Por Alex Fonseca – Blog da Folha
A secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, rebateu as críticas de deputados estaduais da oposição contra a gestão da saúde pública no estado, na manhã desta quarta-feira (27). Ela desafiou os parlamentares a comprovarem os dados apresentados na terça (26), que apontavam redução de leitos e dos investimentos na área.
“Eu precisaria que eles expressassem onde é que esses 200 e poucos leitos diminuíram. Não foi esclarecido. Digo com muita tranquilidade, disse hoje e digo para todos que nos ouvem: trabalhamos com transparência, dizemos a verdade e eu não tenho nenhum problema com isso”, declarou, acrescentando que a divergência entre os números pode ser atribuída à devolução de dois hospitais por questões judiciais.
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Ontem, os deputados estaduais Sileno Guedes, Rodrigo Farias, Diogo Moraes e Eriberto Filho, todos do PSB, numa coletiva de imprensa na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), alegaram que o governo estadual havia reduzido em R$ 1,5 bilhão o valor investido na saúde e reduziu em 226 o número de leitos. Os dados, de dezembro de 2022, foram comparados com os de dezembro de 2025.
Zilda Cavalcanti contestou todos os números apresentados e ressaltou que houve, na verdade, tanto um maior volume de investimentos quanto um crescimento no total de leitos abertos pelo estado. Ela informou que, em 2025, o valor total investido na área da saúde atingiu R$ 11,4 bilhões, o maior da história, disse ela, citando o Sistema de Informações sobre Orçamento Público em Saúde (Siops).
A secretária também disse que o fechamento dos hospitais Jesus Nazareno, em Caruaru, e de Retaguarda em Neurologia, no Recife, não atingiu a disponibilidade de leitos no estado. Ela explicou que, quando houve o fechamento de 204 leitos nas duas unidades, o governo estadual abriu mais vagas no Hospital da Mulher do Agreste (198, superior aos 119 do Jesus Nazareno), no Hospital Alfa (40) e na rede complementar (93). Os dois últimos totalizam 133 vagas, número também superior ao do Hospital de Retaguarda (85). Os dados, referentes a 2026, são da Secretaria de Saúde.
De acordo com Zilda, as duas unidades precisavam ser devolvidas por questões judiciais. No caso do Hospital de Retaguarda, a contratação foi feita na época da pandemia de Covid-19. Com o fim da emergência sanitária, precisou também ser devolvido.
“Houve crescimento de 670 leitos novos credenciados em todo o estado. Se a gente levar em consideração que cada um dos hospitais metropolitanos tem cerca de 150 leitos, estaríamos entregando com esses 670 leitos, cerca de quatro hospitais metropolitanos”, revelou a secretária.
Zilda ainda negou que os deputados estaduais tenham procurado a secretaria para comunicar o estado dos hospitais Getúlio Vargas, Otávio de Freitas, Agamenon Magalhães e da Restauração. Também negou que tenha tomado conhecimento de que havia descarte de materiais de saúde ainda no prazo de validade, uma alegação dos parlamentares.
“Precisa, inclusive, que seja feita formalmente uma denúncia para que a gente possa tomar todas as atitudes que precisam ser tomadas. Isso é uma questão de vigilância sanitária, é uma questão de segurança e não tenho conhecimento (da acusação)”, disse.
A secretária esclareceu que os parlamentares têm o direito de fiscalizar o governo e garantiu que está disponível para prestar qualquer tipo de informação. Pediu, no entanto, que houvesse responsabilidade com as informações repassadas à população. “Estamos aqui com muita transparência, com muita tranquilidade, porque a gente está falando do que está fazendo”.
Eleição
Questionada se a atitude dos parlamentares tinha a ver com movimentações eleitorais, Zilda Cavalcanti afirmou que o foco da administração da governadora Raquel Lyra (PSD) tem sido trazer benfeitorias para a população, sem focar na eleição.
“Não estamos fazendo campanha política, estamos fazendo política de saúde e, como disse, com muita verdade, coerência e transparência. Estamos dizendo o que está sendo feito e temos a condição absoluta de provar tudo o que está sendo dito”, enfatizou.
Fachadas
Ao responder às acusações de que o governo estadual só estaria se limitando a reformar as fachadas dos hospitais públicos, Zilda Cavalcanti disse que as requalificações e reformas sempre começam dentro das unidades. Também ironizou quem tem feito uso político das iniciativas do governo na saúde. “A gente sabe que, quando a árvore dá fruto, é normal que as pessoas queiram comê-lo”.
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