











Na sequência dos cenários da pesquisa do Opinião, em parceria com este Blog, sai daqui a pouco, exatamente à meia-noite, os números da corrida para a presidência da República nas eleições deste ano. Foram aplicados dois mil questionários em 80 municípios, com margem de confiança de 95% e 2,2 pontos percentuais de erro, para mais ou para menos.
A 47ª edição da ExpoCarpina tem início nesta quarta-feira (22), no Parque Senador Paulo Guerra. O evento, considerado a feira agropecuária mais tradicional da Mata Norte de Pernambuco, segue até o dia 26 de abril com uma programação diversificada. Um detalhe importante: o acesso do público é totalmente gratuito.
Realizada pela Associação dos Criadores da Mata Norte de Pernambuco (ACRIMNEP), a feira reúne pecuaristas de toda a região Nordeste. A estrutura conta com a exposição de mais de 1.500 animais de diversos portes, além de uma programação técnica composta por oficinas, palestras e rodadas de negócios voltadas ao setor agropecuário.
Leia mais“Nosso compromisso é fortalecer o arranjo produtivo da Mata Norte, unindo inovação técnica e grandes oportunidades de negócios. Estamos consolidando Carpina como o maior centro de comercialização bovina e equina de Pernambuco. Além dos leilões e das provas de pista, nosso foco é a educação e a parceria entre empresas e criadores. É um evento estratégico para quem busca excelência genética e desenvolvimento para o nosso agronegócio”, afirmou Edval Júnior, presidente da ACRIMNEP, que organiza o evento.
Seguindo a tendência das grandes exposições, a ExpoCarpina promoverá um leilão de 1.500 animais voltados para cria, recria e engorda, todos com alto padrão genético. Um dos grandes momentos será o 2º Leilão Carpina Quarter Horse, na quinta-feira (23/04).
A programação de equinos traz ainda adrenalina com a etapa do Campeonato Pernambucano de 3 Tambores (Quarto de Milha) e a elegância da prova de marcha do Mangalarga Marchador. Para 2026, a expectativa é ousada: bater o recorde das edições passadas, que movimentaram a comercialização de mais de 4.000 animais.
Além do setor de negócios, com máquinas e produtos agropecuários, o evento oferece entretenimento com shows regionais. A programação musical traz como estrela o cantor Gabriel Vaqueiro; natural de Carpina, o artista vive um momento de ascensão na carreira, acumulando apresentações em rede nacional e consolidando seu nome no cenário musical brasileiro.
A ExpoCarpina visa proporcionar ao produtor rural um ambiente de reciclagem de conhecimento e parcerias estratégicas. O foco é consolidar a agropecuária por meio da eficiência técnica e da sustentabilidade, fortalecendo o arranjo produtivo local. Além de fomentar o comércio de animais com genética superior para a recomposição do rebanho estadual, o evento busca transformar a região em um celeiro de excelência. Para o público em geral, a feira oferece uma experiência imersiva, aproximando quem vive na cidade do universo do campo.
Serviço
47ª EXPOCARPINA
De: 22 a 26 de abril de 2026
Onde: Parque de Exposição Senador Paulo Guerra, em Carpina (PE).
Entrada gratuita
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A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, seguiu o entendimento do relator Alexandre de Moraes e votou, hoje, pela condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por difamação contra a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Eduardo responde por publicações que fez sobre um projeto de lei de autoria de Tabata que trata da distribuição de absorventes em espaços públicos. Com o voto de Cármen, o placar está em 2 a 0 pela condenação.
Moraes votou, na sexta-feira, para condenar Eduardo a 1 ano de detenção, em regime inicial aberto. Também estabeleceu o pagamento de 39 dias-multa, com o valor de 2 salários mínimos por dia-multa. O salário mínimo atual é de R$ 1.621. A decisão ainda depende dos votos dos ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino. O julgamento é realizado no plenário virtual da 1ª Turma do STF desde a sexta-feira. A conclusão está marcada para a próxima segunda-feira.
Por Wellington Carneiro*
À meia-noite deste domingo, 19 de abril de 2026, uma pesquisa divulgada pelo Blog do Magno Martins caiu como um balde de água fria no tabuleiro político pernambucano – e, ao mesmo tempo, abriu uma avenida de possibilidades. Os números chamam atenção: 27% de brancos e nulos e 52,7% de indecisos.
Não é um detalhe. É um terremoto silencioso. A maioria não escolheu ninguém.
Somando os dados, o cenário é inequívoco: quase 80% do eleitorado pernambucano não decidiu seu voto para o Senado. Isso desmonta qualquer narrativa de favoritismo consolidado.
Leia maisSim, há nomes que aparecem na frente. Mas, diante desse quadro, é preciso dizer com clareza: liderar agora não significa vencer depois. A eleição, na prática, ainda nem começou. O grito silencioso das ruas.
Mais do que indecisão, os números revelam um sentimento que cresce longe dos palanques:
Não é apenas dúvida. É um recado silencioso de insatisfação.
O eleitor pernambucano está olhando para o cenário atual e, em grande medida, dizendo: “Ainda não encontrei em quem confiar.”
O risco de uma falsa sensação de vitória
Para quem aparece bem-posicionado nas pesquisas, há um perigo evidente: acreditar que já conquistou um eleitor que, na verdade, nem decidiu se vai escolher alguém.
Com mais da metade do eleitorado indeciso, qualquer mudança de cenário pode redesenhar completamente a disputa:
Tudo isso ganha um peso muito maior quando o eleitor ainda não está comprometido.
A eleição pode virar – e rápido
Eleições com alto índice de indecisos têm uma característica comum: viradas inesperadas. O jogo é dinâmico, emocional e altamente influenciado pelo momento. Nesse contexto, surge uma oportunidade rara: quem conseguir se conectar de verdade com o eleitor ainda pode mudar tudo.
O verdadeiro fiel da balança
Os números divulgados à meia-noite deste domingo deixam uma certeza:
Os próximos senadores de Pernambuco não serão escolhidos pelos que já decidiram — mas pelos que ainda estão em dúvida. E esse grupo, hoje, é maioria absoluta.
Um recado direto ao sistema político. A pesquisa não mede apenas intenção de voto. Ela expõe um vazio. Um espaço aberto entre a política e a sociedade.
E esse espaço pode ser ocupado de duas formas:
Conclusão: o jogo está aberto
Pernambuco não está decidido. Pernambuco está observando.
E quando quase 80% do eleitorado ainda não escolheu, não há favoritismo seguro, não há vitória antecipada e não há espaço para acomodação.
O que existe é uma disputa real — ainda em formação.
E, neste momento, o maior grupo político do Estado não é de direita, nem de esquerda, nem de centro.
É o grupo dos que dizem, com clareza: “Ainda não escolhi”.
*Pastor e advogado
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A pré-candidata do PDT ao Senado, Marília Arraes, não disparou apenas nas pesquisas de opinião. Nas redes sociais, também. Virou um fenômeno de mobilização e engajamento. O vídeo em que assumiu a pré-candidatura ao lado do pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), já alcançou mais de cinco milhões de visualizações.
Uma decisão liminar (provisória) do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), está sendo usada para tentar anular investigações sobre envolvimento com milícia, contrabando e exploração ilegal de jogos de azar, como o “Tigrinho”.
No dia 27 de março deste ano, Moraes decidiu que os chamados Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), só poderiam ser solicitados pela polícia depois da instauração de inquérito, e não antes. As informações são do portal Metrópoles.
Leia maisMoraes também proibiu que os relatórios fossem a primeira medida de uma investigação – segundo ele, isso configuraria a chamada “pesca probatória”, uma devassa indevida na vida privada do investigado, sem um fato determinado que motive a apuração. A decisão de Moraes foi dada em um Recurso Extraordinário (RE) em curso no STF, após manifestação do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), uma ONG de advogados criminalistas.
As restrições de Moraes para o uso de RIFs também se aplicam às Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Recentemente, o ministro se viu envolto em uma polêmica envolvendo a CPI do Crime Organizado, relatada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O relatório final do colegiado pediu o indiciamento do ministro e de outros integrantes da Corte.
Informações sobre o Imposto de Renda do Banco Master, enviadas à CPI, confirmaram pagamentos da instituição financeira do banqueiro mineiro Daniel Vorcaro ao escritório Barci de Moraes Advogados, pertencente à esposa do ministro.
Desde o dia 27 de março, a decisão de Moraes restringindo o uso dos RIFs passou a ser invocada como precedente por advogados de réus ou investigados que tentam anular operações da Polícia Federal e de outros órgãos de investigação. Em alguns casos, eles também pedem a soltura de seus clientes.
A decisão foi invocada, por exemplo, por advogados de investigados na operação El Patrón, que apura crimes de agiotagem e lavagem de dinheiro na Bahia. Também foi usada por investigados da operação Migalhas, sobre contrabando de agrotóxicos no Paraná, e da operação Quéfren, que investigou influenciadores que enriqueceram promovendo casas ilegais de jogos on-line, como o “Tigrinho”.
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Na próxima quinta-feira, a ACLF Empreendimentos, referência em desenvolvimentos imobiliários premiados na região, apresenta o Paineiras Bairro-Parque, o primeiro bairro planejado de Paulista (PE). Com mais de 170 mil m² de área total, o projeto inovador integra moradia, lazer e conveniência em um ecossistema urbano moderno, resgatando as origens da cidade e promovendo qualidade de vida em harmonia com a natureza: com o slogan “Paineiras Bairro-Parque, prazer em viver”.
O lançamento ocorre no Paulista North Way Shopping, com convidados especiais e jornalistas na área de eventos do estacionamento do shopping. Na ocasião, uma sala de imersão interativa vai simular a experiência de viver no bairro antes mesmo de sua construção, transformando a visita em uma jornada inesquecível, impactando positivamente a percepção de valor.
Também será apresentado o Mirante das Paineiras, primeiro empreendimento residencial do bairro, que é uma evolução premiada do Mirante do Frio Residence, vencedor de cinco prêmios, entre eles o Troféu Master Ademi-PE de 2025. “Estamos redefinindo o que significa viver bem em Pernambuco. O Paineiras não é só um empreendimento, é um bairro pensado para gerações, unindo o melhor do placemaking e das cidades planejadas”, afirma Avelar Loureiro Filho, presidente da ACLF Empreendimentos.
Estadão
Pré-candidato à Presidência pelo PSD, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado afirmou que o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, seria o nome ideal para compor sua chapa como vice. A declaração foi dada ontem, durante agenda em que os dois participaram no Santuário Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP). “Era perfeito, completo em tudo. Maior articulador. Já tenho o seu apoio. Pode ter certeza, isso daí fecharia com chave de ouro”, disse Caiado a jornalistas.
Segundo o ex-governador de Goiás, a negociação sobre a formação da chapa tem sido articulada dentro do partido. “Nós estamos evoluindo, mas, neste momento, eu quero deixar claro que nós estamos evoluindo mais na parte da construção do plano de governo.”, disse. A previsão é que a construção do programa seja finalizada até a convenção do PSD, prevista para julho.
Leia maisRonaldo Caiado foi escolhido pré-candidato ao Planalto pela sigla no fim do mês passado. Após a desistência do governador paranaense Ratinho Júnior, o PSD deveria optar entre Caiado e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.
Em seu perfil no X (antigo Twitter), Kassab registrou o compromisso em Guaratinguetá e ressaltou que após a cerimônia no santuário, o prefeito Junior Filippo (PSD) e “lideranças políticas e empresariais da região” ofereceram um almoço a Caiado.
No passado, a relação entre os dois já foi marcada por embates públicos. Em 2015, então senador, Caiado se referiu a Kassab como “traíra” e “cafetão do Planalto”, acusando-o de cooptar parlamentares. Também afirmou que ele tinha “caráter líquido” e se moldava “ao formato do poder”.
As postagens no X em que os comentários foram feitos já não estão mais no ar. Gilberto Kassab comentou o assunto no início do ano, pouco depois da filiação de Caiado ao PSD, quando prints das publicações voltaram a circular nas redes.
Segundo o dirigente, os dois mantêm uma relação de amizade “há muitos anos” e as críticas ocorreram em um momento de “muito estresse”, em que o PSD se consolidava e o então Democratas (DEM), ao qual Caiado era filiado, atravessava uma crise interna.
O presidente do PSD afirmou ainda que, poucos dias depois das publicações, Caiado entrou em contato para se retratar. “O Caiado ligou, pediu desculpas e, durante esses anos todos, tivemos várias oportunidades juntos. Eu posso dizer que somos amigos e há muito respeito da minha parte com ele e dele comigo”, disse.
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Faltam apenas 28 dias para o start das comemorações dos 20 anos deste blog: o jantar de adesão no restaurante Sal e Brasa Jardins, da Rui Barbosa. Depois, teremos o 1º Forró do Magno, em Arcoverde, no dia 13 de junho, uma forma de valorizar e prestigiar a grande massa de leitores do Interior.
Será top! Com a Super Oara. Quanto ao jantar de adesão, o local só comporta 300 pessoas. Se você ainda não adquiriu o seu ingresso, ao valor unitário de R$ 250, faça agora no seguinte pix: 87999579702.
Leia maisJá estão confirmados os cantores Alcymar Monteiro, Maciel Melo, Petrúcio Amorim, Almir Rouche, Josildo Sá, André Rio, Fabiana Pimentinha, Cristina Amaral, Irah Caldeira e Walquiria Mendes, mas outros amigos e parceiros ainda devem confirmar presença para nos proporcionar uma noitada muito descontraída, emocionante e em alto astral.
O terceiro será um jantar de adesão em Brasília, promovido em conjunto com a tradicional Confraria do Blog Candanga, à frente o meu amigo Aristeu Plácido Júnior, embaixador de Pernambuco na capital federal. Vamos reunir autoridades federais e a grande colônia nordestina na corte.
Por fim, reitero com as informações abaixo a necessidade da compra antecipada para que você, caro leitor e amigo, não fique de fora da nossa primeira comemoração pelas duas décadas do bom jornalismo.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou, hoje, que esteja num período turbulento no cenário eleitoral e afirmou estar “tranquilo” para disputar o quarto mandato presidencial.
Lula deu a declaração ao ser questionado durante coletiva de imprensa na Alemanha. “Não tem turbulência nenhuma. Eu encaro eleição como a coisa mais democrática, mais tranquila possível. Sou o cidadão que mais disputou eleição na história do Brasil, portanto eleição pra mim não tem turbulência”, disse o petista.
Leia maisNa ocasião, o presidente fez críticas às investidas dos Estados Unidos contra outros países como Venezuela e Cuba. Afirmou também se opor ao que chamou de “falta de respeito à integridade territorial das nações”.
“Eu sou contra qualquer país do mundo se meter a ter ingerência política de como sociedade de um país tem que se organizar ou não. Cadê a autodeterminação dos povos? Direitos humanos? Cadê o respeito a carta da ONU?”, questionou Lula.
“Eu quero que os Estados Unidos sejam do jeito que querem ser, Alemanha se organize do jeito que queira se organizar. Quero que o Brasil se organize do que o jeito que a sociedade brasileira queira se organizar. Ninguém pode se meter na nossa organização”, emendou.
Mais cedo, Lula já havia feito críticas aos Estados Unidos e ao presidente norte-americano, Donald Trump, e pediu apoio da Alemanha nesse contexto.
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Um movimento considerado inédito está acendendo um alerta na segurança pública de Pernambuco: delegados e até alunos em formação estão deixando o estado para assumir cargos em outras regiões do país. A informação é da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (ADEPPE), que classifica o cenário como uma “debandada” de profissionais qualificados.
De acordo com a entidade, candidatos em formação já abandonaram o curso de delegados para ingressar nas Polícias Civis da Paraíba, Amazonas e São Paulo. Há ainda a previsão de novas saídas já no mês de maio, incluindo delegados que devem migrar para a Polícia Civil do Ceará. Também foram registrados casos de profissionais que deixaram a carreira para assumir cargos no Ministério Público em estados como Ceará e Rio Grande do Norte.
Leia maisPara o presidente da ADEPPE, delegado Diogo Victor, o cenário reflete uma política de desvalorização da carreira no estado, especialmente quando comparada a outras funções do sistema de Justiça.
“Estamos vivendo uma situação inédita. Pernambuco, que antes atraía profissionais, hoje perde seus quadros. Isso não acontece por acaso. Enquanto outras carreiras jurídicas, como a Defensoria Pública, vêm sendo valorizadas, com reajustes e reconhecimento institucional, os delegados enfrentam uma realidade de desvalorização salarial e estrutural. Hoje, um defensor público chega a receber cerca de 3,5 vezes mais que um delegado substituto. Essa distorção acaba sinalizando que é melhor defender o criminoso do que colocá-lo atrás das grades”, afirma Diogo.
Segundo a associação, o impacto vai além da carreira e atinge diretamente a população, com risco de enfraquecimento da capacidade investigativa e do funcionamento da Polícia Civil no estado.
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Por Atahualpa Amerise – BBC News
Enquanto Cuba enfrenta a escassez e os apagões, um conglomerado empresarial vinculado às Forças Armadas do país administra secretamente bilhões de dólares.
A Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S. A.) não tem website, nem endereço de correio eletrônico institucional conhecido, nem canais oficiais de contato. Ela não publica balanços, nem aparece no orçamento estatal.
Leia maisA Assembleia Nacional do Poder Popular e a Controladoria Geral da República de Cuba não podem auditar suas contas — mesmo com a empresa embolsando praticamente cada dólar recebido pelos negócios mais rentáveis do regime cubano: turismo, remessas financeiras, comércio exterior e missões médicas no estrangeiro.
A holding pertence às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR), mas também não está sob seu controle.
Em 2024, ela possuía bens no valor de pelo menos US$ 17,9 bilhões (cerca de R$ 89,4 bilhões), incluindo mais de US$ 14,4 bilhões (cerca de R$ 71,9 bilhões) em contas bancárias, segundo documentos vazados para o jornal americano Miami Herald. A BBC não conseguiu verificar estes dados de forma independente.
Esta fortuna é maior que as reservas internacionais de países como o Equador, o Paraguai ou a República Dominicana. Ela ilustra a magnitude do império econômico representado pela Gaesa.
Tudo isso contrasta com a situação econômica de Cuba, um país praticamente falido, com queda acumulada de 15% do PIB nos últimos cinco anos e insolvente frente aos seus diversos credores internacionais.
Quase nove a cada 10 cubanos vivem em condições de extrema pobreza ou “sobrevivência”, segundo estimou em 2025 o Observatório Cubano dos Direitos Humanos. E, neste ano, a crise no país se intensificou com apagões de várias horas por dia e com a escassez ainda maior de alimentos, combustíveis e medicamentos.
Nos últimos meses, o governo do presidente americano Donald Trump intensificou as sanções contra a ilha, com um bloqueio de facto do fornecimento de petróleo, que agravou os problemas de energia e abastecimento.
O contraste entre um Estado em bancarrota e a existência de uma entidade obscura que suga as principais fontes de receita sob o guarda-chuva militar levanta questões importantes que tentaremos responder a seguir.
Como opera a Gaesa? Quem está por trás dela? Onde ela guarda e investe o dinheiro?
Até que ponto esta economia paralela é responsável pela miséria que assola Cuba?
A BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) tentou entrar em contato com o governo cubano por diversas vias, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
Qual é a sua origem e como ela opera
“A Gaesa funciona como uma grande holding, um polvo de vários braços que se apropriou da economia cubana em quase todos os seus setores rentáveis ao longo dos últimos 15 anos”, explica Emilio Morales, presidente da consultoria Havana Consulting Group, que estuda a economia cubana.
Mas a Gaesa nasceu muito antes, na década de 1990. Ela era um mecanismo criado dentro das FAR para administrar empresas que operavam com divisas em plena crise econômica (o chamado Período Especial), após a queda da União Soviética (1922-1991).
Seu objetivo inicial era relativamente limitado: gerar recursos para as próprias Forças Armadas por meio de negócios vinculados ao turismo, comércio exterior e outros setores que captavam dólares.
Mas, com o passar do tempo, essa estrutura se transformou em um império financeiro.
A deterioração da saúde de Fidel Castro (1926-2016), até então líder hegemônico de Cuba, levou à ascensão ao poder do seu irmão Raúl, interinamente em 2006 e formalmente em 2008.
Desde então, o conglomerado começou a se expandir rapidamente e absorver empresas estatais estratégicas, entre elas a maior de todas: a Cimex.
“Ao se apropriar da Cimex, a Gaesa adquiriu toda a sua rede de empresas, dentro e fora de Cuba: corporações localizadas em paraísos fiscais como o Panamá, comércios varejistas em moeda local e em dólares, postos de gasolina, negócios imobiliários, exportação, importação, atacadistas…”, explica Morales.
A holding foi englobando outras empresas rentáveis, como as especializadas no setor turístico Gaviota e Habaguanex, parte da operadora de internet Etecsa e a gestão do porto comercial de Mariel, o maior do país.
A Gaesa assumiu também o controle do Banco Financeiro Internacional (BFI), que opera as transações de Cuba com o exterior.
Na prática, a holding monopolizou quase todos os negócios que atraem dólares: o turismo, comércio, telecomunicações, bancos, remessas financeiras, logística e construção.
No papel, Cuba funciona em um sistema socialista, no qual a economia é monopólio do Estado. Mas a Gaesa não presta contas à Assembleia Nacional e mantém seus balanços em sigilo.
“Seus balanços são secretos, a imprensa cubana não a menciona e ela trabalha em total obscuridade”, explica à BBC o economista Pavel Vidal, um dos maiores especialistas nas finanças de Cuba.
“E, na verdade, também não paga impostos e não aparece nos orçamentos do Estado, já que tem um orçamento independente. É uma economia dentro de outra”, define ele.
O sigilo em torno deste império na sombra é enorme.
Em julho de 2024, a então controladora-geral de Cuba, Gladys Bejerano, foi exonerada após 14 anos no cargo. Ela havia admitido, em um aparente descuido durante uma entrevista à agência de notícias EFE, que o Estado não teria jurisdição para auditar a Gaesa.
Três anos antes, em 2021, o então ministro das Forças Armadas de Cuba, Leopoldo Cintra Frías, foi suspenso, segundo fontes, pouco depois de tentar promover uma investigação interna sobre a holding multimilionária ligada à sua pasta.
Não se sabe ao certo, em nenhum dos dois casos, se as destituições foram relacionadas às suas incursões nos assuntos da Gaesa ou se foram meras coincidências. Bejerano e Cintra Frías eram septuagenários quando foram afastados dos seus respectivos cargos.
O grupo empresarial foi presidido por anos pelo general Luis Alberto Rodríguez López-Calleja (1960-2022), ex-genro de Raúl Castro e considerado um dos homens mais poderosos do país.
Foi sob seu comando que a Gaesa assumiu o controle das principais empresas estatais, até se tornar a gigante que é hoje em dia.
Após a morte de Rodríguez López-Calleja, em 2022, a presidência do grupo passou para a sua vice, a generala-de-brigada Ania Guillermina Lastres.
Estes são os dois únicos nomes conhecidos deste conglomerado empresarial multimilionário. Mas quem forma a elite que controla a Gaesa e seus bens?
Quem são seus donos
Identificar os proprietários e diretores da Gaesa não é uma tarefa fácil.
Sua estrutura empresarial é extremamente obscura. Não se sabe quem lidera seus órgãos de decisão, não há um organograma oficial e boa parte das suas empresas operam por meio de redes societárias de difícil rastreamento.
Mas investigações jornalísticas, documentos vazados e relatórios de acadêmicos que passaram anos estudando o grupo oferecem importantes indícios sobre a elite deste poderoso conglomerado.
Segundo Emilio Morales, o poder é concentrado em um grupo seleto e reduzido. “Não ultrapassa 15 pessoas”, revela ele.
“Não são nomes públicos, são muito herméticos. Eles têm designado a cada empresa um profissional de informática, um contador e um oficial da contrainteligência, para supervisionar toda a parte contábil”, prossegue Morales, mencionando o testemunho anônimo de um ex-funcionário da Gaesa.
Ele afirma que a holding usa o aparato militar para garantir que o controle das suas empresas e operações permaneça sem ser questionado, mas quem realmente manda não são os generais das Forças Armadas.
“Na Venezuela, havia muitos arquipélagos de poder”, compara ele.
“Diosdado [Cabello, ex-presidente da Assembleia Nacional] tinha o dele, [Vladimir] Padrino [ex-ministro da Defesa] o seu, [Nicolás] Maduro, Delcy [Rodríguez, atual presidente] etc.”
“Mas o caso de Cuba é diferente. Raúl Castro nunca quis que os generais tivessem poder financeiro. Os generais existem para controle político.”
Neste sentido, o presidente da plataforma acadêmica Cuba Século 21, Juan Antonio Blanco, explica à BBC News Mundo que Raúl Castro sempre tentou “evitar que os generais se corrompessem, tendo acesso a grandes valores em dinheiro”.
Por isso, “a Gaesa foi reservada para um grupinho de elite da família Castro e os mais próximos”, garante ele. “Existe um ou outro general, sim, mas não porque sejam generais, mas porque eram incondicionais, historicamente próximos da família de Raúl Castro.”
Assim, a elite do colosso empresarial (ou parte dela) seria o entorno familiar e militar do general Raúl Castro, hoje com 94 anos. Oficialmente aposentado, ele continua sendo o homem mais poderoso de Cuba, segundo os analistas.
Raúl Castro tem quatro filhos: Déborah, Mariela, Nilsa e Alejandro Castro Espín. E também vários genros, netos e parentes próximos, que são vinculados a negócios e instituições importantes do poder.
Entre eles, estão seu influente ex-genro Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, morto em 2022, e o seu neto e guarda-costas Raúl Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como o “Caranguejo”.
Rodríguez López-Calleja foi o artífice da grande transformação da Gaesa, antes uma limitada rede de empresas militares, em um gigantesco conglomerado que controla praticamente todas as atividades rentáveis do país.
Já em relação ao “Caranguejo”, suas frequentes viagens ao Panamá na última década (foram mais de 20 entre 2024 e 2025, segundo fontes, muitas delas em aviões particulares) levaram muitas pessoas a associá-lo diretamente aos negócios milionários da holding.
Os especialistas também acreditam que o papel da atual presidente-executiva da Gaesa, Ania Guillermina Lastres, é principalmente operacional: ela representa e supervisiona a empresa, mas não faz parte do seu núcleo de proprietários, com poder de decisão e acesso aos seus fundos multimilionários.
O nome de Lastres é o único que se dá a conhecer neste emaranhado, já que não existe um organograma oficial.
Perguntar sobre o lado interno da Gaesa é como encontrar um muro pela frente. Muitas das suas empresas são estruturadas em redes de companhias e filiais, que ocultam os verdadeiros donos dos negócios.
“Os acionistas de uma empresa podem ser outra empresa; e, desta, uma outra empresa — uma cadeia de companhias, para que não se consiga realmente chegar ao verdadeiro dono”, segundo Morales. “E, no fim, você encontra um nome que é colocado ali como testa de ferro.”
Este tipo de estrutura é frequente em paraísos fiscais ou jurisdições com baixa transparência corporativa. Ela também dificulta seguir o rastro do dinheiro.
Daqui, surge outra pergunta importante: onde está e qual é o destino do dinheiro da Gaesa?
Onde está o dinheiro
O conglomerado passou mais de duas décadas ampliando sua presença em setores fundamentais do país, sem que ninguém conseguisse avaliar a magnitude do seu império econômico.
A Gaesa mantém suas contas em segredo e opera fora do escrutínio público. Mas o vazamento de documentos internos publicado no ano passado pelo Miami Herald trouxe um facho de luz, ao fornecer números específicos pela primeira vez.
Os documentos revelados pelo jornal americano Miami Herald mostram números multimilionários, em ativos, vendas e receita — Foto: Miami Herald / Reprodução
Os documentos revelados pelo jornal americano Miami Herald mostram números multimilionários, em ativos, vendas e receita — Foto: Miami Herald / Reprodução
Os documentos publicados pelo Miami Herald são compostos por 22 balanços financeiros internos, correspondentes a diferentes empresas do grupo.
Segundo eles, em março de 2024 o conglomerado controlava ativos avaliados em pelo menos US$ 17,894 bilhões (cerca de R$ 89,3 bilhões), incluindo US$ 14,467 bilhões (cerca de R$ 72,2 bilhões) líquidos em contas bancárias.
Estes números não incluem a Cimex, que é a maior empresa da holding. Por isso, acredita-se que a fortuna da Gaesa, pelo menos naquele momento, fosse ainda maior.
Os documentos também revelaram uma rentabilidade surpreendente. Foram mais de US$ 2,1 bilhões (cerca de R$ 10,5 bilhões) de lucros em agosto de 2024 em US$ 5,563 bilhões (cerca de R$ 27,8 bilhões) de receita, o que representa uma margem de cerca de 38%.
Em termos de comparação, as grandes empresas internacionais costumam registrar margens de lucro de 5% a 15%. Nem mesmo em setores muito lucrativos, é frequente que elas superem 20%.
Especialistas indicam que isso se deve a vários fatores.
Em primeiro lugar, a Gaesa explora todos os setores rentáveis da economia cubana que geram dólares, como o turismo e o comércio, mas não os deficitários, como a agricultura, educação e saúde pública, exceto pelas missões médicas.
Em segundo lugar, como Cuba restringe a entrada de outras corporações nesses setores, ela trabalha sem enfrentar concorrência.
Por fim, outro ponto importante é que a empresa se beneficia da dualidade de taxas de câmbio e de moedas. “Sua receita é principalmente em dólares, em divisas, e ela paga salários em pesos cubanos”, explica Vidal.
O acadêmico José Antonio Blanco destaca ainda a vantagem de contar com o guarda-chuva das Forças Armadas Revolucionárias.
“Se a Gaesa construir um hotel, por exemplo, como empresa das FAR, ela adquire mão de obra e materiais do Ministério da Construção em pesos cubanos, mas o dinheiro gerado pelo hotel entra em dólares”, explica ele.
A diferença entre as duas moedas é enorme.
Seis anos atrás, um dólar valia 24 pesos cubanos, mas a moeda local se desvalorizou drasticamente desde então. Hoje, no mercado informal, a cotação do dólar já supera largamente os 500 pesos, segundo dados do portal de referência El Toque.
Outra grande incógnita é onde está o patrimônio da Gaesa.
Os documentos vazados indicam que o conglomerado mantém parte dos seus lucros multimilionários no próprio sistema financeiro, o que dificulta o rastreio até o seu destino.
Segundo Pavel Vidal, o grupo também gerencia recursos que, na prática, funcionam como reservas internacionais paralelas do país, embora não estejam sob o controle do Banco Central de Cuba.
“Trabalhei no Banco Central e sei que a instituição não gerencia diretamente as reservas internacionais de Cuba, mas sim o Banco Financeiro Internacional (BFI), que pertence à Gaesa.”
“Por isso, é preciso entender que essas reservas estão nesses US$ 14,5 bilhões [cerca de R$ 72,4 bilhões]”, explica ele.
“Chamo de reservas internacionais para dar um nome, mas, na verdade, não deveriam ser chamadas assim. Elas não estão sob o controle da autoridade monetária, que é quem deveria respaldar a moeda, o sistema bancário e a dívida”, destaca Vidal.
Sobre o paradeiro dessas reservas, Vidal calcula que “provavelmente elas estejam diversificadas: uma parte no BFI, mas também em bancos internacionais (russos, chineses…) e, provavelmente, em paraísos fiscais”.
“Não há informações precisas a respeito, mas, considerando que parte da lógica da Gaesa é evitar sanções, é razoável imaginar que essas reservas sejam bastante diversificadas e que uma parte esteja estruturada de forma a não ficar exposta a sanções”, conclui ele.
É preciso destacar que os únicos relatórios financeiros da holding que foram publicados datam de 2024. Por isso, não se sabe que valores atingem seus ativos atualmente.
Por fim, a última pergunta: qual a possível responsabilidade da Gaesa pela desastrosa situação atual da economia cubana?
A influência na crise cubana
O peso do conglomerado na economia cubana é enorme.
Cálculos de Pavel Vidal e outros especialistas indicam que suas transações podem representar o astronômico nível de 40% do PIB do país.
Este poder financeiro permitiu à Gaesa manter uma estratégia de investimentos que, segundo seus críticos, seria totalmente desconectada das necessidades mais urgentes da população da ilha.
Enquanto a economia cubana atravessa décadas de crises, com setores produtivos disfuncionais e infraestruturas deterioradas, a Gaesa concentrou grande parte dos seus recursos em atividades destinadas a captar divisas, em vez de, por exemplo, revitalizar a produção agrícola e industrial do país.
Nos últimos anos, o conglomerado promoveu uma ambiciosa expansão dos negócios turísticos, especialmente na capital, Havana, onde foram construídos novos e imponentes hotéis. Os edifícios contrastam com a deterioração cada vez maior das ruas e das construções ao seu redor.
Enquanto isso, cada vez menos turistas visitam a ilha. O número de visitantes desabou de um pico de 4,7 milhões, em 2018, para 1,8 milhão no ano passado, quando a escassez e os apagões já se encaminhavam para os níveis extremos vividos hoje em dia.
Para Vidal, concentrar os recursos no setor turístico faz com que outras áreas estratégicas recebam menos investimentos, o que limita a capacidade do país de reativar setores produtivos que reduzam a escassez crônica de alimentos e modernizar a indústria de geração de eletricidade, que é cada vez mais disfuncional.
“O investimento no turismo foi fortemente desproporcional e se descuidou dos investimentos na agricultura, na rede elétrica e na manutenção das instalações geradoras”, segundo o economista. “Isso explica, em parte, o que está acontecendo agora.
Outro exemplo do controle da Gaesa sobre as principais fontes de receita do país são as missões médicas internacionais. Elas são o negócio mais lucrativo de Cuba nos últimos anos, mais até do que o turismo.
Parte desta receita, segundo os especialistas consultados pela BBC, é canalizada para empresas do conglomerado empresarial militar. E, com base neste sistema peculiar, a Gaesa absorve boa parte das divisas que entram no país.
Some-se a isso o fato de que a Gaesa possui ativos (ou pelo menos detinha, em 2024) em volume que permitiria modernizar o setor agropecuário (que hoje produz apenas 20% do consumo nacional de alimentos) e restaurar o setor de geração de eletricidade da ilha.
As pressões recentes do governo americano sobre Cuba, que enfrenta uma situação limite, levaram muitos a pensar que o regime comunista vigente desde 1959 poderá cair ou protagonizar uma mudança drástica e forçada.
Se isso acontecer, é difícil prever o que ocorreria com o obscuro conglomerado econômico das Forças Armadas, construído durante as últimas três décadas em paralelo ao Estado cubano.
“Se houver uma transição, imagino que uma das primeiras medidas será encontrar o dinheiro da Gaesa, pois ele será muito necessário para uma fase de estabilização, de reconstrução”, prevê Emilio Morales.
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