Na Rádio Pajeú, com o radialista Aldo Vidal, falo neste momento do livro ‘O Estilo Marco Maciel’ e o lançamento em Afogados da Ingazeira, hoje, a partir das 19 horas, na Câmara de Vereadores.
Na Rádio Pajeú, com o radialista Aldo Vidal, falo neste momento do livro ‘O Estilo Marco Maciel’ e o lançamento em Afogados da Ingazeira, hoje, a partir das 19 horas, na Câmara de Vereadores.
Gustavo desponta para presidente da Alepe, mas Podemos não quer contrariar Raquel
Decano da Casa, o deputado Antônio Moraes, que atuou por muito tempo no PP e emplacou o décimo-primeiro mandato pelo PSD, é o candidato preferido da governadora Raquel Lyra (PDS) para presidir a Assembleia Legislativa, sucedendo a Álvaro Porto (MDB), impedido de disputar a reeleição, conforme restrições do regimento interno.
Raquel construiu uma ampla base de apoio partidário para o seu segundo mandato. Seu partido e o PSB saíram das urnas com o maior número de deputados eleitos — nove, cada um. O PP, de Eduardo da Fonte, que tinha a maior bancada, detém agora sete cadeiras, seguido do Podemos, com seis e o PT, que ampliou de quatro para cinco a sua representação.
Leia maisDiferentemente do que ocorreu na legislatura passada, quando já queria Moraes presidente e foi surpreendida pelas articulações, a força e o prestígio de Álvaro na Casa, que acabou eleito, a governadora, aparentemente, não terá dificuldades na eleição de um aliado para o comando do Legislativo Estadual.
Mas, entre os próprios deputados governistas, identifiquei uma discreta resistência ao nome de Moraes. Há quem já fale em lançar o nome de Gustavo Gouveia (Podemos), irmão do deputado federal eleito Marcelo Gouveia, presidente estadual da legenda. Apurei, entretanto, que Marcelo não fará nenhum movimento que venha a criar problemas para Raquel e que seu grupo ficaria satisfeito sendo contemplado com a primeira-secretaria para Gustavo, que já exerceu a função.
Segundo um parlamentar governista, com o apoio dos partidos de oposição — PSB e PT somam 14 votos — e a dissidência de partidos da base, como o PP, o Podemos, que elegeu seis deputados, poderia ir para o confronto do bate-chapa com Moraes e promover uma reviravolta no jogo.
“Mas Marcelo está plenamente afinado com a governadora e se o candidato for Antônio Moraes o partido não criará nenhum impedimento”, disse um parlamentar da base governista muito próximo ao presidente do Podemos.
TENÓRIO LEMBRADO – Nos bastidores da Alepe, outro nome ventilado para disputar a Presidência é o de Joãozinho Tenório, do PSD de Raquel. Segundo um parlamentar da oposição, Tenório não teria restrições de nenhum partido, porque é hábil na articulação, transita bem na Casa e tem a confiança da governadora. Tanto que já foi líder do Governo com excelente desempenho. “Não identifico nenhuma resistência ao nome dele”, disse o mesmo parlamentar oposicionista, ao traduzir o ambiente na Casa sobre a sucessão de Porto.

Podemos quer a primeira-secretaria – Se a governadora não abrir mão da indicação de Antônio Moraes para suceder a Álvaro Porto, o Podemos vai exigir em troca a primeira-secretaria para Gustavo Gouveia, irmão de Marcelo Gouveia. O deputado não conseguiu ser reeleito para a função, há dois anos, graças a uma manobra da oposição, que emplacou Francismar Pontes (PSB), muito querido na Casa. Passa pelo primeiro-secretário o poder de controlar o orçamento e os atos administrativos do Legislativo, com autonomia, mas em perfeita sintonia com o presidente.
Débora secretária, Marconi deputado – Quantos deputados estaduais a governadora vai convocar para o seu novo Secretariado? A deputada Débora Almeida (PSD) está entre os nomes mais especulados para o primeiro escalão, porque, além de ser muito próxima a Raquel, abriria a sua vaga na Alepe para o primeiro-suplente Marconi Santana (PSD), ex-prefeito de Flores, que teve mais de 42 mil votos, mas não se elegeu. Santana seria mais um representante do Sertão na Alepe.
A fagulha – De Raul Rabelo, o marqueteiro de Lula no segundo turno ao explicar numa entrevista ao Globo o que levou o comando do presidente a mudar a estratégia de campanha do primeiro para o segundo turno: “Tivemos um susto (com Flávio à frente de Lula) e isso trouxe uma mobilização com mais força. Foi natural que a gente reagisse com energia. No primeiro programa de TV do segundo turno, trouxemos aquela molecada que estourou de voto, como a Camila Jara (PT-MS), Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP). Essa juventude começou a levar a campanha à frente. Houve também o movimento dos estudantes. Tudo isso acendeu a fagulha”.

O choro de Triunfo – Triunfo, a cidade mais charmosa e fria do Sertão, parou, literalmente, sábado passado, para chorar na despedida do jovem João Caio, de 26 anos, filho do ex-prefeito João Batista Rodrigues. Ele morreu num acidente de moto a caminho de Serra Talhada, na madrugada do próprio sábado, gerando um ambiente de profunda consternação no Estado, especialmente no Pajeú e fortemente em Triunfo. O prefeito Luciano Bonfim, que sucedeu a João, esteve na casa do amigo desde a hora que soube da fatalidade. “Uma tragédia, sem palavras”, resumiu. Bonfim decretou luto oficial por três dias no município.
CURTAS
BOICOTE – Na quinta-feira passada, uma ala do PT chegou a boicotar uma reunião da Executiva Nacional, instância decisória mais restrita, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha. O presidente Edinho Silva convocou então um encontro do diretório para o dia 13 de novembro.
CRÍTICAS – No PT, a expectativa é que ele ouça críticas à condução da campanha eleitoral, da qual foi coordenador. Dirigentes do partido se queixam de concentração de decisões nas mãos de Edinho. Líderes estaduais cobram mais autonomia para decidir sobre o destino de recursos da legenda.
REBELIÃO – Aliados de Edinho, por sua vez, afirmam que a rebelião não tem relação com a condução da campanha de Lula. Eles atribuem a disputa interna à insatisfação de um grupo de petistas com um processo de esvaziamento de seu poder e uma proposta de intervenção no diretório do PT no Rio de Janeiro.
Perguntar não ofende: Quando Raquel vai dar o start da sucessão na Alepe?
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Há pouco mais de 40 anos, o Brasil festejava um momento histórico: a eleição e a futura posse do primeiro presidente civil, após duas décadas do regime militar. A internação na véspera da posse — e a morte inesperada do presidente eleito Tancredo Neves em 21 de abril de 1985 — mudou novamente os rumos da política nacional. E, ainda hoje, é cercada de mistérios e até teorias da conspiração.
Uma decisão dada pela Justiça Federal nesta semana pode começar a solucionar essas dúvidas. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região foi unânime ao aprovar que a família de Tancredo tenha acesso a documentos sigilosos sobre a internação no Hospital de Base, em Brasília. As informações são do g1.
Leia maisO objetivo é sanar a dúvida da família — e de inúmeros eleitores da época — sobre a suspeita de erro médico. Tancredo Neves foi internado na véspera da posse presidencial com quadro de diverticulite — inflamação na região do intestino grosso. Ele morreu um mês depois, em 21 de abril de 1985.
Com a nova decisão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), devem liberar prontuários, relação de médicos e outros documentos. Procuradas pelo g1, as entidades afirmaram que ainda não foram oficialmente notificadas.
Caminho na Justiça
Apesar de a decisão ter chegado apenas em 2026, a busca por explicações começou em 2010, com a publicação do livro “O paciente”, de Luís Mir. Com autorização da família, o escritor pesquisou a fundo o período e encontrou falhas nos procedimentos.
A advogada Juliana Porcaro explica que a família pediu aos conselhos que liberassem os documentos, mas a demanda foi negada com base no sigilo da relação médico-paciente. Por isso, o caso foi parar na Justiça.
As hipóteses de erro médico levantadas pelo autor e pelos familiares se sustentam em quatro fatores.
• Cirurgia imediata: especialistas ouvidos pelo escritor questionam a decisão de uma cirurgia de emergência. Isso porque os procedimentos contra diverticulite costumam ser eletivos, ou seja, passíveis de agendamento enquanto o paciente segue com outros tratamentos.
• Técnicas questionáveis: Mais de 30 acompanhantes estiveram na sala de cirurgia durante o procedimento, o que é proibido por razões de segurança.
• Advertência: Médicos envolvidos no tratamento receberam advertência do CRM-DF. O motivo da notificação, no entanto, segue como um mistério.
• Falhas na recuperação: O autor acredita que falhas no protocolo de recuperação podem ter contribuído para complicações.
Uma das fotos mais emblemáticas da época é a foto de Tancredo Neves sentado ao lado dos médicos (foto principal). Por conta da região da cirurgia, no entanto, ele não poderia ter sido colocado naquela posição.
Após hemorragia e outras complicações, Tancredo foi transferido do Instituto do Coração (Incor) já em estado grave. “Quando ele veio a óbito, os médicos não tiveram coragem de declarar o óbito, eles chamaram o médico americano [Warren Zapol], que veio ao Brasil e avaliou”, conta Juliana.
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Do UOL
A Polícia Federal informou que dois servidores da Prefeitura de Tacuru, no Mato Grosso do Sul, admitiram ter sido os responsáveis por divulgar áudios com ameaças a indígenas da Aldeia Sassoró. O governo federal tem recebido denúncias de ameaças, racismo e violência contra comunidades indígenas depois das eleições.
O que servidores alegaram
Eles foram ouvidos pela PF e disseram que gravaram os áudios, mas não pretendiam colocar as ameaças em prática. “Falaram que foi da boca para fora”, afirmou a corporação ao UOL. Os nomes dos dois não foram divulgados.
Leia maisOs áudios falavam em envenenar água consumida por indígenas da aldeia, localizada em Tacuru. Após a divulgação das mensagens, a PF abriu investigação sobre o caso.
O diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire, disse que investigados culparam “bebedeira” por áudios. Ele afirmou à TV Morena que os servidores alegaram não ter como “materializar as ameaças” e minimizaram as mensagens, que chamaram de “besteira” e “palavra mal colocada”.
Freire disse ainda que investigações não se basearão apenas nas declarações dos servidores. A coleta de provas por parte da PF continua. Após a conclusão do inquérito, o material será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para análise de eventuais responsabilizações.
Ministros vão ao Mato Grosso do Sul
Ministros do governo visitaram ontem aldeias ameaçadas. Eloy Terena (Povos Indígenas) e Janine Mello (Direitos Humanos e Cidadania) foram até as comunidades Taquapery, em Coronel Sapucaia (MS), e Sassoró, em Tacuru (MS), para reforçar as ações do governo na região e avaliar, em diálogo direto com as lideranças, a necessidade de medidas adicionais.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César e Lima, esteve em Dourados (MS). Ele realizou uma reunião de trabalho com as forças de segurança pública, abrangendo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional de Segurança Pública e órgãos estaduais, incluindo a Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar.
Denúncias estão sendo encaminhadas aos órgãos competentes para apuração. “Queremos ser absolutamente rigorosos para que nenhuma dessas práticas possa ocorrer sem a responsabilização. E, por outro lado, queremos tranquilizar a todos de que outros episódios não aconteçam mais”, declarou o ministro da Justiça.
O Ministério da Justiça atua em uma força-tarefa com as polícias estaduais para proteção das comunidades. “A ideia é que a força-tarefa se mantenha pelo tempo que for necessário, em diálogo permanente com o Ministério da Justiça, com a Polícia Federal, com a Defensoria Pública da União e com o Ministério Público”, declarou a ministra dos Direitos Humanos.
Terena afirmou não será permitida violência contra indígenas. “Não iremos permitir que nenhuma violência, nenhuma ameaça perpetrada contra comunidades indígenas ou seus integrantes será desconsiderada”, declarou o ministro dos Povos Indígenas a jornalistas ontem. Equipes da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) no estado foram enviadas às aldeias de onde vieram as denúncias, para conferir informações e prestar apoio.
O Ministério dos Direitos Humanos recebeu 189 denúncias que envolvem violência política, intimidação e discriminação relacionadas às eleições até 30 de outubro em todo o país. São casos de agressões físicas, xenofobia e assédio eleitoral no trabalho. Já entre os indígenas, o Ministério dos Povos Indígenas recebeu 10 denúncias que, segundo o comunicado, já foram encaminhadas aos órgãos responsáveis para investigações.
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Por Marcelo Damasceno*
Se fosse mais observado com lupa socialista, os feitos do então deputado Osvaldo Coelho (in memorian) seriam realizações da reforma agrária ao assentar milhares de agricultores nordestinos para fins da irrigação com o protagonismo das águas desse Rio São Francisco. E a região inteira a partir de Petrolina experimentou essa alquimia.
O que era semiárido com a visita cíclica inclemente da seca virou esse tapete verde de fruticultura irrigada. Os drones da tecnologia avançada dão esses detalhes daquela visão analógica de Osvaldo Coelho, um homem formado na política de centro-direita com pregação na distribuição de renda e uma correção drástica nas desigualdades regionais.

Sua atuação permanente no Congresso, em Brasília, na defesa de uma política agrícola desindexada do Sul, Sudeste e Centro-Oeste fez diferença nas linhas de crédito para o agricultor que virou colono, com cifras na balança comercial. Petrolina mudou, cresceu e carrega a liderança de um desenvolvimento sustentável.
Num país onde se verifica a gritaria surda das elites vigentes em torno da centralidade do conhecimento e da tecnologia, Osvaldo Coelho arrebentou os portões ricos do litoral e fincou o ensino médio de qualificação profissional com dinheiro público, estabelecendo, simultaneamente, a Universidade Federal do Vale do São Francisco, que abriu precedentes valiosos na interiorização do ensino universitário. Imagine se fosse comunista, como seria interpretado agora.
Osvaldo Coelho estudou e viajou para conhecer economias liberais que adotaram estratégias de irrigação em regiões semiáridas. Reuniu cientistas e doutores para seu empreendimento parlamentar, gratuito e sem esconderijos de emendas secretas.
Há 11 anos, perdemos sua presença inspiradora e corajosa. Sua memória se reflete no Vale Sanfranciscano, com sucesso.
*Radialista e articulista político
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste domingo (1º), que nenhum programa social será extinto durante seu quarto mandato. Em vídeo publicado nas redes sociais, o petista também acusou a extrema direita de espalhar notícias falsas sobre o fim de benefícios do governo federal.
Lula afirmou que a gestão poderá criar novos programas ou aprimorar os já existentes. “Nenhum programa social será extinto nesse país. O que pode acontecer é a gente criar novos programas sociais, ou melhorar aqueles programas que já estão”, disse em vídeo publicado no Instagram.
O presidente reagiu à circulação de informações falsas sobre o encerramento de programas sociais após as eleições. Entre os boatos, estavam alegações de que o governo acabaria com o Bolsa Família e suspenderia o Gás do Povo. As informações foram desmentidas pelo governo federal e verificadas por agências de checagem, como a Agência Lupa e pelo UOL Confere.
No vídeo, Lula também comentou seu estado de saúde. Ele disse que passou uma semana sem conseguir falar bem, mas que está se recuperando. “Estou bem de saúde, a voz melhorou e logo quero voltar a percorrer os estados”, disse.
Lula ainda agradeceu aos eleitores que garantiram sua reeleição e afirmou que pretende visitar todos os estados brasileiros para agradecer pessoalmente pelos votos recebidos.
Do UOL
O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a participação dos ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública na audiência pública que vai discutir apostas esportivas, as chamadas bets.
Decisão foi tomada neste domingo (1), após pedido da AGU (Advocacia-Geral da União). O ministro do STF também liberou a presença da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) no encontro marcado para terça-feira.
Leia maisAGU afirmou que a lista inicial estava concentrada em entidades do esporte e representantes de empresas de apostas. O órgão sustentou que esse desenho poderia reduzir a diversidade de opiniões no debate sobre a proibição das bets.
A audiência foi convocada para discutir os efeitos da MP (Medida Provisória) nº 1.394/2026, que proibiu a exploração de apostas de quota fixa no Brasil. “Como é notório, a medida suscitou uma série de ponderações de diversos atores com relação à alegada ausência de segurança jurídica, severos impactos financeiros e efeitos nocivos sobre contratos então em vigor”, escreveu Fux em despacho.
Sessão começa às 10h e deve terminar às 17h30, sob condução de Fux. Ministério da Justiça e Segurança Pública e Ministério da Saúde terão dez minutos cada para se manifestar, às 14h40 e às 14h50, respectivamente.
O que está em jogo na discussão
Debate no STF deve tratar dos impactos econômicos da MP sobre o futebol e outros setores. A audiência também prevê discussão sobre segurança jurídica e contratos que estavam em vigor antes da proibição.
Fux lembrou que os efeitos sociais e sanitários das bets já foram tema de uma audiência pública em novembro de 2024. Na ocasião, entidades apresentaram estudos sobre a ludopatia, transtorno ligado ao vício em jogos de azar, e seus reflexos na saúde mental, nas relações familiares e na situação financeira de apostadores.
Ministro citou ainda um voto apresentado em agosto de 2026, no julgamento sobre a criminalização dos jogos de azar. Naquele processo, ele afirmou que a exploração da atividade lucra com a dificuldade de pessoas avaliarem os riscos das apostas, e o julgamento acabou suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Críticas à composição inicial da audiência
Antes da ampliação, a audiência reunia principalmente clubes, representantes do setor de apostas e entidades empresariais. Lista de expositores não incluía entidades de saúde pública, defesa do consumidor ou proteção de crianças e adolescentes.
O texto também registrou que 39 organizações da sociedade civil pediram a inclusão de novos participantes. Entre os signatários, estavam entidades como Instituto Alana, Sociedade Brasileira de Pediatria, Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e Sleeping Giants Brasil.
Segundo coluna de Leonardo Sakamoto no UOL, a Abras assinou o pedido e citou efeitos imediatos da proibição no consumo. A associação afirmou que, nas duas semanas seguintes à medida, as vendas dos supermercados subiram 6,5% e 6,3% em relação ao mesmo período de 2025.
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Do Blog Dantas Barreto
Desde que terminou o segundo turno, o presidente reeleito Lula (PT) vem tratando sobre a composição do novo governo e cada partido que o apoiou busca ocupar espaços, além das siglas do Centrão que visam ministérios para garantir governabilidade. O PDT tem duas opções para o Ministério dos Esportes. A atual senadora Leila Barros, que não renovou o mandato no Distrito Federal, e a senadora eleita Marília Arraes.
Pesaria a favor de Leila ter sido jogadora de vôlei e estará sem mandato a partir de fevereiro de 2027. Porém seria mais um nome que saiu derrotado das urnas, assim como outros que estão cotados para o primeiro escalão de Lula.
Marília Arraes, sendo escolhida, chegaria ao Ministério dos Esportes como candidata vitoriosa na disputa pelo Senado. Mas o impasse está na sua permanência no PDT. Ela não aceita a formação da federação entre seu partido e o PSB, que vem sendo articulada pelos presidentes nacionais, Carlos Lupi e João Campos. Marília, que comanda a sigla pedetista em Pernambuco, votou contra essa junção porque o comando ficaria com João.
Apesar de os primos terem feito as pazes e integrado a mesma chapa majoritária na eleição deste ano, Marília sempre é apontada como possível candidata à Prefeitura do Recife, em 2028. O prefeito, contudo, é Victor Marques (PCdoB), que era vice de João Campos e é candidato natural à reeleição.
Do g1
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos a uma semana das eleições de meio de mandato (midterms), que vão renovar toda a Câmara dos Deputados e cerca de um terço do Senado no país. Por conta disso, nas redes sociais, brasileiros têm pedido a candidatos democratas a expulsão do senador dos EUA. A hashtag #DeportTheBolsonaros ficou entre as mais compartilhadas do X no Brasil na última sexta-feira (30).
Mas como as midterms podem afetar a permanência de Flávio, aliado de Trump, no país? Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que a deportação ou expulsão do senador não está nas mãos do Congresso. Isso porque as decisões sobre a permanência de estrangeiros nos EUA envolvem órgãos do Executivo, como o Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, e o Departamento de Segurança Interna (DHS), ambos submetidos ao governo Trump.
Leia maisMas as Casas poderiam abrir uma investigação para apurar um possível envolvimento das autoridades norte-americanas na fuga do senador brasileiro e se houve algum favorecimento na concessão de vistos para ele e sua família.
Além disso, ainda na visão dos especialistas, eventuais investigações e cobranças públicas poderiam ampliar a pressão política sobre o governo Trump e influenciar uma possível decisão das autoridades norte-americanas sobre a permanência de Flávio no país.
Apesar dessa possibilidade, a avaliação é de que a situação de Flávio não deve estar entre as prioridades dos democratas caso conquistem a maioria no Congresso. A tendência, segundo eles, é que a oposição concentre esforços em limitar as ações de Trump, especialmente na política econômica e em questões internas, como o custo de vida da população, além de se preparar para a eleição presidencial de 2028.
Entenda mais abaixo:
O Congresso pode expulsar Flávio Bolsonaro dos EUA?
Desde a chegada de Flávio ao território norte-americano, o membro do partido democrata e comentarista político Isaiah Martin tem afirmado nas redes sociais que, com uma possível maioria democrata no Congresso, o senador seria deportado.
Contudo, como avaliam os especialistas, essa possibilidade é remota. “Não se pode pensar que o Congresso tem o poder de deportar alguém. Isso não está na sua incumbência, não está na sua jurisdição”, explica Roberto Uebel, coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos (NENAM) e professor de Relações Internacionais da ESPM.
Vitelio Brustolin, professor no departamento de Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF), ressalta que a concessão ou a revogação de vistos é uma atribuição do Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio.
O professor explica também que há diferenças entre deportação, revogação de vistos e expulsão. A revogação do visto não implica a saída automática de um estrangeiro dos EUA. Já a deportação envolve um procedimento legal para determinar sua retirada do país. A expulsão pode levar à saída obrigatória, conforme as regras migratórias aplicáveis.
Apesar disso, os democratas poderiam usar uma eventual maioria no Congresso para pressionar o governo de Trump a prestar esclarecimentos sobre a entrada e a permanência do senador brasileiro no país. Uebel avalia que esse tipo de cobrança poderia aumentar o desgaste político do governo Trump e influenciar decisões das autoridades responsáveis pela situação migratória do senador. No entanto, ressalta que o caso brasileiro dificilmente ocupará um lugar central na agenda dos democratas.
Tomaz Paoliello, coordenador do mestrado em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais na Puc-SP, por sua vez, também reconhece a capacidade de pressão política do Congresso, mas considera pouco provável que ela resulte em medidas concretas contra Flávio.
“Um Congresso poderoso, a gente sabe, conhecendo a história dos EUA, consegue fazer pressão sobre as instituições burocráticas”, explica. “Particularmente, no caso do Flávio Bolsonaro, não é uma coisa tão importante — ou pelo menos eles não têm dado muita importância”, afirma.
Investigação sobre atuação do governo Trump
Uma eventual maioria democrata no Congresso poderia abrir investigações para apurar se autoridades do governo Trump ofereceram algum tipo de favorecimento a Flávio Bolsonaro e sua família. As apurações poderiam aumentar a pressão política sobre o Executivo e influenciar uma possível decisão sobre a permanência do senador no país, embora não tenham o poder de determinar sua deportação.
Segundo Brustolin, uma comissão parlamentar poderia investigar se houve tratamento excepcional na concessão de vistos, na autorização de entrada no país ou na manutenção do status migratório do senador. “Para abrir uma investigação parlamentar basta a Câmara dos Deputados. Então não seria necessário conquistar simultaneamente maioria no Senado”, explica.
Uebel avalia que uma das principais medidas poderia ser a convocação do secretário de Estado, Marco Rubio, para prestar esclarecimentos sobre a atuação do governo norte-americano no episódio. Caso fossem identificadas irregularidades ou abusos de poder, as apurações poderiam dar origem a outras medidas contra as autoridades envolvidas, mas não teriam o poder de determinar a revogação do visto ou a saída de Flávio dos EUA.
Brustolin destaca ainda que o acesso dos parlamentares às informações migratórias não seria irrestrito. Documentos sobre vistos e comunicações do governo podem estar sujeitos a regras de confidencialidade e a questionamentos do Executivo.
EUA têm outras prioridades
Apesar da possibilidade de abrir investigações e pressionar o governo, os especialistas avaliam que a situação de Flávio não deve estar entre as prioridades dos democratas caso conquistem a maioria no Congresso.
Para Paoliello, as eleições de meio de mandato estão concentradas principalmente em questões internas do país, como a economia e o custo de vida da população.
O professor avalia que uma eventual maioria democrata deve dificultar a aprovação de novas leis e propostas orçamentárias do governo Trump. Ao mesmo tempo, os democratas devem buscar apresentar medidas voltadas à população, já de olho na disputa presidencial de 2028.
Roberto Uebel, por outro lado, acredita que a principal prioridade dos democratas será abrir um processo de impeachment contra Trump. “A dúvida é se eles querem destituí-lo de fato ou arrastar um longo processo de impeachment para desgastar ao máximo o presidente Trump e os republicanos, olhando já para as eleições presidenciais de 2028”, afirma.
Paoliello discorda dessa avaliação. Segundo ele, as tentativas de destituir o presidente Trump que já ocorreram não deram um resultado político favorável aos democratas já que o republicano voltou ao poder.
Trump já enfrentou dois processos de impeachment durante seu primeiro mandato. O primeiro, em 2019, envolveu acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso após pressionar a Ucrânia a investigar Joe Biden. O segundo, em 2021, ocorreu após a invasão do Capitólio por seus apoiadores. Em ambos os casos, a Câmara aprovou o impeachment, mas o Senado absolveu o republicano.
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Do UOL
A UNE (União Nacional dos Estudantes) realizou um ato neste sábado (1), na praça Roosevelt, no centro de São Paulo, para celebrar a reeleição do presidente Lula (PT). A comemoração também ganhou tom de resposta à carta golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado que fugiu para os Estados Unidos após as eleições.
Com o tema “Brasil com S: das ruas às urnas”, o evento reuniu apoiadores com cartazes, faixas, bandeiras e camisetas do PT e de Lula. Ambulantes vendem camisetas, bonés e bandeiras no local. O tema faz alusão à carta divulgada por Flávio, que trazia um brasão da República com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, denominação oficial do país no início do período republicano.
Leia maisA comemoração foi planejada ainda no domingo passado, logo após o resultado das eleições. Segundo a presidente da UNE, Bianca Borges, as mobilizações nas ruas foram fundamentais para a reeleição de Lula. Por isso, a entidade decidiu que a vitória também deveria ser celebrada com a ocupação dos espaços públicos.
A festa também ganhou tom de resposta à carta golpista de Flávio Bolsonaro. Segundo Bianca, a mobilização passou a ter esse caráter após o senador questionar, sem provas, o resultado da votação e chegar a se autodeclarar “verdadeiro presidente eleito”. O resultado das urnas foi reconhecido pelo TSE, por observadores internacionais, pelo PL, partido do senador, assim como por aliados e partidos que o apoiaram nas eleições.
O deputado estadual reeleito Eduardo Suplicy (PT) discursou durante a celebração. Ele elogiou a participação de jovens estudantes nas mobilizações de rua pela reeleição de Lula.
Representantes do povo indígena Guarani do Jaraguá também discursaram no palco. Eles denunciaram a violência contra os povos indígenas no Brasil e citaram episódios recentes registrados em Mato Grosso do Sul, que são investigados pela Polícia Federal.
Manifestantes também pediram a deportação de Flávio Bolsonaro. Uma participante carregava um cartaz pedindo que Flávio, o irmão Eduardo Bolsonaro e outras pessoas fossem deportadas dos Estados Unidos para o Brasil. Outros participantes exibiam mensagens em defesa dos direitos indígenas e contra o voto distrital misto.
Outras 17 cidades brasileiras também recebem eventos hoje. Todos são organizados pela UNE.
Mobilização nas eleições
A UNE participou de pelo menos 200 manifestações entre o primeiro e o segundo turnos. O número é de um levantamento preliminar da própria entidade divulgado pelo UOL. Os atos ocorreram ao longo de três semanas, em apoio à reeleição de Lula.
As mobilizações reuniram estudantes em diferentes estados. Houve atos em universidades e passeatas pelas ruas. No Rio de Janeiro, milhares de estudantes participaram de uma manifestação organizada pela UNE no centro da cidade, em 7 de outubro. Também houve mobilizações em São Paulo.
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O cantor e compositor pernambucano Geraldo Maia se apresenta no próximo sábado (7), às 20h, no Poço das Artes, no Poço da Panela, no Recife. No show, o cantor será acompanhado pelo pianista Marquinhos Diniz.
O repertório passeia pelo samba e pela MPB, reunindo clássicos de grandes compositores brasileiros, como Cartola, Chico Buarque, Caetano Veloso e Zé Keti. Entre algumas das canções previstas estão “Paratodos”, “Samba do Grande Amor”, “Cordas de Aço”, “Tanto Mar”, “Diamante Verdadeiro”, “Opinião”, “Corra e Olhe o Céu” e “O Mundo é um Moinho”.
Os ingressos custam R$ 40 (preço único). As reservas podem ser feitas pelo WhatsApp: (81) 99817-1464.

Por Rafael Barbosa
Do Poder360
Dos 513 deputados federais eleitos para a próxima legislatura, 308 tiveram ao menos 50% de seus votos em 10 cidades. Essa estatística mostra que o Brasil já tem uma espécie de voto distrital informal — quando o político é eleito numa circunscrição geográfica delimitada dentro de cada unidade da Federação.
A concentração é ainda mais elevada quando se observam recortes dessa estatística: 33 desses 308 deputados receberam mais de 90% dos votos nos 10 municípios em que foram mais votados. Para outros 102, esse percentual ficou no intervalo de 70% a 89,9%.
Leia maisO resultado da eleição de 2026 repete padrão de pleitos anteriores. O Brasil já elege mais da metade dos representantes da Câmara num sistema informal de voto distrital. O dado é de levantamento do Poder360 com dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral.

Esses dados são particularmente relevantes no momento porque foi lançado um movimento de partidos médios e pequenos para apoiar uma emenda à Constituição que crie oficialmente um sistema de voto distrital e proporcional misto no país. Trata-se de uma reação dessas agremiações ao avanço de duas legendas que tendem a dominar a Câmara, o PL (direita) e o PT (esquerda), que agora em 2026 elegeram 121 e 70 deputados, respectivamente.
A ideia é que metade das 513 vagas da Câmara (seria necessário aumentar ou cortar uma vaga para fazer essa divisão de forma exata) seria eleita em distritos. A outra metade seria escolhida a partir dos votos dos eleitores nos partidos, que teriam listas pré-ordenadas de candidatos (quanto mais votos uma sigla receber, mais candidatos da lista serão escolhidos para ocupar cadeiras na Câmara). Quem definirá a ordem dos nomes nessa lista será o partido, em convenção, mas os caciques de cada sigla terão grande influência nesse processo.
Esse sistema não tem ganho em relação ao que já existe. Trata-se apenas de uma manobra de partidos médios e pequenos para impedir o avanço do PL e do PT.
Tome-se como exemplo o Estado de São Paulo. Hoje, os 34,1 milhões de eleitores de todas as 645 cidades paulistas podem votar em qualquer candidato a deputado federal de qualquer partido. A eleição é proporcional. Os votos dados para os candidatos e só para os partidos (o voto na legenda) se somam e quem tem mais votos fica com mais cadeiras na Câmara — São Paulo tem 70 vagas. Foi nesse sistema que PL e PT cresceram. O PL elegeu 19 dos 70 deputados federais paulistas. O PT, 11 deputados.
É por causa da prevalência de PL e PT que os partidos médios e pequenos agora querem mudar a regra para tentar impedir o avanço dessas duas grandes siglas. O argumento público — que esconde a real intenção das siglas médias e pequenas — é que com o voto distrital o deputado ficará mais próximo do eleitor e será mais cobrado durante o mandato. Ocorre que essa proximidade já existe, como mostram as estatísticas oficiais descritas nesta reportagem — há 308 dos 513 deputados que já têm grande proximidade com distritos dentro de seus Estados. No modelo que está sendo proposto, só metade seria eleita em distritos. Haveria, portanto, um distanciamento entre deputados e eleitores quando se compara ao que existe hoje.
Há um outro problema adicional ao modelo de voto distrital e proporcional misto que está sendo defendido hoje no Congresso: seria um modelo exclusivo do Brasil e jamais visto em outro país no planeta Terra.
É que nenhum país que adota o sistema distrital deixa de seguir também algo que é inerente a esse modelo de escolha de deputados: a premissa da equivalência entre um homem e um voto: todos os distritos precisam ter aproximadamente o mesmo número de eleitores. Dessa forma, cada deputado federal chegará à Câmara representando parcelas iguais do eleitorado.
No Brasil, entretanto, a Câmara tem uma disfuncionalidade antiga e o número de deputados não corresponde à proporção dos eleitores de cada unidade da Federação, como mostra o quadro a seguir:

A proposta defendida por partidos médios e pequenos não quer mexer nessa desproporcionalidade de representação dos Estados na Câmara. Dessa forma, Roraima, que tem 8 vagas, vai eleger 4 deputados em 4 distritos e outros 4 por meio das listas partidárias. Os 4 distritos de Roraima terão, aproximadamente, 100 mil eleitores cada 1.
Já em São Paulo, que tem 70 vagas de deputados e uma população muito maior, os 35 distritos terão 975 mil eleitores cada 1. Em suma, o deputado federal eleito por São Paulo vai representar 9 vezes mais eleitores do que o colega que for eleito por Roraima.
A desproporcionalidade entre votos para eleger deputados nas 27 unidades da Federação já existe e não será sanada com a proposta de emenda à Constituição para implantar o sistema de voto distrital e proporcional misto. Além disso, como mostram as estatísticas desta reportagem, a pretensa maior proximidade do deputado com os eleitores de uma circunscrição tampouco vai melhorar — na prática, vai piorar: hoje mais deputados já são eleitos num sistema informal distritalizado.
Variações regionais
O fenômeno do voto distrital informal varia dependendo do Estado. No Rio de Janeiro, todos os 46 deputados eleitos receberam mais da metade dos votos em até 10 municípios. Em São Paulo, foram 47 dos 70 congressistas. Já em Minas Gerais, 19 dos 53 eleitos tiveram esse mesmo nível de concentração.
Distritos informais
Embora o país não adote o voto distrital para eleger deputados federais, parte da representação política já funciona, na prática, com uma lógica de distritos informais. Pelo sistema proporcional em vigor, os deputados são eleitos com votos de todo o Estado, e as cadeiras são distribuídas conforme o desempenho dos partidos e das federações. Não há uma divisão oficial do território estadual em distritos, como em países que adotam o voto distrital.
Na prática, porém, muitos congressistas constroem – por necessidade – suas bases eleitorais em determinadas cidades ou regiões. São localidades nas quais se concentram campanhas, estabelecem-se alianças políticas e vínculos com as comunidades locais e acumulam apoio suficiente para assegurar parte majoritária dos votos necessários à eleição.
Esse padrão pode ter consequências para o exercício do mandato. Um deputado eleito para representar todo um Estado pode encontrar incentivos políticos para concentrar sua atuação nos poucos municípios dos quais depende eleitoralmente. A lógica pode influenciar, por exemplo, a articulação com prefeitos, a destinação de emendas parlamentares e a defesa de investimentos públicos.
A questão é relevante porque os recursos e as decisões de um deputado têm alcance mais amplo do que suas bases eleitorais. A concentração dos votos levanta, portanto, uma discussão sobre até que ponto os interesses dos redutos políticos podem se sobrepor às demandas de outras regiões do mesmo Estado.
A ideia de distritos informais não é nova. Estudos publicados na revista E-Legis, da Câmara dos Deputados, já analisaram a relação entre a distribuição territorial dos votos e a atuação dos congressistas, inclusive na apresentação e execução de emendas parlamentares.
Número de deputados
Um outro aspecto da representação na Câmara dos Deputados tem sido sempre negligenciado pelos políticos: o número ideal de congressistas para a Casa Baixa. Exceto por um breve período durante a ditadura militar, o número de deputados só cresce no Brasil:

Nos Estados Unidos, a democracia representativa mais antiga do mundo, há uma população de 349,7 milhões e 435 vagas na Casa dos Representantes em Washington, o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil. A população brasileira hoje é de 214,2 milhões, mas aqui há 513 deputados federais — 78 a mais do que nos EUA. Quanto mais deputados, como se sabe, mais complexa fica a governança interna de uma casa legislativa.
A proposta de emenda à Constituição para criar um sistema de voto distrital e proporcional misto no Brasil nem toca nesse assunto. O que se supõe é que nos Estados em que o número de vagas de deputados federais seja ímpar haverá a necessidade de aumentar uma vaga.
Há sete estados com número ímpar de cadeiras na Câmara: Alagoas (9 deputados), Bahia (39), Goiás (17), Minas Gerais (53), Pará (17), Pernambuco (25) e Rio Grande do Sul (31). Com o número de cadeiras pelo sistema distrital e proporcional terá de ser igual pelo que está sendo proposto, certamente essas sete unidades da Federação receberão mais uma vaga cada uma. Em resumo, os 513 deputados federais passarão a ser 520 caso prospere a ideia em debate no Congresso.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem (31) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode permanecer no país pelo tempo que desejar. Apesar da manifestação de apoio ao candidato derrotado na eleição presidencial brasileira, Trump disse não ter planos de encontrá-lo. Flávio está em Miami desde quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil contrariando uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Em conversa com jornalistas em Mar-a-Lago, na Flórida, Trump afirmou que não pretende receber o senador. “Não tenho planos de encontrá-lo, mas acho que ele foi muito maltratado. Muito maltratado. Então, ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser”, declarou. As informações são do Congresso em Foco.
Leia maisQuestionado se havia conversado com Flávio, o republicano não respondeu diretamente. Repetiu que o senador poderia permanecer nos Estados Unidos e voltou a criticar o resultado eleitoral brasileiro. “Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha”, afirmou.
Trump não apresentou provas de irregularidades na votação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição de Lula (PT), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. O PL, partido do senador, reconheceu o resultado das urnas.
Trump autorizou entrada de Flávio
As declarações ocorreram no mesmo dia em que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou participação direta do governo dos Estados Unidos na organização da saída de Flávio do Brasil. “Não facilitamos nada”, afirmou Rubio. O secretário confirmou, porém, que Trump autorizou a entrada do senador e de sua família em território americano.
Segundo Rubio, Flávio já possuía visto e recebeu uma autorização migratória temporária, conhecida como parole. O mecanismo permite o ingresso no país por decisão das autoridades americanas, mas não equivale à concessão de asilo ou residência permanente. Assim, a declaração de Trump de que o senador pode ficar pelo tempo que quiser não significa, por si só, autorização legal para permanência indefinida.
A negativa de Rubio contrasta com reportagens dos jornais The Wall Street Journal e The New York Times, segundo as quais Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, ajudou a providenciar o avião particular utilizado por Flávio. Não está esclarecido se Miller agiu por iniciativa própria ou em nome do governo americano.
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