Por razões diplomáticas o Brasil, assim como o Conselho de Segurança da ONU, não designa o Hamas como grupo terrorista.
Mas seus estatutos e práticas, desde a fundação, preconizam o aniquilamento do Estado de Israel e expulsão de todos os infiéis, ainda que árabes ou palestinos (não islâmicos), daquela terra sagrada. Atacando civis inocentes, assassinando mulheres, crianças e até bebês, tendo no terror seu principal meio de atuação política/religiosa.
Dentre as condutas mais covardes do Hamas está o uso de civis como “escudos humanos”, à medida que suas células principais estão escondidas na Faixa de Gaza. Tal prática é condenada pela Convenção de Genebra e configura crime de guerra.
Tenho afetuosa admiração pelo povo judeu e genuína empatia pelo povo árabe, assim como, do ponto de vista humanitário, não consigo distinguir palestinos de israelitas. Todos estão igualados no mesmo “vale de lágrimas” deste atual confronto.
Creio que não há outra forma de enfrentar definitivamente o Hamas, que não a via bélica, embora isso implique na ocupação da Faixa de Gaza. Nesse enfrentamento militar infelizmente ocorre perdas de vidas civis, assim como em toda guerra, o que é lamentável.
Contudo, não consigo assimilar como alguns ainda insistem em equiparar as ações do Hamas à dura resposta de Israel. Gostaria que essas pessoas refletissem e compreendessem que há sim uma real diferença entre o terrorismo e a guerra. Entre o assassinato frio de jovens, mulheres, crianças e bebês e uma ação militar em território de guerra.
Rezo por todas as vítimas desse infeliz confronto, seus amigos e parentes e creio que só haverá paz no mundo quando houver o fim do terrorismo, mas infelizmente esta atuação ainda encontra muitos apoiadores camuflados de vanguardistas ou mesmo humanistas. Inocentes úteis que servem de fantoches na complexa relação da política externa das potências mundiais.
*Advogado, sócio-fundador do PHR-Soluções Jurídicas e ex-presidente da OAB-PE.
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu o enquadramento das facções criminosas que atuam Amazônia como terroristas. A medida, segundo ele, permitiria maior cooperação internacional e atuação mais ampla das Forças Armadas para combater o avanço do crime organizado na região.
“A Amazônia brasileira é 100% comandada pelo Comando Vermelho e o PCC. Mais de 250 municípios hoje são 100% comandados pelo Comando Vermelho e pelo PCC. Muita gente diz ‘Caiado, você vai implantar a tese do terrorismo?’ Imediatamente”, disse Caiado em debate promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) em São Paulo.
Caiado afirmou que, se eleito, vai enviar ao Congresso Nacional uma proposta enquadrando essas organizações como terroristas em seu primeiro dia como presidente, se vencer a eleição. Para ele, essa “é a única maneira” de recuperar o controle do território, onde, segundo ele, não há efetivo de policiais militares para combater facções brasileiras e estrangeiras.
“Ali você não consegue ocupar território se não tiver toda a presença da Aeronáutica e buscar também a Marinha e Exército Brasileiro. Farei parcerias com todos os países, vou buscar parceria com americanos de satélites e imagens, vou buscar o máximo que tem de tecnologia em combate ao crime organizado”, disse ele.
Para justificar a medida, Caiado afirmou que avanço dessas facções pode impactar as exportações brasileiras. “Nós hoje somos criticados duramente pelos americanos e pelos europeus, que colocam em risco e já estão ameaçando utilizar como trava na importação de produtos brasileiros o avanço do CV e do PCC, que passaram a ser as maiores multinacionais do crime com o repasse de cocaína e de drogas a território tanto americano quanto europeu”, disse o pré-candidato.
Ele também defendeu parcerias com países limítrofes da América do Sul e destacou que o Brasil tem cerca de 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres, além de extensa costa marítima. “Precisamos evoluir para aquilo que a Europa deu conta de construir, de uma polícia que tem livre trânsito entre os países que compõem esse eixo nosso”, afirmou.
A União dos Vereadores de Pernambuco (UVP) realizará, durante esta semana, o Congresso Estadual da UVP, na cidade de Triunfo, no Sertão do Pajeú. O encontro reunirá vereadores(as), prefeitos(as), servidores públicos, representantes de instituições e lideranças políticas de diversas regiões de Pernambuco.
Entre as autoridades confirmadas está a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), que apresentará o programa “Caminhos de Pernambuco”, destacando ações, investimentos e perspectivas para o desenvolvimento dos municípios pernambucanos. O evento também contará com a participação do ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo do Estado, João Campos (PSB), além de representantes do Ministério Público de Pernambuco, da Defensoria Pública de Pernambuco e da AMUPE.
Reconhecido como um dos principais eventos do calendário municipalista do estado, o Congresso terá uma programação voltada ao fortalecimento do Poder Legislativo Municipal, à qualificação da gestão pública e à troca de experiências entre os participantes.
Ao longo dos quatro dias, serão promovidos painéis, palestras e debates abordando temas relevantes para a administração pública e para o fortalecimento das Câmaras Municipais. A programação inclui discussões sobre fiscalização, controle interno, comunicação institucional, participação feminina na política, saúde emocional e os desafios contemporâneos enfrentados pelos municípios.
Pré-candidato do PSD à Presidência da República, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, volta ao meu podcast ‘Direto de Brasília’, em parceria com a Folha de Pernambuco, com transmissão para 165 emissoras do Nordeste, amanhã. Na pauta, a crise instalada na direita, especialmente no PL e no núcleo bolsonarista, com o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro no escândalo do Banco Master.
Recentemente, Caiado afirmou que o Brasil vive uma “desordem institucional” e disse que o atual modelo político não pode mais ser chamado de presidencialismo. Ele criticou o peso das negociações envolvendo emendas parlamentares e votações no Congresso.
Segundo Caiado, o centro de poder foi deslocado do Palácio do Planalto, gerando uma “deformidade” no sistema político. O pré-candidato também defendeu uma reforma política e afirmou que o STF deveria responder a questionamentos envolvendo ministros da Corte. Caiado disse ainda que a pauta do impeachment de ministros deve ganhar força nas eleições de 2026 para o Senado.
Médico ortopedista formado pela Escola de Medicina e Cirurgia/RJ, Caiado é natural de Anápolis (GO) e vem de uma família tradicional de produtores rurais. Foi deputado federal por vários mandatos, senador da República e ex-governador de Goiás – eleito em 2018 e reeleito em 2022.
O podcast Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste. Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas; a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras na Paraíba; a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid; a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado; além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
Não será surpresa se a polêmica envolvendo a Ferrogrão – a estrada de ferro projetada para ligar a cidade de Sinop, no Mato Grosso do Sul, ao porto de Mirituba, no Pará – acabar parando em alguma Corte internacional. Na quinta-feira (21), o Supremo Tribunal Federal (STF), por 9 votos a 1, considerou constitucional a lei que altera a área do Parque Nacional do Jamanxim, tirando dele 862 hectares para que passe a estrada de ferro.
O que pode levar a um julgamento internacional é o fato de a decisão poder contrariar uma convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Trata-se da Convenção 169, e por conta dela que as comunidades indígenas conseguiram seguram a ferrovia.
A Convenção 169 determina que os povos que habitam uma região que vier a ser afetada por uma obra precisam ser ouvidos nas fases de concepção e licenciamento. Está aí um primeiro ponto de discussão. Pode ter sido ultrapassado o ponto de concepção, mas ainda não o de licenciamento. Os povos indígenas, especialmente caiapós, que habitam a região até foram ouvidos, mas não aceitam a ferrovia.
Quem os defende afirma que a obra não pode contrariar a decisão dos povos que ali habitam. E uma insistência nesse sentido fere a convenção da OIT. Assim, a possibilidade algum recurso fora do país não é algo a ser descartado. Mas há também outros caminhos internos que os advogados dos povos indígenas irão tomar. O advogado do Instituto Kabu, que representa os caiapós, Melillo Dinis, disse ao Correio Político que há mais de 20 outras ações correndo na Justiça Federal. Mas há também outro caminho junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).
A Ferrogrão ainda está travada no TCU por uma decisão que havia sido tomada pelo ministro Aroldo Cedraz, que se aposentou. Agora, os casos que envolvem a ferrovia ficarão para quem o substitui, Odair Cunha, que até a terça-feira da semana passada era deputado federal pelo PT de Minas Gerais. As próximas decisões a respeito da ferrovia e sua construção serão dele.
A última decisão do TCU determina a suspensão do processo de concessão para a obra até que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes resolvam questões ainda pendentes sobre participação social, licenciamento ambiental e previsão de aportes públicos.
A Ferrogrão é uma das obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), o programa ações prioritárias de investimentos do governo federal. A área de transportes é totalmente a favor dela. A de meio ambiente, não. Tratam-se de 993 km que vão ampliar a capacidade transporte de grãos.
Quem defende a ferrovia afirma que seu impacto ambiental é menor. Afinal, hoje esse transporte, pela mesma região, acontece pela BR-163, diversos caminhões. O trem por ali passaria gerando menos poluição e sem paradas e contatos que afetem os povos originários. O problema são os riscos indiretos.
Uma muito maior capacidade de transportes poderá estimular a ida de mais fazendeiros para a região, aumentando o impacto sobre a região. O risco, então, não é somente para os povos que ali vivem. Seria mesmo ambiental, porque na região do Jamanxim estão as bacias hidrográficas dos riox Xingu e Tapajós, de grande importância.
Outro argumento diz respeito à repercussão para além da Ferrogrão. Nenhuma decisão judicial fica restrita ao caso específico. “O STF considerou que é legítimo o Congresso alterar por lei a extensão de uma área destinada a preservação ambiental”, observa Melillo Dinis. Não será impossível outras situações.
Finalmente, Melillo teme pelo aumento grande da tensão na região do Jamanxim. “Acho importante não se desconsiderar a força do povo indígena que vive nessa região”, alerta ele. A atração de mais pessoas, ao longo da ferrovia, poderá aumentar, prevê o advogado, a possibilidade de conflitos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou, hoje, por um procedimento de radioterapia superficial no couro cabeludo. A informação foi divulgada pelo Hospital Sírio Libanês que classificou a intervenção como preventiva e um tratamento complementar da retirada de um câncer de pele.
Segundo o hospital, o presidente seguirá suas atividades diárias sem restrições, mantendo acompanhamento médico. Lula realizou a radioterapia na unidade de Brasília. A retirada do câncer de pele ocorreu em 24 de abril, em São Paulo. As informações são do portal G1.
Segundo interlocutores do presidente, serão, ao todo, 15 sessões de dois minutos e vão ocorrer ao longo de três semanas.
Retirada do câncer
Na época da retirada do câncer de pele, a dermatologista Cristina Abdala, responsável pelo procedimento, explicou que se tratava de um carcinoma basocelular, que é o tipo mais comum causada pela exposição crônica ao Sol.
“É uma lesão localizada, não espalha para nenhum lugar. O máximo que pode acontecer é ficarem aparecendo pequenas feridas. Ele já estava acompanhando há algum tempo. Resolveu tirar. Isso não implica mau prognóstico. É acompanhamento”, disse na ocasião.
O médico Roberto Kalil Filho acrescentou, naquele momento, que a indicação era pela retirada. “Quando cresce, a gente precisa retirar, porque senão continua crescendo, não cicatriza, sangra. É uma lesão localizada e a conduta é a remoção”, afirmou.
Há algo de muito grave acontecendo silenciosamente no Brasil – e talvez estejamos normalizando o absurdo. Crescem, diariamente, os relatos de agressões verbais e até físicas contra médicos, enfermeiros, técnicos e demais profissionais da saúde que atuam em UBSs, hospitais públicos, clínicas particulares, UPAs e diversas unidades de atendimento espalhadas pelo país.
O cenário é preocupante. Profissionais que estudaram anos, que enfrentam plantões exaustivos, estruturas precárias, falta de medicamentos, superlotação e pressão emocional constante, agora também precisam trabalhar sob ameaça.
Muitos dos conflitos surgem quando determinados pacientes não têm seus pleitos atendidos, especialmente em situações envolvendo pedidos de atestados médicos ou licenças sem a devida necessidade clínica. Há casos em que o profissional, agindo dentro da ética e da responsabilidade técnica, concede apenas o chamado “atestado de comparecimento” — documento perfeitamente legal e adequado quando não existe incapacidade laborativa. Mesmo assim, surgem revoltas, ofensas e, lamentavelmente, agressões.
E o problema não se limita apenas às UBSs. Em hospitais públicos e privados, clínicas médicas, consultórios e até unidades especializadas, profissionais da saúde vêm sendo constrangidos, ameaçados e desrespeitados simplesmente por exercerem sua função técnica com responsabilidade.
Até quando isso será tratado como algo normal?
O médico não pode ser transformado em inimigo por cumprir sua obrigação profissional. O enfermeiro não pode ser responsabilizado pela deficiência estrutural do sistema. O servidor da recepção não pode ser alvo da revolta social acumulada de anos de abandono da saúde pública.
É preciso compreender que saúde pública e privada se fazem com responsabilidade, critérios técnicos e respeito mútuo. Atestado médico não é favor, tampouco moeda de conveniência. Trata-se de um ato profissional sério, respaldado pela ética e pela legislação.
Enquanto isso, muitos profissionais seguem trabalhando com medo. Alguns já evitam contrariar pacientes receosos de represálias. Outros adoecem emocionalmente diante do ambiente hostil que se instala em determinadas unidades de saúde.
Com a palavra, as autoridades gestoras e os órgãos de segurança pública.
É urgente discutir mecanismos de proteção aos profissionais da saúde, ampliar campanhas educativas sobre direitos e deveres dos pacientes e garantir ambientes minimamente seguros para quem dedica a vida ao cuidado humano.
Porque, no dia em que faltar respeito aos que cuidam da sociedade, faltará também humanidade dentro dos hospitais, clínicas e unidades de saúde deste país.
Senador e presidenciável, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarca nos Estados Unidos, na manhã de hoje, com a expectativa de um encontro com o presidente Donald Trump. As informações são do portal Metrópoles.
A reunião está prevista para acontecer amanhã. Segundo aliados de Flávio, o convite partiu da Casa Branca. Ainda não há, contudo, confirmação oficial da agenda.
No fim de semana, um fato deixou assessores do senador brasileiro com pé atrás. Trump cancelou a ida ao casamento do próprio filho, na Flórida, para ficar em Washington DC focado no acordo com o Irã. O americano está focado nas negociações para um acordo de paz com os iranianos. No sábado (23/5), ele disse que o acerto já foi em grande parte negociado e que os detalhes devem ser anunciados em breve.
O temor dos aliados de Flávio é de que essa questão do Irã acabe dominando a agenda de Trump nesta semana e leve o atual chefe da Casa Branca a desmarcar ou a adiar o encontro com o senador brasileiro.
Caso isso aconteça, a avaliação na campanha do Flávio é de que a narrativa ficará ruim para o político brasileiro, que planejava usar o encontro com Trump para tentar superar a crise de imagem recente.
A intenção de Flávio é usar a reunião para ofuscar as revelações dos contatos do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e para tentar demonstrar prestígio no cenário internacional.
Integrantes do entorno de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, avaliam que uma eventual soltura do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, pode representar um novo fôlego para a estratégia de defesa montada no caso. A leitura entre aliados de Vorcaro é a de que a movimentação no Supremo Tribunal Federal (STF) pode abrir espaço para uma reconfiguração do cenário jurídico hoje considerado desfavorável ao empresário.
Segundo relatos feitos ao blog, a principal aposta da defesa segue concentrada no STF, especialmente na Segunda Turma, como o blog revelou.
Desde a primeira decisão que manteve a prisão de Vorcaro, interlocutores do banqueiro passaram a trabalhar com a possibilidade de um empate no colegiado como caminho para enfraquecer o atual andamento do processo.
Nos bastidores, pessoas próximas ao empresário afirmam que a estratégia jurídica da defesa mira, desde o início, uma tentativa de retirar o ministro André Mendonça da relatoria do caso. A avaliação desse grupo é a de que qualquer mudança de cenário na Segunda Turma pode abrir margem para novas manobras processuais e rediscussões internas no Supremo.
Por isso, o julgamento envolvendo a manutenção da prisão do pai de Vorcaro passou a ser tratado como peça central na estratégia da defesa. O entorno do banqueiro acompanha o desfecho da análise do STF com expectativa para medir quais movimentos jurídicos poderão ser adotados a partir da decisão.
O jornal britânico Financial Times publicou uma reportagem, hoje, afirmando que Dark Horse – filme para o qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, segundo revelações do site Intercept Brasil este mês – é uma ameaça à pré-candidatura do senador. As informações são do portal G1.
“Antes mesmo de seu lançamento, a cinebiografia em inglês [sobre Jair Bolsonaro] está se transformando em uma comédia de erros, após revelações de que Flávio Bolsonaro obteve milhões de dólares em financiamento para o filme com um suspeito de corrupção, apontado como o responsável pelo colapso de um banco de US$ 10 bilhões”, diz o jornal.
Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade. O jornal britânico diz que Vorcaro cultivava “contatos de alto nível em importantes instituições enquanto ostentava um estilo de vida luxuoso, em um esquema que, segundo críticos, configurava tráfico de influência para promover seus interesses”.
“A crise levantou dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de [Flávio] Bolsonaro. Ele foi escolhido como herdeiro por seu pai, depois que o patriarca recebeu uma sentença de 27 anos em setembro por planejar um golpe para se manter no poder após sua derrota para Lula nas eleições de 2022.”
O jornal afirma que Jair Bolsonaro segue sendo, em última instância, o líder da direita brasileira, e que decisões sobre a candidatura de Flávio, segundo um dos analistas ouvidos, dependem dele.
O Financial Times também diz que aliados de Bolsonaro acreditam que o filme Dark Horse pode ter um bom público tanto dentro do Brasil como no exterior.
MONTANHAS DA JAQUEIRA – A palavra gângster sumiu do noticiário. Onde anda você, sumida? Há tempos não leio este substantivo, nem ouço, nem visualizo. Isto, não por falta de personagens para incorporar essa vestimenta. Al Capone ganhou fama de Gângster nas décadas de 1930 e 1940 nos Estados Unidos, durante a Lei Seca. O cara liderava a máfia americana, contrabandeava bebidas, explorava jogos clandestinos, agiotagem e prostituição. E mandava matar os rivais no mundo do crime.
No auge da Lei Seca faturou 100 milhões de dólares. Uma ninharia em comparação com os bilhões de corrupção de centenas de milhões investidos por um gângster em Pindorama para montar sua guarda pretoriana. O agente secreto Eliot Ness o enquadrou na malha fina do Fisco porque não gostava de pagar impostos. Pelo simples fato de ser mafioso, pegou 11 anos de cana.
Al Capone foi um desventurado na vida. Contraiu sífilis e tuberculoso nas quebradas de Chicago. Depois de sair da cadeia virou um zumbi nesta vida severina, como diria meu colega o poeta neto de Seu João Cabral de Melo. Quem sou eu? quem sou eu? ele perguntava tresvariando. Morreu com 48 anos, pobre, doente e descatembado.
Raul Seixas, o aiatolá do rock brasileiro que nasceu há 10 mil anos, um dia topou com Capone durante uma parada psicodélica e faz uma cantiga para ele.
“Ei Al Capone, vê se te orienta, assim dessa maneira, nego, Chicago não aguenta”.
Elvis Presley vive. Raul Seixas vive. Al Capone está vivinho da silva neste reino de Pindorama. Na linguagem politicamente correta de hoje, Al Capone seria apenas suspeito de ser gângster. Ele navega a bordo de um submarino nos palácios e nas cavernas de Brasília.
Um passarinho me contou que um clone piorado de Al Capone deu um golpe de 50 bilhões no sistema financeiro. O bicho está na cadeia e negocia uma delação premiada. Al Capone destinou mais de 500 milhões de denários para subornar os aiatolás verde-amarelos e montar uma guarda pretoriana, de modo a blindá-lo contra raios, tempestades, assombrações e mosquitos. A engrenagem já está em ação neste momento em que a delação falsiê do clone de Al Capone foi recusada pela Polícia Federal.
Aprendi com meu guru o sábio Nelson Rodrigues que só os profetas enxergam o óbvio. Sendo eu suspeito de ser profeta, lanço aqui minhas singelas profecias: o ministro-relator do golpe bilionário será torpedeado noite e dia pelos agentes da guarda pretoriana de Al Capone. A carga é pesada, pois o mal sempre vence o bem. Vide bula o caso do Petrolão, que acabou desmontado pelas lobas e lobos adeptos da impunidade.
Diante do clone bilionária de Al Capone neste reino de Pindorama, o Al Capone original de Chicago seria apenas suspeito de cometer fraudes, considerado inocente até que houvesse uma sentença transitada em julgado no dia do Juízo Final. Quem o chamasse de gângster seria preso em primeiríssima instância por atentado contra a democracia. É assim que a banda podre toca nesta Terra de Vera Cruz, a terra da verdadeira Cruz.
Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB), protagonistas de uma eleição extremamente polarizada, que promete contagiar corações e mentes, andam pelo interior com botas de sete léguas. Parecem numa olimpíada, na qual quanto maior o exército de aliados, maiores as chances de triunfo.
Mas eleição não se define pelo tamanho do engajamento de prefeitos nem por leituras convencionais. Miguel Arraes (PSB) perdeu para Jarbas Vasconcelos (MDB) em 98 com mais de 100 gestores a tiracolo. Eduardo Campos (PSB) derrotou Mendonça Filho, então no PFL, que detinha o poder da máquina e um grupamento incontável de prefeitos, sem apoios, sem tempo de TV e sem apadrinhamento.
Os fatores responsáveis pelo sucesso eleitoral muitas vezes estão longe dos palanques e das ruas. Não se ganha eleição por soma matemática de fatores. A soma resolve a disputa na contabilidade das urnas. Pernambuco é rico em eleições fora do convencional. A própria governadora é o exemplo mais recente desta realidade incontestável.
Pelas pesquisas, nem chegava ao segundo turno em 2022, mas uma fatalidade mudou o rumo da eleição: a morte do seu esposo no dia do pleito. Nunca se viu tamanha comoção! Tanto que inverteu a lógica da eleição: a reprodução da polarização nacional, que no Estado se dava com Marília Arraes (Solidariedade), de um lado, e Anderson Ferreira (PL), de outro.
Em 2014, Armando Monteiro, então no PTB, era franco favorito, mas outra fatalidade frustrou seus planos: a queda do avião que tirou a vida de Eduardo Campos. A comoção fez Paulo Câmara governador. Eleição tem outros pesos e medidas. Muitas vezes, um erro pode ser fatal.
Que o diga Roberto Magalhães. Faltando uma semana para as eleições em 2000, as pesquisas anunciavam sua reeleição para prefeito do Recife com 15 pontos de vantagem. Mas perdeu a cabeça, deu uma “banana” para militantes da oposição numa manifestação em Boa Viagem e perdeu para João Paulo (PT) na disputa em segundo turno.
Na eleição presidencial de 2018, alguém tem dúvida de que a facada elegeu Jair Bolsonaro, então no PSL, legenda nanica? Quanto maior o conhecimento político do eleitor, menor a chance de escolher candidatos apenas por impulso ou influência emocional.
No entanto, a maioria da população ainda tem um baixo nível de sofisticação política, que se move por fatores longe de uma explicação óbvia de uma escolha: competência, capacidade e conhecimento.
RAQUEL, O PAI E AS GESTÕES DO PSB – João Campos já chegou a colocar uma dianteira de mais de 30 pontos sobre Raquel, mas isso muito lá atrás. O tempo vai se encarregando de mostrar a reação natural da governadora, porque, além do poder da máquina, faz uma mídia avassaladora e só agora, no apagar da sua gestão, tenta incutir na população que promove um governo que se contrapõe aos do passado, especialmente do PSB, onde já esteve. Foi secretária de Eduardo e seu pai vice-governador. Se o PSB, como diz Raquel, não deu certo, ela e o pai também são responsáveis por erros e fracassos do passado.
O fator Região Metropolitana – Quando viu que no Interior poderia reverter a imagem desgastada dos dois anos do início desastroso de gestão, a governadora mergulhou nos grotões, passou a aliciar prefeitos e a governar feito Nilo Coelho: de costas para o litoral. Deu resultados? Sim, mas a RMR detém 47% do eleitorado, território do voto independente, hoje mais navegável para João Campos pelo seu perfil urbano e a repercussão da sua gestão bem aprovada no Recife.
Lula pesa ou atrapalha? – Quando saiu na frente na escolha da sua chapa, extremamente esquerdista, com Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), na briga pelo Senado, João deu, aparentemente, um nó em Raquel, deixando-a sem condições de abrir um segundo palanque para o petista pernambucano Lula, na disputa pela reeleição presidencial. Lula voltou a crescer com o envolvimento de Flávio Bolsonaro no escândalo Master e a avaliação do seu governo também melhorou. Numa eleição casada, João pode tirar proveito disso.
Palanque bolsonarista – Dificilmente Raquel vai se livrar do lacro bolsonarista. Mesmo que não assuma um candidato a presidente da República, ficando em cima do muro, como fez na eleição passada, a governadora passará a campanha justificando o alinhamento aos bolsonaristas, como os deputados Mendonça Filho, Pastor Eurico, Fernando Rodolfo e Coronel Meira, além do ex-ministro Gilson Machado Neto, a cara mais nítida e estampada da direita e do bolsonarismo no Estado.
Túlio e Dueire senadores? – Pelas andanças nesta fase pré-eleitoral, a governadora Raquel Lyra (PSD) tem dado sinais de que os dois candidatos ao Senado em sua chapa serão Túlio Gadelha e Fernando Dueire, ambos do PSD, tamanha aparição ao lado deles. Se isso se confirmar, será uma chapa de uma legenda única, o chamado puro sangue PSD. Nem sempre os sinais são vitais, principalmente em se tratando de Raquel, até porque ela tem pela frente o desafio de desatar o nó da federação Progressista, a maior e mais cobiçada desta eleição, presidida no Estado pelo deputado Eduardo da Fonte, já lançado ao Senado pelo seu partido, o PP.
CURTAS
NA FARIA LIMA – Para o ministro Gilmar Mendes, do STF, o escândalo do banco Master está associado de forma indevida à Corte. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Gilmar citou falhas de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central (BC) e afirmou: “A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima”. O caso ganhou repercussão no STF após revelações sobre ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
FIDELIDADE – A crise provocada pelo caso “Dark Horse” abalou os números eleitorais de Flávio Bolsonaro (PL), mas ainda não foi suficiente para romper a fidelidade de sua base política. Pesquisa Datafolha mostra que 88% dos eleitores do senador defendem que ele permaneça na disputa presidencial, mesmo após as revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
PODCAST – No podcast Direto de Brasília de amanhã, parceria deste blog com a Folha de Pernambuco, o pré-candidato do PSD ao Planalto, Ronaldo Caiado, vai falar do escândalo Master, os áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e antecipar suas propostas para o Nordeste. O programa é transmitido para 165 emissoras no Nordeste.
Perguntar não ofende: O pior para Flávio Bolsonaro já passou e sua candidatura será mantida pelo PL?
Jair Bolsonaro veta a possibilidade de sua mulher, Michelle Bolsonaro, ser candidata a presidente da República neste ano. O escândalo que abalou a pré-candidatura de seu filho Flávio Bolsonaro (PL) não convenceu o ex-presidente, até agora, a permitir que a ex-primeira-dama se prepare para entrar no páreo.
A possibilidade de ele indicá-la a vice, no entanto, está no horizonte, de acordo com aliados que têm proximidade com a família. De acordo com um deles, o ex-presidente teria muito medo de que, candidata à Presidência, a esposa se torne alvo de “um jogo sujo e pesado” com o qual ela não saberia lidar. Já como vice, ela estaria protegida.
Michelle permaneceria, portanto, como um plano B caso a candidatura de Flávio não se sustente nas pesquisas. Mas a possibilidade maior seria colocá-la candidata a vice numa chapa, por exemplo, com Ronaldo Caiado ou a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina na cabeça.
Até agora, o nome de Flávio está mantido. Ele só seria trocado se seguisse caindo nas pesquisas e candidatos a deputado e a senador do PL, temendo naufragar no mesmo barco, pressionassem pela troca.