











O deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB) obteve, nesta sexta-feira (30), uma liminar no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) que impede, neste momento, o cumprimento da prisão preventiva decretada contra ele. A informação foi divulgada pelos advogados do parlamentar, que marcaram uma entrevista coletiva para apresentar os detalhes da decisão. Até então, os fundamentos da liminar e a íntegra do despacho não haviam sido divulgados.
A medida havia sido determinada na quinta-feira (29) pelo juiz Abérides Nicéas de Albuquerque Filho, da 15ª Vara Criminal da Capital, no âmbito de uma investigação por suspeita de extorsão. Emerson foi eleito deputado estadual pelo MDB nas eleições de 4 de outubro, com 49.254 votos, e deve assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) em fevereiro de 2027. Após a decretação da prisão, seus advogados contestaram a decisão e apontaram supostas irregularidades na investigação.
A prefeita de Sertânia, Pollyanna Abreu (PSD), reuniu-se, nesta sexta-feira (30), com vereadores da base governista e confirmou apoio à candidatura de Junhão Lins (PSD) para a presidência da Câmara Municipal no biênio 2027-2028. A vice-prefeita Teresa Raquel também participou do encontro. O grupo de parlamentares já vinha articulando o nome de Junhão para suceder o atual presidente da Casa, Vando do Caroá (PL).
A definição ocorre após semanas de disputa pelo comando do Legislativo. No início de outubro, Vando havia confirmado que pretendia concorrer à reeleição e afirmado que a sucessão ainda estava em aberto. Na mesma época, vereadores governistas formalizaram apoio a Junhão, mas ainda não havia manifestação pública da prefeita em favor da candidatura.
A composição discutida anteriormente pelos vereadores prevê ainda Luiz Abel como 1º vice-presidente, Dodô Chaves como 2º vice-presidente, Patrícia da Conceição Silva como 1ª secretária e Niltinho Sousa como 2º secretário. A escolha, porém, depende da votação formal da Mesa Diretora da Câmara.
O vereador Raul Silva (PCdoB), de Paulista, acusou a Prefeitura de impedir, nesta sexta-feira (30), a realização de uma festa do Dia das Crianças organizada por seu mandato no Jardim Paulista Baixo. Segundo o parlamentar, a fiscalização municipal não permitiu a instalação da estrutura do evento, que teria brinquedos infláveis, distribuição de lanches e atividades recreativas. “Quando o prefeito toma uma atitude como essa, ele não está atingindo apenas a mim ou ao meu mandato; ele está perseguindo o próprio povo da periferia, as famílias mais carentes e as crianças que só queriam um momento de lazer”, declarou. A Prefeitura não havia apresentado, até o material enviado, manifestação sobre o motivo da proibição.
Raul atribuiu a medida a uma suposta retaliação política e relacionou o episódio às críticas que vem fazendo à gestão municipal. Entre elas, citou a situação da Praça Aníbal Fernandes, sobre a qual afirma ter acionado o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) cobrando reativação e reforma.
A decisão sobre a indicação para a vaga no Supremo Tribunal Federal divide o entorno do presidente Lula (PT). De um lado, uma ala defende a reapresentação do nome de Jorge Messias. De outro, aliados avaliam que o caminho mais seguro seria indicar Rodrigo Pacheco.
“A turma mais próxima do Congresso Nacional acredita que o caminho seria pacificar a relação com o Senado Federal e garantir a aprovação do nome do atual ministro do Tribunal de Contas da União”, afirmou o analista de política Matheus Teixeira durante o Hora H desta sexta-feira (30).
Por outro lado, há uma corrente que defende a reapresentação de Jorge Messias. Esse grupo argumenta que Lula, após se reeleger de forma “surpreendente”, estaria politicamente mais forte e teria condições de emplacar seu candidato. As informações são da CNN.
Leia mais“Essa é a divisão, aqueles que entendem que indicar Pacheco seria o caminho mais tranquilo e garantido, e os outros que entendem que, agora que o presidente Lula está mais forte e conseguiu fazer mais de 60 milhões de votos, o Senado Federal vai ter que aceitar a sua indicação”, afirmou Teixeira.
De acordo com o analista, quando o nome de Jorge Messias foi vetado anteriormente, Lula ficou “muito irritado”.
“Portanto, virou meio que uma questão de honra para o presidente conseguir emplacar o advogado-geral da União no Supremo Tribunal Federal”, ressaltou Teixeira.
Com a reeleição garantindo mais quatro anos de mandato, a ideia, caso prevaleça essa corrente, seria aproveitar a composição atual do Senado Federal, considerada “menos à direita do que será a próxima”, para viabilizar a aprovação de Messias.
Teixeira ressaltou que ainda não há nada definido. Lula realizou uma reunião com Davi Alcolumbre (União-AP) logo após a vitória nas eleições, com a participação também do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O analista lembrou que Pacheco era o nome preferido por Davi Alcolumbre desde o início, além de ser bem avaliado por ministros do próprio STF.
“O presidente vinha falando nos bastidores, que a escolha do nome a ser indicado ao STF é prerrogativa do Executivo. O Senado escolhe ou veta, mas quem escolhe o nome é o presidente Lula”, afirmou Teixeira.
Além disso, Teixeira apontou que o apoio ao nome de Alcolumbre para a presidência do Senado Federal também deve entrar no cálculo político: “Tudo indica que ele será o candidato do governo, mas presidente Lula também vai cobrar uma fatura.”
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Se o leitor não conseguiu acompanhar a entrevista com o percursionista Sérgio Rosa, integrante do grupo de samba paulistano Demônios da Garoa, ao quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
A declaração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitindo a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030 provocou mal-estar entre integrantes do PL, que viram na manifestação uma atitude oportunista do aliado apenas quatro dias após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação de parte da sigla é que o governador “queimou a largada” ao se colocar como uma alternativa para a próxima eleição presidencial enquanto o senador, que deixou o Brasil nesta semana, ainda reivindica a liderança do movimento bolsonarista.
O incômodo ocorre em meio às primeiras movimentações pela liderança da direita após o resultado das urnas. Embora tenha deixado o país, Flávio sinalizou a intenção de continuar à frente da oposição a Lula. Segundo aliados, o senador pode anunciar nos próximos dias uma nova candidatura à Presidência da República, em 2030, numa tentativa de preservar seu protagonismo. A possibilidade vem sendo discutida com Eduardo Bolsonaro e aliados nos Estados Unidos, conforme revelou a Folha de S.Paulo. As informações são do g1.
Leia maisAlém de Tarcísio, a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) é vista com preocupação por setores do bolsonarismo que defendem a manutenção do protagonismo de Flávio.
Entre aliados de Flávio, a avaliação é que Tarcísio escolheu um momento especialmente inoportuno para tratar de suas pretensões presidenciais. Reservadamente, integrantes do PL afirmam que o governador se apressou em ocupar o espaço do senador antes mesmo de a direita assimilar a derrota eleitoral. O desconforto é ampliado pelo fato de o próprio Tarcísio ter apoiado a candidatura de Flávio neste ano e defendido publicamente a escolha feita por Jair Bolsonaro.
Ao mesmo tempo em que criticam a manifestação de Tarcísio, parlamentares da oposição ponderam que ainda é cedo para iniciar as discussões sobre a sucessão presidencial de 2030. A avaliação é que, com a eleição encerrada há apenas quatro dias e antes mesmo da posse de Lula para seu quarto mandato, há uma série de fatores políticos que podem alterar o cenário nos próximos anos. Para esses aliados, antecipar a disputa presidencial neste momento é precipitado, sobretudo diante da necessidade de reorganizar a oposição e definir sua atuação no Congresso a partir de 2027.
A desconfiança em relação ao governador, porém, não começou nesta semana. Durante as articulações para a eleição presidencial deste ano, Tarcísio era um dos nomes considerados para representar o campo bolsonarista e tinha a expectativa de receber o apoio de Jair Bolsonaro para concorrer ao Planalto. O ex-presidente, contudo, optou por lançar o filho, enquanto o governador permaneceu na disputa pela reeleição em São Paulo.
Ao longo da campanha, Tarcísio participou de agendas ao lado de Flávio, viajou com o candidato e colaborou com sua preparação para debates presidenciais. Apesar desse envolvimento, integrantes do entorno do senador mantiveram reservas sobre o grau de empenho do governador. A avaliação de parte desses aliados é de que ele poderia ter feito mais pela candidatura, embora reconheçam sua participação em momentos importantes da disputa.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio afirmou que a possibilidade de disputar a Presidência dependerá do desempenho de seu segundo mandato à frente do governo paulista. Ele ressaltou, no entanto, que a decisão não seria individual.
— A gente tem que ver qual é o cenário de momento e, claro, vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho — afirmou.
O governador também ponderou que sua prioridade é cumprir o mandato para o qual foi reeleito em primeiro turno e disse que “2030 é outra conversa”.
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O Sextou de daqui a pouco, programa musical que ancoro nas sextas-feiras, no lugar do Frente a Frente, está imperdível! O entrevistado é o percursionista Sérgio Rosa, filho de Arnaldo Rosa, fundador do grupo de samba paulistano Demônios da Garoa, o mais antigo em atividades no Brasil, com 83 anos ininterruptos. Já entrou, inclusive, para o Livro dos Recordes.
Demônios da Garoa nasceu no bairro da Mooca, em São Paulo, em 1943, conservando influências de uma variedade de fontes culturais para construir suas próprias características. Sua história musical cresceu quando seus fundadores conheceram Adoniran Barbosa, um dos mais importantes compositores da MPB, durante as filmagens de ‘O Cangaçeiro’, em terras nordestinas. Em 1949, juntos, foram vistos como uma personificação dos movimentos socioculturais da época.
Leia maisEntre os sucessos mais conhecidos estão: “Trem das Onze”, “Iracema”, “Saudosa Maloca”, “O Samba do Arnesto”, “As Mariposas”, “Tiro ao Álvaro”, “Ói Nóis Aqui Trá Veiz”, “Vila Esperança” e “Vai no Bexiga pra Ver”. O grupo já lançou mais de 70 discos, com mais de 30 milhões de cópias vendidas e, aproximadamente, 11 mil shows realizados.
A formação original tinha Arnaldo Rosa (vocal e ritmo), os irmãos Antônio e Benedito Espanha (que marcavam ritmo tocando tantã e afoxé), Waldemar Pezuol (no violão), Zezinho (no violão tenor) e Bruno Michelucci (no pandeiro). Hoje, o grupo é composto por Sérgio Rosa, filho de Arnaldo, Dedé Paraizo, Everson Pessoa e Ricardo Rosa (Ricardinho).
O Sextou vai ao ar das 18h às 19h, pela Rede Nordeste de Rádio, que reúne 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Para ouvir pela internet, acesse o link do Frente a Frente no topo desta página ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na Play Store.
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O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios da Argentina para pedir informações sobre o envolvimento do governo Javier Milei na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. O candidato derrotado nas eleições fugiu do Brasil na quarta-feira (28/10) em uma rota entre a Argentina e o Equador, até desembarcar em Miami, onde deve ficar com a família após receberem vistos do governo norte-americano.
A conversa durou poucos minutos e ocorreu entre um embaixador brasileiro responsável pelas relações com os países do Mercosul e a ministra-conselheira Emilia Cortés, que é responsável pela representação argentina em Brasília. A conversa ocorreu nessa quinta-feira (29/10). A informação foi inicialmente revelada pelo UOL e confirmada pelo Metrópoles. As informações são do Metrópoles.
Leia maisCortés assumiu a condução da embaixada após a crise diplomática entre Brasil e Argentina que culminou na remoção dos embaixadores, brasileiro e argentino, das respectivas embaixadas.
A medida, de acordo com fontes diplomáticas, não teve a intenção de repassar uma reprimenda ou repr0vação do governo brasileiro sobre o recente caso de fuga de Flávio Bolsonaro. A presença de Cortés é tratada como uma conversa a fim de colher novas informações sobre o caso. A tratativa converge com a orientação do Palácio Planalto de não tensionar a relação com a Argentina de Milei e com os EUA de Donald Trump.
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A cantora Vannick Belchior, filha caçula de Belchior, escreveu uma emocionante carta aberta ao pai por ocasião dos 80 anos que o cantor e compositor cearense completaria se estivesse vivo. Recentemente, entrevistei Vannick no Sextou, programa musical que ancoro às sextas-feiras, no lugar do Frente a Frente. No texto, ela fala sobre a dimensão alcançada pela obra do pai, a relação com o legado artístico que recebeu e a construção da própria trajetória como cantora.
Na homenagem, Vannick também aborda a ligação de Belchior com o Nordeste, recorda músicos que fizeram parte da história do pai e hoje participam de sua carreira e conta sobre a gravação do primeiro disco. “Carrego teu legado com amor e responsabilidade, mas quero fazer dele uma ponte, não uma fronteira”, escreve.
Leia, abaixo, a carta na íntegra:
Leia maisCarta aberta ao meu pai, nos seus 80 anos
Pai,
Eu tô muito feliz por poder te dar continuidade artística e criativa justamente no ano em que você completaria 80 anos. Queria tanto que você estivesse aqui para ver as homenagens feitas em torno de você e da sua obra, hoje uma das mais importantes do Brasil, da América Latina e, quiçá, como diz esta tua filha caçula e amante incondicional do teu trabalho, do mundo.
Filósofo, pensador, poeta, compositor, artista arrebatador e de canto cortante: esse é você, meu pai. Um dos artistas mais aclamados e revisitados da música brasileira, alguém que parece crescer a cada ano, como se o tempo, em vez de nos afastar, nos aproximasse ainda mais da dimensão do que você fez.
É bonito ver você sendo conhecido pelo Brasil. Às vezes, me pergunto o que será melhor: ser descoberto pelo país ou ser redescoberto numa dimensão que talvez nem você imaginasse em vida. Sim, é possível. São blocos de carnaval, multidões, fantasias, bigodes espalhados pelas ruas, camisas listradas e sua imagem estampada em corpos de diferentes gerações.
Existe em você uma mistura de juventude, irreverência, força e inconformismo que atravessou décadas e continua encontrando novos caminhos. Você permanece jovem, pai: na inquietação, na coragem de dizer o que precisa ser dito e na capacidade de nos tirar do lugar.
O Nordeste também mudou. Hoje somos muito mais do que a ficção que tantas vezes fizeram de nós. Somos pensamento, invenção, inteligência, arte e futuro. Ainda lutamos contra o preconceito e contra as tentativas de diminuir nossa força, nosso saber e nossa maneira de enxergar o Brasil. Ainda precisamos afirmar que o Nordeste não é margem: é centro, origem, linguagem e mundo.
E tua música mudou muita coisa. Você ajudou a abrir caminhos para que nossa voz chegasse mais longe, sem pedir licença para existir.
Sou grata pela herança sanguínea de luta, pela vontade de permanecer, insistir e continuar nas estradas pelo Brasil, fazendo música e encontrando pessoas. Sou grata também por conhecer teus amigos, ouvir suas histórias e me aproximar um pouco mais de você através desses encontros.
E eu tô aqui, pai. Tua filha caçula, a única cearense, a única nordestina, seguindo a estrada que, de alguma maneira, a gente sonhou. Te dando continuidade dentro da obra, mas também na vida, na luta dos palcos e nesse ofício tão bonito e difícil que é ser cantora. Descobrindo minha própria voz, minha maneira de criar, interpretar, pensar e existir artisticamente.
E olha só: nós gravamos meu primeiro disco! Meu trabalho de maior fôlego até agora, concebido a partir das minhas ideias, da minha direção artística e da minha vontade de criar.
E sabe o que é impressionante? A própria vida se encarregou de colocar no meu caminho musical pessoas muito especiais para você, como Tarcísio Sardinha, Lu D’Sosa, Sérgio Zurawski — teu querido amigo e parceiro musical —, Rick Ferreira, Fernando Pacheco e tantos outros que fizeram parte da tua história e hoje também fazem parte da minha.
Isso é mágico, pai. É a vida mostrando sua força em cada encontro, criando continuidades que a gente nem sempre consegue explicar.
Nesse disco, um grande amigo teu canta comigo. Talvez você nunca imaginasse que isso aconteceria: eu e Renato Teixeira dividindo uma canção que, misteriosamente, fala de “Tudo Outra Vez”.
E sei que você também gostaria da ousadia que trouxe para “Meu Cordial Brasileiro”, ao lado do rapper cearense Don L, que representa um universo ligado à minha geração, às minhas inquietações e à minha maneira de olhar o mundo.
Você sempre foi inovador, aberto ao novo e disposto a aproximar mundos, gerações e linguagens. Afinal, gravar Luiz Gonzaga em rock, como você fez em “Forró no Escuro”, não é para qualquer um!
Neste ano dos teus 80 anos, celebro a possibilidade de olhar para tua obra não apenas como filha, mas como artista. De mergulhar nela com minhas próprias ideias, direção e sensibilidade. De conversar com aquilo que você deixou sem deixar de dizer o que é meu.
Porque dar continuidade não é repetir: é compreender a força de uma semente e permitir que ela floresça de outras maneiras.
Queria que você pudesse assistir a tudo isso, ver os encontros, ouvir os aplausos e conhecer as pessoas que chegam até mim porque te amam. Queria te contar das estradas, dos shows, dos medos e da força que aparece quando as luzes se acendem.
Queria dizer que sigo aprendendo e que, mesmo diante das incertezas, escolhi continuar.
A vida de artista não é feita apenas de aplausos. É feita de insistência, coragem, trabalho, tropeços e recomeços. É preciso sustentar a própria voz, inclusive quando ela treme, e aceitar o risco de ser vista, ouvida e julgada.
Nessa caminhada, descobri que honrar você também é honrar a mim mesma.
Sigo por aqui, aguerrida pela música popular brasileira, pela tua obra e pelo meu próprio processo de descoberta. Descobrindo-me mulher, cantora e artista. Ainda há muito a revelar dentro da minha voz, da minha sensibilidade e da artista que continuo me tornando.
Sou sua filha, mas também uma artista em construção, com desejos, perguntas, inquietações e canções próprias, nascidas das minhas experiências de vida.
Carrego teu legado com amor e responsabilidade, mas quero fazer dele uma ponte, não uma fronteira. Quero que as pessoas cheguem até você através de mim e que também cheguem até mim através do que sou capaz de criar.
E sei que você teria orgulho disso.
Obrigada, pai, por representar tanto, por traduzir um país com suas contradições, dores, desejos e esperanças. Por cantar o povo brasileiro com honestidade e transformar tua experiência em palavras nas quais tantas pessoas se reconhecem.
Obrigada por dar voz ao que tantas vezes não conseguia ser dito e por olhar para o Brasil e para o Nordeste sem esconder suas feridas nem sua grandeza.
Aos 80 anos, você segue encontrando o futuro. E eu sigo encontrando meu lugar no mundo, levando comigo tua palavra, nossa terra e a certeza de que a arte não termina quando termina uma vida. Ela se transforma, encontra outras vozes e atravessa gerações.
Feliz aniversário, pai. Feliz 80 anos.
Que tua obra continue provocando, emocionando e abrindo caminhos. E que eu siga caminhando ao lado dela, honrando o que recebi de você e descobrindo tudo aquilo que também posso oferecer.
Com todo o meu amor,
Tua filha caçula,
Vannick Belchior
As inscrições para o Prêmio FIEPE de Jornalismo 2026 foram prorrogadas até o dia 10 de novembro. Promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), a premiação distribuirá R$ 28 mil e reconhecerá trabalhos jornalísticos relacionados ao setor industrial pernambucano. Entre as temáticas previstas estão política industrial, comércio exterior, infraestrutura, inovação e tecnologia, sustentabilidade, formação profissional e ambiente de negócios. Os interessados podem consultar o regulamento e realizar a inscrição através do site https://www.premiofiepedejornalismo.com.br/.
Por Flávio Chaves*
Existem invenções humanas que modificaram a maneira de viver, outras que alteraram o curso das civilizações, algumas que encurtaram as distâncias entre os povos, mas poucas conseguiram realizar uma transformação tão silenciosa e profunda quanto o livro.
Essa extraordinária criação que permitiu ao homem atravessar os séculos sem precisar carregar consigo o próprio corpo, deixando sobre as páginas aquilo que a morte não conseguiu recolher de sua inteligência, de suas inquietações, de seus sonhos e de sua capacidade de interrogar o mundo.
Leia maisO livro é, talvez, a mais delicada forma de resistência contra a natureza passageira da existência, porque nele a palavra encontra uma morada que não depende da permanência de quem a escreveu, e a vida, mesmo submetida à inexorável passagem do tempo, consegue prolongar-se na consciência daqueles que ainda não nasceram.
Neste 29 de outubro, quando o Brasil celebra o Dia Nacional do Livro, a homenagem não deveria restringir-se às solenidades, às fotografias de bibliotecas ou às manifestações protocolares que costumam acompanhar as datas comemorativas, porque celebrar o livro significa, antes de tudo, reconhecer a existência de uma das mais poderosas conquistas da humanidade, responsável por oferecer ao pensamento uma liberdade que nenhuma fronteira geográfica conseguiu aprisionar completamente.
A data recorda a fundação da Biblioteca Nacional, em 1810, quando o Brasil ainda se encontrava submetido à monarquia portuguesa e começava a organizar instituições que participariam da formação de sua identidade cultural. Mas existe algo de profundamente simbólico nessa origem, pois uma nação que ainda não havia conquistado a própria independência política começava a reunir, em um espaço destinado aos livros, parte dos instrumentos com os quais os homens poderiam aprender a pensar para além das limitações impostas pelo poder.
O livro possui uma singularidade que nenhuma outra criação humana conseguiu substituir inteiramente. Ele permite que um homem nascido em determinada época converse com outro separado dele por centenas de anos, que uma mulher desconhecida encontre na experiência de uma personagem a explicação de sentimentos que jamais conseguiu revelar, que um menino de uma pequena cidade descubra, entre as páginas de uma obra, a existência de universos que não cabiam nas dimensões de sua rua, de sua escola ou de sua própria imaginação. Quem lê não abandona necessariamente o lugar onde nasceu, mas aprende que esse lugar não representa os limites de sua existência, porque a leitura amplia a geografia interior do indivíduo e lhe oferece a possibilidade de reconhecer como humanas experiências que jamais viveu.
Penso, particularmente, nas crianças que descobrem os livros nas escolas públicas, muitas vezes sem dispor de uma biblioteca em casa, sem conhecer escritores, sem imaginar que a literatura possa fazer parte de seu destino. Uma criança diante de um livro encontra-se diante de uma possibilidade que ainda não sabe nomear, pois aquelas páginas podem representar o primeiro contato com uma realidade diferente daquela que lhe foi entregue pelas circunstâncias sociais, e talvez esteja justamente nessa experiência uma das mais belas manifestações da democracia, quando o conhecimento deixa de ser patrimônio dos privilegiados e começa a pertencer também àqueles que nasceram distantes dos lugares onde historicamente se concentrou o saber. A escola que oferece um livro a uma criança não lhe entrega apenas uma história, oferece-lhe instrumentos para que ela própria venha a escrever, com maior liberdade, a história de sua vida.
Entretanto, seria insuficiente celebrar a grandeza dos livros sem reconhecer as contradições de um país que ainda não conseguiu transformar o acesso à leitura em uma experiência verdadeiramente universal. Uma sociedade pode multiplicar discursos sobre a importância da educação e, ao mesmo tempo, permitir que bibliotecas escolares permaneçam insuficientes, que professores enfrentem dificuldades para formar leitores e que milhares de crianças cresçam sem estabelecer com a literatura aquela intimidade capaz de transformar a palavra escrita em instrumento de emancipação. O problema não está apenas na ausência material do livro, mas na distância social que impede tantas pessoas de reconhecê-lo como parte legítima de suas vidas. Quando a leitura se converte em privilégio, a desigualdade deixa de ocupar somente os espaços da economia e passa também a determinar os horizontes da imaginação.
É preciso compreender, igualmente, que a literatura não existe para oferecer respostas confortáveis a todas as inquietações humanas. Os grandes livros frequentemente nos perturbam mais do que nos tranquilizam, porque colocam diante de nossos olhos as contradições que preferiríamos ignorar, revelando a complexidade moral de homens e mulheres que não cabem nas classificações simplificadoras com as quais costumamos julgar o comportamento alheio. Dostoiévski nos conduz às regiões mais atormentadas da consciência, Tolstói transforma a experiência individual em uma vasta investigação sobre a sociedade e o destino, Fernando Pessoa multiplica a identidade humana até demonstrar que nenhum indivíduo se esgota na pessoa que acredita ser, enquanto João Cabral de Melo Neto, com o rigor de sua arquitetura verbal, nos ensina que a poesia também pode nascer da resistência da linguagem à facilidade das emoções. Cada um deles, à sua maneira, demonstra que a literatura não representa uma fuga da realidade, mas uma forma extraordinariamente exigente de penetrar em suas profundezas.
Também não podemos esquecer que os livros acompanharam algumas das mais dolorosas experiências da história humana, atravessando guerras, perseguições religiosas, ditaduras, exílios e períodos em que o simples exercício de pensar foi considerado uma ameaça. Governantes autoritários compreenderam, em diferentes épocas, que uma população capaz de interpretar criticamente a realidade se torna menos disponível à obediência cega, razão pela qual bibliotecas foram destruídas, escritores perseguidos e obras retiradas de circulação. Existe uma ironia histórica nessa tentativa de silenciar os livros, porque muitas vezes os nomes daqueles que ordenaram sua destruição desapareceram da memória coletiva, enquanto as palavras que desejavam eliminar continuaram sendo lidas por gerações que sequer conheceram os rostos de seus perseguidores.
Vivemos agora uma época marcada pela velocidade das informações, pela multiplicação das telas e pela permanente disputa pela atenção humana, circunstâncias que modificaram profundamente a relação entre o indivíduo e a palavra escrita. A tecnologia ampliou possibilidades de acesso ao conhecimento e permitiu que obras antes restritas a determinadas instituições chegassem a leitores de diferentes regiões do planeta, conquista que não pode ser desprezada em nome de uma nostalgia incapaz de reconhecer as transformações do presente. Contudo, a disponibilidade de informações não corresponde necessariamente à formação do pensamento, assim como a rapidez com que uma mensagem circula não garante a profundidade de sua compreensão. Podemos receber milhares de palavras durante um único dia e terminar a noite sem que nenhuma delas tenha conseguido permanecer verdadeiramente dentro de nós.
O livro, nesse cenário, continua oferecendo uma experiência que se tornou particularmente preciosa, a possibilidade de permanecer diante de uma ideia sem a obrigação de abandoná-la imediatamente para acompanhar a próxima novidade. A leitura literária exige uma disposição interior que contraria a pressa dominante, porque um romance não se entrega inteiramente ao leitor que deseja apenas conhecer seu desfecho, assim como um poema não revela sua força àquele que procura somente identificar o assunto de que trata. Existem páginas que precisam ser revisitadas, palavras que amadurecem lentamente em nossa memória e personagens que continuam vivendo dentro de nós muito depois de encerrada a narrativa, como se a última página não representasse o encerramento da obra, mas o início de uma convivência que já não depende de sua presença material.
Talvez por isso os livros participem de maneira tão profunda da formação de nossa identidade. Somos constituídos também pelas palavras que encontramos, pelas histórias que nos ensinaram a reconhecer a dor dos outros, pelos poemas que modificaram nossa percepção da beleza e pelas ideias que nos obrigaram a abandonar certezas anteriormente consideradas inabaláveis. Um leitor nunca termina um grande livro exatamente como começou, porque alguma coisa se desloca em sua maneira de compreender a existência, ainda que essa transformação não possa ser imediatamente percebida. A leitura trabalha em regiões silenciosas da consciência, onde determinadas experiências permanecem guardadas até encontrarem, muitos anos depois, uma circunstância capaz de lhes devolver significado.
O escritor, por sua vez, conhece uma dimensão particularmente comovente dessa experiência, porque escreve sem saber inteiramente a quem suas palavras chegarão. Pode imaginar um leitor, desejar determinada compreensão, esperar que suas páginas encontrem acolhimento, mas nunca conhecerá todas as vidas que sua obra poderá alcançar. Um poema escrito na solidão de uma madrugada talvez seja encontrado, décadas depois, por alguém que atravessa uma perda semelhante àquela que lhe deu origem, e nesse encontro entre duas existências separadas pelo tempo acontecerá uma forma de reconhecimento que dispensa apresentações, parentescos ou qualquer outra espécie de vínculo anterior. A literatura realiza esse milagre inteiramente humano de aproximar pessoas que jamais se viram, fazendo com que uma consciência desconhecida encontre abrigo na linguagem de outra.
Por isso, celebrar o Dia Nacional do Livro deveria significar também um compromisso público com a preservação das bibliotecas, a valorização dos escritores, o fortalecimento das editoras, o reconhecimento dos professores e a formação de leitores, sobretudo entre aqueles para quem o acesso à cultura ainda representa uma conquista difícil. Não existe política cultural verdadeiramente democrática quando a palavra escrita permanece distante das populações socialmente vulneráveis, nem se pode falar seriamente em desenvolvimento nacional enquanto a formação intelectual de crianças e jovens não ocupar lugar central nas prioridades do país. Construir bibliotecas, distribuir livros e estimular a leitura não constituem gestos ornamentais da administração pública, mas investimentos na capacidade de uma sociedade compreender sua própria história e participar conscientemente da construção de seu futuro.
A grandeza de um livro, entretanto, não se mede somente pela importância de seu autor, pelo número de exemplares vendidos ou pelo reconhecimento que recebe das instituições literárias. Algumas obras modificam o pensamento de uma época, outras transformam a vida de um único leitor, e não existe razão para considerar insignificante essa segunda possibilidade, porque uma existência humana, quando recupera a esperança, encontra uma linguagem para sua dor ou descobre novos caminhos para compreender o mundo, representa por si mesma uma vitória da inteligência e da sensibilidade. Um livro pode não alterar o destino de uma nação, mas, se conseguir modificar profundamente a consciência de alguém, terá realizado uma parte essencial daquilo que justifica sua existência.
Neste dia dedicado ao livro, prefiro imaginar não apenas as grandes bibliotecas, com seus acervos extraordinários e sua responsabilidade na conservação do patrimônio cultural, mas também o instante em que uma criança aprende a reconhecer a primeira frase de uma história, o momento em que um trabalhador encontra na leitura uma possibilidade de compreender melhor seus direitos, a emoção de uma pessoa idosa que regressa às páginas de um romance lido na juventude e a silenciosa alegria de um escritor diante da notícia de que suas palavras alcançaram alguém que ele nunca conhecerá. São acontecimentos aparentemente modestos, mas neles se encontra uma das expressões mais legítimas da continuidade humana, porque o conhecimento, quando verdadeiramente compartilhado, deixa de pertencer exclusivamente àquele que o possui.
O homem inventou instrumentos para medir o tempo, máquinas para vencer distâncias e tecnologias capazes de transportar sua voz para lugares que os antigos sequer poderiam imaginar, mas foi por meio da palavra preservada que encontrou uma maneira de conversar com os ausentes e oferecer alguma continuidade à experiência de ter vivido. Talvez resida aí a dimensão mais comovente do livro, nessa capacidade de guardar aquilo que não conseguimos proteger da passagem dos anos, permitindo que a inteligência sobreviva ao desaparecimento de quem pensou, que a ternura encontre novos destinatários e que determinadas perguntas continuem abertas mesmo quando já não existe ninguém capaz de recordar quem primeiro as formulou.
Porque, no fim de tudo, um livro é mais do que aquilo que suas páginas contam. É a possibilidade de uma vida alcançar outra, de uma memória atravessar o esquecimento e de uma voz continuar encontrando ouvidos quando o mundo ao qual pertenceu já se transformou inteiramente. E talvez a humanidade tenha começado a compreender a verdadeira grandeza de sua própria existência no instante em que descobriu que não precisava morrer por completo, desde que alguma palavra sua permanecesse viva na consciência de alguém.
*Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras
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Por Zé Américo Silva*
O Nordeste já mostrou sua força nas urnas. Foi decisivo para o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e para a defesa da democracia. Agora, precisa ampliar sua força na cobrança. Na expressão popular, está na hora de sentar a pua: cutucar, incomodar, exigir que compromissos ganhem orçamento, prazo e resultado.
O Nordeste já é uma força econômica, política e cultural. Tem indústria, ciência, universidades, empresas de tecnologia e um grande mercado consumidor. Produz riqueza, conhecimento e soluções. Sua importância ultrapassa o calendário eleitoral.
Leia maisCampina Grande, na Paraíba, tem uma trajetória de desenvolvimento tecnológico ligada à universidade e ao seu parque tecnológico. O Recife abriga o Porto Digital, referência em inovação e economia criativa. O Piauí avança em inteligência artificial e transformação digital. Na Bahia, o Polo Industrial de Camaçari demonstra a dimensão da capacidade industrial nordestina.
No campo, essa força também precisa ser reconhecida. Quem associa o agronegócio apenas ao Sul, Sudeste e Centro-Oeste deixa parte importante do Brasil fora do retrato. A fruticultura irrigada do Vale do São Francisco abastece mercados brasileiros e internacionais. O oeste baiano se destaca na produção de grãos e algodão. O Nordeste tem participação relevante no agro nacional, gerando alimentos, empregos, exportações e tecnologia.
Esse patrimônio produtivo convive com a agricultura familiar, que também precisa de crédito, assistência técnica, água e acesso aos mercados. Uma agenda de desenvolvimento deve fortalecer essa diversidade e ampliar o processamento dos produtos na própria região, agregando valor e renda.
O Nordeste já faz muito. E quer mais. Mais indústria, mais agro, mais pesquisa, mais inovação e mais empregos qualificados. Quer ampliar suas conquistas e fazer a prosperidade chegar a mais cidades e pessoas.
Os programas sociais são direitos e precisam ser preservados. Combater a fome é obrigação permanente do Estado. Mas a política para a região deve combinar proteção social com desenvolvimento, garantindo condições para produzir, empreender e prosperar.
O novo governo Lula precisa traduzir esse compromisso em infraestrutura, segurança hídrica, educação, crédito e investimentos. Cultura, esporte e literatura também exigem financiamento, formação e circulação. O talento nordestino merece condições para crescer e ser remunerado.
Governadores, prefeitos, parlamentares e lideranças econômicas e sociais têm responsabilidade nessa cobrança. Proximidade com o presidente deve produzir propostas e entregas. Apoio político também se demonstra exigindo resultados.
O Nordeste conhece sua força. Quer mais, pode mais e exige condições para realizar mais.
Está na hora de sentar a pua. A força que ajudou a decidir a eleição precisa pesar nas decisões do governo.
*Jornalista e consultor político
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