Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Até agora líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE) vai para a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência com uma missão principal: ampliar alianças. Um dos dez irmãos do ex-presidente do PT José Genoino, Guimarães é tido como um petista com trânsito muito bom no chamado Centrão.
Tem boas relações com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e com o atual, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo um interlocutor próximo de Guimarães, sua principal vantagem é que trabalha em silêncio. É discreto. A leitura que governistas fizeram da pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana é que ela mostra que a chave das eleições deste ano estará no comportamento do centro.
Leia maisSão aqueles que não se inclinam desde já nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). São cerca de 30% de eleitores que é preciso tentar fisgar. Há uma percepção de que, nos municípios, esses eleitores seriam influenciados por políticos do Centrão, de partidos como MDB, União Brasil, PP e PSD. Mas a primeira tarefa será aplainar o terreno no Congresso.
Em um momento em que estava com popularidade mais alta, Lula acabou convencido pelos setores mais à esquerda que era uma boa ideia colar na hashtag que muitos chegaram a usar de “Congresso inimigo do povo”. Agora, sua popularidade está baixa e Lula ainda tem uma agenda que depende do Congresso, com temas como a PEC da Segurança. Sem contar com as possibilidades de boicote mesmo. Gleisi Hoffmann, que saiu para disputar o Senado pelo Paraná, também tinha trânsito com parte do Centrão, mas com discurso mais duro.
Então, daí o que se planeja é o início de um trabalho que saia do Congresso e vá para a base. Nas negociações para liberação de verbas para obras feitas com dinheiro do orçamento – as que efetivamente foram feitas, diga-se de passagem – havia a exigência de que sempre houvesse nelas uma placa claramente indicando que a verba vinha do governo federal.
O plano agora é que Lula faça um intenso périplo pelo país inaugurando tais obras e fazendo tais entregas. Natural – o governo imagina – que nessas entregas o deputado federal ou senador autor da emenda irá querer aparecer também para faturar politicamente o benefício para a sua base eleitoral.
Dificilmente os partidos do Centrão irão oficialmente fechar aliança com Lula. O governo já não imagina que hoje isso seja possível com relação a nenhum deles. Mas considera que há boa chance de alianças pontuais em estados e municípios. E tais possibilidades, avalia-se agora, podem ser ampliadas.
Até mesmo em São Paulo, onde Gilberto Kassab integrou o governo Tarcísio de Freitas, trabalha ali o PT para atrair o PSD. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) defende que a candidata a vice na chapa de Fernando Haddad seja Alda Marco Antônio, do PSD, que foi vice de Kassab quando ele foi prefeito.
No fundo, é uma corrida em busca desses apoios do Centrão. Flávio também corre em busca deles. E, no seu entorno, há quem avalie que ele, pelo perfil mais conservador, teria mais chances de formalizar mesmo alguns apoios, especialmente com a Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e PP. E com o Novo.
No caso do Novo, há o namoro com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema para ser um eventual vice. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), faz campanha para que a vice de Flávio seja a deputada federal Clarrissa Tércio (PP-PE). Clarissa teria duas vantagens: ser mulher e ser do Nordeste.
Mas, no caso, interessará à federação estar formalmente na chapa de Flávio? Andam desconfiados com a forma como o PL atua. Agora mesmo foi o partido que mais cresceu na janela partidária ganhando deputados do União. E escanteia possíveis aliados, como Esperidião Amin (PP) em Santa Catarina.
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