











Por Luciano Bivar*
A reportagem da Globo no Dia do Trabalho sobre a nova China foi objeto de uma renovada atenção para onde caminha nossa economia. Caminha, sim, porque a economia é um seguimento móvel e mexe-se como um ser vivo, tudo depende da ciência, da cultura e dos adventos externos (guerras, depressões, avanços científicos, necessidades, etc…).
Falo em renovada atenção, porque há mais de 40 anos, quando visitei a China, escrevi o livro “Brasil Alerta: Psicoses Socialistas”, onde já antevia uma sociedade em alteração de rumo. O multilateralismo que hoje o presidente Lula persegue, a preservação de nossas terras raras, de nossas múltiplas formas renováveis de energia, é a única forma para entrarmos nessa revolução superindustrial para banir a fome, a doença, a ignorância e a brutalidade. Precisamos de ajudas, como muletas: mais do que economistas, sociólogos e filósofos.
Leia maisOs norte-americanos ficaram ancorados num sistema imperial e mudar para um outro sistema implicaria em grandes custos, é mais uma questão de inércia confortável do que técnica.
A simplificação tributária que proponho acabaria com esse imposto declaratório (IVA) em que, por incrível que pareça, estamos querendo aperfeiçoar o obsoleto. Podemos dizer, fora esses escorregões como a EC 132/23, temos tentado contornar através de uma esquerda liberal (termo criado por mim), mistura do social (Estado) e economia de mercado. Vejam o esforço que o Itamaraty está empreendendo para um novo mundo solidário.
Está na hora de darmos um grande salto para o futuro, enquanto o mundo “desenvolvido” nada em mares imagináveis confortavelmente sobre tarifas e ameaças — hoje mais do que nunca — enquanto o resto do planeta, quando não omisso, deleita-se pelos conflitos alheios entre o fundamentalismo ideológico e a brutalidade. Esquecem que o mundo é uma aldeia; o estreito de Ormuz está aí para confirmar essa assertiva. Vamos, Brasil, a hora é essa. Só precisamos alterar a cosmovisão de uma direita radical que insiste em não modernizar sua visão de mundo.
Ao PT e o MDB, juntem-se e abriguem-se sob um guarda-chuva democrático antes que a tirania da corrupção não devore nossas entranhas de um estado democrático de direito.
*Deputado federal (MDB-PE)
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O prefeito de Camaragibe, Diego Cabral, cancelou oficialmente as comemorações pelos 44 anos de emancipação política da cidade, que ocorreriam entre os próximos dias 8 e 13 de maio, no Pátio de Eventos, em razão das chuvas intensas que atingem o município e a Região Metropolitana do Recife (RMR) desde a madrugada de ontem (1º). O anúncio do gestor foi feito neste sábado (2).
A Prefeitura de Camaragibe informou que todas as secretarias estão atuando no atendimento à população e no monitoramento das áreas de risco. Segundo a gestão, o foco é reconstruir os locais atingidos pelas enchentes e assegurar a segurança dos moradores. “A nossa prioridade neste momento é garantir a segurança total de toda a população de Camaragibe”, declarou Diego Cabral.
O pré-candidato a governador de Pernambuco João Campos (PSB) articulou, neste sábado (2), uma videoconferência entre o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, e sete prefeitos da Região Metropolitana e da Zona da Mata atingidos pelas chuvas. Na ocasião, o ex-prefeito do Recife se comprometeu a solicitar ao presidente Lula (PT) a liberação de recursos para obras de prevenção ao impacto das mudanças climáticas que dependem de investimentos do Novo PAC. A reunião foi conduzida a partir de Goiana, na Mata Norte, cidade que concentrou mais de 200 milímetros de chuva nas últimas 48 horas.
“Ontem tive a oportunidade de falar com o presidente Lula, com o ministro Waldez Góes, e explicamos a situação que estava acontecendo aqui na Mata Norte e na Região Metropolitana. A gente vai consolidar tudo o que os municípios solicitaram e que tem cadastro já realizado no PAC para eu levar ao presidente Lula e pedir uma ação diante disso. Algumas coisas estão fora da alçada da Defesa Civil, mas, a partir do momento em que o registro e o cadastro são feitos, que há o decreto de emergência e um protocolo aberto, a gente sabe a sensibilidade do presidente Lula para poder autorizar essas intervenções junto ao PAC”, destacou.
Leia maisJoão Campos defendeu essa articulação como fundamental para que, além do suporte de emergência, os municípios conquistem recursos federais para obras de caráter preventivo, que demandam projetos estruturantes e volumes maiores de investimentos. O pré-candidato a governador valorizou ainda a parceria com o presidente Lula em contraponto à falta de apoio na gestão federal anterior, como ele próprio vivenciou, na condição de prefeito do Recife, em 2022, em meio a chuvas históricas na capital.
“Nós não contamos com nenhum tipo de solidariedade institucional do Governo Federal, nenhuma governança montada naquele momento, nenhuma ajuda, nenhuma ligação de solidariedade. E eu queria dar o testemunho da diferença que é. O presidente Lula, com 30 segundos de ligação, ele atendeu. Com dois minutos, o ministro Waldez retornou, o secretário Wolnei ligou e hoje a gente está aqui fazendo reunião, à tarde já tem reunião, à noite já vamos ter os planos de trabalho. A gente tem que saber reconhecer quem faz o bom dever. Então, quero deixar o meu abraço aos prefeitos, me solidarizar a eles e agradecer a pronta disposição da Defesa Civil nacional”, declarou.
O prefeito de Goiana, Marcilio Régio, agradeceu a articulação de João Campos e relatou a situação crítica do município em decorrência do aumento do nível de rios como o Goiana, o Tracunhaém e o Tracunhaém-Mirim. “Tivemos mais de 220 milímetros de chuvas, tivemos alagamentos nos distritos e nas praias, o Rio Goiana subiu e afetou mais de 600 famílias. A situação de Goiana é muito difícil”, relatou.
Também participaram da videoconferência os prefeitos do Recife, Victor Marques, de São Lourenço da Mata, Vinicius Labanca, de Abreu e Lima, Flávio Gadelha, de Ipojuca, Carlos Santana, de Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto Arruda, e de Timbaúba, Marinaldo Rosendo. Após a reunião, ao lado do prefeito Marcilio, João Campos percorreu localidades atingidas pela cheia dos rios da região e conversou com pessoas desabrigadas e profissionais que estão na linha de frente.
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Por conta das fortes chuvas que ocasionaram o transbordamento do Rio Goiana, o tráfego entre os Estados de Pernambuco e Paraíba está interrompido, desde o final da manhã deste sábado (2).
Com o transbordamento do chamado Canal de Goiana, o tráfego pela BR 101 Norte entre os dois Estados está interditado. Rotas alternativas pelo litoral são desrecomendadas, porque todas envolvem maior perigo. Neste momento, todas as rotas da Zona da Mata e do Agreste devem ser evitadas.
Além do Rio Goiana, que transbordou em Pernambuco, o Rio Paraíba, já no estado vizinho, também está em cheia, como mostra vídeo abaixo. O cenário se repete em dezenas de riachos da região. Em vários pontos, a água encobre pontes e trechos de estrada, deixando vias submersas e ampliando os bloqueios. As informações são do jornal O Poder.
Como só consegui voo para o Recife amanhã, virei turista em Natal. E já começo dando umas dicas. Estou hospedado em Ponta Negra, num hotel maravilhoso, o Aquária, que fica ao lado do morro do Careca, um dos pontos turísticos mais famosos da capital potiguar.
Já teve um tempo que era possível escalar ele até o topo para curtir a belíssima vista lá de cima. Mas estava ocorrendo depredações do meio-ambiente e a subidinha acabou sendo proibida.
Leia maisEm Ponta Negra, percebi uma invasão de turistas. Foi difícil achar hotel, mas graças a um motorista de Uber muito gentil e desenrolado, que conheci na descida no aeroporto, achei o Aquária. Tudo isso, claro, porque o avião da Latam, procedente de Brasília, não pousou no Recife devido ao temporal, verdadeiro dilúvio que desabou na cidade e no Interior.
O bom de Ponta Negra é que sua orla tem calçadão para correr, barzinhos tranquilos, bons restaurantes e um comércio sensacional, com preços bem em conta. Aproveitei para comprar umas peças de artesanato, roupa e uma belíssima bolsa de bituri para minha Nayla.
O deslumbre para os turistas em Natal, entretanto, são os passeios de buggy nas dunas. O melhor e mais clássico passeio de buggy em Natal é o do Litoral Norte (Dunas de Genipabu).
É famoso pelas dunas móveis, emoção e paradas em lagoas como Pitangui e Jacumã. O trajeto atravessa a Ponte Newton Navarro e inclui cenários de preservação ambiental, com opções de “com emoção” (mais radical) ou sem. Custa R$ 180.
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O Hospital da Restauração confirmou na manhã deste sábado (2) a morte de Helena Soares da Silva Barbosa, de 1 ano e 6 meses, que estava na casa atingida por um deslizamento de Barreira em Dois Unidos. O Corpo de Bombeiros, que participou do resgate ontem, retirou o bebê com vida e o levou para o hospital.
Ainda ontem, o Prefeito do Recife, Victor Marques, confirmou as mortes de Jaqueline Soares da Silva e seu filho, Riquelme Soares da Silva, de 7 anos.
Helena Soares é a terceira vítima desse local e a quinta em Pernambuco após as chuvas que atingem Pernambuco desde ontem (1º), considerando também as duas mortes em Passarinho. As informações são da Folha de Pernambuco.
A Prefeitura de Olinda intensificou, ontem (1º), as ações de resposta às fortes chuvas que atingiram o município, com atuação direta da prefeita Mirella Almeida (PSD), que esteve em pontos da cidade acompanhando de perto os trabalhos das equipes. Durante o dia, a gestora recebeu a ligação do ministro das Cidades, Vladimir Lima, que garantiu apoio federal e se colocou à disposição para avançar nas obras que já contam com recursos captados e estão em fase de execução.
O contato do ministro reforça a articulação entre o município e o Governo Federal em um momento crítico, assegurando que intervenções estruturais importantes para Olinda possam ganhar celeridade, especialmente aquelas voltadas à drenagem urbana e mitigação de áreas de risco. A sinalização de apoio ocorre enquanto a cidade enfrenta os impactos das chuvas intensas, que elevaram o nível de canais e exigiram respostas rápidas do poder público.
Leia maisAo longo do dia, Mirella Almeida percorreu áreas afetadas, incluindo o Canal do Fragoso, um dos pontos críticos durante períodos chuvosos, acompanhando de perto o trabalho das equipes operacionais. A Defesa Civil do município atuou de forma contínua, monitorando áreas de risco, prestando assistência à população e executando medidas emergenciais para reduzir danos.
Além da mobilização municipal, a prefeita destacou a presença da governadora Raquel Lyra em Olinda, que esteve na cidade acompanhando a situação, assim como a vice-governadora Priscila Krause, com quem Mirella monitorou as ações das equipes do Governo do Estado em solo olindense. A atuação conjunta entre os entes federativos tem sido fundamental para dar respostas mais rápidas à população.
A Prefeitura reforça que segue em alerta máximo, com equipes de prontidão e monitoramento constante das áreas mais vulneráveis, enquanto mantém diálogo permanente com os governos estadual e federal para garantir recursos e ampliar as ações estruturantes necessárias para enfrentar os efeitos das chuvas.
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Uma ode ao Nordeste, ao forró e à poesia: esse foi o tom do encontro entre os cantores, compositores e poetas Maciel Melo, Amazan e Flávio Leandro, no Paço do Frevo, no Bairro do Recife. Durante a conversa, marcada por elogios e admiração mútua, os artistas entoaram trechos de canções como “Chuva de Honestidade”, de Flávio Leandro, e “Caboclo Sonhador”, de Maciel Melo, e discutiram diferentes formas de composição, do que Maciel definiu como “poesia de caderno” ao repente.
Após as chuvas de ontem (1º), Pernambuco registrou 1.096 desabrigados e 1.094 desalojados, somando mais de 2.190 pessoas fora de suas casas. As informações são da Defesa Civil de Pernambuco, que notificou ainda quatro mortes, sendo duas em Olinda e outras duas no Recife, além de cinco pessoas feridas.
Segundo dados da Defesa Civil, a distribuição das vítimas das chuvas nos municípios ficou assim: Camaragibe registrou 4 desabrigados e 11 desalojados; Goiana, 146 desabrigados e 994 desalojados; Igarassu, 27 desabrigados e 21 desalojados; Limoeiro, 4 desabrigados e 5 desalojados; Olinda, 170 desabrigados, 5 feridos e 2 óbitos; Paulista, 32 desabrigados e 11 desalojados; Recife, 671 desabrigados e 2 óbitos; e Timbaúba, 42 desabrigados e 52 desalojados. As informações são da Folha de Pernambuco.
Leia maisAjuda
Em meio a esses cenário, Pernambuco iniciou a distribuição de suprimentos. Goiana, um dos municípios mais afetados por inundações, recebeu 150 colchões, 300 lençóis, 38 kits de limpeza e 38 kits de higiene.
Olinda, que enfrentou perda de vidas e centenas de desalojados, foi contemplada com o maior volume de doações: 400 colchões, 400 lençóis, 200 kits de limpeza e 100 kits de higiene. Paulista, por sua vez, recebeu 32 colchões, 64 lençóis, 8 kits de higiene e 8 kits de limpeza.
Ao todo, a operação de resposta rápida distribuiu 637 colchões, 764 lençóis, 246 kits de limpeza e 146 kits de higiene.
A Defesa Civil informa ainda que mantém o monitoramento contínuo das áreas de risco, alertando a população para a continuidade das chuvas e a importância de seguir as orientações das autoridades locais para garantir a segurança de todos.
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Neste livro, de 1985, o empresário de múltipla visão e político Luciano Bivar, que vive mais nos Estados Unidos do que mesmo no Brasil, devido a expansão dos seus negócios, já previa a revolução industrial e tecnológica que se observa hoje na China, objeto de destacada reportagem ontem no Jornal Nacional.

“O fenômeno da China, mostrado, ontem, no JN da Globo, eu já havia previsto num livro que escrevi há mais de 40 anos, quando visitei a China”, disse Bivar, adiantando que chegou a hora de o Brasil também dar um salto para o futuro.
“A simplificação tributária que proponho acabaria com esse imposto declamatório (IVA), pelo qual, por incrível que pareça, estamos querendo aperfeiçoar o obsoleto”, alertou.

Segundo Bivar, os americanos ficaram ancorados num sistema imperial e mudar para um outro sistema implicaria em grandes custos. “É mais uma questão de inércia, mais do que uma questão técnica”, ponderou.

O título desta postagem está no refrão do sambinha “Clareou”, de Xande de Pilares, popularizado na atual novela global. Serve para nos inspirar. Ao invés de me chatear com o imprevisto no voo de ontem, que não pousou no Recife, mas em Natal, estou exercitando, literalmente, os conselhos do sambista neste fim de semana na capital potiguar.
Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
É muito difícil alguém ir a Copacabana e não cruzar em algum momento a rua Barata Ribeiro. Ela está lá há mais de 100 anos. De uma simples picada aberta no fim do século 19, início do 20, ela virou uma das principais ruas do Rio, com seus 2.600 metros e um nome com muita história por trás.
Em 1920, a rua foi batizada com o nome de Cândido Barata Ribeiro (1843-1910), médico baiano que fez careira em São Paulo e depois no Rio. Era neto do jornalista e revolucionário Cipriano Barata (1762-1838), que no fim do século 18 e início do 19 participou de pelo menos três revoltas importantes: a Revolta dos Búzios ou Conjuração Baiana de 1798, a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador em 1824, encerrada com o enforcamento de Frei Caneca.
Leia maisCipriano era um republicano incendiário e Cândido, mais comedido, herdou do avô o DNA da política. Cândido foi prefeito do Rio, nomeado pelo presidente Floriano. Acabou com os cortiços do centro da cidade, nos quais viviam milhares de pessoas em situação precária. Derrubados os cortiços, o povo foi viver nos morros e surgiram as favelas.
Naquele fim de século 19, o Brasil ainda engatinhava como República. Deodoro da Fonseca (1827-1892), líder do golpe contra a monarquia de 15 de novembro de 1889, renunciara e seu ministro da guerra, Floriano Peixoto (1939-1895), o general de ferro, assumiu o poder.
Floriano, alagoano como Deodoro, entrou em rota de colisão com o Senado. Queria porque queria dominar o Supremo Tribunal Federal, criado por decreto em 1890 e formalizado pela Constituição de 1891, da qual Rui Barbosa foi relator.
Rui não gostava de Floriano e vice-versa. Comandava o Senado Prudente de Morais— que depois se tornaria sucessor de Floriano e o primeiro presidente civil.
Floriano achou uma brecha na Constituição: os ministros tinham de ter notável saber (sem especificar qual) e reputação ilibada. Explorou essa brecha sem pudor. Indicou generais, médicos, burocratas. O que importava era a lealdade ao regime, não o currículo jurídico.
Assim, ele nomeou gente sem tradição jurídica, como Cândido Barata Ribeiro, que ficou na cadeira de ministro por 10 meses, mas o Senado acabou recusando sua nomeação argumentando que ele tinha “não só ignorância do direito, mas até uma grande falta de senso jurídico”. Não foi a primeira vez que Barata Ribeiro amargou um veto do Senado. Em 1893 passou por constrangimento semelhante ao ter seu nome rejeitado para prefeito do Distrito Federal.
Quando a República foi proclamada em 1889, o Brasil entrou num período de instabilidade que poucos imaginavam ser tão violento. Marechal Floriano Peixoto, governou de 1891 a 1894 em meio a duas guerras civis simultâneas: a Revolução Federalista, no Sul, e a Revolta da Armada, no Rio de Janeiro. Para controlar seus adversários, decretou estado de sítio e mandou prender opositores.
O problema era o Supremo Tribunal Federal. A Corte começou a conceder habeas corpus a presos políticos, muitos detidos por ordem direta do presidente. Irritado, Floriano explodiu: “Se os ministros do tribunal concederem ordens de habeas corpus contra os meus atos, eu não sei quem amanhã dará aos ministros os habeas corpus que eles, por sua vez, necessitarão“.
A solução encontrada por Floriano foi ocupar o STF com aliados — uma tradição que se manteve. Mas isso tinha de ser feito de forma discreta.
Não era apenas uma questão técnica. Era uma guerra institucional. Floriano queria um STF dócil e o Senado queria dar um freio no Executivo. Barata Ribeiro foi a vítima mais ilustre desse embate, por razões jurídicas e políticas.
Ao todo, o Senado rejeitou cinco indicados de Floriano em 1894: além de Barata Ribeiro, foram barrados dois generais sem formação jurídica (Ewerton Quadros e Demóstenes Lobo) e dois bacharéis considerados sem o brilho (Galvão de Queiroz e Antônio Sève Navarro).
Derrotado repetidamente, Floriano foi obrigado a indicar nomes com maior respaldo técnico, que acabaram aprovados. Deixou o poder em novembro daquele mesmo ano, sucedido por Prudente de Morais.
Depois de 1894, o Senado nunca mais rejeitou um indicado ao STF. Por 132 anos, a sabatina foi, na prática, uma formalidade. Presidentes negociavam nos bastidores, evitavam nomes polêmicos e o resultado era sempre o mesmo: aprovação. O episódio de Floriano havia ensinado uma lição que presidentes e senadores internalizaram tão bem que o conflito aberto se tornou impensável.
O equilíbrio durou até 29 de abril de 2026, quando o Senado rejeitou por 42 votos a 34 a nomeação de Jorge Messias, advogado-geral da União indicado pelo presidente Lula para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. O problema não era Messias, como não era Barata Ribeiro. Era o presidente da República.
A rejeição de Messias era evidente. Os sinais, claríssimos. Lula achou que podia tudo e seguiu numa marcha da insensatez, cometendo engano em cima de engano. Se indicasse o senador Rodrigo Pacheco, como queria a cúpula do Senado, teria feito melhor negócio. Não houve traição, porque o trabalho contra a nomeação de Messias foi feito abertamente. Lula achou que bastava gastar muito dinheiro para conseguir o que queria. Alcolumbre mostrou que dinheiro não é tudo, embora seja muito importante.
Tanto em 1894 quanto agora, havia uma disputa de poder em curso. E em ambos os casos, o STF estava no centro de disputas sobre os limites do poder. Em 1894, o conflito era de Floriano contra o Senado e o Supremo ao mesmo tempo: ele queria um tribunal submisso e o Senado se recusou a entregar. Em 2026, o Senado deu um recado ao STF e ao Executivo, mostrando que ninguém pode tudo.
Lula na sua campanha para a nomeação de Jorge Messias apostou mais nas emendas do que na política. Lembra uma história contada pelo ex-governador e senador do Paraná Roberto Requião, sobre uma das eleições que disputou.
Um belo dia os cabos eleitorais de Requião o procuraram para contar das propostas financeiras do banqueiro José Eduardo de Andrade Vieira, então dono do banco Bamerindus, para mudarem de lado. Requião pragmático, nem quis ouvir o resto da história: “Peguem o dinheiro do Zé do Banco e votem em mim”. Dito e feito, Requião eleito.
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