Moura não era boêmio nem amava tanto a noite como Carlos Pena Filho, conforme me revelou o jornalista Aldo Paes Barreto, secretário de Imprensa do então governador. Na época, vinha de uma bem-sucedida passagem pela Prefeitura de Macaparana, sua terra natal, onde começou a sua vida pública aos 21 anos.
Carlos Pena se foi muito cedo e seu amigo parceiro da lamentável tragédia seguiu na vida pública. Moura Cavalcanti construiu uma carreira sólida, apesar de aliado ao regime militar, para quem bateu continência a vida inteira.
Era tio do ex-governador Joaquim Francisco, que o tinha como referência política e de gestão. Ficou órfão de pai e mãe muito cedo, sendo criado pelos avós. Seus familiares eram proprietários de terras na região de Timbaúba, herdadas por ele quando completou a maioridade.
Foi advogado e militante político de direita. Nas eleições de 1960 acompanhou o então governador Cordeiro de Farias no apoio ao candidato a presidente Jânio Quadros. Com a vitória de Jânio, Moura foi nomeado governador do então território do Amapá.
Durante sua gestão, construiu uma estrada ligando Macapá à Guiana Francesa, deu continuidade à construção de uma usina hidrelétrica e racionalizou a exploração dos minérios de ferro naquela região, a partir do aprofundamento das pesquisas de campo e do levantamento aéreofotogramétrico da região.
Sua passagem pelo Amapá foi efêmera, um ano apenas, porque Jânio, o candidato que adotou como símbolo uma vassoura, prometendo varrer a corrupção, renunciou. De volta a Pernambuco, foi nomeado secretário de Administração do governo Paulo Guerra e depois secretário extraordinário no governo Nilo Coelho.
Em 1970, o então presidente general Emílio Garrastazu Médici fez Moura presidente do Incra, quando deu inicio ao processo de colonização da Amazônia. Em 1973, Moura Cavalcanti foi nomeado ministro da Agricultura, estimulando empreendimentos agropecuários na Amazônia, o que segundo ele, era o único caminho para o desenvolvimento da região.
Criou a Embrapa, elaborou o Plano de Desenvolvimento de Pesca e encaminhou a criação do Código Nacional de Bebidas, regulamentação que viria a ser conhecida como Lei dos Sucos. Em 15 de março de 1974 com o fim do governo Médici, Moura passou a postular o governo de Pernambuco, e numa eleição indireta na Assembleia Legislativa, teve 46 votos, derrotando Paulo Maciel e Marco Maciel. Assumiu o posto em 15 de março de 1975.
Durante o seu governo, ficou marcado pela construção das barragens de Carpina e de Goitá, a drenagem do Rio Capibaribe para conter os efeitos das enchentes daquela época, iniciou a construção do Terminal Integrado de Passageiros (TIP), construiu o Centro de Convenções e lançou a pedra fundamental do Complexo Industrial de Suape em 1978, projeto já iniciado pelo seu antecessor Eraldo Gueiros.
Um dos principais legados de Moura Cavalcanti foi forjar quadros na política, como Gustavo Krause, sobrinho da esposa dele, José Jorge, Joaquim Francisco e Maviael Cavalcanti. Após deixar o governo de Pernambuco em 1979, sendo sucedido por Marco Maciel, Moura Cavalcanti se dedicou aos negócios privados, também teve que se tratar de um câncer e vítima de complicações da doença morreu em 28 de novembro de 1994.
Foi um dos políticos mais emblemáticos de Pernambuco. Como governador, andava com batedores pelas ruas do Recife, fechava o trânsito e era extremamente autoritário. O jornalista Jorge Bastos Moreno escreveu no jornal O Globo que Ulysses Guimarães foi hostilizado numa visita a Caruaru quando Pernambuco era governado por Moura.
“Ulysses deve, e muito, sua consolidação política de líder da oposição à ditadura aos cavalos do então governador de Pernambuco, Moura Cavalcanti, em 1973, e aos cachorros do governador Roberto Santos, em 1978.
“Cavalos e cachorros eram as armas preferidas da ditadura para combater meu marido”, disse dona Mora, viúva de Ulysses, numa entrevista a Moreno.
Moura morreu intrigado de Marco Maciel. Aliás, suas mágoas com Maciel foram reveladas por ele a mim numa longa entrevista quando eu atuava no Diário de Pernambuco.
O procurei para falar sobre o livro que havia escrito sobre suas memórias, com um capítulo especialmente dedicado a sua relação de amor e ódio com Marco Maciel. As desavenças começaram quando ele derrotou Maciel na eleição indireta para governador, em 1974.
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