O ex-presidente do Tribunal de Contas da União, José Múcio Monteiro, está confirmado no Ministério da Defesa. Seu nome deve ser anunciado nos próximos dias, no mais tardar no início da próxima semana, segundo uma fonte.
O ex-presidente do Tribunal de Contas da União, José Múcio Monteiro, está confirmado no Ministério da Defesa. Seu nome deve ser anunciado nos próximos dias, no mais tardar no início da próxima semana, segundo uma fonte.
O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, é o convidado do meu podcast Direto de Brasília, em parceria com a Folha de Pernambuco, da próxima terça-feira. Na pauta, sua pré-candidatura ao Governo do Distrito Federal pelo PT e os principais projetos de preservação do patrimônio cultural brasileiro, além da conjuntura política nacional.
Formado em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), com mestrado em Desenvolvimento Sustentável pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB e formação em gestão cultural pela Organização dos Estados Ibero-Americanos, Grass é professor e pesquisador nas áreas de sociologia, políticas públicas e participação social. Foi deputado distrital entre 2019 e 2022, período em que foi autor de diversas leis nas áreas de educação, desenvolvimento sustentável e direitos das mulheres.
Leia maisEm sua trajetória política, Grass ganhou destaque ao protocolar, em março de 2020, o primeiro pedido de impeachment contra o então presidente Jair Bolsonaro. Nas eleições de 2022, foi candidato ao Governo do Distrito Federal pela Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), obtendo 434.587 votos e ficando em segundo lugar. Em janeiro de 2023, foi nomeado presidente do Iphan, autarquia vinculada ao Ministério da Cultura responsável pela preservação e valorização do patrimônio material e imaterial do Brasil.
Nos últimos meses, Grass também esteve presente em debates sobre a defesa de espaços públicos emblemáticos, como a Praça dos Três Poderes, posicionando-se sobre a importância de preservação desses locais enquanto símbolos cívicos da democracia. No Iphan, sua gestão tem lançado editais e ações voltadas à salvaguarda de bens culturais e à promoção do patrimônio imaterial, com investimentos recordes em programas de preservação e fomento cultural.
O Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, e também em cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste. Retransmitem o programa a Gazeta News (Grupo Collor) em Alagoas; a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras na Paraíba; a Mais-TV (sob o comando do jornalista Heron Cid); a Rede ANC, no Ceará, com mais de 50 emissoras; e a LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são: Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, Autoviação Progresso, Grupo Antonio Ferreira Souza, Água Santa Joana, Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
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Por Luiz Queiroz – Capital Digital
O teor da conversa ainda não foi divulgado, mas o presidente Lula e sua comitiva acabaram se encontrando com o CEO do Google, Sundar Pichai, em Nova Delhi, na Índia, onde está participando da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial.
Na abertura Lula cobrou uma regulamentação da IA e apontou sua borduna para as big techs: “Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, disparou.
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), proibiu nesta quinta-feira (19) a criação de qualquer nova lei ou ato normativo que institua pagamentos acima do teto remuneratório constitucional, que é o limite máximo salarial que agentes públicos podem receber, hoje em R$ 46,3 mil.
A vedação aplicada por Dino é válida tanto para salários quanto para chamadas “verbas indenizatórias”. Essas indenizações são gratificações e auxílios que servidores recebem e, normalmente, extrapolam o teto e produzem “supersalários”, por isso, ficaram conhecidas como “penduricalhos”.
No último dia 5, Dino determinou a suspensão do pagamento de todos os penduricalhos que não estejam previstos em lei em órgãos de todos os níveis da federação. A decisão desta quinta, portanto, visa evitar a criação de leis ou atos que driblem a determinação do ministro. As informações são da CNN.
Leia mais“Verifico ser fundamental evitar inovações fáticas ou jurídicas que impeçam a estabilização da lide constitucional, o que poderia embaraçar deliberações que, no terreno jurisdicional, cabem exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, detentor da prerrogativa de fixar a última palavra em interpretação da Constituição”, afirmou Dino.
Nesta quarta (18), o Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou uma proposta do Congresso que criavam penduricalhos em benefício de servidores do Legislativo. A CNN mostrou que a escolha do petista abriu espaço para que o Congresso avance na regulamentação das verbas indenizatórias. Parlamentares começaram a defender a criação de uma legislação definitiva e unificada sobre pagamentos acima do teto ou até mesmo a revisão desse limite.
Na decisão desta quinta, Dino também vetou o reconhecimento de qualquer nova parcela referente a direitos pretéritos (retroativos) que não estivessem sendo pagos até a data da liminar original, 5 de fevereiro de 2026.
O minstro reforçou o prazo de 60 dias, fixado no início de fevereiro, para que órgãos de todos os poderes revisem o fundamento legal das verbas remuneratórias ou indenizatórias pagas aos seus servidores e suspendam aquelas que não estejam previstas em lei.
Naquela determinação, o ministro também mandou o Congresso editar lei ordinária para definir expressamente quais indenizações podem ficar fora do teto remuneratório, conforme prevê a Constituição.
Segundo ele, porém, caso o Legilativo “não cumpra o seu dever de legislar e mantenha a omissão inconstitucional”, caberá ao Supremo examinar a fixação de regime transitório para a suspensão dos pagamentos.
“A jurisprudência pátria já oferece importantes parâmetros, por exemplo no sentido de que a instituição de adicionais e gratificações somente se legitima quando amparada em lei específica, vinculada ao interesse público e fundada em critérios objetivos e verificáveis, com motivação concreta acerca de sua incidência. A mera utilização de rubricas genéricas não supre essa exigência”, escreveu Dino.
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O deputado estadual Cayo Albino anunciou o apoio do empresário e pecuarista Antônio Siqueira, conhecido como Toninho da Constrular, liderança política de Bom Conselho, no Agreste de Pernambuco. O encontro contou ainda com a presença do prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino.
O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho comunicou em suas redes sociais, há pouco, que ele e a esposa Lara perderam Rafael, que seria o terceiro filho do casal. Ela estava no sétimo mês de gestação.
“Ele não viu esse mundo e já partiu para ser anjo junto do nosso pai! Daqui levou nosso amor, carinho e acima de tudo um pedaço de nossos corações. Eu creio em Deus e sei que com o tempo vamos compreender o porquê disso! São Rafael Arcanjo, rogai por nós. Cuida da gente, filho!!”, afirma a postagem no instagram.
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O presidente do Instituto Brasileiro para Regulamentação da Inteligência Artificial (IRIA), Marcelo Senise, lamenta profundamente que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegue para um encontro de fundamental importância como a Cúpula Internacional sobre o Impacto da IA, em Nova Dehli, na Índia, sem ter nada de concreto para apresentar. Por inação do governo, do Congresso, da Justiça e da sociedade como um todo, o Brasil mostrou-se incapaz de avançar na regulação da Inteligência Artificial em um ano eleitoral, mais uma vez marcado por uma polarização política violentíssima. A Justiça Eleitoral atuará, na opinião de Senise, como alguém que tenta “estancar uma hemorragia com um band-aid”.
Democracia corre risco de sucumbir
Sem medo de parecer alarmista, Senise considera que “a democracia brasileira corre risco real de sucumbir”. Caso não se consiga estabelecer um controle mínimo do uso dessas novas tecnologias, Senise vislumbra um cenário no qual o eleitor não será capaz de discernir o que é real do que é falso. O que pode gerar um cenário de perda absoluta da confiança, de descrédito total nas instituições e nos seus mecanismos de funcionamento.
Bem-vindo ao mundo dos neurobots
Em linha semelhante ao alerta feito antes aqui no Correio Político pelo também especialista em IA Mario Salimon, Senise chama a atenção para um possível erro de foco da Justiça eleitoral, ainda acostumada com os modelos tradicionais. O grande perigo não estará no uso massivo de novas tecnologias para produzir vídeos ou documentos que disseminem fake news. Mas, sim, na possibilidade que as novas ferramentas já têm hoje de conversar individualmente com as pessoas. São os “neurobots”, como classifica Senise.
Conversas em nível individual
“As redes sociais estão infestadas de perfis falsos, robôs, com imensa capacidade de interação sem que se possa identificar se não ou não reais”, diz Senise. “Eles até namoram nas redes sociais”. Mas namorar é o que fazem de mais inofensivo. Os tais “neurobots” infestam-se nas redes e passam a interagir com as pessoas, acentuando o seu convencimento.
Sem preparo
“Então, cada um, a partir daí, vira disseminador de falsidades. Porque hoje é muito fácil criar conteúdos. Não serão exatamente as equipes de campanha que criarão os conteúdos com os quais nós teremos que nos preocupar na campanha eleitoral deste ano”, considera Senise. Não estamos preparados para isso.
Não quis
No ano passado, Senise participou de um seminário internacional no Congresso no qual todos os alertas foram feitos. “O Congresso simplesmente não quis criar uma legislação para blindar a sociedade desses riscos”, lamenta. “Ninguém pode dizer que não tenha sido alertado para uma nova situação”.
Confusão
No fundo, é preciso colocar o dedo na ferida. Até que ponto a média do Congresso estará mesmo disposta a coibir a desinformação? Nas últimas eleições municipais, os casos de Pablo Marçal (PRTB) contra Guilherme Boulos (Psol) e Tábata Amaral (PSB) só agora foram julgados. Ficou ali estabelecido um tipo de padrão.
Blindagem
Para Senise, talvez ainda haja tempo de estabelecer alguma blindagem mais efetiva para as eleições majoritárias – de presidente, governador e senador. Mas é preciso agir rápido. Uma possibilidade: conseguir auditar os neurobots, esses perfis artificiais, conseguindo-os eliminar das redes. O problema: convencer as Big Techs.
Mundo
Talvez o que começa a acontecer no mundo, como a Cúpula na Índia, ou as medidas de controle agora discutidas no Reino Unido, consiga reduzir a resistência das empresas que controlam as ferramentas de redes sociais. Em grande parte, é a ação delas que impede a aprovação de mecanismos de maior controle.
Não é liberdade
Disseminar informação falsa, distorcer a realidade, não é liberdade de expressão. Esse tipo de pensamento não deveria prevalecer. Um mundo que não consiga discernir o que é real do que é falso é imprevisível e perigoso. “Caso isso evolua, o cenário que se enxerga é desolador”, conclui Senise.
A inspeção surpresa do general Donovan em Caracas revela a nova cara da soberania tutelada na América Latina
Por Marlos Porto*
Em 3 de janeiro de 2026, a América Latina acordou para um novo século. A operação militar dos Estados Unidos em Caracas, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e na sua subsequente remoção para julgamento em Nova York, não foi um episódio isolado, mas um terremoto geopolítico que reativou um fantasma que parecia enterrado desde a Guerra Fria: a teoria do dominó.
A mensagem enviada por Washington é clara e brutal: o “quintal” americano será varrido, e qualquer governo que ouse desafiar a hegemonia ou aproximar-se de potências como a China e a Rússia será removido, por meios cirúrgicos e sem o constrangimento de mediações multilaterais. A Venezuela, rica em petróleo e aliada de Moscou e Pequim, foi o laboratório perfeito para essa nova doutrina de restauração imperial, e a pergunta que agora ecoa de forma devastadora é: quem será o próximo? O Brasil, a peça mais preciosa e cobiçada do tabuleiro, está na fila.
Leia maisPara compreender a magnitude do que ocorre na Venezuela, é preciso abandonar eufemismos diplomáticos e enxergar a realidade nua e crua: o país deixou de ser uma nação soberana para se tornar um protetorado administrado sob supervisão direta de Washington.
O que testemunhamos desde 3 de janeiro não foi uma “mudança de regime” tradicional, mas a instalação de um modelo de ocupação soft power, onde as decisões estratégicas são tomadas no Pentágono e no Departamento de Energia dos EUA, enquanto o governo de Delcy Rodríguez funciona como uma gerência local encarregada de manter a ordem e a retórica.
A visita surpresa do General Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), a Caracas, em 18 de fevereiro de 2026, é a imagem mais precisa dessa nova relação de poder. A embaixada americana classificou o dia como “histórico”, e não era para menos: era a primeira vez em décadas que o comandante militar máximo para a América Latina pisava em solo venezuelano para reunir-se com as “autoridades interinas”.
Donovan não veio como um diplomata em missão de paz; ele veio “avaliar o tema de segurança, garantir a implementação do plano de três fases do presidente dos EUA e avançar no objetivo de uma Venezuela alinhada com os Estados Unidos”. A linguagem é de supervisão, não de negociação.
É como um prefeito que aparece de repente num canteiro de obras ou num departamento municipal esquecido: não para pedir, mas para fiscalizar, para verificar se o serviço está sendo executado conforme o projeto aprovado na matriz.
A diferença é que, aqui, o “prefeito” é um general de quatro estrelas, o “canteiro de obras” é uma nação inteira, e o “projeto” foi desenhado na Casa Branca. O roteiro da visita confirma essa dinâmica: antes de encontrar Delcy Rodríguez, Donovan começou o dia reunindo-se com “sua equipe composta por membros do serviço conjunto, mais uma vez supervisionando as instalações da embaixada dos Estados Unidos”.
Ou seja, ele chegou, checou suas próprias tropas — a Força Conjunta permanentemente estacionada em Caracas, aquela “imediância” estratégica — e só então subiu ao palácio para a reunião com a presidente interina e seus ministros, numa mensagem inequívoca de que o poder real está na embaixada, não no Miraflores.
Os encontros de Donovan com Delcy Rodríguez, o ministro da Defesa Vladimir Padrino e o ministro do Interior Diosdado Cabello tiveram um objetivo central: “garantir a implementação do plano de três fases do presidente Trump”.
Esse plano, anunciado pelo secretário de Estado Marco Rubio, é a verdadeira constituição da nova Venezuela: estabilização (fase atual), garantindo a segurança interna e o controle do território; crescimento e reconstrução, abrindo a economia, especialmente o petróleo, ao capital privado americano; e transição democrática, conduzindo o país a um governo “amigável, estável, próspero e democrático”, nas palavras do Comando Sul.
O prazo estimado para completar as três etapas é de cerca de dois anos, e até lá Washington deixou claro que “administrará os negócios de petróleo da Venezuela indefinidamente”, mantendo uma presença naval robusta no Caribe e o controle sobre as contas que recebem os recursos do petróleo vendido aos EUA.
A visita de Donovan também serviu para verificar a equipe militar americana já posicionada em Caracas, com membros da Força Conjunta dos EUA permanentemente alojados na embaixada, funcionando como os olhos e ouvidos do Comando Sul no dia a dia, garantindo que a “estabilidade tutelada” seja monitorada 24 horas por dia.
Em suma, a Venezuela de hoje é um país onde o chefe de Estado foi capturado por forças especiais americanas e aguarda julgamento em Nova York; a presidente interina governa sob ameaça explícita de sofrer o mesmo destino se não se alinhar; o comandante militar dos EUA visita Caracas para “garantir” a execução de um plano desenhado na Casa Branca; os ministros da Defesa e do Interior, ambos indiciados por narcotráfico nos EUA, sentam-se à mesa com o general americano para acertar uma “agenda de cooperação bilateral”; e os recursos do petróleo são geridos por Washington, com os pagamentos depositados em fundos supervisionados.
Esta é a nova cara da soberania na América Latina, e a pergunta sobre quem será o próximo ganha contornos ainda mais inquietantes quando se observa a coreografia dessa visita: o general que supervisiona, a presidente que obedece, e a Força Conjunta que garante que o “canteiro de obras” não fuja do projeto.
A substituição relâmpago de Maduro por Delcy Rodríguez é a imagem do futuro que nos espera, e o governo brasileiro, por meio de seu embaixador na ONU, já classificou a ação como uma violação inaceitável do direito internacional, que coloca em risco a paz na região e evoca os piores capítulos da história latino-americana.
No entanto, a diferença crucial entre o passado e 2026 é que, desta vez, a Casa Branca é ocupada por um presidente que não apenas apoia abertamente a ultradireita global, mas que já declarou que a “dominância americana no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionada”. Com Donald Trump de volta ao poder, o cenário é radicalmente distinto.
Diante dessa ameaça existencial, uma análise fria do cenário internacional revela um dilema brutal para o Brasil. As opções de alianças de defesa de longo prazo são escassas e problemáticas: a China é o principal parceiro comercial e um ator fundamental no Sul Global, com investimentos massivos em setores estratégicos, mas Pequim não faz alianças militares, pois sua doutrina é de não intervenção, e estender um “guarda-chuva” ao Brasil significaria um confronto direto com os EUA na sua esfera de influência, algo que a China evita cuidadosamente; a Rússia é um parceiro histórico nos BRICS, mas a guerra na Ucrânia a exauriu, e sua incapacidade de proteger a Venezuela, seu aliado na região, foi a prova cabal de que Moscou não tem hoje capacidade de projetar poder para garantir a defesa do Brasil; a França surge como a única alternativa realista, pois a relação entre Lula e Emmanuel Macron é densa e tem produzido acordos concretos em defesa, tecnologia nuclear e minerais estratégicos, além de a França discutir, neste exato momento, estender seu próprio “guarda-chuva nuclear” a parceiros europeus, sinalizando uma disposição inédita para repensar sua doutrina de dissuasão.
No entanto, o grande obstáculo para uma aliança desse porte com o Brasil é a nossa própria instabilidade interna: o ativismo judicial nos mais altos escalões, a polarização crônica e a imprevisibilidade política fazem do Brasil um parceiro de risco, minando a confiança necessária para um pacto de defesa de longo prazo.
É nesse contexto de escassez de aliados confiáveis e vulnerabilidade estratégica que uma voz jovem e lúcida emerge do parlamento brasileiro com uma proposta que, até recentemente, seria considerada tabu. O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para autorizar o Brasil a desenvolver armas nucleares com fins dissuasórios.
A movimentação do parlamentar, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e figura proeminente da nova direita, não é um surto belicista, mas sim uma leitura fria e realista do momento histórico. Na justificativa de sua PEC, Kataguiri acerta ao diagnosticar que o cenário internacional está marcado pela “retomada da lógica das potências nucleares como instrumentos centrais de dissuasão e equilíbrio estratégico”.
Para ele, a falta de um instrumento de dissuasão coloca o Brasil em situação de vulnerabilidade contra ingerências internacionais sobre seus recursos estratégicos, como o petróleo e as terras raras. “Em um mundo onde o poder é, em grande medida, determinado pela capacidade de defesa e pela autonomia tecnológica, manter-se desarmado frente à realidade nuclear global significa permanecer em condição de vulnerabilidade estratégica”, escreveu o deputado.
Kim Kataguiri representa uma direita que busca se diferenciar do bolsonarismo tradicional — ele próprio se define como parte de uma “direita antibolsonarista” e paga um preço político por essa coerência — e sua trajetória, marcada pela defesa da ética na política e pelo combate a privilégios, confere-lhe legitimidade para pautar um tema tão sensível sem ser acusado de extremismo.
Ao propor que o Brasil debata abertamente sua capacidade de dissuasão nuclear, Kataguiri presta um serviço ao país: obriga a classe política e a sociedade a enfrentarem a pergunta incômoda, mas necessária, de como garantir a soberania nacional em um mundo onde as regras do jogo são escritas por quem tem poder de fogo para impô-las.
O cenário é ainda mais complexo porque a principal ameaça à soberania brasileira pode não vir apenas de fora, mas de dentro. Setores da ultradireita, alinhados organicamente ao trumpismo, já demonstraram que seu projeto político é de submissão estratégica a Washington.
Enquanto Eduardo Bolsonaro paga um preço por sua ousadia na linha de frente internacional desse movimento, seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, já cruzou uma linha que beira a definição jurídica de traição nacional ao defender publicamente que os EUA atacassem embarcações em águas jurisdicionais brasileiras.
Ambos, fiéis a um americanismo subserviente, apoiam incondicionalmente o governo de Israel, mesmo diante das acusações de genocídio em Gaza, revelando a face de um projeto que coloca alianças ideológicas acima do direito internacional e da vida de populações civis. Essa disposição de entregar a soberania em troca de apoio político não é retórica, mas um projeto de poder que, com Trump na Casa Branca, pode encontrar o respaldo externo desejado.
Diante da gravidade do momento, o debate sobre a anistia emerge não como uma pauta do passado, mas como um instrumento de pacificação para o futuro. A ideia de uma anistia ampla, que permita ao país superar suas fraturas e voltar a se enxergar como uma nação una diante de ameaças externas, ganha contornos de necessidade estratégica.
Não se trata de concordar com este ou aquele ator político, mas de reconhecer que um país dividido é um país vulnerável. Lula, ciente dessa encruzilhada, tem ensaiado um movimento para capturar o discurso da união nacional. Depois de décadas cultivando a imagem de polarizador, o presidente tenta agora se apresentar como o grande articulador de uma frente ampla em defesa da soberania.
Há quem diga, nos corredores da política, que sua tentativa de emular até mesmo o figurino de Aldo Rebelo — com direito ao chapéu panamá que virou marca registrada do ex-ministro — é um sinal de que algo mudou no tabuleiro. O gesto, que poderia ser visto como anedótico, revela um reconhecimento implícito: o discurso da união nacional tem um dono, e é preciso se aproximar dele.
Neste beco aparentemente sem saída, uma figura emerge como a personificação da única saída estratégica: Aldo Rebelo, que recentemente se filiou ao Democracia Cristã (DC) e lançou sua pré-candidatura à Presidência da República em 31 de janeiro de 2026. Sua trajetória singular — ex-militante comunista, presidente da Câmara, ministro da Defesa no governo Dilma Rousseff e hoje pré-candidato pelo DC — confere-lhe uma rara capacidade de trânsito entre os mundos da esquerda e da direita.
Como ex-ministro da Defesa, Aldo tem a legitimidade e o conhecimento do Estado para articular uma frente ampla em defesa da soberania, um discurso capaz de unir patriotas de diferentes espectros ideológicos. Sua movimentação recente, buscando diálogo com setores da direita nacionalista e articulando alianças como o apoio a Wilson Witzel no Rio de Janeiro e a Ciro Gomes no Ceará, demonstra que ele compreende a urgência do momento.
Em um cenário de ameaça externa iminente, Aldo Rebelo não é apenas um nome; ele é a materialização de um pacto necessário: a união de esquerda e direita em torno de um projeto de nação soberana, capaz de dizer “não” à tutela estrangeira.
As eleições de outubro de 2026, portanto, não são uma disputa convencional. Elas decidirão se o Brasil será sujeito ou objeto da geopolítica, se continuará a ser um país que constrói seu próprio destino ou se aceitará, por vontade própria ou por omissão, tornar-se a próxima peça a cair no dominó, sob o olhar cúmplice de seus algozes internos.
A América Latina já viu esse filme. Sabemos como ele começa: com um general que chega de surpresa para fiscalizar o “canteiro de obras”. A questão é se, antes que a próxima peça comece a balançar, teremos a lucidez e a coragem de reescrever o final, usando os instrumentos da pacificação e da união para construir um país que, enfim, se respeite.
*Bacharel em Direito
*Pesquisa e redação final com suporte do DeepSeek – Assistente de IA
BLOG DO LUÍS TÔRRES
Dias antes do início do Carnaval, o experiente e talentoso marqueteiro João Santana declarou em sua rede social que via como um equívoco a homenagem da Escola Acadêmicos de Niterói ao presidente Lula no desfile da Série A das escolas de samba do Rio de Janeiro. Lembrou que política e Carnaval nunca se misturam, pois é preciso ter limites nesta relação, visto que a festa é um extravasar das realidades materiais. E previu que, além de não ganhar nada com isso, ou seja, nem voto, nem ampliação de apoio, Lula ainda poderia registrar perdas.
Bom, agora só falta ser punido no TSE, pois só isso pioraria o quadro pintado por Santana. Porque, se tudo neste Brasil é debate sobre simbologia, foi muito ruim para Lula ver a Escola que fez a homenagem ficar em último lugar, sendo rebaixada para o grupo B. Quer perda conceitual maior do que essa?
Leia maisSoma-se a polêmica das tais latas de conserva das famílias. O desfile só serviu para dar munição para a direita antipetista e antilulista, porque deu aos opositores do presidente ainda mais elementos para reforçar a tese – subjetiva, inclusive – de que a bandeira de Lula é “acabar com as famílias”, e ainda por cima ganhou o direito de dizer que o presidente petista “derruba até escola de samba”.
Além da ideia, já reprovada antecipadamente por marqueteiros, o desfile levou todo o ódio petista para a avenida, fazendo ataques e troças aos seus adversários, em especial ao ex-presidente Bolsonaro. Ou seja, seria uma homenagem a Lula ou um discurso de Lindbergh Farias na tribuna da Câmara?
Pelo jeito, não é apenas o ódio que atrapalha o raciocínio. A vaidade também. O ego de Lula afundou na avenida como Narciso afogado na contemplação da sua própria imagem.
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O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), publicou um vídeo nas redes sociais em que critica o clima de polarização política no país e questiona: “Vamos realmente viver nesse eterno campeonato de revanche?”. A declaração foi feita ao comentar o rebaixamento de uma escola de samba que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), episódio que, segundo ele, gerou comemorações tanto pela homenagem quanto pela punição.
No pronunciamento, Leite afirmou que o Brasil entrou em uma lógica de torcida permanente, na qual “um lado celebra quando o seu líder é exaltado e o outro vibra quando ele é derrotado”. Eduardo Leite também defendeu que nenhuma democracia madura se sustenta na idolatria ou no ódio. “Presidente não é mito, governador não é mito, parlamentar não é mito”, declarou. Ao final, afirmou que o Brasil precisa fortalecer as instituições e superar paixões políticas, destacando que “os líderes passam, o país fica”. Assista:
DIÁRIO DE IPOJUCA
Após o encerramento do Carnaval em Pernambuco, apontado por autoridades como um dos mais seguros da história do estado, surgiram denúncias graves feitas por policiais militares que atuaram na operação.
Segundo relatos, parte da tropa teria recebido alimentação em condições insalubres durante os longos turnos de trabalho. Imagens e denúncias apontam lanches vencidos, alimentos com aparência inadequada para consumo e bebidas quentes, mesmo sob forte calor e jornadas exaustivas.
Policiais afirmam que alguns colegas passaram mal, apresentaram vômitos e mal-estar após consumir os alimentos fornecidos. Além disso, denunciam que as diárias prometidas, no valor de R$ 180, ainda não teriam sido pagas.
Leia maisOs profissionais de segurança atuaram em meio a grandes multidões, enfrentando situações de risco, agressões, tumultos e longas horas em pé. Apesar do reconhecimento pelo trabalho desempenhado — considerado fundamental para os índices de segurança registrados no período —, os relatos expõem insatisfação com as condições oferecidas à tropa.
Até o momento, não houve posicionamento oficial detalhado sobre as denúncias relacionadas à alimentação e ao pagamento das diárias.
A atuação dos policiais foi amplamente elogiada pela redução de ocorrências graves. No entanto, as denúncias levantam um debate importante: além de planejamento e estratégia, é preciso garantir condições dignas de trabalho para quem está na linha de frente.
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Por Luiz Queiroz – Capital Digital
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Delhi, com um alerta direto sobre o momento histórico vivido pelas sociedades contemporâneas. Para Lula, o mundo atravessa “uma encruzilhada” em que a quarta revolução industrial avança em ritmo acelerado enquanto o multilateralismo recua de forma preocupante, cenário que torna a governança global da inteligência artificial um tema estratégico e incontornável. “Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação, disparou Lula contra as big techs, que em última instância são as empresas que praticam essa “dominância” tecnológica.
Lula destacou que os algoritmos não são meras aplicações de códigos matemáticos, mas parte de uma complexa estrutura de poder. Sem ação coletiva, advertiu, a inteligência artificial tende a aprofundar desigualdades históricas, já que capacidades computacionais, infraestrutura e capital seguem concentrados em poucos países e empresas.
Leia maisO presidente chamou atenção para o fato de que dados gerados por cidadãos, empresas e organismos públicos vêm sendo apropriados por grandes conglomerados globais sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda nos territórios de origem.
O presidente criticou o modelo de negócios predominante dessas empresas, baseado na exploração de dados pessoais, na renúncia ao direito à privacidade e na monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política. Para ele, o regime de governança da inteligência artificial definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem do processo.
No discurso, o presidente ressaltou ainda, que toda inovação tecnológica de grande impacto carrega um caráter dual, capaz tanto de ampliar o bem-estar coletivo quanto de lançar sombras sobre o futuro da humanidade. Ele citou a aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial como exemplos históricos desse dilema, afirmando que a revolução digital e a inteligência artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes.
Segundo Lula, essas tecnologias já transformam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e as formas de conexão entre pessoas, mas também podem fomentar práticas extremamente nocivas. “O emprego de armas autônomas, o discurso de ódio, a desinformação, a pornografia infantil, o feminicídio, a violência contra mulheres e meninas e a precarização do trabalho são faces sombrias desse processo”, afirmou. Ele acrescentou que conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e colocam em risco a democracia.
Citando dados da União Internacional de Telecomunicações, lembrou que 2,6 bilhões de pessoas ainda estão desconectadas do universo digital e que, em 2030, cerca de 660 milhões continuarão sem acesso à eletricidade. Defendeu a regulação das big techs como parte do imperativo de salvaguardar direitos humanos, a integridade da informação e as indústrias criativas.
“Colocar o ser humano no centro das decisões é tarefa urgente”, afirmou, ao mencionar que o Congresso Nacional discute uma política de atração de investimentos para o setor de dados e um marco regulatório para a inteligência artificial. Lula lembrou ainda que o Brasil lançou, em 2025, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com foco na melhoria da qualidade de vida, na oferta de serviços públicos mais ágeis e no estímulo à geração de emprego e renda. Segundo ele, esse paradigma também orientou a declaração aprovada na cúpula dos BRICS realizada no Rio de Janeiro no ano passado.
No plano internacional, Lula afirmou que o Brasil participa da iniciativa chinesa para a criação de uma organização internacional de cooperação em inteligência artificial voltada aos países em desenvolvimento e mantém diálogo com a parceria global de IA surgida no G7. Ressaltou, porém, que nenhum desses fóruns substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da inteligência artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento.
Ele destacou o Pacto Digital Global aprovado em Nova Iorque em setembro de 2024, que instituiu um Painel Científico Internacional independente sobre inteligência artificial, descrito por Lula como o primeiro órgão científico global dedicado ao tema, reunindo especialistas, fatos e evidências.
Ao encerrar, o presidente defendeu uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e assegure que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países. Dirigindo-se aos anfitriões, afirmou que a Índia, ao longo de sua história, legou à humanidade contribuições extraordinárias em diversos campos do conhecimento, formando uma herança que ilumina grandes dilemas éticos ligados à justiça, à diversidade, à inclusão e à resiliência. Para Lula, esse patrimônio cultural e intelectual é um referencial poderoso na busca por respostas aos desafios que a inteligência artificial impõe às sociedades contemporâneas.
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Por Antônio Carlos Medeiros de Lucena*
Como turista e como cidadão que paga impostos, fiquei completamente estarrecido com tamanha falta de bom senso por parte do Ministério Público da Paraíba em relação aos comerciantes da orla de João Pessoa no estado da Paraíba.
Estes, permissionários das atividades de bares e restaurantes localizados no calçadão da orla, bem como em relação aos clientes que ali frequentam, foram afetados por uma medida questionável.
Estive lá neste carnaval com minha esposa e um casal de amigos e, como clientes, na hora de utilizarmos o banheiro privado do estabelecimento, nos deparamos com uma fila de gente vinda da rua, sem nenhuma relação com o referido local, e tivemos que esperar na fila para poder usar o banheiro.
Leia maisNa ocasião, vi que foram afixados adesivos informativos nos bares e quiosques localizados no calçadão das praias de Tambaú e Cabo Branco, com a mensagem sobre os banheiros destes locais, com informações de que o acesso é gratuito e um direito da população.
Tudo isso após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público da Paraíba (MPPB).
De acordo com a Cláusula 6ª, Parágrafo Segundo, do TAC da Orla: “Fica proibida a cobrança de qualquer tipo de valor para o uso dos banheiros dos quiosques e ilhas, sendo proibido ao permissionário restringir seu uso aos transeuntes”.
Em caso de descumprimento, o estabelecimento é notificado e pode ser multado. Em caso de reincidência, pode haver também o cancelamento da permissão de funcionamento.
Transferir essa responsabilidade para os permissionários (comerciantes que operam nos quiosques e bares da orla) é, de fato, uma prática questionável e pode ser considerada ilegal.
Os permissionários já pagam taxas e impostos para operar seus negócios, e não é justo que sejam onerados com custos adicionais para fornecer um serviço que é, em última instância, responsabilidade do poder público.
A situação descrita no Termo de Ajustamento de Conduta é um exemplo claro de como o poder público pode tentar transferir suas responsabilidades para a iniciativa privada, o que pode gerar injustiças e prejuízos para os comerciantes e para os usuários dos serviços.
Ora, cabe ao poder público disponibilizar banheiros públicos em sua orla, como acontece em várias capitais, e não obrigar os comerciantes a disponibilizarem tais serviços, onerando sobremaneira os gastos referentes à limpeza e manutenção, ficando todo o gasto por conta desses estabelecimentos.
Isso sem falar que, repito, causa um desconforto enorme aos clientes que ali estão.
Um absurdo que precisa ser revisto pelo MPPB, já que é a prefeitura de João Pessoa, e não os comerciantes, que tem a obrigação de disponibilizar tais serviços à população.
Fica aqui o registro da minha indignação diante de uma prática questionável, que pode ser considerada ilegal.
*Gestor educacional
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