











A força política do prefeito Caíque (PSB), juntamente com outras lideranças do município, ampliaram a votação do presidente Lula em Angelim. O petista teve pouco mais de 74% dos votos no primeiro turno e neste domingo, chegou a 77,14%, exatos 5.769 votos, contra apenas 1.710 (22,86%) do adversário.
Angelim tem histórico de cidade progressista, tendo colocado na prefeitura políticos com perfil de esquerda, como Samuel Salgado (três mandatos) e Douglas Duarte (dois mandatos). O vice de Caíque, Oliveira, é filiado ao PT desde os tempos de vereador.
Caíque mostrou sua liderança no primeiro e no segundo turno e neste domingo garantiu ao presidente um dos maiores percentuais de votação do interior de Pernambuco. As informações são do blog do Roberto Almeida.
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, está reeleito para um quarto mandato como presidente. Mas o que se verá no Brasil a partir de agora alterará a lógica política do país desde 1945, que era baseada na tríade PSD, PTB e UDN. Como mostra a cientista política Lúcia Hippolito em seu obrigatório “PSD, de Raposas e Reformistas”, até 1964 a estabilidade política brasileira baseou-se numa aliança entre o PSD e o PTB.
O PSD era o partido de centro que unia boa parte da antiga elite agrária que governou o país na República Velha com novos rostos surgidos entre profissionais liberais com o crescimento das cidades, como Juscelino Kubitschek. O PTB reuniu a classe trabalhadora que ascendia com o fortalecimento dos sindicados. Na oposição, a UDN tornou-se o partido dos conservadores, empresários, mundo financeiro e parte também dos novos profissionais liberais nas cidades.
Leia maisEssa lógica só foi quebrada quando Jânio Quadros foi eleito, gerando tremenda instabilidade. Ampliada com a renúncia de Jânio. Num tempo em que presidente e vice eram eleitos separadamente, o de Jânio era João Goulart, do PTB. Jango suou para tomar posse. Acabou governando pressionando por esquerda e direita o tempo todo. Resistiu por dois anos até ser colhido pelo golpe militar em 1964. Quando o Brasil reconquistou a democracia, as novas forças políticas se organizaram mantendo a lógica.
Primeiro o MDB, depois o PSDB e, mais recentemente, o PSD e outras legendas de centro mantiveram o papel de “partidos da governabilidade” que tinha o PSD. O PT, modernizado com novas teses, tornou-se a principal força do trabalhismo. Partidos como o União Brasil e o Progressistas ocuparam o espaço da antiga UDN. Na redemocratização, alianças mudaram. Mas a sombra da antiga tríade sempre permaneceu. A não ser no rápido soluço produzido pela vitória de Fernando Collor em 1989. E quando Jair Bolsonaro venceu em 2018.
Esta eleição de 2026 parece provocar uma profunda mudança nessa lógica. As grandes alterações nas relações entre patrões e empregados enfraqueceram o modelo trabalhista tradicional. Sindicatos já não têm a mesma importância. Fora Lula, nenhum dos velhos caciques do PT conseguiu ser eleito. O que emergiu das urnas é uma nova geração produzida a partir de novos embates.
Mesmo o crescimento de Lula ocorrido no segundo turno não foi produzido pela cúpula petista nem pela sua campanha. Mas por estudantes nas ruas e por André Janones, que é um deputado da Rede, desconsiderado no primeiro turno. Nomes como a deputada eleita Ana Elisa (PT-MG) são uma nova oposição.
Da mesma forma, o que emerge a partir de Flávio Bolsonaro e dos nomes que foram eleitos tanto no Senado quanto na Câmara, tornando o PL o maior partido nas duas Casas, são uma nova direita. Contamos aqui na sexta-feira os esforços do Centrão para não perder sua hegemonia no Congresso. Terão trabalho.
O que se projeta é que o embate político a partir de janeiro vai se dar a partir de uma nova agenda. Os temas que a nova direita tentará implementar não são os que eram representados pelo velho centro com cara de PSD do passado. Provável aprovação de projetos de maior rigor na área de segurança, temas ligados a costumes, questões ambientais.
Da mesma forma, deverá haver uma mudança na agenda à esquerda. Foi visível no terceiro governo Lula certo descompasso em diversos momentos entre as novas aspirações da sociedade e uma visão envelhecida. Um caso emblemático foi a tentativa de regulamentar o trabalho de motoristas de aplicativo procurando aproximá-los da CLT.
Tudo isso projeta pela primeira vez um embate entre novas forças políticas no país. As velhas forças, naturalmente, irão se mover e procurar seus espaços para não perder relevância. Mas tudo indica que elas terão que se encaixar em papeis coadjuvantes. Pelo menos neste primeiro e como se aglutinarão agora diante da vitória de Lula.
Restará saber, então, o que acontecerá em 2030. Lula disputou neste domingo sua última eleição. Venceu novamente. Mas o PT não tem um nome para sucedê-lo. Pela direita, resta saber quem disputará. Alguém ainda do clã Bolsonaro? Outro nome que emerja da direita? Um fato, porém, parece estar claro. Nada será como antes.
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Editorial Poder360
O Brasil foi às urnas. Elegeu 1.035 deputados estaduais, 24 deputados distritais, 27 governadores, 54 senadores e 1 presidente da República. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para comandar o país pelos próximos 4 anos. Começa seu 4º mandato a partir de 5 de janeiro de 2027.
A atual fase democrática brasileira começou em 15 de março de 1985, há 41 anos, quando deveria ter tomado posse como presidente Tancredo Neves (1910-1985) – ele foi internado às pressas com uma diverticulite e, no seu lugar, assumiu José Sarney.
Leia maisNão foi fácil chegar até aqui. Sarney, um civil, havia sido o presidente da Arena, partido que deu sustentação à ditadura militar (1964-1985). O Brasil já teve 10 eleições diretas para presidente. Enfrentou 2 impeachments. Muitos solavancos vieram, como o da decisão de ontem, domingo (25.out.2026), no final da tarde, assinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin. O magistrado determinou que o horário de votação fosse prorrogado em duas horas –isso pouco antes de 17h, quando as urnas já estavam sendo fechadas. Felizmente, nada de grave acabou acontecendo para mudar o resultado das urnas por conta dessa medida extemporânea.
O fato é que o ambiente institucional anda sendo tisnado por decisões intempestivas como essa do ministro Cristiano Zanin. A institucionalidade fica comprometida. Não é à toa que as taxas de aprovação do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Executivo são baixas. As desavenças entre as instituições são combustível para o Brasil continuar dividido. Há muita beligerância no ar.
Num regime presidencialista, cabe ao ocupante do Palácio do Planalto comandar um processo de pacificação. O maior desafio de Lula será construir um ambiente mais harmônico entre os Três Poderes. Quando o petista foi eleito em 2022, o empresário Abílio Diniz (1936-2024) escreveu um artigo para este Poder360 e fez um apelo logo no momento seguinte à disputa: “Que o presidente eleito consiga pacificar e unir o nosso país, gerando crescimento, criando empregos, melhorando a distribuição de renda e diminuindo fortemente a desigualdade”.
Esse conselho de Abílio Diniz foi desprezado por Lula nos últimos 4 anos. Ao assumir seu 3º mandato, o petista afirmou que governaria com uma frente ampla de partidos e setores da sociedade. Não cumpriu o prometido e não pacificou o ambiente do poder. Ao contrário. A política hoje está mais belicosa e o grau de agressividade subiu de patamar. Caiu o nível de civilidade entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Nesse clima, perde a República, perdem os cidadãos, perde o país.
No seu discurso de vitória no domingo à noite, o presidente afirmou novamente que pretende governar para todos os brasileiros e que, terminada a eleição, não tem mais adversários. Só que no mesmo discurso afirmou que venceu um “representante genuíno do milicianismo”, uma pessoa que não tem “uma célula de humanismo”. Era uma referência derrogatória ao candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL). O que Lula ganhou fazendo essa referência? Nada. Ele dobrou a aposta e fez uma anedota, lembrando da má fase de seu time do coração: “O Corinthians está parecendo o Bolsonaro: só perde”.
Saber ganhar é mais difícil do que saber perder.
Em 1635, o pintor espanhol Diego Velásquez finalizou um quadro que produziu a pedido do rei Filipe 4º. A ideia era celebrar as vitórias do monarca. A pintura “A Rendição de Breda” está no Museu do Prado, em Madri. É um retrato da vitória de Ambrósio Spínola, chefe das forças espanholas, sobre o governador de Breda, Justino de Nassau. Diz muito sobre como se comportar ao vencer uma batalha.
No 1º plano dessa obra-prima, Spínola demonstra respeito por Nassau, o derrotado. Dá a impressão de que está impedindo o holandês de se ajoelhar para entregar-lhe a chave de Breda. As lanças dos soldados vitoriosos estão na vertical. Não há ameaça aos derrotados, que tampouco se defendem com as suas.
É difícil saber se a cena pintada por Velásquez é verdadeira ou não. O que é possível afirmar é que nas disputas políticas brasileiras quase nunca os vencedores são magnânimos. Há sempre um pensamento de revanche e vingança no ar. Essa atitude deletéria retroalimenta o ambiente lúgubre dentro dos Poderes da República.
Os 41 anos da democracia brasileira dão a Lula uma nova chance para mudar tudo isso.
O 4º mandato faz do petista de quase 81 anos (que completa em 27 de outubro) o político mais vitorioso da democracia brasileira. Ele tem poder e capital político como nenhum outro neste momento. Nesta fase de sua vida pode realmente tentar harmonizar a política e colocar o Brasil numa rota de crescimento sustentável, responsabilidade fiscal, economia aberta, liberal e amigável para os negócios.
Lamentavelmente, durante a campanha e no seu discurso na noite do domingo, o petista deu poucas dicas sobre como pretende desarmar a bomba-relógio que armou para si próprio com aumento exacerbado dos gastos públicos.
Talvez o discurso de ontem de Lula tenha sido só um ato final de campanha, com o presidente ainda inebriado pelo impacto da vitória. Ele tem 4 anos para mostrar que deseja de fato e vai governar para todos os brasileiros, sem estimular o “nós contra eles” e trazer um pouco de paz para a política, com uma economia em crescimento e controle das contas públicas.
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O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) atribuiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à “arrogância da família Bolsonaro” e criticou a estratégia do bolsonarismo nas redes sociais.
Em vídeo, Renan afirmou que a direita precisa mudar de postura para voltar a derrotar o PT. Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos, contra 59 milhões de Flávio Bolsonaro (PL). Clique no vídeo e confira!
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu na noite de domingo, 25, a declaração do candidato Flávio Bolsonaro (PL) de que fiscais do seu partido teriam sido “retirados” da sala-cofre da Corte. “A afirmação é falsa”, garantiu o TSE, em nota, esclarecendo que a sala não é um espaço aberto à visitação.
Segundo a Corte, todas as demais unidades e áreas podem ser visitadas por fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e membros do Ministério Público, entre outros. “Neste domingo, dois fiscais do PL estiveram no TSE para acompanhar o Teste de Integridade das Urnas, realizado no subsolo do prédio, e a totalização e divulgação dos resultados, na Sala de Totalização. Também visitaram a Sala dos Partidos Políticos, no 5º andar”, afirmou.
Leia maisO TSE ainda declarou que “há registro de presença nos locais visitados, além de filmagem na Sala de Totalização, que comprovam o acesso livre dos fiscais às unidades”, e reforçou que “o resultado das Eleições 2026 foi anunciado na noite deste domingo pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques”.
A declaração de Flávio ocorreu também na noite de domingo (25), em seu discurso após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
O candidato questionou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que estendeu a votação por duas horas após denúncias de problemas no transporte público em vários municípios, e alegou que os fiscais teriam sido retirados da sala-cofre logo após a determinação, o que foi desmentido pelo TSE. Flávio disse ainda ser “impossível reconhecer resultado da eleição” e que pedirá anulação.
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Um grande evento do Jornalismo brasileiro terá a cidade do Recife como sede, na próxima quarta-feira, das 13h às 20h. Será o Festival de Jornalismo Recife, organizado pela jornalista e ativista Kátia Cubel.
Direcionada principalmente aos estudantes de Jornalismo, a iniciativa vai reunir 15 palestrantes de primeiro nível, entre os grandes nomes da comunicação em Pernambuco, e nomes nacionais do Jornalismo brasileiro. Entre eles, Basília Rodrigues, Breno Pires, Rodrigo Rangel, Eldo Gomes e Patrícia Blanco. A conferência magna será realizada por Chico José.
Com muita honra, também integro a programação do evento e vou participar do painel “Os desafios do Jornalismo em Pernambuco” com os jornalistas Carol Santos, do Marco Zero; Leusa Santos, da Folha de Pernambuco; Laurindo Ferreira, do Sistema Jornal do Commercio.
Nesta edição, o Festival de Jornalismo Recife tem o patrocínio do Banco do Nordeste, do Governo do Brasil, da Fiepe, da Alepe e o apoio da Prefeitura do Recife, do Instituto Palavra Aberta, da RXZ, do Jornalistas&Cia e da OAB-PE.
Por Cláudio Soares*
Minas Gerais protagonizou uma das reviravoltas mais intrigantes da disputa presidencial de 2026. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia vencido no estado, com 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% de Lula. No segundo turno, em 25 de outubro, o resultado teria sido invertido: Lula alcançou 50,43%, enquanto Flávio ficou com 49,57%.
A diferença final teria sido de apenas 109.313 votos, aproximadamente 0,87 ponto percentual. O comparecimento informado foi de 13.044.203 eleitores, com abstenção de 20,33%.
Leia maisO que explica essa virada, especialmente considerando que Flávio contou com o apoio de lideranças importantes da política mineira?
Cleitinho, governador eleito, Nikolas Ferreira, deputado federal, e Romeu Zema, ex-governador, apoiaram Flávio Bolsonaro. Mesmo com esse respaldo político, Lula teria conseguido ultrapassar o adversário. O resultado levanta questões sobre a capacidade de transferência de votos dessas lideranças e a estratégia adotada no segundo turno.
Teria o comportamento de Nikolas Ferreira contribuído para a derrota de Flávio em Minas? O Flávio atacado os nove dedos de Lula?
Uma das hipóteses a investigar envolve as chacotas direcionadas a Janja, esposa de Lula. Será que essas manifestações provocaram uma reação negativa entre parte das mulheres mineiras? É uma possibilidade, mas não há, nos dados apresentados, evidências suficientes para afirmar que esse episódio tenha influenciado decisivamente o resultado.
Outro aspecto é o tom adotado nos confrontos políticos e nas aparições públicas. Deboches, ironias e provocações contra adversários podem agradar aos apoiadores mais fiéis, mas também podem afastar eleitores moderados e independentes. Eventuais episódios envolvendo Simone Tebet e Fernando Haddad, em ambientes televisivos como os da Band e da Globo, merecem análise contextualizada para que se possa avaliar seu impacto.
Na política, a crítica faz parte do debate democrático. Entretanto, quando a crítica se transforma em humilhação ou deboche, existe o risco de produzir uma reação contrária à pretendida. O eleitor pode tolerar a divergência, mas interpretar a arrogância como desrespeito. Saber se isso aconteceu em Minas exige pesquisas específicas, e não apenas conjecturas.
Também cabe perguntar se Cleitinho e Zema mantiveram, no segundo turno, a mesma intensidade de mobilização do primeiro. Teriam reduzido a participação em agendas, manifestações públicas e ações de campanha? A hipótese de um freio de mão puxado merece investigação, mas não pode ser tratada como fato sem informações concretas sobre a atuação de ambos.
Minas Gerais, porém, não deve ser analisada isoladamente. No Sudeste, Flávio teria obtido vantagens expressivas em São Paulo e no Rio de Janeiro, enquanto Lula teria vencido por margem mínima em Minas. No Sul, Flávio teria vencido nos três estados, com destaque para Santa Catarina, onde alcançaria quase 70% dos votos. O saldo regional informado seria de aproximadamente 4,58 milhões de votos favoráveis a Flávio.
No Norte, a disputa teria sido muito mais equilibrada. Flávio venceu em quatro estados — Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins —, enquanto Lula venceu no Amapá, Amazonas e Pará. Apesar da divisão de vitórias estaduais, a vantagem regional informada para Lula teria sido de apenas 1.079 votos.
Minas Gerais, porém, não deve ser analisada isoladamente. No Sudeste, Flávio teria obtido vantagens expressivas em São Paulo e no Rio de Janeiro, enquanto Lula teria vencido por margem mínima em Minas. No Sul, Flávio teria vencido nos três estados, com destaque para Santa Catarina, onde alcançaria quase 70% dos votos. O saldo regional informado seria de aproximadamente 4,58 milhões de votos favoráveis a Flávio.
No Norte, a disputa teria sido muito mais equilibrada. Flávio venceu em quatro estados — Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins —, enquanto Lula venceu no Amapá, Amazonas e Pará. Apesar da divisão de vitórias estaduais, a vantagem regional informada para Lula teria sido de apenas 1.079 votos.
No Nordeste, o quadro teria sido completamente diferente. Lula venceu nos nove estados e obteve uma vantagem regional estimada em 13,65 milhões de votos.
No Nordeste, o quadro teria sido completamente diferente. Lula venceu nos nove estados e obteve uma vantagem regional estimada em 13,65 milhões de votos.
Os resultados informados foram os seguintes:
Lula /Flávio Bolsonaro
Bahia 71,31% a 28,69%
Piauí 75,88% a 24,12%
Pernambuco 69,20% a 30,80%
Maranhão 69,54% a 30,46%
Ceará 68,93% a 31,07%
Sergipe 69,53% a 30,47%
Paraíba 67,46% a 32,54%
Rio Grande do Norte 65,72% a 34,28%
Alagoas 60,77% a 39,23%
O balanço regional apresentado aponta aproximadamente 24,45 milhões de votos para Lula e 10,80 milhões para Flávio, produzindo uma vantagem de 13,65 milhões de votos para o petista. A diferença nacional final informada seria de aproximadamente 4,43 milhões de votos favoráveis a Lula.
Esse contraste ajuda a compreender o peso do Nordeste no resultado nacional e a importância das demais regiões para o equilíbrio da disputa. Ainda assim, o resultado de Minas tem uma particularidade: uma mudança relativamente pequena na distribuição dos votos entre os dois turnos teria sido suficiente para inverter a liderança estadual.
A pergunta central permanece: por que Flávio Bolsonaro perdeu Minas Gerais apesar do apoio de Cleitinho, Nikolas Ferreira e Romeu Zema? Foi uma mudança espontânea na preferência do eleitorado? Houve falhas de estratégia? O comportamento de aliados produziu desgaste? A mobilização no segundo turno foi insuficiente?
São hipóteses que precisam ser confrontadas com pesquisas de opinião, dados por município, comparecimento eleitoral e registros da campanha.
Na política, apoio não é sinônimo de transferência automática de votos. Popularidade nas redes sociais tampouco garante aprovação fora delas. E o deboche, quando percebido como desrespeito, pode ter consequências eleitorais – embora seja necessário demonstrar se, e em que medida, isso ocorreu em Minas Gerais.
*Advogado e jornalista
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O cientista político Rubens Figueiredo é o convidado do meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o Direto de Brasília, de amanhã. Dois dias após o segundo turno da eleição presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ele fará uma análise sobre a vitória de Lula e os desafios para o quarto mandato. Entre os assuntos previstos estão a configuração das forças políticas após a disputa, o comportamento do eleitorado, a polarização e as perspectivas para as relações entre o Executivo e o Congresso Nacional.
Formado em Ciências Sociais e pós-graduado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Figueiredo é diretor do Centro de Pesquisa e Comunicação (Cepac), empresa especializada em pesquisas e consultoria política. Com experiência na análise de cenários eleitorais e da opinião pública, também atua como consultor da Fundação Espaço Democrático, ligada ao PSD, e integra o Conselho Superior de Estudos Avançados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Leia maisAo longo da carreira, integrou o Conselho de Comunicação da Presidência da República durante o governo Michel Temer e produziu, em parceria com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um estudo sobre as relações entre capitalismo e democracia no Brasil, apresentado em seminário internacional na Itália. É autor de livros sobre política e comportamento social, entre eles Sofrendo Feliz da Vida – Alegria e Angústia de Ser Brasileiro, lançado em 2025, no qual aborda contradições da sociedade brasileira.
Em parceria com a Folha de Pernambuco, o podcast Direto de Brasília vai ao ar na próxima terça-feira, das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, e mais 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem a Rede Nordeste de Rádio, a Rede Mais Rádios, da Paraíba; a Rede ANC, no Ceará; a revista Mais Nordeste, em Fortaleza; e a TV LW, em Arcoverde.
Entram como parceiros na mídia institucional a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
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Se há um grande perdedor nestas eleições são os institutos de pesquisas. Erraram feio, tanto no primeiro turno, quando davam Lula (PT) em primeiro lugar, quanto no segundo, apontando, em sua grande maioria, uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
Em geral, não captaram o efeito do vermelhão que tomou as ruas do País nem o massacre que Flávio sofreu de Lula no debate da Globo, dias antes. Aliás, o comportamento cafajeste de Flávio tratando Lula de nove dedos também tirou uma enxurrada de votos do candidato oposicionista.
Leia maisO candidato derrotado disse que não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se Lula dá com uma mão e tira com os nove dedos. Isso é comportamento de moleque e quem é moleque não pode governar o País.
De imediato, numa postura de estadista, Lula usou parte do seu tempo para rebater a fala do candidato. “Não vou permitir que miliciano me chame de 9 dedos. Ele não sabe o que é uma carteira de trabalho, o primeiro emprego dele foi falso, no gabinete do pai”, disse.
O petista exigiu que o candidato do PL se desculpasse por ter usado a expressão. Ele se desculpou, mas de nada adiantou. Deslizes no jogo político pavimentam o caminho para a derrota. Na política, o erro de um homem é a oportunidade de outro e Lula soube com muita competência e propriedade tirar proveito do deslize verbal do adversário.
Fica a lição para o filho de Bolsonaro: em política, o que começa com arrogância quase sempre termina em fracasso.
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O Instituto Media Inteligência em Pesquisa acertou o resultado do segundo turno para o Governo do Rio Grande do Norte. Divulgada na véspera da votação, no sábado (24), a pesquisa Media/O Potengi apontou Cadu de Lula (PT) com 50,7% dos votos válidos, contra 49,3% de Allyson Bezerra (União Brasil).
O resultado oficial da apuração confirmou a vitória de Cadu de Lula, com 50,77% dos votos válidos, enquanto Allyson Bezerra obteve 49,23%.
Leia maisA comparação mostra que a estimativa do Instituto Media ficou a apenas 0,07 ponto percentual do resultado oficial para cada candidato, uma diferença bastante pequena entre a pesquisa divulgada antes da votação e os números apurados nas urnas.
De acordo com os dados da apuração oficial divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cadu de Lula recebeu 1.073.024 votos, enquanto Allyson Bezerra obteve 1.040.399 votos. A diferença foi de 32.625 votos em favor do candidato do PT.
O levantamento Media/O Potengi foi publicado em um cenário de disputa acirrada, com os dois candidatos separados por apenas 1,4 ponto percentual na estimativa de votos válidos.
A pesquisa Media/O Potengi antecipou corretamente o candidato que venceu o segundo turno no Rio Grande do Norte e cravou os percentuais praticamente iguais aos divulgados na apuração oficial.
O levantamento ouviu 1.050 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 19 e 23 de outubro. A margem de erro informada é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TRE-RN sob o número RN-07104/2026.
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Por Adalbertovsky Ribeiro*
MONTANHAS DA JAQUEIRA – O cientista político The Gaule aflorou no recinto. Depois de votar no segundo turno ele veio confirmar sua tese histórica de que as bocas das urnas são muito sérias nesta Terra de Vera Cruz, a terra da verdadeira Cruz. Assim também os institutos de pesquisa tipo DataZeAraujo, onde quem manda é o freguês. Basta considerar a margem de erro de 50% para mais ou para menos, explicou The Gaule.
Além da ciência política, The Gaule também exerce o ofício de futurólogo. Ele acredita que o futuro do Brazil S.A. está escrito no seu passado. – Maktub!
Já estamos no terceiro turno das eleições presidenciais de 2050. Os candidatos do segundo turno foram trucidados entre si, na base de facadas, tiros e canibalismo. Um criptocomunista mastigou a orelha do adversário como prova da coragem cívica. O tema dominante da temporada, pra variar, é corrupção, crime organizado, crime avulso, dívida pública de trilhões, feminicídio, lei da ficha suja.
O candidato da High Esquerda defende a tese de que o Brazil S.A. deve manter uma reserva de mercado para a corrupção, em louvor das honoráveis tradições auriverdes da Colônia, Império e República. Lema de campanha: se o Brazil S.A. revogar a corrução, não será mais Brazil.
A futura primeira-dama de Pindorama em 2050, uma senhora construtora de barracos, a bordo de um cartão corporativo, irá dar um esculacho no bisneto do fogueteiro Elon Musk: “Seu piá bisneto de Elon, você é um piá de coliforme, to fuck your anéis”.
Os saudosistas dirão no ano 2050: Bons tempos aqueles de 2026! Havia uma seita vermelha e o coração da seita era o umbigo de um velhinho com quase 200 anos de idade. Ele dizia em seus delírios que os traficantes eram vítimas dos maconheiros e chamava Jesus de Genésio. Virou uma múmia, coitado.
Neste ano de 2050 também haverá eleições gerais na República Caribenha Democrática de Cuba. O candidato do Partido Comunista Vintage propõe a restauração da ditadura comunista e o fuzilamento dos opositores reacionários no Paredón, a começar pelos descendentes da família de Marco Rubio. Propõe também que todos os maricones (gays) sejam expatriados para Miami ou condenados à prisão perpétua.
O candidato a presidente da ultradireita abolicionista de Cuba defende a liberação da internet, do rock n‘roll e dos investimentos privados. Os dois candidatos estão empatados tecnicamente, segundo as pesquisas.
Os marqueteiros cubanos são filhos do dilúvio. Ou foram importados de Marte, o planeta vermelho, como diria o cientista planetário Lavareda, o astro das pesquisas.
Dizem que a política é muito dinâmica. Verdade. A corrupção também é muito dinâmica. Desde o Mensalão e o Petrolão até hoje a corrupção evoluiu bastante. Está irreconhecível. Os corruptos inventaram até o crime perfeito, o crime que não é crime, segundo The Gaule. Em compensação, o que não é crime passa a ser criminalizado, tipo o crime de opinião.
*Periodista, escritor e quase poeta
Virada histórica, feito inédito
A reeleição de Lula (PT), numa virada espetacular, quebrou paradigmas. Nunca um candidato derrotado no primeiro turno havia vencido uma disputa no segundo turno. A vitória tem suas explicações e lógicas. Se antes Lula havia subestimado o adversário, na retomada da campanha não apenas mudou a estratégia, mas foi para cima do adversário com um ímpeto nunca visto.
O povo nas ruas teve um peso fundamental, numa mobilização espontânea e natural, sem estruturas partidárias ou de máquinas públicas. Pelas redes, Lula adotou um tom mais informal, gravando vídeos em formato selfie e falando diretamente com o eleitor.
Leia maisMas a grande guinada nesse quesito foi a entrada do deputado André Janones (Rede-MG) na campanha.
Janones criou o grupo “Exército de Lula” no WhatsApp, que reuniu mais de 10 milhões de pessoas e, com a ajuda delas, aumentou o engajamento da esquerda nas redes sociais e amplificou a campanha pró-Lula.
Movimentos sociais e estudantes organizaram várias mobilizações em dezenas de cidades pelo país. As imagens das ruas tomadas de vermelho ajudaram a dar o tom de uma virada até então inédita no segundo turno. A campanha trouxe a promessa de continuidade das políticas adotadas nos últimos quatro anos ou de aprofundá-las, com mais investimentos ou alcance.
Entre as propostas do plano de governo de Lula, considerando diferentes áreas de gestão, estão o aumento do salário mínimo sempre acima da inflação, investimento em defesa nacional e a criação de um ministério para a Segurança Pública. A ideia do ministério é garantir a participação da União nas políticas de segurança atualmente geridas unicamente pelos estados.
Seu programa de governo falou em criar “a maior rede pública de cuidado ao câncer do mundo”. Para isso, prevê investimentos em diagnóstico e tratamento do câncer com técnicas e equipamentos modernos, bem como a atualização de novos medicamentos quimioterápicos e imunoterápicos.
Na área de educação, Lula prometeu criar novas versões do Programa Pé-de-Meia, como o Pé-de-Meia universitário. O programa Pé-de-Meia foi criado em 2024, em uma versão escolar. Trata-se de um incentivo financeiro-educacional pago pelo governo federal para promover a permanência e a conclusão escolar de pessoas matriculadas no ensino médio público.
Após enfrentar com soberania o “tarifaço” imposto pelo governo de Donald Trump, Lula reafirmou o compromisso em manter relações equânimes, diplomáticas e comerciais com todos os países do mundo, fortalecendo a economia nacional, com base na industrialização, e buscando novos mercados para exportação.
Esta eleição, entretanto, trouxe lições que o governo do Lula 4 vai ter que aprender, não só para governar, mas para garantir uma renovação. Lula não tem mais como se reeleger e agora vai ser obrigado a preparar a sucessão dele e ter que fazer isso à luz desses elementos que vimos na campanha: a importância da campanha de rua e da dominação de redes.
MUDANÇA DE TOM – Lula saiu atrás no primeiro turno de Flávio Bolsonaro, conquistando 45,16% dos votos, ante 47,03% do senador do PL. A diferença foi de 2.224.965 votos, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O tom da campanha mudou completamente no segundo turno. Quatro anos após o discurso da vitória de 2022, em que exclamou “Tentaram me enterrar vivo, mas eu ressuscitei”, o presidente demonstrou sua capacidade de ressuscitar. No dia seguinte à derrota, enquanto o PT se engalfinhava em busca de culpados, milhares de estudantes da Universidade Federal Fluminense saíram do Campus do Gragoatá e percorreram ruas de Icaraí e do Centro de Niterói para defender Lula. Dias depois, outros milhares de jovens ocuparam a praça da Candelária, no Rio. O movimento se espalhou pelo país. A esquerda, que desde 2013 estava sumida das ruas, ressurgiu num movimento orgânico, sem partido e unida pela rejeição ao bolsonarismo.

Ouvir mais e teimar menos – Em Brasília, Lula defenestrou o que ele mesmo definiu como o comando da “campanha mais desorganizada da história”. O senador Camilo Santana (PT-CE) assumiu a coordenação e o governador do Piauí, Rafael Fonteles reorganizou a comunicação. O deputado André Janones (Rede-MG) abriu espaço a cotoveladas para criar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que em duas semanas reuniu mais de 10 milhões de membros. Na sua nona e última campanha eleitoral, Lula mudou com a ameaça de encerrar a carreira com uma derrota. Segundo quem convive com ele, passou a ouvir mais e teimar menos.
Erros, enfim, reconhecidos – O Lula que ressuscitou no segundo turno e foi eleito ontem foi obrigado a se atualizar rápido. Após anos de ojeriza às redes, passou a gravar vídeos diários na vertical, em formato de selfie. Até o chapéu que ele insistia em usar, mesmo em entrevistas de estúdio, foi deixado de lado. Conceitos distantes da população, como a soberania nacional e o controle da exploração das terras raras, foram substituídos por temas urgentes como a redução da jornada de trabalho e a renegociação de dívidas. Pela primeira vez em quatro anos, Lula reconheceu que seu governo cometeu erros e que a população tem motivos para estar insatisfeita.
Popularidade em baixa – Apesar da vitória, Lula teve um terceiro mandato com problemas de popularidade. Lideranças petistas avaliam ainda que parte das dificuldades que vieram à tona na campanha são resultados de erros cometidos desde o início do mandato. Em uma opção vista como “arrogante” por uma parcela dos seus aliados, Lula não levou a “frente ampla” formada para a disputa contra Jair Bolsonaro para o centro de sua gestão, apesar da vitória apertada sobre o ex-presidente em 2022.

O exército de Janones – O deputado federal André Janones (Rede-MG) comandou a virada digital na campanha do presidente Luiz Inácio Lula (PT), determinante em sua vitória contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), e o próprio Lula reconheceu em discurso na comemoração da vitória. À frente do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, ele organizou a atuação da militância a favor do petista na arena on-line, onde passou a disputar espaço contra o bolsonarismo, tradicionalmente com desempenho melhor que a esquerda nesses espaços. Popular nas redes sociais, o parlamentar tem sua trajetória política ligada à mobilização de apoiadores em momentos como a greve dos caminhoneiros, a pandemia e a campanha presidencial de 2022. Criado para concentrar as orientações para atuação on-line da militância pró-Lula, o canal chegou a mais de 10 milhões de seguidores.
CURTAS
RECORDE – Reeleito presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliará um recorde que já pertence a ele: o de presidente mais velho a tomar posse na história do Brasil. O petista terá 81 anos quando iniciar seu novo mandato, em 5 de janeiro de 2027. A marca anterior foi estabelecida em 2023, quando Lula retornou ao Palácio do Planalto aos 77 anos, após derrotar Jair Bolsonaro (PL).
SEM ESCOLHA – O Congresso mais conservador em seu quarto mandato é um desafio lembrado por Lula em seu discurso. Mas esse fato foi amenizado pela fala do petista: “Eu não escolho o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, disse em sua fala após o resultado final.
RAQUEL – A governadora Raquel Lyra (PSD) parabenizou, em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória alcançada neste domingo. “Vamos seguir trabalhando junto com o governo federal com muito diálogo, respeito institucional e parceria. Da nossa parte, pode contar com Pernambuco, presidente Lula. Vamos seguir trabalhando, sem parar, para transformar cada compromisso em resultado concreto na vida das pessoas”, disse em nota.
Perguntar não ofende: Lula governa com o Congresso bolsonarista eleito?
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