Na Rádio Pajeú, com o radialista Aldo Vidal, falo neste momento do livro ‘O Estilo Marco Maciel’ e o lançamento em Afogados da Ingazeira, hoje, a partir das 19 horas, na Câmara de Vereadores.
Na Rádio Pajeú, com o radialista Aldo Vidal, falo neste momento do livro ‘O Estilo Marco Maciel’ e o lançamento em Afogados da Ingazeira, hoje, a partir das 19 horas, na Câmara de Vereadores.
Morreu ontem (15), aos 73 anos, o ex-vereador de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, Sebastião Alves Filho, conhecido como Alvinho Patriota, irmão do ex-deputado federal Gonzaga Patriota. Alvinho estava internado em um hospital no Recife, em tratamento contra um tumor. O velório será realizado nesta quarta-feira (16), no SAF em Salgueiro.
Natural de Sertânia, Alvinho construiu sua trajetória como advogado, empresário, comunicador e político em Salgueiro, onde exerceu cinco mandatos consecutivos como vereador, entre 1993 e 2012. No biênio de 2007-2008 foi presidente da Câmara Municipal. As informações são do g1.
Leia maisA trajetória política de Alvinho Patriota também foi marcada por passagens em secretarias municipais e pelas disputas aos cargos de prefeito, em 2012, e deputado estadual, em 2018. Alvinho Patriota também atuou na Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele era formado em direito pela Universidade Federal da Paraíba.
Amanhã (17), será realizada uma homenagem no Parque Vida, às 8h. Às 10h, o cortejo seguirá para o cemitério municipal Luiz Gonzaga de Sá Sampaio, onde o corpo de Alvinho será sepultado.
O prefeito de Salgueiro, Fabinho Lizandro, decretou luto oficial de três dias no município. No decreto, o prefeito destaca que Alvinho dedicou parte significativa de sua vida à defesa dos interesses da população salgueirense e ao desenvolvimento do município. Também enfatiza sua trajetória pública, através nos diversos mandatos que exerceu como vereador, participando ativamente dos debates e decisões de interesse da coletividade.
“Sua trajetória política e profissional deixa um legado de participação na vida pública de Salgueiro, cuja importância transcende os cargos que ocupou, permanecendo marcada pela relação humana que construiu com a comunidade”, ressalta o prefeito no decreto.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (16) que as críticas de Flávio Bolsonaro (PL) a Alexandre de Moraes não são motivadas pelo caso Master, mas pela atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) nos processos que levaram à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
A declaração foi dada durante entrevista ao Desce a Letra Show, no YouTube. Lula acusou Flávio de ter “o rabo preso ao Banco Master” e disse que o adversário mantém uma “obsessão” contra Moraes.
Leia mais“A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque ele mandou prender o cara que matou a Marielle. A bronca dele é que o Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro”, afirmou.
Lula também rebateu as tentativas de associá-lo a Moraes e voltou a cobrar explicações de Flávio sobre a relação de seu escritório de advocacia com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. “Eu que fui preso por essa Suprema Corte e fui preso por 580 dias. É muito engraçado isso. O que ele (Flávio Bolsonaro) tem que explicar é cadê os R$ 130 milhões que ele pegou do Vorcaro”, declarou.
Apesar da defesa do ministro, Lula disse que eventuais irregularidades devem ser investigadas e punidas, com direito de defesa. “Todo mundo que cometeu erro em qualquer área tem que ser julgado. Isso vale para mim, para Alexandre de Moraes, vale para o Fachin”, declarou.
Na sequência, o presidente afirmou que Moraes prestou “dois grandes serviços” à democracia brasileira e destacou sua atuação à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022, durante os ataques de Bolsonaro ao sistema eletrônico de votação.
“Ele foi presidente do TSE quando ganhei as eleições. Ele sabe, e o Brasil sabe, a tentativa que Bolsonaro fez de destruir a credibilidade das urnas”, disse Lula.
Ao falar sobre a reta final da campanha, o presidente afirmou estar confiante na vitória e disse que pretende enfrentar a extrema direita fazendo “a verdade derrotar a mentira”. “Eu, sinceramente, não vejo como não ganhar essas eleições. Não sou movido a pesquisa”, afirmou.
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Por Matheus Pichonelli
Do UOL
Enquanto o Supremo Tribunal Federal entrava em modo autocombustão ontem (15), Flávio Bolsonaro (PL) improvisou uma espécie de pronunciamento à nação para ser replicado nas redes e no horário eleitoral sobre as suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes.
O desafio, para ele, era o mesmo de um ginasta dando “duplo twist carpado”: falar, por quase cinco minutos, da “gravidade do que está acontecendo” sem citar a palavra corrupção ou o nome do corruptor. No caso Daniel Vorcaro, que distribuiu dinheiro e carona para ele e os amigos.
Chamando os espectadores de “irmãs e irmãos”, senha para depois citar o Santo Nome em Vão e prometer dias melhores, Flávio disse que o Brasil estava passando suas mazelas a limpo com o julgamento ao vivo de Moraes no STF.
Entre tantas mazelas, o grande problema do país, segundo Flávio, era um suposto “desequilíbrio institucional” provocado por quem “decidiu governar ao lado de uma parte do STF que descumpriu a lei”. Era uma forma de trazer o conflito supremo para dentro da campanha e jogar Moraes no colo de Lula (PT). Sobre as suspeitas relacionadas aos ministros alinhados ao bolsonarismo, nenhuma palavra.
O tiro mirava no ministro que prendeu o pai de Flávio por descumprir a lei. E que agora pode ser investigado por manter contato com o mecenas do filme sobre o detido: o mesmo Daniel Vorcaro a quem Flávio chamou de “irmão” e cobrou o pagamento de parcelas atrasadas — não se sabe se para a produção ou para um suposto esquema que alimentou as contas da família. Flávio, claro, não deu nome a esse boi. Era como apresentar o Corcovado sem mostrar o Cristo.
“O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes. E, no fim, o Brasil ficou sem presidente nenhum. Sem comando”, disse Flávio, apresentando as credenciais para, ele sim, resgatar a autoridade e a soberania de um país descrito como entregue ao crime. O maior escândalo para os brasileiros, segundo o candidato, é não poder mais andar “em paz nas ruas”.
Mais do que um espaço para promessas, como o fim da reeleição, o vídeo serviu como vacina para as suspeitas que pesam sobre ele. Flávio é um dos muitos investigados por se beneficiar dos recursos de Daniel Vorcaro. Lula, de fato, teve a chance de apontar isso em seu tempo no horário gratuito, levado ao ar logo depois, mas reservou, como sempre, migalhas para o caso Master e gastou o restante em um programa “convencional”, com números, tabelas e conquistas — como se estes fossem tempos convencionais.
Parecia nem dar razão ao adversário que, pouco antes, disse que “na reta final bateu o desespero do outro lado”. “Já partiram para ataque baixo, para me acusar de um monte de mentira”, disse o Zero Um, com o hino e a bandeira nacional ao fundo e gravata amarela.
A “mentira”: Flávio Bolsonaro pediu (e recebeu) R$ 134 milhões para transformar a cinebiografia de Jair em peça de campanha que até agora não teve as contas passada a limpo, como ele exige para o Brasil.
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Nesta terça-feira (15) o Supremo Tribunal Federal (STF) realizou uma sessão extraordinária para analisar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. No entanto, o ministro Flávio Dino pediu vista.
“Eu tenho que interromper esta situação porque nós temos uma questão de ordem. Nós não temos condições de deliberar. O clima é daí para pior, e a sociedade está assistindo a algo diferente do rito que a lei manda”, alegou Dino, após fazer o pedido.
A sessão terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises pela Corte das condutas de Moraes, na relação com Vorcaro, e de André Mendonça, na condução do relatório do caso Master. Na prática, ainda não foi definido como os casos serão julgados. As informações são do g1.
Leia maisFachin votou para manter a separação. Ele foi acompanhado pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Já Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram para que as análises sejam conjuntas. O ministro Flávio Dino, que havia votado com essa corrente, mudou o voto para um pedido de vista, o que suspendeu o julgamento.
O que acontece agora?
Com o pedido de vista, o julgamento foi interrompido por até 90 dias corridos. Após o período, o processo é retomado. Esse tipo de solicitação ocorre quando um ministro de um tribunal solicita mais tempo para analisar um processo antes de votar.
Na prática, o julgamento é suspenso porque o ministro entende que precisa estudar melhor o caso, os argumentos apresentados pelas partes ou os votos dos colegas antes de formar sua decisão. No Supremo Tribunal Federal (STF), o pedido de vista pode suspender a análise de um processo que está sendo julgado pelo plenário ou por uma das Turmas.
O pedido de vista, portanto, não significa que o ministro seja contrário ou favorável à decisão em discussão: significa apenas que ele pediu mais tempo para analisar o caso antes de apresentar seu voto.
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Por Roseann Kennedy
Do Estadão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tinha sido orientado a “largar a mão” de Alexandre de Moraes, desde que começou a despencar nas pesquisas de intenção de voto, mas o distanciamento foi apenas cálculo eleitoral e, na prática, não ocorreu. Ao contrário disso, o governo e o PT agiram para indiretamente proteger o “herói” do julgamento do 8 de janeiro.
A estratégia foi desviar o foco das suspeitas sobre as relações de Moraes e Daniel Vorcaro, antagonizando o tema com a atuação do ministro André Mendonça. Para isso, os governistas contaram com duas frentes: no próprio Judiciário, com a ofensiva de Flávio Dino, fiel escudeiro de Lula, em ações contra Mendonça, e nas redes sociais, elevando o tom sobre o magistrado.
Leia maisOu seja, Lula apenas evitou elogios públicos a Moraes e, agora, sua campanha continuará sangrando diante da crise que se arrasta no STF. Interlocutores palacianos admitiam, desde o início de ontem (15), que nenhum desfecho no Supremo geraria resultado positivo para Lula.
Se a decisão da Corte fosse por autorizar a investigação, Moraes passaria a ser alvo de inquérito, o problema cairia no colo de Lula e os discursos bolsonaristas ganhariam força. Já com o caso adiado, por ação de aliados do presidente, a mensagem que fica é de que seu grupo político ajuda Moraes de todo jeito. Para piorar, o petista não consegue pautar outro tema na campanha presidencial.
No pragmatismo político, Moraes virou tóxico para o candidato Lula, porém continua sendo útil ao petismo para rivalizar com os bolsonaristas. A duas semanas do primeiro turno, entretanto, os marqueteiros da campanha sabem que não há mais espaço para erros de estratégia ou improviso.
Até ontem, o presidente Lula não tinha feito nenhuma crítica ou cobrança incisiva por esclarecimentos sobre as graves suspeitas que pesam contra Moraes — por exemplo, de corrupção passiva e advocacia administrativa. O presidente da República fizera apenas uma declaração genérica de que “todos devem prestar esclarecimentos”.
Agora, os próximos passos de Lula e do PT devem considerar uma máxima que circula em Brasília: políticos experientes vão até a beira do abismo com um aliado político, mas, se chegar a hora da queda, empurram primeiro.
Escalada da crise Moraes na Campanha de Lula
Como mostrou a Coluna do Estadão, a cúpula da campanha presidencial petista teve uma longa reunião no último dia 9. Foram mais de cinco horas de discussões nas quais o grupo reavaliou o cenário político e se deparou com a constatação de que o escândalo sobre Alexandre de Moraes cola mais em Lula do que o caso que envolve as denúncias sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Um dos motivos para a nova comunicação foi a análise de um monitoramento digital recebido pela campanha. Os números apontaram uma escalada expressiva no volume de menções e comentários sobre a crise do Supremo Tribunal Federal nas redes sociais; no caso específico de Alexandre de Moraes + Daniel Vorcaro + Banco Master, quase 90% das reações registradas são críticas.
Desde que foi revelada a troca de mensagens de Daniel Vorcaro com Moraes, com pedido até de orientação sobre o dia da fuga, Lula passou a amargar novas quedas nas intenções de voto.
As pesquisas mais recentes mostraram seu principal rival, Flávio Bolsonaro (PL), numericamente à frente, embora os dois estejam ainda em empate técnico. O cenário considerado mais preocupante para o PT é eventualmente chegar ao dia 4 de outubro com o filho “Zero Um” de Jair Bolsonaro à frente também nas projeções de 1º turno.
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Por Cláudio Soares*
O primeiro problema que precisa ser enfrentado é simples. Diante de suspeitas que atingem um de seus próprios integrantes, o Supremo Tribunal Federal passou horas discutindo procedimentos, relatorias e formas de tramitação, sem chegar ao exame do mérito das suspeitas.
Quem deveria relatar o caso? Os processos deveriam ser reunidos? A Presidência poderia assumir os autos? Os ministros poderiam participar da discussão? Qual seria a ordem adequada?
Leia maisRegras processuais existem justamente para limitar o poder dos julgadores, preservar a imparcialidade e impedir abusos. O problema começa quando a discussão sobre o procedimento passa a ocupar praticamente toda a sessão e o mérito fica sem ser enfrentado. Foi exatamente o que ocorreu em 15 de setembro.
A sessão do STF terminou sem que os ministros chegassem à análise das suspeitas que envolvem Alexandre de Moraes. O debate ficou concentrado na possibilidade de reunir o caso de Moraes com o procedimento envolvendo André Mendonça. O placar provisório ficou em 4 votos a 3 pela manutenção dos casos separados, até que Flávio Dino pediu vista.
E aqui surge outro ponto controverso. Alexandre de Moraes, que é diretamente atingido pelas suspeitas em discussão, participou da deliberação e votou pela reunião dos casos.
É legítimo questionar, juridicamente, se alguém diretamente envolvido na controvérsia deveria participar da decisão sobre a forma de julgamento do próprio caso. A sessão também foi marcada por confrontos entre os ministros. Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um duro embate, com acusações de natureza política e questionamentos sobre a condução do caso.
Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques declararam-se impedidos de votar, embora Toffoli tenha permanecido no plenário. E Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques? Os dois ministros se afastaram do julgamento. Toffoli declarou-se suspeito e Nunes Marques, impedido. Ambos, parece envolvidos com o cafetão Vorcaro.
Mas a sociedade tem o direito de perguntar. Foi apenas uma decisão de prudência jurídica ou há alguma circunstância que ainda precisa ser esclarecida?
Não se trata de acusar nenhum dos dois ministros de qualquer irregularidade. Trata-se de reconhecer que, diante de um julgamento tão grave e de tantas dúvidas sobre a própria atuação da Corte, as decisões de afastamento também precisam ser compreendidas com absoluta transparência.
A sociedade não pode ficar apenas com perguntas. Precisa receber respostas. Este STF não representa a magistratura brasileira. É preciso fazer uma distinção fundamental.
O Supremo Tribunal Federal não é sinônimo do Poder Judiciário brasileiro.
O STF é uma instituição essencial da República, mas seus onze ministros (hoje dez) não representam, individualmente, milhares de magistrados brasileiros que ingressaram na carreira por concurso público e exercem diariamente a jurisdição nos tribunais de todo o país.
Há milhares de juízes e juízas que trabalham longe dos holofotes, enfrentam enormes volumes de processos, decidem conflitos diariamente e exercem sua função com independência, conhecimento jurídico, honestidade, ética e compromisso com a Constituição.
São magistrados que não podem ser confundidos com as controvérsias protagonizadas por integrantes da Suprema Corte. Por isso, quando criticamos determinadas condutas ou decisões do STF, não estamos atacando o Judiciário brasileiro.
Defender a independência, a dignidade e a credibilidade da magistratura brasileira também significa exigir que a mais alta Corte do país esteja à altura da responsabilidade que a Constituição lhe confiou.
O Brasil precisa de um Judiciário forte. Precisa de juízes independentes.
Precisa de ministros respeitados. E, acima de tudo, precisa de instituições que não tenham medo de investigar, esclarecer e responder às perguntas que a sociedade legitimamente apresenta.
O STF é grande demais para ser confundido com as controvérsias de seus próprios integrantes. A Constituição é maior que qualquer ministro. E a República é maior que qualquer Corte.
No meio de toda essa discussão, veio o pedido de vista de Flávio Dino. Dino havia manifestado posição favorável à reunião dos casos, mas, ao pedir vista, seu voto deixou de ser computado no placar provisório. A consequência prática foi a suspensão do julgamento.
O Regimento Interno do STF, após a Emenda Regimental nº 58/2022, estabelece prazo de 90 dias para a devolução dos processos objeto de pedido de vista, após o qual os autos ficam automaticamente liberados para continuidade do julgamento.
A questão jurídica que fica é inevitável – qual é a finalidade de um pedido de vista quando o ministro já havia manifestado sua posição durante a sessão?
É uma pergunta legítima e merece resposta pública, porque o instituto da vista existe para permitir exame mais aprofundado do processo antes da conclusão do julgamento. A contradição que remete a 2019 Há ainda um episódio histórico que merece ser lembrado.
Em abril de 2019, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, promoveu o arquivamento do Inquérito 4.781, instaurado de ofício pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, e relatado por Alexandre de Moraes.
Dodge sustentou, entre outros argumentos, questões relacionadas ao devido processo legal, ao sistema acusatório, à livre distribuição e à atuação do Ministério Público. Moraes, porém, rejeitou o arquivamento e determinou a continuidade do inquérito.
O episódio de 2019 é relevante porque mostra que o próprio Supremo já enfrentou a discussão sobre a possibilidade de uma investigação ser instaurada de ofício pela Corte e conduzida sem provocação inicial do Ministério Público.
Agora, sete anos depois, a pergunta volta por outro caminho. Durante a sessão de 15 de setembro de 2026, Alexandre de Moraes questionou se o colegiado poderia, de ofício, votar algo que não tivesse sido pedido pela polícia ou pelo Ministério Público.
A pergunta é juridicamente relevante. E justamente por isso merece uma resposta igualmente objetiva: quais são os limites da atuação de ofício do Supremo quando o próprio Tribunal é chamado a examinar fatos que envolvem um de seus ministros? Não se trata de condenar ninguém antecipadamente. Não se trata de afirmar que alguém cometeu crime.
Trata-se de uma exigência elementar de qualquer Estado de Direito: suspeitas precisam ser apuradas por procedimentos transparentes, imparciais e previamente definidos.
O Supremo Tribunal Federal é uma instituição fundamental da República. Sua força não está apenas na autoridade de suas decisões, mas também na confiança que a sociedade deposita na imparcialidade de seus integrantes.
Quando uma Corte precisa discutir se pode investigar um dos seus próprios membros, a solução não pode ser simplesmente prolongar indefinidamente a discussão sobre quem pode investigar, quem pode relatar ou quem pode votar.
É preciso estabelecer regras claras. E é justamente aqui que entra o Senado Federal. A Constituição, em seu artigo 52, inciso II, atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF nos crimes de responsabilidade. Não se está pedindo condenação antecipada de ninguém.
Não se está pedindo que o Senado substitua o Judiciário.
O que se espera é que cumpra sua competência constitucional e, diante de eventuais denúncias formalmente apresentadas, examine-as dentro do procedimento previsto em lei.
Porque uma democracia não pode funcionar com instituições que simplesmente deixam de exercer as competências que a Constituição lhes atribuiu.
O Supremo não precisa ser enfraquecido. Precisa ser preservado.
E preservar o Supremo significa também exigir de seus ministros transparência, imparcialidade, respeito às regras processuais e disposição para que fatos envolvendo integrantes da própria Corte possam ser examinados sem privilégios.
A Constituição não criou poderes acima da fiscalização. Criou instituições submetidas à Constituição.
*Advogado e jornalista
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No podcast Direto de Brasília, que irá ao ar hoje, o ex-presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, vai tratar especificamente da sessão bombástica do Supremo Tribunal Federal de ontem, na qual o plenário iria decidir se autorizava a abertura de uma investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Dino terá um prazo de 90 dias para devolver o caso ao plenário da Corte.
Antes da análise do mérito, porém, o plenário se debruçou sobre uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, que defendeu que os processos envolvendo Moraes e André Mendonça fossem analisados conjuntamente. A proposta gerou divergências entre os ministros: Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam a manutenção dos julgamentos separados, enquanto Gilmar Mendes, Moraes e Cristiano Zanin votaram pelo julgamento conjunto. O placar estava em 4 a 3 quando Dino pediu vista.
Leia maisMoraes não votou por ser o alvo do pedido de investigação. Kassio Nunes Marques também ficou de fora após se declarar impedido, citando sua condição de presidente do TSE e o possível impacto do caso sobre as eleições de 2026. No mesmo dia, haviam sido divulgadas notícias sobre supostos pagamentos do Banco Master ao filho do ministro, Kevin Marques, o que Nunes Marques negou. Dias Toffoli, por sua vez, declarou suspeição por foro íntimo. A discussão foi marcada ainda por sucessivos embates e bate-bocas entre os ministros, especialmente Gilmar Mendes e André Mendonça. Cármen Lúcia chegou a lamentar o tom dos debates e do STF ser o foco em período eleitoral, enquanto Dino afirmou que não havia condições de prosseguir com o julgamento naquele momento.
Felipe Santa Cruz, o nosso convidado, é graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e mestre em Direito e Sociologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atuou por vários anos na seccional do Rio de Janeiro, onde presidiu a Caixa dos Advogados e a OAB/RJ por dois mandatos.
Foi eleito presidente nacional da OAB para o triênio 2019-2022. Sua gestão ficou marcada por fortes embates institucionais com o governo federal da época e pela atuação da entidade durante o período da pandemia de COVID-19.
O podcast Direto de Brasília, parceria deste blog com a Folha de Pernambuco, é transmitido para 165 emissoras de rádio no Nordeste. Também retransmitem a Rede Mais Rádios, da Paraíba, com 25 emissoras, e a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid; a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras, além também da revista Mais Nordeste, em Fortaleza, e a LW TV, de Arcoverde.
São parceiros no projeto a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, com atuação em São Paulo e no Nordeste, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú, o grupo Grau Técnico, a Oftalmolaser Vale do São Francisco e o Berlitz Idiomas.
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Depois de um dia estressante, na cobertura da longa sessão frustrante do STF, nada melhor do que começar um novo dia com uma corridinha em Brasília pelas entrequadras da Asa Norte próximas ao hotel. Cumprir a meta diária de 8 km, eis o combustível para um dia de energia renovada.
O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse, em entrevista ao Jornal da Record ontem (15) que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, está com a “faca e o queijo na mão” em relação aos processos que apontam suposto envolvimento de ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bancária.
“A Suprema Corte agora já está dotada de todas as informações. O sigilo foi quebrado. Portanto, o Fachin tem agora a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o quê na Suprema Corte. E quem fez tem que ser punido, tem que ser julgado. Não há como o povo brasileiro ficar vendo uma Suprema Corte perder credibilidade na sociedade. A instância máxima da justiça brasileira precisa ser exemplo”, disse Lula. As informações são do Brasil de Fato.
Leia maisO presidente destacou ainda que o ministro André Mendonça “tinha guardado [informações] como segredo de Estado e só soltando aquilo que interessava para ele”. “Agora pode ser aberto para toda a sociedade para ver quem estava mentindo nisso”, completou.
A sessão de ontem (15), que discutia a reunião das petições envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Master, foi interrompida após o pedido de vista do ministro Flávio Dino, em uma sessão com vários bate-bocas entre ministros no plenário.
Logo no início da entrevista, o presidente disse que “é muito difícil um torneiro mecânico ficar dando palpite e julgando a Suprema Corte”, mas salientou que o país está em “um momento determinante”. “Não há ninguém, mas ninguém, absolutamente ninguém que possa fugir do julgamento quando tem suspeitas, tem acusação contra ele.”
Lula também questionou a saída dos ministros Kassio Nunes e Dias Toffoli, que desistiram de participar da discussão, após o vazamento de informações sobre trocas de mensagens com Vorcaro.
“Que se apure, se apure com todo rigor, abra-se o sigilo de telefone de todo mundo. Por que o Toffoli não votou? Por que o Kassio não votou? Quem é que levou dinheiro? Quem é que participou dessa trama do Vorcaro? Porque o Vorcaro é uma quadrilha que envolveu muita gente de várias instâncias, do Poder Judiciário, do STF, da política. Vamos colocar o Brasil a nu e investigar para ver se a gente consegue fazer o Brasil ser melhor para o povo brasileiro”, disse o candidato. “Portanto, não tem trégua. É preciso investigar todos, todos sem distinção.”
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O asfalto de uma ponte cedeu e formou uma cratera em um trecho pedagiado do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. A estrutura cedeu na noite de ontem (15), na VPE-34, que dá acesso ao Estaleiro Atlântico Sul, do Porto de Suape. As informações são da Folha de Pernambuco.
Imagens do local mostram que os dois sentidos da pista foram afetados, impedindo a circulação de veículos na área. Apenas pedestres conseguem passar. Profissionais da concessionária responsável pela via realizaram o bloqueio do trecho da ponte, que passa por cima de uma área de manguezal e de rio. A reportagem entrou em contato com a administradora da área e também com o Porto de Suape para obter outras informações sobre o ocorrido.
Leia maisEm nota, o Porto de Suape informou que, na noite de ontem, foi identificado o rompimento de um trecho da via VPE-34, com danos ao pavimento e interrupção da circulação.
“As causas da ocorrência estão sendo investigadas pela equipe técnica da Concessionária Rota do Atlântico, responsável pelo trecho. O Complexo de Suape e a concessionária acionaram imediatamente as equipes responsáveis e adotaram as medidas emergenciais necessárias”, destacou.
Ainda de acordo com o Porto, a área afetada foi isolada e sinalizada, com controle dos acessos e reforço da segurança viária. Equipes de engenharia, manutenção e operação foram mobilizadas para realizar inspeções, levantamentos técnicos e monitoramento do local.
“Máquinas, equipamentos e materiais necessários às intervenções estão sendo mobilizados. As equipes seguem atuando de forma conjunta e prioritária no planejamento e na execução dos serviços para restabelecer a circulação dos veículos com segurança e no menor prazo possível. O fluxo de pedestres está sendo controlado no local. A Concessionária orienta os usuários a não acessarem o trecho bloqueado. Rotas alternativas estão sendo avaliadas e a CRA divulgará novas informações após o avanço das apurações sobre a ocorrência”, ressalta o comunicado.
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Decisão leva STF ao sangramento
O que era esperado aconteceu: a grande expectativa gerada pela sessão de ontem do STF, destinada a discutir se o ministro Alexandre de Moraes seria investigado pelos áudios vazados que o envolvem com o banqueiro Daniel Vorcaro, não entrou na discussão do seu mérito porque o ministro Flávio Dino pediu vista. Dino terá um prazo de 90 dias para devolver o caso ao plenário da Corte.
Uma das questões levantadas por Dino é que o relatório sobre Moraes foi feito a pedido de Mendonça, então relator do caso Master. No entanto, Fachin afastou o colega da investigação, tomando-a para si. Segundo Dino, essa não seria uma prerrogativa do presidente do Supremo.
Leia mais“Houve um sacrifício dos ritos, sacrifício das formas, sacrifício do devido processo legal. Se você não tem rito, você tem dois pesos e duas medidas, que é a negação da Justiça”, argumentou Dino.
Em seu voto, Moraes afirmou que os relatórios referentes a ele e a Mendonça se sobrepõem. “Não há razão para que a instrução e o julgamento não sejam conjuntos. As delegações são bases fáticas e probatórias comuns, se sobrepõem, porque uma anula a outra, uma afasta a outra”, destacou o magistrado, que é ele próprio assunto do julgamento.
Alexandre de Moraes ganha tempo com pedido de vista de Flávio Dino, que, em tese, tem 90 dias para devolver o processo. Ou seja, a conclusão do tema fica para depois das eleições. Ainda que, até o pleito, o assunto vá render bastante e tenda a favorecer as movimentações bolsonaristas.
Além dos bate-bocas lamentáveis, a sessão foi marcada por insinuações de que há outros ministros na mesma situação de Moraes, em termos de ilações sobre supostas relações com Vorcaro.
Dino citou os ministros Mendonça e Luiz Fux — que reagiu de forma veemente dizendo que não há nada contra ele. Com sessão na semana que vem para discutir a atuação de Mendonça no processo de Moraes, a crise institucional continuará a todo vapor e servindo de combustível para uma eleição cada dia mais imprevisível. A Corte, na prática, sai perdendo, porque ficará sangrando perante a sociedade brasileira.
PRECEDENTE DA LAVA JATO – Após o presidente do STF, Edson Fachin, reiterar sua decisão de assumir o caso sobre Moraes e votar para manter a sessão de ontem, o ministro Flávio Dino alegou falta de clareza no rito e criticou o que disse ser um “sacrifício” do devido processo legal, citando a operação Lava Jato como exemplo. Ele é da ala próxima a Moraes e que defende um adiamento do julgamento. “Se você não tem rito, você tem dois pesos e duas medidas, que é a negação da Justiça”, disse. “Nós tivemos a experiência da Lava Jato. Onde nós chegamos com a Lava Jato? Provavelmente a decisões de altíssima importância do ponto de vista jurídico, mas também a desastres institucionais, e não é possível que não haja uma curva de aprendizado quanto a isso”, completou.

Diálogo entre divergentes – Em alas opostas na divisão de forças do STF, os ministros Flávio Dino e André Mendonça tiveram uma conversa durante o intervalo da sessão histórica de ontem. De acordo com interlocutores de ambos, eles não entraram no mérito do que estava sendo julgado no plenário, mas debateram sobre os procedimentos da sessão, definidos pelo presidente do STF, Edson Fachin. Antes da sessão, Dino pediu a Fachin que investigue uma possível correlação entre o Banco Master, o Instituto Iter (ligado a Mendonça) e contratos de serviços cemiteriais no município de São Paulo.
Sem pedido de investigação – O ministro Alexandre de Moraes afirmou, durante a sessão do STF, que não existe pedido de investigação contra ele e questionou ao presidente do tribunal, Edson Fachin: “Vossa Excelência, vai votar o quê?”. O magistrado disse que foi intimado a prestar informações a respeito do que consta na petição que o aponta como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo ele, o que existe no documento é um pedido de nulidade e arquivamento. “Consta pedido de investigação feito pela Polícia Federal? Não. Consta pedido de investigação feito pelo Ministério Público? Não. Consta pedido de investigação feito pelo ministro André Mendonça? Não. Consta algum pedido de investigação em relação a mim? Não”, disse.
Pegou fogo – Em um dos momentos mais duros e tensos da sessão de ontem, o ministro André Mendonça afirmou existir uma “PF paralela” e disse que ministros do Supremo são monitorados. Moraes reagiu questionando “quem tem medo da Polícia Federal?” e acusou o colega de ter pressionado a corporação para incluir seu nome em uma colaboração premiada. A sessão também expôs divergências sobre a decisão de Edson Fachin de assumir a relatoria do processo que estava com Mendonça. Flávio Dino e Gilmar Mendes questionaram a mudança, enquanto Fachin rebateu os dois e afirmou que não retirou o processo do colega.

Quem mente? – O ministro Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de ter determinado que a Polícia Federal incluísse seu nome em uma colaboração premiada relacionada a Vorcaro. O ministro afirmou ainda que poderia levar testemunhas ao plenário para sustentar a acusação. “Presidente, quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada. E vamos trazer aqui, presidente, vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas”, afirmou Moraes. Mendonça rebateu a acusação e afirmou que Moraes estava mentindo: “Isso é mentira”. Moraes então reforçou que indicaria testemunhas.
CURTAS
DELAÇÃO 1 – O ministro André Mendonça disse, durante a sessão, que recebe advogados “de todas as partes”, mas não trata de delação. “A única coisa que eu sempre disse é que se tiver uma delação, eu vou analisar os critérios”, declarou.
DELAÇÃO 2 – Mais cedo, Alexandre de Moraes acusou o colega de ter pedido, durante reunião com a Polícia Federal, que ele fosse incluído em um acordo de colaboração premiada de Daniel Vorcaro. Mendonça deu a declaração após Gilmar Mendes dizer que ele teria afirmado que recebe advogados para “conduzir as delações”.
DESTITUIÇÃO – Do ministro Flávio Dino: “Em nenhum tribunal do país, um presidente pode destituir um relator. Aceitar essa prática abriria uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar.”
Perguntar não ofende: Para acelerar, Fachin pode mudar o prazo de 90 dias para o pedido de vista?
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O ex-prefeito do Recife e candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB), percorreu, nesta terça-feira (15), ruas e avenidas de Jaboatão dos Guararapes em uma carreata que passou pelos bairros do Curado, Cavaleiro, Pacheco e Monte Verde. A agenda reuniu apoiadores, moradores e lideranças políticas do município.
Ao lado dos candidatos ao Senado Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), o João Campos destacou a importância de aproximar o governo estadual dos municípios e ampliar a capacidade de investimento em áreas como infraestrutura, saúde e mobilidade. As informações são do Blog da Folha.
Leia mais“Eu quero ser governador para cuidar de Pernambuco inteiro. O que a gente fez no Recife, com planejamento, investimento e capacidade de realizar, precisa chegar a Jaboatão, às demais cidades da Região Metropolitana e ao interior. A gente quer um governo presente, que conheça a realidade de cada município e faça as obras que o povo precisa”, afirmou.
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