











Por Agência Brasil
Indígenas do Mato Grosso do Sul seguem denunciando a escalada das ameaças e da violência contra suas comunidades após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25). Entre os ataques está o incêndio da casa da rezadeira de 90 anos Ñandesy Roberta, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande, na manhã de quinta-feira (29).
De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o incêndio foi criminoso e, além da casa da idosa, destruiu instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani, “representando uma grave violação não só aos direitos indígenas, mas também à liberdade religiosa”.
Leia maisEm um vídeo divulgado nas redes sociais ontem (30), Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib, afirma que os ataques e as ameaças contra as comunidades Guarani Kaiowá se intensificaram nos últimos dias.
“Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades [públicas] competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei”, disse Voninho.
Diante da gravidade dos relatos, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informaram que acionaram a Polícia Federal (PF) e estão acompanhando as denúncias de violência e ameaça contra os Guarani Kaiowá.
Na última quinta-feira, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para receber as denúncias de ataques e ameaças. “O Ministério da Justiça também requisitou, de todas as corregedorias estaduais e do Distrito Federal, todas as denúncias que estão chegando, para a gente centralizar aqui, no âmbito do governo federal”, declarou o ministro.
Envenenamento
A Apib afirma já ter contabilizado, em Mato Grosso do Sul, mais de 30 casos de violência contra povos indígenas relacionados ao processo eleitoral deste ano.
Segundo Voninho, as ocorrências envolvem ataques, ameaças e atropelamentos que já resultaram em mortes. Um desses casos ocorreu em Tacuru, na noite de domingo (25).
Pouco após a divulgação do resultado do segundo turno da disputa presidencial, mensagens de áudio atribuindo ao voto indígena a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva começaram a circular nas redes sociais. Em uma delas, um homem não identificado sugere envenenar a água que abastece uma aldeia indígena da cidade.
“Cê tá doido, rapaz. [Nós – ou como] que ajuda essas praga. E essas praga do demônio. Mas fazer o quê, né? A gente não pode fazer nada. Já falei. Tinha que ponhar [sic] veneno na água”, diz o homem cujo nome não foi divulgado, mas que o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) já confirmou ser um servidor público municipal.
Em um vídeo postado em seu perfil no Instagram, Torquetti se refere à repercussão pública ao áudio como um “assunto chato demais da conta” e diz que o autor da mensagem é um “excelente servidor” e destaca que, em nenhum momento, o homem mencionou os indígenas.
“O servidor diz que teria que pôr veneno na água e matar todo mundo, sem citar nenhum tipo de gente”, acrescentou o prefeito, explicando que, ainda assim, a prefeitura afastou temporariamente o servidor de suas funções e instaurou um processo administrativo disciplinar a fim de apurar a conduta do servidor.
Ainda de acordo com o prefeito, o autor da mensagem não trabalha no setor de abastecimento, nem dirige carros-pipas da prefeitura, conforme algumas postagens em redes sociais sugeriram.
Em outro áudio, um segundo servidor municipal ofende os indígenas por, segundo ele, terem votado no candidato petista. Em seguida, o homem, cuja identidade também não foi divulgada, passa a ameaçar um suposto interlocutor a quem chama de Índio.
“Vou te dar um recado bem duro e bem claro. Cê sabe onde eu moro. Eu tô aqui em casa. Quer resolver na pancada, você pode vir aqui. Na pancada, na bala, do jeito que você quiser”, escreveu o servidor.
Apuração
Em nota, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) informou que, com base nas denúncias que a Apib encaminhou a órgãos federais, instaurou procedimentos para “apurar a veracidade das acusações” e garantir a proteção dos territórios indígenas.
O órgão, contudo, descartou a existência de crimes em ao menos um dos casos já apurados. Em Naviraí, a cerca de 350 quilômetros de Campo Grande, o procurador responsável pelo inquérito, Marco Antonio Delfino Rufino, concluiu que as denúncias de supostos homicídios por conflitos políticos não passavam de “boatos” e que imagens fora de contexto foram “falsamente associadas a um suposto ataque contra indígenas”.
Se em Naviraí o MPF deu por esclarecidas as denúncias, que classificou como desinformação, no caso de Tacuru o órgão estabeleceu um prazo de 48 horas para que a prefeitura preste informações sobre a atuação dos servidores municipais, recomendando a instauração de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar dos envolvidos.
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Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
A escapada de Flávio Bolsonaro, operada pela CIA, Mossad e SIDE, serviço secreto argentino, está muito além de mais um capítulo do espetáculo da eleição. Os americanos e seus aliados comandaram um minucioso plano de resgate do ex-candidato do PL com apoio dos argentinos e equatorianos, num momento em que todo o Cone Sul, exceto o Brasil, está sob a batuta de Washington.
Jornais importantes, como Wall Street Journal e Washington Post, se posicionaram a favor de Flávio Bolsonaro e criticaram o ministro Alexandre de Moraes, anotando sua pressa em autorizar o recolhimento do passaporte do candidato derrotado minutos depois de confirmada a vitória de Lula. O que fica claro, seja na leitura dos periódicos ou na atitude do presidente Trump, é a clara má vontade com a reeleição do presidente Lula, não por meras picuinhas ideológicas ou pessoais, mas por questões de Estado.
Leia maisTudo indica que o inédito resgate de Flávio foi o primeiro passo de algo maior prestes a acontecer. Não é teoria da conspiração, mas geopolítica pura. O Brasil está literalmente cercado por aliados dos Estados Unidos. A Venezuela é agora espécie de 51º estado americano com as grandes petroleiras mandando no jogo, além do controle da Guiana, ou seja, de todo o Essequibo, região riquíssima em petróleo, capaz de rivalizar com o Oriente. Não foi por mero acaso alvo da ambição de Nicolás Maduro, que tentou, sem sucesso, anexar a região.
A eleição brasileira aconteceu num contexto de mudanças do equilíbrio de forças do planeta. Está sendo construída a versão do século 21 do Tratado de Tordesilhas, com a Terra dividida entre os Estados Unidos e a China. Por mais barulho que façam a mídia e as redes sociais sobre a eleição de meio de mandato, marcada para o próximo dia 3, Donald Trump seguirá olímpico, com aquela empáfia de quem sabe que não poderá ser reeleito e quer entregar seu país reindustrizado, dólar forte, influencia no continente, controle de rotas comerciais importantes como Ormuz, e capacidade de atuar militarmente onde for preciso.
Passada esta eleição, Trump irá escalar a guerra contra o Irã. Isso dará a ele pretexto para criar caso com o Brasil, maior aliado dos iranianos deste lado do mundo. Aliás, como pontuou um diplomata, o Brasil hoje é aliado do Irã, Coréia do Norte, África do Sul, Rússia, China e mais uma dúzia de cacarecos xiitas, vistos como terroristas por boa parte do mundo. O problema é que a Rússia está em guerra com a Ucrânia e a China tem por princípio não fazer guerra quente. A guerra dela é comercial.
A escalada do conflito no Irã pressionará ainda mais os preços dos combustíveis. O diesel caro, seguirá subindo. O Brasil depende do diesel russo, que agora é vendido também para os Estados Unidos. Trump está comprando de Putin o que pode, porque acredita ser este instrumento de controle da inflação.
O Escudo das Américas não servirá apenas para combater o terrorismo e o narcotráfico. Ele também será instrumento de pressão contra os três últimos focos de resistência à hegemonia americana no continente: Brasil, Nicarágua e Cuba. El Salvador mandou tropas para o Haiti para combater as gangues que tomaram conta do país. São mais de 2 mil homens em armas. Não aconteceu por acaso. Farão do Haiti um campo de batalha experimental. Um front muito parecido com o do Rio de Janeiro.
E o resgate de Flávio confirmou isso numa operação conjunta entre a CIA e o SIDE. A inteligência argentina ganhou um upgrade desde que Milei se converteu ao judaísmo e enviou seu rabino, Shimon Axel Wahnish, 46 anos, para ser embaixador em Israel. Na posse de Milei, em 10 de dezembro de 2023, Axel Wahnish participou da cerimônia ecumênica na Catedral Metropolitana de Buenos Aires. Ali, diante das câmeras, o rabino perguntou ao presidente se lembrava o que pedia a Deus havia tanto tempo. Milei respondeu: “sabedoria, temperança e coragem”. Em fevereiro de 2024 ele acompanhou Milei na primeira viagem oficial a Israel.
Por isso, o fato de Flávio ter saído do país pela tríplice fronteira, mostra que a região, conhecido furdúncio coabitado por membros do Hammas, Hezbolah, agentes iranianos, traficantes de drogas, vendedores de armas, guerrilheiros e pequenos bandidos, está dominado pelas forças de segurança. Argentinos e israelenses trabalham juntos e intensamente desde que Milei chegou à Casa Rosada. Com a volta de Trump ao poder os laços se estreitaram.
Enquanto cuida do seu quintal latino-americano, Trump negocia com os chineses e russos. É uma ilusão imaginar que os chineses, com uma história de 5 mil anos de comércio, deixarão de comprar e vender para os Estados Unidos por causa do Brasil, lugar que, chova ou faça sol, continuará dependente deles, simplesmente porque são nosso maior parceiro comercial. O governo de Xi Jinping convive bem com Trump, assim como europeus, africanos e árabes. Os chineses em geral são conservadores, além de pragmáticos, têm profundo desprezo pela esquerda brasileira, por eles considerada atrasada e permissiva por defender abertamente pautas como a liberação das drogas e a homossexualidade. Não há essa afinidade toda. No fundo, eles nos enxergam como clientes e fornecedores.
Tanto os americanos quanto os chineses já precificaram o tamanho da crise econômica em que o Brasil está mergulhado e na qual deve afundar ainda mais nos próximos meses. Os sinais de mais inflação e maior instabilidade são claríssimos. A dívida pública não para de crescer. Até a dívida externa, problema superado em 2006, quando país quitou o que devia ao FMI, voltou. Hoje temos reservas de US$ 402 bilhões e dívida de US$ 407 bilhões.
É muita miopia analisar o resgate de Flávio apenas pelo lado da nossa política interna. Tem muito caroço debaixo deste angu. Entender o momento geopolítico é mais do que necessário. Do contrário, cairemos na armadilha daquele provérbio chinês do sapo no fundo do poço. Ele olha para cima, vê o círculo de céu e acha que aquilo é o céu inteiro.
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Do Correio Braziliense
Recife recebeu pela primeira vez o Festival de Jornalismo, evento que já se tornou parte da programação dos estudantes brasilienses. O encontro, voltado à formação de universitários e à discussão dos desafios da profissão no Brasil, foi realizado na última quarta-feira (28), no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE).
Ao todo, 300 pessoas registraram presença, entre elas cerca de 200 estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Católica de Pernambuco, da Uninassau, da UniFavip, de Caruaru, e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Alguns universitários que marcaram presença vieram de João Pessoa para participar da programação.
Leia maisCom entrada gratuita, o festival reuniu 15 profissionais de diferentes áreas da comunicação. Ao longo da tarde, os palestrantes compartilharam experiências sobre apuração, ética, responsabilidade social, mercado de trabalho e as transformações na produção e circulação de notícias.
Presidente do Prêmio Engenho de Comunicação e organizadora do festival, a jornalista Kátia Cubel contou ao Correio que levar o projeto para a capital pernambucana representou a realização de um sonho. Para ela, aproximar profissionais experientes dos futuros jornalistas contribui tanto para a formação dos estudantes quanto para a valorização da profissão.
“É uma troca muito importante, que ainda traz à tona a importância estratégica do jornalismo para toda a sociedade, valorizando a profissão e intensificando sua credibilidade”, destacou.
Segundo Kátia, uma das principais preocupações apresentadas pelos estudantes durante o encontro foi como acompanhar as mudanças nas plataformas de comunicação e fazer a transição da universidade para o mercado de trabalho. A organizadora ressaltou que a formação acadêmica é a base do conhecimento, mas o contato com profissionais em atividade permite antecipar situações que fazem parte da rotina das redações.
Outro ponto destacado pela organizadora foi a responsabilidade de exercer um jornalismo íntegro em um cenário marcado por desafios na produção e na circulação de informações. Para a Kátia, a experiência compartilhada pelos convidados ajuda os universitários a compreenderem as exigências da profissão para além da teoria.
Troca de experiências e desafios do jornalismo
A programação começou com uma discussão sobre o papel do jornalismo na sociedade, com Breno Pires, da repórter da revista piauí e diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji); Carla Egydio, diretora da Associação de Jornalismo Digital (Ajor); e Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta.
Na sequência, profissionais da imprensa pernambucana Carol Santos, repórter do Marco Zero; Leusa Santos, editora-chefe da Folha de Pernambuco; Laurindo Ferreira, diretor do Sistema Jornal do Commercio; e Magno Martins, do Blog do Magno, discutiram os desafios de produzir jornalismo no estado.
Um dos momentos mais marcantes, destacados por Kátia, foi a conferência do jornalista Francisco José, conhecido pelas reportagens no Globo Repórter. Com 103 participações no programa, o repórter compartilhou experiências de sua trajetória e falou sobre coragem, dedicação e os princípios necessários ao exercício da profissão.
“Aos 81 anos, encantou a todos nós. Foi ovacionado, aplaudido, fez rir e chorar e transmitiu com muita clareza os paradigmas do jornalismo. Falou de coragem e incentivou”, ressaltou Kátia sobre a participação de Francisco.
O mercado de trabalho também esteve em pauta, em um debate com Eduardo Scolese, editor da Folha de S.Paulo; Eldo Gomes, do Blog do Eldo; e Felipe Resk, repórter do Diário de Pernambuco. Os convidados discutiram as competências esperadas dos profissionais que ingressam na área.
Já Basília Rodrigues, colunista no SBT News, e Roberta Aureliano, gerente de jornalismo na TV Guararapes, abordaram a precisão da informação e os impactos sociais de uma apuração cuidadosa. A programação terminou com a exibição do documentário Escola Base – Um Repórter Enfrenta o Passado, que revisita um dos episódios mais emblemáticos da imprensa brasileira e reforça os riscos de uma cobertura baseada em informações não verificadas.
Próximas edições
Criado em Brasília, em 2024, o Festival de Jornalismo surgiu a partir de uma iniciativa de Kátia Cubel com coordenadores acadêmicos dos cursos de jornalismo da capital federal. A proposta era aproximar estudantes de profissionais reconhecidos no mercado e compartilhar conhecimentos sobre técnica, ética e comportamento profissional.
Depois de duas edições na capital federal, a iniciativa chegou a Pernambuco e deve continuar crescendo. Kátia anunciou que a terceira edição em Brasília está prevista para 13 e 14 de abril de 2027. A organização também pretende repetir o encontro no Recife e levar o festival a outras duas cidades. “Eu gostaria de levar o Festival para Manaus e Goiânia”, adiantou ao Correio.
Para a jornalista, a expansão do projeto depende da colaboração entre profissionais, instituições e apoiadores. O objetivo, segundo ela, é fortalecer a profissão, ampliar a confiança da sociedade no jornalismo e valorizar o trabalho dos jornalistas.

Por Agência O Globo
A carta golpista publicada pelo candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro foi ignorada por três em cada quatro políticos eleitos pelo PL no pleito deste ano, ampliando o isolamento do senador na direita. Levantamento do jornal O Globo com os 155 escolhidos para representar o partido no Congresso e nos governos estaduais mostra que 117 ignoraram o texto (75%), enquanto 38 compartilharam ou defenderam o conteúdo do documento.
A baixa adesão reflete o movimento concreto de dirigentes partidários, que buscam convencer o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro a largar a tese de que houve fraude nas urnas, já que não há qualquer indício de que isso ocorreu. Insistir no tema, segundo essas pessoas, compromete a agenda da oposição e pode desgastar a imagem da legenda, além de provocar possíveis reações institucionais.
Leia maisFlávio, por sua vez, planeja ir à capital dos Estados Unidos, Washington, na próxima semana. Após uma operação de fuga, o parlamentar desembarcou em Miami, com o apoio de integrantes do governo Donald Trump e Javier Milei, da Argentina. A ideia é iniciar uma interlocução direta com integrantes do governo americano.
Após descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes, Flávio divulgou uma carta na qual alegou fraude nas urnas e chegou a se declarar o “verdadeiro presidente eleito”.

Manifestações públicas
O candidato do PL foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença de 4,4 milhões de votos. Logo depois da publicação do documento, pressionado por aliados no Brasil, Flávio alterou o termo para “líder do Brasil”. Ele manteve, porém, os questionamentos ao resultado da disputa presidencial.
O levantamento do Globo revela, por outro lado, que 86% dos eleitos pelo partido não reconheceram publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição em suas manifestações.
O universo analisado engloba 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores. O Globo analisou publicações em redes, entre vídeos e mensagens dos eleitos pelo PL após o segundo turno.
Neste segundo recorte, o levantamento considera de um lado a ausência de manifestações públicas e o questionamento ao resultado das urnas; e do outro o reconhecimento da vitória de Lula. Entre os que não se manifestaram publicamente, portanto, há os que aceitam o resultado das urnas, mas optaram pelo silêncio.
Na direção oposta a de Flávio, um grupo reconheceu publicamente a vitória de Lula. Entre eles estão o senador Marcio Bittar (AC), os deputados André Fernandes (CE), Major Vitor Hugo (GO) e Rosangela Moro (PR).
Ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara, Major Vitor Hugo afirmou que a diferença de votos e o reconhecimento do resultado pelas instituições tornavam improvável uma reversão. “Nós somos 60 milhões de brasileiros que votaram no Flávio, somos uma grande bancada. O TSE e vários chefes de Estado já reconheceram a eleição, não importa o que você ou eu achamos. Foram mais de quatro milhões de votos de diferença e é muito difícil haver uma reversão deste resultado”, declarou.
André Fernandes também descartou alimentar questionamentos sobre as urnas, embora tenha atribuído a derrota à campanha adversária. “O resultado foi esse. Eu não vou aqui falar sobre urna, golpe, não vou falar sobre isso. Porque eu sei que muita gente votou sim no Lula porque acreditou em mentiras, em promessas vazias que não serão cumpridas”, afirmou.
Entre os que endossaram a carta de Flávio estão os senadores Magno Malta (ES) e Jorge Seif (SC), o senador eleito Gustavo Gayer (GO) e os deputados José Medeiros (MT) e Nikolas Ferreira (MG). A adesão de integrantes próximos ao ex-candidato evidencia as dificuldades da direção partidária para afastar a legenda do discurso de contestação.
Uma das manifestações mais enfáticas foi a da deputada Magda Mofatto (GO), que compartilhou o documento e incentivou sua divulgação no Brasil e no exterior. “Essa carta estará nos livros de história e é um relato sincero e puro do momento que vivemos em nosso país”, escreveu.
Gayer sustentou que o resultado seria matematicamente impossível e divulgou um vídeo no qual leu a carta de Flávio. Magno Malta também levantou acusações de fraude e questionou a vitória de Lula. Nikolas, apesar de ter comentado sobre a carta, reconheceu a dificuldade de reverter o resultado eleitoral. “Conhecendo o nosso país, a chance de anular é praticamente nula, então temos que seguir”, afirmou.
Preocupação
Integrantes do PL temem que o senador reforce as acusações de fraude ou faça novas declarações que ampliem o desgaste da legenda. A avaliação é que o discurso adotado por Flávio pode comprometer os esforços para reorganizar a oposição e dificultar a construção de alianças no Congresso, especialmente num momento em que o partido tenta ampliar sua influência nas duas Casas.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, criticou publicamente a manifestação na quinta-feira, após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o dirigente, a carta não foi aprovada pelo partido, que pretende concentrar seus esforços na reorganização da oposição e na atuação no Congresso.
Segundo aliados, um dos principais objetivos de Flávio em viagem à capital americana é conseguir uma reunião com o secretário de Estado, Marco Rubio, que participou das negociações para permitir sua entrada no país. Uma audiência com o próprio Trump também chegou a ser considerada, mas interlocutores do senador avaliam que seria difícil viabilizar a reunião neste momento.
Flávio pretende aproveitar os contatos construídos durante a campanha para ampliar sua articulação política com integrantes do governo republicano. Além de Rubio, aliados mencionam possíveis encontros com representantes do Departamento do Tesouro, comandado por Scott Bessent, e parlamentares republicanos.
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Uma colisão entre veículos na madrugada deste sábado (31) acabou com uma vitima fatal: João Caio Pereira Rodrigues Melo, filho do ex-prefeito de Triunfo, no sertão pernambucano, João Batista Rodrigues. O acidente ocorreu nas imediações do distrito de Jatiúca, em Santa Cruz da Baixa Verde. João Caio tinha apenas 26 anos. As informações são do Farol de Notícias.
Segundo informações da Polícia Militar, um automóvel modelo Wolkswagen Polo, de cor branca, com a placa da Bahia, teria colidido frontalmente com a motocicleta conduzida por João Caio.
Segundo informações de populares, o acidente ocorreu por volta das 00h06 e o condutor do Polo fugiu sem prestar socorro. A vítima morreu ainda no local do acidente.
Por Anthony Santana e Maysa Sena
Do Blog da Folha
A eleição brasileira realizada no último domingo desmontou o roteiro desenhado pelo primeiro turno e transformou o Brasil em assunto nos países de todo o mundo. A disputa culminou na vitória do presidente Lula (PT), com 51,79% dos votos válidos, o equivalente a mais de 64 milhões de votos, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que teve 48,21%, cerca de 59 milhões de votos.
Um quadro bastante distinto do primeiro turno do pleito, realizado no dia 4 de outubro, o senador havia terminado na frente, com 47,03% contra 45,16%. Foi a primeira virada em um segundo turno presidencial na história do Brasil.
Leia maisA reação internacional veio em poucas horas. Os chefes de estado Emmanuel Macron (França), Pedro Sánchez (Espanha), Narendra Modi (Índia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Claudia Sheinbaum (México) estiveram entre os líderes que saudaram o resultado.
Por outro lado, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, que haviam declarado apoio a Flávio, ficaram em silêncio. Derrotado, Flávio Bolsonaro disse que não reconhecia o resultado e que pediria a anulação da eleição.
O resultado da eleição brasileira representou um freio ao avanço da direita na América Latina acendendo um alerta para líderes políticos de direita. Enquanto movimentos de esquerda de outros países sinalizam intenção de replicar estratégias adotadas pela campanha de Lula. Além disso, a estratégia de questionamento do resultado das urnas pode embasar movimentos semelhantes em outros países como os Estados Unidos e Israel.
Mobilização
O reconhecimento de líderes da esquerda no mundo não se restringiu à vitória nas urnas. A experiência brasileira de mobilização política nas redes sociais tem despertado interesse no exterior. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez convidou o deputado federal André Janones (Rede-MG) para contribuir com a campanha política, em uma tentativa de absorver a estratégia de comunicação digital que o parlamentar capitaneou no Brasil.
Inspirados no chamado “Exército de Lula”, grupo de WhatsApp da campanha petista, canais criados por movimentos de esquerda na Espanha, França e Argentina registraram crescimento expressivo de integrantes, replicando a lógica adotada no Brasil.
Análise
Especialistas ouvidos pela Folha de Pernambuco leem o episódio por ângulos distintos: há quem veja na vitória um freio à onda conservadora que vem ocupando países da América do Sul; e há quem enxergue a conquista petista como um caso de eficiência na conversão de apoio em votos, sustentada pela máquina de governo e por uma campanha de medo e de retenção do eleitorado.
O professor e colunista da Folha de Pernambuco Luiz Otavio Cavalcanti apresenta duas principais leituras. A primeira é de que a direita avançou na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina, e havia a expectativa de que o Brasil, país mais importante sul-americano, entrasse nessa roda. Segundo ele, a vitória da esquerda frustrou a estratégia de Donald Trump, que busca fazer o Brasil virar à direita.
“Imagine se Flávio Bolsonaro tivesse ganhado e o Brasil se inscrevesse na roda da direita: teria sido um fator de desequilíbrio continental. Com a vitória de Lula, estabeleceu-se uma simetria de poder. A geopolítica continental e a mundial reconhecem que o Brasil encarou o modismo da direita e se saiu muito bem, porque estabeleceu essa simetria na América Latina e enfrentou o poder dos Estados Unidos”, afirma.
Outro ponto levantado pelo especialista é sobre Lula. Cerca de 90 países teriam enviado mensagens ao petista, segundo Luiz Otávio, que vê nisso uma “chuva de rosas”. “É uma coisa muito expressiva no mundo de hoje, um mundo tão dividido e tão complexo”, avaliou, ao lembrar que Lula, aos 80 anos, é eleito pela quarta vez presidente.
Direita
Entre os que saudaram o resultado houve também governos de direita, como o do Equador, de Daniel Noboa, aliado de Trump. O silêncio de Trump e de Milei, que até agora não reconheceram a vitória de Lula, foi a exceção que mais chamou a atenção para Cavalcanti. Trump foi além: na segunda-feira (26), disse que a eleição “pareceu mais uma eleição fraudada”, embora a declaração não represente uma decisão formal dos Estados Unidos de não reconhecer o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em outro movimento, o senador Flávio Bolsonaro recebeu autorização do governo americano para permanecer por 1 ano nos Estados Unidos. A iniciativa incomodou aliados do presidente reeleito, que vem mantendo uma relação de desencontros com o governo Trump.
Luiz Otávio interpreta a postura de Milei como “extravagância” política. Sobre Trump vê “no fundo, um pouco de ciúme” de Lula, que, de idade semelhante ao republicano, conquista novo mandato. O professor resume as lições entre a vitória da democracia e a vitória da qualidade política. “Que lição o Brasil está dando ao mundo: num momento em que o mundo está conflagrado, açoitado pelos autoritarismos, o Brasil exibe uma democracia forte, de vigor democrático”, analisou.
Repercussão
Para a cientista política Priscila Lapa, a repercussão internacional está ligada à força da agenda em defesa da democracia e à capacidade de mobilização política vista no Brasil. O momento de questionamento sobre o quão estáveis são as instituições democráticas ao redor do mundo fizeram o resultado da eleição brasileira ganhar destaque, segundo ela.
“A eleição brasileira foi um indicativo de que é possível resistir a essa onda e fortalecer a democracia pela representação de um sentimento de esperança”, pontuou.
Embora o movimento provocado pela esquerda no Brasil esteja relacionado a questões políticas e históricas particulares ao país, a especialista acredita que a experiência pode ser levada como referência por outros países.
“Existe uma conjuntura no Brasil de resistência democrática que pode ser espelhada para o mundo. Mas essas questões também estão, de alguma forma, presentes em outros países e continentes, de modo que podem ganhar força, a partir da experiência brasileira, outros movimentos semelhantes ao redor do mundo”, frisou.
Peso
Já para o cientista político e professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Elton Gomes, o resultado surpreende porque contraria o que os instrumentos de aferição da opinião pública indicavam. Segundo ele, a maior parte das pesquisas públicas apontavam Flávio à frente na disputa.
“Foi surpreendente porque quebrou uma tendência que se verificou no primeiro turno e que não se manteve no segundo”, avalia. Gomes chama atenção para a posição do Brasil no mapa político latino-americano. Para o cientista político, o tamanho da economia e a influência do país na região impedem que o resultado seja analisado nos mesmos moldes aplicados aos vizinhos. Ele observa que Brasil e México permanecem sob governos de esquerda, enquanto outras nações registraram vitórias de candidatos de direita, de espectro populista ou moderado.
O professor pondera, no entanto, que a permanência de Lula no Planalto não representa uma virada completa do eleitorado brasileiro. O desempenho da oposição nas eleições para o Congresso e as assembleias legislativas, segundo o especialista, demonstra que essas correntes também têm força no país. A diferença aparece na escolha para o comando do Executivo, cargo que concentra a identificação mais direta da população com o governo.
Elton Gomes afirma que essa combinação faz do Brasil um caso particular na região, sem que seja possível classificá-lo simplesmente como contrário à tendência dos países vizinhos. Ainda segundo ele, a comparação precisa considerar as nuances próprias de cada país.
“Mesmo os países mais comparáveis com o Brasil na região, que são essencialmente três, Argentina, Chile e México, são países com características muito próprias. A escala da economia, da política, da importância do Brasil supera esses todos”, avalia.
Redes sociais
Ao analisar a estratégia das campanhas nas redes sociais que vem ganhando destaque no mundo, Elton Gomes compara a organização digital do bolsonarismo com a do petismo, destacando que, diferentemente da estrutura descentralizada e pulverizada da direita, o petismo conseguiu transferir para as redes sociais práticas de comunicação consolidadas nas mídias tradicionais. Segundo ele, essa estratégia foi fundamental para reter eleitores e reduzir deserções durante a disputa eleitoral.
“A força de uma candidatura não pode ser medida apenas pela intensidade da sua militância, nem pela popularidade nas redes sociais, ou somente pela rejeição adversária. Os dois (candidatos) eram muito rejeitados. O que importa é a capacidade de transformar apoio político em votos efetivos, especialmente entre os eleitores menos ideologizados”, definiu o especialista.
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Dos perdedores, a quem Raquel vai estender a mão?
Quando a governadora Raquel Lyra (PSD) voltar do seu passeio pela Europa encontrará um ambiente de muita ansiedade entre seus aliados que não lograram êxito nas urnas e que sonham acordados com um lugar ao sol para sobrevivência política. Pela primeira vez no Estado uma gestora é reeleita sem puxar um só senador da sua chapa.
Enquanto João Campos (PSB), derrotado por ela, comemora com Lula em Brasília a eleição dos seus dois senadores – Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) – a governadora se vê diante de um cenário desafiador para abrigar em sua gestão políticos da dimensão de Eduardo da Fonte (PP), não eleito senador, e Túlio Gadelha (PSD), que trocou uma reeleição de federal certa por uma aventura ao Senado.
Leia maisAventura, diga-se de passagem, criada, estimulada e fomentada pela própria governadora, na tentativa inútil de dar uma conotação mais à esquerda na sua chapa, pela ligação de Túlio com o presidente Lula e segmentos da base de apoio do presidente no Congresso.
Há também Miguel Coelho (UB), que não conseguiu chegar à Câmara dos Deputados. Isso sem falar de “aliados” que complicaram a chapa majoritária governista, como é o caso de Mendonça (PL), às turras com o deputado Lula da Fonte (PP), filho de Eduardo. Raquel não apoiou oficialmente Mendonça, mas nada fez para convencê-lo a retirar a candidatura ao Senado, para não prejudicar, como assim o fez, o projeto de Eduardo da Fonte rumo à Casa Alta.
Essas lideranças e também deputados federais e estaduais não reeleitos aguardam uma palavra de Raquel para entender a equação que ela vai armar na acomodação dos aliados derrotados em sua gestão.
Muitos políticos e ex-integrantes do governo que apostaram na continuidade do seu projeto político estão desempregados. A comemoração de uma vitória pessoal de Raquel contrasta com o insucesso nas urnas de tanta gente próxima. No seu primeiro mandato, ela concentrou as decisões, com pouca disposição para compartilhar responsabilidades. Na reta final da campanha, porém, precisou abrir espaços e assumir compromissos para garantir o apoio necessário à reeleição.
Agora, todos querem saber se essas concessões serão mantidas ou se, passada a eleição, tudo voltará a ser como antes. Conhecendo o histórico da governadora, há motivos para desconfiar. Raquel nunca demonstrou grande disposição para dividir o protagonismo. O desafio, agora, é transformar os compromissos eleitorais em participação efetiva no governo, com espaço para os aliados nas decisões e na gestão.
Enquanto isso, a vitória de Lula abre novas perspectivas para lideranças pernambucanas que poderão ocupar espaços relevantes na estrutura federal, fortalecendo uma oposição que saiu da eleição com motivos para se reorganizar.
Raquel volta do exterior com uma conta política para administrar. Muitos dos que trabalharam por sua vitória estão sem mandato e dependem de suas decisões para continuar na vida pública. A pergunta é se a governadora mudou ou se continuará governando como antes. Afinal, ela pode até não gostar de encostos, mas não faltam políticos encostados à espera de uma decisão sua.
Por enquanto, todos aguardam. E o milagre que esperam é simples: que Raquel finalmente compreenda que vencer uma eleição não significa ter o direito de governar sozinha.
TIMING NO PASSEIO – Raquel deu, ontem, um timing nos passeios pela Europa e se reuniu com diretores da Agência Francesa de Desenvolvimento, em Paris, para tratar de propostas relacionadas à modernização da frota de ônibus da RMR. Conheceu também alternativas de descarbonização dos veículos, para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, além de possibilidades para a ampliação do abastecimento de água em todo o estado. “Quero agradecer muito pela recepção para tratar de temas tão relevantes, que irão assegurar maior desenvolvimento para nossa região. Vamos ter um encontro em Recife também para continuar avançando e garantir um Pernambuco cada vez mais forte”, disse Raquel, ao final do encontro.

Silvio Filho na Articulação – Depois de servir ao Governo 3 de Lula na pasta de Portos e Aeroportos, o deputado pernambucano Sílvio Costa Filho (Republicanos) está cotadíssimo para uma outra missão na era 4 do petista: tentar desatar o nó da articulação política do Governo, no Ministério das Relações Institucionais. Silvinho, como é tratado, é muito habilidoso, tem um estilo muito parecido com o de Marco Maciel e com certeza terá êxito na nova função.
João cotado para Cidades – Já o presidente nacional do PSB, João Campos, também será convocado pelo presidente Lula. Fala-se que pode ocupar o Ministério das Cidades ou o de Ciência e Tecnologia. Como se revelou excelente gestor de uma cidade complexa de se administrar como a capital pernambucana, João pode ser muito mais útil a Lula e ao País na condução de políticas públicas direcionadas aos grandes centros urbanos e também às pequenas cidades.
Sombra e água fresca – Já o ministro José Múcio Monteiro, também pernambucano, há muito tempo tem pensado em encerrar a sua missão no Ministério da Defesa, pasta que ocupa na cota pessoal do presidente Lula, que não quer perdê-lo. O petista tem lá suas razões: extremamente hábil, Múcio pacificou as Forças Armadas, que viveram momentos de muita tensão, divisão e conflitos na gestão Bolsonaro. Múcio, entretanto, alega que já deu a sua contribuição e quer, a partir de agora, sombra e água fresca.

Lula insiste em Jorge para o STF – Na semana em que venceu as eleições numa virada histórica, Lula mandou um recado para ministros do Supremo Tribunal Federal: vai insistir na indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga que está em aberto na corte. Apesar do lobby feito por ministros do tribunal, entre eles Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes, para a indicação de Rodrigo Pacheco para o lugar de Luís Roberto Barroso, o presidente deixou claro que tem outros planos, como informou o colunista Lauro Jardim, de O Globo.
CURTAS
ESCLARECIMENTOS – O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios da embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para pedir esclarecimentos sobre a passagem do senador Flávio Bolsonaro pelo país vizinho durante sua fuga para os Estados Unidos.
INFORMAÇÕES – A diplomata compareceu ao Itamaraty na quinta-feira e foi recebida pelo responsável por assuntos relacionados à América do Sul. Durante o encontro, foram solicitadas informações e esclarecimentos sobre a recente passagem do candidato derrotado pelo território argentino e seus desdobramentos.
INCÔMODO – Segundo interlocutores da diplomacia brasileira, a convocação tem, por si só, o significado de demonstrar um incômodo do governo Lula com o episódio. Apesar disso, a reunião transcorreu normalmente, seguindo as práticas diplomáticas habituais para esse tipo de contato. Ainda não há informações sobre como o governo argentino responderá ao pedido de esclarecimentos.
Perguntar não ofende: Onde Raquel vai abrigar tanta gente desempregada?
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou interlocutores para buscar uma aproximação com partidos do Centrão com o objetivo de discutir a governabilidade em seu quarto mandato e o espaço dessas siglas na Esplanada. Aliados do petista dizem, no entanto, que o Palácio do Planalto pretende exigir uma nova postura dessas legendas e cobrará fidelidade integral, o que não aconteceu neste terceiro mandato.
Na formação de seu atual ministério, Lula distribuiu pastas para partidos que se declararam independentes ao longo dos anos e não necessariamente votavam com o governo no Congresso. Além disso, no segundo turno, legendas com assento na Esplanada aderiram à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente nas eleições. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisEssa postura foi alvo de queixas do Planalto e levou à exoneração de indicados políticos de lideranças desses partidos na máquina federal, como aliados do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
De acordo com duas pessoas que acompanham esse diálogo com o Centrão, a ideia é cobrar “fidelidade total” desses partidos como premissa para ter espaço no primeiro escalão do petista. Um deles afirma que é melhor uma base menor no Congresso, mas coesa e leal, do que uma composição que não esteja alinhada com os interesses do Planalto. Outro diz que só terá ministério quem votar 100% com o governo.
Essa avaliação foi compartilhada por dirigentes petistas em reunião da executiva do partido nesta quinta-feira. Governistas reconhecem, no entanto, a dificuldade de impor um apoio unânime dessas siglas, já que muitas delas têm representantes da oposição a Lula.
Segundo relatos, estão marcadas para os próximos dias conversas com representantes de PSD, Republicanos, MDB, Podemos e Progressistas. Também está no radar buscar o diálogo com PSDB, Avante e União Brasil.
Em entrevista ao GLOBO, o presidente do PT, Edinho Silva, disse que as conversas vão se dar com os comandos das legendas, e não com as alas dessas siglas.
— Nós vamos conversar com os partidos. Os partidos que queiram estar conosco têm que ter lealdade a esse projeto liderado pelo presidente Lula.
O Planalto também aposta na relação de proximidade estabelecida com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para buscar arregimentar uma base de apoio às propostas de interesse do próximo governo.
A busca por uma base de apoio ganha forças no próximo ano, diante de um crescimento expressivo do PL no Congresso, além de aliados do bolsonarismo que estão em outros partidos. A sigla de Flávio Bolsonaro terá as maiores bancadas nas duas Casas, com 121 deputados e 28 senadores. A federação do PT (com PV e PC do B) e os demais partidos de esquerda (PSOL, Rede, PSB e PDT) juntos têm 124 deputados e 15 senadores.
Apesar desse cenário desfavorável no Congresso, aliados de Lula dizem apostar na pressão popular e na mobilização da juventude, que tomou as ruas no segundo turno, além da atuação nas redes sociais — sobretudo por meio do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado por André Janones (Rede-MG) e que reúne mais de 10 milhões de integrantes— para fazer esse enfrentamento no Parlamento.
Lideranças petistas também defendem que Lula abra espaço nos ministérios que possuem gabinete no Palácio do Planalto a partidos aliados, como forma de sinalizar um governo mais amplo que reflita os apoios recebidos no segundo turno da disputa contra Flávio Bolsonaro. No atual mandato, essas pastas ficaram restritas ao PT e ao PSOL.
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a questionar o resultado das eleições presidenciais durante uma transmissão ao vivo no Instagram, feita de Miami, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (30/10).
Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, o parlamentar afirmou que há situações “matematicamente impossíveis” de serem explicadas sem uma suposta interferência no processo eleitoral, mas não apresentou provas de fraude. As informações são do Metrópoles.
Leia mais“A gente tá falando de uma atuação política partidária na mais alta Corte desse país. Então, é aquela situação que você não tem a quem recorrer caso você se sinta vítima de uma injustiça. Eu acho que até muitos de vocês estão me assistindo aqui agora se coloca no meu lugar e talvez tivessem tomado a mesma iniciativa”, afirmou.
Na sequência, o senador voltou a levantar suspeitas sobre o processo eleitoral, sem apresentar elementos que sustentassem as acusações.
“Muitas coisas estão sem explicação dessas eleições matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real sem que houvesse como eu falei algum gol de mão”, declarou.
Foi a primeira manifestação ao vivo do senador desde a divulgação de uma carta, na quarta-feira (28/10), na qual se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil“.
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Após críticas de aliados, a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) disse que Bolsonaro pediu união da direita e orientou o grupo a não procurar culpados pelo resultado da eleição.
Em uma publicação nas redes sociais, Michelle também agradeceu aos políticos que se engajaram na campanha do enteado e pediu que os aliados não caiam em “enganações daqueles que sempre semeiam o ódio, a mentira e provocam a nossa divisão em troca de likes e engajamento”. As informações são do g1.
Leia maisDesde o segundo turno, no domingo (25), Michelle vem sendo criticada nas redes sociais por apoiadores e aliados por, supostamente, ter ignorado a derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
No post desta sexta, Michelle diz que conversou com o marido, Jair Bolsonaro, sobre o assunto.
“Vivemos tempos difíceis. Precisamos refletir e, só depois, agir. O meu marido ressalta que é momento de união e não de procurar culpados”.
Essa foi a primeira vez que a senadora eleita pelo Distrito Federal se pronunciou após a derrota do enteado na campanha à presidência da República.
Flávio Bolsonaro perdeu a eleição presidencial por 4,4 milhões de votos e foi embora para os Estados Unidos. Após a fuga, o senador divulgou uma carta em que se autoproclamou “presidente eleito”. Depois, publicou uma nova versão em que se autodeclarou “líder do Brasil”.
“Vivemos tempos difíceis. Precisamos refletir e, só depois, agir.
Eu e o Jair (meu galego e nosso líder) temos conversado sobre isso. Ele sempre diz que é muito grato pelo empenho e sacrifício que – dentro das possibilidades – cada um fez em prol da campanha do Flávio. Ele lembra de cada um e reconhece com muita gratidão a mobilização de todos.
Em nossas conversas, o Jair sempre manifesta um carinho e uma gratidão especial a todas os apoiadores que se doaram porque acreditam em um futuro melhor para o Brasil e para os brasileiros.
Por outro lado, ele se entristece quando vê notícias falsas, atribuindo a ele manifestações mentirosas, que pregam a divisão, apontam injustamente supostos “culpados” e afirmam exatamente o contrário do que ele verdadeiramente sente por pessoas como Damares, Tarcísio, Nikolas, Silas Malafaia e outros que estão sendo atacados: muito respeito, carinho e gratidão.
O meu marido ressalta que é momento de união e não de procurar culpados.
Não caiamos nas enganações daqueles que sempre semeiam o ódio, a mentira e provocam a nossa divisão em troca de likes e engajamento.
Deus está conosco e a Ele cabe o Julgamento e a Justiça!”
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, se encontraram nesta sexta-feira (30). Os dois participam de um encontro de chanceleres do G20, que acontece em Atlanta, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos.
Segundo fontes do Itamaraty ouvidas pela GloboNews, o chanceler brasileiro e o secretário de Estado norte-americano conversaram e acertaram um novo encontro antes da cúpula do G20, marcada para dezembro deste ano. As informações são do g1.
Leia maisO encontro aconteceu durante a recepção de boas-vindas à Reunião de Ministros das Relações Exteriores do G20. Data e local do novo encontro ainda serão definidos.
O encontro acontece em meio à tensão diplomática provocada pela recusa do presidente Donald Trump em reconhecer o resultado das eleições brasileiras.
Nesta terça-feira (27) o presidente Donald Trump voltou a insinuar, sem provas, que houve fraude na eleição no Brasil.
Nesta quinta-feira (29), Trump disse que não tomou partido nas eleições do Brasil a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O presidente norte-americano também afirmou que falará com Lula, mas, novamente não disse se reconhece a vitória do presidente brasileiro. Questionado sobre quem, para ele, havia vencido as eleições no Brasil, ele respondeu que “não quero comentar isso agora”.
O resultado do 2º turno foi confirmado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, ainda na noite de domingo (25).
Lula (PT) derrotou Flávio Bolsonaro (PL), aliado de Trump, no segundo turno da eleição presidencial no último domingo (25). O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador, com uma vantagem de 4,4 milhões de votos.
Além disso, outro episódio intensificou a instabilidade entre os dois países. O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o país com a família rumo aos Estados Unidos, contrariando a proibição do Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio recebeu autorização do governo americano para permanecer por 1 ano no país, segundo aponta consulta ao sistema U.S. Customs and Border Protection – CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos).
Os registros mostram que o senador foi admitido em uma categoria identificada com o código “DT” e que pode ficar no país até 27 de outubro de 2027. O CBP identifica DT como “autorizado a entrar temporariamente” (Paroled). O g1 procurou a agência para esclarecer o status do senador no país, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Em uma operação secreta, Flávio Bolsonaro, derrotado nas eleições de domingo, deixou o Brasil após descumprir a ordem do STF.
Deputados democratas da bancada progressista do Congresso americano (CPC, na sigla em inglês) vão emitir uma nota condenando o “negacionismo eleitoral” do presidente Donald Trump e exigindo que os EUA reconheçam o resultado da vitória de Lula (PT) no Brasil.
A coluna teve acesso antecipado à nota, assinada pelo presidente da bancada, Greg Casar, pela vice-presidente, Ilhan Omar, e pelo líder da bancada, o deputado Jesús G. “Chuy” García. As informações são da Folha de S. Paulo
Leia mais“Trump continua intensificando seu negacionismo eleitoral. No domingo, o presidente Lula da Silva venceu de forma decisiva a eleição no Brasil, com uma vantagem de mais de 4 milhões de votos. Ainda assim, Trump chamou a eleição de ‘fraudada’ e ‘corrupta’ e se recusou a reconhecer o resultado”, diz o início do texto.
A nota lembra ainda que o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), divulgou carta em que agradece a Trump pelo apoio e se declara como o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil —posteriormente, em outra versão, ele trocou o título de presidente eleito por “líder do Brasil”.
“A parceria entre Trump e Bolsonaro na negação dos resultados eleitorais deve acabar imediatamente. Exigimos que os Estados Unidos se juntem ao restante do mundo no reconhecimento dos resultados da eleição no Brasil”, dizem os democratas.
“Nas duas maiores democracias do hemisfério, não podemos tolerar iniciativas autoritárias para negar resultados eleitorais, reverter a vontade de centenas de milhões de eleitores ou interromper violentamente a transferência pacífica de poder”, prossegue o texto.
A nota afirma ainda que os parlamentares estão “empenhados em usar todos os instrumentos do Congresso à nossa disposição para defender a integridade eleitoral em nosso país e impedir a interferência e o negacionismo eleitoral de Trump no exterior”.
Existente desde 1991, a CPC reúne quase cem parlamentares.
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