











Por Bruno Brennand*
“Já escuto os seus passos. Já vem ele! Não, não há, em Pernambuco, poder maior que o poder de Deus e o poder do povo, que vai eleger Miguel Arraes governador de Pernambuco!”.
Era com esse mote que o saudoso radialista Anchieta Santos iniciava os comícios de Miguel Arraes na campanha eleitoral de 1986. A voz grave, o ritmo crescente e a frase cuidadosamente construída preparavam a multidão para a chegada daquele que, depois do exílio e da cassação, buscava retornar ao Governo de Pernambuco pelo voto popular.
Leia maisMinha memória das campanhas eleitorais, porém, começa alguns anos antes. Desde 1982, eu acompanhava meus pais nos comícios, durante a disputa pelo Governo de Pernambuco entre Marcos Freire e Roberto Magalhães. Naquele tempo, campanha eleitoral não era apenas propaganda: era encontro, expectativa, barulho e participação popular. As ruas transformavam-se em palanques, os jingles atravessavam gerações e a política, com todas as suas paixões e contradições, acontecia diante dos olhos do povo.
As campanhas eram uma festa democrática, alegre e familiar. O eleitor comparecia aos comícios não somente para ouvir propostas, mas para ver os candidatos de perto, observar seus gestos e formar a própria opinião. Havia bandeiras, músicas, discursos, carreatas, pinturas nos muros e debates que saíam dos palanques para entrar nas casas, nos mercados e nas mesas de bar.
Até o guia eleitoral era aguardado. Não apenas para conhecer os candidatos, mas também pelo humor — voluntário ou involuntário — de figuras que entraram para o folclore político pernambucano. Tivemos o Véio Mangaba, Mané Chinês e até Bode candidato. A eleição tratava de assuntos sérios, mas sempre encontrou espaço para o riso e a irreverência popular. A política era feita por pessoas reais, diante de pessoas reais.
A música também possuía lugar central nessa celebração. “Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais…”, cantava Alceu Valença. Em Pernambuco, uma canção podia tornar-se declaração política, palavra de esperança ou motivo de controvérsia. Recordo a forte reação provocada quando “Voltei, Recife”, na voz de Alceu, foi associada à campanha de Roberto Magalhães. O ambiente político era tão intenso que uma música podia ser tratada como adesão partidária — e seu intérprete, duramente criticado. Era exagerado? Muitas vezes. Mas era vivo.
Então, a corrupção no Brasil perdeu o freio. Diante dos grandes escândalos, construiu-se uma explicação conveniente: as eleições seriam caras demais. Para pagar campanhas, alegava-se, os políticos precisavam arrecadar fortunas. Era necessário contratar artistas para os showmícios, instalar outdoors, produzir bandeiras e adesivos, contratar militantes, percorrer municípios e manter estruturas eleitorais durante meses.
O raciocínio parecia simples: se campanhas caras alimentavam a corrupção, bastaria barateá-las para diminuir os desvios.
O Mensalão serviu como um dos grandes impulsos políticos desse movimento. Em 2006, foram proibidos os showmícios e a propaganda eleitoral em outdoors. A festa começou a ser desmontada. O palanque foi perdendo a música; as ruas, suas imagens; e o eleitor, parte do contato direto com os candidatos.
Mas a corrupção não acabou. Depois vieram os escândalos envolvendo a Petrobras, o chamado Petrolão e a Operação Lava Jato. Surgiram denúncias de dinheiro desviado de obras públicas, contratos administrativos, saúde, educação e previdência. E a quem se atribuiu novamente a culpa? Às eleições.
Era como se o dinheiro fosse desviado porque havia bandeiras demais, carros de som demais, adesivos demais e campanha demais. Vieram novas restrições. A pintura de muros foi proibida. A propaganda em veículos ficou limitada a pequenos adesivos. Faixas deixaram de poder ocupar os espaços públicos. Bandeiras passaram a obedecer a dimensões e condições rigorosas de utilização. Os carros de som foram severamente restringidos e vinculados a carreatas, caminhadas, passeatas, reuniões e comícios.
A campanha eleitoral, que começava depois de 5 de julho e durava aproximadamente três meses, passou a ser permitida somente depois de 15 de agosto, ficando reduzida a cerca de 45 dias. A reforma de 2015 também reduziu para 35 dias o período da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Os candidatos a vereador perderam os antigos programas em bloco, permanecendo com participação por meio de inserções. Tudo foi apresentado sob a justificativa de reduzir custos e equilibrar a disputa. Essas mudanças constam da Lei nº 13.165/2015 e da atual redação da Lei das Eleições.
Todavia, há uma pergunta que raramente se faz: quem realmente ganhou com o progressivo desaparecimento das campanhas eleitorais? Quem já está no mandato — e não pretende perdê-lo.
O que passa propositalmente despercebido é que reduzir a campanha significa também diminuir o tempo de que o eleitor dispõe para conhecer os candidatos. Isso prejudica principalmente aqueles que ainda não possuem mandato, estrutura partidária, presença constante na imprensa ou equipes profissionais nas redes sociais.
Quem já ocupa o poder permanece quatro anos em exposição. Aparece inaugurando obras, concedendo entrevistas, anunciando programas, participando de solenidades e divulgando ações oficiais. Seu nome e seu rosto são mantidos diariamente diante da população. Quando chega a eleição, porém, o adversário desconhecido dispõe de apenas 45 dias para apresentar sua trajetória, expor suas propostas e convencer o eleitor de que representa uma alternativa.
Isso não produz igualdade. Produz conservação do poder. A campanha mais curta favorece os candidatos mais conhecidos. A restrição dos meios tradicionais favorece quem dispõe de grandes estruturas digitais. O desaparecimento dos comícios e dos espaços públicos de propaganda favorece quem possui acesso permanente aos meios de comunicação ou pode transformar atos administrativos em exposição política.
Sob o discurso da igualdade, consolidou-se uma vantagem para quem já está instalado no poder. É preciso também colocar cada responsabilidade em seu devido lugar. As principais proibições não nasceram exclusivamente do Tribunal Superior Eleitoral; muitas delas foram aprovadas pelo Congresso Nacional e incorporadas à Lei das Eleições. Mas isso não elimina o problema do crescente protagonismo normativo da Justiça Eleitoral.
A Constituição atribui ao Poder Legislativo a competência para fazer leis. Ao TSE cabe regulamentar a legislação eleitoral para assegurar sua execução. O próprio artigo 105 da Lei das Eleições estabelece que suas instruções devem possuir caráter regulamentar, sem restringir direitos ou criar sanções diferentes daquelas previstas em lei. Mesmo assim, eleição após eleição, resoluções tornam-se mais extensas, detalhadas e invasivas, regulando minuciosamente a comunicação política.
Até onde vai a regulamentação e onde começa a legislação?
Quando uma resolução apenas esclarece a lei, cumpre sua função. Quando cria restrições sem fundamento legal suficiente, atravessa a fronteira institucional. Não se trata de negar a importância da Justiça Eleitoral, mas de recordar uma regra elementar do Estado de Direito: quem julga não deve substituir quem legisla.
O erro fundamental foi confundir o instrumento com o crime. Não eram o comício, o outdoor, a bandeira, o adesivo ou a música que desviavam recursos públicos. A corrupção não nasceu das ruas ocupadas pela campanha eleitoral. Nasceu do financiamento clandestino, da captura de contratos públicos, da ausência de controles eficientes, da impunidade e da relação promíscua entre agentes públicos, partidos e interesses econômicos.
Proibiram os showmícios, mas não impediram o superfaturamento. Retiraram os outdoors, mas não fecharam as torneiras do dinheiro clandestino.
Apagaram as pinturas dos muros, mas não eliminaram os esquemas instalados dentro das estruturas públicas. Encurtaram as eleições, mas não encurtaram o apetite pelo poder.
A consequência é grave: a população deixou de ocupar o centro da campanha. A vontade popular passou a importar menos do que a preservação do status quo. A eleição tornou-se mais silenciosa, mais burocrática, mais judicializada e, em muitos aspectos, mais distante do povo.
Sobrou pouco tempo para o candidato apresentar-se. Sobrou pouca rua para o eleitor encontrá-lo. Sobrou pouco espaço para a política feita frente a frente. Em compensação, aumentaram o poder das máquinas partidárias, a dependência das redes sociais, o domínio dos algoritmos e a vantagem daqueles que já possuem mandato.
A praça pública foi substituída pela tela. O comício, pelo impulsionamento. A conversa direta, pelo conteúdo calculado. O povo deixou de ser participante e passou a ser tratado como audiência.
O que podemos fazer?
Primeiro, abrir os olhos. Reconhecer que nem toda restrição apresentada em nome da moralidade fortalece a democracia. Algumas apenas tornam a disputa menos acessível e protegem quem já controla o poder.
Depois, recuperar o valor da alternância. Nenhum governante, partido ou grupo político deve considerar-se proprietário de uma prefeitura, de um estado ou de uma instituição. O poder pertence ao povo e deve retornar periodicamente às suas mãos, não apenas como formalidade eleitoral, mas como possibilidade real de mudança.
Quem está no poder há tempo demais passa a confundir mandato com patrimônio, governo com projeto pessoal e estrutura pública com instrumento de permanência. É precisamente nesse momento que a democracia precisa respirar. “Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais…”
Talvez os sinais de nosso tempo não anunciem a chegada de um candidato específico. Talvez anunciem algo mais necessário: o retorno do povo ao centro das eleições.
Diminuíram a festa, silenciaram os comícios e esvaziaram as ruas. A corrupção, porém, permaneceu. Está na hora de compreender que o problema nunca foi o povo participando demais. O problema sempre foi o poder sendo controlado por poucos — e por tempo demais.
*Advogado e professor universitário. Atua no estado de Pernambuco e em Brasília
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Após um sábado (15) marcado por articulações partidárias, o ex-vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) manteve sua candidatura ao Governo de Pernambuco. A permanência na disputa ocorreu apesar de uma movimentação do PSB junto à direção nacional do PSOL para tentar retirar o nome do candidato da eleição estadual.
Ao longo do dia, a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, convocou três reuniões para discutir a situação. A divisão interna em torno da possibilidade de retirada da candidatura, porém, impediu a formação de quórum suficiente para que o assunto fosse debatido e submetido à votação. Ivan aguardou o encerramento do prazo para registro das candidaturas, às 19h deste sábado, antes de conceder entrevista coletiva e confirmar que permaneceria na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. As informações são do blog do Mário Flávio.
A tentativa de retirada da candidatura ocorreu em meio à disputa entre o candidato do PSB, João Campos, e a governadora Raquel Lyra (PSD), que concorre à reeleição. Ivan aparece com cerca de 2% das intenções de voto nas pesquisas mais recentes, percentual que passou a ser considerado relevante diante do cenário competitivo entre os dois principais candidatos.
As negociações também repercutiram fora de Pernambuco. O PSB chegou a ameaçar rever o apoio à candidatura de Manuela D’Ávila (PSOL) ao Senado pelo Rio Grande do Sul caso Ivan Moraes não fosse retirado da disputa. Sem acordo, o ex-vereador manteve sua candidatura ao Governo de Pernambuco até o fim do prazo de registro.
Quem conhece a fábula de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, sabe que ali a lógica é justamente a inversão da realidade. Na política de Pernambuco, parece que estamos diante de algo parecido.
A governadora Raquel Lyra anunciou hoje 20 pontos de um novo programa de governo. O problema é que, depois de quatro anos à frente do Estado, boa parte do que está sendo apresentado como promessa para os próximos anos deveria, na verdade, ser apresentada como resultado do governo que termina.
Leia maisÉ uma situação politicamente curiosa: pela primeira vez, um governo parece reconhecer, ainda que indiretamente, que aquilo que prometeu não foi entregue. E, em vez de apresentar resultados concretos, anuncia que pretende fazer no futuro aquilo que não conseguiu fazer no presente.
Depois de quatro anos governando Pernambuco, o objetivo central deveria ser outro: apresentar resultados, prestar contas do que foi realizado e mostrar uma perspectiva de futuro a partir das conquistas já alcançadas. Não se governa um Estado apenas com intenções. Governo se mede por entregas.
Por isso, anunciar agora 20 compromissos para os próximos anos, sem que eles estejam sustentados por resultados equivalentes nos quatro anos anteriores, acaba produzindo uma pergunta inevitável: se não foi feito até agora, por que o pernambucano deveria acreditar que será feito depois?
É aí que a política encontra a fantasia. Em Alice no País das Maravilhas, as coisas podem acontecer ao contrário da lógica. Na vida real, especialmente na administração pública, não.
Depois de quatro anos, não basta dizer o que se pretende fazer. É preciso mostrar o que foi feito. Pernambuco não precisa de novas promessas para o futuro. Precisa saber por que tantas promessas do passado ainda não viraram realidade.
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Pesquisa Datafolha sobre as eleições de 2026 no Ceará mostra empate técnico na intenções de voto para o Senado Federal entre os candidatos Cid Gomes (PSB), da base governista, e Capitão Wagner (União Brasil), da oposição. O ex-governador alcança 26% dos votos consolidados, enquanto o ex-deputado federal tem 22%.
A distância entre eles está dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Na sequência, entre os melhores desempenhos, aparecem Luizianne Lins (Rede), com 14%, seguida de Alcides Fernandes (PL), que alcança 7%. As informações são do jornal O Povo.
Leia maisAssim, as quatro melhores colocações na preferência do eleitorado se dividem entre apoio ao governo de Elmano de Freitas, com o ex-governador e a ex-prefeita, e oposição de Wagner e Alcides, pai do deputado federal André Fernandes (PL).
A pesquisa é o primeiro levantamento do instituto após as convenções partidárias, realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. A divulgação dos números ocorre poucos dias antes de finalizar o prazo para o registro formal das candidaturas junto à Justiça Eleitoral, em 15 de agosto. A campanha eleitoral começa no dia seguinte, 16.
Pesquisa Estimulada
Se a eleição para senador do estado do Ceará fosse hoje e os candidatos fossem estes, em qual candidato você votaria para a primeira vaga? E em qual você votaria para a segunda vaga? Os resultados foram:
Cid Gomes (PSB): 26%; Capitão Wagner: 22%; Luizianne Lins (Rede): 14%; Alcides Fernandes (PL): 7%; Guilherme Teophilo (Novo): 3%; Reginaldo Ferreira (PSTU): 2%; Catarina Matos (UP): 2%; Em branco/nulo/nenhum: 14%; Indecisos: 10%.

O Datafolha entrevistou 1.022 eleitores em todo o Estado do Ceará entre 10 e 12 de agosto, distribuídos por 51 municípios. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
No cenário da pesquisa estimulada, 69% dos entrevistas escolheu dois candidatos, enquanto 14% disse apenas um e 16% não teve candidato escolhido.
Espontânea
Neste ano também haverá eleição para senador do Ceará. Serão duas vagas para o senado. Em quem você pretende votar para a PRIMEIRA VAGA de senador? E para a SEGUNDA VAGA de senador em quem você pretende votar? Eis os resultados:
Cid Gomes (PSB): 3%; Luizianne Lins (Rede): 3%; Capitão Wagner: 2%; Alcides Fernandes (PL): 1%; Outras respostas: 5%; Em branco/nulo/nenhum: 8%; Indecisos: 79
Desempenho por regiões
No interior do Estado, o candidato à reeleição para o Senado, Cid Gomes, tem 29% das intenções de voto. Wagner aparece com 20% e Luizianne com 12%.
Na Região Metropolitana de Fortaleza, o cenário fica mais acirrado. O candidato do União Brasil lidera numericamente com 24%. Ciro alcança 23% e Luizianne 18%.
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A governadora Raquel Lyra (PSD) anexou, no início da tarde deste sábado (15), o plano de governo da sua candidatura ao Governo de Pernambuco nas eleições de 2026. O documento consta na plataforma de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne as principais informações dos participantes no pleito deste ano.
Com o nome oficializado desde o dia 5 de agosto, na convenção estadual do PSD Pernambuco, Raquel foi a última entre as oito chapas que disputam a vaga no Palácio do Campo das Princesas a apresentar formalmente as suas propostas. No calendário deste ano, o TSE determinou que o prazo limite para registro de candidaturas seria até às 19h do dia 15 de agosto. As informações são do Diário de Pernambuco.
Leia maisA candidata chegou a ser intimada pela Justiça Eleitoral na última quarta-feira (12), com a cobrança para a inclusão do documento em até três dias. Segundo o processo, a chapa deveria suprir ainda outras irregularidades burocráticas e documentais, sob pena de indeferimento do registro da candidatura.
As propostas da coligação Pernambuco de Coração para reeleger Raquel Lyra e Priscila Krause (PSD) ao Executivo estadual estão divididas em seis eixos: Educação, Ciência e Tecnologia; Saúde e Qualidade de Vida; Segurança, Cidadania e Direitos Humanos; Desenvolvimento Econômico e Infraestrutura; Meio Ambiente e Cidades; e Gestão, Transparência e Combate à Corrupção.
Entre os pontos principais destaca-se a previsão da construção de 250 novas creches, com um total de 60 mil novas vagas criadas, números que também constavam no plano de governo divulgado em 2022, quando a então candidata chegou a adotar o apelido de “Racreche”. Ao longo da gestão atual, a governadora conseguiu entregar 11 novas creches do total previsto, atendendo a cerca de 300 crianças.
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Em resposta à nota de esclarecimento “O que dizem os números da Polícia Penal de Pernambuco”, de autoria da presidente do Sinpolpen-PE, Márcia Maria de Oliveira Silva, publicada ontem neste blog, o policial penal Nickson Monteiro encaminhou, neste sábado (15), o seguinte artigo:
Resposta aos “esclarecimentos” de Márcia do Sinpolpen-PE
Por Nickson Monteiro*
Primeiro, chama atenção que, em toda a resposta, não há uma única crítica ao Governo Raquel Lyra. E sabe por quê? Porque o SINPOLPEN aceitou essa política salarial praticamente sem resistência, sem mobilização à altura e sem o enfrentamento que a categoria esperava de sua entidade representativa.
Leia maisRaquel Lyra prometeu valorização. O que entregou aos policiais penais foi, na prática, um reajuste pífio diante da defasagem salarial acumulada. E o que mais revolta a categoria é ver o próprio sindicato tentando apresentar esses números como uma grande conquista. Sindicato não existe para explicar por que o Governo não poderia dar mais. Sindicato existe para lutar para que o Governo dê mais.
Quando a direção sindical reproduz o argumento de “limitação orçamentária”, “limite da folha” e “melhor construção possível”, quem está falando: o sindicato ou o Governo? Cadê a cobrança pública? Cadê a mobilização? Cadê o enfrentamento? Cadê a indignação com uma política salarial que manteve nossa categoria profundamente desvalorizada?
E não adianta pegar percentuais e apresentá-los isoladamente. A pergunta que interessa ao policial penal é outra: quanto vale hoje o nosso salário diante da responsabilidade, do risco e da importância da função que exercemos? Como estamos em relação às demais polícias penais do país?
O Governo Raquel Lyra adotou uma política de forte arrocho para o funcionalismo e, para os policiais penais, não entregou a valorização prometida. Na nossa avaliação, foi um dos piores governos para a valorização salarial dos servidores desde a gestão Jarbas Vasconcelos.
E, infelizmente, em vez de reconhecer a insatisfação da base e cobrar mais do Governo, a presidente do SINPOLPEN prefere defender o resultado da negociação.
Márcia, a categoria não precisa de um sindicato para defender o reajuste do Governo. Para isso o Governo já tem seus próprios representantes. Precisamos de um sindicato que defenda os Policiais Penais.
O que queremos agora são explicações convincentes e, principalmente, mudança de postura. Porque o sentimento de muitos policiais penais é de abandono e de falta de representatividade.
Menos justificativas para o Governo. Mais luta pela categoria.
*Policial penal
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Marcada para a tarde deste sábado (15), último dia para o registro de candidaturas, a executiva nacional do PSOL se reuniria para discutir a estratégia eleitoral da legenda no país e definir o futuro do projeto do ex-vereador do Recife, Ivan Moraes (PSOL), ao Governo de Pernambuco.
Nos bastidores, o comando nacional do PSB pressiona pela retirada do projeto local, diante da disputa apertada pelo Governo do Estado entre João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD). No entanto, a reunião não aconteceu por falta de quórum, o que representa uma vitória momentânea para Ivan, que, por enquanto, mantém sua candidatura no páreo. As informações são do blog Cenário.
As campanhas eleitorais de 2026 começam, oficialmente, neste domingo (16), ainda com indefinição sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa a nomes que efetivam registro de candidatura. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar neste segundo semestre mudanças na legislação que alteraram a contagem do tempo em que uma pessoa fica proibida de se candidatar às eleições — a chamada inelegibilidade.
Entre nomes diretamente interessados no julgamento do STF estão o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos). O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) também tinha esperança de ser beneficiado, mas foi enquadrado em nova condenação. As informações são do jornal O Tempo.
Leia maisPela nova regra aprovada pelo Congresso, o período de inelegibilidade começa a ser contado a partir da condenação, e não mais após o cumprimento da pena, o que diminui o período longe das urnas. A proposta foi inserida em projeto de minirreforma eleitoral por emenda da deputada Dani Cunha (PL-RJ), filha de Eduardo Cunha, um dos beneficiados.
A norma foi questionada pelo partido Rede Sustentabilidade no fim do ano passado. A legenda alega que as alterações promovidas pelos parlamentares à Lei da Ficha Limpa “desfiguraram” regras que protegiam a probidade e a moralidade administrativa. O partido pediu que os efeitos da lei sejam suspensos cautelarmente e que a norma seja invalidada.
Os ministros Cármen Lúcia e Luiz Fux já votaram contra a flexibilização, mas o julgamento no plenário virtual foi interrompido por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Os partidos têm até 15 de agosto para registrar os candidatos escolhidos no sistema da Justiça Eleitoral. A partir deste domingo (16), a propaganda eleitoral está liberada.
Candidaturas ainda serão aprovadas
Mesmo após o registro, as candidaturas ainda precisam ser aprovadas. Partidos, federações, coligações, candidatos, cidadãos e o Ministério Público Eleitoral têm cinco dias para apresentar impugnações. A decisão final cabe ao tribunal eleitoral, que pode deferir ou rejeitar o registro da candidatura.
Quem recorrer de uma decisão desfavorável e permanecer com o registro sub judice pode, em regra, continuar em campanha, participar do horário eleitoral e ter nome e número na urna. A validade dos votos fica condicionada ao resultado definitivo do julgamento.
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Entre uma taça de vinho e outra, o humorista Tom Cavalcante dá voz a alguns dos personagens do cenário político nacional e internacional em vídeo publicado em suas redes sociais. O humorista não deixou escapar personagens como o ministro do STF Gilmar Mendes; o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; o ex-presidente Jair Bolsonaro; o candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes; o candidato ao Governo do Paraná, Sérgio Moro; e os candidatos à Presidência da República Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Inelegível, o ex-governador do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda (PSD), declarou R$ 830,1 mil em bens ao TSE neste sábado (15), último dia de registro de candidaturas. O patrimônio informado inclui quatro imóveis, participação em empresa, um carro e aplicações financeiras.
Segundo a declaração entregue à Justiça Eleitoral, o maior patrimônio está em uma participação no capital social de uma empresa, avaliada em R$ 198 mil. Entre os imóveis, Arruda declarou um apartamento em Brasília, avaliado em R$ 195 mil, e uma casa em Itajubá (MG), sua cidade natal, de R$ 194 mil. Também aparecem dois apartamentos no município mineiro, avaliados em R$ 66,9 mil e R$ 19,4 mil. O único veículo informado é um Volkswagen Gol 2010/2011, declarado por R$ 30.990. As informações são do jornal Brasília Capital.
Nos ativos financeiros, o ex-governador declarou R$ 30.355,97 em conta corrente, R$ 49.459,20 e R$ 4.730,58 em duas cadernetas de poupança, além de R$ 40 mil em “crédito em empresa”.
Arruda está inelegível após condenações decorrentes da Operação Caixa de Pandora, que relevou um esquema de corrupção e pagamento de propinas na gestão do ex-governador. Apesar do registro formal, a situação dele será analisada pela Justiça Eleitoral, que poderá apreciar eventual pedido de impugnação por descumprir critérios da Lei da Ficha Limpa.
Em Serra Talhada, os irmãos Ednaldo Ferreira e Nivaldo Ferreira morreram hoje após um episódio de violência que chocou Serra Talhada. As informações são do blog do Nill Júnior.
A princípio, a informação é de que eles teriam sido vítimas de uma ação criminosa praticada por um homem armado, que chegou atirando na loja de Ednaldo, na Rua Joaquim Conrado de Lorena e Sá. Um dos irmãos, Nivaldo, teria reagido em legítima defesa e os dois acabaram alvejados. Um morreu no local e outro no Hospam. O atirador também foi morto.
O caso gerou uma onda de comoção na cidade. Por conta da ExpoSerra, vários políticos tinham atos programados na cidade, como o grupo de Sebastião e Waldemar Oliveira, de Luciano e Miguel Duque e o candidato ao Governo João Campos, com a prefeita Márcia Conrado. Todos cancelaram os atos em solidariedade.
A própria ExpoSerra está com suas atividades em xeque. As vítimas são irmãs do presidente da CDL, Gilvanilson Ferreira da Silva, conhecido como Maninho Ferreira.
O prefeito de São José do Egito, Fredson Brito (Republicanos), escolhido para assumir a coordenação regional da campanha governista, está no centro de mais um episódio que chama atenção para os cuidados elementares exigidos pela legislação eleitoral às vésperas da abertura oficial das campanhas. A escolha da governadora Raquel Lyra (PSD) para coordenar sua campanha à reeleição no Pajeú já produz questionamentos antes mesmo do início oficial da propaganda eleitoral, marcado para amanhã (16).
Neste sábado (15), um carro de som circula pelas ruas de São José do Egito divulgando a chamada “Caravana da Esperança”. A vinheta atribui expressamente o convite ao prefeito, vereadores e lideranças políticas e convoca a população para o evento.
Leia maisO que significa dizer que, em São José do Egito, a campanha governista teria queimado a largada na corrida eleitoral. A legislação admite diversos atos de pré-campanha, inclusive menção a pretensas candidaturas, encontros políticos e divulgação de posicionamentos. Há, contudo, limites para a forma como essa comunicação pode ocorrer. No episódio de São José do Egito, um elemento chama especialmente a atenção: o carro de som.
A legislação eleitoral restringe a utilização de carros de som e minitrios. Mesmo durante o período oficial de propaganda, esses equipamentos não estão simplesmente liberados para circular isoladamente pelas cidades veiculando propaganda eleitoral. Seu uso é admitido em situações específicas, como carreatas, caminhadas, passeatas, reuniões e comícios. Na pré-campanha, não é apenas o conteúdo da mensagem que importa: o meio usado para divulgá-la também pode ser considerado irregular. Assim, mesmo sem pedido explícito de voto, o uso de um meio proibido pode caracterizar propaganda eleitoral antecipada. Eventual irregularidade deverá ser analisada pela Justiça Eleitoral.
“CASA DE MAINHA”
O episódio deste sábado (15) não é o primeiro a chamar atenção em São José do Egito às vésperas da campanha. Dias antes, a fachada da chamada “Casa de Mainha”, espaço ligado ao grupo político de Fredson Brito, apareceu pintada com referências visuais a Pernambuco e, em grandes caracteres, o número 55.
A repercussão foi registrada pelo comunicador Cláudio Viana, conhecido na região pelo estilo irreverente e sarcástico no jornalismo e no radialismo. Nas redes sociais, ele publicou uma montagem com fotografias do antes e depois da fachada. Na primeira imagem, aparecia a inscrição “Casa de mainha 55”. Na segunda, o número já havia sido apagado. Viana ironizou a mudança ao se autointitular, em tom de brincadeira, “juiz eleitoral Dr. Cláudio Viana” e agradecer à “turma do coração roxo” por ter “atendido” a ele e retirado o número.

A publicação foi uma sátira do comunicador, e não resultado de qualquer decisão ou intervenção da Justiça Eleitoral. O Judiciário não foi provocado e não houve determinação judicial para a retirada do número.
Coordenar uma campanha para o Governo de Pernambuco não significa apenas reunir prefeitos, vereadores e lideranças, organizar agendas ou montar palanques. Também exige atenção à legislação eleitoral, orientação dos aliados e cuidado com a comunicação política, para evitar que a candidatura que se pretende fortalecer seja exposta a questionamentos desnecessários.
Por isso, a pergunta também precisa ser dirigida à governadora: que critério Raquel Lyra utilizou para entregar a coordenação de sua campanha no Pajeú a uma liderança que, antes mesmo do primeiro dia oficial de propaganda, já aparece envolvida em dois episódios de repercussão no terreno eleitoral?
Por fim, Fredson Brito está longe de ser um estreante em eleições. Disputou a Prefeitura de São José do Egito, venceu o pleito e hoje exerce o mandato de prefeito. Agora, assume uma responsabilidade ainda maior: coordenar regionalmente uma campanha para o Governo do Estado. A função exige, portanto, o mesmo cuidado que se espera de quem está à frente de uma operação política dessa dimensão.
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