











Se o leitor não conseguiu assistir a exibição ao vivo do podcast ‘Direto de Brasília’ com o ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Robson Andrade, clique no link abaixo e confira. Está imperdível!
O candidato ao Governo de Pernambuco pela frente PSOL/Rede e PCB, Ivan Moraes, aderiu, nesta terça-feira (4), à Agenda 227, documento elaborado por 520 organizações da sociedade civil com propostas de políticas públicas para crianças e adolescentes. A entrega foi feita pelos coordenadores da Rede Primeira Infância de Pernambuco, Rogério Morais e Flávia Veras, na sede do PSOL, no Recife. Segundo a organização, Ivan é o primeiro candidato ao governo estadual a assumir o compromisso com o documento.
“Considerem que essas propostas estarão integralmente no nosso plano de governo”, afirmou Ivan Moraes. Entre as medidas destinadas a Pernambuco estão a transformação do Plano Estadual da Primeira Infância em lei, a regulamentação da cooperação entre o Estado e os municípios e o aumento da destinação do Imposto de Renda aos fundos da criança e do adolescente.
O entrevistado do podcast ‘Direto de Brasília’ de hoje, meu projeto em parceria com a Folha de Pernambuco, é o ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Robson Andrade. Hoje, atuando como empresário em Minas, Robson vai falar sobre o impacto da nova taxação americana aos produtos exportados para os EUA, a economia nacional, o Governo Lula, as altas taxas de juros e as eleições deste ano.
Eleito por unanimidade como presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em maio de 2010, foi empossado oficialmente em outubro deste mesmo ano, substituindo Armando Monteiro Neto. Robson é mineiro de São João Del Rei e engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Há 30 anos, preside a Orteng Equipamentos e Sistemas Ltda, empresa sediada em Contagem, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que produz equipamentos para os segmentos de energia, petróleo, gás, mineração, siderurgia, saneamento, telecomunicações e transportes.
O Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas, a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras, na Paraíba, e a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid. Ainda a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado, além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
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Por Mauro Souza*
O REDATA (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) foi instituído pelo governo, por intermédio da MP nº 1.318/2025. Concebido para transformar o Brasil em um hub global de tratamento de dados, ele previu conceder a suspensão de tributos federais (PIS/Cofins, IPI e Imposto de Importação), quando da aquisição de equipamentos e infraestrutura para data centers (vinculando o benefício a contrapartidas de sustentabilidade e investimentos).
A comissão mista do Congresso não votou o texto a tempo, e a MP perdeu a validade no final de fevereiro de 2026. Para evitar prejuízos e manter a política pública viva, o governo apresentou o PL 278/2026, com o mesmo teor da MP. A Câmara dos Deputados aprovou o PL em fevereiro. O projeto seguiu para análise no Senado Federal, onde o texto travou na fila de votações sem conclusão definitiva, e lá se encontra até hoje.

O resultado imediato desta confusão é uma incerteza regulatória e fiscal, com impacto no desenvolvimento do ecossistema digital do Brasil. Data centers são ativos globais e hyperscalers, como Microsoft, AWS, Google, Oracle e outros comparam custos operacionais entre diferentes países. Sem a desoneração de tributos federais na compra de servidores e infra, o custo de implantação de data centers no Brasil pode ser até 30% mais alto do que em concorrentes regionais, como México, Chile e Colômbia.
No plano do pragmatismo político de Brasília, o represamento de projetos serve como alavanca de negociação, passando a compor uma pauta nefasta de barganha. No caso específico do REDATA, a paralização agride a inovação. Isto fere a economia digital do país, e corrói um ativo importante, frente a seu potencial para prover aumento de eficiência de processos e catalização de investimentos externos.
Indignado com o sufocamento do REDATA e com o travamento da entrada de recursos internacionais eu compartilho, com os líderes da Nação, um elenco de recomendações para adicionar ao projeto atual. Espero, ao apontar caminhos, demonstrar de forma polida e inequívoca, a minha perplexidade diante do nosso descaso temporal com o porvir:
a) Aprimorar a versão atual do REDATA, para criar um corredor tributário livre para os projetos aprovados (garantindo que a supressão prevista de alíquotas possa prevalecer sobre quaisquer aumentos futuros de tarifas de importação).
b) Criar a obrigação para que, no mínimo, a metade da alíquota prevista no REDATA a reinvestir em P&D, seja direcionada a startups locais por meio de fundos de investimento (de forma a que os grandes construtores de data centers e as Big Techs participem do financiamento da inovação brasileira).
c) Garantir, no mínimo por 30 anos, a manutenção das regras do REDATA frente a projetos iniciados, assegurando que novas regulações de IA (como o PL 2338) não retroagirão sobre investimentos já aprovados.
d) Prover desonerações não apenas para o hardware, mas para o licenciamento de software de base, serviços de computação em nuvem e demais soluções voltadas ao treinamento de modelos de IA.
Vamos em frente, pois a despeito de todos as nossas mazelas, não podemos esquecer do compromisso para com as gerações futuras. Ainda dá tempo de posicionar o Brasil na cadeia global de valor da IA e suas adjacências.
*CEO da Quantum Tecnologia, diretor na FUNCEX (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior) e especialista em inovação e governança de TI
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A atriz e cantora Mayana Neiva lança, nesta quarta-feira (5), o videoclipe de “Onde Está Você”, gravado integralmente no Centro Histórico de João Pessoa. A estreia ocorre no dia do aniversário da capital paraibana e reúne cenas no Hotel Globo e em outros pontos da região, sob direção de Alex Chocolate.
A música, composta por Zezum José Abdon Silva, combina elementos do forró tradicional com uma sonoridade contemporânea. O arranjo conta com Cosme Vieira no acordeão, Guegué Medeiros na bateria e percussão e Yuri Queiroga na produção musical, além de piano, guitarra e baixo.
“Sempre acreditei que o forró é uma forma de guardar a nossa memória. ‘Onde Está Você’ nasce desse amor pelo forró de raiz, mas também do desejo de mostrar que a tradição continua viva, pulsante e contemporânea”, afirmou Mayana. “Escolhi lançar esse clipe no aniversário de João Pessoa porque essa cidade faz parte de quem eu sou. Filmar no Centro Histórico foi uma maneira de transformar suas ruas, sua arquitetura e sua poesia em personagem da música”, acrescentou.
O Democracia Cristã (DC) promove, neste momento, sua convenção estadual no Empresarial Wecon VI, em Boa Viagem, no Recife. Durante o encontro, a legenda anunciará apoio à pré-candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco, tornando-se mais um partido a deixar a base da governadora Raquel Lyra.
A articulação que levou o DC para o palanque de João Campos foi conduzida pelo prefeito de São Caetano e presidente estadual do PRD, Josafá Almeida. Na convenção, o partido também apresenta uma chapa completa, formada por 25 candidatos a deputado federal, além de deliberar sobre as candidaturas aos demais cargos e as alianças para as eleições de 2026. Ontem, também por articulação de Josafá, o Mobiliza anunciou que deixaria a base de Raquel para apoiar João Campos.
O ex-prefeito de Petrolina e ex-pré-candidato ao Senado, Miguel Coelho (União Brasil), disse que continuará apoiando a candidatura da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) mesmo após impasse por vaga ao Congresso Nacional.
A fala aconteceu durante encontro promovido por Miguel, em que anunciou apoio à candidatura de Mendonça Filho (PL) ao Senado, na tarde desta terça-feira (4). As informações são do JC.
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O ex-prefeito de Petrolina também não descartou participar das eleições disputando outro cargo.
“Tem várias formas de poder disputar. Enfim, tenho recebido vários apelos para poder disputar, mas tenho dito e deixei isso muito claro: eu só sou candidato se for para reforçar, somar e fazer o União Brasil sair melhor. Se a gente entender que cabe para poder fazer mais e fazer mais deputado no União Brasil, entendemos que sim, mas não pode ser uma vontade minha apenas. Tem que ser uma construção de todos”, disse Miguel.
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O candidato a governador João Campos (PSB) segue ganhando terreno em redutos políticos de Raquel Lyra (PSD). Hoje, o líder da Frente Popular anunciou o apoio de Joaquim Neto (PSDB), prefeito de Gravatá por três mandatos. Com a novidade, ele deixa o palanque da governadora e fortalece o projeto do conjunto político de João Campos no Agreste. As informações são do Blog do Finfa.
Joaquim Neto foi um dos principais apoiadores da governadora nas eleições de 2022, chegou a presidir o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) no ano seguinte e concorreu às eleições para prefeito em 2024 no partido que era o de Raquel, o PSDB. Ele decidiu aderir à Frente Popular, porém, por enxergar que o projeto liderado por João Campos reúne as condições de fazer Pernambuco retomar o protagonismo que já teve, em contraponto à estagnação gerada pela gestão atual.
João Campos celebrou o apoio de Joaquim Neto, que adere à campanha majoritária e, nos últimos dias, já havia reforçado a parceria eleitoral com outros dois nomes do PSB – Lucas Ramos, candidato à reeleição como deputado federal, e Bruno Marques, candidato a deputado estadual. “A gente se prepara para começar a campanha eleitoral desse jeito, reunindo um time que só faz crescer. É muito bom poder contar com Joaquim Neto, com sua trajetória, e reafirmar o nosso compromisso com Gravatá e todo o Agreste”, declarou o candidato a governador.
O lançamento ao Senado de Mendonça Filho (PL), aliado de primeira hora de Raquel Lyra (PSD), vai além de uma candidatura-relâmpago. Construída em apenas três dias, a postulação tem as digitais da governadora, que segue à risca uma estratégia traçada por Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições em Pernambuco.
Em fevereiro, anotações do presidenciável do PL vazadas para a imprensa mostraram o nome de Raquel como a candidata do bolsonarismo no Estado. Para o Senado, a preferência era pelo deputado Mendonça Filho, que seguiu a cartilha de Flávio, trocou o União Brasil pelo PL, mas evitou assumir uma candidatura para não colar a direita de forma explícita em Raquel.
Leia maisA opção da governadora, então, passou a ser Miguel Coelho (União Brasil), outro nome da lista de Flávio. O ex-prefeito de Petrolina passou meses sendo estimulado e chegou a ser apresentado por Raquel, em reuniões internas, como o nome de sua preferência dentro da União Progressista. No último sábado (1º), porém, a governadora foi obrigada a rifá-lo da disputa para não perder o apoio da federação, que é presidida pelo deputado Eduardo da Fonte (PP), nome que se impôs como candidato a senador na chapa governista.
Desolado, Miguel declarou apoio à postulação de Mendonça ao Senado nesta terça-feira (4), mas não é seu principal fiador. É difícil imaginar que o candidato do PL se lançasse sem o aval da governadora, sobretudo quando se sabe que ele vai tirar votos de Eduardo da Fonte, que tem inserção na direita.
Não ter feito nada para impedir um movimento que prejudica um membro de sua própria chapa prova que Raquel ou carece de liderança ou trabalhou para que o bolsonarismo tenha um palanque completo em Pernambuco: ela é o nome para o Governo do Estado, e Mendonça Filho, o candidato a senador, exatamente do jeito que Flávio Bolsonaro rabiscou.
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O deputado estadual Coronel Alberto Feitosa oficializou, hoje, sua candidatura à reeleição na convenção estadual do PL de Pernambuco, realizada no Hotel Bugan, em Boa Viagem, Recife.
A convenção reuniu dirigentes, filiados, parlamentares e lideranças políticas do PL de todo o estado, marcando o início oficial da corrida eleitoral do partido em Pernambuco. No evento, foram homologadas as candidaturas para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados, com o deputado federal Mendonça Filho sendo oficializado como candidato ao Senado. O PL optou por não lançar candidato ao Governo do Estado.
Blog Ponto de Vista
Não resta dúvida de que a candidatura de Mendonça Filho (PL) foi construída a muitas mãos. Há a participação de Miguel Coelho (UB), contrariado por ter sido preterido por Raquel Lyra (PSD) na composição da chapa majoritária e movido pelo sentimento de retaliação a Eduardo da Fonte (PP); há o PL, que busca fortalecer suas candidaturas ao Senado, sobretudo no Nordeste; e há, ainda, uma Raquel Lyra que, mesmo detendo o poder político, não digeriu a derrota para o poder cartorial e agora patrocina um projeto paralelo capaz de criar obstáculos à candidatura de Eduardo da Fonte.
Em um evento que contou com a presença de prefeitos do PSD, partido da governadora, da deputada estadual e líder do Governo na Alepe, Débora Almeida, além de bandeiras estampando Raquel Lyra e Flávio Bolsonaro lado a lado, Mendonça se sentiu à vontade para reafirmar publicamente seu apoio à reeleição da governadora. Embora aliados de Raquel insistam em negar qualquer participação da gestora na construção da candidatura de Mendonça, é difícil ignorar os indícios. As digitais da governadora parecem estar impressas nesse projeto, cujo laboratório político, ao que tudo indica, foi o Palácio do Campo das Princesas.
Leia maisAfinal, como acreditar que um Mendonça Filho que, no último domingo, circulava com desenvoltura na convenção de Raquel Lyra, de quem é amigo e aliado, teria decidido disputar o Senado sem, ao menos, o aval da governadora?
Diante desse cenário, outras perguntas também precisam ser respondidas. Como Túlio Gadelha, que se apresenta como lulista, se encaixa em um palanque que abriga uma candidatura ao Senado identificada com o campo bolsonarista? E qual será a reação de Eduardo da Fonte diante dessa nova configuração política, que coloca mais um adversário diretamente em seu caminho na disputa por uma das vagas ao Senado?
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O preço do descaso
Por Inácio Feitosa*
Na primeira parte, perguntei por que o recifense se acostumou com o feio e arrisquei uma resposta cultural: virou hábito, e hábito não se enxerga — apenas se atravessa. Aqui quero mostrar que o hábito tem preço, pago todo dia em reais, empregos e arrecadação que deixa de existir.
Hoje, 4 de agosto, a caminho do aeroporto, voltei a ser vítima do descaso com a Avenida Mascarenhas de Moraes, principal corredor de quem embarca no Recife. Fui deixar o carro numa oficina do outro lado da via, e só isso me obrigou a percorrer os dois sentidos — de Afogados ao aeroporto e de volta — para constatar, na ida e na volta, o mesmo abandono.
Leia maisAntes que me enquadrem em alguma trincheira: não é crítica a uma gestão. É crítica a todas as das últimas duas ou três décadas, e também ao Governo do Estado — a responsabilidade é compartilhada. Não puxo pelo cordão azul nem pelo encarnado. No pastoril da nossa política, prefiro o papel da Diana, a que fica no meio e não se filia a cordão nenhum. O feio não é de esquerda nem de direita: é de todos e, por isso, acaba não sendo responsabilidade de ninguém.
Vamos ao caso concreto, porque é nele que a conta aparece. Na oficina de seu Alexandre — chamemos assim —, num ponto nobre da avenida, a água já batia nos cinquenta, sessenta centímetros. Não foi evento climático extraordinário: foi chuva de rotina encontrando uma rede de drenagem sem manutenção, bueiro sem desobstrução, galeria sem limpeza. O resultado é previsível — e, por ser previsível, ainda mais indesculpável. Eu teria perdido o voo não fosse a gentileza de Milena, funcionária da casa, que me arrumou transporte a tempo; se dependesse do aplicativo, o motorista ainda estaria “chegando em 2 minutos”. Foi preciso a bondade de uma desconhecida para suprir o que o poder público deveria entregar.
Agora, a conta. A oficina emprega setenta pessoas — setenta contratos CLT, com INSS patronal, FGTS, 13º e férias provisionados. São custos fixos: correm chova ou faça sol, com a porta aberta ou fechada. E a empresa ainda sustenta, com pontualidade, dois caixas da Federação: o do município — ISS sobre os serviços e IPTU sobre o imóvel — e o do Estado, via ICMS sobre as mercadorias. Para abrir todo dia, seu Alexandre gasta entre trinta e cinquenta mil reais. Quando a avenida alaga e a oficina não abre, esse valor não some: vira prejuízo puro, custo fixo sem faturamento. Some o efeito em cadeia — o serviço não prestado não gera ISS, a peça não vendida não gera ICMS, o cliente que desiste talvez não volte — e multiplique pelas dezenas de portas fechadas naquela manhã. Esse é o custo real, em reais, de uma avenida que ninguém resolve.
É aqui que erramos o diagnóstico. Tratamos o alagamento como fatalidade meteorológica quando ele é falha de gestão — e falha de gestão tem externalidade. O descaso funciona como um imposto invisível sobre o setor produtivo: um tributo que não está em lei, mas que a empresa paga em prejuízo sempre que a cidade não faz o dever de casa. E é preciso ser honesto quanto ao tamanho do problema: naquele trecho da Mascarenhas de Moraes, a solução vai muito além de limpar esgoto ou desobstruir bueiro. É uma obra estruturante de drenagem — imprescindível, cara e tecnicamente complexa — que nenhum governo, estadual ou municipal, teve até hoje a coragem de encarar e resolver. Adia-se a obra definitiva de gestão em gestão e, no intervalo, não se faz nem o paliativo. Some-se a isso a lição mais básica da administração pública: a manutenção preventiva custa uma fração da recuperação e, ainda assim, é a primeira rubrica sacrificada, porque bueiro limpo não vira palanque nem rende foto. E há a nossa maldição estrutural — a descontinuidade a cada quatro anos, que faz da manutenção, tarefa silenciosa e permanente, algo que ninguém assume como seu.
No aeroporto, o desfecho. Vi a aflição de argentinos que chegavam em cima da hora, reclamando — em bom castelhano e com toda a razão — do caos para cruzar a cidade. E me veio o pensamento mais recifense possível: nós já nos acostumamos com o feio; agora só falta internacionalizar o hábito e convencer o turista a se acostumar também. Quem sabe não entra no roteiro: “conheça o Recife e atravesse a nado até o portão de embarque”.
Respondo, enfim, à pergunta que abriu a Parte I: o recifense se acostumou com o feio porque ele saiu barato para quem governa e caro para quem produz — e porque, por tempo demais, ninguém fez essa conta em voz alta. A saída não está em obra faraônica de vitrine, e sim em duas coisas que faltaram até aqui: coragem para enfrentar a intervenção estruturante que se adia há décadas e disciplina para transformar a manutenção em política de Estado, com continuidade entre gestões e responsabilização por resultado. O feio não tem partido; o cuidado também não deveria ter. Eis a questão — e recusar-se a aceitá-la como resposta talvez seja o primeiro passo.
*Advogado, mestre em Educação pela UFPE e escritor.
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