Por Fernando Dueire*
Pernambuco vive um momento raro e necessário: o reencontro com a própria memória. Depois de anos em que a preservação do patrimônio histórico parecia distante das prioridades públicas, o estado retoma — com vigor — uma agenda de resgate material e simbólico de sua identidade. É um movimento que merece reconhecimento e que só se concretiza graças ao empenho do Governo do Estado e ao trabalho criterioso conduzido pela presidente da Fundarpe, Renata Borba.
As iniciativas em curso não se limitam a restaurar paredes, cobertas e estruturas antigas. São ações que devolvem vida ao centro do Recife, oxigenam o Sítio Histórico de Olinda e alcançam o Sertão e o arquipélago de Fernando de Noronha. Preservar, afinal, é garantir que as próximas gerações possam caminhar por onde caminhamos — reconhecendo a beleza, a luta, a fé e a criatividade que moldaram Pernambuco.
Leia maisEntre os exemplos mais emblemáticos está a restauração do Liceu de Artes e Ofícios, que volta a respirar após décadas de abandono, tornando-se um centro moderno de formação e inovação. Antes dele, o Cinema São Luiz — reaberto parcialmente, com sala de exibição devolvida ao público — também entrou em uma etapa decisiva de requalificação. O mesmo ocorre com o Museu do Trem, preparando-se para renascer como referência nacional, e com o antigo prédio do Diario de Pernambuco, que será transformado na futura sede da Secretaria de Cultura, fortalecendo a revitalização do centro da capital.
Olinda vive igualmente um ciclo virtuoso. O Mosteiro de São Bento passa por uma das maiores obras de restauro da sua história, revelando pinturas do século XVIII ocultas por mais de cem anos. O Museu de Arte Contemporânea está sendo requalificado para voltar a abrigar exposições com segurança e modernidade. A Igreja de São Pedro Mártir, fechada há quase uma década, prepara-se para reabrir suas portas, devolvendo ao bairro do Carmo um dos seus símbolos mais caros.
No interior, Triunfo celebra a requalificação do Cine Theatro Guarany, patrimônio vivo que sustenta a vocação cultural do Sertão. Em Fernando de Noronha, os fortes de São Pedro do Boldró e Santo Antônio atravessam intervenções profundas, fundamentais para preservar estruturas que movimentam não apenas a paisagem histórica da ilha, mas sua economia turística.
A verdade é que toda cidade precisa de raízes. Como já se disse, “o futuro tem um coração antigo” — e é com esse espírito que Pernambuco reencontra seu passado. A decisão da Assembleia Legislativa de restaurar seu edifício histórico reforça essa lógica, assim como o legado de gestores que compreenderam a importância da memória, a exemplo do ex-prefeito Gustavo Krause, responsável pela implantação de museus que até hoje iluminam nossa história.
Um povo que não cuida de suas referências condena-se à incerteza. Por isso, o esforço em curso não é apenas administrativo: é civilizatório. Pernambuco, finalmente, volta a reconhecer que seu patrimônio não é peso — é fundamento. É identidade. É horizonte. É memória do tempo que, preservada, abre caminho para um futuro mais sólido e mais nosso.
*Senador da República por Pernambuco
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