











O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou, em entrevista a um podcast nos EUA nesta sexta-feira (23), que é a favor de que o irmão, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), deixe o Brasil se perder a eleição. Na mesma entrevista, ele colocou em dúvida a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras.
Eduardo participou ao vivo, no estúdio, do programa “Louder with Crowder”, apresentado pelo comentarista político Steven Crowder. Em 2021, o norte-americano teve o canal no YouTube suspenso por uma semana por divulgar alegações falsas sobre a eleição presidencial dos EUA de 2020. As informações são do g1.
Leia maisFlávio e Lula (PT) disputam o segundo turno no domingo (25). No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, e Lula, 45,16%.
A declaração sobre Flávio foi uma resposta à pergunta de um espectador enviada pelo chat do programa:
“Se o seu irmão não ganhar a eleição, vocês têm algo planejado para ajudar o seu pai? Ou é uma situação em que vocês vão ver o que fazer se chegar a esse ponto?”
Eduardo respondeu em tom de brincadeira: “Mandar os fuzileiros navais.” Em seguida, ele riu.
Após os risos no estúdio, Steven Crowder respondeu em tom sério: “Haveria gente na esquerda furiosa com isso. Gente nas ruas dizendo que isso é construção de nação, que somos um império do mal. Mas esse é um exemplo perfeito do que está errado. Alguma coisa tem que ser feita, a não ser que vocês consigam fazer um ataque de helicóptero para arrancar os telhados da prisão”.
Eduardo respondeu: “Teve uma parte do debate em que o Lula disse: olha, você vai perder a eleição. No ano que vem você não vai mais ser senador. Não vai ter imunidade. E nós vamos investigar tudo sobre você. Ele disse isso abertamente, no meio do debate. Ele estava ameaçando meu irmão.”
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, disse Eduardo Bolsonaro.
Antes disso, Eduardo também criticou o sistema eleitoral brasileiro:
“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”.
Em seguida, ele citou uma frase que atribuiu ao ditador soviético Josef Stálin: “Como disse Stálin, não importa em quem você vota, a questão é quem conta os votos, esse é o problema. Então, da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve.”
O ex-deputado criticou o Supremo Tribunal Federal (STF): “E o Congresso aprovou por três vezes o que chamamos de projeto do voto impresso.Mas todas as vezes que aprovamos isso, o Supremo Tribunal Federal disse que era inconstitucional.”
A urna eletrônica é usada no Brasil desde 1996, e o TSE afirma que nunca houve fraude comprovada no sistema. Ao fim da votação, cada urna imprime um boletim com o total de votos daquela seção. Uma via é afixada na porta da seção, e os fiscais de partidos presentes recebem cópias. O TSE também publica cada boletim na internet, e qualquer pessoa pode comparar os números com o resultado oficial.
O Congresso aprovou leis prevendo o voto impresso em 2002, 2009 e 2015. A primeira foi revogada pelo próprio Congresso em 2003. Nas outras duas, os trechos sobre voto impresso foram derrubados pelo STF, em 2013 e em 2020, sob o argumento de que a medida ameaçava o sigilo do voto.
Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro daquele ano, a Mesa Diretora da Câmara declarou a perda do mandato dele por excesso de faltas às sessões.
Em junho, a Primeira Turma do STF o condenou, por unanimidade, pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a denúncia da PGR, aceita pelo STF, ele atuou junto ao governo americano para promover o tarifaço contra as exportações brasileiras e a suspensão de vistos de ministros do governo e do STF. O tribunal concluiu que ele agiu para interferir no julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.
A pena é de quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto. A condenação se tornou definitiva em 3 de outubro, sem possibilidade de novos recursos. Em decisão assinada em 7 de outubro e divulgada no dia seguinte, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena e a expedição de um mandado de prisão. Ele também ordenou o cancelamento de todos os passaportes brasileiros de Eduardo.
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O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), compartilhou nas redes sociais, nesta sexta-feira (23), imagens de uma visita à Creche Criança Feliz, no Alto José Bonifácio, onde acompanhou as obras de ampliação da unidade. Segundo o gestor, a capacidade passará de 84 para 188 estudantes, um aumento de 124%.
No vídeo, Victor também aparece interagindo com as crianças durante o Dia do Pijama e afirmou que a ampliação permitirá atender mais famílias. “Imaginem agora quantas mães estão em casa sem poder trabalhar, quantos pais estão em casa sem poder trabalhar, porque precisam cuidar das crianças”, disse.
CARTA CAPITAL
Em 2019, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) fez declarações polêmicas a respeito do desaparecimento de Fernando Santa Cruz, pai de Felipe Santa Cruz, advogado que presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil entre 2019 e 2022. Ao criticar a instituição, Bolsonaro afirmou: “um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele”, insinuando que o advogado “não gostaria de ouvir a resposta”.
As declarações foram proferidas como forma de retaliação e constrangimento à OAB, após a entidade ter defendido as prerrogativas do advogado de Adélio Bispo dos Santos, autor do atentado a faca contra ao então candidato à presidência da República, em setembro de 2018.
Estudante de Direito e funcionário público, Fernando Santa Cruz foi preso por agentes do DOI-Codi em 23 de fevereiro de 1974, aos 26 anos, e nunca mais foi visto. Em 2008, CartaCapital identificou o coronel Homero César Machado como um dos responsáveis pela tortura e desaparecimento de Fernando. Quatro anos depois, o ex-delegado Cláudio Guerra afirmou que Fernando e outros presos políticos foram incinerados na Usina Cambahyba, no Rio de Janeiro.
Leia maisEm setembro, Felipe Santa Cruz participou da sessão de exibição do documentário Usina Cambahyba, na sede do Ministério Público Federal, no Rio de Janeiro. Por sinal, o documentário foi alvo de uma recente interpelação judicial por parte dos herdeiros do proprietário da usina.
Felipe contava dois anos de idade à época do desaparecimento do pai, e o trauma da ausência paterna marcou toda sua existência. O advogado ressignificou essa perda com a fundação do Instituto Fernando Santa Cruz, organização voltada à defesa da democracia, dos direitos humanos e à preservação da memória histórica sobre o período da ditadura militar no Brasil.
Recentemente, o instituto recebeu arquivos sigilosos relacionados ao coronel Cyro Etchegoyen, membro do Centro de Informações do Exército e um dos mentores da Casa da Morte, centro de tortura e execução do governo militar. Em junho, o acervo foi oficalmente doado ao Arquivo Nacional.
Santa Cruz acredita que os documentos estarão seguros “caso os democratas vençam”. O advogado vê com apreensão o período das eleições e questiona a postura do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques. “Kassio está jogando a vida no Flávio [Bolsonaro]. Ele sempre garantiu que Flávio ganharia”.
Carta Capital conversou com Felipe Santa Cruz sobre as eleições de 2026. Confira a entrevista:
Carta Capital: Qual a sua visão sobre as eleições de 2026? Os resultados o surpreenderam?
Felipe Santa Cruz: Trata-se de um momento decisivo em nossa história. A maioria obtida pela extrema-direita, guiada pela submissão aos Estados
Unidos e pela agenda de um capitalismo predatório e individualista, colocará a Constituição de 1988 na berlinda, com sério risco de desidratação de seus textos. Os direitos consolidados no processo de redemocratização estão sob grave ameaça e tendem a ser aniquilados caso Flávio Bolsonaro saia vitorioso.
CC: Acredita que haja algum favorecimento para um dos candidatos à Presidência?
Santa Cruz: Resta evidente a ingerência dos Estados Unidos no processo político brasileiro e a consequente afronta à soberania nacional. Um
grupo conspirador, liderado pelo irmão do candidato presidencial, articulou-se sorrateiramente contra os interesses do país. Além disso, o
pleito evidencia o avanço descabido da “ditadura do algoritmo”, com plataformas norte-americanas admitindo a facilitação na circulação de
conteúdos da extrema-direita. A gravidade dos fatos exige reação.
CC: Como residente no Rio de Janeiro, qual a sua opinião sobre o resultado da eleição para governador do estado?
Santa Cruz: É lamentável que Eduardo Paes não se tenha elegido. Conheço sua capacidade como gestor e sei que estava preparado para assumir essa responsabilidade. O Rio de Janeiro padece sob uma profunda deterioração de suas instituições, tornando-se, não por acaso, solo fértil para o surgimento do bolsonarismo.
CC: Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, você acredita na possibilidade da volta de uma ditadura ou estado de exceção?
Santa Cruz: Julgo que isso talvez nem se faça necessário. A conjuntura mais grave já está posta, marcada pela formação de uma expressiva
bancada de extrema-direita e pela subordinação irrestrita aos Estados Unidos. Nela, os maiores retrocessos correm o risco de ser mascarados
por uma aparência de pseudonormalidade.
CC: Em 2019, o então presidente da República eleito fez uma agressão direta a você, enquanto presidente da OAB. Houve algum processo em
relação à fala dele, que mencionava o paradeiro de seu pai?
Santa Cruz: Hoje cumprindo pena, o ex-presidente atacou repetidas vezes a memória do meu pai: um jovem de 26 anos, estudante de Direito
e servidor público assassinado pela ditadura. Notificado a provar o que disse ou a se retratar, escolheu o caminho dos covardes, encolhendo-se e
fingindo ignorar o fato.
CC: Como filho de perseguido e desaparecido político durante a ditadura militar, o que você poderia falar, como alerta, sobre o perigo da volta de uma ditadura?
Santa Cruz: Assim como em 1964, estamos diante da ameaça de 20 anos de trevas. A nova ditadura utilizará os mesmos mecanismos da anterior,
oscilando entre o arbítrio e a falsa legalidade. Quem se calar agora poderá não ter voz para falar no futuro.
O ex-prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, publicou, nesta sexta-feira (23), um vídeo nas redes sociais em resposta ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que participou, na noite anterior, do “Bloquinho 22”, ato em apoio a Flávio Bolsonaro realizado em Boa Viagem. Durante o evento, Nikolas fez críticas a João e puxou um coro de “desempregado” contra o socialista.
No vídeo, João afirmou que Nikolas vem ao Nordeste “de quatro em quatro anos” e acusou o deputado de levar “discurso de ódio, desinformação e mentira” à região. “Nikolas Ferreira, profissão não declarada. Quem nunca trabalhou na vida resolveu vir passear aqui no Nordeste e desrespeitar a nossa gente”, disse. Ao final, João também citou o Galo da Madrugada, após Nikolas afirmar, durante a passagem pelo Recife, que não conhecia o bloco.
A coordenação estadual da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Pernambuco manterá plantão neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais, para acompanhar a movimentação nos locais de votação e o andamento do processo eleitoral. O presidente estadual do PT e coordenador da campanha, deputado federal Carlos Veras, fará visitas a locais de votação ao lado de parlamentares e lideranças políticas. A partir das 17h, a coordenação, parlamentares e militantes se reunirão no Comitê Lula 13, na Rua do Príncipe, nº 225, no bairro da Boa Vista, no Recife, para acompanhar a apuração dos votos.
Se o leitor não conseguiu acompanhar a entrevista com a cantora Vannick Belchior, filha do cantor e compositor cearense Antônio Carlos Belchior, ao quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
A Viação Progresso afirmou, nesta sexta-feira (23), que está cumprindo integralmente o Decreto Estadual nº 61.565/2026, que regulamenta a gratuidade no transporte intermunicipal durante o segundo turno das eleições em Pernambuco. Em publicação nas redes sociais, a empresa divulgou uma imagem do decreto e declarou que “está cumprindo, na íntegra, o que está previsto” na norma. O posicionamento ocorre após denúncias de passageiros sobre dificuldades para obter as passagens gratuitas.
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Publicado no Diário Oficial do Estado, o decreto assegura a gratuidade no domingo (25) nas linhas do transporte intermunicipal que a EPTI identificar como urbanas ou semiurbanas. A norma estabelece ainda que o eleitor deve comprovar o domicílio eleitoral e determina que, no dia da votação, o serviço funcione com itinerários, frota, frequência e horários no mínimo iguais aos praticados nos dias úteis. O texto original também previa que a emissão antecipada dos bilhetes, a partir desta sexta-feira (23), seria facultativa às empresas, ponto no qual a Progresso estava amparada pela redação publicada pelo Governo do Estado.
Nesta sexta, porém, o Ministério Público de Pernambuco determinou que o decreto seja ajustado para tornar obrigatória a emissão antecipada das passagens nos dias 23 e 24, especialmente para atender eleitores que precisam percorrer grandes distâncias. Em outra frente, a Progresso também foi citada em representação ao TRE-PE por supostamente impor limite de distância para a gratuidade. O decreto publicado no Diário Oficial não estabelece limite específico de quilometragem, embora restrinja o benefício às linhas classificadas pela EPTI como urbanas ou semiurbanas.
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O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) apontou a necessidade de ajustes no decreto do Governo do Estado que regulamenta a gratuidade no transporte intermunicipal para o segundo turno das eleições. Em recomendação, o órgão determinou que as passagens gratuitas sejam emitidas obrigatoriamente a partir de hoje (23), e não de forma facultativa, como previsto inicialmente. O MPPE também estabeleceu que o benefício deve ser garantido sem limitação de distância, de forma a atender eleitores que precisam viajar com antecedência para municípios mais afastados.
A recomendação foi expedida após denúncias apresentadas pela Frente de Luta pelo Transporte Público sobre a não disponibilização das passagens nos guichês das empresas Progresso, Expresso 1002 e Borborema. Segundo o coordenador da entidade, Pedro Josephi, além das dificuldades para emissão dos bilhetes, houve relatos de restrição das viagens a trajetos de até 120 quilômetros. Ele também criticou o período previsto para os deslocamentos ao Sertão, onde algumas viagens podem durar até 12 horas.
Assinada pelo promotor de Justiça Leonardo Caribé, a recomendação determina que o decreto seja ajustado para deixar expressamente obrigatório o fornecimento das passagens nesta sexta-feira (23) e no sábado (24), garantindo o deslocamento antecipado de eleitores que percorrem grandes distâncias. O MPPE também determinou que as empresas divulguem amplamente o direito à gratuidade e os procedimentos para emissão dos bilhetes nos terminais, guichês físicos e canais eletrônicos.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, apresentou, nesta sexta-feira (23), denúncia à Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), à Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) e ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) por suposto descumprimento do decreto estadual que garante gratuidade no transporte intermunicipal durante o segundo turno das eleições, neste domingo (25). Segundo a representação, empresas de ônibus, especialmente a Viação Progresso, estariam se recusando a emitir as passagens gratuitas.
O Decreto Estadual nº 61.565/2026 regulamenta a gratuidade no transporte coletivo intermunicipal para o segundo turno. Para a Zona da Mata e o Agreste, as passagens gratuitas são válidas no domingo. No Sertão, a ida pode ocorrer a partir das 18h deste sábado (24), com retorno até as 21h de domingo. Os bilhetes podem ser solicitados nos dias 23, 24 e 25 de outubro, mediante apresentação de documento de identificação e título eleitoral.
Após as denúncias, a EPTI informou que voltou a notificar as empresas de ônibus nesta sexta-feira para assegurar o cumprimento da gratuidade. A Federação também pediu fiscalização imediata, emissão dos bilhetes e adoção das medidas necessárias para garantir o transporte dos eleitores no dia da votação.
A divulgação de informações sobre delações premiadas às vésperas de uma eleição pode provocar repercussão política e influenciar o debate público. No entanto, o impacto de uma acusação na opinião dos eleitores não significa que os fatos estejam comprovados. Para o advogado Ítalo Oliveira, especialista em Direito Penal Econômico, é importante distinguir a repercussão de uma declaração de seus efeitos na Justiça, que dependem do cumprimento das regras legais e da análise das provas.
Anunciar uma delação não significa formalizar um acordo
Segundo Oliveira, anunciar a intenção de fazer uma delação não significa que o acordo esteja formalizado nem que produza os efeitos jurídicos próprios de uma colaboração premiada homologada pela Justiça. Em algumas situações, a divulgação dessa intenção pode fazer parte da estratégia da defesa para demonstrar às autoridades o interesse do acusado em colaborar com as investigações.
Leia mais“Muitas vezes, as defesas anunciam essa intenção para demonstrar ao Ministério Público ou à polícia que o acusado tem interesse em colaborar. É mais uma estratégia para convencer as autoridades de que há disposição para ajudar nas investigações do que propriamente uma medida com efeitos jurídicos”, explica.
A homologação judicial, por sua vez, não significa que todas as informações apresentadas pelo colaborador sejam automaticamente consideradas verdadeiras. Os relatos precisam ser avaliados e confrontados com outros elementos de prova.
Acusações precisam ser confirmadas por outras provas
Ítalo Oliveira destaca que as declarações de quem faz uma delação não são suficientes, por si só, para fundamentar uma condenação. A Lei nº 12.850/2013, que trata das organizações criminosas, também estabelece que a Justiça não pode receber uma denúncia ou queixa-crime fundamentada apenas nas declarações do colaborador.
O advogado lembra que os debates jurídicos relacionados à Operação Lava Jato contribuíram para reforçar os limites desse instrumento.
“A colaboração premiada é um meio de obtenção de provas. A pessoa que faz a delação indica à polícia ou ao Ministério Público caminhos para encontrar provas que confirmem o que foi dito. É necessário que existam outros elementos, independentes das declarações, que sustentem as acusações”, afirma.
Na prática, a delação pode ajudar a orientar uma investigação, mas não substitui a comprovação dos fatos. Para que alguém seja condenado, é necessário que as provas sustentem a acusação, respeitando-se o direito de defesa e as demais garantias legais.
Divulgação de delações no período eleitoral
A divulgação de informações sobre investigações envolvendo figuras públicas pode ganhar ainda mais repercussão nos dias que antecedem uma votação. Segundo Oliveira, a legislação eleitoral não estabelece uma proibição geral à divulgação de conteúdos de delações nas 72 horas anteriores à votação.
“Já tivemos, em outras eleições, conteúdos de delações divulgados às vésperas da votação que, sem dúvida alguma, causaram impacto. A legislação eleitoral não estabelece uma proibição geral à divulgação de colaboração premiada nesse período”, observa.
Essa ausência de proibição eleitoral específica, entretanto, não significa que qualquer conteúdo possa ser divulgado livremente. A colaboração premiada e os depoimentos do colaborador estão sujeitos a regras de sigilo previstas na Lei nº 12.850/2013. O acordo e os depoimentos permanecem sigilosos até o recebimento da denúncia ou da queixa-crime, conforme estabelece a legislação.
Por isso, a análise de cada situação deve considerar não apenas as regras eleitorais, mas também a origem das informações, o eventual sigilo judicial e as circunstâncias da divulgação.
O papel do Supremo Tribunal Federal
O Supremo Tribunal Federal (STF) pode atuar em investigações relacionadas a autoridades que, pelas regras constitucionais, estão sujeitas à competência da Corte. A definição depende das circunstâncias do caso e dos critérios legais aplicáveis.
De acordo com Oliveira, a simples menção ao nome de uma autoridade em uma delação não transfere automaticamente a investigação para o Supremo. É necessário avaliar se existem indícios de envolvimento da autoridade nos fatos investigados e se o caso se enquadra nas regras de competência do tribunal.
O advogado também ressalta que o sigilo das investigações deve ser conciliado com o direito de defesa. Quando informações de uma colaboração são utilizadas contra alguém, o acesso aos elementos pertinentes deve ser garantido nos termos da lei, permitindo que a pessoa possa contestar as acusações.
Repercussão política e consequências jurídicas
A divulgação de uma delação pode influenciar o debate eleitoral antes mesmo de a investigação ser concluída. No entanto, a responsabilização criminal depende da análise das provas, da apuração dos fatos e do respeito às garantias legais. Distinguir esses dois planos é fundamental para que acusações e declarações não sejam tratadas como fatos comprovados.
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Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Politicas e Econômicas (Ipespe) e divulgada nesta sexta-feira (23/10) mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 50,5% dos votos válidos, em uma vantagem numérica sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem 49,5%, na corrida pelo Palácio do Planalto.
O cenário configura empate técnico entre os dois candidatos, que disputam o 2º turno das eleições no próximo domingo (25/10). As informações são do Metrópoles.
Leia maisO levantamento foi realizado em parceria com a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel) e ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 20 e 22 de outubro.
A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95,45%.
A pesquisa está registrada no TSE sob o código BR-04350/2026.
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Segundo a pesquisa Alfa Inteligência divulgada nesta sexta-feira (23), o candidato Flávio Bolsonaro (PL) tem 52% dos votos válidos no 2º turno.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, pontua com 48%.
Leia maisVotos válidos são aqueles dados diretamente a um candidato ou, nas eleições proporcionais, a uma legenda partidária. Votos em branco e nulos não entram no cálculo que define os vencedores de uma eleição.
Isso significa que a porcentagem apresentada na apuração não considera necessariamente todas as pessoas que compareceram às urnas. Ela é calculada apenas sobre os votos válidos.
A Alfa Inteligência entrevistou 2.700 eleitores entre os dias 18 e 22 de outubro, enquanto a pesquisa tem uma margem de erro de 1,9 ponto percentual para mais ou para menos e o índice de confiança de 95%.
A pesquisa está inscrita no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-08496/2026.
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