O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, enfrenta uma crescente crise com os servidores, que estão em greve há 50 dias. Após tentar reprimir o movimento com cortes de ponto e medidas judiciais contra a greve, Stefanutto viu sua liderança ser duramente questionada.
Representantes dos grevistas ocuparam o 10º andar, onde fica a sala da presidência, em busca de diálogo, mas foram ignorados enquanto o presidente permaneceu trancado em seu escritório durante a noite. O episódio gerou repercussão nas redes sociais, e a pressão resultou na suspensão das medidas repressivas, ainda que não tenham sido totalmente revogadas.
Os servidores do INSS têm reivindicado mudanças profundas em suas condições de trabalho e na estrutura de suas carreiras. Entre os principais pedidos está o reconhecimento da carreira como essencial ou típica de Estado, o que traria maior estabilidade e valorização para a categoria.
Um vídeo onde servidores em greve se queixam do corte do ponto circula nas redes sociais. Assista:
Outra demanda é a elevação da escolaridade exigida para o ingresso na carreira, buscando melhorar o nível de qualificação dos profissionais. Além disso, eles exigem uma reestruturação das tabelas remuneratórias, visto que o vencimento básico da categoria está abaixo do salário-mínimo.
Os grevistas também apontam que o acordo feito durante o governo Bolsonaro, que previa melhorias para a classe, vem sendo sistematicamente descumprido. O descontentamento é agravado pelo fato de o acordo da greve atual ter sido assinado por uma entidade que não realizou assembleias nem consultou a categoria antes de fechar o documento, o que levou à continuidade da greve.
A insatisfação com Stefanutto cresceu entre os servidores, que agora pedem sua saída. Com o endurecimento das ações contra os grevistas, os servidores passaram a se apoiar financeiramente por meio de doações entre si, diante dos descontos salariais impostos.
Além disso, um vídeo publicado por Stefanutto declarando o “fim da greve” e ameaçando os grevistas gerou grande repercussão negativa, forçando o presidente a desabilitar os comentários. A gestão do INSS tem sido criticada pela falta de transparência e diálogo, enquanto Stefanutto enfrenta a acusação de ser autoritário e favorecido pelo ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. Muitos servidores questionam se o governo Lula permitirá que essa gestão continue conduzindo as relações trabalhistas no INSS.
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