Meu voo 1793, da Gol, atrasou seu pouso em Brasília por 45 minutos, devido a um forte temporal que desabou sobre o Distrito Federal, que estava sem chuva há mais de 150 dias. A aeronave ficou sobrevoando a cidade aguardando a melhora do tempo.
Meu voo 1793, da Gol, atrasou seu pouso em Brasília por 45 minutos, devido a um forte temporal que desabou sobre o Distrito Federal, que estava sem chuva há mais de 150 dias. A aeronave ficou sobrevoando a cidade aguardando a melhora do tempo.
Por Letícia Lins – Oxe Recife
“O Nordeste é o câncer do Brasil!”. Foi assim, vociferando, que um aliado do Flávio Bolsonaro (PL) – candidato derrotado à presidência da República – se referiu, ao deixar a casa onde o senador acompanhava o desenrolar da apuração e os números divulgados a cada minuto pelo TSE, em Brasília. Com a vitória matematicamente comprovada de Lula, o clima de festa acabou, o barulho cedeu lugar ao silêncio e os apoiadores do Zero1 devem ter procurado um culpado para justificar o resultado, como fez o desconhecido visitante.
Sobrou para quem? Para a nossa região, claro. Mas isso muito alivia o ego dos nordestinos que, como eu, alimentam orgulho de ter nascido nessa terra quente, cheia de calor humano e de muita responsabilidade histórica ao longo dos séculos, quando o assunto são as lutas do seu povo por democracia e liberdade. A julgar pelo desabafo xenófobo comum aos bolsonazifascistas de plantão, o Nordeste seria muito discriminado em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, já que vários dos seus aliados costumam se referir à região com desprezo, como se ela fosse um tumor no emaranhado e político e geográfico brasileiro.
No Brasil, Lula ganhou a eleição com 51 por cento dos votos válidos (64.256.232) contra 48,21 por cento de Flávio Bolsonaro (59.826.041). Mas é no Nordeste que a situação se inverte. Lula teve 69,37 por cento dos votos (24.450.432 votos) contra 30,63 por cento de Flávio (10.796.736). Ou seja, no “câncer do Brasil”, Lula teve mais do dobro dos votos do adversário. Pior para este.
Leia maisNo Nordeste, os percentuais de votação para Lula variaram de 75,88 por cento (Piauí) a 60,77 por cento (Alagoas). Nos outros estados, o desempenho de Lula foi assim: Bahia (71,31 por cento), Maranhão (69,54 por cento), Sergipe (69,53 por cento), Pernambuco (69,20 por cento), Ceará (68,93 por cento), Rio Grade do Norte (65,72 por cento). Enfim, no Brasil, só para reforçar, Lula teve 51 por cento contra 48,21 por cento de Flávio. Mas no Nordeste, o pernambucano ganhou 69,3 por cento contra 30,63 por cento do candidato do PL.
Foi um pleito histórica, a primeira virada em eleição presidencial com resultado diferente do primeiro turno, no qual Flávio teve maior votação. Lula, o primeiro operário a chegar na Presidência é, também, o primeiro a ocupar por quatro vezes e pelo voto direto a cadeira de Presidente da República, desde a redemocratização. Em 2002, acompanhei a primeira eleição de presidente de Lula. Como repórter, estive na cobertura em cidades do Nordeste por onde andou. Depois, cobri a posse em Brasília e viajei de Caetés (no Agreste de Pernambuco) em um ônibus velho e desconfortável, acompanhando seus parentes (primos) que enfrentaram a estrada para participar da posse. Foram 1.905 quilômetros de estrada.
Lembro que, pequenos produtores rurais, eles se queixavam dos preços de lanches como coxinhas de galinha e pratos feitos. E que, em Brasília, não tinham roupa formal para participar da posse. Um dos primos de Lula ganhou um terno de última hora, enquanto os demais assistiram a cerimônia à distância. Foi uma emoção grande, pela derrubada do tabu histórico na até então elitista política do país.
Nas outras posses, não me animei para viajar, porque já não eram feitos inéditos, e não tinham o mesmo simbolismo da primeira vez em que o operário, migrante e sindicalista chegara à presidência. Pois bem, no domingo, confesso que a emoção foi a mesma de 24 anos atrás. Tudo por conta da virada histórica, da gigantesca mobilização popular nas ruas, em defesa da democracia, da soberania, da manutenção do estado de direito, do respeito às instituições republicanas. Todos nós lembramos como estivemos tão perto de uma ruptura na nossa democracia, durante o governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, da extrema direita e golpista profissional.
Derrotado, Flávio Bolsonaro – tanto quanto o pai – não teve nobreza de reconhecer a vitória do adversário. Uma marca da família: a prepotência. Enquanto o pai é acusado de ter patrocinado a invasão às sedes dos três poderes e ter tentado um golpe para se perpetuar no poder, o Zero1 disse que foi vítima de uma “sacanagem”. E inventou mais uma mentira, para culpar o TSE pela própria derrota. Outra daquelas que marcaram toda a sua campanha eleitoral. Foi desmentido pelo TSE, mas antecipou que vai pedir na justiça a anulação da eleição. O que pode deixá-lo ainda mais desmoralizado, perante a opinião pública.
Bem mais realista e civilizado foi seu aliado, Ronaldo Caiado, que reconheceu a derrota do candidato publicamente. A essas alturas, a familícia deve estar se mordendo, espumando, destilando fogo e ódio pelas narinas, como é comum ao pai e filhos. Sim, para alguns, a democracia é realmente muito dolorosa. Para os brasileiros, um patrimônio conquistado a duras penas durante a ditadura, e que vem sendo preservado pelo voto e pelo funcionamento das instituições republicanas. Em 2026, a população percebeu o risco e mobilização popular explodiu nas ruas. E o Nordeste foi protagonista nesta luta. Ampliando o alcance da frase de Euclides da Cunha, segundo a qual o o sertanejo é antes de tudo um forte, eu diria que o nordestino é forte, guerreiro. Bonito demais, orgulho demais.
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O Partido Social Democrático (PSD), o qual a governadora reeleita por Pernambuco, Raquel Lyra, é presidente estadual, cumprimentou o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) após eleição, em nota publicada pelas redes sociais, hoje. As informações são do Blog da Folha.
Segundo a nota, o diretório nacional, comandado por Gilberto Kassab, que havia se mantido neutro após derrota do candidato da legenda à Presidência, Ronaldo Caiado, apoiará a decisão dos eleitores. “O PSD […] deseja um bom governo a toda a equipe do Lula e reafirma o compromisso com nossa democracia e vai procurar corresponder às expectativas dos eleitores brasileiros”, afirmou-se.
Leia maisA nota também ressaltou a defesa por medidas que beneficiem a população e a economia nacional. “Vamos apoiar as iniciativas que busquem corrigir as desigualdades sociais, promover o equilíbrio fiscal e que tragam confiança àqueles que querem investir no Brasil, […] as medidas que entendam a necessidade de priorizar investimentos em pesquisas, ciência e inovação; que fortaleçam o SUS, que promovam a Educação e formação dos nossos jovens para o futuro”, exemplificou.
Por fim, foi reforçado o compromisso de fortalecer o vínculo com o governo federal. “Nossos parlamentares e governadores eleitos seguirão defendendo os bons projetos e manterão a relação republicana com o governo federal, em defesa do objetivo comum a todos nós, que é o desenvolvimento do Brasil e o bem-estar da nossa população”, concluiu.
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Estudantes pernambucanos se destacaram no Festival Regional SESI de Robótica e garantiram vagas na etapa nacional das competições FIRST LEGO League (FLL) e FIRST Tech Challenge (FTC), realizadas nos dias 23 e 24 de outubro, no Piso L3, do Shopping RioMar. As equipes classificadas vão disputar a próxima fase, prevista para março de 2027, em Salvador, na Bahia. Além dos pernambucanos, duas equipes de Sergipe também garantiram classificação para a competição nacional.
Na FIRST Tech Challenge (FTC), avançaram as equipes Unity Sunset, do SESI Escada; Rev Atom, do SESI Ibura; e V-Legacy, do Colégio Vita, escola particular de Sergipe. Já na FIRST LEGO League (FLL), seguem na disputa as equipes Kyrios Lego, do SESI Araripina; Unity Sunrise, do SESI Escada; Cyber Lego, do SESI Petrolina; Shield, de Sergipe; e Star Space, equipe de garagem de Paulista.
Leia maisO Festival Regional SESI de Robótica reuniu estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, com competidores a partir dos 9 anos de idade, em desafios que estimulam a criatividade, o pensamento crítico, a programação, a resolução de problemas e o trabalho em equipe.
A participação nas competições também contribui para o desenvolvimento de habilidades importantes para a vida pessoal e profissional dos estudantes, incentivando a inovação e a busca por soluções para desafios reais. A conquista das vagas nacionais reconhece o empenho dos jovens e o trabalho desenvolvido pelas equipes ao longo da preparação.
De acordo com a diretora de Educação do SESI, Mirella Barreto, o festival tem um papel importante na demonstração dos conhecimentos desenvolvidos pelos estudantes de todas as escolas ao longo do ano. “É uma grande satisfação perceber como as equipes se dedicam, resolvem problemas e vibram com cada resultado. É muito bom premiar esses talentos como mais uma iniciativa para incentivar os jovens a ampliar seus conhecimentos, acreditar no próprio potencial e conquistar novos espaços”, destaca.
As equipes vencedoras da etapa nacional avançam para a competição mundial, prevista para ocorrer nos Estados Unidos, em 2027.
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O partido Podemos parabenizou o presidente Lula (PT) pela eleição à Presidência da República e afirmou que atuará com independência no Parlamento, priorizando os interesses do país acima das disputas políticas. Em nota assinada pela presidente nacional da sigla, a deputada federal Renata Abreu (SP), o partido defendeu responsabilidade na condução do governo e soluções para os problemas da população. Confira abaixo a nota na íntegra:
NOTA DO PODEMOS
O Brasil encerra mais um processo eleitoral marcado pela forte disputa e pela divisão de opiniões. O Podemos parabeniza o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e deseja que seu governo tenha sabedoria e responsabilidade para conduzir o país e governar para todos os brasileiros.
Leia maisO Podemos seguirá atuando com independência no Parlamento, colocando os interesses do Brasil e da população acima de qualquer disputa política.
Nosso compromisso é construir soluções para os problemas reais que impactam a vida dos brasileiros. Independentemente de quem esteja no governo, o Brasil estará sempre em primeiro lugar.
Renata Abreu – presidente Nacional do Podemos e deputada federal por São Paulo
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A Polícia Federal registrou 86 ocorrências relacionadas a possíveis crimes eleitorais durante o segundo turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (25). Os dados constam do balanço final divulgado pela corporação, na manhã de hoje.
Ao todo, 74 pessoas foram conduzidas a unidades da PF para procedimentos e prestar esclarecimentos. Segundo a PF, foram:
Principais infrações
Leia maisA maior parte dos registros no domingo esteve associada ao desrespeito ao sigilo do voto:
A corporação também atendeu a episódios de danos a urnas eletrônicas e a suspeitas de eleitores votando em nome de terceiros.
Infrações em 20 estados e no DF
As ações da corporação ocorreram em 20 estados e no Distrito Federal. O maior volume de ocorrências foi computado na Paraíba, que liderou a lista com 11 registros. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 9 casos, e Sergipe, com 8.
Na sequência do balanço estão Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro, com 5 ocorrências cada, seguidos por Alagoas, Espírito Santo e Mato Grosso, que anotaram 4 casos cada um.
Acre, Distrito Federal, Paraná, Piauí e São Paulo registraram 3 ocorrências cada. Já Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Norte e Rondônia tiveram 2 episódios cada. Por fim, Santa Catarina anotou 1 registro pela corporação.
O levantamento considera somente as ações da Polícia Federal e não inclui os números registrados pelas polícias Militar e Civil nos estados.
Apreensões
Durante o domingo de votação, a corporação apreendeu R$ 41.420,02 em bens e valores, montante que inclui R$ 4.157,00 em dinheiro em espécie.
Também foram recolhidos itens utilizados nas infrações, como aparelhos celulares, equipamentos de informática e caixas de som. Os dados são preliminares e passam por processo de validação.
Acumulado do ano
No acumulado do ano, a Polícia Federal soma 1.629 inquéritos policiais abertos para apurar crimes eleitorais e 98 operações realizadas, conforme dados consolidados até as 9h30 desta segunda.
Atualmente, 2.483 inquéritos permanecem em andamento. Em valores acumulados, a PF já apreendeu R$ 51.9 milhões em bens e recursos em 2026, dos quais R$ 31,7 milhões em dinheiro em espécie.
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Por Marcus Prado*
Num grande baile, a quem o leitor estenderia a mão para dançar? À escritora chinesa Can Xue ou à canadense Anne Carson, galardoada com o Nobel de Literatura de 2026? Com Can Xue, seria aceitar um convite para o absurdo e para o sonho. Sua prosa não obedece às leis da gravidade ou da lógica; é um rodopio hipnótico no qual o chão muda de textura a cada passo. Seu estilo é de vanguarda, frequentemente comparado ao de Kafka e Borges. Esse convite ao absurdo e ao sonho lembra o escritor e filósofo português Agostinho da Silva ao refletir sobre a essência do povo russo e a literatura de Máximo Gorki (e de outros grandes autores russos, como Dostoiévski e Tolstói).
Ela o conduzirá por passagens subterrâneas, labirintos emocionais e metáforas, sem lhe dar qualquer ponto fixo de apoio. Com Anne Carson, seria a dança do “Vazio e do Tempo”, ao som de uma orquestra que alterna o silêncio da Grécia Antiga – a lembrar o instrumento de cordas associado ao deus Apolo, feito com a carapaça de tartaruga – com acordes modernistas, semelhantes aos da “Melodia Sentimental”, de Heitor Villa-Lobos. Com um estilo híbrido de poesia, ensaio e tradução clássica (famosa por “Autobiografia do Vermelho”), Carson mede o espaço entre os corpos – o desejo e a perda –, dançando com os fragmentos do que sobrou da memória e do tempo.
Leia maisSe o leitor busca o transe e o mistério puro, a mão deve ser estendida a Can Xue. Escolhê-la é preferir a literatura como experiência sensorial e enigmas sem resposta pronta. Se o leitor busca a precisão estética e a beleza da perda, a mão pertence a Anne Carson. Escolher a laureada do Nobel é optar pelo diálogo refinado entre os mitos antigos e as feridas do presente. Abra o salão com Anne Carson; comece a noite com a sobriedade, a clareza cortante e a beleza melancólica de seus versos ensaísticos. Termine a madrugada com Can Xue: quando a orquestra começar a desafinar e o salão se encher de sombras surrealistas, entregue-se ao ritmo imprevisível da autora chinesa. De um lado, a autora de “Amor no Novo Milênio” (Love in the New Millennium), Can Xue, cuja fronte guarda os labirintos oníricos do Extremo Oriente.
A sua escrita não descreve o mundo; antes, desata os nós mais profundos e subterrâneos da alma humana, tecendo fábulas metafísicas onde o real e o insondável se fundem numa dança de sombras e epifanias. Estender-lhe a mão seria entregar-se aos enigmas do inconsciente. Do outro lado, a divina Anne Carson: sua poesia é um relâmpago no crepúsculo, clássica e moderna, cortante como o mármore e frágil como uma pétala. Dividido entre o labirinto onírico de Can Xue e a límpida clarividência de Anne Carson, o leitor compreende, por fim, a ironia da sua sorte.
De minha parte, considero a premiação do Nobel de 2026 excludente ou injusta com a grandiosidade do momento. É tamanha a grandeza criativa dessas escritoras – recordistas nas apostas para o Nobel de Literatura deste ano – que o leitor ficaria apenas com os devaneios de uma alegre noite de baile. O prêmio deveria ser dado às duas.
*Jornalista
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A força política do prefeito Caíque (PSB), juntamente com outras lideranças do município, ampliaram a votação do presidente Lula em Angelim. O petista teve pouco mais de 74% dos votos no primeiro turno e neste domingo, chegou a 77,14%, exatos 5.769 votos, contra apenas 1.710 (22,86%) do adversário.
Angelim tem histórico de cidade progressista, tendo colocado na prefeitura políticos com perfil de esquerda, como Samuel Salgado (três mandatos) e Douglas Duarte (dois mandatos). O vice de Caíque, Oliveira, é filiado ao PT desde os tempos de vereador.
Caíque mostrou sua liderança no primeiro e no segundo turno e neste domingo garantiu ao presidente um dos maiores percentuais de votação do interior de Pernambuco. As informações são do blog do Roberto Almeida.
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, está reeleito para um quarto mandato como presidente. Mas o que se verá no Brasil a partir de agora alterará a lógica política do país desde 1945, que era baseada na tríade PSD, PTB e UDN. Como mostra a cientista política Lúcia Hippolito em seu obrigatório “PSD, de Raposas e Reformistas”, até 1964 a estabilidade política brasileira baseou-se numa aliança entre o PSD e o PTB.
O PSD era o partido de centro que unia boa parte da antiga elite agrária que governou o país na República Velha com novos rostos surgidos entre profissionais liberais com o crescimento das cidades, como Juscelino Kubitschek. O PTB reuniu a classe trabalhadora que ascendia com o fortalecimento dos sindicados. Na oposição, a UDN tornou-se o partido dos conservadores, empresários, mundo financeiro e parte também dos novos profissionais liberais nas cidades.
Leia maisEssa lógica só foi quebrada quando Jânio Quadros foi eleito, gerando tremenda instabilidade. Ampliada com a renúncia de Jânio. Num tempo em que presidente e vice eram eleitos separadamente, o de Jânio era João Goulart, do PTB. Jango suou para tomar posse. Acabou governando pressionando por esquerda e direita o tempo todo. Resistiu por dois anos até ser colhido pelo golpe militar em 1964. Quando o Brasil reconquistou a democracia, as novas forças políticas se organizaram mantendo a lógica.
Primeiro o MDB, depois o PSDB e, mais recentemente, o PSD e outras legendas de centro mantiveram o papel de “partidos da governabilidade” que tinha o PSD. O PT, modernizado com novas teses, tornou-se a principal força do trabalhismo. Partidos como o União Brasil e o Progressistas ocuparam o espaço da antiga UDN. Na redemocratização, alianças mudaram. Mas a sombra da antiga tríade sempre permaneceu. A não ser no rápido soluço produzido pela vitória de Fernando Collor em 1989. E quando Jair Bolsonaro venceu em 2018.
Esta eleição de 2026 parece provocar uma profunda mudança nessa lógica. As grandes alterações nas relações entre patrões e empregados enfraqueceram o modelo trabalhista tradicional. Sindicatos já não têm a mesma importância. Fora Lula, nenhum dos velhos caciques do PT conseguiu ser eleito. O que emergiu das urnas é uma nova geração produzida a partir de novos embates.
Mesmo o crescimento de Lula ocorrido no segundo turno não foi produzido pela cúpula petista nem pela sua campanha. Mas por estudantes nas ruas e por André Janones, que é um deputado da Rede, desconsiderado no primeiro turno. Nomes como a deputada eleita Ana Elisa (PT-MG) são uma nova oposição.
Da mesma forma, o que emerge a partir de Flávio Bolsonaro e dos nomes que foram eleitos tanto no Senado quanto na Câmara, tornando o PL o maior partido nas duas Casas, são uma nova direita. Contamos aqui na sexta-feira os esforços do Centrão para não perder sua hegemonia no Congresso. Terão trabalho.
O que se projeta é que o embate político a partir de janeiro vai se dar a partir de uma nova agenda. Os temas que a nova direita tentará implementar não são os que eram representados pelo velho centro com cara de PSD do passado. Provável aprovação de projetos de maior rigor na área de segurança, temas ligados a costumes, questões ambientais.
Da mesma forma, deverá haver uma mudança na agenda à esquerda. Foi visível no terceiro governo Lula certo descompasso em diversos momentos entre as novas aspirações da sociedade e uma visão envelhecida. Um caso emblemático foi a tentativa de regulamentar o trabalho de motoristas de aplicativo procurando aproximá-los da CLT.
Tudo isso projeta pela primeira vez um embate entre novas forças políticas no país. As velhas forças, naturalmente, irão se mover e procurar seus espaços para não perder relevância. Mas tudo indica que elas terão que se encaixar em papeis coadjuvantes. Pelo menos neste primeiro e como se aglutinarão agora diante da vitória de Lula.
Restará saber, então, o que acontecerá em 2030. Lula disputou neste domingo sua última eleição. Venceu novamente. Mas o PT não tem um nome para sucedê-lo. Pela direita, resta saber quem disputará. Alguém ainda do clã Bolsonaro? Outro nome que emerja da direita? Um fato, porém, parece estar claro. Nada será como antes.
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Editorial Poder360
O Brasil foi às urnas. Elegeu 1.035 deputados estaduais, 24 deputados distritais, 27 governadores, 54 senadores e 1 presidente da República. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para comandar o país pelos próximos 4 anos. Começa seu 4º mandato a partir de 5 de janeiro de 2027.
A atual fase democrática brasileira começou em 15 de março de 1985, há 41 anos, quando deveria ter tomado posse como presidente Tancredo Neves (1910-1985) – ele foi internado às pressas com uma diverticulite e, no seu lugar, assumiu José Sarney.
Leia maisNão foi fácil chegar até aqui. Sarney, um civil, havia sido o presidente da Arena, partido que deu sustentação à ditadura militar (1964-1985). O Brasil já teve 10 eleições diretas para presidente. Enfrentou 2 impeachments. Muitos solavancos vieram, como o da decisão de ontem, domingo (25.out.2026), no final da tarde, assinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin. O magistrado determinou que o horário de votação fosse prorrogado em duas horas –isso pouco antes de 17h, quando as urnas já estavam sendo fechadas. Felizmente, nada de grave acabou acontecendo para mudar o resultado das urnas por conta dessa medida extemporânea.
O fato é que o ambiente institucional anda sendo tisnado por decisões intempestivas como essa do ministro Cristiano Zanin. A institucionalidade fica comprometida. Não é à toa que as taxas de aprovação do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Executivo são baixas. As desavenças entre as instituições são combustível para o Brasil continuar dividido. Há muita beligerância no ar.
Num regime presidencialista, cabe ao ocupante do Palácio do Planalto comandar um processo de pacificação. O maior desafio de Lula será construir um ambiente mais harmônico entre os Três Poderes. Quando o petista foi eleito em 2022, o empresário Abílio Diniz (1936-2024) escreveu um artigo para este Poder360 e fez um apelo logo no momento seguinte à disputa: “Que o presidente eleito consiga pacificar e unir o nosso país, gerando crescimento, criando empregos, melhorando a distribuição de renda e diminuindo fortemente a desigualdade”.
Esse conselho de Abílio Diniz foi desprezado por Lula nos últimos 4 anos. Ao assumir seu 3º mandato, o petista afirmou que governaria com uma frente ampla de partidos e setores da sociedade. Não cumpriu o prometido e não pacificou o ambiente do poder. Ao contrário. A política hoje está mais belicosa e o grau de agressividade subiu de patamar. Caiu o nível de civilidade entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Nesse clima, perde a República, perdem os cidadãos, perde o país.
No seu discurso de vitória no domingo à noite, o presidente afirmou novamente que pretende governar para todos os brasileiros e que, terminada a eleição, não tem mais adversários. Só que no mesmo discurso afirmou que venceu um “representante genuíno do milicianismo”, uma pessoa que não tem “uma célula de humanismo”. Era uma referência derrogatória ao candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL). O que Lula ganhou fazendo essa referência? Nada. Ele dobrou a aposta e fez uma anedota, lembrando da má fase de seu time do coração: “O Corinthians está parecendo o Bolsonaro: só perde”.
Saber ganhar é mais difícil do que saber perder.
Em 1635, o pintor espanhol Diego Velásquez finalizou um quadro que produziu a pedido do rei Filipe 4º. A ideia era celebrar as vitórias do monarca. A pintura “A Rendição de Breda” está no Museu do Prado, em Madri. É um retrato da vitória de Ambrósio Spínola, chefe das forças espanholas, sobre o governador de Breda, Justino de Nassau. Diz muito sobre como se comportar ao vencer uma batalha.
No 1º plano dessa obra-prima, Spínola demonstra respeito por Nassau, o derrotado. Dá a impressão de que está impedindo o holandês de se ajoelhar para entregar-lhe a chave de Breda. As lanças dos soldados vitoriosos estão na vertical. Não há ameaça aos derrotados, que tampouco se defendem com as suas.
É difícil saber se a cena pintada por Velásquez é verdadeira ou não. O que é possível afirmar é que nas disputas políticas brasileiras quase nunca os vencedores são magnânimos. Há sempre um pensamento de revanche e vingança no ar. Essa atitude deletéria retroalimenta o ambiente lúgubre dentro dos Poderes da República.
Os 41 anos da democracia brasileira dão a Lula uma nova chance para mudar tudo isso.
O 4º mandato faz do petista de quase 81 anos (que completa em 27 de outubro) o político mais vitorioso da democracia brasileira. Ele tem poder e capital político como nenhum outro neste momento. Nesta fase de sua vida pode realmente tentar harmonizar a política e colocar o Brasil numa rota de crescimento sustentável, responsabilidade fiscal, economia aberta, liberal e amigável para os negócios.
Lamentavelmente, durante a campanha e no seu discurso na noite do domingo, o petista deu poucas dicas sobre como pretende desarmar a bomba-relógio que armou para si próprio com aumento exacerbado dos gastos públicos.
Talvez o discurso de ontem de Lula tenha sido só um ato final de campanha, com o presidente ainda inebriado pelo impacto da vitória. Ele tem 4 anos para mostrar que deseja de fato e vai governar para todos os brasileiros, sem estimular o “nós contra eles” e trazer um pouco de paz para a política, com uma economia em crescimento e controle das contas públicas.
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O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) atribuiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à “arrogância da família Bolsonaro” e criticou a estratégia do bolsonarismo nas redes sociais.
Em vídeo, Renan afirmou que a direita precisa mudar de postura para voltar a derrotar o PT. Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos, contra 59 milhões de Flávio Bolsonaro (PL). Clique no vídeo e confira!
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu na noite de domingo, 25, a declaração do candidato Flávio Bolsonaro (PL) de que fiscais do seu partido teriam sido “retirados” da sala-cofre da Corte. “A afirmação é falsa”, garantiu o TSE, em nota, esclarecendo que a sala não é um espaço aberto à visitação.
Segundo a Corte, todas as demais unidades e áreas podem ser visitadas por fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e membros do Ministério Público, entre outros. “Neste domingo, dois fiscais do PL estiveram no TSE para acompanhar o Teste de Integridade das Urnas, realizado no subsolo do prédio, e a totalização e divulgação dos resultados, na Sala de Totalização. Também visitaram a Sala dos Partidos Políticos, no 5º andar”, afirmou.
Leia maisO TSE ainda declarou que “há registro de presença nos locais visitados, além de filmagem na Sala de Totalização, que comprovam o acesso livre dos fiscais às unidades”, e reforçou que “o resultado das Eleições 2026 foi anunciado na noite deste domingo pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques”.
A declaração de Flávio ocorreu também na noite de domingo (25), em seu discurso após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
O candidato questionou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que estendeu a votação por duas horas após denúncias de problemas no transporte público em vários municípios, e alegou que os fiscais teriam sido retirados da sala-cofre logo após a determinação, o que foi desmentido pelo TSE. Flávio disse ainda ser “impossível reconhecer resultado da eleição” e que pedirá anulação.
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Um grande evento do Jornalismo brasileiro terá a cidade do Recife como sede, na próxima quarta-feira, das 13h às 20h. Será o Festival de Jornalismo Recife, organizado pela jornalista e ativista Kátia Cubel.
Direcionada principalmente aos estudantes de Jornalismo, a iniciativa vai reunir 15 palestrantes de primeiro nível, entre os grandes nomes da comunicação em Pernambuco, e nomes nacionais do Jornalismo brasileiro. Entre eles, Basília Rodrigues, Breno Pires, Rodrigo Rangel, Eldo Gomes e Patrícia Blanco. A conferência magna será realizada por Chico José.
Com muita honra, também integro a programação do evento e vou participar do painel “Os desafios do Jornalismo em Pernambuco” com os jornalistas Carol Santos, do Marco Zero; Leusa Santos, da Folha de Pernambuco; Laurindo Ferreira, do Sistema Jornal do Commercio.
Nesta edição, o Festival de Jornalismo Recife tem o patrocínio do Banco do Nordeste, do Governo do Brasil, da Fiepe, da Alepe e o apoio da Prefeitura do Recife, do Instituto Palavra Aberta, da RXZ, do Jornalistas&Cia e da OAB-PE.
