(O Senado necessário)
Por Aldemar Santos (Dema)*
O Brasil atravessa um daqueles momentos em que o debate político deixa de ser mera divergência de ideias e passa a tocar as estruturas mais profundas da democracia. Não se trata apenas de quem governa, mas de como se governa e, sobretudo, com quais valores se constrói o futuro.
Nesse contexto, é inevitável reconhecer a necessidade de um Congresso Nacional mais alinhado com determinadas diretrizes programáticas historicamente associadas à esquerda brasileira. Não por uma questão de hegemonia ideológica, mas por coerência com um projeto de país que tem, entre seus pilares, a redução das desigualdades, a promoção da justiça social e o fortalecimento das instituições democráticas.
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É de se ressaltar que, mesmo em cenário de manifestações localizadas aqui em nosso Estado, observam-se aproximações e convergências de agentes políticos relevantes vinculados ao chamado “centro político”, no âmbito da dinâmica partidária nacional.
O Senado Federal, em especial, desempenha papel central nesse arranjo. Como Casa revisora e guardiã de importantes garantias e competências institucionais, sua composição na próxima legislatura será decisiva. Um Senado majoritariamente alinhado a essas pautas pode significar não apenas estabilidade política, mas a preservação do próprio Estado Democrático de Direito, com a serenidade necessária para promover os ajustes institucionais que o tempo e as circunstâncias, porventura, exigirem.
Aqui em Pernambuco, ao que se anuncia, teremos uma mulher do campo da esquerda, a ex-deputada federal Marília Arraes, disputando uma vaga no Senado Federal. Trata-se de um movimento que merece atenção e, sobretudo, reflexão. Mais do que ocupar um espaço, essa candidatura carrega consigo o potencial de ampliar e qualificar o debate sobre direitos, igualdade e representatividade. Pernambuco já promoveu avanço institucional relevante em 2022, ao eleger sua primeira mulher para o Senado Federal, e passa, agora, a ter a oportunidade de consolidar essa inflexão histórica, com a possibilidade de eleger mais uma representante feminina para a Casa Alta.
É relevante destacar que a pré-candidata que se apresenta ao cenário está plenamente alinhada com pautas fundamentais à manutenção e ao avanço dos direitos das mulheres, o que, por si só, já imprime densidade política à sua presença na disputa. Em um país que ainda convive com profundas desigualdades de gênero, esse alinhamento não é detalhe; é condição.
Não falo aqui como ator da política partidária, até porque não o sou, por ausência, certamente, de vocação para tanto, mas falo como um observador atento da cena pública. Falo, antes, como quem acompanha com atenção o ambiente institucional e compreende a relevância das decisões políticas que serão tomadas nos próximos anos. É dessa posição, de quem observa, reflete e se preocupa, que surgem estas linhas.
Porque, ao fim e ao cabo, mais do que nomes, o que estará em jogo será o rumo do país. E esse rumo, necessariamente, passa pelo Senado que precisamos constituir: o Senado necessário.
*Advogado e Superintendente Geral da Alepe
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