O governo federal suspendeu todos os contratos de publicidade com o X (antigo Twitter). A decisão, tomada nesta sexta-feira (12), ocorre após ataques do dono da empresa, Elon Musk, contra o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades brasileiras.
De acordo com dados do Portal da Transparência, o governo federal já investiu R$ 5,4 milhões em publicidade no X, sendo que R$ 654 mil foram entre 2023 e 2024. A decisão de suspender novos investimentos na plataforma vale para os futuros contratos. Nas últimas semanas, Musk tem afirmado que o Brasil “vive uma ditadura”, acusa Alexandre de Moraes de “censura” e disse que publicaria decisões do Supremo que determinaram a suspensão de perfis de “jornalistas e políticos”. As informações são do Correio Braziliense.
No entanto, Elon não cumpriu a promessa até o momento. Por decisão de Moraes, o X pode ter de pagar R$ 100 mil em multas, por dia, caso reative perfis que estão bloqueados por decisão da Justiça.
Em um discurso realizado nesta semana, o presidente Lula afirmou que o avanço da extrema-direita tem permitido que “empresário americano, que nunca produziu um pé de capim desse país, ouse falar mal da Corte brasileira, dos ministros brasileiros e do povo brasileiro”.
Guardar segredos de poderosos é um grande risco. O guardião de dados secretos para fins de chantagem ou ameaças pode ser preso, torturado, e, em alguns casos, até perder a vida. Assim mostra a história da queima de arquivos humanos, como o assassinato de PC Farias, o sequestro e morte do prefeito petista de Santo André (SP) Celso Daniel e o suposto suicídio do abusador sexual americano Jeffrey Epstein, promotor de encontros de poderosos dos EUA e do Reino Unido com mulheres jovens.
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, enquadra-se bem neste risco. A distribuição de favores e dinheiro em troca de acessos e negociatas milionárias pode levar o banqueiro, hoje sem banco, ao pior dos infernos caso falhe a proteção dada a ele até agora por quem lhe é devedor.
No momento, como vem sendo noticiado, o objeto em disputa por amigos e inimigos é o telefone celular de Daniel Vorcaro: objeto de destruição ou de ocultação, que, supostamente, abrigaria provas de ligações discretas e indiscretas, comprometendo gente influente dos Três Poderes da República. Mas pelo nível de negócios e articulações do banqueiro enganador é uma balela pensar que o celular possa guardar segredos tão espetaculares.
A busca pelo “Celular de Pandora” é mais uma cortina de fumaça que pode frustrar os interessados. Só um idiota acreditaria que um celular armazenaria tantas informações reservadas e explosivas, inclusive de orgias sexuais e catalogação das propinas com valores e nomes. Tudo o que foi negociado deve estar bem protegido. É um seguro de vida para Vorcaro que teve seu Banco Master liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central no início de novembro de 2025 por graves violações das regras bancárias, caracterizando desvios e fraudes.
A partir da liquidação do banco, o segmento de grande relevância econômica, política e judicial da República foi abalado por um terremoto. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso tentando fugir do país em meados de novembro. Porém, em menos de duas semanas, foi solto com tornozeleira eletrônica após a sua prisão ter sido revogada pelo TRF (Tribunal Regional Federal).
Ainda a defesa de Vorcaro pediu que o caso fosse analisado pelo STF. O pedido foi acatado no início de dezembro pelo ministro Dias Toffoli, cujo os irmãos tiveram negócios com o Master. Desde então, toda a investigação está submetida a um severo sigilo. Durante este período, o banqueiro foi acusado de pagar a “influencers” virtuais para falar mal do Banco Central, visando o cancelamento da liquidação do Master. E nesta quarta-feira (14), a Polícia Federal (PF) fez uma operação de busca e apreensão em casas de parentes de Vorcaro. O amigão Toffoli determinou que todo o material apreendido, de modo incomum, fique com ele, impedindo a polícia de periciar o material.
E vazamentos seletivos da PF têm sido divulgados pela velha imprensa, que, inclusive, revelou o nome de alguns envolvidos, mas não a responsabilidade de cada um pelas fraudes. O que indica que pode estar havendo uma disputa de poder interna entre parte do STF e governistas por conta da investigação que aponta envolvimento de ministros da corte suprema vazados por lulistas. Já a manutenção do silêncio de Vorcaro está condicionada ao andamento do processo contra ele. Na verdade, todos temem uma delação premiada e as autoridades que sabem a dimensão do estrago que ela pode causar não fazem o menor esforço para que isso aconteça.
Já os executores de Paulo César Farias, o PC, operador financeiro de Fernando Collor na captação de propinas, foram pacientes depois do fechamento do cofre público com o impeachment do então presidente em 1992. Aproveitaram o show de ingratidão de quem estava no esquema. O PC foi abandonado. Fugiu para Europa e terminou preso em 1993 pela PF na Tailândia. Condenado pelo STF em 1994 a sete anos de prisão, um ano depois já estava em regime aberto só com a obrigação de recolhimento à noite em casa e nos feriados e fins de semana.
Em 23 de junho de 1996, PC foi encontrado morto na sua casa em Maceió, ao lado da namorada Suzana Marcolino. O caso que gerou muita controvérsia e segue sem uma resposta definitiva, embora a versão oficial inicial tenha apontado para crime passional (Suzana matou PC e se suicidou), laudos posteriores sugeriram duplo homicídio, e um julgamento em 2013 absolveu os seguranças acusados, deixando o verdadeiro autor do crime desconhecido. PC estava com audiência marcada para alguns dias à frente no Congresso para falar sobre o caso Collor.
Outro na lista de queima de arquivo foi o então prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT. Ele foi encontrado morto no dia 18 de janeiro de 2002, na Região Metropolitana de São Paulo, dois dias após ser sequestrado. O político tinha 50 anos e, conforme apontou a perícia à época, foi torturado e atingido com oito tiros. A versão oficial do Ministério Público e da Polícia Civil do governo Geraldo Alckmin apontou a prática de um crime comum.
Logo no início, os irmãos de Celso Daniel contestaram a primeira versão da polícia, afirmando se tratar de um crime político. Para eles, Celso era conivente com um esquema que desviava dinheiro para o PT, que teria contado com a participação do então deputado federal e presidente da legenda José Dirceu e do então secretário de Governo de Santo André, Gilberto Carvalho. O prefeito decidiu acabar com os desvios e denunciá-los, fato que teria causado seu assassinato, segundo seus irmãos. No rastro do crime, outras seis pessoas que tiveram algum tipo de vínculo com os acontecimentos relacionados à morte de Celso Daniel foram assassinadas em dois anos.
O americano Jeffrey Epstein, financista e cafetão de mulheres jovens, algumas com menos de 15 anos, para figurões como Bill Clinton, Bill Gates, o príncipe britânico Andrews, dava festas grandiosas e orgíacas nas suas casas em Nova Iorque, Paris e na sua ilha no Caribe. O que rolava no “after” era tudo gravado por ele. Um investimento para o futuro do chantagista. Circulava bem nos meios econômicos e políticos, inclusive chegou a ser fotografado com o então empresário Donald Trump, hoje presidente dos EUA.
Em 2005, ele foi preso pela polícia da Flórida a partir da denúncia de uma mãe que relatou o abuso sexual contra sua filha de 14 anos. Autoridades federais identificaram 36 meninas menores vítimas de Epstein e seus clientes. Finalmente ele foi preso novamente em 6 de julho de 2019, sob acusações federais de tráfico sexual de menores. Ele morreu em sua cela na penitenciária de segurança máxima em 2019. O laudo oficial apontou o suicídio por enforcamento com o lençol amarrado a seu beliche. A versão corrente na América é que os golpes e os envolvidos com as extravagâncias estariam registrados em cadernos e vídeos. Pouco vazou desse material, mas agora não importa mais para Epstein, que está morto, só para os vivos assustados com o fantasma.
Portanto, se Daniel Vorcaro se sente seguro hoje por conta dos segredos não revelados, mais tarde, em determinada hora, ele pode ser abandonado com o avanço das investigações. E aí não há seguranças para garantir sua vida. PC tinha quatro homens armados para sua proteção. Celso Daniel se sentia protegido por seu partido. Epstein pensava ser intocável. E todos morreram. É isso.
Empresas e lideranças empresariais de Pernambuco têm até amanhã, 16 de janeiro, para garantir participação no Prêmio Movimento Econômico 2025. As inscrições se encerram amanhã, às 23h59, e devem ser feitas exclusivamente pelo hotsite oficial da premiação: www.premio.movimentoeconomico.com.br. A participação é gratuita.
Idealizado pelo Movimento Econômico, plataforma de jornalismo do Grupo EQM, o prêmio tem como objetivo mapear, valorizar e dar visibilidade a iniciativas empresariais que geram resultados econômicos aliados à inovação, responsabilidade socioambiental e impacto positivo na sociedade pernambucana e nordestina.
A premiação contempla categorias como Empresário(a) do Ano e Empresas Destaque, com reconhecimento para ações nas áreas de Inovação, Impacto Social e Sustentabilidade Ambiental, evidenciando modelos de gestão que contribuem para o fortalecimento do ambiente de negócios no estado e na região.
Segundo Patrícia Raposo, CEO do Movimento Econômico, o encerramento do prazo marca a última oportunidade para que projetos relevantes ganhem visibilidade. “O prêmio é uma vitrine para empresas que fazem a diferença na economia e na sociedade. Estamos na reta final das inscrições e é o momento de garantir a participação”, destaca.
Podem se inscrever empresas com sede em Pernambuco e com pelo menos três anos de atuação formal, desde que apresentem evidências das práticas adotadas nas categorias concorrentes. São aceitos materiais como relatórios institucionais, registros de ações, comprovações de impacto, matérias na imprensa e conteúdos corporativos.
A escolha dos vencedores ocorrerá em duas etapas. A primeira consiste em uma avaliação técnica realizada por especialistas da Faculdade de Administração e Direito de Pernambuco (FCAP/UPE). Na fase final, o Conselho do Prêmio Movimento Econômico será responsável pela definição dos premiados.
A solenidade de entrega do prêmio está marcada para o dia 26 de fevereiro de 2026, no RioMar Trade Center, no Recife. Os vencedores também serão apresentados em uma edição especial da Revista Movimento Econômico.
Sobre o Movimento Econômico – Fundado em 2019, o Movimento Econômico é um portal especializado em economia, negócios e desenvolvimento regional, com foco no Nordeste. Integrante do Grupo EQM, o veículo produz conteúdo analítico e jornalismo qualificado sobre empreendedorismo, inovação, infraestrutura, indústria, comércio e sustentabilidade, além de promover eventos, podcasts e projetos editoriais voltados ao fortalecimento do ecossistema empresarial.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou, hoje, que o governo espera a assinatura definitiva do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia em breve, para que o tratado entre em vigor no segundo semestre deste ano. As informações são do portal G1.
A expectativa é que o Mercosul assine o acordo com a UE neste sábado, 17 de janeiro, no Paraguai – atual presidente do bloco. A união entre os blocos dará origem à maior zona de livre comércio do mundo. O Brasil comandou o Mercosul no último ano e concentrou esforços para destravar e avançar nas negociações.
“Assina no sábado. Depois de assinado, o Parlamento Europeu aprova e nós aprovamos, internalizando o acordo. A expectativa é de aprovação ainda neste primeiro semestre, para que ele entre em vigência no segundo semestre”, afirmou.
Segundo o ministro, a parceria será um ganho para a sociedade, principalmente num momento marcado por tensões. Alckmin ressaltou que o acordo envolve cerca de 700 milhões de pessoas.
“Em um momento de instabilidade geopolítica, com guerras e protecionismo exacerbado, os dois blocos dão um exemplo ao mundo de que é possível, por meio do diálogo e da negociação, avançar no livre comércio”, disse o vice-presidente.
Após a assinatura, cada país passa a ser responsável por seu próprio processo de ratificação. No Brasil, o texto será encaminhado ao Congresso Nacional e, depois de aprovado, seguirá para sanção presidencial.
O acordo só é considerado concluído quando as duas partes, Conselho Europeu e países do Mercosul, internalizarem o texto. Com isso, a entrada em vigor pode ocorrer em momentos diferentes entre os países do bloco sul-americano.
Carpina era mais do que uma cidade, era um sopro de eternidade, um lugar onde o tempo caminhava descalço pelas ruas de barro, onde a infância se estendia como um lençol limpo sobre os varais da memória. Ali, os suspiros das tardes no bairro de São José, sobretudo na rua Bernardo Vieira de Melo, tudo era descoberto através dos olhos do sonho, como se o mundo tivesse sido inventado naquela geografia de ternura e espanto.
As manhãs vinham com cheiro de pão fresco e terra molhada, enquanto os sinos da matriz tocavam com uma solenidade quase divina. O mercado fervilhava com vozes de feirantes e o balé dos cheiros, frutas maduras, café torrado, o suor honesto da vida simples. As casas tinham portas sempre abertas, e os vizinhos, nomes e histórias que se misturavam às nossas como folhas que o vento teima em reunir no mesmo canto do quintal. Dona Tatá com seus vestidos floridos e voz de reza antiga. Manoel, um retirante e sua vitrola que chorava boleros. E o riso das crianças, solto, infinito, correndo atrás de bolas murchas e sonhos inflados.
Mas era no cinema do bairro de São José, quase vizinho à casa onde descobri o mundo, que a vida ganhava outra dimensão, como se um universo paralelo se abrisse toda vez que as cortinas pesadas se afastavam, revelando a luz tremeluzente do projetor. Ali, o tempo era suspenso. A espera por cada nova sessão era como esperar por uma revelação. Sentávamo-nos em silêncio, quase em oração, os olhos fixos na tela, o coração dançando ao compasso de histórias que nos faziam maiores do que éramos.
Havia amores platônicos, sim, nascidos do balançar tímido das moças a caminho da padaria, ou do perfume que vinha da fileira da frente no cinema. E havia a biblioteca, pequena e silenciosa, onde os livros sussurravam mistérios e os dedos corriam pelas páginas como quem procura segredos antigos em cartas esquecidas. Era Dona Lourdes, coordenadora paciente e serena, quem nos orientava entre as estantes, com sua voz mansa e olhos atentos, conduzindo nossas escolhas com a firmeza doce de quem sabe a importância de uma leitura bem-feita. Foi ali que li Verne e Dumas como se fossem meus tios aventureiros, e onde aprendi, entre páginas e silêncios, que há sentimentos que não cabem na fala.
Mas Carpina, feita de luz branda e tarde morna, não ensinava o que as universidades exigiam. E um dia, com a mala pequena e o peito abarrotado de silêncios, deixei a cidade. O trem partiu como um punhal lento, cortando a paisagem que eu nunca soube dizer adeus. Na janela, o rosto colado ao vidro, vi desaparecer o último poste da rua de casa como quem vê apagar a infância com um sopro.
E foi na penumbra do cinema que descobri que o coração chora. Lembro como se fosse hoje do dia em que assisti a Dio, come ti amo. A melodia caiu sobre mim como uma chuva mansa e devastadora, revelando que a saudade também pode ter voz. Depois veio Love Story, e ali não houve como resistir. O peito se abriu como janela em tarde de verão, e de dentro dele saiu um choro tão antigo que parecia já estar ali antes mesmo de eu nascer.
Hoje, ao fechar os olhos, é Carpina que retorna. Com seus cheiros, seus sorrisos e suas tardes de descoberta. Com sua dor bonita, sua beleza terrosa, seu tempo que não passa. Porque há lugares que não se deixam ir, e há infâncias que continuam morando dentro da gente como um filme que nunca termina.
Tudo em mim era sonho, e talvez, ainda seja.
*Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), integrou o quadro societário da Logo Caruaruense, empresa que atua de forma irregular no transporte de passageiros do estado desde 2022. Cabe ao governo comandado por Raquel Lyra fazer a fiscalização do setor.
A Logo Caruaruense é liderada pelo pai da governadora, o ex-governador João Lyra Neto. A companhia é responsável por serviço de transporte intermunicipal que opera sem vistorias exigidas e com dívida pública há pelo menos três anos, período que coincide com o início do mandato de Raquel Lyra.
Com sede em Caruaru, cidade em que Raquel Lyra atuou como prefeita, a empresa teve a governadora como sócia formal até 2018, conforme consta em contrato social do grupo empresarial. Naquele ano, as cotas foram repassadas integralmente para o pai. Veja:
O registro da empresa na Receita Federal mostra que a mãe da governadora, Mércia Lyra, também é responsável por gerir a Logo Caruaruense junto a João Lyra. Os pais de Raquel Lyra são sócio-administradores da empresa. Irmã da governadora, Nara Lyra também integra o quadro societário.
Pela legislação estadual, a responsabilidade direta pela fiscalização caberia exclusivamente ao Governo de Pernambuco, gerido pela ex-sócia Raquel Lyra. Desde 2022, porém, a empresa opera com vistorias vencidas.
A governadora também integrou o quadro societário da Caruaruense Encomendas Expressas LTDA, empresa que fez parte do mesmo grupo familiar. Nesse caso, a principal atividade era a transporte rodoviário de cargas. Raquel Lyra permaneceu como sócia até 2015, quando formalmente encerrou o seu vínculo com a companhia, que teve sua atuação encerrada no mesmo período.
Durante muito tempo, o discurso oficial repetiu que o Brasil vive uma “crise de recursos”, que falta dinheiro para saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais. A Operação Overclean desmonta essa farsa. O que existe, na verdade, não é escassez de verba pública, mas um sistema organizado de sequestro do orçamento, operado por meio das emendas parlamentares e executado via contratos fraudulentos travestidos de obras públicas.
O mecanismo é relativamente simples – e por isso mesmo perverso. Deputados destinam emendas para determinados municípios ou órgãos. Em tese, o recurso deveria financiar obras e serviços que beneficiariam diretamente a população. Na prática, parte significativa desse dinheiro é desviada para empresas previamente escolhidas, muitas vezes sem capacidade técnica, com indícios de superfaturamento, serviços não executados ou obras que nunca saem do papel. O dinheiro público cumpre seu papel: sai do Tesouro. O benefício social, porém, nunca chega ao povo.
É isso que se pode chamar, sem exagero, de privatização do orçamento público. O que deveria ser instrumento de política pública vira negócio privado. O imposto pago pelo trabalhador financia esquemas, não hospitais; contratos, não escolas; acordos políticos, não estradas.
A fase mais recente da Operação Overclean lança luz sobre esse modelo e coloca no centro das investigações o deputado federal Félix Mendonça Jr. Independentemente do desfecho judicial – que deve respeitar o devido processo legal – o fato político é incontornável: há indícios robustos de um esquema que desvia recursos públicos em larga escala. Isso, por si só, exigiria prudência, distanciamento e rigor institucional.
Mas o que se viu foi o oposto.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, declarou publicamente confiar no deputado investigado. A afirmação, feita enquanto a Polícia Federal, a CGU e outros órgãos aprofundam as apurações, não é um gesto neutro. É uma sinalização política clara. Quando o chefe do Executivo estadual escolhe verbalizar “confiança” em um aliado sob investigação, ele envia uma mensagem inequívoca: alianças políticas pesam mais do que o interesse público.
A pergunta que emerge é simples e incômoda: confia por quê?
Confia nos fatos? Confia nos contratos? Confia nos resultados que não chegaram à população? Ou confia porque o sistema de apoio político exige silêncio, cumplicidade e proteção mútua?
Esse tipo de postura ajuda a explicar por que esquemas como esse se reproduzem. A engrenagem só funciona porque há tolerância política. Não se trata apenas de corrupção individual, mas de um modelo institucional deformado, onde o orçamento vira moeda de troca e as investigações são tratadas como inconvenientes temporários.
Enquanto isso, o povo paga a conta duas vezes. Primeiro, ao financiar o Estado com seus impostos. Depois, ao não receber o retorno prometido. A escola não é construída, o posto de saúde não funciona, a estrada segue esburacada. No lugar da obra pública, fica o outdoor. No lugar do serviço, o discurso. No lugar da responsabilidade, a blindagem política.
É preciso dizer com todas as letras: não é normal que governantes apoiem investigados. Não é perseguição exigir explicações. Não é radicalismo defender que o dinheiro público cumpra sua função social. Radical é naturalizar que bilhões circulem em emendas enquanto faltam serviços básicos.
A Operação Overclean não revela apenas crimes. Ela escancara um sistema que transformou a exceção em regra. Combater esse modelo exige mais do que operações policiais: exige coragem política, transparência absoluta e pressão permanente da sociedade. Exige, sobretudo, que governantes escolham de que lado estão – do lado do cidadão ou do lado do esquema.
Porque, quando o orçamento é sequestrado, a democracia também é. E sem democracia real, o povo continua pagando por um Estado que não trabalha para ele, mas contra ele.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que deve deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado em 2026, vem articulando nos bastidores para emplacar o atual secretário-executivo da pasta como sucessor. A preferência do ministro recai sobre Tomé Barros Monteiro de Franca, hoje o número dois do ministério.
Tomé assumiu a Secretaria-Executiva em agosto de 2025. Antes, comandava a Secretaria Nacional de Aviação Civil e acumula uma trajetória extensa no setor público, com passagens por secretarias estaduais e municipais, além de experiência nos três Poderes. As informações são do portal Metrópoles.
Ao longo da carreira, ocupou cargos como secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Pernambuco, secretário de Saneamento do Recife e secretário executivo de Turismo do Estado. No Congresso, atuou como assessor parlamentar no Senado e na Câmara.
Segundo interlocutores de Costa Filho, um dos motivos da preferência por Tomé se deve à proximidade entre os dois e ao fato de o secretário ser visto como um nome capaz de dar continuidade ao projeto político do ministro na pasta.
A vida da governadora Raquel Lyra (PSD), que já não é fácil na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), ficou mais difícil ontem (14), quando três dos quatro projetos enviados por ela à Casa em regime de urgência acabaram ganhando relatores da bancada de oposição na comissão mais importante, a de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ).
Não dá nem para reclamar, porque os deputados foram escolhidos por meio de um sorteio manual, e quem retirou os papéis com os nomes foi a própria líder da bancada governista, a deputada Socorro Pimentel (UB). O presidente do colegiado, Alberto Feitosa (PL), foi o primeiro sorteado e vai relatar uma matéria (nº 3692) que autoriza empréstimos nacionais e internacionais, com ou sem aval da União.
Já os empréstimos bilionários a serem solicitados ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica, previstos no projeto nº 3693, ficaram com o deputado Sileno Guedes (PSB). Os valores totalizam R$ 5,2 bilhões, sendo R$ 2,5 bilhões com o Banco do Brasil e R$ 2,7 bilhões com a Caixa, que serão usados para reestruturar a dívida pública do Estado.
O deputado Sileno Guedes não estava presente à reunião da CCLJ, mas o presidente do grupo havia informado aos parlamentares que todos os titulares teriam seus nomes colocados no sorteio, mesmo estando ausentes. Ao saber que havia sido sorteado para relatar a matéria, Guedes divulgou uma nota na qual afirma que “a análise será feita de forma criteriosa, tendo em vista o compromisso com o desenvolvimento do Estado e com o equilíbrio das contas públicas”.
Mas, líder do PSB na Alepe, partido adversário de Raquel, Sileno não deixou passar a oportunidade de destacar que mais de R$ 11 bilhões em operações de crédito já receberam aval dos parlamentares desde 2023, sem que efetivamente se traduzam em serviços para a população, na opinião dele. “Temos tido muita dificuldade de encontrar essa mudança que o governo mostra na propaganda, e as pessoas nos perguntam isso o tempo todo nas ruas”, declarou Guedes.
“Foram prometidas 250 creches e só foi entregue meia creche. Foi prometida a reforma do Hospital da Restauração até 2026 e só foi entregue metade de um andar. Então, nesses três primeiros anos, a Assembleia fez seu papel legítimo de cobrar a aplicação dos empréstimos já autorizados. E é com esse mesmo critério que vamos analisar o projeto que nos coube, sem abrir mão do que é importante para o desenvolvimento de Pernambuco”, acrescentou o deputado.
O deputado Waldemar Borges (MDB) já havia criticado também os empréstimos solicitados pelo Poder Executivo, porque aponta ineficiência em captar os recursos, mesmo já estando aprovados pela Assembleia. No sorteio da CCLJ, Borges acabou como relator da matéria que autoriza, de forma excepcional, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) a repassar recursos para o Estado.
Palavra da líder – Ciente da dificuldade do Governo do Estado na CCLJ da Alepe, a líder da bancada de governo, a deputada Socorro Pimentel (UB), disse contar com o bom senso dos opositores. “Agora vamos esperar, porque a gente não tem a maioria da Comissão de Justiça. Nossa expectativa é sempre no sentido de contar com responsabilidade e bom senso de todos os deputados. O diálogo está sempre mantido, porque esses projetos serão muito importantes para que haja o funcionamento dos serviços essenciais”, afirmou Socorro Pimentel.
Presidente atento aos feminicídios – O aumento dos casos de feminicídios em Pernambuco, justamente no primeiro governo liderado por mulheres, também está repercutindo na Alepe. Para o presidente da Casa, deputado Álvaro Porto (PSDB), o crescimento dos registros em 2025, o maior em oito anos, confirma falhas do Governo do Estado no combate aos crimes relacionados ao gênero. Oitenta e oito mulheres foram mortas no ano passado no Estado, indicando aumento de 15,8% em comparação com os dados de 2024, quando o total de vítimas foi de 76. Os dados são do governo e foram divulgados neste mês. “Este crescimento acontece a partir de um contexto de inoperância e ineficiência que vem sendo denunciado pela Alepe há anos”, disse Porto.
Poucas delegacias – Só em 2025, Álvaro Porto fez quatro pronunciamentos cobrando eficiência, melhores condições de trabalho para policiais e, principalmente, mais comprometimento no combate à violência contra as mulheres. “A estrutura posta em funcionamento pelo governo confirma e colabora para a perpetuação da ineficácia. Embora Pernambuco tenha 184 municípios, o Estado dispõe de apenas 15 Delegacias da Mulher, das quais somente 7 funcionam 24 horas”, destacou o presidente.
Manipulação dos dados – O deputado Romero Albuquerque (UB) também abordou o tema dos feminicídios em Pernambuco, ontem (14). O parlamentar apontou que o governo comemorou a menor taxa de mortes violentas intencionais, mas não mencionou o aumento dos feminicídios no Estado. “Querem confundir o povo, mentindo que a segurança pública está avançando no Estado. Mas a realidade é outra”, afirmou. “Querem enganar quem, com essa propaganda desonesta? Comemoram uma queda de 9,6% nas mortes intencionais em 2025, mas ‘esquecem’ de falar dos 15,7% de aumento nos feminicídios. Esse é o maior índice em oito anos”, disparou Romero.
Empresa irregular – O portal de notícias Metrópoles publicou uma matéria, ontem (14), na qual expõe que a empresa de ônibus do pai da governadora Raquel Lyra (PSD) opera de forma irregular no Estado desde o início da gestão da filha. O governo estadual é o responsável pela fiscalização do setor. Um documento da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), obtido pelo Metrópoles, revelou que os veículos da Logo Caruaruense rodam sem vistorias há pelo menos três anos e com atraso no pagamento da Taxa de Certificado de Registro Cadastral (CRC), exigências que devem ser cumpridas para não colocar em risco a segurança dos passageiros. A Logo Caruaruense pertence ao pai da governadora, o ex-governador João Lyra Neto.
CURTAS
O outro lado 1 – A EPTI, do governo estadual, disse ao Metrópoles, por meio de nota, que “a empresa Logo, sucessora da empresa Caruaruense, que é operadora do sistema nos últimos 66 anos, citada na reportagem, foi vencedora do certame licitatório de 2014, ao lado de outras empresas, para operação do transporte intermunicipal em Pernambuco”.
O outro lado 2 – Segundo o Metrópoles, a EPTI afirmou que realiza fiscalização em terminais rodoviários, pontos de embarque e desembarque e outros locais estratégicos, como entradas e saídas de cidades, mas não respondeu por qual motivo as vistorias ainda não foram feitas após a identificação das irregularidades pelo órgão nem se a empresa foi punida.
Altas rejeições – No plano nacional, repercutiu, ontem (14), a última pesquisa da Genial/Quaest mostrando que o presidente Lula (PT), apesar de liderar as disputas de 1º e 2º turnos nas eleições de 2026, precisa lidar com percentual alto de rejeição: 54%. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é rejeitado por 55% dos eleitores consultados pelo levantamento.
Perguntar não ofende: A vida de Raquel Lyra melhora ou piora em 2026 na Alepe?
O influenciador Luiz Carlos Macaé, de Serrita, divulgou um vídeo nas redes sociais em que critica a ausência de políticas públicas voltadas aos agricultores diante do agravamento da seca no Sertão. Na gravação, ele afirma que a estiagem tem se intensificado, com registros frequentes de animais mortos às margens das estradas e nas áreas rurais, situação que, segundo ele, estaria relacionada à falta de alimento para o rebanho.
No vídeo, Macaé atribui responsabilidade aos governos estadual e federal e afirma que, diferentemente de períodos anteriores de estiagem, como em 2012, não estariam sendo adotadas medidas de apoio ao agricultor, a exemplo da distribuição de milho e ração.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, realiza nesta quinta-feira (15) uma visita de monitoramento às obras do terminal intermodal do Aeroporto Internacional do Recife, em Pernambuco. A agenda integra o acompanhamento de ações voltadas à modernização da infraestrutura aeroportuária e à melhoria da mobilidade urbana no entorno do terminal aéreo.
O projeto do terminal intermodal está sob responsabilidade da Aena e se encontra na fase de contratação da empresa executora, dentro do processo licitatório em andamento, com previsão de conclusão no primeiro trimestre de 2026. A Fase I do empreendimento terá prazo de execução de 18 meses após o início das obras e prevê a reestruturação do antigo terminal de passageiros, transformando a área em um complexo voltado à integração entre diferentes modais de transporte, com foco em acessibilidade, organização do tráfego e melhoria do fluxo de passageiros e trabalhadores do aeroporto.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou nesta quarta-feira uma lista de igrejas e líderes evangélicos que tiveram pedidos de convocação ou de transferência de sigilo aprovados no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A publicação foi feita após o pastor Silas Malafaia afirmar nas redes sociais que faria um “desafio” público à parlamentar, cobrando explicações sobre declarações que ligaram grandes igrejas e pastores a esquemas de fraude contra aposentados.
Em nota publicada no Instagram, Damares afirmou que foi a autora do requerimento que resultou na criação da CPMI do INSS, instalada em 2025, e que atua como membro titular da comissão desde o início dos trabalhos. Segundo a senadora, as informações mencionadas por ela em entrevista ao SBT News, no último domingo, são públicas, constam em documentos oficiais e já foram aprovadas pelos integrantes da comissão. As informações são do jornal O GLOBO.
“As informações mencionadas são públicas e constam em requerimentos apresentados e aprovados pela Comissão, amplamente divulgados e acessíveis à sociedade”, escreveu.
Na publicação, a senadora listou uma série de requerimentos apresentados no curso das investigações, todos baseados, segundo ela, em indícios concretos identificados em documentos oficiais, como Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e dados da Receita Federal. Entre eles estão pedidos de transferência de sigilo da Adoração Church, da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, do Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) e da Igreja Evangélica Campo de Anatote.
Também foram citados requerimentos de convocação ou convite para depoimento de líderes religiosos, como André Machado Valadão, César Bellucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes, além de pedidos de quebra de sigilo envolvendo Valadão.
Damares afirmou ainda que a eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude no INSS lhe causa “profundo desconforto e tristeza”, mas ressaltou que a CPMI tem o dever constitucional de investigar os fatos “com responsabilidade, imparcialidade e base documental”.
A manifestação ocorre após Malafaia anunciar, em suas redes sociais, que publicaria um vídeo para confrontar a senadora. O pastor reagiu às declarações feitas por Damares, nas quais ela afirmou que a comissão identificou “grandes igrejas” e “grandes pastores” envolvidos em fraudes no sistema previdenciário, além de relatar pressões para que as investigações não avançem.
A CPMI do INSS apura um esquema nacional de descontos e empréstimos consignados irregulares aplicados contra aposentados e pensionistas. De acordo com a comissão, milhares de documentos já foram analisados, e há pedidos em andamento para a suspensão de milhões de contratos considerados suspeitos. O prazo de encerramento dos trabalhos está previsto para março, com possibilidade de prorrogação.
Malafaia acusa senadora de generalizar acusações Após a publicação da nota de esclarecimento de Damares, Malafaia voltou a se manifestar nas redes sociais e acusou a senadora de contradição. Em nova postagem, ele afirmou que a parlamentar teria feito acusações “infundadas” ao usar o plural ao mencionar “grandes igrejas” e “líderes renomados”, sem citar nomes específicos na entrevista que motivou a reação.
Segundo Malafaia, a lista divulgada por Damares inclui apenas um líder de maior projeção nacional, cujo nome, segundo ele, já havia sido mencionado anteriormente pela imprensa, e igrejas que, em sua avaliação, não se enquadram como grandes denominações.
“A acusação foi leviana e denigre de maneira geral a Igreja Evangélica”, escreveu o pastor.
Malafaia também publicou um vídeo nas redes sociais sobre o caso, no mesmo tom crítico da postagem, reforçando as cobranças à senadora.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou a favor da remissão de pena por leitura e da realização de visitas religiosas a Jair Bolsonaro (PL), desde que observadas as regras da unidade prisional, mas opinou contra o pedido de acesso a uma Smart TV na cela.
O parecer também considera cabível a vistoria solicitada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) às instalações onde o ex-presidente está custodiado. Para a PGR, a inspeção se insere nas atribuições da Comissão de Direitos Humanos do Senado, da qual a parlamentar faz parte, e não há impedimento para sua realização. As informações são da CNN.
O caso será agora analisado pelo relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que decidirá se acolhe ou não os pedidos da defesa.