Recebi, há pouco, de uma fonte em Caruaru, este vídeo que mostra como foi verdadeiramente gigantesca a carreata que os aliados de Bolsonaro promoveram, ontem, na capital do Agreste, com a presença do ex-presidente.
Recebi, há pouco, de uma fonte em Caruaru, este vídeo que mostra como foi verdadeiramente gigantesca a carreata que os aliados de Bolsonaro promoveram, ontem, na capital do Agreste, com a presença do ex-presidente.
BLOG DA ANDRÉIA SADI – G1
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negou em depoimento à Polícia Federal (PF) ter conexões com políticos e disse que se realmente tivesse tantas conexões, não estaria preso ou usando tornozeleira eletrônica.
O blog teve acesso a uma transcrição do depoimento dado pelo banqueiro à PF em dezembro do ano passado, na investigação sobre fraudes ligadas ao Master. O responsável pelo inquérito é o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Leia maisDurante o depoimento, Vorcaro contou para a delegada da PF que não possui tantos contatos com políticos, pois ele é questionado se algum político procurou ajudar a viabilizar o negócio entre o Master e o Banco de Brasília (BRB).
Em resposta, Vorcaro diz que o negócio com o BRB foi construído tecnicamente dentro do Banco Central (BC) e que o prejuízo com a paralisação do negócio não é só do dele, mas de todo o sistema financeiro do país.
Em um outro trecho, Vorcaro confirma ter se encontrado algumas vezes com o governador do Distrito Federal (DF) Ibaneis Rocha (MDB), mas justificou que o que motivou os encontros foi o fato dele ser o controlador indireto do banco estatal e que nada, além de questões técnicas do BRB, foi discutido entre os dois.
Mesmo após essa resposta de Vorcaro, a delegada volta a perguntar se o banqueiro não fez pedidos a parlamentares, secretários de Estado ou diretores de órgãos públicos.
Como resposta, Vorcaro não confirma nem nega ter feito pedidos a outras autoridades, mas diz que o Banco Central tem discricionariedade e que, até um momento, a diretoria de fiscalização do BC tinha interesse em criar uma solução de mercado e evitar o que o banqueiro teria descrito como caos que está se instaurando no país.
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O governo da Espanha recusou o convite dos Estados Unidos para fazer parte do chamado “Conselho da Paz”, criado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para atuar nos conflitos entre Israel e Palestina, envolvendo a região de Gaza.
O presidente da Espanha, Pedro Sánchez, agradeceu o convite, mas declinou a participação do país europeu por “coerência e compromisso com o multilateralismo e o sistema da Organização das Nações Unidas”. As informações são do Metrópoles.
Leia mais“O futuro de Gaza deve ser decidido pelos palestinos e pelos israelenses, em um processo de diálogo que implemente a solução de dois Estados”, defendeu.
Sánchez também criticou o fato de o conselho não ter nenhuma autoridade da Palestina incluída. O presidente espanhol tem sido abertamente crítico às ações militares de Israel no território.
A carta do Conselho da Paz foi assinada por Trump na quinta-feira (22/1), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Veja países que participam e os que recusaram o convite
O Canadá havia sido chamado para participar, mas posteriormente Trump revogou o convite.
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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) enviou um ofício ao gabinete do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre a caminhada de 240 km realizada por ele e outros bolsonaristas em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O percurso foi iniciado pelo parlamentar no município de Paracatu, no interior de Minas, na segunda-feira e será finalizado no domingo em Brasília (DF).
A PRF disse que “notificou formalmente” o gabinete do deputado sobre os riscos operacionais identificados durante o deslocamento na BR-040. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia mais“A medida destaca a necessidade de adoção de ações para mitigação de riscos à segurança, observada a responsabilidade do parlamentar na condição de organizador da caminhada”, diz a corporação em nota.
“A PRF reforça que seguirá acompanhando a movimentação de forma ininterrupta, com equipes dedicadas, com o objetivo de mitigar riscos, preservar a segurança viária e proteger tanto os participantes quanto os demais usuários da rodovia, sem prejuízo da adoção das medidas administrativas e legais cabíveis nos caso de descumprimento da legislação”, conclui a PRF.
Segundo o deputado federal, o objetivo é lutar “pela liberdade e pela justiça” e protestar contra “prisões injustas do 8 de janeiro e do ex-presidente Jair Bolsonaro”. Nesta quinta-feira, os deputados petistas Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) solicitaram à Polícia Rodoviária Federal (PRF) que interrompa a caminhada de Nikolas.
— Esse Nikolas e essa turma podem fazer as passeatas que eles quiserem para defender anistia para golpista, para tirar Bolsonaro da cadeia, para defender que não paguem pelo seus crimes — diz Lindbergh Farias na gravação compartilhada nesta quinta-feira no Instagram — O que eles não podem e não tem direito é de cometer crimes, como eles estão fazendo. Ele foram para a BR-40 sem pedir autorização prévia a ninguém, ao DNIT, ANTT, nenhum órgão.
O petista diz ter enviado um ofício à Polícia Rodoviária Federal (PRF) com diferentes pedidos, entre eles um para que a caminhada na BR-040 seja interrompida e redirecionada para outro lugar. Lindbergh afirma ainda que os envolvidos vão responder “administrativamente e criminalmente”. O documento é assinado também pelo deputado Rogério Correia (PT-MG).
— É proibido você andar em acostamento de uma via rodovia federal como aquela (…) Tem trechos que eles entram por dentro da via principal. Isso é um absurdo. E helicópteros de milionários trazendo deputados, pousando ao lado da via. Isso é crime — disse Lindbergh.
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O ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho anunciou na sexta-feira (23) um pacote de investimentos em infraestrutura e pavimentação para o município de Ipojuca. Ao lado do prefeito Carlos Santana (Republicanos) e da deputada estadual Simone Santana (PSB), o ministro detalhou ações para preparar o entorno do Porto de Suape para novos aportes, como o novo terminal de contêineres de R$ 1,6 bilhão da APM Terminals. Na reunião, também foi anunciado o investimento de 38 mil metros quadrados de vias contempladas.
A empresa responsável pela execução das obras será a Nacional, que atuará a partir do projeto executivo apresentado pela gestão municipal. Atualmente, a Prefeitura está na fase de apresentação do projeto executivo, etapa fundamental para o início dos trabalhos. As informações são do Blog da Folha.
Leia maisDe acordo com Costa Filho, a expectativa é que as obras tenham início logo após o Carnaval, respeitando o cronograma técnico e administrativo estabelecido. Durante o anúncio, Silvio destacou a importância do investimento e ressaltou o trabalho da gestão municipal.
“Esse investimento é reflexo de uma grande gestão conduzida por Carlos, que tem mostrado compromisso e responsabilidade com os recursos públicos, além do mandato de Simone, que segue trabalhando firmemente em prol do povo de Ipojuca e de todo o Litoral Sul”, afirmou Silvio.
A iniciativa reforça o compromisso da administração municipal com o desenvolvimento urbano e a melhoria da infraestrutura, atendendo a uma demanda antiga da população e impulsionando o crescimento da região.
“O ministro Silvio é um verdadeiro amigo de Ipojuca e tem trabalhado muito ao nosso lado em defesa da nossa gente. É uma parceria que traz resultados reais, como novos recursos para pavimentação, a conclusão da Estrada da Cia do Lazer e mais emprego e renda através de parceria com o Porto de Suape. Estamos extremamente gratos ao ministro por essa ajuda de sempre”, disse Carlos.
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Em todo percurso pelas cidades históricas de Minas, confesso que minha maior emoção foi conhecer a casa em que Tancredo Neves morou, em São João del-Rei, sua terra natal. O Casarão pertencente à família Neves, com sua arquitetura residencial do século XIX, possui uma belíssima fachada, sendo ponto de um alto fluxo turístico e um dos cartões-postais da cidade.
Escolhido para atuar na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para a presidência da República em 2026, o senador Rogério Marinho (PL-RN) avalia que faltou palanque ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em alguns estados em 2022. “Em 2022, faltou palanque ao presidente Bolsonaro em alguns estados, a exemplo do Nordeste”, afirmou o Marinho ao portal G1.
Ex-ministro de Jair Bolsonaro e líder da oposição no Senado, Marinho havia manifestado a intenção de disputar o governo do Rio Grande do Norte pelo PL, mas aceitou mudar de rota para ajudar a articular a candidatura presidencial de Flávio, seu colega no Congresso.
Leia maisMarinho era a aposta do PL para a disputa no estado, atualmente governado pelo PT, e disse na quarta-feira (21) que vai integrar a pré-campanha de Flávio a pedido do pai dele, que está preso em Brasília e escolheu o filho como candidato presidencial.
Para Marinho, a escolha de seu nome sinaliza um olhar da campanha para o Nordeste, mas não define que o seu trabalho será restrito à região em que o presidente Lula (PT) tem amplo apoio. “Cada região está sendo tratada com as características que elas têm. O fato de eu ser do Nordeste mostra uma sensibilidade maior à região, mas não significa que a atuação vai ser direcionada. Vai ser em caráter nacional”, afirma.
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Por Zé Américo Silva*
A Justiça brasileira atravessa um dos momentos mais delicados de sua história republicana. Independentemente dos ataques ideológicos que o Supremo Tribunal Federal vem sofrendo, é impossível ignorar que a crise atual não é apenas externa – ela nasce, sobretudo, de dentro das próprias instituições.
O problema não se restringe ao STF. O Superior Tribunal de Justiça e tribunais estaduais espalhados pelo país acumulam episódios que escancaram distorções graves: salários exorbitantes, penduricalhos travestidos de “benefícios”, verbas indenizatórias sem respaldo constitucional e arranjos administrativos que operam fora da legalidade.
Leia maisEnquanto o cidadão comum luta para sobreviver, parte da magistratura vive sob um regime de exceção financeira. Auxílios de toda natureza, pagamentos retroativos milionários e interpretações elásticas da lei criaram uma casta blindada, distante da realidade social e do princípio da moralidade pública.
Paralelamente, multiplicam-se casos envolvendo juízes acusados de crimes graves – estelionato, violência doméstica, agressões, feminicídio, quebra de decoro e condutas incompatíveis com a função. Episódios que, em qualquer outro poder, resultariam em afastamentos imediatos, muitas vezes seguem sem resposta institucional proporcional.
Nos tribunais superiores, a situação ganha contornos ainda mais sensíveis. No STJ, há décadas circulam denúncias sobre favorecimento de escritórios de advocacia ligados a familiares de ministros. Trata-se de um fato conhecido nos bastidores jurídicos, ainda que raramente enfrentado com transparência.
No Supremo Tribunal Federal, esses conflitos tornaram-se mais visíveis nas últimas duas décadas. O caso mais emblemático dos tempos recentes envolve o ministro Dias Toffoli. Reportagens amplamente divulgadas levantaram questionamentos sobre negócios de familiares situados na fronteira da legalidade, especialmente no setor de jogos e apostas — um mercado bilionário diretamente impactado por decisões judiciais e políticas públicas.
Somam-se a isso situações envolvendo familiares de ministros – inclusive de Alexandre de Moraes – atuando juridicamente em causas relacionadas a clientes com interesses diretos junto às Cortes Superiores. Mesmo quando não há ilegalidade comprovada, o conflito ético é evidente.
Justiça não se sustenta apenas na legalidade formal. Ela exige aparência de imparcialidade, distância de interesses privados e compromisso público inequívoco. Quando ministros, seus parentes ou escritórios associados orbitam negócios que dependem do próprio Judiciário, a confiança da sociedade entra em colapso.
Chegamos a um ponto em que não é mais possível tapar o sol com a peneira. A crise do Judiciário brasileiro não é fruto de narrativas extremistas nem de disputas ideológicas. Ela decorre da ausência de autocrítica, da resistência a controles externos e da normalização de privilégios incompatíveis com a República.
Sem uma profunda revisão ética, administrativa e institucional, a toga continuará perdendo seu valor simbólico. E uma Justiça desacreditada é o maior risco que uma democracia pode correr.
*Jornalista e consultor de marketing político
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O sextou das férias, nas cidades históricas de Minas, começou com o maravilhoso passeio no trem Maria Fumaça, entre as cidades de Tiradentes e São João del-Rei. Dura apenas 40 minutos. Curti com minha Nayla e o meu grupo – o casal Cid e Kelly e a engenheira Tayse Lira.
É uma viagem nostálgica, de apenas 12 km, com vistas lindíssimas da serra de São José. Um charme histórico, incluindo a visita ao Museu Ferroviário em São João del-Rei, um dos mais importantes do Brasil. Uma atração extra é a manobra manual da locomotiva na rotunda em São João del-Rei.
O trem turístico, inaugurado por Dom Pedro II em 28 de agosto de 1881, é o mais antigo em operação no Brasil. Proporciona uma verdadeira viagem pela história e cultura ferroviária de Minas Gerais.
Um panorama sobre o setor de ar condicionado, refrigeração, ventilação e aquecimento poderá ser observado e debatido de perto no próximo dia 29 de janeiro, por conta da 7ª edição anual do evento intitulado ‘ABRAVA de Portas Abertas’. Trata-se de um encontro que vem sendo realizado há anos pela Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) e que reúne tanto representantes do setor, como da imprensa.
Desta vez, alguns dos destaques serão, além do crescimento da compra de aparelhos de ar condicionado em 2025, também debates sobre impactos das mudanças climáticas neste segmento da economia as novas regras referentes à reforma tributária e expectativas de mercado para 2026.
Leia maisAssim como formas de atuação, a partir desse ano, para cumprimento dos compromissos assumidos pela entidade às regras estabelecidas pela Conferência da ONU sobre Qualidade do Ar Interno e Mudanças Climáticas na COP 30 – que exigirão uma atuação voltada para equipamentos mais tecnológicos, sustentáveis e com menos gasto de energia. Será discutida, ainda, a agenda de eventos e outros temas previstos ao longo deste ano para conscientização da sociedade.
Conforme informações dos coordenadores, o ‘ABRAVA de Portas Abertas’ consiste em um encontro voltado para a apresentação dos principais temas estratégicos do setor AVACR – que corresponde às empresas de Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado e Refrigeração.
Essa sigla define toda a cadeia produtiva, industrial, comercial e de serviços que atua na climatização de ambientes, conforto térmico e conservação de produtos através de controle de temperatura.
O evento também tem como objetivo central fortalecer conexões, apresentar as iniciativas da ABRAVA, perspectivas e oportunidades do setor AVACR para o ano.
Consolidou-se como essencial para empresas e profissionais que atuam direta e indiretamente no setor. Uma vez que se propõem não apenas a atualização de conhecimento, mas também ao fortalecimento das redes de relacionamento e o alinhamento das ações estratégicas para o futuro deste segmento. Além de deixar em evidência a posição institucional da ABRAVA e os diversos benefícios para as empresas associadas.
“O encontro será uma oportunidade para aprofundar o relacionamento entre as empresas, canais de comunicação e entidades com a ABRAVA, esclarecer dúvidas, acessar informações qualificadas e identificar pautas relevantes e seus principais players”, informou o presidente da ABRAVA, Leonardo Cozac.
O debate acontecerá de forma híbrida, presencialmente e online, na sede da ABRAVA em São Paulo, na avenida Rio Branco – bairro de Campos Elíseos, e também na página da associação no YouTube, no período entre 8h30 e 11h30.
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O município de Petrolândia conquistou reconhecimento nacional ao alcançar a Medalha de Ouro na 2ª edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização. O resultado foi divulgado na última quarta-feira (21), pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (Simec). A premiação reforça o desempenho do município nas políticas públicas voltadas à alfabetização na idade certa.
O prefeito Fabiano Marques (Republicanos) destacou que a conquista representa um esforço coletivo e reflete o comprometimento de toda a rede municipal de ensino. Segundo ele, o resultado é fruto de planejamento, investimentos e valorização dos profissionais da educação.
“Em 2024 fomos prata e agora avançamos para o ouro, mostrando que estamos no caminho certo e que o trabalho sério dá resultado. Só tenho a agradecer a toda a nossa equipe da Educação, a verdadeira responsável por essa conquista. A nossa articuladora municipal, Erika da Silva Oliveira, à equipe da Secretaria Municipal de Educação, e a cada professor, gestor, coordenador, servidor, estudante e família que acreditam na educação como instrumento de transformação”, afirmou o prefeito.
Após receber o aval e o apoio do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), o ex-prefeito de Terezinha Matheus Martins anunciou que aceitou o convite do prefeito de Saloá e presidente da Codeam, Rivaldo Júnior, para assumir a Secretaria Executiva do Consórcio de Desenvolvimento do Agreste Meridional (Codeam), considerada a principal nomeação da entidade. “Vamos fortalecer o municipalismo, pois município forte é sinônimo de população segura e fortalecida”, destacou no ato da nomeação.
Revista Veja
Há exatos dez anos, o país atravessava uma imensa turbulência. A Lava-Jato avançava sobre a classe política, e o Congresso, acuado pelas investigações, dava os primeiros passos em direção à cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff, afastada em maio de 2016. O vice-presidente Michel Temer assumiu o governo sob a pressão de uma profunda crise política e econômica.
Foi bem-sucedido ao conseguir aprovar reformas estruturais importantes, mas sua passagem pelo Palácio do Planalto acabou ofuscada pela impopularidade derivada das revelações de corrupção que atingiram o MDB, o seu partido, alguns de seus ministros e aliados. Temer garante que as feridas desse período estão totalmente cicatrizadas, incluindo a maior delas: sua prisão – ou “sequestro”, como ele a define.
Leia maisSuperar o passado, segundo ele, é a única receita para o Brasil sair do atoleiro político em que se encontra hoje. Nesta entrevista, o ex-presidente afirma que não houve tentativa de golpe de Estado, defende a redução das penas para os envolvidos no 8 de Janeiro e diz que as eleições de outubro podem pôr um ponto-final na polarização do país.
Ha muita diferença entre os conflitos políticos de hoje e os enfrentados há uma década?
Houve nesse espaço de tempo muita polarização, que chamo de radicalização. Muitas vezes não há discussão de ideias. Ha discussões de natureza pessoal e muita coisa ligada ao passado. Vejo as pessoas olhando pelo retrovisor. Gosto de repetir: ou superamos o passado ou não teremos futuro. E importante que as autoridades públicas trabalharem com essa concepção. No meu tempo havia oposição, mas não havia essa radicalização de posições.
E qual é a alternativa para cessar essas hostilidades?
Temos as eleições deste ano porque é um momento em que os candidatos podem lançar projetos para o país. Se isso acontecesse, ao invés da disputa Lula e Bolsonaro, teríamos uma disputa de projetos para chegar ao poder. Essa pregação parece de certa ingenuidade, eu sei, mas não é. O ideal seria o centro e a centro-direita terem um programa para o país para se opor a outro programa e daí nos melhoramos as relações político-eleitorais-administrativas no país. Já fui procurado pelos govenadores que pretendem disputar a Presidência e dei a eles essa sugestão. Qualquer um deles que vier a ser candidato representa muito adequadamente o meu pensamento. O eleitorado está cansado dessa disputa de nome contra nome.
O seu partido, o MDB, terá candidato próprio à Presidência ou vai se aliar a outra candidatura?
O MDB é uma federação. Uma coisa é o MDB no Nordeste, outra coisa é o MDB do Sul, Sudeste, Centro-Oeste. É preciso saber coordenar essas várias correntes. O ideal dos ideais é que o MDB lançasse um programa para o país. O ideal seria ter uma candidatura representativa desse projeto. Mas acho complicado, porque toda vez que você quer apresentar um candidato se depara com essas dificuldades federativas. Por isso, o MDB acaba entrando nessa coisa do chamado centro, centro-direita, para que cheguem todos unidos, se não no primeiro turno, pelo menos no segundo.
A candidatura do senador Flávio Bolsonaro pode unir essa centro-direita?
Se o senador Flávio Bolsonaro for candidato e chegar ao segundo turno, acho que a opção do chamado centro, da centro-direita e, claro, da direita radical será ele.
O que achou do fato de Flávio Bolsonaro ter insinuado em uma rede social que, se o senhor estivesse no lugar de Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes decidiria de forma diferente sobre a prisão do pai dele?
Primeiro, se fosse eu do outro lado, não haveria tratamento diferente. Tenho a impressão que o ex-presidente vai acabar indo para a prisão domiciliar. Acho isso útil como um gesto de pacificação para o país. Ninguém vai dizer que a prisão domiciliar é uma maravilha. Ficar trancado em casa é prisão do mesmo jeito.
Além de Bolsonaro e Fernando Collor, que estão presos, o presidente Lula já foi preso e o senhor também. O que há de errado?
Primeiro, um esclarecimento: fui sequestrado. Fiquei quatro dias na Polícia Federal, fruto de um sequestro de um juiz lá do Rio de Janeiro que foi expulso da magistratura. Prisão e sequestro são coisas distintas. Respondendo à pergunta, nosso sistema jurídico é perfeito. A Constituição traz critérios extremamente democráticos, participativos, que têm sido utilizados nas várias decisões judiciais. É claro que, vez ou outra, você pode contestar o mérito de certas decisões, mesmo decisões do Supremo Tribunal Federal, mas não pode contestar a competência que a Constituição deu ao Judiciário para essas decisões.
A oposição anuncia que buscará eleger o maior número de senadores para cassar ministros do STF. Não é algo que vai na contramão da necessidade de pacificação que o senhor defende?
Não acho uma boa pregação, porque ela remete à ideia de que você está pensando apenas no passado. Toda vez que há, de um lado, ultrapassagem de alguns limites, o retruque também ultrapassa os limites. Palavras de harmonia são fundamentais. Dizer que nós vamos eleger senadores para cassar ministros do Supremo não colabora para superar o passado e garantir o futuro. Isso cria instabilidade no país.
A anistia defendida pelos bolsonaristas ajudaria ou dificultaria a proposta de pacificação?
Esse tema já saiu da pauta e não se pode cogitar retomá-lo. O Congresso encontrou um meio-termo, que é a nova dosimetria. Cogitar anistia agora é incentivar essa divisão, mas apoiar a dosimetria é caminhar para a pacificação.
Como um constitucionalista como o senhor avalia as críticas que têm como alvo o ministro Alexandre de Moraes?
Conheci o ministro muito antes de ser ministro de Justiça do meu governo. Não conheço os autos que embasaram suas decisões, mas, num dado momento, comentou-se que havia um certo excesso na dosagem das penas. O que o Congresso fez legitimamente? “Vamos redosar essas penalidades.” O mecanismo democrático, portanto, está funcionando. Dei palpites sobre a questão da dosimetria. Se tivesse havido um bom diálogo entre Executivo, Legislativo e Judiciário, essa questão teria sido resolvida. Não vejo com bons olhos o veto do presidente Lula ao projeto. Mas ainda há tempo para um pacto republicano entre os Poderes.
O senhor não usa a palavra golpe quando se refere aos episódios que redundaram no 8 de Janeiro e na condenação dos envolvidos. Por quê?
Houve uma agressão enorme aos Poderes. Vou dizer uma obviedade: um golpe só existe como mecanismo de força. Mecanismo de força nos sistemas golpistas só se dá com a presença das Forças Armadas. Aqui, não houve a presença da instituição. Pode ter havido um ou outro membro das Forças Armadas que tenha imaginado ou pensado nisso. Houve uma agressão muito forte aos Poderes – não aos prédios, apenas. A intenção era desmoralizar os órgãos do Poder. Por isso, merecia punição – punição que foi dada.
Ainda incomoda ser chamado de golpista, particularmente pelo presidente Lula?
Conheço bem o presidente Lula. Sempre me dei muito bem com ele e ele comigo. Mas ele faz isso para agradar a uma ala do PT. Não deveria fazê-lo. Muita gente diz que, como fizemos grandes reformas, como recuperamos as estatais, como reduzimos juros, como recuperamos o PIB, como reduzimos inflação – se foi golpe, foi golpe de sorte. Não me incomodo minimamente mais com isso. Compreendo essas coisas e, com toda a franqueza, fico acima dessas palavras inteiramente inadequadas.
O senhor foi contratado no ano passado para fazer uma mediação entre o Banco Master e o Banco de Brasília, o BRB – operação, sabe-se hoje, cercada de ilegalidades. Qual sua avaliação sobre o caso?
Fui procurado para fazer essa mediação, mas vi que era um pouco difícil. Aliás, quando fui contratado, não tinha sequer sido decretada a liquidação pelo Banco Central. Fiquei surpreso. No entanto, é apressado dizer, desde já, sem uma decisão final do Judiciário, qual é a culpa e qual é o tamanho do delito.
Como político o senhor defenderia a criação de uma CPI para investigar o caso Master?
O primeiro resultado das CPIs é a divulgação um pouco escandalosa dos fatos. Quando você conclui uma CPI, tem que mandar o relatório final para o Ministério Público dizer se tem alguma questão penal ou cível a ser apurada. É simplesmente uma pré-elaboração de um eventual processo penal ou civil. Não tenho objeção às CPIs, porque essa também é uma tarefa do Poder Legislativo que a Constituição já lhe entregou. Mas não sei se ela é necessária nesse caso.
Como avalia este terceiro mandato do presidente Lula?
Ele já esteve numa posição eleitoralmente mais delicada depois do tarifaço, mas recuperou a popularidade. Não posso negar que ele é um líder, tem prestígio, mas lhe falta um pouco de capacidade de diálogo. Eu fiz uma reforma do sistema trabalhista no país. Nós levamos quatro meses para mandar o projeto para o Congresso. Pegue agora o exemplo recente do IOF. Como não houve diálogo, a Câmara apresentou um decreto legislativo, suspendendo a eficácia do decreto governamental. Foi para o Supremo, que manteve uma parte desse decreto legislativo e eliminou uma outra parte. Ou seja, gerou-se um conflito entre os Poderes, fruto da ausência do diálogo.
Recentemente a revista The Economist publicou um texto dizendo que o presidente Lula não deveria concorrer em 2026, entre outras coisas, por causa da idade avançada. O eleitor deve levar essa preocupação em conta?
Não posso concordar. Essa não é uma razão impeditiva da candidatura. Nos dias atuais, aumentou muito a faixa etária, a longevidade dos indivíduos. Eu, por exemplo, tenho 85 anos. A não ser que se revele que o presidente tem deficiências cognitivas, deficiências de saúde, aí sim. O simples fator etário não pode impedir uma candidatura.
Dez anos depois de sua posse como presidente da República, o senhor se arrepende de algo ou faria algo diferente?
Não me arrependo nem minimamente. Ao contrário. Assumi em um momento conturbado e tive de enfrentar uma oposição rigorosa, feroz, mas legítima. Sabia que deveria ser ousado. E ser ousado significava produzir reformas para o país. Fui um presidente muito impopular, mas hoje sou um ex-presidente popularíssimo. As pessoas reconhecem o que fizemos. Fiz o que deveria fazer e saí com certa dignidade.
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