Depois de ouvir ministros e aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve nomear o atual advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, para o Ministério da Justiça e da Segurança Pública ainda nesta semana. Com bom trânsito entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ele assumirá a vaga de Ricardo Lewandowski, que pediu demissão e deixou o cargo na sexta-feira (9). Apesar da pressão de alas do PT, Lula não vai dividir o ministério. A eventual criação da pasta da Segurança Pública entrará como proposta da campanha à reeleição.
Uma das preocupações de Lula para escolher o novo titular do MJ era que o indicado tivesse bom relacionamento com ministros do STF, que era um dos atributos de Lewandowski, egresso da Corte. O Valor confirmou que Wellington tem bom trânsito com magistrados do STF. Um ministro do Supremo o definiu como “culto, cordato e conciliador”. As informações são do Valor Econômico.
Leia maisWellington aproximou-se do STF no exercício do cargo de subsecretário de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil, que exerceu de janeiro de 2023 a maio de 2024, quando deixou o posto para assumir o cargo na Petrobras. A função de SAJ é uma das mais prestigiadas, pela convivência próxima do presidente da República e interlocução com autoridades do meio jurídico, do Advogado-Geral da União até titulares do STF. No convívio frequente com Lula, ele também conquistou a confiança do mandatário.
Wellington já foi ministro da Justiça na gestão de Dilma Rousseff pelo curtíssimo período de 11 dias em 2016. Egresso do Ministério Público da Bahia, Wellington tem como padrinhos o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Quando Wagner era governador da Bahia, em 2010, nomeou Wellington para o cargo de procurador-geral da Justiça, onde o indicado permaneceu até 2014. Naqueles anos, conviveu com Rui Costa, que era secretário estadual da gestão de Wagner.
A se confirmar, a chegada de Wellington no primeiro escalão reforça o time de ministros baianos, que já contempla, além de Rui, Sidônio Palmeira (Secom) e Margareth Menezes (Cultura).
Outra qualidade de Wellington, lembrada por fontes do palácio, foi a demonstração de lealdade ao PT quando aceitou ser nomeado pela presidente Dilma Rousseff para a pasta em março de 2016, durante o processo de impeachment. Poucos aliados permaneceram do lado dela e com o PT naquele período.
Ele foi titular do MJ de 3 de março a 14 de março de 2016. Teve de pedir demissão, entretanto, depois que o STF decidiu que para continuar ministro, ele teria de renunciar à carreira do Ministério Público estadual, perdendo bônus e aposentadoria, porque ingressou na instituição em 1991 – após a Constituição Federal de 1988. Ele foi sucedido na pasta naquele ano pelo procurador Eugênio Aragão.
Com a saída de Lewandowski, outros nomes também passaram a ser cotados. Dentre eles, estava o do ministro da Educação, Camilo Santana. Ele foi defendido por uma ala importante do PT, especialmente pela experiência na área de segurança pública acumulada durante o período em que governou o Ceará, entre 2015 e 2022. Porém, na visão de interlocutores, Camilo está fazendo um bom trabalho à frente do MEC, e ao indicá-lo à Justiça, Lula teria que buscar um novo auxiliar para comandar a Educação.
Ainda, apareceu como cotado para chefiar o ministério o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Integrantes da gestão federal, no entanto, ponderam que a possível escolha de Andrei estaria atrelada a um desmembramento da pasta entre Justiça e Segurança Pública. Segundo aliados de Lula, a divisão do ministério não deve ser oficializada no curto prazo, mas pode virar um desenho para um possível novo mandato do chefe do Executivo, caso seja reeleito neste ano.
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