Escolta de transformador é retomada hoje

Da Folha de Pernambuco

A escolta do transformador de energia de grandes dimensões foi retomada na manhã de hoje, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Paulista, na Região Metropolitana do Recife.

Às 6h35, o comboio de 600 toneladas saiu do quilômetro 53 da BR-101, e segue pelas cidades de Abreu e Lima, Igarassu, Goiana, até chegar em planta eólica localizada entre as cidades de Nova Palmeira e Campina Grande, na Paraíba.

A PRF recomenda aos motoristas que evitem viagens pela rodovia e busquem rotas alternativas para evitar transtornos, já que os veículos devem seguir a 7 quilômetros por hora.

Quem precisa chegar em Abreu e Lima ou Igarassu, pode optar pela PE-15, segundo informou a corporação.

A primeira etapa da escolta, que conta com 12 viaturas e oito motocicletas da PRF, além de carros de apoio, iniciou às 6h desse sábado (15).

A combinação de veículos saiu do km 94 da BR-101, no Cabo de Santo Agostinho, cortando os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Recife e chegando em Paulista às 13h45, horário antes do previsto, que era de 17h.

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Por Bela Magale

Do jornal O Globo

Um dos principais defensores da anistia aos condenados no 8 de janeiro no Congresso Nacional, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) não compareceu hoje ao ato com Jair Bolsonaro em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Gayer chegou a ter o nome incluído na lista de autoridades com presença confirmada no evento, na sexta-feira. Ao longo da semana ele também se reuniu com colegas parlamentares para tratar do ato e confirmou que compareceria.

Questionado pelo motivo de sua ausência no ato da anistia, Gayer não respondeu à coluna. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o deputado não foi por causa do falecimento de uma pessoa próxima. Gayer afirmou a aliados que está de luto porque a mãe de uma assessora e amiga morreu na quinta-feira passada.

Gayer passou a enfrentar uma crise no Congresso Nacional nos últimos dias, após fazer postagens com ataques à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. O deputado usou a fala misógina do presidente Lula de que teria escolhido uma “mulher bonita” para melhorar a articulação do governo com o Congresso para atacar a petista. Em uma de suas postagens, que depois foi apagada, ele disse imaginar um possível “trisal” entre Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e o presidente do senado, Davi Alcolumbre.

Alcolumbre afirmou que irá acioná-lo na Justiça e no Conselho de Ética da Câmara e o presidente da Casa, Hugo Motta, ligou para Gayer para lhe passar uma reprimenda.

Jaboatão - Combate Dengue

Do Estadão Conteúdo

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou neste domingo (16) durante ato pela anistia aos bolsonaristas presos e condenados pelo 8 de Janeiro, que pedirá urgência na tramitação da proposta que perdoa os crimes pelos quais respondem no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Estou assumindo compromisso com vocês. Nesta semana, na reunião de colégio de líderes, vamos dar entrada com 92 deputados do PL e de outros partidos, para podermos pedir urgência do projeto da anistia para entrar na pauta na semana que vem”, afirmou.

A bancada do PL é composta, segundo informação da Poder Legislativo, por 92 deputados. Os bolsonaristas presos foram condenados por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.

Os manifestantes pró-anistia estão reunidos em Copacabana, no Rio de Janeiro, desde a manhã deste domingo. Participam do ato o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Cláudio Castro (Rio de Janeiro), senadores e deputados.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) puxou coro de “Lula, ladrão” contra o atual presidente da República. Para o parlamentar, a anistia será aprovada. “Vamos aprovar a anistia muito em breve”, afirmou.

Conheça Petrolina

O deputado estadual de Pernambuco, Júnior Tércio (PP), se envolveu em uma confusão no início do ato pró-anistia promovido neste domingo (16), em Copacabana, no Rio de Janeiro. No vídeo gravado pela equipe do portal Metrópoles, o parlamentar tenta dar um soco na mão de um dos seguranças que o contém e logo em seguida avança com o dedo em riste. “Eu sou deputado, rapaz! Eu sou deputado!”, gritou Tércio. A discussão aconteceu durante a chegada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações são do Blog Cenário.

É possível perceber que o deputado estadual e a esposa, a deputada federal Clarissa Tércio (PP), são impedidos de seguir para a área onde Bolsonaro estava. O vídeo acaba mostrando Clarissa ao lado do marido, tentando conversar com outros seguranças que buscaram acalmar Júnior Tércio.

Sobre o ocorrido, o Blog Cenário entrou em contato com a assessoria do parlamentar e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

Dulino Sistema de ensino

No dia 16 de março de 1990, Fernando Collor de Mello anunciava o Plano Collor, um pacote econômico que confiscou a poupança dos brasileiros e mergulhou o país em uma crise profunda. Trinta e cinco anos depois, a história desse período ganha uma nova perspectiva com a estreia do podcast “Trapaça”, uma reportagem em oito episódios que investiga os bastidores da ascensão e queda do primeiro presidente eleito após a ditadura militar.

A produção original da Plataforma Brasília é baseada no livro “Trapaça – Saga Política no Universo Paralelo Brasileiro”, do jornalista Luís Costa Pinto. O roteiro e a direção ficam por conta de Gabriel Priolli, enquanto a edição, mixagem, desenho sonoro e trilha foram desenvolvidos por Kléber Araújo e Luís Santiago Málada, da Tímpano Produções.

O podcast estreia em 25 de março e estará disponível no Spotify, YouTube Podcasts, Apple Podcasts e Deezer. Para não perder nenhum episódio, os ouvintes podem seguir a página e ativar as notificações nas plataformas de áudio.

Ipojuca No Grau

Da Agência O Globo

Enquanto o PSDB discute seu futuro com a possibilidade de fusão com quatro partidos, o governador do Rio Grande do Sul, o tucano Eduardo Leite, se vê diante de uma encruzilhada para viabilizar seu projeto presidencial em 2026. Anteontem, pela primeira vez, ele admitiu a possibilidade de deixar o partido.

— Tenho 24 anos de PSDB, com muito orgulho, mas a gente tem que encontrar o caminho que nos dê a capacidade de contribuir. Se estreitar o caminho através do PSDB, vamos ter que procurar aquele que melhor me permita a participação — disse o governador, durante almoço com empresários.

O tucano — assim como a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, que concluiu o movimento — recebeu convite para se filiar ao PSD, mas resiste. No partido de Gilberto Kassab, ele não teria legenda para disputar o Planalto, já que a sigla tende a lançar a candidatura própria do governador do Paraná, Ratinho Júnior, ou apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Essa decisão depende dos movimentos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, mesmo inelegível, mantém-se como figura central na articulação da direita.

Plano mantido

Entre os partidos que negociam se unir ao PSDB, Republicanos e MDB dificilmente apoiariam uma candidatura presidencial de Leite. Já Podemos e Solidariedade indicam que poderiam apoiar o governador. A presidente nacional do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), tem bom relacionamento com Leite e interesse em aderir a um projeto avesso à polarização.

Nos bastidores, o Podemos tem feito sucessivos acenos aos tucanos, em uma tentativa de mostrar fidelidade. Integrantes do partido afirmam ter facilitado a saída de dois senadores, Oriovisto Guimarães e Styvenson Valentim, que se filiaram ao PSDB. Os tucanos negam relação entre os episódios.

Apesar de ter assumido que pode deixar o PSDB, aliados de Leite asseguram sua fidelidade partidária e descartam uma saída da legenda. Por enquanto, a sigla e o governador mantêm publicamente a defesa de sua candidatura ao Planalto em 2026. Ao GLOBO, o presidente nacional, Marconi Perillo, afirmou que o projeto “Eduardo Leite presidente” tem sido apresentado aos demais partidos como uma prioridade:

— A candidatura própria de Eduardo, que representa o centro democrático, é prioridade. Estamos colocando como central (nas negociações).

Já em vídeo publicado nas redes sociais esta semana, Leite destacou o papel do PSDB na construção de um “futuro melhor” para o Brasil.

— Os brasileiros querem mais solução e menos briga política. O PSDB tem coragem e competência para colocar o país nos eixos. A gente já fez uma vez, e vai fazer de novo — afirmou o gaúcho.

Aliados do governador afirmam que o projeto presidencial é “inegociável”. Leite não tem interesse, segundo eles, em concorrer ao Senado.

Além das indefinição em relação ao seu futuro, Leite ainda não decidiu quem será seu candidato à sucessão no governo do Rio Grande do Sul. Seu vice, Gabriel Souza (MDB), manifesta intenção de disputar, mas enfrenta resistência interna. Tucanos sugerem outros nomes, como o do secretário da Casa Civil, Artur Lemos, e da prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, considerada próxima a Leite.

Reunião com o Republicanos

Após perder espaço em eleições recentes, o PSDB negocia uma fusão ou federação com partidos como Podemos, Solidariedade, Republicanos e MDB. A estratégia é um esforço para a legenda, que já comandou o Planalto e historicamente polarizou o debate nacional com o PT, se recuperar após sucessivas derrotas eleitorais.

Caciques tucanos se reuniram com dirigentes do Republicanos anteontem para debater um possível acordo. A conversa foi vista como positiva dentro do PSDB, mas a prioridade, no momento, é uma costura com Podemos e Solidariedade. Um eventual apoio a Eduardo Leite em 2026 não foi colocado à mesa.

Nas eleições passadas, o PSDB não disputou pela primeira vez a Presidência. A sigla se aliou a Simone Tebet (MDB) e indicou sua vice, a senadora Mara Gabrilli. A aliança foi definida após o próprio Leite desistir de ser candidato, assim como o ex-governador de São Paulo João Doria. A depender de com qual sigla decida se unir, o PSDB pode acabar fora da disputa mais uma vez.

Pesa contra os tucanos o mau desempenho nas urnas na eleição presidencial de 2018. Na ocasião, o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tinha a maior coligação e o maior tempo de TV, mas obteve só 4,64% dos votos, ficando em quarto lugar.

Além disso, o partido também viu sua capilaridade minguar nos últimos anos. O número de prefeitos eleitos no ano passado representa menos de um terço do alcançado em 2000, enquanto a bancada na Câmara caiu de cem para 13 desde 1998.

Caruaru - IPTU 2025

Do jornal O Globo

O ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Praia de Copacabana, hoje, contou com a participação de 18,3 mil manifestantes, segundo cálculo feito com base em imagens aéreas pelo grupo de pesquisa “Monitor do debate político” do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), coordenado por Pablo Ortellado e Márcio Moretto, da Universidade de São Paulo (USP), e pela ONG More in Common. Isso significa que a mobilização foi bem menor do que a de outros atos do bolsonarismo no Rio. A margem de erro do levantamento é de 2,2 mil pessoas para mais ou para menos.

Em 7 de setembro de 2022, também na Praia de Copacabana, o mesmo grupo de pesquisadores da USP e do Cebrap calculou um encontro de 64,6 mil manifestantes, um patamar que é cinco vezes maior do que neste domingo. Já em abril do ano passado, foram 32,7 mil participantes.

— Essa foi uma manifestação pequena para os padrões de mobilização do bolsonarismo — afirma Ortellado.

Veja manifestação de 2022

Na avaliação do pesquisador, no entanto, ainda é preciso haver mais manifestações com esse patamar menor de mobilização para afirmar que a oscilação é sinal de enfraquecimento político do bolsonarismo no Rio. De acordo com ele, o conflito entre os organizadores sobre o apoio ou não ao pedido de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ter atrapalhado a convocação.

— Essa foi uma manifestação cuja mobilização foi muito tumultuada — afirmou.

Além disso, ele defendeu que oscilações desse tipo são normais. Ortellado afirmou que as manifestações contra a então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, também chegaram a registrar públicos menores e depois voltaram a crescer.

Veja manifestação de 2024

Para o cálculo deste domingo, foram tiradas fotos da praia de Copacabana em quatro diferentes horários (10:00, 10:40, 11:30 e 12:00), totalizando 66 fotos. O pico do encontro foi ao 12h, quando o grupo selecionou seis fotos que cobriam toda a extensão da manifestação, sem sobreposição.

Depois disso, um software é usado para identificar e marcar automaticamente as cabeças das pessoas. Usando inteligência artificial, o sistema localiza cada indivíduo e conta quantos pontos aparecem na imagem. Segundo os pesquisadores, esse processo garante uma contagem precisa, mesmo em áreas densas.

O método atualmente possui uma precisão de 72,9% e uma acurácia de 69,5% na identificação de indivíduos. Na contagem de público, o erro percentual absoluto médio é de 12%, para mais ou para menos, em imagens aéreas com mais de 500 pessoas.

Veja o público das manifestações bolsonaristas:

  • 18,3 mil em 16/03 de 2025 – O ato deste domingo mirou na anistia aos presos do 8 de Janeiro e ocorre após a denúncia de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado.
  • 45,7 mil em 7/09 de 2024 – Protesto de apoiadores de Bolsonaro na Av. Paulista, em São Paulo. O ato pediu o impeachment de Alexandre de Moraes e teve público abaixo do esperado.
  • 32,7 mil em 21/4 de 2024- Ato em Copacabana no feriado de Tiradentes. Foi marcado por falas de cunho religioso e ataques a Lula.
  • 185 mil em 25/02 de 2024 – Ato na Av. Paulista. Evento foi em apoio a Bolsonaro, em meio às investigações da PF por suposta tentativa de golpe.
  • 32,6 mil em 7/09 de 2022 – Manifestação na Av. Paulista convocada por Bolsonaro para impulsionar a campanha à reeleição ao Planalto.
  • 64,6 mil em 7/09 de 2022 – Manifestação em Copacabana, no Rio. O ato em homenagem ao Bicentenário da Independência virou evento de campanha à reeleição.
Camaragibe Cidade do Trabalho

Da Folha de S.Paulo

Se a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trouxe de volta a normalidade institucional ao Planalto, o mandatário atual compartilha com o anterior uma retórica preconceituosa sobre o sexo feminino.

“Por isso eu coloquei essa mulher bonita para ser ministra de Relações Institucionais, é que eu não quero mais ter distância entre vocês”. A fala, proferida por Lula na última quarta (12), foi direcionada aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.

Gleisi Hoffmann é a ministra cujos atributos intelectuais e trajetória política foram diminuídos em prol de sua aparência física na declaração do presidente, que não é a primeira desse naipe.

Lula já disse que nenhuma mulher quer namorar ajudante geral e que mulher com profissão não precisa de ajuda do pai para comprar batom. Relatou que perguntou a uma mãe de cinco filhos quando ela iria “fechar a porteira”; ao comentar sobre a violência contra mulheres após jogos de futebol, disse que “se o cara for corintiano, tudo bem”.

No caso do petista, tais falas, mais do que gafes, são expressões de machismo arraigado na política brasileira, assim como são as falas ainda mais escandalosas de Jair Bolsonaro (PL).

O ex-presidente disse que petistas são feias e “incomíveis” e que, para as mulheres, notícia boa é beijinho e presente. Defendeu o turismo sexual, desde que não praticado por gays: “Quem quiser vir aqui [ao Brasil] fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. Foi condenado a pagar indenização à repórter Patrícia Campos Mello, da Folha, por um ataque verbal com conotação sexual.

Apesar dos avanços nos direitos das mulheres, o machismo se espraia pela sociedade, independentemente da ideologia política, e homens de mais idade tendem a manifestá-lo sem amarras.

Contudo o cargo de chefe de Estado exige contenção do ocupante, e as brasileiras merecem respeito num país que enfrenta grave desigualdade de gênero.

No Global Gender Gap, ranking do Fórum Econômico Mundial que avalia paridade entre os sexos em 146 países, o Brasil saiu da 94ª posição em 2022 para a 57ª em 2023, mas caiu para 70ª no ano passado. Somos superados por vizinhos como Chile (21ª), Argentina (32ª) e Peru (40ª).

Dentre os quatro setores analisados (economia, educação, saúde e política), o Brasil tem a pior avaliação no último. Está longe de satisfatório o nível de participação feminina na seara do poder público. E falas como a de Lula sobre a ministra de Relações Institucionais não contribuem para ampliar esse espaço.

Cabo de Santo Agostinho - IPTU 2025

Do jornal O Globo

Em seu discurso durante ato em Copacabana, neste domingo, o ex-presidente Jair Bolsonaro se defendeu da acusação de golpe, da qual pode se tornar réu ainda este mês, fez comparações entre seu governo e do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse ter angariado apoios na Câmara dos Deputados para aprovar a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023. A liberação dos presos é a principal pauta da manifestação de hoje na Zona Sul do Rio, em que o líder do PL reuniu governadores, deputados e apoiadores.

— Há poucos dias, tinha um velho problema e resolvi, com o (Gilberto) Kassab em São Paulo. Ele está ao nosso lado com a sua bancada para aprovar a anistia em Brasília — afirmou. — Todos os partidos estão vindo.

Procurado, Gilberto Kassab não respondeu. Em busca de apoio ao projeto de anistia, Bolsonaro deixou de lado os ataques a Kassab e teve uma conversa reservada com o presidente do PSD, no mês passado. Em março do ano passado, o ex-presidente havia atacado o cacique em uma lista de transmissão do WhatsApp por ter três ministérios no governo Lula. A aproximação entre os dois também tem como pano de fundo a sucessão do governo de São Paulo: caso Tarcísio de Freitas tenha a benção de Bolsonaro para se candidatar à presidência no ano que vem, Kassab, que é secretário de Governo, é um dos cotados na corrida para a vaga.

Em seu discurso, Bolsonaro citou casos de pessoas presas pelos ataques antidemocráticos de 2023 e levou para o palco a família de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como “Clezão”, que morreu em novembro de 2023, após um mal súbito no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Sua defesa havia pedido a conversão da pena em prisão domiciliar, mas a análise ainda não havia sido feita pelo STF.

— Quem é ou foi a liderança dessas pessoas? Não tiveram. Elas foram atraídas para uma armadilha — afirmou Bolsonaro.

Em 8 de janeiro de 2023, grupos de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro furaram um bloqueio montado pela Polícia Militar na Esplanada dos Ministérios e invadiram as sedes dos três Poderes — Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). Os invasores depredaram o interior do Congresso, do Planalto e do STF, em ações registradas e transmitidas pelas redes sociais. No entorno do Planalto, os bolsonaristas entraram em conflito com a polícia e subiram a rampa, uma semana após a cerimônia de posse de Lula no mesmo local.

O ex-presidente também voltou a questionar sua derrota nas urnas, em 2022. Alegou que enchia manifestações “até maiores que essa”, que “estava com o agro 100% fechado” e que aumentou os valores do Bolsa Família para R$ 600.

— Nosso governo fez seu trabalho. Por que perdeu a eleição?

Discursos

Neste domingo, também houve no carro de som com críticas ao STF, ao ministro Alexandre de Moraes e em defesa de Bolsonaro como candidato em 2026. Os discursos eram embalados por efeitos sonoros que tentavam ressaltar a gravidade das falas ou criar um clima emocionante.

Govenador de São Paulo e cotado para substituir Bolsonaro nas urnas, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) afirmou que é “correto garantir a anistia para aqueles que nada fizeram”.

— Qual a razão de afastar Jair Bolsonaro das urnas? É medo de perder a eleição? Eles sabem que vão perder. Estamos aqui para exigir a anistia dos que receberam penas desarrazoadas — disse.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também criticou o STF e citou o ministro Alexandre de Moraes, que, neste momento, foi vaiado pelo público. Ele afimou que o magistrado “não tem um voto” e “tem decidido a vida de pessoas”.

— Esse não é país de ministro do STF, nem é da esquerda — afirmou o deputado, que teve o maior tempo de discurso antes de Bolsonaro.

Já o pastor Silas Malafaia, organizador do evento e pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, chamou o ministro Alexandre de Moraes de “criminoso”. Ele disse ainda que o STF “tem sido o supremo tribunal da injustiça e da politicagem barata”

— A partir do inquérito das fakes news, Alexandre de Moraes cria o crime de opinião e estabelece a censura. Ele rasga várias leis. Ele, por exemplo, não pode presidir esse inquérito porque ele é vítima.

Presidente do PL, Valdemar da Costa Neto não tocou no tema da anistia. Ele focou seu discurso na economia.

— Tenho fé que Bolsonaro vai ser o candidato de 2026. A gasolina está cara? A carne está carne? Por isso Bolsonaro tem que voltar.

Toritama - Prefeitura que faz

Na última sexta-feira (28), a justiça espanhola negou o pedido de prisão preventiva do jornalista Oswaldo Eustáquio, solicitado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. A decisão ocorreu após uma Manifestação Oficial enviada por um grupo de 21 parlamentares brasileiros, liderados pelo deputado Coronel Meira (PL-PE), às autoridades espanholas, pedindo que a extradição e a prisão preventiva do jornalista fossem negadas.

Para Coronel Meira, Eustáquio é um perseguido político por emitir sua opinião. “Somamos esforços em mostrar isso às autoridades espanholas. Essa perseguição é absurda. Agradeço aos 20 deputados que assinaram a manifestação junto comigo. Vivemos um momento delicado em que a nossa liberdade está em vias de ser censurada e o mundo precisa saber disso tudo. Essa é a primeira derrota internacional de Moraes, que seja a primeira de muitas”, afirmou.

O mandado de prisão foi encaminhado pelo Itamaraty e solicitado dentro do contexto de um processo que visava garantir a prisão de Eustáquio para responder ao processo de extradição. Moraes havia acusado o jornalista de desobedecer a ordens ao continuar utilizando redes sociais, o que, segundo a defesa, não ocorreu, uma vez que Eustáquio não está utilizando redes sociais no Brasil.

“Prevaleceu a Justiça e a verdade. Esse meu périplo pela liberdade custou caro, custou tudo, mas está sendo ferramenta para mostrar ao mundo que o Brasil passa por uma crise no Judiciário, a ajuda do deputado Coronel Meira e dos outros 20 parlamentares foi fundamental para essa vitória. Os ventos estão mudando e a verdade pouco a pouco aparecendo”, disse Eustáquio.

O advogado de defesa, Ricardo Vasconcellos, protocolou um pedido de paralisação do processo de extradição até que se julgue o pedido de asilo político que ele fez no país. A base do pedido, segundo informou, é o Decreto Real 12/2009, que diz que a solicitação de asilo político deve paralisar o processo de extradição em qualquer etapa. “Até o momento, não há uma condenação contra Eustáquio, sequer uma acusação formal”, afirma.

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Para o ato em Copacabana, no Rio, em favor da anistia para Bolsonaro, o PL de Pernambuco enviou uma Delegação, à frente o deputado federal Coronel Meira (PL/PE). Ainda o deputado estadual Abimael Santos (PL/PE) e o vereador de Olinda, Sarmento (PL/PE).

Por Weslley Galzo

Do Estadão

Da periferia de Paulista, cidade da região metropolitana do Recife, para as disputas de poder no movimento estudantil e na política institucional em Brasília. O trânsito por realidades diferentes e a adaptabilidade nesses espaços são marcas da trajetória de Manuella Mirella, atual presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Aos 28 anos, ela é a primeira mulher negra e nordestina a presidir a entidade estudantil.

Manuella Mirella faz parte da nova série do Estadão “Nomes para ficar de olho”, que traz perfis em texto e vídeo de jovens que devem ganhar projeção no debate público nacional nos próximos anos.

Em 87 anos de existência, a UNE revelou diversos quadros da política nacional, como o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB), o líder do PT na Câmara, deputado federal Lindbergh Farias (RJ), e o também deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP). Esse histórico sempre torna o presidente da organização estudantil uma grande promessa.

Há anos, a entidade é presidida por estudantes da União da Juventude Socialista (UJS), braço jovem do PCdoB. Manuella não foge à regra, o que a coloca com um pé na política partidária e de olho nos movimentos da política institucional.

Mas para isso foram anos de preparação. Ela é filha de feirante e empregada doméstica e foi a primeira da família a ingressar no ensino superior. É formada em Química pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e cursa Engenharia Ambiental na FMU.

A jovem, aliás, teve no ensino superior o berço de sua formação política. “Na universidade comecei a sentir na pele a luta de classes. Via ali a discrepância da realidade. Se eu não tivesse os R$ 2 para comer no RU (Restaurante Universitário), ia ficar com fome (…), enquanto outros amigos iam para restaurantes”, diz em entrevista ao Estadão.

Foi também na Rural de Pernambuco que Manuella Mirella exerceu seu primeiro cargo de liderança, como presidente do Centro Acadêmico do curso de Química e do Diretório Central dos Estudantes. As experiências pavimentaram o caminho para que a jovem assumisse a liderança da UNE em julho de 2023, aos 26 anos, com quase 75% dos votos.

Funcionamento da política na prática

As atribuições do mandato fazem com que Manuella tenha papel relevante em discussões nacionais relacionadas à educação e integre órgãos de participação popular do governo federal, como o Conselhão – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, composto por representantes da sociedade civil.

A experiência no governo Lula, afirma, a ensinou sobre o funcionamento da política na prática e sobre a importância do diálogo. A participação no Conselhão, no Conselho de Participação Social e nos grupos de trabalho de Educação e Periferia fizeram-na interagir com setores sociais dos quais não é próxima, a exemplo do empresariado.

Apesar de integrar órgãos consultivos, a jovem afirma que a relação com o governo Lula demanda luta para conseguir que as pautas da UNE sejam efetivadas. Ela, no entanto, pondera que a correlação de forças e a abertura para negociações com a atual gestão melhoraram em relação ao tratamento que a entidade recebia no governo de Jair Bolsonaro. “No governo Bolsonaro a gente não chegava nem na porta do MEC, era expulso pela polícia. Hoje, dentro do Ministério da Educação, a gente segue lutando”, diz.

Manuella e a UNE têm no Congresso Nacional outra importante frente de luta e articulação. A jovem cita como principal bandeira de seu mandato a participação nas discussões de renovação da Lei de Cotas no País – política da qual foi beneficiada na universidade.

Outra disputa que tentou liderar no comando da entidade, mas sem resultados tão positivos, foi a mobilização por uma reforma universitária. A proposta defendida pela UNE é de que haja mais verba para as universidades e investimento em tecnologia de ponta, assim como regulação do setor privado.

Futuro político

Manuella não esconde que a presença em espaços institucionais e de disputa de poder a deixam animada, ainda mais com o histórico de ex-presidentes da UNE que migraram para a política institucional. Por outro lado, é cautelosa em relação às pretensões para o futuro – o mandato à frente da entidade estudantil acaba em julho. Por ora, seus planos de carreira envolvem terminar a segunda graduação e iniciar um mestrado sobre biocombustíveis e energia renovável, mas frisa que segue “à disposição para lutar onde for necessário”.

“A nossa luta é pela renovação. Tanto a Câmara, quanto as Assembleias Legislativas e nas vereanças do Brasil, acho que é necessário renovar com pessoas que tenham ideais progressistas, que pensem no coletivo, na melhoria do nosso povo”, afirma.

O comedimento de Manuella contrasta com o opinião de seus mentores na política, caso do deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB-PE). Ele classifica a estudante como uma “militante muito combativa e inteligente” e projeta a presidente da UNE em disputas na política institucional e partidária nos próximos anos.

“Eu penso que é o caminho natural (ela ser candidata). É claro que isso não é só uma questão de querer, de achar que é possível, de vontade. Está relacionado a certas condições que se criam, porque há um processo eleitoral”, afirma Calheiros. “Nenhum jovem é mais credenciado que ela, pela projeção, pela experiência que adquiriu, pela liderança que tem.”

Por Dora Kramer

Da Folha de S.Paulo

Impressiona, embora não surpreenda, a relutância dos parlamentares em atender ao quesito de transparência do artigo 37 da Constituição escrita pelo Congresso ao qual pertencem.

A recusa de fazer jus à Carta de 1988 já ficou patente em 2022 quando a então ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, confirmou a ilegalidade do chamado orçamento secreto e o Parlamento simplesmente ignorou a sentença.

Dois anos depois, Flávio Dino assumiu a cadeira dela, decidiu dar um fim ao desrespeito e pegou o touro na unha. Tentou por bem, chamando ao STF representantes do Legislativo e do Executivo para um acordo mediante o qual o uso das emendas seria rastreável e com identificação de autoria.

Não adiantou. Na época presidente da Câmara, Arthur Lira (PP) saiu do encontro dando sinais evidentes de que não adiantaria mesmo. E assim foi, com manobras de aparência que mal disfarçavam a tentativa de burlar não o STF, mas a legalidade.

Aí, com respaldo o colegiado, Flávio Dino tentou por mal e suspendeu a liberação dos recursos. Como o fez em período eleitoral em que as emendas não poderiam mesmo ser pagas, os congressistas não deram muita bola, voltando à carga com o término do pleito.

Foi usada a mais poderosa e perversa arma de pressão: o Orçamento da União, travado até hoje com votação atrelada à liberação total do dinheiro.

Numa demonstração de boa vontade ao Congresso e atenção ao Executivo, o ministro Dino aceitou um plano de trabalho em forma de resolução legislativa que acaba de ser aprovada com o quê? Mais um truque de escape.

Bancadas partidárias e comissões podem apresentar emendas sem identificação de autoria. Às favas, portanto, com a transparência e a obediência à lei.

Se deputados e senadores resistem tanto à divulgação plena dos dados de um instrumento, como dizem, benéfico à população e, portanto, passíveis de render dividendos eleitorais, é porque algo de podre há a esconder. Como de resto indicam as dezenas de investigações sobre desvios em curso no Supremo.