Por Alex Fonseca – Blog da Folha
O pré-candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) sugeriu que o estado deve assumir o compromisso de fazer ajustes na concessão do trecho Salgueiro-Suape da ferrovia Transnordestina. À convite do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE), ele participou, na manhã desta sexta-feira (10), de uma roda de conversa sobre infraestrutura, no bairro do Recife.
O ex-prefeito do Recife argumentou que, para destravar as obras, também é necessário “ter tamanho para sentar à mesa e fazer” sem ficar refém de estados como a Bahia e o Ceará.
Leia mais“Não pode deixar só isso na cartela do governo federal, que tem enes preocupações, e ficarmos reféns de uma execução estritamente de trechos. […] É preciso abrir duas frentes de obra. Tem que começar de Suape para Mata Sul, passando pelo Agreste e se encontrando no meio”, disse.
Pela proposta de Campos, a segunda frente das obras da ferrovia começaria pelo Complexo Industrial Portuário de Suape, indo em direção ao trecho em execução em Salgueiro. O pré-candidato ao governo argumentou que o atual formato do projeto dificulta a competitividade.
“A Transnordestina tem que passar a ser de execução do governo do estado de Pernambuco. Porque, se fizer isso, a gente vai mudar o jogo e garantir a competitividade do nosso trecho. Se não fizer isso, só vai nos restar uma coisa: discutir a passagem dela por Pernambuco”, declarou.
Alvo de uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), a continuidade das obras do ramal pernambucano da ferrovia foi condicionada pela corte a apresentar estudos que comprovem a pertinência e a vantajosidade socioeconômica da obra para contratar novos compromissos financeiros.
Crônica
João Campos também fez uma analogia para ilustrar o que seria uma perda da competitividade do estado no setor ferroviário. Contou que no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou um trecho de ferrovia no Ceará, Pernambuco reabriu o Museu Ferroviário do Estado. “Isso é uma crônica do risco que a gente tem pela frente.”
Na visão do ex-prefeito, infraestruturas como a Transnordestina e o Arco Metropolitano serão importantes para manter a competitividade diante da implementação da Reforma Tributária. Entre as mudanças previstas pela nova norma, está o fim de isenções tributárias e de benefícios fiscais em alguns estados, incluindo Pernambuco.
“Se a gente não executar uma grande agenda de infraestrutura nesse período, pode haver uma fuga de empresas e indústrias e, ao mesmo tempo, vai haver uma escassez de oportunidade. A gente tem um cenário extremamente desafiador pela frente”, avaliou.
O pré-candidato fez críticas ao modelo de gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), alegando que a administração dela careceria de articulação com outras prefeituras da Região Metropolitana do Recife (RMR).
Ele mencionou dificuldades de mobilidade urbana, limpeza e iluminação pública como exemplos disso e propôs a criação, caso seja eleito, de um conselho liderado pelo governo do estado para deliberar sobre assuntos que digam respeito à RMR.
“Vou criar o centro integrado da região metropolitana. Essas agendas vão ser discutidas lá e vai ter gente para cuidar e para resolver. E o investimento que o estado fará vai derivar dessas priorizações. Isso vai fazer diferença”, sustentou.
Construção
João Campos defendeu o uso da força política para destravar obras e assegurar projetos que desenvolvam a economia do estado, algo que vai além, segundo ele, da visão técnica da administração.
Também sugeriu, de maneira indireta, que o governo do estado não tem dado tração e velocidade às obras que se propôs a executar. “Todo mundo sabe que não dá para fazer obra sem dinheiro. Agora ter dinheiro e não fazer obra, é problema de quem está tocando (as obras)”, disse.
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