











O retorno de Milton Coelho à Câmara dos Deputados pode ter surpreendido quem acompanhou a eleição apenas pela superfície. Nos bastidores, porém, havia um componente importante de sua candidatura que apareceu pouco durante a campanha.
Milton chegou à disputa com um ativo político construído ao longo de muitos anos: sua relação com lideranças nacionais do PT e do campo político do presidente Lula.
Leia maisEm Brasília, nomes importantes do partido consideravam estratégico ter Milton novamente na Câmara Federal, integrando a base de Lula no próximo mandato. Ex-deputado e com experiência no Executivo Federal, ele reúne trânsito político e conhecimento do Congresso, atributos considerados relevantes num cenário em que a composição da Câmara terá peso na relação do governo com o Legislativo.
Essa articulação praticamente não apareceu para o eleitor, mas funcionou silenciosamente ao longo da campanha. Enquanto a disputa pública acontecia nas ruas, nas redes e nos palanques de Pernambuco, Milton também contava com interlocução e apoio político de lideranças nacionais interessadas no fortalecimento da bancada de sustentação do governo.
É um fator que ajuda a compreender o resultado das urnas.
Para quem observava apenas a campanha visível, a eleição de Milton Coelho pode ter sido surpresa. Para quem acompanhava também os movimentos de Brasília, havia sinais de que sua candidatura tinha mais força do que aparentava.
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, fixou, hoje, uma espécie de filtro para tentar barrar o direcionamento de pedidos para ministros.
A medida foi adotada após episódios de “guerras de liminares” na Corte e ainda de um questionamento feito pelo ministro Kassio Nunes Marques, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Leia maisA nova regra cria uma etapa de controle para evitar que novas demandas sejam vinculadas automaticamente a um processo e, dessa forma, caiam nas mãos de um relator específico.
Na prática, determinados pedidos que forem apresentados dentro de processos já existentes passarão por uma análise antes de chegar ao relator. Será preciso verificar se o novo pedido tem, de fato, relação suficiente com a ação original para permanecer vinculado a ela.
Se essa relação não for reconhecida, a petição será transformada em um processo independente. Nesse caso, será distribuída entre os ministros por sorteio ou por prevenção, quando as regras do tribunal determinarem que um magistrado que já analisa questão relacionada deve receber o caso.
Quais pedidos passam pelo novo filtro
A nova regra alcança, entre outros casos, petições apresentadas por terceiros, ou seja, pessoas ou entidades que não sejam partes naquele processo, advogados das partes ou integrantes do Ministério Público que atuem na ação. Também terão de passar pela análise as petições que:
O uso da inteligência artificial (IA) e o combate à desinformação devem ser os principais desafios jurídicos das eleições de 2026. A avaliação é do advogado Ítalo Oliveira, Especialista em Direito Penal Econômico, que destaca o papel da Justiça Eleitoral na regulamentação das novas tecnologias.
Segundo ele, o TSE avançou ao estabelecer regras específicas para o uso de IA nas campanhas. “O principal desafio jurídico dessas eleições é o uso da inteligência artificial, tanto o regulamentado quanto o combate ao uso indevido para fake news e deep fakes”, afirmou.
Ítalo ressalta que a tecnologia não é proibida, mas precisa ser identificada. “A IA é permitida desde que seja declarada e facilmente identificada pelo eleitor”, explicou.
Ele também alerta para a responsabilidade no compartilhamento de conteúdos falsos. “Quem sabe que é fake news e mesmo assim divulga pode responder criminalmente. Mesmo quem compartilha sem saber pode ter responsabilidade civil”, disse.
O advogado reforça ainda a importância da checagem de informações e da remoção de conteúdos falsos ao serem identificados, além de lembrar que crimes eleitorais como boca de urna, compra de votos e coação podem ser denunciados no dia da votação. “A prisão em flagrante é permitida no dia da eleição”, concluiu.
O candidato ao Governo de Pernambuco e líder da Frente Popular, João Campos, participou, na manhã de hoje, do último porta a porta da campanha, no Coque, na Ilha Joana Bezerra, na região central do Recife. Ao lado da candidata a senadora, Marília Arraes, João percorreu as ruas da comunidade, conversou com moradores e comerciantes e reforçou seus compromissos para ampliar o acesso à moradia e avançar na urbanização das comunidades pernambucanas.
Durante o ato, João destacou ações realizadas no Recife nas áreas de habitação e urbanização e afirmou que pretende ampliar essas iniciativas em Pernambuco. “Vamos construir novas habitações, ampliar o Entrada Garantida e criar um programa específico para os servidores públicos. Também vamos avançar na habitação do Centro e fazer em Pernambuco o que a gente já fez no Recife. Aqui, urbanizamos áreas como Roque Santeiro, os Coelhos e Vila Brasil, retirando palafitas e levando moradia de qualidade para as pessoas. É esse trabalho que queremos ampliar em todo o Estado”, afirmou.
Leia maisA proposta de ampliar o Entrada Garantida para servidores públicos e estimular a transformação de imóveis no Centro em moradias foi apresentada por João ao longo da campanha. A iniciativa prevê a participação do Estado no acesso à moradia, com foco também na requalificação de áreas centrais. Na reta final da campanha, João também agradeceu aos apoiadores e destacou a mobilização realizada ao longo do período eleitoral. O candidato reforçou a integração com Marília Arraes, Humberto Costa e o presidente Lula.
“Quero agradecer a todo mundo que esteve com a gente nessa caminhada. Chegamos à reta final felizes, animados e com a certeza de que fizemos uma campanha com muita proposta e muita presença nas ruas. Quero continuar essa caminhada e dedicar minha vida a Pernambuco, assim como fiz pelo Recife. É isso que quero fazer pelo nosso Estado”, afirmou.
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A apenas dois dias das eleições, a campanha de Raquel Lyra (PSD) entrou na Justiça Eleitoral, hoje, contra a Quaest, pesquisa consolidada em todo país que é divulgada pela TV Globo. O instituto demonstrou o crescimento de João Campos (PSB) de 3 pontos percentuais, empatando com Raquel Lyra com 42%, que caiu 1 ponto percentual. Com isso, a distância que já foi de 6 pontos agora mostra uma curva de crescimento de Campos nos últimos dias de campanha.
Na ação apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), a coligação Pernambuco de Coração pede uma decisão liminar para impedir a Quaest e a Globo de divulgar, publicar ou veicular os resultados do levantamento. É a primeira vez que a campanha de Raquel tenta se contrapor à Quaest, se posicionando contra o reconhecido pesquisador e professor Felipe Nunes, que também está entre os especialistas da TV Globo responsáveis por analisar pesquisas. O documento apresentado à Justiça Eleitoral contesta componentes metodológicos.
A coligação afirma que o registro da pesquisa não detalha suficientemente possíveis ajustes estatísticos. Segundo a ação, não estariam especificados as variáveis, as fontes de dados e os critérios que determinariam a aplicação desses ajustes. O pedido não é para retirar apenas um quesito ou determinado cenário da pesquisa: a ação solicita a suspensão da pesquisa inteira, sustentando que o suposto problema estaria no próprio registro metodológico.
A tradicional Rua Duarte Pacheco, em Arcoverde, recebeu, ontem, o último evento de campanha de Luciano Pacheco (MDB), candidato a deputado federal. Durante o discurso, ele agradeceu às pessoas que o acompanharam ao longo da campanha e defendeu a eleição de um representante do município para a Câmara dos Deputados.
“A partir do ano que vem Arcoverde terá um deputado para trabalhar por essa terra. Por onde eu tenho andado, eu tenho ficado feliz por que quando a gente vai entregar o santinho a pessoa já diz que já sabe o número do filho da terra é 1511”, destacou.
A nossa candidatura surge de uma necessidade. “Nós não podemos enquanto arcoverdenses viver sem um deputado para representar Arcoverde. E pela primeira vez na história, essa cidade com 82 mil habitantes vai mostrar como se elege um deputado vindo da vontade do povo”, disse.
“Arcoverde precisa parar de perder empresas como perdeu o Banco Itaú, e se não tomar de conta vamos perder outras empresas. Não dá pra continuar a ter um hospital que está parecendo um matadouro. E é por isso que eu peço que votem em João Campos (PSB), número 40, para o governo de Pernambuco. Estou com uma vontade enorme de votar em João porque sei o quanto ele vai fazer pela nossa gente”. afirmou.
O Sextou de hoje, programa musical que ancoro pela Rede Nordeste de Rádios, no mesmo horário do programa Frente a Frente, trará uma super entrevista com o cantor e compositor Martinho da Vila, considerado o maior sambista de todos os tempos.
Autor de mais de 400 sambas, entre eles 20 sambas-enredos premiados no Carnaval das Escolas de Samba no Rio, como Kizomba, a festa da raça, que deu o primeiro lugar à Unidos da Vila Isabel, sua escola do coração, em 88, Martinho também escreveu sua autobiografia, o livro ‘Martinho da Vida’.
Leia maisNo Sextou, ele fala não apenas do livro, no qual destaca sua passagem pelo Exército, de onde saiu o Sargento Ferreira, como do início da sua trajetória musical até os dias de glória que vive como sambista premiado e consagrado. Entre os sambas de grande sucesso, “Canta, canta, minha gente”, “Ex-amor”, “Casa de bamba”, “Mulheres”, “Madalena do Jucú” e “Disritmia”.
O Sextou vai ar das 18 às 19 horas pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente em destaque acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.
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Os Estados Unidos suspenderam o atendimento presencial na Embaixada dos EUA em Brasília e nos consulados do país em todo o Brasil, hoje, por questões de segurança. A decisão foi anunciada ontem em um comunicado. Na nota, o governo norte-americano não especificou as supostas ameaças que motivaram a medida. As informações são do portal G1.
O governo dos EUA não deixou claro que tipo de serviços consulares fornecidos pela embaixada foram suspensos. Também não especificou se seguirá emitindo vistos e passaportes no período. A Embaixada orientou cidadãos norte-americanos que precisem de assistência emergencial a não comparecerem às instalações diplomáticas. Nesses casos, a recomendação é entrar em contato com o oficial de plantão responsável pelo atendimento.
Leia maisNesta manhã, a Embaixada da Austrália anunciou que ficará fechada ao longo desta sexta-feira. Após a Embaixada dos EUA emitir o comunicado, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que a medida foi tomada seguindo uma orientação do governo de Donald Trump para priorizar a “segurança e a proteção dos cidadãos americanos”.
Um porta-voz do departamento afirmou que embaixadas e consulados dos EUA usam um sistema de mensagens para enviar alertas a cidadãos norte-americanos sobre “ameaças, eventos e mudanças relevantes no Brasil”. Mas afirmou se o serviço foi acionado.
“Estamos trabalhando em estreita cooperação com contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”, afirmou o porta-voz. A TV Globo, uma fonte do governo norte-americano mencionou uma ameaça de bomba, mas não deixou claro se a ameaça foi direcionada para a própria embaixada ou outro local em Brasília. A fonte afirmou, no entanto, que os funcionários da embaixada trabalhariam de casa nesta sexta-feira.
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Na reta final do primeiro turno das eleições gerais deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) centralizarão as agendas de hoje e amanhã no Sudeste.
Os dois candidatos têm compromissos previstos em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país.
Juntos, os estados somam 63,3 milhões de eleitores, quase 40% dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar. Considerado também o Espírito Santo, o Sudeste reúne 66,3 milhões de eleitores, ou 41,78% do eleitorado nacional.
A concentração se dá a dois dias do primeiro turno, marcado para domingo (4/10), e a 23 dias de eventual segundo turno, previsto para 25 de outubro.
A atenção dada à região ganha ainda mais peso depois de Lula e Flávio chegarem à reta final sem se enfrentarem em debate eleitoral.
Por Emílio Duarte*
Há noites em que um acontecimento aparentemente simples revela muito mais sobre o estado de uma democracia do que longos discursos sobre instituições, Constituição e liberdade.
A noite de 1º de outubro de 2026 talvez seja uma delas.
Um debate presidencial que deveria acontecer na televisão brasileira não aconteceu.
Leia maisNão porque faltassem candidatos. Não porque inexistisse interesse público. Não porque a emissora tivesse desistido de promovê-lo por mera conveniência empresarial.
Nas horas que antecederam o programa, decisões judiciais alteraram aspectos relevantes das regras previamente estabelecidas para o encontro.
Primeiro, o Tribunal Superior Eleitoral determinou que a emissora não poderia exibir o púlpito vazio destinado ao candidato que decidira não comparecer, tampouco permitir que os adversários lhe dirigissem perguntas.
Depois, já muito próximo do início do programa, decisão do Supremo Tribunal Federal determinou a participação de candidato que, segundo os critérios originalmente adotados pela emissora, não integraria o debate.
Ao final, diante da sucessão de acontecimentos, a Rede Globo anunciou o cancelamento.
E talvez seja necessário dizer, desde logo: esta reflexão não é sobre Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos ou qualquer outro candidato.
Também não deveria ser.
A questão bem maior!
É sobre o espaço que ainda reservamos à liberdade.
É sobre os limites da intervenção estatal sobre a imprensa.
E, sobretudo, sobre aquilo que acontece com uma democracia quando as instituições encarregadas de protegê-la começam, ainda que movidas pelas melhores intenções, a ocupar espaços que talvez devessem permanecer livres.
A Lei nº 9.504/1997 afirma que é facultada às emissoras de rádio e televisão a realização de debates eleitorais.
A mesma legislação permite expressamente a realização do encontro sem a presença de candidato que tenha sido regularmente convidado.
E a regulamentação do próprio Tribunal Superior Eleitoral estabelece que as regras desses debates são construídas por acordo entre as candidaturas e a pessoa jurídica responsável pelo evento. (Tribunal Superior Eleitoral)
Não significa, evidentemente, que uma emissora de televisão esteja acima da lei.
Não está.
Isonomia, legitimidade das regras, observância dos critérios legais e proteção contra favorecimentos indevidos são matérias submetidas ao controle da Justiça Eleitoral.
Mas existe uma diferença fundamental entre fiscalizar a legalidade de um debate e passar a dirigir o debate.
É justamente nessa fronteira que o episódio merece reflexão.
Quando o Poder Judiciário começa a definir quem aparecerá no palco, quem não aparecerá, se o lugar vazio poderá ser mostrado, o que poderá ser perguntado a quem não compareceu e como uma ausência deverá ser apresentada ao telespectador, aproximamo-nos perigosamente de uma substituição da autonomia jornalística pela decisão estatal.
E isso deveria inquietar democratas de todas as posições políticas.
Porque liberdade de imprensa não existe apenas quando concordamos com a imprensa.
Ela não protege apenas o editorial de que gostamos, o jornalista que admiramos ou a emissora que eventualmente coincide com nossas posições.
Liberdade somente merece esse nome quando também protege decisões editoriais das quais discordamos.
A Constituição de 1988 não estruturou a imprensa como extensão do Estado.
Fez exatamente o contrário.
Criou um espaço de liberdade diante dele.
E talvez este seja o momento em que precisamos voltar a compreender uma velha virtude do constitucionalismo: nem todo poder que pode ser exercido precisa ser exercido até o limite.
Existe uma palavra que deveria ser cada vez mais lembrada nas democracias constitucionais: autocontenção.
O Poder Judiciário é indispensável à democracia.
Exatamente por isso, sua força aumenta quando sabe reconhecer os espaços nos quais a Constituição recomenda prudência.
Uma democracia não se fragiliza somente quando juízes deixam de agir quando deveriam.
Também pode se fragilizar quando passam a decidir aquilo que a sociedade civil, a imprensa, os partidos e os cidadãos poderiam resolver dentro das regras estabelecidas pela própria lei.
No episódio desta quinta-feira, há ainda uma circunstância juridicamente desconfortável.
Em fevereiro de 2025, ao examinar a ADI 7698, o Supremo Tribunal Federal preservou o critério legislativo relacionado à representação parlamentar para participação obrigatória nos debates eleitorais. (Supremo Tribunal Federal)
Agora, na véspera de um debate presidencial, uma decisão individual acabou alterando concretamente sua composição.
Pode haver argumentos jurídicos para isso.
Assim como é possível construir argumentos jurídicos para sustentar a decisão do TSE relativa ao púlpito vazio.
O problema maior talvez não esteja apenas no resultado de cada decisão isoladamente.
Está na sucessão delas.
Está na incerteza.
Está na impressão, transmitida à sociedade, de que regras conhecidas até poucas horas antes de um evento nacional podem ser redesenhadas sucessivamente por diferentes decisões judiciais.
Segurança jurídica também é um valor democrático.
E regras eleitorais possuem uma peculiaridade adicional: quanto mais próximo o pleito, maior deveria ser a previsibilidade.
Há algo de profundamente simbólico no fato de que o último grande debate antes de uma eleição presidencial tenha sido substituído por outro programa depois de uma sucessão de decisões judiciais.
Talvez, daqui a alguns anos, o episódio seja apenas uma nota de rodapé da eleição de 2026.
Tomara.
Mas talvez seja também um daqueles pequenos sinais que, quando observados retrospectivamente, mostram que alguma coisa estava mudando.
Penso na democracia, às vezes, como se fosse uma pessoa.
Durante muito tempo imaginamos que ela fosse forte.
Quase invulnerável.
Sobreviveu a crises, radicalismos, ataques às instituições, conflitos entre Poderes e momentos de enorme tensão política.
Levantou-se depois de cada queda.
Mas pessoas fortes também adoecem.
No começo os sintomas são discretos.
Um pouco de cansaço.
Algumas dores que parecem suportáveis.
Uma tristeza que se procura esconder.
Depois vêm outros sinais.
Ela continua caminhando, mas já não caminha com a mesma força.
Continua sorrindo, mas seus olhos começam a denunciar o sofrimento.
E aqueles que sempre disseram amá-la começam, pouco a pouco, a se afastar.
É assim que imagino nossa democracia nesta noite.
Sentada em algum lugar silencioso depois de mais um dia difícil.
Cansada.
Talvez chorando.
Olhando para os lados e perguntando onde estão aqueles que durante tantos anos disseram que lutariam por ela.
Ela ainda resiste.
Ainda possui uma Constituição extraordinária.
Ainda possui instituições.
Ainda possui imprensa livre.
Ainda possui eleições.
Ainda possui milhões de brasileiros que acreditam nela.
Mas parece estar ficando cansada.
Não porque tenha um inimigo único.
Democracias raramente adoecem assim.
Elas adoecem pela sucessão de pequenas concessões.
Por silêncios convenientes.
Por excessos justificados por boas intenções.
Pela naturalização daquilo que, alguns anos antes, nos pareceria extraordinário.
E talvez o pior sintoma apareça quando começamos a aceitar tudo isso como normal.
A liberdade de imprensa não pertence à Globo.
Não pertence à Folha, ao Estadão, às rádios, aos portais ou aos jornalistas.
Pertence à sociedade.
Da mesma forma, um debate presidencial não pertence aos candidatos.
Pertence, em última análise, ao cidadão que deseja conhecer aqueles que pretendem governá-lo.
Quando um candidato decide não comparecer, essa ausência também é uma informação.
Quando outro candidato comparece, sua presença também é uma informação.
Quando uma emissora estrutura jornalisticamente esses acontecimentos dentro dos limites da lei, existe ali exercício de liberdade editorial.
Pode-se discordar dela.
Pode-se criticá-la.
Pode-se até procurar o Judiciário quando houver ilegalidade.
Mas devemos pensar muitas vezes antes de permitir que a exceção se transforme em método.
Porque democracia não morre necessariamente em um único dia.
Às vezes ela apenas vai adoecendo.
Um pouco hoje.
Outro pouco amanhã.
Até o momento em que aqueles que a amavam percebem que deveriam ter cuidado melhor dela enquanto ainda havia tempo.
Espero sinceramente que não tenhamos chegado perto disso.
E que essa democracia, que nesta noite parece um pouco triste, cansada e solitária, encontre novamente forças.
Não precisa de tutores.
Precisa de instituições fortes.
De juízes independentes.
De imprensa livre.
De políticos submetidos à lei.
E, sobretudo, de cidadãos que compreendam que defender a liberdade somente quando ela favorece o nosso lado nunca foi defender a liberdade.
Democracia exige algo muito mais difícil: defender a liberdade também quando ela incomoda.
*Advogado militante e mestrando em direito eleitoral
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Meu irmão Augusto Martins ganhou, ontem, da sua filha primogênita Olga Sofia, a linda Maria Olívia, sua primeira linda neta. O que Deus tira com uma mão, com a outra devolve: há pouco mais de um ano, Augusto viu Deus arrebatar sua Socorro, companheira de mais de 40 anos, num terrível acidente de carro. Ao ouvir, ontem, o chorinho de Olivia e colocá-la nos braços como avô pela primeira vez, Augusto ganhou um anjo para guiar os seus dias.
Lá atrás, a vida levou metade do seu coração, mas com Olivia Deus plantou nele uma nova semente de amor. Nos braços da saudade, a vida lhe deu um motivo para sorrir, a sua netinha. O colo que chorou a despedida da companheira é o mesmo que agora vai ninar o futuro da família. Que sua neta seja o seu maior ponto de paz e força.
A vida leva quem amamos, mas nos devolve o amor em forma de neta. Que esse anjinho traga de volta os sorrisos que a partida da sua esposa levou. Ser avô é redescobrir o amor em sua forma mais pura, sentindo o coração expandir para uma alegria que parece fazer a vida recomeçar.
Virar avô é experimentar um amor em dobro, que chega sem o peso da criação diária, transborda em pura alegria e renovação da vida. É ver o amor da sua vida multiplicado nos olhos de uma nova geração. O coração se expande para amar sem medidas.
Olga e Victor, que vivem um lindo amor há mais de uma década, são irmanados também na fé. Por isso, optaram pela harmonização do nome composto de Olivia com a derivação de Maria, a mãe de Cristo. Pesquisei e vi que Olivia deriva do latim oliva, referência direta à árvore da oliveira.
Como a oliveira e o ramo de oliveira são símbolos universais de paz, harmonia, sabedoria e prosperidade, o nome da netinha de Augusto também carrega o sentido figurado de ser uma presença pacificadora e serena. Um nome delicado, cheio de feminilidade e utilizado pela humanidade desde a Antiguidade.
Maria Olívia chega também para dar mais cor ao mundo dos pais e ao coração de Augusto um novo motivo para bater mais forte. O amor da sua vida tem um novo nome, prometida por Deus, guardada no coração e agora nos braços do avô do ano.
Que Olivia seja o começo de uma linda história de amor eterno para o meu amado irmão!
Raquel acusa governo Lula de má-fé
Em uma reviravolta no discurso até então encampado pelo marketing da campanha à reeleição, a governadora Raquel Lyra (PSD) foi enfática ao acusar, ontem, durante debate promovido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de agir de “má-fé” ao “direcionar” as auditorias realizadas pelo Ministério da Saúde para investigar repasses de R$ 40 milhões a uma unidade de saúde privada da qual um dos sócios é o marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
Ao ser questionada pelo candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), sobre o suposto quantitativo de 236 fraudes em “processos de tratamento de câncer e hemodiálise” realizadas no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, que tem como sócio-administrador Jorge de Noronha Branco Neto, marido de Priscila Krause, a governadora demonstrou certa confusão ao abordar o andamento do processo, ao passo que partiu para o ataque ao Ministério da Saúde.
Leia mais“Essa fraude, suposta fraude, de que você fala, ao Ministério da Saúde, do hospital do marido de Priscila, […] foi anulada, foi suspensa, por indícios claros de direcionamento e má-fé da auditoria feita pelo Ministério da Saúde”, denunciou. Apesar de não citar responsáveis pelo que classificou como “direcionamento” por parte do governo federal, a governadora alegou, apesar de o caso tramitar sob segredo de justiça, ter conhecimento de que tal “direcionamento” teria sido reconhecido pelo Judiciário.
A auditoria citada pela governadora Raquel Lyra diz respeito não somente ao montante milionário destinado à unidade de saúde administrada pelo marido da vice-governadora, mas, também, a questionamentos sobre impessoalidade, conflito de interesses e critérios adotados pela atual gestão estadual na contratação de serviços de saúde.
O caso chegou às instâncias superiores a partir de relatos feitos pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) sobre procedimentos forjados, pagamentos indevidos e suspeita de favorecimento em contratos firmados pelo governo Raquel Lyra, o que motivou, recentemente, a ida do caso ao Tribunal de Contas da União (TCU).
O DenaSUS pede a devolução de quase R$ 1 milhão ao Fundo Nacional de Saúde por “recebimento indevido de recursos da Assistência Financeira Complementar da União destinada ao Piso Nacional da Enfermagem” e “faturamento de procedimentos assistenciais sem a devida comprovação de sua execução nos prontuários analisados”.
Em paralelo, passou a tramitar na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) um pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause. Após parecer favorável pela admissibilidade do processo por parte da Procuradoria da Casa, a matéria agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que se, ao final, julgar comprovado o crime de responsabilidade, pode decidir pelo afastamento do cargo e eventual perda do mandato.
O MICO DA GLOBO – Em nota oficial lida em seus telejornais, a TV Globo cancelou, ontem, o debate presidencial e lamentou a situação. Explicou que as decisões judiciais alteraram regras previamente acordadas e assinadas por todos os partidos. De acordo com o canal, invalidar as regras sobre o púlpito vazio (TSE) e impor a inclusão de um candidato que não atingia os critérios de representatividade legal (STF), no caso Renan Santos, do Missão, desfigurou o formato do evento e inviabilizou a transmissão de forma justa e segura. No lugar do debate, a emissora manteve sua programação regular de entretenimento.

Quem tem poder é Janja – Houve divergência entre conselheiros do presidente Lula (PT) sobre a ida ou não dele ao debate da Globo. O presidente do PT, Edinho Silva, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, defenderam a participação do chefe, que daria a ele um palanque privilegiado, em horário nobre e com audiência gigantesca, para tentar reverter votos e conquistar os indecisos. Já a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, foi contra a ideia. Em meio à cizânia, Lula declinou do convite da emissora por entender que falaria pouco e apanharia muito.
Clima de virada para João – Uma coisa está clara: nesta semana, cinco pesquisas deram João na frente. A Quaest apontou empate e a Datafolha também mostrou um quadro de empate. O que as pessoas não sabem é o que está acontecendo nos bastidores. Fontes do blog apuraram que, tanto do lado de Raquel quanto do lado de João, já existe o sentimento de que João está hoje três ou quatro pontos à frente de Raquel Lyra. É isso que ajuda a explicar a reação mais agressiva de Raquel nas redes.
Mudança radical – A governadora, que até então vinha adotando um discurso de vítima e de mimimi, mudou o tom justamente na reta final. Por outro lado, cresce o clima de confiança e de vitória dentro da Frente Popular, que chega à reta final com um grande ativo: a consolidação de Marília Arraes e Humberto Costa como praticamente eleitos para o Senado. Isso fortalece a unidade do grupo, o voto conjunto e a mobilização da Frente Popular. E, na reta final, isso pode fazer toda a diferença no próximo domingo.

O desqualificado – O presidente Lula (PT) criticou o formato de debate das televisões para justificar a própria ausência no debate presidencial que seria realizado pela Globo. A afirmação foi feita em entrevista ao Flow Podcast, concedida pelo petista no mesmo horário em que ocorreria o evento na emissora. “Eu há tempos tenho questionado os debates da Globo”, declarou o petista, que disse não gostar do tipo do debate promovido pela emissora. “Você não pode levar uma pessoa que tem 49% a debater com o que tem 1%”, destacou, citando o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e chamando-o de “desqualificado”. Flávio, que tinha presença confirmada até o começo da noite de ontem, cancelou sua participação após a ministra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Estela Aranha determinar que a Globo não poderia exibir o púlpito vazio de Lula durante o programa. A decisão atendeu a um pedido da campanha do petista.
CURTAS
EMPATE – A corrida eleitoral de 2026 chega às vésperas do primeiro turno com Lula (PT) somando 45% dos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, ante 40% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Datafolha. Já no segundo turno, em votos totais, há empate técnico: 48% para o presidente e 45% para o senador fluminense.
MAIORIA PELO FIM – A nova pesquisa Datafolha apontou que 78% da população é favorável à proibição de bets e cassinos online.
O levantamento, realizado entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro, capta a percepção dos brasileiros na esteira da medida provisória do presidente Lula (PT) que proibiu apostas online às vésperas da eleição. Segundo a pesquisa, 18% são contra o fim das bets e 4% não opinaram.
SENADO EM SP – O empate técnico quádruplo na disputa pelo Senado em São Paulo se mantém na reta final desta eleição, segundo pesquisa Datafolha. O levantamento traz Marina Silva (Rede) numericamente à frente, com 16% das intenções de voto. André do Prado (PL) e Simone Tebet (PSB) têm 15% cada. Já Guilherme Derrite (PP) aparece com 14%. Com a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os quatro estão empatados tecnicamente.
Perguntar não ofende: Como virão hoje as novas pesquisas nacionais para o Governo de PE?
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