











A precarização dos vínculos de trabalho e a superlotação das emergências são hoje os principais entraves da rede pública de saúde em Pernambuco, na avaliação do cirurgião-geral João Veiga. Em entrevista ao blog, o médico afirmou que a chamada pejotização tem comprometido a continuidade do atendimento, o ensino médico e o vínculo dos profissionais com as unidades. “Perde a relação do profissional com a instituição (pois ele pode ser de São Paulo, pode ser do Ceará, ele não precisa ser de Pernambuco), e perde-se também a relação com o ensino”, disse.
Segundo Veiga, a mudança no modelo de contratação dentro das Organizações Sociais (OSs), responsáveis pela gestão de parte dos hospitais, agravou o problema nos últimos anos. Ele afirma que, antes, os vínculos eram majoritariamente regidos pela CLT, mas passaram a ser flexibilizados. “A OS contrata aquele médico, por um dia, dois dias. Existe caso de profissionais que ficaram 16 dias de plantão e aí foram embora pra São Paulo e nunca mais voltaram. Isso compromete a formação de residentes e a assistência”, criticou. Para o médico, a precarização da mão de obra, somada à alta ocupação das emergências, tem pressionado o sistema. Ele cita o caso do Hospital da Restauração, que, segundo dados recentes do Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (CREMEPE), chegou a ultrapassar 300% de ocupação.
Leia maisAlém das relações de trabalho, Veiga aponta a falta de leitos como um dos principais problemas. Uma das soluções defendidas por ele é a ampliação dos chamados leitos de retaguarda, voltados para pacientes crônicos, o que liberaria vagas nas unidades de alta complexidade. “Você pactua com hospital de retaguarda pra ficar com pacientes crônicos. A Restauração tem 100 leitos de retaguarda, por exemplo, e a gente quer expandir essa estratégia para o interior também”, disse. Ele também defende o credenciamento de leitos na rede privada como alternativa imediata para ampliar a capacidade sem necessidade de novas construções.
A situação no interior, especialmente em Petrolina, é apontada como crítica. De acordo com o cirurgião, a cidade conta basicamente com a estrutura do hospital universitário ligado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), o Hospital de Ensino Dr. Washington Antônio de Barros, o que seria insuficiente para a demanda. “São 150 leitos no Hospital do Trauma, que é ligado à Univasf. Lá não tem hospital regional, nem municipal, nem estadual”, destacou. Como medida emergencial, ele propõe a instalação de um hospital de campanha voltado à traumatologia. “Não é possível que cidades como Petrolina e Juazeiro, [o paciente] tenha que se deslocar ou pra Salvador ou pro HR”, disse.
Apesar das críticas, Veiga reconhece avanços recentes na infraestrutura do Hospital da Restauração, com investimentos em equipamentos e melhorias estruturais. “O Hospital da Restauração, onde eu trabalho, está melhor. Os problemas tão sendo enfrentados. Mas ainda tem, claro”, avaliou. Ainda assim, ele defende medidas mais amplas. “A população precisa de ações maiores (…) Espero que fique melhor com quem quer que seja. Porque primeiro a gente vai para o HR. Pobre, rico, importante ou não, é a Restauração quem primeiro assiste, e que tá recebendo implementação de tecnologia como eu nunca vi antes”, concluiu.
Ainda, Veiga destaca que a posição do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) em relação à questão da pejotização das unidades públicas foi fundamental e uma medida importante para tratar o problema.
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As comissões parlamentares de inquérito que passaram a investigar o Banco Master não conseguiram localizar e notificar Martha Graeff, ex-namorada do banqueiro Daniel Vorcaro, para que ela preste esclarecimentos. Tanto a CPI do Crime Organizado quanto a CPMI do INSS aprovaram a convocação da influenciadora, que mora nos Estados Unidos.
A CPMI do INSS marcou para a segunda-feira (23) o depoimento de Graeff. A oitiva deveria ser uma das últimas no colegiado, que deverá encerrar os trabalhos até o próximo dia 28. O presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), disse que o relatório final será votado na quinta-feira (26). As informações são do portal Metrópoles.
Leia maisQuem é Martha Graeff
Nascida no Rio Grande do Sul, Martha Graeff tem 40 anos e é empresária, ex-modelo e influenciadora. Mora nos EUA há 20 anos e hoje mora em Miami, na Flórida. Já foi casada com o astro da NBA (a liga de basquete dos Estados Unidos) Rony Seikaly, com quem tem uma filha de seis anos. Ela também já se relacionou com Aécio Neves (PSDB-MG) em 2017. Graeff e Vorcaro tiveram um relacionamento que foi, majoritariamente, à distância. Eles chegaram a noivar em 2024, em uma festa na Itália. O casal rompeu em 2025, pouco depois da primeira prisão do banqueiro.
Martha Graeff entrou no centro das investigações do Master após o vazamento de mensagens trocadas por ela e Vorcaro entre 2024 e 2025. Nos diálogos com a ex-noiva, Vorcaro citou políticos, ministros e integrantes do mercado financeiro.
As mensagens também levantaram suspeitas de que o dono do Banco Master tentou ocultar o patrimônio colocando imóveis e fundos em nome da namorada — algo que ela nega.
Como mostrado pelo Metrópoles, Graeff terminou o relacionamento com Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025, que se deu simultaneamente à liquidação do Master pelo Banco Central.
Após a veiculação das conversas, a socialite disse, por meio da assessoria, que terminou o relacionamento com o banqueiro “há alguns meses” e que mora nos Estados Unidos há mais de 20 anos.
Depois da CPMI, foi a vez da CPI do Crime Organizado aprovar a convocação da socialite. O depoimento foi marcado para a quarta-feira (25). Apesar da proximidade das datas, integrantes das cúpulas dos colegiados disseram à reportagem que não receberam retorno dos contatos com a defesa nem com Martha Graeff em si.
Com a ajuda da polícia do Senado, as equipes técnicas conseguiram localizar e-mails e alguns possíveis números da Martha Graeff. A estes endereços foram encaminhadas as intimações, ainda sem algum retorno.
A convocação exige a presença obrigatória de pessoas classificadas pelas CPIs como testemunhas. Ainda assim, a defesa dos convocados pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar tornar o comparecimento facultativo, sob o argumento de que o depoente, na verdade, figura como investigado — condição que o desobriga de comparecer. Essa estratégia foi adotada por Vorcaro quando ele foi convocado.
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Morreu aos 81 anos Robert Mueller, ex-diretor do FBI e responsável por liderar a investigação sobre possíveis ligações entre a Rússia e a campanha presidencial de Donald Trump em 2016. A informação foi divulgada pela agência de notícias AP e confirmada pela família em comunicado neste sábado (21). “Com profunda tristeza compartilhamos a notícia de que Bob faleceu na noite de sexta-feira”, disse a família na nota, pedindo respeito à privacidade.
Mueller comandou o FBI por 12 anos, assumindo o cargo apenas uma semana antes dos ataques de 11 de setembro de 2001. Os atentados, que destruíram as torres do World Trade Center, em Nova York, e atingiram o Pentágono, perto de Washington, mudaram radicalmente as prioridades da agência, que passou a concentrar seus esforços no combate ao terrorismo. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisNomeado pelo então presidente George W. Bush, Mueller permaneceu no cargo durante governos de partidos diferentes e se tornou o segundo diretor mais longevo da história do FBI, atrás apenas de J. Edgar Hoover. Seu mandato terminou em 2013, após ele aceitar permanecer por mais dois anos a pedido do presidente Barack Obama.
Investigação sobre Trump e Rússia
Depois de deixar o comando da agência e passar um período na iniciativa privada, Mueller voltou ao serviço público em 2017, quando foi nomeado procurador especial pelo Departamento de Justiça para investigar a interferência russa na eleição presidencial de 2016. A investigação, que durou quase dois anos, examinou se integrantes da campanha de Trump haviam coordenado ações com o governo russo para influenciar o resultado do pleito.
Durante o processo, a equipe de Mueller apresentou acusações criminais contra seis pessoas ligadas a Trump, incluindo o ex-chefe de campanha e o primeiro assessor de segurança nacional do governo.
O relatório final, com 448 páginas e divulgado em abril de 2019, apontou diversos contatos entre integrantes da campanha de Donald Trump e autoridades russas, mas não concluiu que houve uma conspiração criminosa entre os dois lados.
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A prefeita de Casinhas, Juliana de Chaparral (União Brasil), assinou na manhã de ontem (20) a ordem de serviço para a construção da nova Escola Municipal Pedro Lourenço, no Sítio Catolé de Napoleão, na zona rural do município. A obra, orçada em mais de R$ 8 milhões e viabilizada por meio de convênio com o Governo de Pernambuco, substituirá a antiga unidade, construída há 48 anos.
A nova estrutura deve contar com salas climatizadas, refeitório, cozinha, parque infantil e quadra poliesportiva coberta. Durante o ato, a prefeita afirmou: “Será uma obra de mais de R$ 8 milhões, com salas organizadas, todas climatizadas, mobiliário novo e um espaço completo pensado para acolher melhor toda a comunidade. Com os equipamentos, esse investimento ultrapassa R$ 10 milhões”. Também estiveram presentes a secretária de Educação, Sandreane Domingues, demais secretários da gestão municipal, além do presidente da Câmara, Maciel Sales, vereadores da base aliada, lideranças locais, educadores, estudantes e moradores.
Por Estadão Conteúdo
Uma empresa aberta recentemente pelo filho do deputado federal e ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), recebeu pagamento de R$ 250 mil da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, pouco depois da constituição da empresa.
A transação foi considerada como “atípica” em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pelo Estadão. Um dos motivos do alerta do Coaf para esses pagamentos é que não envolvem fornecedores com atividade econômica compatível com a da J&F.
Leia maisProcurada, a assessoria de Lira afirmou que seu filho prestou serviços de publicidade e marketing e possui “diversos clientes corporativos”. A J&F Participações afirmou que todos os pagamentos que faz se referem “a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos”.
Os registros da Receita Federal apontam que a Archon S/A, pertencente a Arthur Cesar Pereira de Lira Filho, foi aberta em maio de 2025 com capital social de R$ 100 mil. O Coaf detectou que o pagamento de R$ 250 mil da J&F ocorreu entre fevereiro de 2025 e outubro de 2025, logo depois que a empresa foi aberta. O documento não cita uma data exata.
O relatório de inteligência financeira destaca que o filho do ex-presidente da Câmara possui apenas 26 anos e, segundo os dados do Coaf, tem residência registrada em Maceió. Mas a assessoria de Lira afirmou que ele já reside em Brasília há “quase dez anos”.
“Arthur Cesar Pereira de Lira Filho reside em Brasília há quase 10 anos e atua, há mais de 5 anos, no setor de publicidade e marketing, possuindo diversos clientes corporativos. Todos os pagamentos feitos a suas empresas são precedidos da emissão da respectiva nota fiscal e derivam de serviços regularmente prestados”, diz a nota.
Arthur Lira Filho tinha uma outra empresa do ramo de publicidade, que prospectou negócios em estatais durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele tinha aquela empresa em sociedade com outra pessoa e, no ano passado, abriu um novo CNPJ para ficar à frente dos negócios.
A principal atividade econômica da nova empresa dele é de “Correspondentes de instituições financeiras”, de acordo com o cadastro na Receita Federal. As atividades secundárias são amplas e vão desde consultoria em publicidade, marketing direto a representante do comércio de jornais e holding de instituições não-financeiras.
Lira tem relações antigas com integrantes do grupo empresarial J&F. Como mostrou o Estadão, ele chegou a vender gado a um executivo do grupo em leilão organizado no ano de 2022.
A J&F entrou na mira da CPI do INSS depois de ter feito pagamentos a uma empresa de consultoria que tem como sócio oculto o empresário Danilo Trento, apontado como um dos beneficiários das fraudes a aposentados.
A JBS, uma das empresas da holding dos Batistas, apareceu na CPI do Crime Organizado porque a comissão mirou movimentações do Banco Master e encontrou pagamentos de ambos a uma mesma empresa de consultoria.
O Estadão revelou outros pagamentos da J&F listados como atípicos pelo Coaf:
Leia a íntegra da nota do grupo J&F:
Todo pagamento realizado pela J&F Participações se refere a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos. Caso o relatório mencionado pela reportagem exista, configura um grave crime de quebra ilegal de sigilo bancário que as autoridades competentes têm o dever de investigar. A J&F mantém auditorias independentes que certificam e confirmam a governança e a retidão dos processos internos
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O ex-prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio, disse, há pouco, ao blog, que a homologação da federação progressista, formada pelo PP e União Brasil, tende a transformar o deputado Eduardo da Fonte, presidente da federação, num forte e disputado protagonista das eleições no Estado.
“Em se confirmando Dudu como dirigente da União progressista, este volta a ser uma peça fundamental no processo sucessório. Quem monta um exército como Dudu tem, com soldados espalhados nos quatro cantos de Pernambuco, não pode ser menosprezado, até porque guerra se ganha com exército e não com discurso”, afirmou.
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, anunciou ontem (20) que deixará o cargo para disputar a reeleição como deputada federal por São Paulo. Segundo a ministra, o último dia à frente da pasta deve ser 30 de março. Eloy Terena, secretário-executivo do ministério e número dois da pasta, deve assumir o cargo após a saída de Sônia.
Em entrevista, a ministra falou sobre sua gestão e sobre os desafios dos últimos três anos, como o enfrentamento com o movimento indígena. “Eu acho que [o legado] é a retomada da demarcação das terras indígenas, a desintrusão de invasores dos territórios, mas eu acho que, sobretudo, é trazer a pauta indígena para a centralidade do debate público, para a centralidade da política pública”. As informações são do portal g1.
Leia maisSônia afirmou ainda que, por vezes, não entendia a paralisação de demarcações, que tem como pano de fundo o impasse jurídico entre Supremo Tribunal Federal (STF) e Congresso. Enquanto os ministros do Supremo negaram por maioria o marco temporal, o Congresso aprovou a lei sobre o tema.
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) foi criado em janeiro de 2023, no começo do terceiro governo Lula (PT). O objetivo foi levar a questão indigenista ao primeiro escalão do Executivo, uma promessa do presidente, buscando garantir os direitos constitucionais de 1,7 milhão de pessoas e 305 etnias, assumindo a gestão direta de políticas de demarcação e a proteção de povos isolados.
Sônia destacou um avanço que considerou significativo nas políticas territoriais, com a homologação de 20 terras indígenas nos últimos três anos. O balanço supera o total da década anterior, que registrou 11 homologações.
Segundo o ministério, o cronograma de retomada teve início em 2023, com seis áreas oficializadas em abril daquele ano: Arara do Rio Amazônia (AC), Kariri Xocó (AL), Rio dos Índios (RS), Tremembé da Barra do Mandaú (CE), Uneiuxi (AM) e Ava Canoeiro (GO). Em setembro do mesmo ano, foram Rio Gregório (AC) e Acapuri de Cima (AM).
Em 2024, o ministério afirma que as ações contemplaram as TIs Cacique Fontoura (MT) e Aldeia Velha (BA) em abril, além de Potiguara de Monte-Mor (PA), Morros dos Cavalos (SC) e Toldo Imbu (SC) em dezembro.
Em 2025, o Ceará recebeu três novas áreas homologadas em agosto (Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas), durante a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. Em novembro, durante a COP 30, em Belém, houve a homologação de quatro territórios: Kaxuyana-Tunayana (PA/AM), Parecis (MT), Uirapuru (MT) e Manoki (MT).
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A prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado, assinou, ontem (20), a ordem de serviço para a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) no Residencial Vanete Almeida. O equipamento vai garantir o acesso à atenção básica para as 902 famílias que vivem na localidade. “O Residencial Vanete Almeida vai ter, sim, uma Unidade Básica de Saúde para cuidar de perto das nossas famílias. E ontem demos mais um passo importante: assinamos a ordem de serviço para essa conquista”, afirmou a prefeita.
A obra contará com investimento total de R$ 1,9 milhão de reais, sendo R$ 1,8 milhão oriundo de recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A unidade será classificada como Porte 1, com área construída de 389,78m², ampliando a estrutura da rede municipal e garantindo mais proximidade no atendimento à população.
“Com essa nova unidade, vamos fortalecer ainda mais a atenção primária no município, levando um serviço essencial para mais perto das pessoas e garantindo melhores condições de atendimento para a população”, destacou a secretária municipal de Saúde, Lisbeth Rosa.
Por Malu Gaspar
Do jornal O Globo
Depois da internação de Jair Bolsonaro para tratar de uma broncopneumonia que o levou para a UTI, aliados de Alexandre de Moraes acreditam ter convencido o ministro, relator do processo da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), a enviar o ex-presidente para a prisão domiciliar. Moraes vinha resistindo a considerar os problemas de saúde um motivo para enviar Bolsonaro para casa, mas aliados relatam ter encontrado um argumento que ele estaria propenso a aceitar: o de que a situação de Bolsonaro mudou radicalmente desde que negou o primeiro pedido, em novembro.
Isso porque, de acordo com os médicos de Bolsonaro e o relatório enviado pelo Hospital DF Star ao ministro, a saúde do ex-presidente piorou muito, a ponto de ele ter chegado ao hospital em estado grave e passado por uma “injúria renal aguda”. Segundo a equipe da coluna apurou, foram usadas três classes diferentes de antibióticos até conseguir debelar a infecção, e ainda será necessário esperar até o dia 27 para que ele tenha alta, apesar de seu estado de saúde agora estar estável.
Leia maisDe acordo com seus próprios médicos, Bolsonaro precisa de acompanhamento 24 horas para evitar uma nova broncoaspiração como a que levou à internação.
Todos esses detalhes ajudaram a compor a linha de raciocínio que deve ser incorporada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na resposta ao pedido de manifestação feito por Moraes nesta sexta-feira, depois que a defesa pediu que ele reconsiderasse a decisão de manter Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo da Papuda e conhecido como “Papudinha”.
Em novembro, ainda antes do início do cumprimento da pena, o ex-presidente foi detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, quando tentou romper com uma solda a tornozeleira eletrônica que usava em casa. Desde então, ele foi condenado e enviado para a Papudinha, prisão do Distrito Federal. Apesar de já ter passado mal algumas vezes depois disso, Moraes sempre rejeitou enviá-lo para casa, alegando perigo de fuga.
Na última terça-feira (17), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado do ex-presidente, Paulo Amador Bueno, tiveram uma audiência com Moraes em que apresentaram um pedido de reconsideração das decisões anteriores. A ex-primeira-dama, Michelle, também fez o mesmo pedido quando esteve pessoalmente com Moraes no início do ano, quando o ex-presidente se recuperava de uma queda na cela da PF.
Apesar de não ter nenhuma vontade de atender ao pleito dos advogados, Moraes recebeu vários apelos de outros ministros do Supremo e até de interlocutores de Lula, preocupados com o risco de Bolsonaro morrer na cadeia, o que impulsionaria a candidatura presidencial de Flávio.
Diante de todos esses apelos, Moraes parece mais disposto a atender ao pedido — desde que não fique patente que ele cedeu, mas sim que a reconsideração se deve a uma mudança drástica no cenário que se tinha até então.
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Por Leonardo Sakamoto
Do UOL
Há momentos em que um debate público revela mais sobre a estrutura de poder de um país do que sobre o tema que está sendo discutido. O embate em torno do fim da escala 6×1 virou um desses espelhos. Em poucas semanas, a pauta se transformou na principal queda de braço política e econômica do primeiro semestre de 2026. De um lado, milhões de trabalhadores que querem simplesmente ter dois dias seguidos de descanso. Do outro, uma engrenagem poderosa tentando convencer o país de que isso seria quase uma ameaça à civilização.
O governo percebeu que havia capital eleitoral nesse movimento e decidiu entrar de vez no jogo, pressionando publicamente o Congresso Nacional pelo ritmo lento na tramitação da pauta. Como o Legislativo empurra as PECs com a barriga, o Planalto deve recorrer a um projeto de lei em regime de urgência. Isso obrigaria a Câmara a votar a matéria em até 45 dias, expondo a posição de cada deputado antes das eleições.
Leia maisLobistas do setor empresarial vêm a público reclamar que o assunto é sério demais para ser tratado em ano eleitoral. Ironicamente, é exatamente o contrário. Essa é a razão pela qual a proposta precisa ser votada em ano eleitoral. No Brasil, a vontade da população costuma ser respeitada apenas quando existe o risco de não reeleição de seus representantes.
Se a política se move por cálculo, a sociedade já deixou claro o que pensa. Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada aponta que, do fim do ano para cá, o apoio ao fim da escala 6×1 cresceu de 64% para 71%. Entre jovens de 16 a 24 anos, chega a 83%. O tema atravessou fronteiras ideológicas e derrubou a polarização. Entre eleitores de Jair Bolsonaro (55%) e evangélicos (67%), a maioria se mostra favorável à mudança.
Ou seja, apesar de a pauta ter sido sendo pautada pelo campo progressista, tendo à frente nomes como o do vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ) e da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), não se trata de uma demanda de esquerda ou de direita. Trata-se de uma exigência de quem trabalha.
Ao mesmo tempo, a proposta que ganha força no debate é bem menos radical do que seus críticos tentam fazer parecer. O foco agora está em uma transição para a jornada de 40 horas semanais com escala 5×2, sem redução salarial e com prazo de adaptação. Nada de revoluções produtivas instantâneas. Trata-se apenas de aproximar o Brasil de um padrão de descanso que já é comum em vários lugares do mundo e que milhões de trabalhadores brasileiros consideram o mínimo necessário para ter alguma qualidade de vida.
Esse apoio massivo ajuda a explicar a reação do setor empresarial nas últimas semanas. Entidades patronais ligadas ao comércio, serviços e indústria intensificaram uma ofensiva pública contra a mudança. Estudos encomendados por organizações do setor passaram a circular com previsões de queda no PIB, aumento da informalidade, expansão do chamado “duplo emprego”, chuva de rãs, ataques de gafanhotos, morte dos primogênitos. O roteiro é conhecido desde a Primeira Revolução Industrial: sempre que se discute garantir direitos trabalhistas, alguém aparece dizendo que o país vai quebrar.
Executivos do varejo entraram no coro. Lideranças empresariais passaram a afirmar que a medida poderia provocar prejuízos e que trabalhadores acabariam recebendo menos. A mensagem implícita é que o Brasil não poderia “evoluir trabalhando menos dias”. Melhorar a produtividade? Fez xibiu. Ninguém sabe, ninguém viu. Assim, a única forma possível de crescimento econômico passa a ser manter milhões de pessoas presas a jornadas que deixam pouco espaço para descanso, família ou vida pessoal.
Mas o lobby empresarial não atua sozinho. Ele conta com um grupo barulhento que aparece nas redes sociais e na imprensa repetindo esses argumentos como se fossem evidências incontestáveis. São os que gosto de chamar de Guerreiros do Capital Alheio. Gente que não é dona de empresa, não decide investimento e não lucra com dividendos, mas se dedica a convencer a classe trabalhadora de que sua felicidade depende diretamente da prosperidade do patrão.
Os Guerreiros do Capital Alheio têm uma missão curiosa: explicar para quem trabalha seis dias por semana que descansar mais seria ruim para ele mesmo. Em outras palavras, tentam convencer quem está na base da pirâmide de que questionar a lógica atual seria uma espécie de ingratidão econômica.
O problema é que essa narrativa começa a perder força quando confrontada com a vida real. Quem vive a escala 6×1 sabe o que ela significa: trabalhar quase a semana inteira para descansar apenas um dia, frequentemente usado para resolver tarefas acumuladas ou simplesmente se recuperar do cansaço. Não se trata de preguiça, como alguns insinuam. Trata-se de saúde física, mental e de dignidade.
O que está em jogo agora é uma corrida contra o tempo. O governo tenta transformar o apoio popular em pressão institucional para que a mudança avance ainda neste semestre. O lobby empresarial, por sua vez, aposta na velha estratégia de produzir pânico econômico para esfriar o debate ou empurrar qualquer mudança para um futuro distante.
Tudo isso revela algo importante: neste momento, parece que o país está dividido apenas entre esquerda e direita, mas, não raro, isso esconde outra diferença de interesses. De um lado, a classe trabalhadora, do outro, os donos do dinheiro — e seus assessores e vassalos. Parte da ultrapolarização política, aliás, vem sendo alimentada justamente por quem não quer que o debate mais importante aconteça: como garantir dignidade a quem, de fato, gera riqueza neste país.
Porque, no fim das contas, a pergunta que fica é simples: se uma sociedade não consegue garantir dois dias de descanso para quem trabalha, exatamente quem está servindo a quem nessa história?
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O secretário de Articulação Política de Caruaru e pré-candidato a deputado estadual, Anderson Luiz, oficializou, ontem (20), sua filiação ao Partido Social Democrático (PSD), em evento realizado no Maria José Recepções, no bairro Indianópolis, em Caruaru. O ato reuniu diversas lideranças políticas de Pernambuco, como a governadora Raquel Lyra, o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, a vice-prefeita Dayse Silva, os deputados federais Fernando Monteiro e Mendonça Filho, o presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, o presidente estadual do PSDB, Rubens Júnior, além de vereadores, lideranças locais e apoiadores.
Durante o evento, Anderson Luiz destacou sua trajetória e o compromisso com a população de Caruaru e de Pernambuco, afirmando que chega ao PSD para somar forças a um grupo político que tem entregas concretas no estado. Ele reforçou a confiança no trabalho liderado pela governadora Raquel Lyra e pelo prefeito Rodrigo Pinheiro, além de destacar sua caminhada construída ao lado da população. Anderson também reafirmou o compromisso de representar Caruaru e Pernambuco na Assembleia Legislativa, defendendo um projeto baseado em trabalho, resultados e proximidade com o povo.
O prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, ressaltou a chegada de Anderson ao PSD. “A chegada de Anderson ao nosso partido fortalece esse time que vem trabalhando por Pernambuco. Caruaru vive um momento de crescimento, com investimentos importantes e ações em diversas áreas. Isso mostra que estamos no caminho certo, com trabalho e parcerias que fazem a diferença”, disse. A governadora Raquel Lyra também celebrou a filiação de Anderson Luiz. “Recebemos Anderson de braços abertos. Ele é um jovem que trabalha todos os dias por Caruaru e chega para fortalecer um time que tem compromisso com o povo”, afirmou.
