Durante a participação no programa Mesa Redonda desta sexta-feira (17), na rádio Cultura do Nordeste, o senador Humberto Costa (PT) defendeu uma candidatura própria do Partido dos Trabalhadores (PT) à Prefeitura de Caruaru nas eleições municipais de 2024. “Se o PT, em Caruaru, quiser sobreviver, ele tem que se renovar e disputar uma eleição”, afirmou o senador.
Sobre os 75 dias do Governo Raquel Lyra, o senador pernambucano afirmou que o sentimento é de frustração. Ele declarou que esperava que esse início poderia ter sido melhor, com base no discurso de renovação e mudança apresentado pela governadora durante todo o período de campanha eleitoral. As informações são da Rádio Cultura do Nordeste.
Sobre o resultado eleitoral do PT na disputa ao Governo do Estado no ano passado, Humberto avaliou que o povo pernambucano, tanto no 1º turno com a derrota de Danilo Cabral (PSB), quanto no 2º turno, com a derrota de Marília Arraes (SD), entendeu que o partido deveria estar na oposição agindo de forma responsável. Ele ainda disse que no que puder vai estar sempre ajudando e colaborando com o Governo do Estado.
Questionado sobre aliança com o PSB nas Eleições de 2022, Humberto disse que algumas atitudes do Partido Socialista Brasileiro, como o apoio à candidatura do presidente Lula no ano passado e a contribuição do nome de Geraldo Alckmin como vice-presidente na chapa, fizeram com que o Partido dos Trabalhadores retornasse o contato com o PSB no estado de Pernambuco, e para selar essa aproximação, o PT integrou a Prefeitura do Recife com duas secretarias.
O senador destacou ainda que o Partido dos Trabalhadores não quer subserviência com relação ao PSB, quer ser tratado com respeito para discutir novas parcerias. Com relação ao apoio do partido à reeleição do prefeito João Campos, no Recife, ele disse que existe uma grande possibilidade de entendimento para apoiar a reeleição, mas que nada está definido por enquanto. Segundo ele, nenhum município pernambucano está com acordo fechado para a eleição de 2024, e que precisa ser feita uma avaliação nesse sentido.
Com relação a alguns cargos do segundo escalão do Governo Federal, como a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que ainda estão sem nomeações, Humberto Costa disse que o Brasil teve uma eleição em que a bancada conservadora teve um crescimento considerável que não permitiu que o governo construísse uma base sólida. Para que isso aconteça, o senador afirmou que o governo precisa contemplar os interesses dos grupos aliados e, segundo ele, a Codevasf está segurando todo o processo de nomeações. Sendo assim, de acordo com ele, quando sair essa nomeação ficará mais fácil nomear o restante do segundo escalão.
Os discursos confusos de Carlos Lupi e Marília Arraes
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, reuniu a imprensa no Recife, ontem (12). Falou muito, mas não disse quase nada. Confirmou que a ex-deputada Marília Arraes, que vai ingressar na sigla, andou conversando com a governadora Raquel Lyra (PSD) sobre uma possível vaga na chapa da gestora para disputar o Senado, o que todo mundo já sabia.
Disse que Raquel manifestou interesse nessa composição, o que também não é novidade, uma vez que a governadora ainda não conseguiu começar a circular com nenhum pré-candidato à Casa Alta, enquanto seu adversário, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), vem há meses aparecendo em agendas ao lado de dois ou três nomes dispostos a subirem no palanque dele.
Essa é uma queixa da própria Raquel a aliados, alguns do PP. Por isso, a pressão da governadora para que o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) resolva logo sua vida. Voltando a Lupi, o presidente do PDT também disse que falou com João Campos, mas não saiu animado da conversa.
“Não fiquei animado, porque ele já colocou uma posição que praticamente… Ele até disse que não está nada certo depois, mas já estava colocado o fechamento dele, o vice e as duas vagas do Senado. Então, não me quer”, afirmou Lupi. Na mesma conversa, disse que João Campos o telefonou reforçando que o diálogo sobre Marília ainda está aberto, deixando a dúvida se ainda existe chance ou não para Marília na chapa do prefeito.
Lupi ainda caiu em uma contradição, na confusa entrevista, quando afirmou que a situação de Marília é incomum, porque em nenhum estado da federação um candidato que lidera as pesquisas é rejeitado, ou subtraído. Sugeriu que os jornalistas pesquisassem para comprovar o que estava ressaltando.
No entanto, alguns minutos depois, garantiu: “Hoje todo mundo quer Marília no palanque. Se ela não tivesse importância nenhuma, se não tivesse força política, por que tanta gente queria ela?”, enfatizou. “Ela pode não ser muito benquista em parcela do mundo político, mas tem povo. Quem não vive de povo não ganha eleição”, acrescentou.
Como é que Marília estaria sendo subtraída nas composições, mesmo sendo líder nas pesquisas, algo que não é visto em outro lugar do Brasil, mas, ao mesmo tempo, todo mundo quer Marília no palanque? Lupi não conseguiu explicar essa matemática para os jornalistas. Marília, por sua vez, não quis conversar com a imprensa na ocasião, dizendo apenas que a entrevista era só com o presidente.
O discurso de Lupi, ontem, foi confuso, assim como está confusa a articulação de Marília. Em 2020, protagonizou uma eleição duríssima contra o primo, João Campos, pela Prefeitura do Recife, com trocas de acusações pesadas e difíceis de esquecer. Saiu derrotada, mas o tempo passou, fez as pazes com João, o eleitorado aceitou e o jogo continuou. Há meses, inclusive, aparece ao lado de João em agendas, com direito a registros postados em blogs e redes sociais.
Em 2022, protagonizou outra dura campanha, dessa vez contra Raquel Lyra, pelo Governo de Pernambuco. Inclusive, não aceitou, na época, o pedido feito pela equipe de Raquel para adiar o início do guia eleitoral, uma vez que a então candidata Raquel Lyra vivia um momento de luto após a perda do marido, Fernando Lucena, que morreu no dia da eleição. E, hoje, na eleição seguinte, Marília estaria prestes a rodar o Estado em campanha ao lado justamente de Raquel? Aquela mesma Raquel que não moveu um dedo em prol da eleição do presidente Lula em 2022, mesmo com todo o universo sabendo qual seria o significado para Pernambuco de Lula ou Bolsonaro vencer? Ninguém sabe quem está mais confuso nesse jogo, que mais parece oportunismo eleitoreiro: Lupi, Marília ou a própria Raquel.
Gleide Ângelo na federação – A deputada estadual Gleide Ângelo se filiou à Federação União Progressista, ontem (12). A ficha de filiação foi assinada pelo presidente da federação em Pernambuco, deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UP), e pelo deputado federal e segundo secretário da Câmara dos Deputados, Lula da Fonte (PP/UP). Em vídeo postado nas redes sociais, Gleide Ângelo ressaltou: “A gente precisa salvar a vida das mulheres. A gente não pode mais ver filhos órfãos da violência e achar que é normal, porque não é normal”. Os parlamentares festejaram a chegada de Gleide, que entra no grupo para fortalecer o combate à violência de gênero.
Pegou mal demais – O vídeo de Raquel Lyra em homenagem ao aniversário das cidades-irmãs Recife e Olinda, narrado com sotaque paulista, repercutiu mal demais. Este blog fez um alerta e, minutos depois, a peça, que nunca deveria ter ido ao ar, foi removida das redes da gestora. O chefe, titular deste blog, declarou: “Estou feliz em poder ajudar a garantir que cidades com históricos tão revolucionários não sejam tratadas com um descaso assim”.
Por falar em Raquel – Não se passa um mês sem que a gestão da governadora pernambucana não esteja imersa em escândalos. O mais recente, divulgado pelo portal Metrópoles, indica que o governo dela já repassou mais de R$ 160 milhões à Cetus Construtora, uma empreiteira de Minas Gerais contratada quando já estava inscrita no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS), o que torna ilegal a formalização de novos vínculos com a administração pública. Nos bastidores, o caso já vem sendo apelidado de “Raquelão da Educação”, em referência ao Petrolão ou ao Mensalão.
Alinhamento – O senador e candidato à reeleição Humberto Costa (PT) reuniu-se, ontem (12), com o presidente Lula (PT), no Palácio do Planalto, em Brasília. Na pauta, as prioridades do governo para este ano no Congresso Nacional, além da análise de conjuntura e dos cenários político e eleitoral. Segundo o senador, o presidente e ele discutiram, do ponto de vista político e eleitoral, tanto o contexto nacional quanto a situação política em Pernambuco. Humberto afirmou que há plena convergência de posições entre ambos. “Ouvir o presidente Lula, as ideias dele, é sempre muito bom. Estamos em total sintonia. Sou candidato à reeleição pelo PT e vamos seguir trabalhando juntos por Pernambuco e pelo Brasil”, declarou.
Pisômetro da Educação – A vereadora do Recife Liana Cirne (PT), professora de Direito da Universidade Federal de Pernambuco, lançou, ontem (12), o Pisômetro da Educação de Pernambuco, iniciativa que pretende fiscalizar o cumprimento do piso salarial nacional do magistério nos municípios do Estado. A proposta é reunir informações enviadas por professoras e professores sobre o pagamento do piso em suas cidades, criando um levantamento público que identifique quais prefeituras estão descumprindo a legislação que garante a valorização dos profissionais da educação.
CURTAS
ExpoGaranhuns – O deputado estadual Izaías Régis participou, na noite da última quarta-feira (11), da abertura oficial da ExpoGaranhuns 2026, realizada no Parque Acauã, em Garanhuns. O evento segue até o dia 15 de março.
Recursos – “Desde o início, tivemos o compromisso de trabalhar para que a ExpoGaranhuns saísse do papel. Buscamos os recursos necessários junto ao Governo do Estado porque sabemos da importância que um evento como esse tem para fortalecer o agronegócio, gerar oportunidades e movimentar a economia de toda a região”, afirmou Régis.
Novo comando – A Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) terá um novo presidente. Na próxima terça-feira, 17 de março, às 9h, em assembleia extraordinária de prefeitos e prefeitas, o prefeito de Aliança, Pedro Freitas, assumirá o comando da entidade. Ele assume o lugar de Marcelo Gouveia, ex-prefeito de Paudalho que estava à frente da Amupe.
Perguntar não ofende: Raquel Lyra não prestava, segundo Marília, porque não apoiou Lula. Mas, se ela abrir uma vaga na chapa, vai passar a prestar?
Um grave acidente envolvendo uma motocicleta e uma Fiat Strada foi registrado na noite desta quinta-feira (12) na BR-232, nas proximidades da fábrica de postes, em Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco. Segundo as primeiras informações, duas pessoas que estavam na moto, o piloto e a passageira, identificados como neto e avó e moradores da localidade Volta do Rio, na zona rural do município, morreram no local. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e equipes de socorro estão no local da ocorrência. Com informações do Blog Belo Jardim News.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsiderou sua decisão e rejeitou a visita do assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, onde o antigo mandatário está preso. Em sua decisão, Moraes citou o ofício do Ministério das Relações Exteriores que comunicou que a concessão de visto para o assessor de Trump não tinha qualquer pedido de visitação a Bolsonaro.
Segundo o documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o visto concedido a Beattie previa apenas sua participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, que será realizado em São Paulo. Segundo Moraes, a visita do assessor a Bolsonaro não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro e também não foi comunicada previamente às autoridades brasileiras. As informações são do jornal O GLOBO.
“Ressalte-se que, somente após a solicitação de informações ao Ministro das Relações Exteriores, a Embaixada dos Estados Unidos da América solicitou a realização de novos compromissos diplomáticos pelo Darren Beattie em Brasília, que seriam realizados, se eventualmente confirmados, no dia 17 de março”, afirmou Moraes.
No documento, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a visita poderia ser vista como indevida ingerência em ano eleitoral.
“Diante do exposto, nos termos do artigo 4º, IV da Constituição Federal e dos artigos 21 e 341 do Regimento Interno do STF, reconsidero a decisão anterior e indefiro a visita requerida pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro”, afirmou Moraes.
Era segunda-feira, 9 de março de 2026, quando o padre Pierre El Raii, pároco maronita de Qlayaa, no sul do Líbano, ouviu o bombardeio que atingiu a casa de um paroquiano. Sem hesitar, correu com dezenas de jovens para socorrer os feridos. Foi então que um segundo ataque atingiu o mesmo local. O sacerdote de cinquenta anos ficou gravemente ferido. Morreu quase à porta do hospital, para onde foi levado sem conseguir entrar.
A operação militar israelense que matou o padre chama-se “Rugido do Leão” — uma ofensiva lançada contra o Irã e que se estendeu ao Líbano, pretensamente contra posições do Hezbollah. Por sua vez, o Papa Leão XIV, líder máximo da Igreja Católica, da qual os maronitas do Líbano fazem parte, expressou, por meio da Sala de Imprensa da Santa Sé, “profunda dor”. Na hora do Angelus, implorou que “cesse o barulho das bombas”. Palavras justas, mas que soam como um débil sussurro diante do rugido dos caças e das bombas.
Foi nesse contexto que outras vozes da hierarquia católica se ergueram. O Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, foi contundente: “Se aos Estados fosse reconhecido o direito à ‘guerra preventiva’, o mundo inteiro correria o risco de ser incendiado. A justiça deu lugar à força; a força do direito foi substituída pela lei da força.”
O Cardeal Robert McElroy, arcebispo de Washington, também não se calou. Em entrevista ao The Guardian, o cardeal americano revelou a ansiedade dos fiéis e disparou: “Uma das mais importantes doutrinas católicas sobre a guerra é que as nações têm a obrigação de acabar com um conflito o mais rápido possível. Isto é particularmente verdade quando a decisão de ir à guerra não era moralmente legítima.”
A frase é uma bomba. McElroy, no coração do império, disse claramente que a guerra em curso é moralmente ilegítima. Sem rodeios.
Se Parolin e McElroy podem falar com essa firmeza, o que impede o Pontífice de fazer o mesmo? A pergunta é ainda mais pertinente porque Leão XIV é o primeiro papa estadunidense da história. Precisamente por isso, ele conhece a linguagem do poder em Washington. Sabe que palavras como as de McElroy, se fossem ditas pelo Sumo Pontífice, teriam ainda mais autoridade moral.
A “profunda dor” e os apelos genéricos são o mínimo. Mas o mínimo, quando um padre é morto enquanto socorre feridos, é manifestamente insuficiente. A comunidade maronita, que sempre olhou para Roma como mãe e protetora, vê-se órfã de uma palavra forte.
Tão preocupante quanto o relativo silêncio do Papa foi o que se passou no Vatican News. No dia 10 de março, o site oficial do Vaticano publicou um artigo do Padre Stefano Caprio intitulado “A ortodoxia russa como religião universal”. O texto é uma peça de ironia corrosiva contra o Patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa. Caprio ridiculariza as condolências de Kirill pela morte do aiatolá Khamenei, insinua que o patriarca serviu “fielmente ao regime ateu de Brejnev” e compara números de fiéis para concluir que a fé russa é “vazia”.
O problema não é a crítica teológica. É o local e o momento. O Vatican News é a voz oficial do Papa. Publicar um ataque pessoal a um líder ortodoxo, precisamente quando o Oriente Médio está em chamas e o diálogo ecumênico deveria ser prioridade, é um erro monumental. Mais que erro: é uma contradição quanto ao discurso de fraternidade que o próprio Papa defendeu no início de seu pontificado, inclusive ecoando a postura do seu antecessor, Papa Francisco, que fez do diálogo inter-religioso uma das marcas de seu ministério.
Quando o Patriarca Kirill expressou condolências pela morte de Khamenei, não estava fazendo apenas um gesto político. Estava reconhecendo a dor de uma comunidade de fé pela perda de seu líder espiritual. Tal gesto deveria ser acolhido por uma instituição que se propõe a construir pontes entre religiões. Em vez disso, o que se viu foi escárnio, o que não condiz com a abertura preconizada pelo próprio Papa no início de seu pontificado, ao se reunir com líderes religiosos do mundo inteiro.
Num mundo globalizado, onde a informação corre em segundos, o sussurro é interpretado como cumplicidade. Os católicos do Líbano não precisam de “profunda dor” institucional. Precisam de uma voz que grite: isto é inaceitável. Precisam de um pastor que aponte o dedo aos agressores e diga, como McElroy disse, que esta guerra não é moralmente legítima.
Parolin e McElroy mostraram que é possível falar com coragem sem sair da doutrina. Mostraram que a Igreja tem palavras para este momento. O que falta é que essas palavras saiam da boca de quem tem a autoridade suprema para dizê-las.
O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) e o ex-candidato a prefeito de Olinda Vinícius Castello se reuniram, nesta quarta-feira (12), em Brasília, com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e com o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, para discutir a restauração e reabertura do Cine Olinda. O equipamento cultural é considerado um espaço histórico para o município e para o audiovisual pernambucano. Segundo os participantes, as reuniões buscaram discutir caminhos institucionais e técnicos para viabilizar a recuperação do local.
Durante a audiência no Ministério da Cultura, também participaram a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, além de representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Agência Nacional do Cinema (Ancine). “Olinda tem uma história profunda com o cinema e com a cultura. A restauração do Cine Olinda significa recuperar um espaço simbólico para a nossa gente e criar novas oportunidades para a produção e difusão cultural”, afirmou Pedro Campos.
Vinícius Castello destacou a importância da reabertura do equipamento cultural para a cidade. “O Cine Olinda precisa voltar a ser um ponto de encontro da cultura. Queremos um espaço vivo, que dialogue com a produção contemporânea e também preserve a história do cinema na cidade”, disse. Segundo os participantes, também foram discutidas possibilidades de articulação entre órgãos do governo federal para estruturar o projeto de requalificação do espaço.
Música de protesto não derruba governo; serve mais para agregar a oposição contra um regime ditatorial, como aconteceu no período militar com as obras de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Geraldo Vandré, entre outros. Mas, neste estranho Brasil de hoje, um comediante de esquerda, Murilo Couto, criou uma canção para debochar do pré-candidato presidencial da direita Flávio Bolsonaro que se transformou, contra a vontade do autor, no seu hino de campanha pré-eleitoral. Em poucos dias chegou a ser um dos temas mais comentados nas redes sociais por milhões, e a canção “Meu amigo Flávio” foi apresentada em muitas versões e ritmos.
O tiro saiu pela culatra. O que seria um deboche ganhou o ciberespaço espantosamente. Ao lançar a música, Murilo Couto disse que compôs depois que Flávio Bolsonaro passou a segui-lo nas suas redes sociais. Disse também que passou a considerar a possibilidade de segui-lo de volta. “O filho do Bolsonaro quer ser meu amigo. Flávio. O meu amigo Flávio. Ele é muito sábio. Flávio Bolsonaro”, cantou no seu stand-up.
“Eu não sei o que fazer/ Não sei o que responder/ O filho do Bolsonaro quer ser meu amigo/ Amigo/ Ele já tá me seguindo/ Seus amigos perseguindo/ O filho do Bolsonaro quer ser meu amigo/ Esse mundo gira, esse mundo dá volta/ Ontem eu tava xingando/ Hoje eu tô pensando em seguir de volta/ (Será que eu sigo de volta?)”.
Depois, arrependido pela canção e pressionado pela militância de esquerda, ele disse que a repercussão foi uma coisa perturbadora. “Fiz o jingle de campanha de Flávio em 2026 e não voto nele, nem o apoio”, revelou apreensivo. Seu desmentido não valeu de nada. Zoaram com versões novas da música, vídeos produzidos por Inteligência Artificial abraçando o pré-candidato e até desenhos animados em companhia do ex-presidente e sua família.
Do mesmo modo, o compositor e militante de esquerda Chico Buarque não pode controlar a cantoria popular das suas composições por qualquer campo político. Ele compôs nos anos 1970, em pleno regime militar, a música “Apesar de Você”, criticando em versos o arbítrio brasileiro da época, estranhamente liberada pela censura.
Cantava Chico: “hoje você é quem manda/ Falou, tá falado/ Não tem discussão/ A minha gente hoje anda/ Falando de lado/ E olhando pro chão, viu/ Você que inventou esse estado/ E inventou de inventar/ Toda a escuridão/ Você que inventou o pecado/ Esqueceu-se de inventar/ O perdão”
“Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Eu pergunto a você/ Onde vai se esconder/Da enorme euforia/ Como vai proibir/ Quando o galo insistir/Em cantar/ Água nova brotando/ E a gente se amando”, completava.
E muitas destas obras antiautoritárias não perderam a atualidade. Se Chico Buarque profetizava na época que apesar dos ditadores haveria um dia para a mudança de regime, a metáfora também vale para os dias de hoje no Brasil. A obra do compositor, admirador em Paris, onde passa temporadas, de ditaduras de esquerda e de Lula, pode ser cantada hoje, para chateação de Buarque, no “sereno” do STF, da Polícia Federal ou do presídio onde o ex-presidente Bolsonaro está cumprindo pena por uma tentativa inexistente de golpe de estado.
Já em outra música de protesto a favor da liberdade de criação artística durante o regime militar, o mesmo Chico Buarque, que hoje se cala diante da censura à liberdade de expressão imposta por togados e petistas, compôs nos anos 1970 a música “Cálice”, numa alusão ao silêncio forçado. Dizia numa das estrofes: “ Como é difícil acordar calado/ Se na calada da noite eu me dano/ Quero lançar um grito desumano/ Que é uma maneira de ser escutado/ Esse silêncio todo me atordoa/ Atordoado eu permaneço atento/ Na arquibancada pra a qualquer momento/ Ver emergir o monstro da lagoa”.
Enquanto o histérico Caetano Veloso e sua turma do dendê gritam hoje em shows “sem anistia” para os condenados do 8 de janeiro, o baiano tem no portfólio do seu passado de compositor libertário a música “É proibido proibir” de 1968, um hino à desobediência. “E eu digo não/ E eu digo não ao não/ Eu digo: É proibido proibir/ É proibido proibir”. Hoje, Caetano diz ‘sim’ às verbas públicas e só quer proibir quem o critica.
Paulinho da Viola, compositor de sambas críticos ao regime militar, pedia humildemente à censura para não cortar seus versos: “Tá legal, eu aceito o argumento. Mas não me altere o samba tanto assim”. E recomendava na música “Argumento” que o artista deve ser como um velho marinheiro durante o nevoeiro que tem que levar o barco devagar. Sua composição continua atual no regime autoritário de hoje, mas Paulinho da Viola sumiu da cena artística. Com o arbítrio não se dialoga ou pede favores, aprendeu o compositor.
A canção de protesto mais forte contra o regime militar veio do paraibano Geraldo Vandré, com a irônica “Pra dizer que não falei de flores”. Cantava que caminhando e cantando os brasileiros eram todos iguais e com braços dados ou não, exortando no palco “vem, vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Fez a hora. Foi preso, exilado, voltou e ficou deprimido pela má recepção da esquerda. Mergulhou no ostracismo artístico.
Tudo o que vem acontecendo no Brasil autoritário de hoje é uma repetição do passado recente. Foi trocada a farda pela toga. E a bandeira até agora é vermelha. É isso.
O ministro Flavio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota nesta quinta-feira (12) em que afirma que a área responsável pela sua segurança foi alertada em 2025 que os seus deslocamentos em São Luís, no Maranhão, estavam sendo monitorados ilegalmente.
A Polícia Federal (PF) cumpriu, na terça-feira (10), na capital maranhense, um mandado de busca e apreensão contra o blogueiro Luís Pablo, no âmbito de uma investigação que apura o crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino. As informações são do g1.
A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Na operação, foram apreendidos aparelhos celulares e um computador.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram uma nota conjunta nesta quinta-feira (12) na qual classificam como preocupante a decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Ainda de acordo com a nota do ministro Flávio Dino, houve a publicação das placas dos veículos e da quantidade e dos nomes dos agentes de segurança.
As informações, segue a nota do ministro Flávio Dino, foram enviadas para a PF e para a Procuradoria Geral da República (PGR) para a instauração do procedimento investigativo cabível.
“Portanto, a questão em investigação deriva da necessidade de apurar os citados monitoramentos ilegais dos procedimentos de segurança do ministro Flávio Dino.”
O assunto, prossegue a nota, “não tem correlação com crimes contra a honra ou liberdade de expressão ou inquérito das fake news.”
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, revelou que a ex-deputada Marília Arraes teve conversa com a governadora Raquel Lyra (PSD) por telefone para articular a participação dela como candidata ao Senado na chapa da gestora. Em entrevista coletiva concedida na tarde desta quinta-feira (12), o líder partidário afirmou que a governadora manifestou interesse em ter Marília na sua chapa.
“Liguei para ela, ela mostrou interesse, manteve uma conversa com Marília que foi muito boa. Agora a gente vai dar sequência. Vou falar com ela de novo”, expôs Lupi.
Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (12), na Ilha do Leite, no Recife, o líder partidário afirmou que não ficou animado com a conversa que teve com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), com intenção de garantir que Marília componha a chapa do prefeito.
“Não fiquei animado, porque ele já colocou uma posição que praticamente… Ele até disse que não está nada certo depois, mas já estava colocado o fechamento dele, o vice e as duas vagas do Senado. Então, não me quer”, disse Lupi.
O dirigente trabalhista afirmou que depois da conversa, o prefeito voltou a ligar para dizer que estava aberta a conversa sobre ter Marília Arraes na chapa da Frente Popular. Com isso, Lupi afirmou que deve procurá-lo para um novo diálogo.
Não se passa um mês sem que a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) não esteja imersa em escândalos. O mais recente, divulgado pelo portal Metrópoles, indica que o governo dela já repassou mais de R$ 160 milhões à Cetus Construtora, uma empreiteira de Minas Gerais contratada quando já estava inscrita no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS), o que torna ilegal a formalização de novos vínculos com a administração pública. Nos bastidores, o caso já vem sendo apelidado de “Raquelão da Educação”, em referência ao Petrolão ou ao Mensalão.
Há ainda outros agravantes, como a seleção da empresa sem processo licitatório e sem aval da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o que é obrigatório para contratações acima de R$ 1 milhão. Também pesa o fato de que, na mesma época, o Governo do Estado tinha sobre a mesa uma proposta mais vantajosa na mesma ata de registro de preços – da empresa BDT Engenharia –, mas, ainda assim, optou por pagar mais caro e ficar com os valores ofertados pela Cetus Construtora.
O contrato, inicialmente de R$ 148,2 milhões, era referente à manutenção predial de escolas da rede pública estadual, mas ganhou um aditivo de R$ 37 milhões em novembro do ano passado, chegando ao máximo de R$ 185,3 milhões. Também foram denunciadas irregularidades como cobranças em duplicidade, superdimensionamento de serviços e subcontratações atípicas, além de obras em escolas não atestadas por quem vivencia a rotina das unidades, como alunos e professores.
Vale lembrar que as denúncias de irregularidades ocorrem um mês depois de outro escândalo atingir o Governo Raquel Lyra. Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, o Brasil se surpreendeu ao descobrir que a Polícia Civil de Pernambuco usou um aparato ilegal para monitorar adversários políticos da governadora. O caso gerou reação de políticos, juristas e entidades de defesa dos direitos humanos. Dias depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal investigasse o caso, causando um constrangimento nacional para o governo pernambucano.
Um pouco antes, outro escândalo. Denúncias indicaram que a Logo Caruaruense, empresa que tinha familiares de Raquel no quadro societário, operava em situação irregular havia três anos. A companhia de ônibus acabou fechada na mesma semana, e o presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), Antônio Carlos Reinaux, caiu. Seu sucessor, Yuri Coriolano, não ficou nem dez dias no cargo após virem à tona conversas dele com tom racista e misógino. Um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) chegou a ser protocolado na Assembleia Legislativa, mas acabou arquivado.
A lista ainda tem denúncias mais antigas. Em agosto do ano passado, indícios de favorecimento em uma licitação de R$ 1,2 bilhão em dez anos para a publicidade institucional do governo, por pouco, não levou a outra CPI. Já em março do mesmo ano, vieram à tona 25 pagamentos de R$ 3 milhões ao Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns. A unidade de saúde, que tem o marido da vice-governadora como sócio, recebeu os repasses quando Priscila Krause (PSD) ocupava a função de governadora de forma interina, o que reforçou a existência de um possível conflito de interesses.
Na área ambiental, o Governo Raquel Lyra também está em maus lençóis. Denúncias sobre pagamentos ao posto de combustíveis Vila Bela, situado em Fernando de Noronha e pertencente ao irmão do secretário estadual de Meio Ambiente, Daniel Coelho (PSD), já chegaram ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Daniel é a autoridade hierarquicamente superior à administração do arquipélago, o que pode indicar conflito de interesses na operação. A pasta dele também está na mira de denúncias de superfaturamento nos valores pagos para a castração de animais. Enquanto, no Recife, se desembolsa R$ 175 por procedimento, a gestão estadual gasta R$ 601 por cirurgia, gerando um sobrepreço de R$ 14,2 milhões.
Com esse volume de escândalos, Raquel vem apresentando dificuldades para sustentar o argumento de que não tolera corrupção, uma de suas principais bandeiras políticas. Tanto que, no caso da empresa Logo Caruaruense, não houve resposta. Simplesmente se anunciou o fechamento da companhia de ônibus, uma decisão familiar, e não da administração pública. Já no caso do hospital ligado à vice-governadora, a única reação de Raquel foi reclamar junto ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, sobre uma fiscalização do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS). Sinal de que a pressão de um escândalo atrás do outro vem tirando o sono de quem sonha com a reeleição em outubro.
O pacote de medidas para evitar uma alta no preço do diesel anunciado nesta quinta-feira (12) pelo governo federal inclui novos instrumentos de fiscalização no mercado de combustíveis para coibir práticas lesivas ao consumidor.
A ideia é que os postos de combustíveis adotem sinalização clara e visível, informando a redução dos tributos federais e do preço em função da subvenção.
A iniciativa tem potencial de reduzir em R$ 0,64 o preço do litro do combustível, segundo o governo federal. As informações são da CNN.
A MP atribui a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) novos instrumentos de fiscalização. Entre elas, o aumento abusivo de preços e a retenção especulativa de estoques com a finalidade de provocar escassez ou a venda do produto por valores mais altos.
Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, as medidas que possibilitam o aperfeiçoamento o trabalho de monitoramento e de fiscalização dos órgãos de controle têm caráter permanente.
“Nós vamos criar condições para aperfeiçoar o trabalho de monitoramento e de fiscalização dos órgãos de controle. Dá mais instrumentos e ferramentas para a ANP poder acompanhar, monitorar a prática de preços no Brasil e dá mais instrumentos para os órgãos de defesa do consumidor ter referências objetivas para atuar”, diz o ministro Rui Costa.
Em caso de descumprimento, a multa pode chegar a R$ 500 milhões.
Na avaliação de Rui Costa, as medidas vão coibir abusos. “Quando é para diminuir, eles [postos e distribuidores] retardam a diminuição e quando é para aumentar, eles antecipam. Para coibir essa prática lesiva ao consumidor, os órgãos poderiam estar atuando. O que nós vamos”, declarou.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que a visita do assessor do governo Donald Trump, dos Estados Unidos, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão pode abrir risco de ingerência estrangeira em assuntos internos do Brasil.
“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou Mauro Vieira em ofício encaminhado a Moraes. As informações são da CNN.
Mais cedo, o ministro havia determinado que o Itamaraty enviasse informações à Corte sobre a existência de agenda diplomática de Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado americano, no Brasil.
Na resposta a Moraes, Vieira cita ainda que, até quarta-feira (11), não havia nenhuma agenda diplomática previamente acordada entre o assessor de Trump e o Ministério das Relações Exteriores.
O chanceler destaca ainda que o pedido de visita a Bolsonaro não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado.
Segundo o Itamaraty, a viagem do conselheiro de Trump foi comunicada por nota diplomática em 10 de março. Beattie chega a Brasília na segunda-feira (16), segue para São Paulo no dia seguinte e retorna aos EUA no dia 18.
“O visto de entrada foi concedido com base em pedido que indicava a participação do funcionário do Departamento de Estado em evento para promover as relações bilaterais e em reuniões oficiais”, esclarece Vieira.
A CNN Brasil procurou a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, mas ainda não obteve resposta.
No início desta semana, a defesa de Bolsonaro pediu a Moraes que Beattie pudesse visitá-lo na prisão. Os advogados afirmam que o assessor americano ficaria poucos dias no Brasil e teria disponibilidade para ir ao presídio apenas nos dias 16 e 17 de março, que são segunda e terça-feira.
Na Papudinha, as visitas aos presos são permitidas somente às quartas e aos sábados, em três faixas de horários.
Moraes autorizou a visita do assessor, mas afirmou que não há previsão legal para alterar datas específicas de visitação, que devem seguir as regras administrativas do estabelecimento prisional.
“Os visitantes devem se adequar ao regime legal do estabelecimento prisional e não o contrário”, afirmou. O encontro foi então marcado para a próxima quarta-feira (18) pela manhã.
Horas depois da autorização, a defesa do ex-presidente pediu a Moraes que reconsiderasse a data, argumentando novamente a passagem curta do assessor pelo Brasil.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou nesta quinta-feira (12) a favor de que a Receita Federal assuma a custódia das joias dadas de presente pela Arábia Saudita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua esposa, Michelle Bolsonaro (PL).
Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, não há mais interesse criminal na apreensão dos itens e a transferência de custódia é necessária para a instrução de um procedimento fiscal. As informações são da CNN.
As joias estão guardadas em uma agência da Caixa Econômica Federal, em Brasília, desde 3 de novembro de 2025, sob responsabilidade da Polícia Federal, em razão da investigação em curso.
Segundo a Receita, porém, a transferência da custódia é essencial para a continuidade do procedimento fiscal que poderá resultar na incorporação dos itens ao patrimônio da União.
O pedido da foi apresentado no âmbito do inquérito que investiga Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal). O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes. Embora a PGR tenha se manifestado favoravelmente à transferência, a decisão final caberá ao ministro.
A Polícia Federal indiciou Bolsonaro, em 2024, pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos por tentar vender as joias sauditas dadas ao governo brasileiro nos Estados Unidos. Segundo o relatório da corporação, a venda dos itens teria como objetivo o enriquecimento ilícito do ex-presidente. O valor da operação é estimado em cerca de R$ 6,8 milhões.
Na semana passada, porém, a PGR pediu o arquivamento da investigação, argumentando que não há uma legislação clara que regulamente esse tipo de situação. Para o órgão, não é possível responsabilizar criminalmente alguém com base em cenários marcados por lacunas legislativas ou por forte divergência interpretativa sobre o que é lícito ou ilícito.
Gonet ressaltou, no entanto, que sua análise se limita à esfera penal e não impede a apuração de eventuais responsabilidades em outras áreas, como na esfera civil ou administrativa.