Deputados da base do governo têm usado as redes sociais para manifestar insatisfação e pressionar contra a articulação de Guilherme Derrite (PP-SP) no PL Antifacção. Alguns deles pedem que Derrite deixe a relatoria do projeto.
Governistas têm usado as redes sociais para manifestar insatisfação. No X, o deputado Rogério Correia (PT-MG) disse que Derrite “derreteu” o PL Antifacção. Glauber Braga (PSOL-RJ) chegou a pedir que ele deixe a relatoria da proposta. As informações são do portal UOL.
Leia mais“Com certeza o Derrite está arrependido de ter topado ser relator do chamado projeto ‘antifacção’. Achou que estava fazendo uma jogada de mestre, mas na vida real está saindo profundamente desgastado”, disse Glauber Braga.
Para eles, o texto de Derrite é mais uma tentativa da oposição de blindar políticos de investigações. Os deputados alegam que isso ficou mais evidente depois da foto em que o relator aparece jantando com os ex-presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e Eduardo Cunha. “Virou símbolo de um projeto desmascarado”, disse Glauber Braga.
“Eu acho que Derrite perdeu a condição de ser relator. O fato de ele fazer uma reunião secreta com Eduardo Cunha e Arthur Lira para discutir, com certeza, blindagem de políticos que sustentam o crime organizado, fez com que ele perdesse qualquer condição de apresentar um texto que não cause desconfiança”, afirmou Rogério Correia.
Derrite nega ter se arrependido e fala que é preciso ter coragem para estar no seu lugar. Na última quarta-feira, o deputado disse a jornalistas que tem adotado uma postura técnica, e não política, como relator da proposta. No mesmo dia, foi flagrado jantando com Lira e Cunha. O UOL procurou o relator, mas ele não se manifestou até a publicação desta reportagem.
O texto inicial tirava da Polícia Federal a competência de investigar crimes de facções. Na primeira versão do parecer, Derrite propôs que a corporação só poderia entrar nas investigações se fosse provocada pelos estados ou pela Polícia Civil. O governo bateu o pé e o relator precisou retomar o papel da PF.
A proposta segue sem consenso entre governo e oposição. Derrite já apresentou quatro versões do seu parecer, mas o governo segue insatisfeito. Os deputados da base alegam que a Polícia Federal continua enfraquecida, com um desmonte orçamentário.
“Em vez de fortalecer a PF, o texto promove uma fragmentação orçamentária em relação aos fundos, o que compromete a eficiência no enfrentamento às organizações criminosas de atuação interestadual”, afirmou o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).
A ideia é votar o texto na terça-feira, mas a falta de consenso e a COP, em Belém, dificultam. Ao encerrar a sessão plenária na última quarta-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), concordou com Derrite e lideranças que a votação da proposta poderia ficar para esta semana. Na pauta do plenário, da próxima semana, o PL Antifacção é o único item a ser votado. A ver se haverá novos pareceres e consenso para que o texto caminhe.
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