti se refere à repercussão pública ao áudio como um “assunto chato demais da conta” e diz que o autor da mensagem é um “excelente servidor” e destaca que, em nenhum momento, o homem mencionou os indígenas.
“O servidor diz que teria que pôr veneno na água e matar todo mundo, sem citar nenhum tipo de gente”, acrescentou o prefeito, explicando que, ainda assim, a prefeitura afastou temporariamente o servidor de suas funções e instaurou um processo administrativo disciplinar a fim de apurar a conduta do servidor.
Ainda de acordo com o prefeito, o autor da mensagem não trabalha no setor de abastecimento, nem dirige carros-pipas da prefeitura, conforme algumas postagens em redes sociais sugeriram.
Em outro áudio, um segundo servidor municipal ofende os indígenas por, segundo ele, terem votado no candidato petista. Em seguida, o homem, cuja identidade também não foi divulgada, passa a ameaçar um suposto interlocutor a quem chama de Índio.
“Vou te dar um recado bem duro e bem claro. Cê sabe onde eu moro. Eu tô aqui em casa. Quer resolver na pancada, você pode vir aqui. Na pancada, na bala, do jeito que você quiser”, escreveu o servidor.
Apuração
Em nota, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) informou que, com base nas denúncias que a Apib encaminhou a órgãos federais, instaurou procedimentos para “apurar a veracidade das acusações” e garantir a proteção dos territórios indígenas.
O órgão, contudo, descartou a existência de crimes em ao menos um dos casos já apurados. Em Naviraí, a cerca de 350 quilômetros de Campo Grande, o procurador responsável pelo inquérito, Marco Antonio Delfino Rufino, concluiu que as denúncias de supostos homicídios por conflitos políticos não passavam de “boatos” e que imagens fora de contexto foram “falsamente associadas a um suposto ataque contra indígenas”.
Se em Naviraí o MPF deu por esclarecidas as denúncias, que classificou como desinformação, no caso de Tacuru o órgão estabeleceu um prazo de 48 horas para que a prefeitura preste informações sobre a atuação dos servidores municipais, recomendando a instauração de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar dos envolvidos.
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Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
A escapada de Flávio Bolsonaro, operada pela CIA, Mossad e SIDE, serviço secreto argentino, está muito além de mais um capítulo do espetáculo da eleição. Os americanos e seus aliados comandaram um minucioso plano de resgate do ex-candidato do PL com apoio dos argentinos e equatorianos, num momento em que todo o Cone Sul, exceto o Brasil, está sob a batuta de Washington.
Jornais importantes, como Wall Street Journal e Washington Post, se posicionaram a favor de Flávio Bolsonaro e criticaram o ministro Alexandre de Moraes, anotando sua pressa em autorizar o recolhimento do passaporte do candidato derrotado minutos depois de confirmada a vitória de Lula. O que fica claro, seja na leitura dos periódicos ou na atitude do presidente Trump, é a clara má vontade com a reeleição do presidente Lula, não por meras picuinhas ideológicas ou pessoais, mas por questões de Estado.
Leia maisTudo indica que o inédito resgate de Flávio foi o primeiro passo de algo maior prestes a acontecer. Não é teoria da conspiração, mas geopolítica pura. O Brasil está literalmente cercado por aliados dos Estados Unidos. A Venezuela é agora espécie de 51º estado americano com as grandes petroleiras mandando no jogo, além do controle da Guiana, ou seja, de todo o Essequibo, região riquíssima em petróleo, capaz de rivalizar com o Oriente. Não foi por mero acaso alvo da ambição de Nicolás Maduro, que tentou, sem sucesso, anexar a região.
A eleição brasileira aconteceu num contexto de mudanças do equilíbrio de forças do planeta. Está sendo construída a versão do século 21 do Tratado de Tordesilhas, com a Terra dividida entre os Estados Unidos e a China. Por mais barulho que façam a mídia e as redes sociais sobre a eleição de meio de mandato, marcada para o próximo dia 3, Donald Trump seguirá olímpico, com aquela empáfia de quem sabe que não poderá ser reeleito e quer entregar seu país reindustrizado, dólar forte, influencia no continente, controle de rotas comerciais importantes como Ormuz, e capacidade de atuar militarmente onde for preciso.
Passada esta eleição, Trump irá escalar a guerra contra o Irã. Isso dará a ele pretexto para criar caso com o Brasil, maior aliado dos iranianos deste lado do mundo. Aliás, como pontuou um diplomata, o Brasil hoje é aliado do Irã, Coréia do Norte, África do Sul, Rússia, China e mais uma dúzia de cacarecos xiitas, vistos como terroristas por boa parte do mundo. O problema é que a Rússia está em guerra com a Ucrânia e a China tem por princípio não fazer guerra quente. A guerra dela é comercial.
A escalada do conflito no Irã pressionará ainda mais os preços dos combustíveis. O diesel caro, seguirá subindo. O Brasil depende do diesel russo, que agora é vendido também para os Estados Unidos. Trump está comprando de Putin o que pode, porque acredita ser este instrumento de controle da inflação.
O Escudo das Américas não servirá apenas para combater o terrorismo e o narcotráfico. Ele também será instrumento de pressão contra os três últimos focos de resistência à hegemonia americana no continente: Brasil, Nicarágua e Cuba. El Salvador mandou tropas para o Haiti para combater as gangues que tomaram conta do país. São mais de 2 mil homens em armas. Não aconteceu por acaso. Farão do Haiti um campo de batalha experimental. Um front muito parecido com o do Rio de Janeiro.
E o resgate de Flávio confirmou isso numa operação conjunta entre a CIA e o SIDE. A inteligência argentina ganhou um upgrade desde que Milei se converteu ao judaísmo e enviou seu rabino, Shimon Axel Wahnish, 46 anos, para ser embaixador em Israel. Na posse de Milei, em 10 de dezembro de 2023, Axel Wahnish participou da cerimônia ecumênica na Catedral Metropolitana de Buenos Aires. Ali, diante das câmeras, o rabino perguntou ao presidente se lembrava o que pedia a Deus havia tanto tempo. Milei respondeu: “sabedoria, temperança e coragem”. Em fevereiro de 2024 ele acompanhou Milei na primeira viagem oficial a Israel.
Por isso, o fato de Flávio ter saído do país pela tríplice fronteira, mostra que a região, conhecido furdúncio coabitado por membros do Hammas, Hezbolah, agentes iranianos, traficantes de drogas, vendedores de armas, guerrilheiros e pequenos bandidos, está dominado pelas forças de segurança. Argentinos e israelenses trabalham juntos e intensamente desde que Milei chegou à Casa Rosada. Com a volta de Trump ao poder os laços se estreitaram.
Enquanto cuida do seu quintal latino-americano, Trump negocia com os chineses e russos. É uma ilusão imaginar que os chineses, com uma história de 5 mil anos de comércio, deixarão de comprar e vender para os Estados Unidos por causa do Brasil, lugar que, chova ou faça sol, continuará dependente deles, simplesmente porque são nosso maior parceiro comercial. O governo de Xi Jinping convive bem com Trump, assim como europeus, africanos e árabes. Os chineses em geral são conservadores, além de pragmáticos, têm profundo desprezo pela esquerda brasileira, por eles considerada atrasada e permissiva por defender abertamente pautas como a liberação das drogas e a homossexualidade. Não há essa afinidade toda. No fundo, eles nos enxergam como clientes e fornecedores.
Tanto os americanos quanto os chineses já precificaram o tamanho da crise econômica em que o Brasil está mergulhado e na qual deve afundar ainda mais nos próximos meses. Os sinais de mais inflação e maior instabilidade são claríssimos. A dívida pública não para de crescer. Até a dívida externa, problema superado em 2006, quando país quitou o que devia ao FMI, voltou. Hoje temos reservas de US$ 402 bilhões e dívida de US$ 407 bilhões.
É muita miopia analisar o resgate de Flávio apenas pelo lado da nossa política interna. Tem muito caroço debaixo deste angu. Entender o momento geopolítico é mais do que necessário. Do contrário, cairemos na armadilha daquele provérbio chinês do sapo no fundo do poço. Ele olha para cima, vê o círculo de céu e acha que aquilo é o céu inteiro.
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Do Correio Braziliense
Recife recebeu pela primeira vez o Festival de Jornalismo, evento que já se tornou parte da programação dos estudantes brasilienses. O encontro, voltado à formação de universitários e à discussão dos desafios da profissão no Brasil, foi realizado na última quarta-feira (28), no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE).
Ao todo, 300 pessoas registraram presença, entre elas cerca de 200 estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Católica de Pernambuco, da Uninassau, da UniFavip, de Caruaru, e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Alguns universitários que marcaram presença vieram de João Pessoa para participar da programação.
Leia maisCom entrada gratuita, o festival reuniu 15 profissionais de diferentes áreas da comunicação. Ao longo da tarde, os palestrantes compartilharam experiências sobre apuração, ética, responsabilidade social, mercado de trabalho e as transformações na produção e circulação de notícias.
Presidente do Prêmio Engenho de Comunicação e organizadora do festival, a jornalista Kátia Cubel contou ao Correio que levar o projeto para a capital pernambucana representou a realização de um sonho. Para ela, aproximar profissionais experientes dos futuros jornalistas contribui tanto para a formação dos estudantes quanto para a valorização da profissão.
“É uma troca muito importante, que ainda traz à tona a importância estratégica do jornalismo para toda a sociedade, valorizando a profissão e intensificando sua credibilidade”, destacou.
Segundo Kátia, uma das principais preocupações apresentadas pelos estudantes durante o encontro foi como acompanhar as mudanças nas plataformas de comunicação e fazer a transição da universidade para o mercado de trabalho. A organizadora ressaltou que a formação acadêmica é a base do conhecimento, mas o contato com profissionais em atividade permite antecipar situações que fazem parte da rotina das redações.
Outro ponto destacado pela organizadora foi a responsabilidade de exercer um jornalismo íntegro em um cenário marcado por desafios na produção e na circulação de informações. Para a Kátia, a experiência compartilhada pelos convidados ajuda os universitários a compreenderem as exigências da profissão para além da teoria.
Troca de experiências e desafios do jornalismo
A programação começou com uma discussão sobre o papel do jornalismo na sociedade, com Breno Pires, da repórter da revista piauí e diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji); Carla Egydio, diretora da Associação de Jornalismo Digital (Ajor); e Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta.
Na sequência, profissionais da imprensa pernambucana Carol Santos, repórter do Marco Zero; Leusa Santos, editora-chefe da Folha de Pernambuco; Laurindo Ferreira, diretor do Sistema Jornal do Commercio; e Magno Martins, do Blog do Magno, discutiram os desafios de produzir jornalismo no estado.
Um dos momentos mais marcantes, destacados por Kátia, foi a conferência do jornalista Francisco José, conhecido pelas reportagens no Globo Repórter. Com 103 participações no programa, o repórter compartilhou experiências de sua trajetória e falou sobre coragem, dedicação e os princípios necessários ao exercício da profissão.
“Aos 81 anos, encantou a todos nós. Foi ovacionado, aplaudido, fez rir e chorar e transmitiu com muita clareza os paradigmas do jornalismo. Falou de coragem e incentivou”, ressaltou Kátia sobre a participação de Francisco.
O mercado de trabalho também esteve em pauta, em um debate com Eduardo Scolese, editor da Folha de S.Paulo; Eldo Gomes, do Blog do Eldo; e Felipe Resk, repórter do Diário de Pernambuco. Os convidados discutiram as competências esperadas dos profissionais que ingressam na área.
Já Basília Rodrigues, colunista no SBT News, e Roberta Aureliano, gerente de jornalismo na TV Guararapes, abordaram a precisão da informação e os impactos sociais de uma apuração cuidadosa. A programação terminou com a exibição do documentário Escola Base – Um Repórter Enfrenta o Passado, que revisita um dos episódios mais emblemáticos da imprensa brasileira e reforça os riscos de uma cobertura baseada em informações não verificadas.
Próximas edições
Criado em Brasília, em 2024, o Festival de Jornalismo surgiu a partir de uma iniciativa de Kátia Cubel com coordenadores acadêmicos dos cursos de jornalismo da capital federal. A proposta era aproximar estudantes de profissionais reconhecidos no mercado e compartilhar conhecimentos sobre técnica, ética e comportamento profissional.
Depois de duas edições na capital federal, a iniciativa chegou a Pernambuco e deve continuar crescendo. Kátia anunciou que a terceira edição em Brasília está prevista para 13 e 14 de abril de 2027. A organização também pretende repetir o encontro no Recife e levar o festival a outras duas cidades. “Eu gostaria de levar o Festival para Manaus e Goiânia”, adiantou ao Correio.
Para a jornalista, a expansão do projeto depende da colaboração entre profissionais, instituições e apoiadores. O objetivo, segundo ela, é fortalecer a profissão, ampliar a confiança da sociedade no jornalismo e valorizar o trabalho dos jornalistas.

Por Agência O Globo
A carta golpista publicada pelo candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro foi ignorada por três em cada quatro políticos eleitos pelo PL no pleito deste ano, ampliando o isolamento do senador na direita. Levantamento do jornal O Globo com os 155 escolhidos para representar o partido no Congresso e nos governos estaduais mostra que 117 ignoraram o texto (75%), enquanto 38 compartilharam ou defenderam o conteúdo do documento.
A baixa adesão reflete o movimento concreto de dirigentes partidários, que buscam convencer o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro a largar a tese de que houve fraude nas urnas, já que não há qualquer indício de que isso ocorreu. Insistir no tema, segundo essas pessoas, compromete a agenda da oposição e pode desgastar a imagem da legenda, além de provocar possíveis reações institucionais.
Leia maisFlávio, por sua vez, planeja ir à capital dos Estados Unidos, Washington, na próxima semana. Após uma operação de fuga, o parlamentar desembarcou em Miami, com o apoio de integrantes do governo Donald Trump e Javier Milei, da Argentina. A ideia é iniciar uma interlocução direta com integrantes do governo americano.
Após descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes, Flávio divulgou uma carta na qual alegou fraude nas urnas e chegou a se declarar o “verdadeiro presidente eleito”.

Manifestações públicas
O candidato do PL foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença de 4,4 milhões de votos. Logo depois da publicação do documento, pressionado por aliados no Brasil, Flávio alterou o termo para “líder do Brasil”. Ele manteve, porém, os questionamentos ao resultado da disputa presidencial.
O levantamento do Globo revela, por outro lado, que 86% dos eleitos pelo partido não reconheceram publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição em suas manifestações.
O universo analisado engloba 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores. O Globo analisou publicações em redes, entre vídeos e mensagens dos eleitos pelo PL após o segundo turno.
Neste segundo recorte, o levantamento considera de um lado a ausência de manifestações públicas e o questionamento ao resultado das urnas; e do outro o reconhecimento da vitória de Lula. Entre os que não se manifestaram publicamente, portanto, há os que aceitam o resultado das urnas, mas optaram pelo silêncio.
Na direção oposta a de Flávio, um grupo reconheceu publicamente a vitória de Lula. Entre eles estão o senador Marcio Bittar (AC), os deputados André Fernandes (CE), Major Vitor Hugo (GO) e Rosangela Moro (PR).
Ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara, Major Vitor Hugo afirmou que a diferença de votos e o reconhecimento do resultado pelas instituições tornavam improvável uma reversão. “Nós somos 60 milhões de brasileiros que votaram no Flávio, somos uma grande bancada. O TSE e vários chefes de Estado já reconheceram a eleição, não importa o que você ou eu achamos. Foram mais de quatro milhões de votos de diferença e é muito difícil haver uma reversão deste resultado”, declarou.
André Fernandes também descartou alimentar questionamentos sobre as urnas, embora tenha atribuído a derrota à campanha adversária. “O resultado foi esse. Eu não vou aqui falar sobre urna, golpe, não vou falar sobre isso. Porque eu sei que muita gente votou sim no Lula porque acreditou em mentiras, em promessas vazias que não serão cumpridas”, afirmou.
Entre os que endossaram a carta de Flávio estão os senadores Magno Malta (ES) e Jorge Seif (SC), o senador eleito Gustavo Gayer (GO) e os deputados José Medeiros (MT) e Nikolas Ferreira (MG). A adesão de integrantes próximos ao ex-candidato evidencia as dificuldades da direção partidária para afastar a legenda do discurso de contestação.
Uma das manifestações mais enfáticas foi a da deputada Magda Mofatto (GO), que compartilhou o documento e incentivou sua divulgação no Brasil e no exterior. “Essa carta estará nos livros de história e é um relato sincero e puro do momento que vivemos em nosso país”, escreveu.
Gayer sustentou que o resultado seria matematicamente impossível e divulgou um vídeo no qual leu a carta de Flávio. Magno Malta também levantou acusações de fraude e questionou a vitória de Lula. Nikolas, apesar de ter comentado sobre a carta, reconheceu a dificuldade de reverter o resultado eleitoral. “Conhecendo o nosso país, a chance de anular é praticamente nula, então temos que seguir”, afirmou.
Preocupação
Integrantes do PL temem que o senador reforce as acusações de fraude ou faça novas declarações que ampliem o desgaste da legenda. A avaliação é que o discurso adotado por Flávio pode comprometer os esforços para reorganizar a oposição e dificultar a construção de alianças no Congresso, especialmente num momento em que o partido tenta ampliar sua influência nas duas Casas.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, criticou publicamente a manifestação na quinta-feira, após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o dirigente, a carta não foi aprovada pelo partido, que pretende concentrar seus esforços na reorganização da oposição e na atuação no Congresso.
Segundo aliados, um dos principais objetivos de Flávio em viagem à capital americana é conseguir uma reunião com o secretário de Estado, Marco Rubio, que participou das negociações para permitir sua entrada no país. Uma audiência com o próprio Trump também chegou a ser considerada, mas interlocutores do senador avaliam que seria difícil viabilizar a reunião neste momento.
Flávio pretende aproveitar os contatos construídos durante a campanha para ampliar sua articulação política com integrantes do governo republicano. Além de Rubio, aliados mencionam possíveis encontros com representantes do Departamento do Tesouro, comandado por Scott Bessent, e parlamentares republicanos.
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Uma colisão entre veículos na madrugada deste sábado (31) acabou com uma vitima fatal: João Caio Pereira Rodrigues Melo, filho do ex-prefeito de Triunfo, no sertão pernambucano, João Batista Rodrigues. O acidente ocorreu nas imediações do distrito de Jatiúca, em Santa Cruz da Baixa Verde. João Caio tinha apenas 26 anos. As informações são do Farol de Notícias.
Segundo informações da Polícia Militar, um automóvel modelo Wolkswagen Polo, de cor branca, com a placa da Bahia, teria colidido frontalmente com a motocicleta conduzida por João Caio.
Segundo informações de populares, o acidente ocorreu por volta das 00h06 e o condutor do Polo fugiu sem prestar socorro. A vítima morreu ainda no local do acidente.
Por Anthony Santana e Maysa Sena
Do Blog da Folha
A eleição brasileira realizada no último domingo desmontou o roteiro desenhado pelo primeiro turno e transformou o Brasil em assunto nos países de todo o mundo. A disputa culminou na vitória do presidente Lula (PT), com 51,79% dos votos válidos, o equivalente a mais de 64 milhões de votos, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que teve 48,21%, cerca de 59 milhões de votos.
Um quadro bastante distinto do primeiro turno do pleito, realizado no dia 4 de outubro, o senador havia terminado na frente, com 47,03% contra 45,16%. Foi a primeira virada em um segundo turno presidencial na história do Brasil.
Leia maisA reação internacional veio em poucas horas. Os chefes de estado Emmanuel Macron (França), Pedro Sánchez (Espanha), Narendra Modi (Índia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Claudia Sheinbaum (México) estiveram entre os líderes que saudaram o resultado.
Por outro lado, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, que haviam declarado apoio a Flávio, ficaram em silêncio. Derrotado, Flávio Bolsonaro disse que não reconhecia o resultado e que pediria a anulação da eleição.
O resultado da eleição brasileira representou um freio ao avanço da direita na América Latina acendendo um alerta para líderes políticos de direita. Enquanto movimentos de esquerda de outros países sinalizam intenção de replicar estratégias adotadas pela campanha de Lula. Além disso, a estratégia de questionamento do resultado das urnas pode embasar movimentos semelhantes em outros países como os Estados Unidos e Israel.
Mobilização
O reconhecimento de líderes da esquerda no mundo não se restringiu à vitória nas urnas. A experiência brasileira de mobilização política nas redes sociais tem despertado interesse no exterior. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez convidou o deputado federal André Janones (Rede-MG) para contribuir com a campanha política, em uma tentativa de absorver a estratégia de comunicação digital que o parlamentar capitaneou no Brasil.
Inspirados no chamado “Exército de Lula”, grupo de WhatsApp da campanha petista, canais criados por movimentos de esquerda na Espanha, França e Argentina registraram crescimento expressivo de integrantes, replicando a lógica adotada no Brasil.
Análise
Especialistas ouvidos pela Folha de Pernambuco leem o episódio por ângulos distintos: há quem veja na vitória um freio à onda conservadora que vem ocupando países da América do Sul; e há quem enxergue a conquista petista como um caso de eficiência na conversão de apoio em votos, sustentada pela máquina de governo e por uma campanha de medo e de retenção do eleitorado.
O professor e colunista da Folha de Pernambuco Luiz Otavio Cavalcanti apresenta duas principais leituras. A primeira é de que a direita avançou na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina, e havia a expectativa de que o Brasil, país mais importante sul-americano, entrasse nessa roda. Segundo ele, a vitória da esquerda frustrou a estratégia de Donald Trump, que busca fazer o Brasil virar à direita.
“Imagine se Flávio Bolsonaro tivesse ganhado e o Brasil se inscrevesse na roda da direita: teria sido um fator de desequilíbrio continental. Com a vitória de Lula, estabeleceu-se uma simetria de poder. A geopolítica continental e a mundial reconhecem que o Brasil encarou o modismo da direita e se saiu muito bem, porque estabeleceu essa simetria na América Latina e enfrentou o poder dos Estados Unidos”, afirma.
Outro ponto levantado pelo especialista é sobre Lula. Cerca de 90 países teriam enviado mensagens ao petista, segundo Luiz Otávio, que vê nisso uma “chuva de rosas”. “É uma coisa muito expressiva no mundo de hoje, um mundo tão dividido e tão complexo”, avaliou, ao lembrar que Lula, aos 80 anos, é eleito pela quarta vez presidente.
Direita
Entre os que saudaram o resultado houve também governos de direita, como o do Equador, de Daniel Noboa, aliado de Trump. O silêncio de Trump e de Milei, que até agora não reconheceram a vitória de Lula, foi a exceção que mais chamou a atenção para Cavalcanti. Trump foi além: na segunda-feira (26), disse que a eleição “pareceu mais uma eleição fraudada”, embora a declaração não represente uma decisão formal dos Estados Unidos de não reconhecer o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em outro movimento, o senador Flávio Bolsonaro recebeu autorização do governo americano para permanecer por 1 ano nos Estados Unidos. A iniciativa incomodou aliados do presidente reeleito, que vem mantendo uma relação de desencontros com o governo Trump.
Luiz Otávio interpreta a postura de Milei como “extravagância” política. Sobre Trump vê “no fundo, um pouco de ciúme” de Lula, que, de idade semelhante ao republicano, conquista novo mandato. O professor resume as lições entre a vitória da democracia e a vitória da qualidade política. “Que lição o Brasil está dando ao mundo: num momento em que o mundo está conflagrado, açoitado pelos autoritarismos, o Brasil exibe uma democracia forte, de vigor democrático”, analisou.
Repercussão
Para a cientista política Priscila Lapa, a repercussão internacional está ligada à força da agenda em defesa da democracia e à capacidade de mobilização política vista no Brasil. O momento de questionamento sobre o quão estáveis são as instituições democráticas ao redor do mundo fizeram o resultado da eleição brasileira ganhar destaque, segundo ela.
“A eleição brasileira foi um indicativo de que é possível resistir a essa onda e fortalecer a democracia pela representação de um sentimento de esperança”, pontuou.
Embora o movimento provocado pela esquerda no Brasil esteja relacionado a questões políticas e históricas particulares ao país, a especialista acredita que a experiência pode ser levada como referência por outros países.
“Existe uma conjuntura no Brasil de resistência democrática que pode ser espelhada para o mundo. Mas essas questões também estão, de alguma forma, presentes em outros países e continentes, de modo que podem ganhar força, a partir da experiência brasileira, outros movimentos semelhantes ao redor do mundo”, frisou.
Peso
Já para o cientista político e professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Elton Gomes, o resultado surpreende porque contraria o que os instrumentos de aferição da opinião pública indicavam. Segundo ele, a maior parte das pesquisas públicas apontavam Flávio à frente na disputa.
“Foi surpreendente porque quebrou uma tendência que se verificou no primeiro turno e que não se manteve no segundo”, avalia. Gomes chama atenção para a posição do Brasil no mapa político latino-americano. Para o cientista político, o tamanho da economia e a influência do país na região impedem que o resultado seja analisado nos mesmos moldes aplicados aos vizinhos. Ele observa que Brasil e México permanecem sob governos de esquerda, enquanto outras nações registraram vitórias de candidatos de direita, de espectro populista ou moderado.
O professor pondera, no entanto, que a permanência de Lula no Planalto não representa uma virada completa do eleitorado brasileiro. O desempenho da oposição nas eleições para o Congresso e as assembleias legislativas, segundo o especialista, demonstra que essas correntes também têm força no país. A diferença aparece na escolha para o comando do Executivo, cargo que concentra a identificação mais direta da população com o governo.
Elton Gomes afirma que essa combinação faz do Brasil um caso particular na região, sem que seja possível classificá-lo simplesmente como contrário à tendência dos países vizinhos. Ainda segundo ele, a comparação precisa considerar as nuances próprias de cada país.
“Mesmo os países mais comparáveis com o Brasil na região, que são essencialmente três, Argentina, Chile e México, são países com características muito próprias. A escala da economia, da política, da importância do Brasil supera esses todos”, avalia.
Redes sociais
Ao analisar a estratégia das campanhas nas redes sociais que vem ganhando destaque no mundo, Elton Gomes compara a organização digital do bolsonarismo com a do petismo, destacando que, diferentemente da estrutura descentralizada e pulverizada da direita, o petismo conseguiu transferir para as redes sociais práticas de comunicação consolidadas nas mídias tradicionais. Segundo ele, essa estratégia foi fundamental para reter eleitores e reduzir deserções durante a disputa eleitoral.
“A força de uma candidatura não pode ser medida apenas pela intensidade da sua militância, nem pela popularidade nas redes sociais, ou somente pela rejeição adversária. Os dois (candidatos) eram muito rejeitados. O que importa é a capacidade de transformar apoio político em votos efetivos, especialmente entre os eleitores menos ideologizados”, definiu o especialista.
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