











O líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), apresentou uma sugestão de alteração à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança com o objetivo de reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. A proposta está na pauta do plenário do Senado de hoje.
A mudança sugerida por Camilo Santana é uma reação à proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que reduz a maioridade penal para 16 anos na maior parte dos crimes e para 14 anos em uma lista de crimes graves. Marinho é coordenador da campanha presidencial do também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que publicou um vídeo defendendo a mudança.
Historicamente, a bancada governista no Congresso sempre se posicionou contra a redução da maioridade penal. Um dos principais argumentos é de que o sistema carcerário brasileiro ficaria ainda mais sobrecarregado e que a ida de jovens para esses presídios os colocaria em contato direto com facções criminosas. O período eleitoral, no entanto, pode impactar a discussão. A proposta vai a votação a dez dias do segundo turno das eleições presidenciais e tem o apoio de 61% da população, segundo pesquisa Quaest desta terça-feira (14).
Por Tales Faria – Correio da Manhã
A equipe de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), se dobrou ao “tudo ou nada” da reta final da eleição, mas está preocupada em evitar que a perda de credibilidade acabe tirando votos do candidato a presidente da República.
As idas e vindas das declarações do candidato tiveram a concordância de sua equipe. Até foram incentivadas como única possibilidade em algumas situações, mas, segundo pesquisas internas, não convenceram a uma parcela de seus possíveis eleitores.
Leia maisPor exemplo: o candidato teve que sinalizar em conversas reservadas com empresários de São Paulo, com quem se encontrou nesta quarta-feira, 14, que seu eventual governo poderá rediscutir o projeto de livre negociação da escala de trabalho entre patrões e empregados.
Ele vinha defendendo outro texto, apresentado ao Congresso pelo seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (RN), mas foi derrotado com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que aprovou a derrubada da escala 6×1 com a adoção da chamada escala 5×2 – cinco dias de trabalho semanais por dois de folga.
O candidato do PL chegou a se manifestar publicamente contra a 5×2 e a favor da flexibilização proposta por Marinho, mas acabou anunciando que votaria a favor do projeto do governo. Seu adversário na campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é candidato à reeleição, o havia desafiado a “mostrar a cara” aos eleitores votando “contra o povo” na noite desta quarta-feira.
Lula sabia que Flávio entraria em choque com a maioria do eleitorado, que defende a derrubada da 6×1, se votasse contra a proposta. Por isso ele mudou o voto. Mas o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcanti (RJ), deixou claro em entrevista à imprensa que, se vitorioso nas urnas, o governo Bolsonaro irá retomar a flexibilização.
A credibilidade do candidato já vinha ameaçada pelo escândalo envolvendo o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Antes de o ex-banqueiro ser preso, em março, Flávio dizia que os dois não tinham qualquer envolvimento. Em maio, foram reveladas mensagens entre o senador e Daniel Vorcaro. De início, o candidato negou que elas existiam. Depois, admitiu que conversou com o ex-banqueiro, mas negou qualquer irregularidade e insistiu que prestaria contas do dinheiro que pediu e recebeu de Vorcaro, mas acabou afirmando que não cabia a ele prestar contas.
Isso sem contar o caso do debate com Lula a ser transmitido pela Band no próximo domingo, 18. Na terça-feira, 13, enquanto o presidente Lula anunciava que estaria presente, Flávio Bolsonaro afirmou que não iria. No dia seguinte, diante da insistência da emissora em manter o programa, ele se saiu com uma explicação quase infantil:
“Lula, como você é previsível, né? Bastou eu falar que não ia no debate da Band para você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse”.
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O candidato a vice-presidente da República na chapa de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar, participou, na noite de ontem (14), de uma moto-carreata e caminhada em Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. O ato reuniu apoiadores da candidatura presidencial e lideranças políticas que integram a campanha no estado.
Durante a mobilização, Alfredo Gaspar destacou a recepção dos participantes e afirmou que Pernambuco e os demais estados do Nordeste terão atenção especial em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O candidato também fez críticas à gestão do presidente Lula (PT) e defendeu mudanças na condução das políticas públicas voltadas à região.
Leia maisEntre as propostas mencionadas por Gaspar estão o fortalecimento da segurança pública, o combate às facções criminosas e a ampliação de investimentos para estimular a geração de empregos e o desenvolvimento econômico. Segundo ele, o enfrentamento ao crime organizado será uma das prioridades da chapa, caso seja eleita.
A mobilização contou ainda com a presença do deputado federal Mendonça Filho (PL), do deputado federal eleito Gilson Machado (Podemos) e do deputado estadual eleito Gilson Filho (Podemos). O evento integrou a agenda de campanha da chapa de Flávio Bolsonaro em Pernambuco.
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Por Luiz Queiroz – Capital Digital
O governo federal chega ao fim de 2026 com uma contradição difícil de ignorar na política de segurança digital. Enquanto o Tribunal de Contas da União constata que nenhuma das 239 organizações federais com avaliações completas conseguiu implementar integralmente sequer o conjunto básico de medidas considerado necessário para proteção contra os ataques cibernéticos mais comuns, a estrutura nacional que o próprio governo chegou a considerar necessária para coordenar, regular e fiscalizar a cibersegurança continua sem existir.
O Acórdão 2.829/2026, aprovado ontem (14) pelo TCU, reconhece que houve evolução desde a auditoria realizada em 2024, mas conclui que a situação “continua de alto risco”. Nenhuma das organizações avaliadas alcançou integralmente o chamado IG1, sigla para Implementation Group 1, ou Grupo de Implementação 1, dos CIS Critical Security Controls. A denominação técnica pode esconder a dimensão do problema. O Center for Internet Security, responsável pelo padrão utilizado como referência, denomina esse primeiro grupo de Essential Cyber Hygiene, ou “higiene cibernética essencial”. São 56 medidas fundamentais destinadas à proteção contra os ataques mais frequentes.
Leia maisNão se trata, portanto, de um padrão reservado a sistemas militares, infraestruturas ultrassensíveis ou organizações submetidas a ataques excepcionalmente sofisticados. É o primeiro patamar de defesa cibernética. É isso que torna o resultado particularmente relevante. O problema encontrado pelo TCU não é que os órgãos federais tenham deixado de alcançar um nível avançado de segurança. Nenhuma das 239 organizações com respostas completas conseguiu implementar integralmente nem mesmo esse conjunto básico de proteção.
Os números, por outro lado, demonstram que houve progresso. Na auditoria anterior, apenas duas organizações tinham mais de 90% das 56 medidas implementadas e 14 superavam 70%. Agora, 12 passaram da faixa de 90% e 44 ultrapassaram 70%.
O avanço não foi suficiente para o TCU considerar atendida a recomendação feita em 2024. Para o Tribunal, o objetivo não é simplesmente aumentar a quantidade de controles implantados, mas reduzir a exposição aos ataques até um nível compatível com a continuidade dos serviços e das políticas públicas. Esse patamar ainda não foi alcançado. Acórdão e TC cibersegurança
Defesa básica
As deficiências encontradas ajudam a compreender o que significa não completar essa “higiene cibernética”. Não se está falando apenas de ferramentas sofisticadas destinadas a enfrentar grupos avançados de ransomware, operações patrocinadas por Estados ou ataques de alta complexidade. Entre os controles examinados estão providências elementares, como saber quais equipamentos estão conectados às redes, manter inventário dos programas utilizados, identificar softwares não autorizados, controlar o acesso aos dados, definir regras para retenção e descarte de informações e proteger dados críticos armazenados nos equipamentos dos usuários.
Apenas 43% das organizações alcançaram os níveis considerados completos ou aprimorados para inventário de ativos institucionais. No inventário de software, eram 42%. O percentual cai para 32% no tratamento de softwares não autorizados.
Na gestão de dados, os números são ainda menores. Somente 15% apresentavam nível completo ou aprimorado em processo de gestão de dados, 16% em inventário de dados, 22% nas regras de retenção, 11% no descarte seguro e 16% na criptografia de dados críticos nos dispositivos dos usuários.
Há, porém, uma ressalva no próprio trabalho do TCU que torna necessária ainda mais cautela na interpretação desses percentuais: a avaliação depende em grande medida daquilo que as próprias organizações declaram ter feito. O atual modelo do PPSI utiliza autoavaliações e a apresentação de evidências que demonstrem a efetiva implementação dos controles ainda não é obrigatória de forma generalizada.
Para o TCU, isso mantém o risco de uma organização informar um estágio de maturidade superior àquele que efetivamente possui e, com isso, formar uma falsa sensação de segurança.
A Secretaria de Governo Digital pretende endurecer o procedimento no ciclo de 2027. Para determinadas medidas que forem declaradas como implementadas, deverá passar a ser obrigatório registrar evidências. É um avanço, mas não elimina completamente a dependência da autodeclaração.
Isso acrescenta uma ressalva importante ao principal número da auditoria: nenhuma organização chegou aos 100% das medidas básicas e, mesmo nos percentuais declarados como implementados, o TCU ainda identifica dificuldades para comprovar documentalmente a efetividade de parte dos controles.
ANCiber
É nesse cenário que ganha peso a decisão política de não levar adiante a criação da Agência Nacional de Cibersegurança, a ANCiber, concebida pelo Gabinete de Segurança Institucional ainda no início do atual governo e que tem apoio para ser implementada no Congresso Nacional.
Em 2023, o GSI colocou em discussão uma arquitetura institucional bem mais robusta do que a existente hoje. A proposta incluía um Sistema Nacional de Cibersegurança, uma agência especializada, um Comitê Nacional de Cibersegurança, estrutura para gerenciamento de crises e um complexo nacional dedicado à área.
A ANCiber seria uma agência reguladora especializada. O primeiro desenho previa implantação gradual durante cinco anos e aproximadamente 800 servidores, sendo 550 especialistas em cibersegurança, 225 profissionais administrativos e 25 procuradores federais. Não se tratava de contratar todos imediatamente. A implantação começaria com 81 servidores e chegaria ao quadro completo somente no quinto ano.
Durante as discussões dentro do Executivo, a estrutura foi reduzida. O desenho posteriormente examinado pelo TCU apontava aproximadamente 687 cargos e custo anual próximo de R$ 540 milhões quando a agência estivesse completamente implantada. Mesmo reduzida, a proposta não prosperou.
A Casa Civil, na gestão Rui Costa, não encaminhou ao Congresso a estrutura legislativa necessária para criar a agência. Em dezembro de 2023, o governo instituiu pelo Decreto 11.856 a Política Nacional de Cibersegurança e criou o Comitê Nacional de Cibersegurança, o CNCiber, mas deixou a ANCiber de fora. A diferença é relevante, pois o CNCiber funciona como espaço de articulação e formulação de políticas. Já a ANCiber havia sido concebida como instituição permanente, dotada de corpo técnico próprio e capacidade regulatória, fiscalizatória e operacional.
As restrições fiscais acabaram pesando contra a agência. Posteriormente, o próprio GSI reconheceu a dificuldade de propor a criação de centenas de cargos e de assumir uma nova despesa permanente. O governo passou então a estudar um desenho menos oneroso, aproveitando instituições já existentes.
A discussão evoluiu para a criação de uma Autoridade Nacional de Cibersegurança, sem que isso necessariamente implique constituir uma nova agência. Entre as alternativas consideradas está entregar as atribuições a uma estrutura regulatória já existente. O governo, portanto, desistiu da instituição originalmente desenhada, mas não conseguiu eliminar a necessidade das funções que ela deveria desempenhar.
O novo monitoramento do TCU acrescenta um dado especialmente relevante a essa discussão. A estrutura atualmente encarregada de conduzir o PPSI (Programa de Privacidade e Segurança da Informação) enfrenta limitações para obrigar outras organizações federais a cumprir suas determinações. A própria SGD informou não possuir competência legal para aplicar sanções orçamentárias, funcionais ou de desempenho às altas administrações dos demais órgãos. O problema, portanto, não é apenas saber quem coordena a política.
É saber quem tem poder para fazê-la ser cumprida.
Entre os riscos que o TCU considera ainda existentes estão justamente a insuficiência dos mecanismos de enforcement, a falta de recursos financeiros para implantar medidas priorizadas e a inexistência de uma metodologia formal que diferencie organizações com tamanhos, funções e características muito distintas.
Isso não significa que a criação da ANCiber resolveria automaticamente essas deficiências, nem o TCU faz essa associação no acórdão. Mas a constatação recoloca a decisão política em perspectiva: o governo abriu mão de uma agência especializada alegando restrições financeiras enquanto a estrutura existente continua enfrentando falta de recursos e limitações de poder para fazer cumprir a política de segurança.
O contraste se torna ainda maior porque o próprio TCU já havia apontado, em fiscalização anterior, falta de prioridade nacional para a cibersegurança e questionado a paralisação da proposta institucional preparada pelo GSI.
A conta, portanto, não pode ser feita apenas sobre os aproximadamente R$ 540 milhões anuais que custaria a ANCiber plenamente implantada. Há também um custo potencial na manutenção de uma estrutura fragmentada e com capacidade limitada para impor padrões mínimos a uma administração cada vez mais dependente de sistemas digitais.
Falta pessoal
O dinheiro não é a única carência, segundo o TCU. Há um problema estrutural de pessoal especializado, limitações quantitativas e de qualificação tanto na Secretaria de Governo Digital quanto nas organizações integrantes do Sisp. A própria SGD reconheceu que a chegada de novos servidores não foi suficiente para suprir a demanda e apontou a necessidade de novos concursos e de ampliação da estrutura da carreira de Analista em Tecnologia da Informação.
Mesmo quando consegue contratar profissionais, o governo enfrenta dificuldade para mantê-los. O TCU registra elevada rotatividade nas equipes de tecnologia e considera que as medidas tomadas até agora não foram suficientes para reverter a evasão. O problema está associado, entre outros fatores, à capacidade de retenção e à atratividade da carreira. O tema já havia provocado outra manifestação do Tribunal: o Acórdão 1.475/2026 recomendou ao MGI medidas específicas para enfrentar os problemas da carreira de ATI.
A fragilidade chega ao comando da segurança da informação dentro de algumas instituições. Entre as 239 organizações que responderam ao levantamento, 15 ainda não possuíam gestor de segurança da informação formalmente designado. Houve uma melhora significativa, porque o problema atingia 21% das organizações na fiscalização anterior e caiu para cerca de 6%.
Mas as 15 organizações remanescentes estão em desacordo com as normas que exigem a designação. O TCU considera que a ausência dessa figura fragiliza a governança, pode produzir ações descoordenadas e controles inconsistentes e aumentar a exposição a incidentes. É mais um indicador de que parte dos problemas não está apenas na tecnologia disponível, mas na capacidade administrativa de organizar a própria defesa.
Avanços
O diagnóstico do TCU, porém, não é de paralisia. O Programa de Privacidade e Segurança da Informação 2.0, implantado a partir de mudanças normativas feitas em 2025 e 2026, corrigiu parte das deficiências encontradas na auditoria anterior. Foram criados indicadores para acompanhar a maturidade do programa, as responsabilidades da alta administração ficaram mais explícitas, a escala utilizada para avaliar a implementação dos controles foi aperfeiçoada e o acompanhamento passou a contar com o SisPPSI. Também houve reforço das regras relacionadas à gestão de riscos de privacidade e segurança da informação. Acórdão e TC cibersegurança
Parte dos riscos encontrados em 2024 foi mitigada e é justamente por reconhecer esses avanços que o Tribunal não trata a situação atual como equivalente à encontrada dois anos atrás.
O problema é que as providências adotadas não foram suficientes para reduzir todos os riscos a níveis aceitáveis, razão pela qual a recomendação dirigida à SGD foi considerada apenas parcialmente implementada. Essa distinção é importante. A política avançou, mas o nível de proteção ainda não acompanhou integralmente essa evolução institucional.
Omissões
O monitoramento também revelou problemas no cumprimento das obrigações mais elementares do programa. Nos ciclos 4/2025, 5/2025 e 1/2026 deveriam ter sido realizadas 743 entregas de diagnósticos e planos de ação. Em 45 casos, os diagnósticos não foram apresentados.
Isso não significa necessariamente 45 organizações diferentes, porque uma mesma instituição pode ter deixado de cumprir a obrigação em mais de um ciclo.
Para o TCU, a falta dos documentos não é mera falha burocrática. Sem os diagnósticos, fica prejudicada a capacidade de conhecer a maturidade das organizações, identificar onde estão os principais problemas e decidir onde recursos e ações corretivas precisam ser concentrados.
Mas desta vez, o Tribunal resolveu avançar sobre a responsabilidade dos dirigentes. O Plenário determinou a abertura de processo separado para apurar individualmente a atuação da alta administração das organizações responsáveis pelas entregas ausentes. A medida não significa condenação antecipada. Cada situação deverá ser analisada individualmente, com direito ao contraditório e à ampla defesa.
O ponto é particularmente relevante porque o próprio PPSI 2.0 reforçou a responsabilidade dos dirigentes pela segurança. A gestão do risco cibernético não deve ser tratada apenas como atribuição da equipe técnica ou do setor de TI.
Risco real
Há uma última fragilidade que o TCU considera necessário corrigir. O governo consegue perguntar a uma organização se ela possui um processo formal de gestão de riscos. Isso, entretanto, não responde à questão fundamental: o risco de um ataque cibernético está ou não em um nível que aquela organização considera aceitável?
Para o Tribunal, são duas coisas diferentes. Uma instituição pode ter comitês, procedimentos, formulários e processos formalmente instituídos e, ainda assim, continuar excessivamente exposta. Por isso, o TCU determinou que a SGD passe a incluir nos próximos ciclos perguntas capazes de verificar se a exposição efetiva aos ataques está em nível compatível com a continuidade dos serviços e das políticas públicas. Acórdão e TC cibersegurança
Parte das informações que permitiriam conhecer com maior precisão as fragilidades de cada organização continuará fora do alcance público. O TCU classificou peças do processo como reservadas justamente porque revelar quais controles não foram implementados por determinada instituição poderia oferecer aos atacantes um roteiro de vulnerabilidades.
Essa restrição também exige cuidado na leitura do resultado. O Tribunal não afirma que as 239 organizações estejam igualmente vulneráveis nem que todas estejam prestes a sofrer ataques. Há instituições que já superam 90% das medidas do IG1.
O que o monitoramento demonstra é suficientemente grave sem necessidade de extrapolação: 1 – nenhuma das organizações avaliadas conseguiu implementar integralmente o patamar de higiene cibernética básica; 2 – parte dos controles informados ainda depende de autodeclaração sem comprovação obrigatória; 3 – faltam profissionais especializados; 4 – 15 organizações sequer haviam formalizado um gestor de segurança; 5 – faltam recursos para determinadas medidas; 6 – e a estrutura coordenadora possui limitações para impor o cumprimento das regras.
Nesse quadro, a decisão de não criar a ANCiber deixa de ser apenas uma discussão sobre economia administrativa ou criação de cargos. O governo pode considerar aproximadamente R$ 540 milhões anuais um preço elevado para manter a agência especializada que chegou a propor.
Mas o diagnóstico do TCU mostra que existe outra conta, muito mais difícil de estimar: quanto custa manter um Estado cada vez mais digital sem conseguir assegurar nem mesmo que toda a sua estrutura alcance o patamar básico de proteção contra os ataques cibernéticos mais comuns?
*Essa pergunta deveria ser feita pelo governo brasileiro ao governo da França, agora sob um suposto “ataque” russo.
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Criado em Brasília, o Festival de Jornalismo chega ao Recife, no próximo dia 28 de outubro, no auditório da OAB-PE, em sua primeira edição no Nordeste. O evento já desperta grande interesse entre estudantes e profissionais da comunicação, com uma procura expressiva por inscrições, mas ainda há vagas disponíveis. A iniciativa da minha amiga, a jornalista Kátia Cubel, vai reunir profissionais da imprensa, professores, pesquisadores e representantes do setor para debater a formação jornalística, a ética, o combate à desinformação e os desafios da profissão.
Terei o prazer de participar do encontro ao lado de nomes como Francisco José, Patrícia Blanco, Carol Monteiro, Fernando Rêgo Barros, Laurindo Ferreira, Leusa Santos e Eduardo Scolese. Reforço o convite aos estudantes de todas as faculdades de Pernambuco e aos profissionais da área para aproveitarem essa oportunidade de trocar experiências e conhecer mais de perto os caminhos do mercado. A participação é gratuita, e os interessados podem garantir sua vaga pelo site www.festivaldejornalismorecife.com.br.
O Instituto de Inclusão e Cidadania de Pernambuco (IICPE) e a Universidade UNINOVO firmaram um Termo de Cooperação Técnica com o objetivo de fortalecer as políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência, ampliar a realização de projetos sociais e promover iniciativas de inclusão, acessibilidade e cidadania em Olinda e em todo o Estado de Pernambuco.
O ato de assinatura contou com a presença de Geziel Bezerra, diretor-presidente do IICPE, que representou a instituição, além de Klennio Adam, reitor da UNINOVO, e Camila Tenório, presidente do conselho acadêmico da universidade.
Leia maisA parceria representa um importante avanço na articulação entre a sociedade civil organizada e o meio acadêmico, criando oportunidades para o desenvolvimento de ações conjuntas que contribuam para a garantia de direitos, a participação social e a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência.
Por meio da cooperação técnica, o IICPE e a UNINOVO pretendem fortalecer projetos sociais, incentivar práticas inclusivas e ampliar as oportunidades de participação dos estudantes em atividades voltadas à transformação social. A iniciativa também possibilita aos universitários vivenciar, na prática, os desafios e as potencialidades da inclusão, contribuindo para a formação de profissionais mais conscientes, preparados e comprometidos com a diversidade humana.
Para Geziel Bezerra, diretor-presidente do IICPE, a cooperação representa uma oportunidade de ampliar o alcance das ações institucionais e fortalecer a luta pelos direitos das pessoas com deficiência.
“Essa parceria é muito importante para o fortalecimento das políticas públicas para as pessoas com deficiência em Olinda e em Pernambuco. Quando unimos uma instituição comprometida com a inclusão social a uma universidade, criamos oportunidades para desenvolver projetos, compartilhar conhecimentos e transformar realidades. Também é uma oportunidade para que os estudantes vivenciem a inclusão na prática e compreendam a importância de construir uma sociedade mais acessível, justa e igualitária”, destaca Geziel Bezerra.
Além dos benefícios sociais, a cooperação também representa uma oportunidade de valorização profissional e institucional para ambas as organizações. Para o IICPE, significa ampliar sua capacidade de articulação, execução de projetos e defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Para a UNINOVO, representa o fortalecimento de seu compromisso social, a aproximação com a comunidade e a formação de profissionais preparados para atuar em uma sociedade que respeite e valorize as diferenças.
Com essa cooperação, o IICPE e a UNINOVO reafirmam o compromisso de unir esforços, conhecimentos e experiências para ampliar a inclusão social e contribuir para uma sociedade em que as pessoas com deficiência tenham seus direitos respeitados e suas individualidades reconhecidas.
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Márcio Canella, deputado estadual eleito pelo União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso, hoje, na Operação Unha e Carne 8, deflagrada pela Polícia Federal (PF). O delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, também foi preso. As informações são do portal G1.
Segundo a PF, o objetivo é “desarticular uma organização criminosa armada suspeita de utilizar de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro”. “O grupo investigado conta com a participação de agentes públicos e articulação político-institucional”, afirmou.
Leia maisCanella e Amim são investigados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes.
As prisões desta quinta foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e são um desdobramento da 6ª etapa da Unha e Carne, realizada em julho.
Na ocasião, Canella e Amim haviam sido alvo de buscas dentro de uma investigação sobre uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio que movimentou, em 6 anos, R$ 7,6 bilhões em um suposto esquema de lavagem e dinheiro, com anuência de políticos.
Canella acabou preso naquele 7 de julho, pois a polícia encontrou um fuzil em seu carro. Esse episódio levou à Unha e Carne 7, no mês passado, quando o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União) foi preso por posse irregular de armas de fogo de uso restrito.
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Berzoini vê eleição no limite e diz que PT precisa planejar o futuro
A dez dias do segundo turno, o ex-presidente nacional do PT e ex-ministro Ricardo Berzoini prevê uma disputa presidencial decidida por margem mínima entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o petista afirmou que, apesar da concentração de apoios partidários em torno de Flávio, a diferença entre os dois candidatos tende a ficar em no máximo dois pontos percentuais. “Pelo rumo das pesquisas e pelo que estou observando no cenário em cada região, a diferença no máximo será de dois pontos percentuais. Quem errar menos leva”.
Berzoini avalia que a vantagem inicialmente aberta por Flávio após o primeiro turno já diminuiu, movimento que considera natural em disputas dessa natureza. “Aconteceu com Dilma Rousseff contra Aécio Neves, em 2014. Quem chega na frente abre um pouco, e agora a diferença voltou a apertar”, comparou. Mesmo reconhecendo a dificuldade do cenário, aposta na capacidade de mobilização de Lula para produzir uma virada inédita desde a redemocratização.
Leia mais“É verdade que nunca houve uma virada em eleições presidenciais. Mas o que temos hoje é diferente, a capacidade de mobilização do presidente Lula é muito grande”, disse. Segundo ele, a reação de setores da sociedade que haviam entrado no primeiro turno confiantes numa vitória do petista já aparece nas ruas. “Você está tendo uma efervescência de pessoas que estavam confiantes de que Lula ganharia no primeiro turno e estão vendo que a disputa é mais apertada”.
O ex-presidente do PT também reconheceu problemas na campanha de Lula na primeira etapa. Para Berzoini, havia “pouca dinâmica” e dificuldade para produzir movimentos capazes de gerar resposta do eleitorado. Ele acredita que o presidente percebeu a deficiência e, sem afastar integrantes da equipe, incorporou ao núcleo nomes fortalecidos nas urnas, como Camilo Santana, Rui Costa, Rafael Fonteles e Elmano de Freitas. “São pessoas que podem aportar uma contribuição tanto de articulação política, que é fundamental, como do ponto de vista da dinâmica de campanha”.
Berzoini minimizou, porém, as críticas dirigidas ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, e à primeira-dama Janja. “A Janja não prejudica em nada. Não gostar dela é um direito das pessoas, claro. Mas se a vitória tivesse vindo no primeiro turno, ninguém iria falar disso”. Entre os problemas que identifica, apontou a falta de material de campanha e ressaltou a mobilização espontânea de jovens e movimentos sociais. Também demonstrou preocupação com a atuação das plataformas digitais e defendeu regras que garantam neutralidade na distribuição de conteúdo político, sem censura.
Independentemente do resultado das urnas, o ex-dirigente considera que o PT terá de rever sua estratégia para os próximos anos. “O PT não pode deixar de planejar o futuro”, afirmou. Entre as prioridades, citou a comunicação digital e uma nova relação com o sistema financeiro. Berzoini criticou o atual modelo de metas de inflação e as taxas de juros praticadas no país, defendendo parâmetros “ambiciosos, porém realizáveis”. “O Brasil precisa ter taxas de juros amigáveis para nossa economia, para o consumidor e para quem quer produzir”.

Vitória para Lula – O Senado aprovou, ontem, por 75 votos a 1 nos dois turnos, a PEC que acaba com a escala 6×1, reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso sem redução salarial. A pouco mais de uma semana do segundo turno, a aprovação representa uma vitória política para Lula (PT), que transformou a pauta em bandeira de campanha e vinha pressionando o Congresso pela votação. Flávio Bolsonaro (PL), que chegou a criticar a proposta e defender um modelo alternativo com possibilidade de redução proporcional do salário, afirmou nesta semana que seguiria “a vontade da maioria do povo” e votou à distância. Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único senador contrário. O texto agora segue para promulgação.
PEC da Segurança Pública avança no Senado – O Plenário do Senado começa a discutir hoje a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), depois de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) concluir, ontem, a votação do texto. Na noite passada, os senadores também aprovaram um calendário especial para acelerar a tramitação da proposta. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que há possibilidade de a matéria avançar antes do segundo turno. A PEC reorganiza o sistema de segurança pública, amplia a integração entre União, estados e municípios e estabelece regras mais rigorosas para líderes e integrantes de facções, organizações paramilitares e milícias.
Flávio quer revisar a PEC do fim da 6×1 – Apesar de ter votado a favor da PEC que acaba com a escala 6×1, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) fez chegar a aliados e empresários que pretende rever pontos da mudança caso seja eleito. A intenção é ampliar a possibilidade de negociação direta entre empresas e trabalhadores sobre jornada e remuneração. A sinalização ocorre em meio às críticas de setores empresariais à nova regra.
Carta aos evangélicos – O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, divulgou, ontem, uma carta dirigida às famílias evangélicas na qual pede “discernimento” na escolha eleitoral e associa propostas de seu governo à proteção da família e aos valores cristãos. A mensagem, publicada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, busca aproximá-lo de um segmento do eleitorado em que seu adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), mantém vantagem nas pesquisas. “Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé”, afirma o presidente, que associa sua trajetória política à criação familiar e à proteção divina. Ele diz compartilhar com os evangélicos o compromisso de cuidar das famílias brasileiras.

Motta mira reeleição – O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), intensificou, nesta semana, sua articulação em busca de apoio para se reeleger ao comando da Casa em fevereiro de 2027. Ontem, por exemplo, Motta chamou presidentes de sete partidos de centro para um almoço na residência oficial do presidente da Câmara, em Brasília. São eles: Antônio Rueda, presidente da federação União Progressista; Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD; Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos; Baleia Rossi, presidente nacional do MDB; Aécio Neves, presidente nacional do PSDB; Renata Abreu, presidente nacional do Podemos e Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade. Atualmente, esses partidos formam o maior bloco partidário da Câmara, com 271 deputados. O desejo de Motta é que as siglas mantenham o bloco em 2027 e apoiem sua reeleição.
CURTAS
CRECHES – A Prefeitura do Recife vai abrir 136 unidades de Educação Infantil da rede municipal, no próximo dia 25 de outubro, data em que está marcado para acontecer o segundo turno das eleições presidenciais, para acolher as crianças enquanto mães, pais e responsáveis vão às urnas. A ação, que deve atender cerca de 21 mil crianças, foi anunciada ontem pelo prefeito Victor Marques (PCdoB).
CRECHES II – A iniciativa será realizada por meio da Secretaria de Educação e é voltada principalmente às famílias que não contam com uma rede de apoio para cuidar dos pequenos durante a votação. Ao anunciar a medida, o prefeito destacou que a democracia depende de condições para que todas as pessoas participem do pleito.
BR-232 – A BR-232 terá alterações no trânsito, no próximo domingo (18), para o içamento de uma estrutura metálica da passarela localizada no quilômetro 6,1 em frente ao Hospital Pelópidas Silveira, no Curado, Zona Oeste do Recife. Por volta das 23h30, será necessária, por precaução, a interdição total da BR-232 nos dois sentidos, para a movimentação e a instalação da passarela. A previsão é que essa etapa seja concluída até 0h30 da segunda-feira (19).
Perguntar não ofende: O apoio de Flávio ao fim da 6×1 dura só até a eleição?
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A senadora eleita Marília Arraes (PDT-PE) participou, nesta quarta-feira (14), de atos em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Recife. Na Faculdade de Direito do Recife (FDR), ela esteve ao lado do jurista Marco Aurélio de Carvalho, integrante da coordenação nacional da campanha, e defendeu a ampliação das mobilizações nas periferias da capital e nos municípios da Região Metropolitana.
“Minha disposição é organizar, mobilizar e seguir nas ruas pela reeleição de Lula. Vamos levar essa campanha às periferias e aos municípios da Região Metropolitana, ouvir as pessoas e dialogar também com quem pensa diferente”, afirmou Marília durante o ato na FDR.
A senadora eleita também participou do ato “Agora é Lula ou Nada”, realizado na Praça de Casa Forte, que reuniu artistas, representantes da cultura popular, movimentos sociais e lideranças políticas. As atividades fazem parte da mobilização do segundo turno da campanha presidencial em Pernambuco.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) votou nesta quarta-feira a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, após meses de críticas à medida e uma mudança de posição na reta final do segundo turno. O voto ocorre em meio à pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que transformou a redução da jornada em uma das principais bandeiras de sua campanha à reeleição, e depois de o senador ter classificado a iniciativa como eleitoreira, questionado seus efeitos sobre o emprego e defendido uma proposta alternativa.
O voto ocorreu remotamente, em meio a compromissos de campanha em Porto Alegre, ao lado de governadores e lideranças políticas de direita. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisA decisão de Flávio foi anunciada na terça-feira, após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e representou uma mudança em relação ao discurso adotado pelo candidato desde o início da tramitação da PEC. Até então, o senador evitava assumir um compromisso com a aprovação da medida, que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de descanso e proíbe a redução salarial.
— A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor — afirmou Flávio na terça-feira.
A mudança ocorreu a menos de duas semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e depois de o tema ganhar espaço na disputa entre os dois candidatos. Lula passou a cobrar publicamente uma posição do adversário, enquanto integrantes da oposição tentavam adiar a votação para depois das eleições, sob o argumento de que a proposta estava sendo usada eleitoralmente pelo governo.
Em maio, uma semana antes da aprovação da PEC pela Câmara, Flávio havia afirmado que a proposta tinha uma “grande carga de hipocrisia e interesse nas eleições”. Em agosto, passou a defender um modelo que permitisse ao trabalhador escolher sua jornada. Já na semana passada, acusou Lula de oportunismo por tentar acelerar a votação durante o segundo turno.
— Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento, achando que isso vai dar voto para ele — disse o senador no último dia 6.
Além de questionar as motivações eleitorais da proposta, Flávio vinha alertando para o risco de aumento dos custos das empresas, avanço da informalidade e desemprego. Mesmo ao anunciar o voto favorável, manteve as ressalvas e defendeu que o governo ofereça compensações financeiras aos empregadores para facilitar a adaptação às novas regras.
— Os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então, o governo é que vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas — afirmou na terça-feira.
A mudança de posição também ocorreu após o avanço das articulações para votar a PEC no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a defender a conclusão da análise ainda nesta quarta-feira, com a possibilidade de votação dos dois turnos no mesmo dia, mediante aprovação de um calendário especial.
O recuo de Flávio foi explorado por Lula, que atribuiu a mudança à pressão popular. A campanha petista avalia que a votação pode ajudar a mobilizar apoiadores na reta final da eleição e pretende usar as declarações anteriores do adversário para questionar seu compromisso com os direitos dos trabalhadores.
Apesar do voto favorável, Flávio não abandonou a defesa de um modelo alternativo ao aprovado pelo Congresso. O senador tem apoiado uma proposta apresentada pelo coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), que prevê maior flexibilidade na jornada e remuneração baseada nas horas efetivamente trabalhadas.
Nos bastidores, aliados do candidato já discutem a possibilidade de retomar essa proposta a partir de 2027, caso Flávio seja eleito presidente. A avaliação é que o novo Congresso poderá abrir espaço para mudanças nas regras aprovadas agora, especialmente se houver impactos negativos sobre as contratações e os custos das empresas.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou a aprovação do fim da jornada 6×1 pelos senadores na noite desta quarta-feira. O petista acompanhou a votação do Palácio da Alvorada, em Brasília ao lado de aliados.
Em publicação nas redes, Lula disse que o dia de hoje é para “comemorar uma conquista histórica de milhões” de trabalhadores. “O fim da 6×1 é mais do que uma mudança na jornada. É mais tempo para viver, descansar, estar com a família, acompanhar os filhos crescerem, cuidar de si e aproveitar a vida”, escreveu o presidente. As informações são do jornal O GLOBO.
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No post, ele afirma ainda que “quem trabalha tanto para construir o Brasil também merece ter tempo para viver”. Após o resultado ser proclamado, pessoas que acompanhavam a votação direto do plenário do Senado puxaram um coro de “olê, olê, olá, Lula, Lula”.
O fim da escala de trabalho 6×1 é considerada vitrine eleitoral para o petista. Aliados do presidente acreditam que a aprovação da PEC poderá ajudar o petista nas urnas no segundo turno.
O presidente também compartilhou vídeo em que aparece acompanhando a sessão do Senado no momento em que o placar é divulgado –foram 75 votos favoráveis e um contrário. Lula estava com aliados como o governador do Piauí, Rafael Fonteles, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa e o ministro licenciado da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) Sidônio Palmeira.
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O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (14), em segundo turno, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala de trabalho 6×1. O projeto foi aprovado por 75 votos favoráveis a 1 e segue para promulgação.
O único que votou contra foi Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente da república no governo de Jair Bolsonaro (PL). As informações são da CNN.
Momentos antes da votação, Mourão afirmou que votaria contra a proposta mesmo sob a mudança de direcionamento da oposição em relação ao texto final. Flávio Bolsonaro (PL) também votou a favor do projeto, mesmo sob grande apelo popular para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cenário de segundo turno.
Leia maisComo manda o regimento interno, a PEC também foi aprovada em primeiro turno, pelo mesmo placar. Além de garantir a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, o projeto determina que o trabalhador beneficiado tenha no mínimo dois dias de folga na semana sem qualquer diminuição de salário.
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