











Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
Houve um tempo, nem tão distante, em que os ícones da esquerda latino-americana eram conhecidos por suas atitudes e princípios morais. Essa foi sua marca registrada durante décadas. Pepe Mujica andando de Fusca e recusando o palácio presidencial para seguir vivendo numa chácara nos arredores de Montevidéu. A coragem do prêmio Nobel Adolfo Pérez Esquivel em defender os direitos humanos quando a Argentina vivia sob o jugo da sangrenta ditadura de Videla.
O poeta Pablo Neruda, outro prêmio Nobel, foi candidato a presidente do Chile em 1969. Salvador Allende, eleito naquele pleito e deposto por um golpe militar, morreu com a Constituição debaixo do braço e um Kalashnikov na mão dentro do palácio bombardeado. Muito antes, veio Jorge Eliécer Gaitán, cujo assassinato, em 1948, incendiou Bogotá. Para milhões de colombianos pobres, ele era uma promessa da política sem os vícios da oligarquia. Essa esquerda vendia um ativo moral valioso: a ideia de que a honestidade era essencial ao projeto de poder.
Leia maisEstamos assistindo ao enterro desse ativo. Nos últimos meses, quase simultaneamente, governantes da esquerda latino-americana deixaram o poder carregando processos, prisões e escândalos que, em conjunto, formam um quadro, no mínimo, deplorável. É como se a esquerda tivesse perdido a bússola.
Gustavo Petro encerra o mandato colombiano durante investigação do Ministério Público sobre a rede de tráfico de influência liderada por Juliana Guerrero, linda e sexy aliada de 23 anos. O próprio Petro a apresentou durante reunião de governo como futura vice-ministra da Juventude. Juliana, que Andrea Petro, filha do ex-presidente, trata como uma espécie de sugar baby, virou uma usina de encrencas. Não pôde ser nomeada vice-ministra, porque apresentou diploma falso, mas mesmo assim continuou sendo a querida do velho Gustavão.
Ele mantinha affair simultâneo com a influencer Gabriela Muñoz, 20 anos, do mesmo naipe de Juliana, acusada de tráfico de influência na Aerocivil, a Anac colombiana. Petro sairá da Casa de Nariño para a decrepitude. Até o candidato Ivan Cepeda, por ele apoiado na eleição presidencial, reconheceu publicamente nas redes sociais o enrosco do ex-presidente.
Cristina Kirchner cumpre prisão domiciliar, condenada em última instância pela Justiça argentina no caso Vialidad, depois de mais de uma década sendo protegida por foros, prescrições e adiamentos que sua militância transformou em narrativa de perseguição judicial.
O boliviano Evo Morales, processado por manter relação com adolescente de 14 anos, por ele engravidada quando ainda era presidente, foi premiado com mandado de prisão na quarta-feira (29). É acusado de terrorismo e insurreição armada, depois de liderar bloqueios de estradas paralisando o país por quase dois meses, com único objetivo de derrubar o presidente Rodrigo Paz. Está foragido.
No Peru, Pedro Castillo segue preso, condenado por tentar fechar o Congresso e governar por decreto, partindo para o chamado golpe de Estado de manual, depois de assumir prometendo romper com “a velha política”.
No Chile, Gabriel Boric encerrou o mandato em março debaixo de críticas de quem o ajudou a se eleger. Sindicalistas, ambientalistas, o movimento mapuche e feministas o acusam de ter administrado o Estado sem cumprir promessas de ruptura que fizeram dele, em 2022, o rosto da nova esquerda latino-americana. O escândalo envolvendo seu ex-subsecretário do Interior, Manuel Monsalve, preso por abuso sexual, e as acusações que o presidente enfrentou de desvios de verbas envolvendo ONGs, mostram não só desgaste, mas decadência.
Mas isso não nos dá o direito de dizer que a esquerda se tornou igual à direita que combateu nos anos 1960 e 1970. As ditaduras de direita daquele período praticaram terrorismo de Estado, sumiço e extermínio de opositores. Eram governos exercidos unicamente pela força.
Confundir corrupção administrativa, nepotismo político ou mesmo tentativas de golpe com o aparato de morte de Pinochet, Videla ou Banzer é uma simplificação que mais serve às narrativas das redes sociais do que à História. Tudo considerado, a distinção não absolve. Só dribla o erro de medir tudo pela mesma régua.
O que de fato parece estar em curso é outra coisa, talvez mais banal e, por isso, preocupante: o esgotamento do capital moral que sustentou a esquerda latino-americana desde os tempos dos anarquistas no fim do século 19 e início do 20. Salvador Allende, Gaitán ou Esquivel operavam em contextos de escassez de poder, quando a esquerda era essencialmente oposição perseguida, e honestidade pessoal, condição de sobrevivência política. A geração de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Miguel Díaz-Canel, Daniel Ortega, Petro, os Kirchner ou Evo Morales, administrou Estados por anos ou décadas, e o poder prolongado, como costume, criou clientelismo, dependência de operadores de conveniência e convicção de que os fins justificam os meios.
Num delírio, Petro virou sugar daddy da influencer de 20 anos e da assessora sexy de 23 anos, dona de diploma falso. Enquanto Morales, depois de engravidar a menina de 14 anos, fez dos movimentos sociais genuínos arma para retomar o poder. Cristina Kirchner usou e abusou do poder e acabou condenada. Cada um com seu pecado, todos são variações do mesmo padrão de escolha do caminho oposto ao dos fundamentos de Mujica, Allende, Neruda ou Esquivel.
A esquerda do passado produziu intelectuais, poetas, advogados de direitos humanos, políticos acima de qualquer suspeita e até mártires. A atual produz operadores. Os escândalos de 2026 estão recheados de assessoras de conduta duvidosa, esquemas de tráfico de influência, desvios de dinheiro e prisões preventivas.
Nada disso significa que a direita latino-americana herdará automaticamente a autoridade moral que a esquerda perdeu. Historicamente, ela também produziu seus próprios escândalos e cumplicidades. Por isso, nunca é demais lembrar da sabedoria de Pepe Mujica ao analisar a crise da velha esquerda em pleno século 21:
“A esquerda errou, permaneceu estagnada no tempo e presa na literatura de uma época em um mundo que mudou. Esquerda é empatia, é solidariedade e é preocupação com a desigualdade. É sonhar com o mundo um pouco mais justo e com a humanidade mais nobre. É o que a esquerda tem de mais bonito”. A essência daquele sonho perdido.
Leia menos
Por Tarsila Castro
Do Blog da Folha
A Federação Renovação Solidária, composta pelo Solidariedade e pelo PRD, realiza convenção partidária neste sábado (1º) com a presença do pré-candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB). O ato político formaliza o apoio da federação à candidatura do ex-prefeito do Recife.
Recentemente, a federação anunciou que retornou à Frente Popular de Pernambuco, deixando de apoiar a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD).
A decisão foi anunciada após uma reunião entre João Campos e o presidente estadual do Solidariedade, Edinazio Silva e também contou com o apoio do prefeito de São Caetano e presidente estadual do PRD, Josafá Almeida.
Por Gastão Cerquinha Neto*
Enquanto alguns tentam negar as consequências das mudanças climáticas, muitos já sofrem seus efeitos, evidenciando que seus impactos atingem as populações de maneiras distintas e que a condição de pobreza é um dos principais fatores que determinam essa vulnerabilidade. O acesso à saúde, à moradia em áreas protegidas, ao ar-condicionado, ao abastecimento de água e à alimentação não chega a todos. Vivemos em um mundo de extremos climáticos e precisamos de soluções urgentes.
Estima-se que pelo menos 5 milhões de pessoas vivam em áreas de risco de deslizamentos ou inundações no Brasil. O número de pessoas em risco é bem maior quando incluímos impactos de ondas de calor, secas e incêndios florestais. Neste momento, o Rio Grande do Sul ainda se recupera da 2ª onda de cheias em menos de 15 dias nas bacias dos rios Jacuí, Taquari-Antas, Caí e Sinos, inundando diversas cidades pelo caminho, com previsão de mais uma enchente no início da próxima semana.
Leia maisA população de Goiana, em Pernambuco, foi atingida duas vezes por inundações no mesmo período chuvoso este ano. A primeira em 1º de maio e a segunda em 28 de junho. As cidades da Zona da Mata Norte, como Vicência, Timbaúba e Nazaré da Mata, são obrigadas a todos os anos conviverem com as inundações e agora com mais frequência.
Calor na Europa
Na Inglaterra, a agência ambiental declarou estado de seca em mais da metade do país, devido ao clima quente e seco que está afetando os recursos hídricos, momento em que se preveem restrições no abastecimento. As paisagens, que se assemelham às savanas africanas, e os barcos sobre o leito dos rios secos assustam e dão a dimensão dos efeitos. Mais de 20 milhões de pessoas já estão sujeitas a restrições ao uso de água.
Países como França e Itália enfrentam temperaturas que superam 10 °C acima da média para o período. Na Alemanha, quase 10 mil pessoas já morreram devido a complicações relacionadas ao calor excessivo. A Europa é o continente que mais aquece no planeta, de acordo com o Instituto Copernicus, órgão de monitoramento climático da União Europeia. Os dados têm mostrado que o continente registra taxas de aquecimento quase duas vezes superiores à média global. Enquanto o mundo aqueceu, em média, 1,4 °C em relação ao período pré-industrial, na Europa, o aquecimento médio chegou a 2,5 °C.
Enquanto as temperaturas batem recordes, países tentam recorrer a técnicas tradicionais para amenizar o calor. Assim como ocorre na Grécia, conhecida por sua arquitetura de cor branca, a França passou a pintar telhados e até as ruas de branco com tinta à base de cal. Se antes o preto do asfalto retinha o calor até derreter o piche, agora a estratégia consegue reduzir em até 5 °C a temperatura das superfícies.
Ações no Brasil
Já está terminando o prazo para que os estados e municípios apresentem ao governo federal suas prioridades e planos para o enfrentamento dos efeitos do El Niño. A ideia é distribuir as responsabilidades com quem atua diretamente com a população, atendendo as necessidades básicas.
Esta semana, durante reunião ministerial, o governo anunciou a liberação de R$ 1,3 bilhão do orçamento, especificamente para combater os efeitos do El Niño. A preocupação maior do governo são os impactos para a produção agrícola, prevista para ser afetada por secas e incêndios nos próximos meses. Além de outras ações, está prevista a aquisição de 390 mil toneladas de arroz e milho para recomposição dos estoques públicos nacionais, e a distribuição de 350 mil cestas básicas a povos indígenas, comunidades quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais.
De acordo com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, a situação do abastecimento de água no Nordeste está mais tranquila para os riscos de escassez. Devido às últimas chuvas na região, principalmente na bacia do rio São Francisco, os reservatórios conseguiram restabelecer um volume equivalente de 74,8%, superior aos últimos dois anos. Com essa condição, aliada à capacidade de distribuição dos sistemas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), espera-se atender as necessidades de abastecimento nos quatro estados beneficiados.
Cidades-esponja
Com destaque na China a partir da década de 2010, as cidades-esponja são uma solução de planejamento urbano projetada para lidar com os desafios relacionados à água, funcionando como um sistema de drenagem que absorve, armazena e purifica a água da chuva de forma natural. O conceito combina o conhecimento tradicional milenar de agricultores com novas tecnologias ocidentais de infraestrutura verde.
O governo da China criou um programa centrado nessa ideia, lançado no final de 2014, dois anos após grandes inundações devastarem Pequim. Em vez de afastar a água com canais de concreto, essas cidades buscam imitar a natureza e incorporar soluções naturais na infraestrutura urbana. A implementação desse modelo traz benefícios climáticos diretos, pois ajuda a mitigar os impactos das ilhas de calor urbanas, auxiliando na redução das temperaturas por meio de elementos como telhados verdes, que diminuem o calor e melhoram a eficiência energética dos imóveis.
Na proteção contra inundações, essa abordagem atua em três frentes: retém a água próxima ao local onde a chuva cai com jardins de chuva e pavimentos permeáveis, reduz a velocidade do escoamento nas encostas por meio de biovaletas e vegetação e cria espaços para acomodar temporariamente a água nas áreas mais baixas e de várzea. Com isso, rompe com o paradigma de conduzir a água rapidamente para jusante, reduzindo a formação de enxurradas e a transferência das inundações para outras regiões. Para ampliar sua aplicação no Brasil, especialistas defendem um modelo híbrido que combine infraestrutura verde e cinza, adaptado às características das cidades, com intervenções descentralizadas, aproveitando espaços já existentes, como canteiros, praças e estacionamentos. Dessa forma, é possível aumentar a resiliência urbana e reduzir os impactos das mudanças climáticas.

*Engenheiro civil, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é tecnologista do Cemaden (MCTI) em São José dos Campos (SP).
Leia menos
Escolhido pela governadora Raquel Lyra (PSD) para disputar uma vaga no Senado na chapa governista, o presidente da Federação União Progressista e deputado federal Eduardo da Fonte (PP) publicou, há pouco, nas redes sociais, imagens em que aparece com a bandeira de Pernambuco sobre os ombros, acompanhadas de trechos do frevo “Madeira que Cupim Não Rói”. Na legenda da publicação, o parlamentar escreveu: “A tradição continua viva, a cultura segue forte e o orgulho de ser pernambucano permanece de pé”.
A definição do nome de Eduardo da Fonte ocorre após meses de disputa interna pela indicação ao Senado com o presidente do União Brasil e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Na manhã deste sábado, Miguel anunciou, em vídeo divulgado nas redes sociais, a retirada de sua pré-candidatura ao Senado. A decisão foi tomada após uma reunião com Raquel Lyra, realizada na noite de ontem e concluída na madrugada deste sábado.
Cumpri meus 8 km da corridinha diária, hoje, no maravilhoso Parque Ecológico do Tietê, área de proteção ambiental de 14 milhões de metros quadrados na Zona Leste de São Paulo e Guarulhos.
Inaugurado em 1982 e projetado por Ruy Ohtake, o local protege a várzea do rio e oferece lazer, esportes e contato direto com a natureza. Muito legal correr entre animais que vivem no parque.
Há uma grande profusão de quatis, que cercam as trilhas e constantemente as invadem. Há anu-pretos, biguás, gavião carcarás, chupins, sabiá-pocas, irerês, abelhas, borboletas brancas, teiús e capivaras.
A montagem da chapa governista para o Senado terminou com uma derrota política explícita para a governadora Raquel Lyra (PSD). Depois de meses bancando publicamente a candidatura de Miguel Coelho (União Brasil), ela foi obrigada a abandonar sua própria estratégia e aceitar a indicação de Eduardo da Fonte (PP), que fez prevalecer sua vontade na principal decisão política da aliança governista. O desfecho fortalece o deputado federal, expõe a fragilidade da liderança de Raquel sobre sua base e deixa Miguel fora da chapa após ter sido incentivado pela própria governadora a permanecer na disputa.
Mais do que uma disputa por uma vaga ao Senado, o episódio se transformou em uma demonstração de força dentro da base governista. Ao final das negociações, prevaleceu a posição de Eduardo da Fonte, enquanto Raquel assistiu ruir a composição que vinha defendendo desde o início das conversas. Na prática, a governadora terminou cedendo à correlação de forças da federação União Progressista.
Leia maisPara Miguel Coelho, o desfecho foi o encerramento de uma candidatura que a própria governadora estimulou durante meses. Ao anunciar sua desistência, afirmou que a decisão ocorreu por “questões de forças maiores”. Nos bastidores, a versão predominante é que a garantia de espaço partidário para os deputados Fernando Filho e Antônio Coelho pesou para que o grupo aceitasse retirar sua candidatura, evitando um confronto maior.
O episódio também reabre uma ferida antiga na relação entre Raquel Lyra e o grupo dos Coelho. Em recente almoço que já sinalizava um possível rompimento político entre ambos, Fernando Bezerra Coelho Filho teria classificado a então aliada como “traidora”. Agora, após incentivar Miguel a permanecer na disputa e não conseguir sustentá-lo até o fim, aliados do ex-prefeito voltam a associar o desfecho ao histórico de rompimentos da governadora.
No balanço final, Eduardo da Fonte sai da negociação como o principal vencedor. Demonstrou força suficiente para impor sua estratégia à chefe do Executivo estadual e consolidou sua posição dentro da coalizão governista. Raquel Lyra, por sua vez, inicia a campanha carregando o desgaste de uma articulação em que sua vontade não prevaleceu justamente na definição mais importante de sua chapa majoritária.
Leia menos
Por Anthony Santana, Felipe Nascimento e Maysa Sena
Do Blog da Folha
O fim de semana promete dar a largada para a corrida às urnas em Pernambuco. Neste domingo (2), a governadora Raquel Lyra (PSD) irá reunir aliados para confirmar seu projeto de reeleição. Será no Parador, no Bairro do Recife, a partir das 9h. Neste sábado (1º), a Frente Popular deve confirmar a candidatura ao governo do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), em ato político no Clube Internacional, no horário simbólico de 13h40 — em referência à aliança dos socialistas com o PT.
Outras convenções também estão previstas para este fim de semana. Neste sábado, a Federação PRD/Solidariedade e os partidos Progressistas e União Brasil farão seus atos políticos. Amanhã, será a vez da Federação Rede/Psol formalizar a candidatura ao governo do ex-vereador Ivan Moraes (Psol), com a advogada Alice Gabino (Rede) e o pré-candidato ao Senado Paulo Rubem Santiago (Psol). O calendário de convenções só se encerra na quarta-feira (5), quando a Federação União Progressista realiza sua convenção, considerada decisiva para que Raquel Lyra conclua a montagem da própria chapa.
Leia maisLargada
Para quem não acompanha de perto a rotina dos partidos, vale entender o que está em jogo: a convenção é o momento em que uma articulação de bastidores que pode levar meses se transforma em decisão oficial. “É quando se confirma oficialmente quem serão os candidatos”, explica a cientista política Priscila Lapa. Até o momento, os partidos só podem tratar seus postulantes como pré-candidatos. Com a homologação das convenções, passam a existir oficialmente as candidaturas, permitindo, entre outras medidas, a abertura de contas específicas e o recebimento de recursos do fundo eleitoral. O cientista político Alex Ribeiro reforça a leitura: a convenção “marca a passagem das articulações políticas para as definições oficiais”.
Cenários
Embora liderem as principais pré-candidaturas ao Palácio do Campo das Princesas, João Campos e Raquel Lyra chegam às convenções em momentos bem diferentes da formação da sua base aliada. Na convenção do PSB, João terá homologada uma chapa majoritária já consolidada e que percorre com ele o estado desde o lançamento do seu projeto político em março. O empresário Carlos Costa (Republicanos) será confirmado como candidato a vice-governador, o senador Humberto Costa (PT) disputará a reeleição e a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) ocupará a segunda vaga ao Senado. A composição foi fechada após negociações entre os partidos da Frente Popular e permitiu ao pré-candidato iniciar o período das convenções sem pendências internas.
Além disso, a convenção formada por Solidariedade e PRD deve confirmar neste sábado a aliança com João Campos, após deixar a base da governadora Raquel Lyra. A sigla promove seu ato político com presença confirmada do ex-prefeito do Recife.
Ao lado da governadora na chapa, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) deve repetir a parceria firmada pelas gestoras desde o pleito de 2022. No material de campanha divulgado nas redes sociais da gestora, as duas líderes políticas são o destaque.
Senado
Com a retirada da candidatura de Miguel Coelho (União Brasil) da disputa ao Senado, às vésperas da convenção que oficializa a candidatura de Raquel Lyra, finamente se encerra a novela pela vaga ao Senado.
É justamente esse tipo de impasse, levado até o limite do calendário eleitoral, que costuma acender um alerta entre analistas políticos. Deixar a convenção para o último dia pode ser também estratégia. “Esticar a corda até o fim, primeiro, cria todo um clima, toda uma expectativa. Isso é muito utilizado como estratégia de comunicação […] Quem sai por último faz ali aquele desfecho e não deixa que o adversário crie um evento politicamente mais relevante”, avalia Priscila Lapa. Segundo ela, adiar a decisão também mantém possíveis dissidentes “reféns” do grupo político, já que não sobra tempo hábil para migrarem para outra legenda antes do fim do prazo.
Alex Ribeiro segue linha semelhante ao analisar a convenção da Federação União Progressista, marcada para o encerramento do calendário das convenções. Na avaliação do especialista, a data isolada não indica necessariamente desorganização interna.
“Adiar a decisão pode servir para prolongar negociações, acompanhar movimentos dos adversários e fechar questões como alianças, composição da chapa e candidaturas ao Senado. Porém, quando as divergências permanecem até o limite do prazo, isso pode revelar dificuldades internas. Portanto, a leitura política depende menos da data e mais das circunstâncias que levaram o partido a decidir no último momento”, pondera.
Já sobre quem, de fato, decide os nomes dentro de uma convenção, Priscila Lapa é direta: a decisão raramente passa pelo voto dos filiados. “Em geral, no Brasil, a regra é que a cúpula decide, o restante do partido apenas segue […] De fato, decisões mais colegiadas, mais democráticas assim são a exceção”, afirma, ajudando a explicar por que negociações como a do PSD em torno da vaga ao Senado se resolvem nos bastidores, entre líderes, e não em votação aberta de bases partidárias.
Expectativa
Enquanto especialistas analisam o significado político das convenções, os pré-candidatos tratam os atos como o início de uma nova fase da campanha e apostam em mobilizações para demonstrar força política. Em agenda pública no fim de semana passado, no Sertão, Raquel Lyra descreveu a expectativa para a convenção que a confirmará como candidata à reeleição.
“Tenho 47 anos e, desde os 30, estou em mandatos eletivos. Nesse momento, dá um frio na barriga danado. É meio como se fosse um momento de Ano Novo, onde a gente para pra refletir sobre tudo o que fez, o que nos trouxe até aqui e o que nos move daqui em diante”, afirmou a governadora de Pernambuco.
Antes do ato político, a gestora buscou dar visibilidade às ações do seu governo com vistorias nas regiões do Agreste, Sertão e Mata Sul que somam investimentos na ordem de R$ 484,6 milhões. Na véspera do fim de semana de convenções, ela buscou dar visibilidade ao roteiro. “Estamos visitando muitas cidades em todas as regiões do nosso estado, acompanhando obras, fiscalizando o andamento, colocando recursos para que nosso governo possa fazer as inaugurações que entregam o melhor serviço para a população”, destacou.
Já João Campos projeta um ato de grande porte no Clube Internacional e destacou a parceria com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. “A gente conversou bastante […] ele me ligou para dizer que estava muito feliz, que estava animado. […] Convidamos todo mundo para este grande momento, onde faremos uma bonita festa e iniciaremos uma nova etapa com muita energia e sentimento positivo”, afirmou o pré-candidato pela oposição.
Ao anunciar o encontro, João Campos ressaltou a construção do arco de alianças que reúne, além do PSB, legendas como Republicanos, MDB e as Federações Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e PRD/Solidariedade. “Tenho certeza de que esse movimento se materializará nas urnas, garantindo uma eleição vitoriosa para o governo do estado, para o Senado e para a presidência.”
Nos últimos dias, João Campos intensificou suas postagens nas redes sociais para convocar aliados. “Será o momento de reafirmar a força do povo pernambucano, consolidar o time de Lula e mostrar que o futuro de Pernambuco será construído com coragem, trabalho e união”, destacou João Campos.
Federação
Além das duas principais chapas na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas, as convenções deste fim de semana oficializam as candidaturas das demais forças políticas. Pré-candidato da Federação Rede/PSOL, em aliança com o PCB, Ivan Moraes apresenta sua trajetória fora dos partidos tradicionais como principal diferencial da candidatura.
Segundo ele, a convenção “é um momento importante para juntar nossa turma e apresentar a Pernambuco alternativas”. “Estou há mais de duas décadas atuando ao lado das organizações sociais e coletivos populares, mesmo antes de resolver meter o pé na porta da política. Eu conheço a vida real das pessoas porque essa é a minha vida”, afirmou.
Leia menos
Às vésperas da convenção que oficializará a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) anunciou, na manhã deste sábado (1º), que retirou sua pré-candidatura ao Senado. Em vídeo publicado há pouco nas redes sociais após uma reunião com a governadora, ele afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo para evitar desgastes à chapa governista e reforçou apoio ao projeto de reeleição de Raquel.
“Sempre defendi que o projeto prioritário é o projeto de eleição de Raquel e de Priscila. Independentemente de quem fossem os candidatos escolhidos, a gente estaria ao lado dela”, afirmou. Segundo Miguel, os dois concluíram que era o momento de retirar a candidatura ao Senado para não colocar o projeto político “em risco”.
“Não era o desfecho que eu queria, vocês sabem. Mas, de novo, não é sobre o eu. É sobre um projeto maior, um projeto para o bem de Pernambuco”, disse.
Apesar da desistência, Miguel afirmou que seguirá atuando politicamente ao lado da governadora. “O Galeguinho continua aqui, de cabeça erguida, firme, continuando o propósito de trabalhar por Pernambuco.”
Por André Gustavo Vieira*
Ao me deparar com uma publicação que tenta atribuir ao empresário e presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, o papel de alguém que teria qualificado ou desqualificado pessoas, considero necessário fazer um registro. Tal narrativa não encontra qualquer respaldo na realidade. É completamente descontextualizada e, para dizer o mínimo, absurda.
Eduardo Monteiro construiu, ao longo de sua trajetória, uma reputação baseada no respeito às pessoas, no diálogo e na correção de conduta. Quem o conhece sabe que ele trata todos com a mesma consideração, independentemente de posições políticas, econômicas ou pessoais. Seu maior patrimônio é justamente o respeito que conquistou de diferentes setores da sociedade pernambucana.
Leia maisTrata-se de um empresário de conduta irrepreensível, que sempre pautou sua atuação pela responsabilidade e pelo compromisso. Mesmo estando à frente de um dos mais importantes e respeitados grupos de comunicação do Estado, jamais utilizou esse espaço para promover perseguições pessoais, desqualificar quem quer que seja ou impor interesses particulares.
Como qualquer cidadão, Eduardo Monteiro tem suas convicções e preferências pessoais, direito legítimo, que pertence ao âmbito privado e merece ser respeitado. Outra coisa, completamente diferente, é tentar transformar essas preferências em uma narrativa de favorecimentos, perseguições ou interferências que simplesmente nunca existiram.
Por isso, causa estranheza, constrangimento e indignação ver pessoas tentando construir versões artificiais dos fatos para sustentar acusações sem fundamento. A verdade é que Eduardo Monteiro sempre exerceu sua atividade empresarial e sua responsabilidade à frente do Grupo EQM com equilíbrio, seriedade e respeito às instituições e às pessoas.
Eduardo Monteiro merece o respeito que conquistou ao longo de sua vida. Não por cargos ou influência, mas pela forma ética, correta e respeitosa com que sempre conduziu sua trajetória pessoal e profissional.
*Publicitário
Leia menos
Indefinição marca convenção de Raquel
A convenção que homologará a candidatura da governadora Raquel Lyra (PSD) está marcada para amanhã, no Recife. O que poderia, entretanto, se traduzir num grande ato de demonstração de força e sinalização pela confiança dos aliados na reeleição pode resultar num tremendo fiasco. Não de público, porque a máquina tem um poder incomensurável de mobilização, mas de incertezas na chapa.
Raquel não teve capacidade, traquejo nem tampouco liderança para botar ordem na casa. A convenção perdeu o brilho em razão da chafurdação entre o presidente estadual da federação União Progressista, Eduardo da Fonte, e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que duelam pela segunda vaga de candidato ao Senado.
Leia maisCom cinco mandatos na Câmara Federal e o apoio de uma base de dez deputados estaduais, além de mais de 30 prefeitos, Eduardo ganhou no voto a indicação da federação por 5 x 3, mas Miguel não respeitou o resultado democrático. A governadora demonstra apreço por Miguel, mas ele não tem a maioria da Federação União Progressista, controlada por Eduardo.
Na reta final, Raquel assumiu uma posição de firmeza em defesa de Miguel, mesmo tendo sido diversas vezes alertada sobre as dificuldades de emplacar a candidatura dele, pelo fato de não ter o controle da federação.
A governadora é concursada da Polícia Federal e tem na transparência de sua gestão uma bandeira de campanha, mesmo que da boca pra fora. Assessores da governadora temem que ela quebre a cara na insistência com Miguel, primeiro porque perderá o fundo eleitoral; segundo, porque perderá o tempo da federação na propaganda eleitoral.
Eduardo fez uma jogada de mestre que complicou ainda mais a vida da governadora: marcou para o dia 5, no apagar das luzes do prazo das convenções partidárias, o ato solene e formal da federação para definir os nomes dos candidatos da federação para deputado e senador, ou seja, três dias após a deliberação da convenção da governadora.
VERGONHA – Aliados de João Campos avaliam que Raquel chegou ao teto das intenções de voto na disputa estadual. O cenário que aparece em levantamentos é de equilíbrio, com Raquel numericamente à frente. O entendimento do PSB pernambucano é de que o melhor momento da governadora já passou e que a situação mudará quando a campanha “começar para valer”, a partir de 16 de agosto, segundo escreveu o jornalista Houldine Nascimento, do site Poder360, de Brasília. Ao repórter, o ministro do Empreendedorismo e um dos secretários do PSB nacional, Paulo Pereira, classificou como uma “vergonha” a quantidade de ordens de serviço assinadas por Raquel em 2026.

O palanque e a força de Lula – Em entrevista à Folha de S.Paulo, o pré-candidato do PSB a governador de Pernambuco, João Campos, manifestou confiança na dobradinha nacional com o presidente Lula para instalar um novo ciclo econômico no Estado. “A nossa relação com o presidente não é uma relação eleitoral, é uma relação política construída de muitos anos, de uma aliança nacional feita em todos os estados do Brasil, construindo palanques. Tenho certeza que o presidente vai participar da eleição de Pernambuco. E o palanque, dito pelo próprio presidente, o palanque é nosso”, afirmou.
Bolsonaristas com Raquel – Na mesma entrevista, João avalia que parte dos eleitores que hoje declaram voto em Raquel Lyra mudará de opinião quando perceberem que Lula o apoia. Além disso, o ex-prefeito rechaça a neutralidade da adversária, apontando que a aliança da opositora é composta majoritariamente por bolsonaristas e outros segmentos da direita. “Se for perguntado a Flávio Bolsonaro em quem ele votaria em Pernambuco, eu tenho certeza que ele nunca votaria em mim. Todos os representantes da direita de Pernambuco estão no palanque do PSD e votam nela. Então é um fato”, disse.
Lula próximo a Vargas – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será formalmente anunciado amanhã, em convenção marcada para São Paulo, candidato do PT à Presidência da República. Aos 80 anos, o petista pode renovar o recorde de candidato mais velho eleito presidente e empossado no cargo. Também pode, caso reeleito, se aproximar ainda mais de Getúlio Vargas como presidente que mais tempo ficou no cargo. Getúlio, porém, comandou o Brasil em um momento da ditadura do Estado Novo, de 1937 a 1945.

Novo ato em agosto – A convenção nacional do PT será realizada no Expocenter Norte, centro de convenções localizado na zona norte de São Paulo. O evento começará por volta das 10h e contará com a presença do presidente e de uma série de ministros, entre eles o da Fazenda, Dario Durigan. O PT prepara, no entanto, um ato em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, em 16 de agosto, como o pontapé oficial da campanha petista. Por isso, a convenção deve ter um ar mais contido e voltado para os militantes e delegados petistas.
CURTAS
CONVENÇÃO 1 – Já a convenção que vai homologar a candidatura a governador do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), será realizada hoje a partir das 13h40, no Clube Internacional do Recife. A oficialização da chapa majoritária – Carlos Costa (Republicanos), para vice; e Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), para o Senado – ocorrerá de forma conjunta com a convenção do PDT, simbolizando a união das forças políticas aliadas na disputa estadual.
CONVENÇÃO 2 – Já a convenção do PSD que vai oficializar a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra e da vice Priscila Krause ocorrerá amanhã, a partir das 9 horas, no Parador, localizado no Bairro do Recife (Recife Antigo). Diferente de João, Raquel faz sua convenção sem a chapa completa por causa do impasse na segunda vaga ao Senado.
REVIRAVOLTA – A abertura do inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mobilizou o gabinete do ministro André Mendonça, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), além da área técnica da Corte. Um debate nos bastidores que se arrastou por quase uma semana diante da investida da Polícia Federal acabou escalando o desgaste dos investigadores com o gabinete de Mendonça, com direito a uma espécie de reviravolta eletrônica.
Perguntar não ofende: Faltaram experiência política e capacidade de diálogo a Raquel para superar o impasse na sua chapa?
Leia menos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (31), que a extrema direita não voltará a governar o Brasil enquanto ele estiver vivo e minimizou a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do presidente argentino, Javier Milei, para apoiar candidatos da oposição na disputa para a Presidência da República. A fala do presidente foi feita durante a convenção partidária estadual do PT no Ceará, que confirmou Elmano de Freitas como candidato a governador do estado.
“Enquanto eu viver, a extrema-direita não voltará a governar este país. E vou dizer mais, vou dizer que venha ajudá-los quem quiser. Se quiser vir o Trump, que venha. Se quiser vir o Milei, que venha. Venha quem quiser. Eu não quero ajuda de fora. A única ajuda que eu quero é a ajuda do povo brasileiro para que a gente possa manter a democracia desse país”, afirmou. As informações são do g1.
Leia maisNo evento, realizado em Fortaleza na noite desta sexta-feira (31), Lula também demonstrou apoio às candidaturas de Cid Gomes (PSB) como senador e Gabriella Aguiar (PSD) como vice-governadora. Também nesta sexta-feira (31), o presidente visitou o Hospital Universitário do Ceará, em Fortaleza.
Durante o discurso, o petista citou, ainda, que precisará de candidatos para o Senado nas eleições de 2026 porque a Casa “tem metade apodrecida e nós precisamos fazer o Senado fazer as coisas corretas”.
Leia menos