Recebi, há pouco, de uma fonte em Caruaru, este vídeo que mostra como foi verdadeiramente gigantesca a carreata que os aliados de Bolsonaro promoveram, ontem, na capital do Agreste, com a presença do ex-presidente.
Recebi, há pouco, de uma fonte em Caruaru, este vídeo que mostra como foi verdadeiramente gigantesca a carreata que os aliados de Bolsonaro promoveram, ontem, na capital do Agreste, com a presença do ex-presidente.
Diário de Pernambuco
Governo de Pernambuco lançou o edital de licitação para a contratação da empresa que vai realizar obras de reforma, requalificação e ampliação da infraestrutura física da área construída do Hospital da Restauração Governador Paulo Guerra (HR), no Derby, na área central do Recife.
Segundo o governo, o investimento estimado é de R$ 64.231.608,94. A publicação saiu no Diário oficial de hoje. Essas obras complementariam os serviços que já estão sendo feitos na unidade, a maior da rede pública de Pernambuco.
Leia maisOs serviços incluem a requalificação dos pavimentos do térreo ao nono andar, e a implantação das torres de circulação vertical central e norte com novos elevadores e escadas de emergência.
Ainda segundo o estado, estão previstas a instalação do bloco técnico, da central de gases medicinais e da casa de bombas, além de diversas guaritas de serviço, acessos e saídas para ambulâncias, e a requalificação dos estacionamentos público e privativo.
A intervenção contemplará, ainda, a infraestrutura externa do complexo, incluindo drenagem urbana, redes de água e esgoto, reservatórios de retenção de águas pluviais, pavimentação, acessos, estacionamentos, paisagismo, iluminação e sinalização.
“Com a publicação do edital, teremos esses investimentos para garantir ainda mais assistência à população”, explicou a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti.
Conheça a unidade
Administrado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), o HR fica em um terreno de aproximadamente 20.376 metros quadrado. O prédio tem área construída de 25.596,02 metros quadrados, distribuída do pavimento térreo ao 9o pavimento.
Na unidade funcionam setores essenciais como emergência geral, centro de diagnóstico por imagem, hemodinâmica, unidades de terapia intensiva, bloco cirúrgico, central de material esterilizado (CME), enfermarias, além de áreas administrativas, técnicas e de apoio. A execução das obras será feita em etapas para garantir a continuidade das atividades assistenciais e a integridade dos sistemas críticos.
As novas intervenções vão ampliar e modernizar setores essenciais, reorganizando fluxos internos e adequando a edificação às normas técnicas vigentes. “O projeto contempla intervenções tanto sobre a edificação existente quanto sobre áreas externas e blocos de apoio, incluindo demolições pontuais, novas construções e implantação de infraestrutura técnica de 844,24 m². Após a execução das obras, o hospital deve atingir 26.148,42 metros quadrados de área construída”, afirma o diretor-presidente da Cehab, Paulo Lira.
O prazo previsto para a execução dos serviços é de nove meses a partir da data de emissão da ordem de serviço. O edital e seus anexos já estão disponíveis no site da Cehab (cehab.pe.gov.br) e no sistema do Portal de Compras Públicas (portaldecom-praspúblicas.com.br).
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Por Gilmar Teixeira
Em todo encontro do Cariri Cangaço há figuras que se tornam paisagem afetiva. Não pelo silêncio, mas pela presença. Geraldo Ferraz é assim. Surge sempre com o chapéu elegante de lorde pernambucano, o sorriso aberto e o passo tranquilo de quem sabe exatamente onde pisa. Ao lado da esposa Rosane Ferraz, companheira constante, ele não ocupa espaço – ele cria convivência. E logo se percebe: ali está alguém profundamente querido, não apenas pelo que sabe, mas pelo que é.
Quando Geraldo começa a falar, o Sertão se ajeita para ouvir. Sua voz não traz bravatas nem romantizações fáceis. Vem carregada de estudo, de memória e de responsabilidade histórica. Fala do cangaço, sim, mas sobretudo do outro lado da história: das forças policiais, das volantes, dos homens fardados que enfrentaram um tempo em que a violência era lei nos ermos nordestinos. E fala com autoridade singular, porque sua história pessoal caminha de mãos dadas com a história que pesquisa.
Leia maisNeto do lendário Teófanes Ferraz, destacado policial pernambucano que combateu desde Antônio Silvino até Lampião nos sertões do Pajeú, Geraldo assumiu para si uma missão que poucos encaram com tamanha dignidade: defender a honra, a memória e a verdade histórica desse personagem. Sua literatura não é vingança nem exaltação cega; é justiça histórica. É o esforço paciente de recolocar os fatos em seu lugar, longe das sombras da simplificação.
Nascido no Recife, em 30 de dezembro de 1955, e moldado por várias cidades pernambucanas – Triunfo, Taquaritinga, Gravatá –, Geraldo traz em si a pluralidade do Estado. Formado em Administração, servidor público exemplar, artista plástico por paixão, escritor por vocação e historiador por compromisso, ele construiu uma trajetória que impressiona não pela quantidade de títulos, mas pela coerência do caminho.
Nos livros, nas palestras, nos congressos, nas academias de letras e nos saraus, especialmente no emblemático Quartas às Quatro, Geraldo Ferraz sempre fez da cultura um território de encontro. Nunca se colocou acima, mas sempre à frente, abrindo caminhos, mediando debates, estimulando novas vozes. Seu trabalho atravessou fronteiras, chegou a Portugal, ecoou em academias, universidades e eventos que discutem o Nordeste não como folclore, mas como território histórico complexo.
É impossível falar de Geraldo sem falar de perseverança. Foram décadas de dedicação à pesquisa, à escrita e à articulação cultural, sempre com elegância, generosidade e firmeza de princípios. Recebeu homenagens, comendas, medalhas, prêmios – mas talvez seu maior reconhecimento esteja no respeito silencioso que se instala quando ele se aproxima. Todos sabem: ali está alguém que não brinca com a história.
Geraldo Ferraz não apenas estuda o cangaço. Ele humaniza o debate, amplia o olhar e devolve ao sertão suas múltiplas vozes. Entre cangaceiros e volantes, entre o mito e o fato, ele caminha com equilíbrio raro. E assim segue, chapéu à cabeça, sorriso no rosto, carregando consigo a certeza de que preservar a memória é, antes de tudo, um ato de amor ao Nordeste.
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O ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) negou, hoje, o pedido feito pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para que ele recebesse as visitas do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, e do senador Magno Malta (PL-ES).
Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente cumpre prisão em uma sala de Estado-Maior em um prédio do 19° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda. O local é chamado de Papudinha.
Leia maisNa decisão, Moraes cita riscos às investigações envolvendo Valdemar Costa Neto na trama golpista e incidentes disciplinares envolvendo Magno Malta – que teria tentado ingressar na unidade sem autorização.
Moraes autoriza ainda:
Antes, as visitas a Bolsonaro estavam autorizadas nas quartas e quintas. Agora, devem ser realizadas as quartas e aos sábados nos horários de 8h às 10h; 11h às 13h; ou 14h às 16h. Nesse sentido, Moraes atende um pedido feito pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) por razões de segurança.
No caso da assistência religiosa, Bolsonaro já tem autorização para receber um bispo e de um pastor. Dessa forma, Moraes esclarece que os dias das visitas dos religiosos devem ser alternados.
“A assistência religiosa deverá ser realizada uma vez por semana, às terças ou sextas-feiras, individualmente, com duração de 1 (uma) hora, mediante prévio ajuste entre os autorizados, observadas as normas do estabelecimento prisional”, cita a decisão.
No trecho sobre as caminhadas, o ministro reforça a necessidade de supervisão permanente, escolta e isolamento em relação a outros presos. “A realização de atividades físicas (caminhadas) de forma controlada e restrita, em locais previamente definidos pela administração do NCPM [Núcleo de Custódia da Polícia Militar] – preferencialmente o campo de futebol ou a pista asfaltada –, em dias e horários estabelecidos pela unidade custodiante”, pontua o ministro.
“A atividade deverá ser executada sob supervisão permanente e escolta policial, garantindo-se o isolamento em relação aos demais custodiados, com exceção dos custodiados nas Ações Penais 2668 e 2693 [de tentativa de golpe de Estado]”, prossegue Moraes.
Negativa para as visitas
Ao indeferir o pedido de visitas, Moraes cita que foi informado pela autoridade policial que o senador Magno Malta tentou ingressar na unidade prisional sem autorização. Segundo o ministro, Malta se valeu indevidamente das “prerrogativas parlamentares para acessar áreas de segurança máxima”.
Sendo assim, Moraes considerou que “tal conduta gera riscos desnecessários à disciplina do Batalhão e à segurança do próprio sistema de custódia, obstaculizando o deferimento do pedido”.
Já quanto a Valdemar Costa Neto, Moraes sustentou que por ele ser investigado no âmbito da trama golpista não poderia ter contato com o ex-presidente.
“A autorização de contato direto entre investigado e condenado em procedimentos correlatos apresenta risco manifesto à investigação e foi vedado em decisão anterior”, diz um trecho da decisão de Moraes.
A decisão de Moraes cita ainda as próximas visitas previstas a Bolsonaro. São elas:
O município de Brejo da Madre de Deus conquistou, em dezembro de 2025, o Selo Diamante de Transparência, concedido pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), uma das mais importantes certificações de gestão pública do estado. O resultado é atribuído ao trabalho de organização administrativa e ao compromisso com a transparência conduzido pela gestão do prefeito Roberto Asfora.
O reconhecimento é fruto do Índice de Transparência Pública (ITMPE), no qual o município atingiu 96,2% de conformidade, posicionando-se entre as 25 cidades pernambucanas que alcançaram o mais alto nível de avaliação.
Leia maisEm 2024, Brejo da Madre de Deus já havia conquistado o Selo Ouro e, agora, com o avanço para o Selo Diamante – ambos inéditos na história do município – demonstra um salto expressivo na qualidade da gestão e na disponibilização de informações públicas. O desempenho reflete o compromisso da administração municipal com a responsabilidade fiscal, a clareza na aplicação dos recursos e o fortalecimento do acesso da população a dados essenciais sobre as ações governamentais.
A conquista reafirma o desenvolvimento administrativo de Brejo da Madre de Deus e evidencia os esforços contínuos da gestão municipal em promover uma administração moderna, eficiente e transparente, fortalecendo a confiança entre o poder público e a população.
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Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Se o PSD fosse uma pizzaria rodízio, nessa primeira rodada antes da oficialização das candidaturas presidenciais, o “maitre” do partido, Gilberto Kassab, estaria oferecendo aos clientes pizzas mezzo direita, mezzo centro-direita e mezzo centro. Para deixar que na segunda rodada o comensal/eleitor decida qual fatia vai querer repetir.
Com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, Kassab coloca no jogo eleitoral ele, que é uma opção marcadamente de direita; o governador do Paraná, Ratinho Jr, um nome identificado com a centro-direita, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, tido como opção mais moderada. Mas, principalmente, a filiação de Caiado reforça que a intenção é ter mesmo um nome na corrida.
Leia maisO primeiro aceno foi dado em 16 de janeiro, e anotado aqui no Correio Político. Foi quando Kassab pediu que um vídeo de uma entrevista de Ratinho Jr na qual ele se coloca como opção presidencial fosse compartilhado ao máximo. Toda essa movimentação de Kassab decorre da constatação de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não sairá mesmo candidato à Presidência.
Se Tarcísio saísse à Presidência, poderia ser outro o jogo do PSD. Mas, sem Tarcísio, Kassab não quer já no primeiro turno ver-se obrigado a manter a polarização política, apoiando seja a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL). Kassab tem um pé em cada canoa. Tem ministros no governo de Lula, está no governo Tarcísio e tem políticos ligados ao bolsonarismo. No mínimo, uma candidatura própria lhe dará bom cacife para negociar para onde irá no segundo turno.
Mas ele não deixa de calcular a possibilidade de acabar sendo capaz de construir, sim, uma candidatura que coloque o PSD no segundo turno contra Lula. Por uma razão básica: palanques regionais. Kassab tem uma avaliação de que a candidatura de Flávio estreita a possibilidade de formação de palanques regionais mais ao centro. Ele tenderia as chapas mais para a direita.
E o caso de Santa Catarina é o primeiro exemplo prático de que tal tendência possa mesmo acontecer, a partir da chapa formada pelo governador Jorginho Mello (PL). Mello fechou sua chapa à direita, tendo como parceiro do PL o Novo. Escanteou o senador Esperidião Amim (PP) para o Senado. E escanteou o MDB.
O cargo de vice-governador estava prometido para o MDB. O resultado foi o rompimento do MDB. Que agora planeja concorrer com Mello. E quem pode ser o parceiro nessa chapa? Exatamente o PSD. Circula a hipótese de o candidato a governador ser o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, que é do PSD.
Há outros exemplos. A disposição no DF de o PL ter como candidatas Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis vai na mesma direção. Fecha a possibilidade de composição com nomes mais ao centro. O PSD tem um nome forte na disputa para o governo, José Roberto Arruda. E ele ainda não definiu sua chapa.
Em linha semelhante, o PSD calcula que sua disposição presidencial facilitará outros arranjos regionais por oferecer opção mais moderada e mais aberta a acertos. Goiás é um caso mencionado, pela força que tem Caiado no estado. O Paraná, com Ratinho Jr, seria outro exemplo de controle grande da situação política pelo partido.
Há uma outra situação a ser observada no Rio Grande do Sul. O PP rachou no estado. Parte queria permanecer aliada a Eduardo Leite, parte queria deixar o governo para apoiar Luciano Zucco, do PL. Prevaleceu a decisão de sair do governo Leite. Com isso, é possível que a parte derrotada acabe indo para o PSD.
Enfim, o grande problema de Flávio Bolsonaro é convencer o Centrão de que haverá espaço na sua candidatura presidencial. Se ele não for capaz disso no pouco tempo que lhe resta até as definições de abril, há uma chance de o PSD engolir as composições regionais. Pelo menos é nisso que Gilberto Kassab aposta.
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Por Rinaldo Remígio Mendes*
Petrolina despede-se, aos 99 anos, do ex-prefeito Diniz de Sá Cavalcanti, homem de fibra, humildade e dedicação ao povo. Sua trajetória marcou profundamente a vida pública e o desenvolvimento do Sertão.
Vereador, vice-prefeito, prefeito e deputado estadual, Seu Diniz sempre foi reconhecido pela proximidade com as pessoas, pela escuta atenta e pela disposição em ajudar. Como gestor, deixou obras estruturadoras, como o Viaduto do Barranqueiro e o atual aeroporto, que simbolizam sua visão de futuro.
Leia maisAntes da política, construiu uma relevante história empresarial com a Joalina e a Transnova, servindo a milhares de petrolinenses no transporte coletivo.
Entre seus maiores legados, destaca-se a contribuição, ao lado do ex-prefeito Geraldo Coelho (in memoriam), para a criação da FACAPE, patrimônio educacional de nossa região.
Tive, como presidente da instituição, o privilégio de homenageá-lo em vida, reconhecendo-o como um dos grandes precursores dessa obra que transformou gerações.
Seu Diniz parte, mas permanece na memória de Petrolina, nas instituições que ajudou a construir e na gratidão de um povo que não o esquecerá.
Descanse em paz, Seu Diniz. Petrolina lhe deve muito.
*Professor universitário aposentado, ex-presidente da FACAPE em Petrolina/PE
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O presidente da Câmara de Vereadores de Arcoverde, Luciano Pacheco, recebeu das mãos do presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), desembargador Ricardo Paes Barreto, um troféu em reconhecimento ao Prêmio Diamante de Transparência, conquistado em 2025 pelo Legislativo Municipal. A homenagem foi entregue na abertura do Congresso Nacional de Agentes Públicos e Políticos, realizado em João Pessoa.
“Pela primeira vez na história do Legislativo de Arcoverde, alcançamos o Selo Diamante de Transparência. Antes deste prêmio atual, o nível alcançado era de Selo Ouro. Agora, graças ao trabalho de toda a equipe da Câmara, conseguimos avançar neste quesito tão importante, que é a Transparência Pública”, destacou o presidente da Câmara, Luciano Pacheco.
Faleceu, há pouco, o ex-prefeito de Petrolina Diniz de Sá Cavalcanti, carinhosamente conhecido pelo povo como ‘Seu Diniz’, aos 99 anos de idade. Figura histórica da vida pública de Petrolina e de Pernambuco, Diniz de Sá Cavalcanti exerceu, com dignidade e responsabilidade, os cargos de vereador por cinco mandatos, vice-prefeito por dois mandatos, e prefeito por um mandato, em Petrolina, além de ter sido deputado estadual de Pernambuco por três mandatos.
Sua trajetória foi marcada pelo compromisso com o interesse público, pela simplicidade no trato e pelo respeito à população. Fiel aos seus valores, faleceu em seu leito familiar, como desejava, ao lado de sua companheira Lourdinha, cercado por familiares e amigos. Seu legado permanece como referência de serviço público, humildade e dedicação à vida política, deixando contribuição relevante para a história institucional e social de Petrolina e de Pernambuco.
Por Antônio Magalhães*
Campanhas pacíficas em busca de mudanças políticas têm duas vezes mais chance de sucesso do que manifestações violentas. Esta não é uma observação aleatória. Lembrei de um estudo da pesquisadora da Universidade de Harvard, Erica Chenoweth, sobre campanhas de massa de 1900 a 2006, que mostra que é preciso que cerca de 3,5% da população participe ativamente dos protestos para garantir uma mudança política profunda. Este número é só para o auge do movimento que, no caso do Brasil, seriam necessárias 7 milhões de pessoas.
A elevada quantidade de brasileiros mobilizados por mudanças políticas poderia ser tida como impossível. Mas todas as campanhas não-violentas começam aos poucos, juntando um a um, porque elas são capazes de recrutar mais participantes de um grupo demográfico mais amplo, podendo ter um impacto expressivo – paralisando a rotina da vida urbana e o funcionamento da sociedade.
Leia maisA pesquisadora destaca que os protestos não-violentos também apresentam menos barreiras físicas à participação. Você não precisa estar 100% apto e saudável para se engajar num movimento pacífico, enquanto as campanhas violentas tendem a se apoiar em homens jovens em boa forma.
Segundo Erica Chenoweth, os movimentos violentos, por outro lado, exigem o fornecimento de armas e tendem a depender de operações clandestinas, sendo mais complicado alcançar a população em geral. Ao engajar uma ampla parcela da população, as campanhas não-violentas têm mais chances de ganhar apoio entre as forças policiais e militares – os mesmos grupos aos quais o governo deveria se apoiar para restabelecer a ordem.
“Durante um protesto pacífico de milhões de pessoas, os membros das forças de segurança também podem ficar mais propensos a temer que seus familiares ou amigos estejam em meio à multidão – o que significa que eles podem não reprimir o movimento”, diz ela.
Aqui aconteceu o contrário: o ministro da Defesa, José Múcio, anunciou que havia parentes seus entre os manifestantes acampados diante dos quartéis em Brasília. Depois de toda a depredação na Praça dos Três Poderes no 8 de janeiro de 2023, Múcio permitiu que as Forças Armadas agissem covardemente para prender manifestantes. Não houve golpe de estado, reconhecido pelo próprio ministro, e nem seus parentes apareceram no noticiário ou foram detidos.
Por isso, vale a pena lembrar o equívoco das mobilizações de rua de brasileiros, em 2013, contra a política recessiva de Dilma Rousseff (PT). Elas acabavam sempre com a violência de infiltrados ou black blocks que destruíam e queimavam tudo por onde passavam. A opção para o manifestante comum era ficar em casa com medo. A barulhada não alterou nada na época. A mudança só veio três anos depois por meio do impeachment da presidente por acordo das elites empresarial e política. Do mesmo modo, as passeatas com violência em 1992 contra Collor não resolveram nada: ele caiu por decisão do establishment.
Já as manifestações convocadas pela direita sempre foram ordeiras, ampliando a participação de um ato para o outro desde o governo do presidente Bolsonaro, a partir de 2019. E isso foi comprovado na caminhada da semana passada convocada pelo deputado direitista Nikolas Ferreira que juntou na peregrinação, de 240 Km a pé de Minas Gerais a Brasília, milhares de pessoas num protesto pacífico para despertar a população contra vários problemas: perseguições políticas, censura, ausência de liberdade de expressão, criminalidade, falta de saneamento, corrupção.
Nem o desprezo da mídia tradicional e nem a galhofa dos governistas do PT – que não conseguem sequer juntar um pequeno grupo – encobriram a dimensão política da caminhada. Não se sabe o que acontecerá politicamente nestes dias seguintes à manifestação, mas, obviamente, fica claro que mobilizações violentas excluem pessoas que abominam e temem o derramamento de sangue, enquanto os ativistas pacíficos preservam a superioridade moral, como Gandhi e Martins Luther King, entre outros. É isso.
*Jornalista
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Folha de São Paulo
A família da servidora pública e consultora de moda Camila Wanderley acusa médicas do Recife de omissão, após cirurgia simples causar dano cerebral grave na paciente moradora de Arcoverde. Camila foi internada no dia 27 de agosto de 2025 para retirada da vesícula e correção de hérnia inguinal, dois procedimentos de baixa complexidade – o primeiro é um dos mais realizados no Brasil.
Após receber anestesia geral, ela teve sete apneias seguidas que culminaram em uma parada cardiorrespiratória, segundo a perícia independente que a família contratou para apurar o que aconteceu durante o procedimento. A paciente teve um dano grave no cérebro, perdeu funções básicas e está internada em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) desde então.
Leia maisO documento da perícia, divulgado com exclusividade pela Folha de São Paulo, afirma que as médicas ignoraram os alertas do monitor multiparamétrico e prosseguiram com a cirurgia. O equipamento teria alertado sobre a queda abrupta da saturação de oxigênio dezenas de vezes durante um período de 27 minutos.
A defesa da família denunciou uma das médicas ao Cremepe, que é o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco. Em nota, a instituição diz que apura e que “todas as denúncias recebidas e sindicâncias instauradas pela autarquia correm em sigilo processual para não comprometer a investigação”.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Hospital Esperança afirmou que as médicas não trabalham na unidade e foram escolhidas pela paciente. A defesa da cirurgiã Clarissa Guedes Noronha afirma que a cirurgia foi realizada com absoluta precisão, e que o monitoramento dos sinais é uma atribuição técnica da anestesiologia.
A defesa da anestesiologista Mariana Parahyba foi procurada e afirmou que se pronunciaria até segunda-feira (26). Na terça (27), uma advogada que presta assessoria à médica disse que não irão se manifestar no momento.
Camila Nogueira é servidora da Justiça no Estado de Pernambuco e filha do desembargador federal Roberto Nogueira, do TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região). Casada e mãe de dois filhos, divide o tempo entre o emprego público e as atividades de consultora de moda. Na Rádio Itapuama, Camila Wanderley tem um quadro com dicas de moda dentro do programa ‘De Primeira Categoria’.
Segundo o pai de Camila, “ela não fala, não anda, não vê. Respira sozinha, mas perdeu as partes cognitiva e locomotora. Quando eu fico com ela, a olho o tempo todo. É como se fosse um bebê de novo”, diz o pai.
Registros de câmeras de segurança do hospital mostram que Camila chegou andando na unidade por volta das 5h. Ela deixa o elevador acompanhada pelo marido, o médico oftalmologista Paulo Menezes. A admissão no hospital ocorre às 5h24.
Às 10h47, o monitor multiparamétrico emitiu o primeiro alerta para apneia, segundo a perícia particular contratada pela família. O alerta, diz a perícia, indicava “problema grave: desconexão, obstrução ou falha ventilatória”. O documento afirma que o quadro evoluiu para alta prioridade, já que Camila teria ficado 1 minuto e 42 segundos em apneia [interrupção da respiração], o que exigiria ação imediata.
A segunda apneia aconteceu às 10h56, de acordo com o documento da perícia. “Problema ventilatório recorrente não resolvido”, classifica o laudo, indicando que a saturação da paciente caiu de 88% para 61% em 67 segundos.
Em entrevista à Folha, o médico Leonardo Queiroga Marinho, que assina o documento, afirma que a falta de intervenção indica erro grave de omissão, mas destaca que a avaliação depende dos órgãos competentes. Os dados do quadro clínico de Camila foram obtidos com o hospital, por meio do cartão de memória dos aparelhos.
“Todas as informações, como pressão e saturação, são mostradas no monitor para o médico acompanhar instantaneamente. Esse equipamento tem vários sensores, alarmes visuais e é primordial para procedimentos cirúrgicos”, afirma Queiroga.
“Essas informações ficam registradas em um cartão de memória, sob o controle do fabricante, que repassa em casos de solicitação do hospital. Com acesso a esse equipamento, conseguimos fazer a análise do quadro segundo a segundo”, diz.
De acordo com o relatório da perícia contratada pela família, a terceira apneia acontece às 11h04. “Problema ventilatório crônico não resolvido há mais de 17 minutos”, afirma o laudo.
Às 11h05, o quarto; às 11h08, o quinto – a essa altura, a saturação de paciente é classificada como “extremamente crítica”, com 22%, incompatível com a atividade cerebral. Em uma pessoa saudável, a saturação de oxigênio no sangue costuma ficar entre 95% e 100%. Valores abaixo de 90% já indicam hipoxemia e exigem atenção médica. Abaixo de 80%, o quadro é considerado grave.
Às 11h11, esse percentual reduziu para 5%. A quinta apneia aconteceu às 11h16, e Camila teve uma parada cardiorrespiratória, com ausência de sinais vitais. Nesse momento, a equipe de reanimação é acionada. A paciente volta a ter sinais vitais às 11h33, após 15 minutos de parada. Ela ainda teve mais uma apneia antes de ser transferida para a UTI, às 12h42.
As câmeras do hospital mostram a transferência. A anestesiologista Mariana Parahyba aparece ao lado da equipe de enfermagem, usando o celular com uma mão, enquanto manuseia o ambu (aparelho de ventilação manual) com a outra.
Além da denúncia ao Cremepe, a família prepara uma ação judicial, segundo o advogado Igor Cesar Rodrigues. “Nós queremos que todos os crimes cometidos no decorrer desse procedimento desastroso sejam apurados, bem como reaver os danos materiais decorrentes”, diz.
“A cirurgia seguiu com a paciente praticamente morta ali na mesa. Defendemos que é uma conduta dolosa. É como pegar um carro em uma avenida movimentada, avançar o sinal vermelho, causar um acidente e continuar avançando”, compara Rodrigues.
“Os filhos vivem perguntando por ela. O mais velho, Arthur, de seis anos, criou uma espécie de defesa, não quer falar sobre o assunto. Eu passei dois meses morto-vivo depois do que aconteceu. Pedi a Deus para me levar no lugar dela. Ela era minha amiga, conselheira, quem me dava sermão”, lembra o pai.
O Hospital Esperança disse que prestou “todo o suporte necessário assim que tomou conhecimento da intercorrência”. “O hospital reafirma seu compromisso permanente com a qualidade assistencial, ética, a transparência e, sobretudo, com a segurança de seus pacientes”, diz a nota.
A defesa da cirurgiã Clarissa Guedes diz que reitera seu profundo respeito e solidariedade à família “diante do trágico evento adverso ocorrido”.
“A atuação técnica da doutora Clarissa durante a colecistectomia (cirurgia para retirada da vesícula biliar) foi executada com absoluta precisão e sem qualquer falha de execução, não havendo qualquer intercorrência ou falha no ato cirúrgico propriamente dito. Portanto, inexiste nexo de causalidade entre o agir de Clarissa Guedes e o dano neurológico sofrido pela paciente. É fundamental ressaltar que a função do cirurgião exige concentração absoluta no campo operatório, sendo o monitoramento uma responsabilidade da anestesiologia”, afirma.
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O ministro da Casa Civil, Rui Costa, confirmou, há pouco, que a secretária-executiva da pasta, Miriam Belchior, será a indicada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para sucedê-lo no ministério a partir de abril.
Costa pretende deixar o ministério em março, para concorrer a uma vaga no Senado pela Bahia. A informação foi divulgada pelo ministro em entrevista a uma rádio de Jequié (BA).
“O presidente já comunicou a sua escolha tanto a mim quanto à Miriam. Ela foi ministra do Planejamento, trabalha muito, é uma técnica competente e assume o ministério no início de abril. A prioridade do presidente é que [as indicações] sejam de quem já está na equipe, para não haver descontinuidade nas ações de governo”, disse Costa.
O presidente da CPI mista do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi convocado para depor na comissão na próxima quinta-feira, 5 de fevereiro. As informações são do portal G1.
“Comunicamos ao Brasil que Daniel Vorcaro e Luiz Félix Cardamone Neto foram convocados para comparecer nesta quinta-feira, dia 5 de fevereiro, perante a CPMI do INSS”, escreveu Viana em uma rede social, nesta quarta-feira (28).
Leia mais“A CPMI seguirá adotando todas as medidas legais cabíveis para assegurar que ninguém se esconda atrás de decisões provisórias e que os fatos sejam plenamente esclarecidos diante do povo brasileiro”, completou.
O senador informou ainda que, em relação ao empresário Maurício Camisotti, a comissão atua para reverter um habeas corpus que garante a dispensa de comparecimento à CPMI.
Na última reunião de 2025, a comissão aprovou a convocação do bancário. O colegiado também aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
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